Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco.
Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.
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Três anos se passaram desde o ataque de Peter Pettigrew à casa da família Potter. Quando Lily e James haviam regressado da festa do Ministro da Magia, naquela noite, ficaram em choque ao descobrirem o corpo sem vida da bondosa bruxa que havia se prontificado a cuidar dos meninos. Com o coração apertado, os dois correram ao andar de cima para verificar seus filhos, Lily com os olhos banhados de lágrimas ao imaginar o que poderia ter acontecido. Contudo, ao ingressarem no primeiro quarto, o quarto de Harry, o casal se viu surpreendido pela inusitada cena que se seguiu: o corpo de ninguém menos que Peter Pettigrew no chão do aposento, os olhos vazios e sem vida, enquanto, sentado na confortável poltrona aveludada ao lado do berço, Tom embalava um adormecido Harry em seus braços murmurando uma canção de ninar.
Logo em seguida, em meio ao alvoroço causado pela chegada dos Aurores, que vasculharam a memória de Tom para verificar o ocorrido, apareceram também Sirius, Remus, Dumbledore e alguns integrantes do Profeta Diário, que ao descobrirem que Harry havia repelido a Maldição da Morte, viram-se no meio de um gigantesco furo jornalístico.
O restante da noite foi uma loucura.
Mas em momento algum, Tom se afastou de seu irmãozinho.
No dia seguinte, Harry seria conhecido no mundo mágico como o primeiro mago a sobreviver à maldição assassina.
Desde então, inúmeros feitiços de segurança foram lançados na casa, mas para alívio da família Potter nenhum ataque como este voltou a acontecer. No entanto, um novo tipo de tensão pairava no ar quando James trazia novidades do Quartel General de Aurores, o qual estava lidando agora com um pequeno grupo de magos e bruxas praticantes de magia negra e possuidores de sentimentos elitistas em relação aos muggles e nascido muggles. Este grupo de pouco mais de dez magos e bruxas havia nascido há poucos anos e começado a criar problemas com uma caçada cruel, mas esporádica, no mundo muggle. Infelizmente, nenhum deles havia sido preso ainda, mas segundo James era apenas questão de tempo para isso acontecer.
Lily, por sua vez, com a ajuda das outras mães que viviam em Godric's Hollow havia criado uma escolinha: Escola Infantil Leõezinhos – cujo nome fora idéia de James e Sirius – que funcionava das 13h00min às 17h00min e oferecia maternal e ensino fundamental para que todas as crianças do povoado não precisassem viajar para Londres todos os dias. Ela havia comprado uma casa grande próxima à igrejinha do povoado e reformado sua estrutura, que agora oferecia seis salas de aula – uma para o maternal e as outras cinco dividas de 1ª a 5ª série – no andar de cima, no qual se encontravam também os banheiros impecavelmente limpos. No andar de baixo havia um espaçoso refeitório com quarto mesas grandes que lembravam as de Hogwarts – em escala muito menor, é claro –, a sala dos professores, uma equipada cozinha com arsenal tecnológico muggle de última geração e na saída para os fundos da casa o imenso jardim havia sido transformado num playground com parquinho.
Dessa forma, as mães que ficariam ociosas em suas casas o dia inteiro, agora se dividiam em cuidar do maternal, que contava com sete crianças de um a cinco aninhos, bem como ensinar matemática, ciências, história e geografia para o ensino fundamental que possuía em média cinco ou seis alunos em cada sala de aula. Lily, além de diretora da escolinha, também dava aula de língua inglesa e latim, sendo que o último era opcional e aderido geralmente pelas crianças cujos pais eram bruxos e que assim, iriam para Hogwarts um dia.
A brilhante aluna da casa Gryffindor, Lily Evans, que sempre havia mergulhado nos mais diversos livros e via imenso prazer em longos ensaios de poções e lições de casa para as férias, agora via no ensino de gerações futuras uma grande alegria. Ela definitivamente não poderia estar mais feliz, ainda mais ao contemplar o poderoso laço de afeto que havia nascido entre seus filhos e que se fortalecia a cada dia.
Três anos haviam se passado desde o ataque de Peter Pettigrew.
Desde então, Tom se recusava a se afastar por muito tempo de seu irmãozinho.
E dessa forma, o pequeno Harry cresceu envolvido pelo afeto e pela segurança que o maior desprendia.
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Era um agradável final de tarde no povoado de Godric's Hollow, com o sol oferecendo um brilho ameno e uma brisa refrescante varrendo as folhas das árvores que caíam em meio ao outono. Neste belo cenário, uma sorridente e pequenina criança, cujo cabelo preto parecia ter sido atingido por um furacão e que destacava seus enormes olhos verdes-esmeraldas, os lábios rosados e as bochechas encantadoramente rechonchudas apesar do corpinho fino corria pela casa em direção à cozinha com uma bola colorida em suas mãozinhas. Este pequeno furacão de quatro aninhos de idade era Harry Potter:
- Harry, cuidado!
Lily, que naquele momento preparava o jantar, observou com horror seu filho caçula esbarrar na mesa da cozinha fazendo um conjunto de pratos caírem em sua direção. Entretanto, antes mesmo que habilidosa bruxa pudesse alcançar sua varinha, Harry havia sido puxado para trás por um corpo maior enquanto os pratos se espatifavam no chão.
- Tom... – a mulher suspirou aliviada.
E Harry, nos braços do irmão, abriu um grande sorriso.
- Você precisa colocar um feitiço de segurança nesses tipos de objetos, mamãe.
- Tem razão – deu um pequeno sorriso. Ela não podia acreditar que estava sendo repreendida pelo seu filho de sete anos de idade, mas, às vezes, Tom demonstrava uma maturidade fora do comum, ainda mais se estivesse em jogo segurança de Harry.
- Mamãe, podemos brincar lá fora?
- Isso depende, Harry, você terminou a sua lição?
- Er... – o menor olhou para o irmão, que logo tomou a palavra:
- Sim, eu o ajudei.
- Então tudo bem, mas voltem quando eu chamar.
Era mentira, Harry sequer havia aberto seu livro, mas Tom não se preocupava com isso. Se Harry quisesse brincar agora, então eles brincariam. Mas depois, quando os dois voltassem da pracinha, ele ajudaria o menor a pintar as letras do alfabeto na ordem correta para que pudesse levar amanhã na escolinha. Com isso em mente, Tom levou o irmão para brincar na pracinha do povoado com sua nova bola adornada de desenhos de hipogrifos que mudavam de cores, a qual havia ganhado de Sirius.
Chegando ao local, porém, Tom deixou escapar um suspiro resignado ao notar que a pracinha em questão estava cheia de crianças muggles.
- Você quer brincar com a sua bola ou no balanço, Harry? – perguntou suavemente.
- No balanço – sorriu, apontando para o modesto parquinho que se destacava ao centro da pracinha – Você me empurra?
- É claro que sim.
Os dois, então, seguiram para o balanço de ferro pintado de azul, cuja tinta havia começado a descascar devido aos dias de chuva. Segurando as correntes com firmeza, enquanto a bola permanecia em seu colo, Harry sorria feliz ao ser empurrado pelo irmão, que era forte o suficiente para fazê-lo chegar bem alto. Eles passaram longos minutos assim, Harry desfrutando ao tentar alcançar o céu e Tom sorrindo calorosamente ao ouvir os risos do irmão, empurrando mais forte sempre que este pedia, mas atento para que não fosse alto de mais e assim, o menor acabasse se machucando.
Contudo, num determinado momento, a bola de Harry acabou escapando de seu colo e rolado para longe, quase em direção à saída da pracinha, fazendo seus olhos se encherem de lágrimas:
- Minha bola... – murmurou, levantando-se para correr atrás dela. Mas a voz firme de seu irmão o deteve:
- Não saia daqui, eu vou pegá-la.
- Mas...
- Não se preocupe – sorriu, afagando o cabelo bagunçado tão diferente do seu, que permanecia sempre pulcramente arrumado.
Deixando um pequeno sorriso adornar seus lábios, Harry observou o maior se afastar para recuperar o precioso brinquedo que havia ganhado de Sirius, quando, de repente, um grupo de cinco meninos grandes e mal encarados se colocou na sua frente. Com medo, Harry agarrou firmemente as grades do balanço, lançando a eles um olhar receoso.
- Hey, menina, saia daí, nós queremos brincar também.
- Eu não sou uma menina – murmurou, as bochechas tingidas de vermelho.
- É claro que é.
- Não sou não, eu não uso vestidos!
- E daí? Minha mãe também não usa.
- E nem minha irmã – afirmou o outro – E mesmo assim elas são meninas.
- Mas eu não sou – levantou-se do balanço, indignado, piscando rapidamente para afastar as lágrimas – Meu nome é Harry e eu sou um menino!
- Harry? Seu nome deveria ser Harriet – afirmou um deles e os outros riram.
- Sim, porque você parece uma menina – acrescentou o outro, com maldade, fazendo-se ouvir ainda mais risos.
Neste momento, as belas esmeraldas acabaram se enchendo rapidamente de lágrimas e Harry apertou suas mãozinhas no short azul-marinho que usava, o qual sua mãe escolhera para combinar com a camiseta azul celeste e os sapatinhos da mesma cor. Foi neste momento também que perigosos olhos castanho-avermelhados se estreitaram de raiva:
- O que está acontecendo aqui?
- Tom! – Harry gritou, correndo para abraçar a cintura do maior e esconder o rosto em seu peito, enquanto este lhe abraçava protetoramente.
- Eles estão aborrecendo você, Harry?
- E se estivermos, o que você vai fazer, pirralho? – um deles, que parecia ter mais de nove anos, perguntou irritado.
Com um sorriso cruel no quanto de seus lábios, que enviou um arrepio de medo aos cinco meninos, Tom apenas os encarou fixamente e afirmou com a voz suave e fria:
- Na verdade, o que eu vou fazer é muito simples, até muggles nojentos como vocês poderão entender.
Harry se encolheu em seus braços. Ele sabia que seu irmão pouco tolerava os muggles desde que haviam visitado a irmã de sua mãe, Petunia Dursley, e esta os havia insultado apenas pelo fato de possuírem magia.
- Se vocês aborrecerem o meu irmão – continuou Tom – eu vou garantir que esta seja a última coisa que vocês façam em suas curtas vidas.
- Do que você está falando, pirralho...!
- Se vocês se aproximarem dele novamente, ou apenas olharem para ele, à noite vocês irão acordar com os gritos dos seus pais, que estarão se afogando no próprio sangue e implorando a misericórdia divina. Então, após testemunharem a morte de cada membro da família, eu vou garantir que vocês tenham seus corpos cortados em pedacinhos pequenos com os quais eu possa alimentar todos os cães deste vilarejo sem levantar qualquer suspeita. E ninguém irá suspeitar de mim, sabe por quê? Porque eu sou apenas um pirralho, como você mesmo disse.
- Você... Você não poderia!
- É... É isso mesmo!
- S-sim, você não conseguiria...!
- É mesmo? E me digam uma coisa, o quanto vocês apostam nisso?
Sorriu.
Um sorriso cruel.
Os olhos tingidos de vermelho.
E na mesma hora, os cinco meninos saíram correndo, aos gritos:
- MAMÃE!
- SOCORRO! MAMÃE!
Com um suspiro resignado, o maior se agachou para observar o irmãozinho:
- Você está bem, Harry?
- Sim, obrigado – sorriu sem deixar de abraçá-lo.
- Não se preocupe, eu não vou deixar ninguém incomodar você, nunca.
- Promete?
- Prometo.
- Obrigado – murmurou, estendendo os bracinhos para cima para que o irmão o pegasse no colo. E este imediatamente atendeu ao silencioso pedido –... Tom?
- O que?
- Você anda assistindo muitos filmes de terror com o papai e o Sirius, sabia?
- Tudo bem, você me pegou, mas a mamãe não precisa saber disso.
Seguindo de volta para casa, os dois compartilhavam um sorriso cúmplice, Harry apoiando a cabeça no ombro do irmão enquanto este o carregava num abraço possessivo. Esta era uma cena cálida e cheia de ternura cada vez mais freqüente em Godric's Hollow.
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- Meninos, subam para o banho e se arrumem enquanto eu termino o jantar – Lily solicitou, assim que os dois adentraram na casa pela porta dos fundos, que dava acesso à cozinha – O pai de vocês fez o favor de me avisar só agora que Sirius e Remus também estão vindo, então preciso colocar mais dois pratos na mesa e fazer a bendita torta de merengue para a sobremesa senão Sirius vai ficar choramingando o resto da noite.
- Tudo bem, mamãe – Tom apenas sorriu divertido.
- Você precisa de ajuda para dar banho no seu irmão?
- Não, pode deixar.
- Então não demorem e nem façam bagunça.
- Ok.
No banheiro, depois de se desfazer das roupas sujas, Tom adentrou com Harry na banheira de água morna e se colocou a lavar os cabelos revoltos do menor com o novo shampoo com essência de maçã que sua mãe havia comprado e que não ardia nos olhos. No entanto, ele percebeu que Harry estava estranhamente silencioso, brincando com certo desânimo com os dragõezinhos de borracha que esguichavam água.
- Aconteceu alguma coisa, Harry?
- Não.
- Tem certeza?
- Sim. É bobagem...
- Então aconteceu – enxaguou o shampoo dos cabelos de Harry enquanto passava a lavar os seus – Por que você está assim?
- Eu... – murmurou, virando-se para encarar o irmão – Você acha que eu pareço uma menina?
- Não. Por quê?
- É que os meninos da pracinha...
-... são um bando de idiotas – Tom interrompeu, enxaguando os cabelos e em seguida, colocando-se a ensaboar o menor com uma esponja no formato do Simba, o filhote leão daquele desenho muggle que sua mãe sempre colocava para eles assistirem – Você não parece uma menina, porque as meninas são chatas e irritantes, não param de falar de si mesmas e rir umas com as outras, vivem preocupadas apenas com seus cabelos, laços e fitas e usam apenas cor-de-rosa, o que é feito e... irritante, muito irritante – afirmou com convicção, lembrando-se das meninas que estudavam em sua sala, na escolinha.
- Mesmo? – perguntou o menor, as lindas esmeraldas brilhando de expectativa.
- Sim, nenhuma menina pode se comparar a você, Harry, você é perfeito e elas são apenas...
- Irritantes? – sugeriu com um enorme sorriso. E Tom concordou, correspondendo ao sorriso.
Quando ambos estavam limpos e impecáveis e com cheirinho de maçã, Tom saiu da banheira e colocou o pequeno roupão verde-musgo que sua mãe havia comprado há alguns dias para ele – ganhando reclamações de seu pai, que acusou o pobre roupão de ser muito Slytherin – e em seguida, enrolou o menor na felpuda toalha creme que segurava, levando-o no colo para o quarto. Instantes depois, os dois irmãos estavam no conforto de seus pijamas, Tom usando um simples conjunto de calça preta e camisa branca com o desenho de uma fênix negra no centro e Harry, adorável, vestindo um conjunto de calça e camisa branca de algodão no qual se destacavam os desenhos de pequenos pomos-de-ouro.
- Você precisa terminar sua lição, Harry – comentou o maior, enquanto enxugava os cabelos do caçula, sentados os dois na cama de Harry.
- Eu sei.
- Então pegue seu livro.
Poucos minutos depois, Tom ensinava o menor a pintar apenas as letras do alfabeto, as quais estavam misturadas com números e símbolos. E rapidamente, Harry fez o que era preciso, contando com a ajuda de seu irmão. Foi então que eles ouviram o barulho da chaminé, que indicava a chegada de seu pai e de seus padrinhos, e na mesma hora, os dois correram para a sala de estar a fim de recepcioná-los:
- Remus!
- Sirius!
Gritaram ao mesmo tempo. Tom correndo para abraçar seu padrinho, Remus, ao mesmo tempo em que Harry se jogava nos braços de Sirius.
- Hey, e quanto a mim?
- Olá, papai – responderam em coro, mais interessados, porém, nos presentes que seus padrinhos traziam.
- Você perdeu, James, está na cara que meus afilhados gostam muito mais de mim.
- É claro, você que está com os embrulhos – replicou indignado, ao que Sirius apenas lhe mostrou a língua, numa resposta igualmente madura.
Instantes depois, em meio a pedaços de embrulhos dourados e fitas vermelhas no chão da sala, Harry e Tom conferiam seus presentes com um enorme sorriso. Tom havia ganhado de Sirius uma mini vassoura de corrida na qual um boneco exatamente igual a um jogador de Quadribol estava montado e um livro infantil intitulado: "História da Magia Ilustrada" de Remus. Harry, por sua vez, havia ganhado um Dragão Verde-Gales de pelúcia de Sirius e um livro de conto de fadas de Remus. Ficava claro, portanto, que mesmo que Remus fosse oficialmente o padrinho de Tom e Sirius oficialmente o padrinho de Harry, os dois marotos não faziam diferença e paparicavam os meninos como se ambos fossem seus afilhados e Harry e Tom, é claro, não poderiam ser mais felizes com isso.
Depois das crianças guardarem os presentes e Sirius limpar a bagunça na sala com um balançar de varinha, ao receber um perigoso olhar de Lily, todos seguiram para a sala de jantar onde a deliciosa refeição preparada pela ruiva havia sido servida:
- Lily, meu doce anjo, você fez torta de merengue para a sobremesa?
- Sim, agora pare de me bajular, Sirius – revirou os olhos, sorrindo, enquanto colocava os pratos de seus filhos.
Logo o delicioso jantar que consistia de peito de frango ao molho de ervas finas, arroz branco e batatas assadas era apreciado por toda a família. Lily sorria com doçura ao observa a interação de seus filhos: Tom, ao lado do irmão, cortava o peito de frango em pequenos pedaços para que o menor pudesse mastigar com mais facilidade e se preocupava em limpas os lábios de Harry com o guardanapo de pano em seu colo sempre que um pouco de molho se dispunha a sujá-los. Era encantador, observavam os adultos, enquanto Remus contava a respeito de Hogwarts, pois há mais de quatro anos ocupava o cargo de professor de Defesa Contra as Artes Obscuras. Num determinado momento, porém, a conversa se viu desviada para o surgimento deste novo grupo de bruxos elitistas:
- Nenhuma novidade ainda – informou James com um suspiro.
- O Quartel General de Aurores está uma confusão. De repente precisamos correr para Londres muggle para investigar uma pista, mas então os salafrários acabam escapando sem deixar vestígio
- Sirius, não use esse linguajar na frente dos meus filhos.
- Desculpe, Lily – murmurou, lançando uma piscadela para os meninos.
- E como se não bastasse, agora estamos há meses sem qualquer pista – James lamentou, bebendo mais um gole de vinho.
- Na minha opinião, esse magos e bruxas elitistas podem muito bem ser pessoas como Malfoy ou os Lestrange, que deixam bem claro sua posição em relação ao que eles chamam de supremacia dos sangues-puros.
- Concordo com você, Lily.
- Eu também concordo, Remus, mas infelizmente pessoas como Lucius Malfoy e Rodolphus Lestrange possuem indiscutível influência no Ministério da Magia – informou James – Não podemos apenas invadir suas casas para procurar rastros de magia obscura.
- Infelizmente – concordou Sirius.
- Mamãe, o que é sengue-puro?
- Sangues-puros, Harry, são pessoas que nasceram em famílias inteiramente formadas por bruxos.
- Oh...
- E algumas dessas pessoas acham que os nascidos-muggles, como a mamãe, não deveriam estudar magia.
- Por quê?
- Porque eles se acham melhores e pensam que os nascidos-muggles não são capazes de usar corretamente sua magia.
- Mas você é a melhor bruxa que existe – afirmou Tom, confuso.
- Obrigada, querido – sorriu com doçura – mas essas pessoas se deixam levar apenas pelo preconceito em relação aos muggles.
- Eu não gosto de muggles, eles são ignorantes, mas também não gosto desses sangues-puros – Tom concluiu.
James e Sirius se entreolharam, confusos, enquanto Remus sorria e Lily lançava ao filho mais velho um olhar compreensivo:
- Você apenas não deve generalizar isso, querido, isto é, achar que todos são assim. Existem muggles que não são ignorantes, mas muito inteligentes e dispostos a aceitar aquilo que é diferente deles mesmos, como também existem sangues-puros que são fascinados pelos muggles e aceitam facilmente sua existência e modo de vida.
Tom ponderou as palavras de sua mãe por alguns segundos, e depois concordou em silêncio, não muito convicto.
- O papai, por exemplo, é sangue-puro e adora os muggles.
- Na verdade, James, você passou a adorá-los depois de descobrir as maravilhas da TV via satélite e dos carros de corrida.
- Não seja má, Lily!
Em meio às risadas que se seguiram, a sobremesa foi servida, para alegria de Sirius.
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Ao anoitecer, Harry e Tom seguiram para o andar de cima obedecendo às ordens de sua mãe, que não queria vê-los acordados até tarde. Depois de se despedirem de seus padrinhos e de ganharem um beijo de boa noite de seus pais, os dois seguiram para o quarto com o intuito de se entregar a mais uma confortável noite de sono nos braços de Morpheus. O quarto em questão possuía duas camas de solteiro, incrivelmente espaçosas, e separadas por um criado mudo com um bonito abajur em sua superfície, o qual combinava com as cores creme, azul-clara e branca que formavam a decoração do aposento, desde as cortinas esvoaçantes até as poltronas aveludadas e às prateleiras de madeira clara cheias de brinquedos e acessórios infantis.
Este quarto, outrora, pertencera apenas ao caçula da família, mas desde a fatídica noite do ataque de Peter Pettigrew, Lily e James se viram obrigados a adaptá-lo, pois Tom havia se recusado a dormir longe de seu irmão e este chorado desesperadamente ao sentir-se afastado da protetora presença do mais velho. Assim, os dois passaram a dormir juntos e o quarto de Tom se transformou numa brinquedoteca, isto é, num lugar para guardar e brincar com seus inúmeros brinquedos.
- Escovou os dentes? – perguntou o mais velho, desviando os olhos do interessante livro que havia ganhado de seu padrinho, ao ver o menor ingressar no aposento após sair do banheiro.
- Sim.
- Fez xixi?
- Sim.
- Lavou as mãos?
- Sim, Tom – suspirou com um gracioso biquinho – Você é pior do que a mamãe às vezes, sabia?
Oferecendo-lhe apenas um sorriso divertido, Tom se afastou um pouco em sua própria cama, abrindo mais espaço, e levantou as cobertas para que o menor pudesse se deitar ao seu lado. De fato, desde que Harry trocara o berço pela cama, a cama escolhida fora a de seu irmão mais velho. No início, o menor se esgueirava no meio da noite para a segurança e o calor de Tom, mas de uns tempos para cá isso não se fez mais necessário, pois o maior o acolhera de bom grado.
- Tom... – murmurou, os braços ao redor do irmão e a cabeça apoiada em seu peito.
- Sim?
- Eu não estou com sono.
- É mesmo?
- É... – olhando para cima, Harry fez sua melhor carinha de cachorrinho perdido –... Você poderia me contar uma história do livro que o Tio Remus trouxe?
- Não sei.
- Por favor?
- Hum... O que eu ganho em troca?
- Eu não conto para a mamãe que foi você que acabou com os biscoitos de nata?
- Tentador, mas você vai ter que melhorar sua oferta.
- O que você gostaria?
- De um sorriso.
Harry piscou algumas vezes, confuso, mas depois ofereceu ao irmão um lindo sorriso, perguntando-se como Tom poderia parecer assustador às outras crianças se na verdade, era incrivelmente doce e um verdadeiro príncipe.
- Agora sim, negócio fechado, pequeno – comentou divertido, alcançando o livro novo de Harry na gaveta do criado mudo – Qual história você quer ouvir?
- Que tenha um príncipe valente, dragões e... e... um beijo!
- Na verdade, todas as histórias se resumem a isso – revirou os olhos, folheando o livro – Vejamos, aqui, esta parece interessante.
Com um sorriso de deleite e um olhar atento para o irmão, Harry se acomodou melhor em seu peito e se pôs a ouvir a história:
- "Era uma vez, num reino muito distante, uma terra ensolarada, onde nobres e aldeões viviam muito felizes. Todos viviam felizes porque o príncipe do reino não deixava nenhum mal ferir seus súditos e derrotava todos os perigos que se aproximassem de suas terras prósperas e banhadas pela da agricultura. O príncipe era muito inteligente, querido, poderoso e de inestimável beleza, que sempre protegia os demais, empunhando sua espada dourada. O nome do príncipe era..."
- Tom! – Harry interrompeu com um sorriso feliz.
- O que?
- Não, o nome do príncipe era Tom!
- Mas aqui está escrito...
- Não importa – garantiu, os olhos brilhando de admiração – O príncipe é inteligente, bonito e poderoso, então, o príncipe é você!
- Certo – concordou, correspondendo ao inocente sorriso do menor – "O inteligente e agora ainda mais bonito príncipe Tom, no entanto, sentia-se cada vez mais solitário em seu reino. Então, para afastar a solidão e ao mesmo tempo, tranqüilizar seus súditos, o príncipe Tom decidiu caçar o dragão feroz que ameaçava comer todos os suprimentos do reino..."
- Oh... Qual dragão era?
- O livro não especifica.
- Mas eu quero saber... – murmurou, fazendo beicinho.
- Ok. Ok... – suspirou – Então o perigoso dragão era um Rabo Córneo Húngaro, satisfeito?
- Sim!
- Continuando... – revirou os olhos, divertido – "O incrivelmente charmoso príncipe Tom..."
- Você está chamando ele assim de propósito!
- É claro que sim – piscou, ouvindo o menor rir – "O incrivelmente charmoso príncipe Tom descobriu, então, que o dragão se escondia numa caverna ao extremo norte do seu reino, onde o sol quase não alcançava e os dias eram sempre frios e sem vida. Num ato de imensurável bravura, o príncipe seguiu para a caverna, sozinho, caminhando dias e noites a fio..."
- Ele parava para dormir?
- Sim.
- E para comer?
- Também.
- E o que ele comia?
- Ele fazia uso de suas incríveis habilidades e caçava sua comida na floresta.
- Oh...
- "Quando o príncipe chegou à caverna, o dragão estava adormecido, assim, o príncipe empunhou sua espada e arremeteu contra a besta selvagem. Contudo, no exato instante em que a espada atingiria o coração do dragão, este acordou e desviou do golpe, começando, então, uma árdua batalha. A batalha perdurou por horas, ou dias, mas o príncipe usou toda a sua coragem e não desistiu, apunhalando finalmente o dragão num último golpe cheio de astúcia. – O reino está a salvo – pensou o príncipe, seguindo para a saída da caverna, mas, de repente, um curioso brilho chamou sua atenção e ele se aproximou do fundo da gruta".
Harry ouvia atentamente, quase sem piscar, o que divertia o mais velho.
- "Para surpresa do príncipe, ao chegar ao fundo da caverna, um esquife de cristal adornado de pedras preciosas se erguia. E dentro dele, o príncipe Tom observou a pessoa mais bela que ele havia visto em sua vida. E então, o príncipe soube que se aquela pessoa estivesse ao seu lado, ele nunca mais se sentiria sozinho. Assim, retirando a tampa de cristal, ele se aproximou e seguiu o que o seu coração dizia: que para despertar aquele belo anjo, seria necessário apenas um beijo de amor verdadeiro. Beijou-a. E em seguida, a bela princesa acordou, seu nome era..."
- Harry!
- Harry?
- Sim, o nome da princesa era Harry.
- Mas...
- Se você é o príncipe, então eu serei a princesa que estará sempre ao seu lado para você nunca se sentir sozinho – sorriu, imensamente feliz com sua constatação.
- Princesas geralmente são meninas, você sabe disso, não é?
- Eu sei, mas as meninas são irritantes – recitou as palavras de seu irmão com sabedoria – Então, só eu posso ser a sua princesa, né?
- É claro, você é a única princesa que eu quero, pequeno– sorriu, beijando-lhe a testa com carinho e em seguida, voltando à adaptada leitura – "Quando o príncipe Tom e a princesa Harry voltaram para o reino houve uma grande festa. E então, os dois perceberam que nunca mais estariam sozinhos, pois um pertencia ao outro agora. E assim, eles viveram felizes para sempre. Fim."
Com um sorriso sonolento, Harry murmurou, aninhando-se nos braços do irmão:
- Obrigado, Tom.
- De nada – sorriu, colocando o livro de volta na gaveta.
- Tom...
- O que?
- Você sempre será o meu príncipe, não é mesmo? Sempre comigo para me proteger?
- É claro que sim – rodeou o pequeno corpo com seus braços – E você sempre será a minha princesa, que nunca deixará eu me sentir sozinho.
- Sim...
Com os olhos fechados, quase dormindo, Harry se aproximou do irmão e juntou seus lábios num casto beijo, selando aquela promessa. E Tom, por sua vez, abraçou-o ainda mais apertado sentindo um agradável calor inundar seu coração.
- "Ninguém... – pensava Tom –... Ninguém poderá nos separar".
E com um sorriso nos lábios, os dois mergulharam finalmente no mundo de Morpheus.
Continua...
Próximo Capítulo: Harry chorava encolhido atrás do irmão, olhando com medo para seu pai.
- Ele é meu filho – grunhiu James, irritado.
- Ele é meu irmão – replicou Tom, encarando-o perigosamente – Não ouse encostar um dedo nele.
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N/A: Olá, meus queridos leitores, como vocês estão nesta agradável manhã de 40 graus na sombra? – morrendo de calor – Céus, de 2012 não passa mesmo, mas eu espero escrever muitos capítulo até lá... Hehehe...
Então, o que vocês acharam deste novo capítulo? O chibi (pequeno) Harry e o chibi Tom não são a coisa mais fofa desse muito? Hehehe... E o Tom, é claro, não perde seu ar natural de Lord das Trevas mesmo aos sete anos de idade crescendo em meio a uma família doce e amorosa, mas é isso aí, quem ousar importunar o Harry vai enfrentar o lado Dark Lord dele.
Espero que vocês continuem apreciando a história e que deixem suas REVIEWS com as impressões do que estão achando do decorrer dos capítulos. Isso é muitíssimo importante para mim para que eu possa continuar com a fic.
Um grande beijo e meus agradecimentos especiais às Reviews de:
Inu... Neko Lolita... St. Lu... Nicky Evans... xXxMartelxXx... dreyuki... vrriacho... Malukita... Rafaella Potter Malfoy... TaiSouza... Bruner Morete... sonialeme... Polarres... Nailly... sskittyblue... Kimberly Anne Potter... FranRenata... Kamilla Riddle... Ines G. Black... Sandra Longbottom e Lilavate!
O próximo capítulo de O Pequeno Lord será atualizado em uma semana ou duas.
Peço desculpas por qualquer eventual atraso, porque agora as aulas começaram... – pausa para um suspiro triste.
Um grande Beijo!
E até a próxima, pessoal.
