Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco.
Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

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Os anos pareciam passar rapidamente e na residência da família Potter, em Godric's Hollow, os irmãos Tom e Harry cresciam cada vez mais unidos. Naquela ensolarada manhã de quinta-feira, Tom, agora aos dez anos de idade, acordara antes de sua mãe aparecer para chamá-los, o que era bastante comum na verdade. E com um sorriso sonolento no rosto, colocou-se a acariciar os cabelos bagunçados do menino de sete anos que permanecia adormecido abraçado à sua cintura:

- Harry, acorde – chamou com suavidade – precisamos ir para a escola.

- Hum...

- Vamos, acorde seu dorminhoco.

- Hum... Não quero... – murmurou sonolento, enterrando o rostinho no peito do irmão.

Com um pequeno sorriso, Tom roçou seus lábios na cicatriz em forma de raio, beijando-a e sentindo, assim, aquela característica onda de eletricidade mágica quase imperceptível, mas incrivelmente reconfortante percorrer os seus lábios.

- Só mais cinco minutos – concedeu, levantando-se em seguida.

- Não... – Harry resmungou, encolhendo-se na cama, ao sentir a repentina ausência do irmão – Fique...

Mas Tom apenas balançou a cabeça, divertido, e seguiu ao banheiro para se arrumar para a escola. Instantes depois, quando voltou para o quarto devidamente asseado, o cabelo negro, liso e impecavelmente penteado, vestindo o uniforme da escola, que consistia de calça azul marinho, camisa branca e gravata de listras azuis marinhas e brancas – o que segundo Lily e as outras mães era uma roupa encantadora –, observou seu irmãozinho enrolado em si mesmo, dormitando, mas sem conciliar muito bem o sono, o que sempre acontecia quando o mais velho não estava por perto.

Sem pensar duas vezes, Tom se aproximou da cama e o pegou no colo, ao que Harry instintivamente passou os bracinhos ao redor de seus ombros, enterrando o rostinho em seu pescoço:

- Está na hora, pequeno – sussurrou, levando-o para o banheiro.

A primeira porta em frente ao quarto consistia de o banheiro em questão, o qual era bem espaçoso, contando com uma banheira conectada à parede, onde Harry e Tom sempre tomavam banho quando chegavam da escolinha e uma ducha integrada a esta, que era usada geralmente quando seus pais estavam com pressa e queriam que os meninos se arrumassem logo para sair. Um conjunto de armários brancos embutidos na parede dispunha de toalhas, shampoos, sabonetes e todos os artigos de higiene necessários e rodeava um grande espelho que ficava em cima do lavabo, o qual não era muito alto e assim, Tom facilmente colocava o menor sentado lá em cima para asseá-lo com mais facilidade.

- Aqui está – entregou a escova de dente com pasta para Harry que, ainda sonolento, fora colocado em cima do lavabo pelo irmão.

Finalmente, após escovar os dentes, Harry esticou os bracinhos e deixou-se trocar de roupa pelo mais velho. Então, não demorou muito e logo o sonolento menino de olhos esmeraldas estava usando o conjunto de calça azul marinho e camisa branca enquanto Tom lhe ajustava a pequena gravata com um sorriso divertido, pois Harry tentava inutilmente domar seus cabelos enquanto isso.

- Meninos, o café da manhã está na mesa.

Eles ouviram a voz de sua mãe chamá-los da escada e quando Tom se certificou de que os sapatos de Harry já estavam bem amarrados, pegou-o no colo outra vez, saindo do banheiro com o menino em seus braços. Levá-lo no colo, na verdade, não era nada difícil: Harry era leve e pequeno para os seus sete anos e Tom, aos dez anos, já era alto e sério o bastante para ser facilmente confundido com um rapazinho de doze anos de idade e ele ficava feliz com isso, porque assim podia cuidar facilmente de seu irmão.

Somente no final das escadas ele colocou Harry no chão outra vez e este, finalmente acordado, ofereceu-lhe um lindo sorriso:

- Bom dia, Tom – cumprimentou, abraçando o irmão.

- Bom dia, pequeno – respondeu o maior, rodeando-lhe com seus braços. E assim, eles seguiram para a cozinha, onde o delicioso cheio de panquecas com mel imperava.

Então, mais um dia na casa da família Potter tinha início, nesta agradável rotina.

Uma rotina que os irmãos Tom e Harry desejavam que nunca chegasse ao fim.

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Quando Harry e Tom chegaram à escolinha, acompanhados de sua mãe, logo foram cumprimentados por duas sorridentes senhoras de meia idade que Lily contratara como monitoras, às quais Harry tinha muita simpatia, pois ambas sempre lhe presenteavam com doces no final do intervalo. Tom, no entanto, despediu-se de sua mãe no portão e ignorando todos os demais, seguiu com o irmão em direção às salas de aula.

Esta atitude não era novidade para Harry.

Na verdade, Tom sempre agia daquela forma.

Tom não se preocupava em lançar um mísero olhar ao demais. Todas as crianças morriam de medo de seu ar sério e obscuro e não havia ninguém que o encarasse por mais de dez segundos. E assim, Tom se mantinha num pedestal imponente e ameaçador, afastando todas as outras crianças – que eram insignificantes, em sua opinião. E Harry, por sua vez, não se importava com o fato de não possuir nenhum amigo justamente porque a obscura aura de seu irmão espantava todos eles. Ele não se importava porque a companhia de Tom era tudo o que ele precisava.

Obviamente, Lily havia percebido que seus filhos não interagiam com as outras crianças, mas, sem se preocupar muito, decidira não forçá-los a nada, achando que não havia nada melhor do que dar tempo ao tempo para ambos amadurecer e romper aos poucos o poderoso laço que os unia.

- Trouxe sua lição?

- Sim – Harry sorriu, retirando o livro vermelho de sua mochila.

Como era usual, Tom havia seguido com o menor para a sala de aula da primeira série, onde colocara Harry sentado em sua habitual carteira ao lado da janela. O mais velho iria permanecer ali até a professora chegar e ser obrigado, então, a seguir para a sua própria sala de aula, no final do corredor, com a turma da quarta série.

Na sala de Harry, as meninas com seus laços e fitas coloridas nas cabeças não paravam de dar risadinhas e apontar para o bonito menino da quarta série, sem se atrever, no entanto, a se aproximar dele ou de seu irmão.

- Eu o verei mais tarde, pequeno – murmurou, ao ouvir o sinal estridente e observar a alegre professora de artes, vizinha da rua debaixo, adentrar na sala.

- Tudo bem.

- Comporte-se, ouviu?

- Pode deixar, Tom – sorriu, fechando os olhos por alguns segundos ao sentir os lábios de seu irmão pressionar levemente em sua testa, em cima da cicatriz.

Então, Tom se afastou.

E aquele era o momento mais triste do dia.

O momento em que os dois se separavam.

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As horas passavam e Harry ouvia a professora falar sem prestar atenção realmente. Ele já havia anotado as palavras que compunham aquele ditado, o qual contava a história de Johnny, o prestativo menino que fora comprar morangos para sua mãe na mercearia do bairro. Agora, Harry usava seus lápis de cores para pintar os desenhos dos morangos de vermelho brilhante e por vezes, lançava olhares perdidos em direção à janela, perguntando-se quando tocaria o sinal do intervalo para que assim pudesse ver seu irmão outra vez.

Uma voz suave, então, chamou a atenção de Harry:

- Oi...

- Oi – encarou com pouco interesse a menina loira sentada ao seu lado que o havia chamado.

- Você poderia me emprestar o lápis verde-claro?

- Por que você não usa o seu? – perguntou com genuína curiosidade.

Com o rosto tingido de vermelho, a menina desviou o olhar, grunhindo em seguida:

- Porque ele não está pintando direito!

- Oh... Ok.

Dando os ombros, Harry estendeu o lápis para a menina, começando a entender o porquê de seu irmão achá-las tão irritantes afinal. Ao pensar em seu irmão, porém, um pequeno sorriso passou a adornar seus lábios, enquanto seus olhos voltavam a se perder na paisagem exibida do outro lado da janela.

Seu desejo, naquele momento, resumia-se a ouvir o sinal tocar.

E assim, poder estar com seu irmão novamente.

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Tom, por sua vez, suspirava entediado naquele momento. As listas com os vinte exercícios de matemática, que a professora acabara de passar na lousa, encontravam-se prontas e impecáveis em cima de sua mesa. Na verdade, ele não conseguia entender como as outras crianças poderiam parecer tão desesperadas em meio a questões matemáticas tão ridículas como estas, que se resumiam a problemas básicos de divisão e multiplicação, cuja análise dependia apenas do conhecimento ínfimo dos números naturais e racionais.

- Tom, você já acabou? – a professora perguntou bastante surpresa.

- Sim.

- Oh... Então, por favor, faça o exercício cinco na lousa.

Revirando os olhos e sem se preocupar sequer em apanhar o caderno, Tom se levantou e seguiu à frente da sala, onde resolveu o exercício pedido de maneira impecável.

- Excelente Tom! Excelente! – a mulher sorriu, colando uma estrelinha dourada em seu caderno. O aludido, no entanto, arqueou uma sobrancelha com desdém, mas deixou o adesivo ali, pois mais tarde o colaria no caderno de Harry.

Seu irmãozinho sempre sorria quando ganhava essas estrelinhas.

- Nerd... – um dos garotos sentados no fundo da sala murmurou com seu grupinho e Tom, virando-se lentamente em sua cadeira, lançou-lhes um olhar gélido.

Este olhar, na mesma hora, fez os meninos rapidamente se encolherem em suas cadeiras sentindo um arrepio de medo. E Tom se viu satisfeito com isso. Este era o lugar para pessoas insignificantes: encolhidas, chafurdadas em seus medos ridículos, apenas devido à sua presença.

O sinal indicando o horário do intervalo, porém, interrompeu seus pensamentos.

E um sorriso sincero se desenhou em seus lábios quando ele se levantou para sair ao encontro de seu irmão caçula.

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No momento em que Harry deixou a sala de aula para seguir ao refeitório, assim como as outras crianças, não se surpreendeu ao encontrar na porta da sala a estóica figura de seu irmão a sua espera. E Harry não pôde conter um sorriso ao observá-lo: seu irmão parecia simplesmente tão legal, indiferente e descolado ali encostado na parede, os braços cruzados e um olhar naturalmente superior em seu rosto bonito. Parecia-se quase com um garoto de doze ou treze anos, Harry observou, um brilho de pura adoração em suas esmeraldas.

- Você está bem, pequeno?

- O que? – murmurou, encarando finalmente aqueles conhecidos olhos castanhos que agora o fitavam com preocupação – Oh, sim, está tudo bem.

- Tem certeza?

- Absoluta. Vamos? – perguntou com um lindo sorriso, agarrando-se ao braço do maior – Hoje a professora disse que o meu desenho era um dos mais bonitos da sala, sabia?

- Eu aposto que era o mais bonito de todos.

- Eu guardei para você, é uma fênix, igual a do professor Dumbledore.

Tom franziu ligeiramente o cenho ao pensar no velho mago que sempre visitava seus pais, pelo qual parecia naturalmente possuir um sentimento de antipatia e desgosto, mas a quem Harry professava sempre um grande apreço quando o velho mago aparecia e presenteava-os com Sapos de Chocolate e Feijõezinhos de Todos os Sabores...

Os pensamentos de Tom, porém, foram cortados pela suave voz de uma menina, que havia interrompido seus passos, impedindo que os dois pudessem continuar em direção ao refeitório:

- Harry, espere!

O aludido, então, reconheceu a menina que havia falado com ele na aula. Ao seu lado, Tom estreitou os olhos com um ar de poucos amigos para a pobre menina, que estremeceu, sem se atrever a encarar o menino maior.

- Er... Eu me esqueci de devolver seu lápis – seus olhos brilhavam num azul bonito, combinando com as delicadas presilhas que adornavam os cachos dourados – Então... Er... Obrigado, Harry.

- De nada.

Por um breve instante, Harry se sentiu culpado, porque ele não fazia idéia de como a menina se chamava.

- Você gostaria de almoçar comigo? – ela perguntou abruptamente – Er... E seu irmão pode vir também, quero dizer, se ele quiser...

- Não, obrigado – Harry respondeu simplesmente – Nós preferimos ficar sozinhos.

- Mas...

- Saia!

Num arranque de magia acidental, Tom arremessou a pobre menina há dois metros de distância, o que a fez gritar de horror, mais pelo susto do que pela dor em si. Instantes depois, Lily e as monitoras, seguidas de várias crianças curiosas, apareceram no corredor.

- O que está acontecendo aqui? – perguntou a diretora olhando para seus filhos – Harry? Tom?

Vendo que seu irmão ainda estava tomado pela fúria e por aquela inexplicável onda de magia, Harry acabou tomando a palavra, aflito para proteger o maior de se meter em qualquer encrenca:

- Foi um acidente.

- Um acidente? – Lily repetiu.

- Sim, ela caiu... – E então, Harry fixou suas belas e agora mais do que nunca magnéticas esmeraldas na assustada menina – Você tropeçou e caiu, não é mesmo?

- Eu... Eu acho que sim...

Suspirando de alívio, após lançar um imperceptível feitiço para se certificar de que a menina não estava machucada, Lily pediu para que uma das monitoras levasse a menina – Juliet – para casa e avisasse sua mãe do pequeno incidente ocorrido, indicando, assim, que seria melhor que ela passasse o resto da tarde em sua casa. Em seguida, sob a silenciosa ordem da diretora, todas as crianças voltaram para o refeitório, onde poderiam continuar a apreciar o delicioso almoço preparado naquele dia.

- Meninas são mesmo irritantes – Harry sussurrou no ouvido do irmão, que sorriu, sentindo toda a sua raiva infundada desaparecer, enquanto ele abraçava firmemente o menor e assim, adentravam no espaçoso salão.

O delicioso almoço daquela quinta-feira consistia de arroz, feijão, torta de franco com requeijão, legumes na manteiga e salada de tomate com azeitonas. Havia ainda suco de maça ou uva para acompanhar e de sobremesa, para alegria de Harry, mousse de chocolate. A refeição era servida em bandejas de inox impecavelmente limpas, tão limpas que parecia até magia, e todos podiam repetir quantas vezes quisessem, bastava entrar na fila.

- Toma, pode pegar minha sobremesa – concedeu Tom, colocando um segundo potinho de mousse na bandeja de Harry, ao se sentarem lado a lado em uma das mesas.

- Jura? – seus olhinhos brilhavam – Obrigado Tom!

- Você se encanta com tão pouco – comentou divertido.

- Não é pouco, é chocolate, oras!

- Oh, é claro...

- A mamãe não nos deixa comer chocolate sempre que queremos porque ela diz que faz mal – murmurou, fazendo beicinho, e Tom não pôde deixar de sorrir:

- Então não deixe que ela veja.

Compartilhando um olhar cúmplice, os dois continuaram a conversar sobre suas aulas e outras trivialidades, apreciando aquela deliciosa refeição e o momento juntos e é claro, ignorando todas as outras crianças que os rodeavam, imersos em seu próprio mundo: um mundo que não abria espaço para estranhos.

Desde a mesa dos professores, por sua vez, Lily observava seus filhos com um pequeno sorriso. Ela havia visto o contrabando de mousses.

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Não demorou muito para o final da tarde anunciar o encerramento do período escolar e assim, ao som do sinal estridente, as crianças logo foram deixando a escola e seguindo para suas casas. Naquele dia, Tom e Harry voltaram para casa acompanhados de sua mãe, pois Lily não precisara ficar até mais tarde para resolver qualquer questão burocrática desta vez como por vezes acontecia.

Em casa, os dois foram mandados para o banho, enquanto Lily se ocupava de preparar o lanche. Ela estava concentrada cortando os pãezinhos para os mini-sanduiches que seus filhos adoravam, quando, de repente, ouviu a Rede de Flú pedindo para ser estabelecida na sala.

- "Estranho..." – pensou, olhando no relógio, pois ainda não estava na hora de James chegar.

Com um simples feitiço em direção à chaminé, Lily descobriu que a ligação vinha de Hogwarts e dessa forma, guiada pela curiosidade Gryffindor, deixou que o canal entre as chaminés fosse estabelecido. No instante seguinte, ao observar o homem de vestes negras e olhar mal humorado ingressar em sua sala, um radiante sorriso surgiu nos seus lábios:

- Severus!

- Lily... – cumprimentou o homem, lançando um rápido feitiço para eliminar o Pó de Flú de sua roupa – Como você está?

- Estou bem, melhor agora que meu melhor amigo finalmente decidiu me visitar.

- Você sabe o motivo de eu não aparecer.

- Infelizmente, eu sei – suspirou – ainda sinto falta do meu conjunto de xícaras de porcelana que você e o James destruíram no aniversário cinco aninhos do Harry com a discussão ridícula de vocês.

Severus pelo menos teve a decência de parecer envergonhado.

Contudo, antes que o homem pudesse se desculpar pela centésima vez, uma voz infantil adentrou no aposento:

- Mamãe, eu estou com fome, quando o lanche vai... – Harry, no entanto, parou abruptamente de falar, fixando seus olhos no recém chegado. E no instante seguinte, lançou-se aos seus braços:

- Tio Sev!

O aludido sentiu um pequeno tique em seu olho direito ao ouvir o apelido, mas não disse nada a respeito, pois Lily sorria. E Tom logo chegou ao lado de sua mãe, arqueando uma sobrancelha e balançando a cabeça para o homem de vestes negras, numa saudação silenciosa. Naquele dia, Severus havia aproveitado a tarde livre de aulas em Hogwarts para visitar sua melhor amiga e levar alguns presentes para seus filhos, isto é, um kit de poções infantil e um livro introdutório de poções para crianças.

Instantes depois, Severus e Lily estavam sentados no sofá, conversando e apreciando uma deliciosa xícara de chá de hortelã com canela enquanto Harry brincava com o kit de poções no tapete e Tom, sentado numa poltrona ao lado do sofá, folheava com interesse o livro de poções que ganhara, e que lhe parecera fascinante.

- Eu sempre soube que você seria um ótimo professor – a mulher ruiva sorria.

- Slughorn também, ou o seu desejo era apenas se aposentar mais depressa.

- Não seja bobo, Severus, mas me diga como estão as coisas em Hogwarts?

- Idênticas – revirou os olhos com desdém – Dumbledore continua sendo um velho gagá sorridente; McGonagall uma mulher ranzinza que não suporta as inúmeras derrotas que Gryffindor vem sofrendo no Quadribol; o lobisomem inútil continua a me importunar para lhe preparar poções para que ele não coma as crianças a cada lua cheia e assim segue a vida...

- Você e seu humor negro são inacreditáveis, Sev – comentou divertida.

Harry, nesse meio tempo, havia se cansado de brincar com o kit de poções e como sempre ficava entediado quando o irmão se colocava a ler os seus livros chatos e sem figuras, retirou do seu bolso um pequeno objeto: um pomo de ouro que havia ganhado de Sirius no último Natal, ao qual passou a perseguir, correndo ao redor da sala, entre risos.

Severus, por sua vez, encarava a criança com evidente desgosto:

- Continua igual ao Potter – murmurou.

Lily, no entanto, apenas riu e se levantou para apanhar alguns biscoitos na cozinha, comentando no caminho:

- Não seja mau, Sev. Na verdade, as únicas coisas em que Harry e James se parecem são o cabelo bagunçado e a diversão que sentem ao perseguir pequenos objetos dourados que voam...

O professor de poções apenas grunhiu, observando sua amiga desaparecer em direção à cozinha, no exato momento em que um pequeno furacão de cabelos bagunçados tropeçou em suas pernas, acabando por cair no seu colo:

- Desculpe, Tio Sev – um sorridente rostinho surgiu à sua frente.

Um rostinho de bochechas rosadas e impressionantes olhos verdes esmeraldas que destilavam inocência e ternura, acompanhados de um radiante sorriso. E aquele rosto de traços angelicais, Severus constatou, jamais seria o rosto de James Potter: aquele era o belo e delicado rosto de Lily impresso em seu filho.

Severus, então, deixou escapar um pequeno sorriso, afagando os cabelos do menino:

- Está tudo bem, Harry, apenas fique mais...

Um repentino movimento, porém, interrompeu suas palavras.

Harry havia sido bruscamente arrancado de seus braços pelo irmão mais velho, o qual encarava o adulto com seus olhos castanho-avermelhados brilhando perigosamente, possessivamente, numa fria advertência para Severus, que se viu estremecendo inconscientemente, quase com medo, sob o olhar de uma criança de dez anos:

- "Uma criança muito estranha..." – pensou, observando Tom voltar a se sentar na poltrona, agora com o irmão menor em seus braços. E Harry, por sua vez, havia se esquecido do resto do mundo e cochilava tranqüilo com o rostinho enterrado no pescoço do irmão, respirando o seu característico perfume e se sentindo feliz na segurança daqueles braços acolhedores.

- Tom... – murmurou sonolento, em seu pescoço, aninhando-se mais.

- Durma – ordenou o maior, abraçando-lhe protetoramente, e continuando a folhear seu livro. E Harry obedeceu com um sorriso.

Ligeiramente atordoado, e sem conseguir desviar os olhos daquela inusitada cena, Severus não pôde deixar de pensar:

- "Mas que relação mais estranha...".

E o astuto professor de poções era a primeira pessoa a pensar dessa forma.

Mas ele não seria a última.

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Os dias, desde então, logo se tornaram semanas, e as semanas não demoraram a se transformar em meses. Dois meses haviam se passado e nesse meio tempo, o Mundo Mágico vivia em constante tensão, uma vez que a crescente onda de ataques ao Mundo Muggle só se fazia aumentar. Ataques estes aos quais os meios de comunicação muggles passaram a chamar de atentados terroristas. Não obstante, além destes ataques brutais, os nascidos muggles que assistiam à Hogwarts sofriam com constantes represálias e ameaças, via telegramas e berradores por meio de corujas, e a cada dia temiam mais pela segurança de suas famílias.

Esta grande tensão que pairava em todo o Mundo Mágico era claramente refletida no Quartel General de Aurores, onde todos se mantinham em constante alerta, dentre os quais se destacava James Potter, que estava a um passo de assumir o cargo de chefia quando Williamson se aposentasse daqui algumas semanas.

- James! – sem a mínima cerimônia, não que isto fosse novidade, é claro, Sirius interrompeu em sua sala – Um novo ataque foi interceptado!

- Onde?

- Na estação de metrô principal de Londres Muggle.

- Convoque o pelotão – ordenou depressa, encarando seu vice-comandante e melhor amigo – Vamos!

No instante seguinte, o pelotão alfa do Quartel General de Aurores, isto é, o pelotão de elite liderado por James Potter, com Sirius Black como segundo no comando, aparatou para o local do ataque.

O barulho das explosões podia ser ouvido há dezenas de metros de distâncias, enquanto uma cortina de fumaça conjurada com magia impedia que os muggles se aproximassem do local da batalha, permanecendo, então, a gritar em pânico:

- Terroristas!

- Ataque terrorista! No metrô de Londres!

No subterrâneo, enquanto isso, Aurores e bruxos de vestes e máscaras negras cobrindo seus rostos duelavam violentamente. Todavia, com a chegada de reforços para os Aurores, os bruxos mascarados logo perceberam que não teriam a mínima chance, pois estavam em número muito menor. Eles, então, começaram a aparatar fugindo um a um.

- Impeça-os! – Sirius gritou, mas era tarde de mais.

Todos já haviam fugido.

Todos... Exceto um descuidado mago, que se distraiu por um segundo com uma explosão, e apenas um segundo foi o que James precisou para lançar o feitiço:

- Petrificus Totalus!

E no mesmo instante, o corpo atingido caiu imóvel no chão.

- Levem-no – ordenou James – Chegou a hora de obtermos algumas respostas.

Horas depois, na úmida e fria sala de interrogatórios do Quartel General de Aurores, James e Sirius olhavam com exasperação para o homem todo ensangüentado e cheio de hematomas roxos no corpo, amarrado firmemente à cadeira, e cujo rosto já estava despojado da máscara negra, revelando, assim, a identidade de Ethan Rosier. A família Rosier não era muito grande nem influente no Ministério da Magia, mas era conhecida pelos seus ideais preconceituosos e elitistas e pelos vastos recursos financeiros que possuíam.

- Não adianta, o idiota não vai falar – Sirius resmungou, de braços cruzados, encostado na parede ao lado da porta de ferro.

James, então, abaixou a varinha, encarando o prisioneiro com ódio mal dissimulado.

- Ele está certo... – cantarolou Rosier, cuspindo um pouco de sangue –... Não é nada pessoal, Potter, mas um poderoso feitiço no proíbe de falar além do necessário.

- Quem é o seu chefe? – James perguntou, irritado, ignorando suas palavras.

- Eu não sei... – sorriu com deboche – Nenhum de nós sabe...

- Bem, talvez no próximo ataque desses miseráveis a gente capture alguém menos inútil – comentou Sirius, suspirando em seu lugar.

- Oh, não seja ingênuo, Black. Agora que nós percebemos que você estão atentos e até competentes o bastante para interceptar um de nós, os novos ataques demorarão meses, talvez anos para voltarem a acontecer... Ah, mas quando eles voltarem... Hehe... Será pura diversão e...

De repente, porém, antes mesmo que Rosier pudesse terminar de falar, seus olhos se arregalaram e o que parecia ser uma morte súbita lhe acometeu para grande frustração de James e Sirius.

- Droga – o herdeiro da fortuna Black murmurou, aproximando-se do corpo sem vida – seja qual for essa maldição, ela funciona mesmo.

- Ela se parece com o Voto Perpétuo.

- Mas em escala muito maior.

- De fato – James suspirou, guardando a varinha e lançando um último olhar enojado ao cadáver no meio da sala – Vamos, ainda precisamos mandar alguém retirar o corpo.

- E agora vem a minha parte favorita – anunciou com sarcasmo – a burocracia.

- Entrar em contato com a família...

- Que com certeza vai dizer que o pobre Ethan estava sob efeito da Maldição Imperio.

- É claro.

Naquele momento, enquanto massageava as têmporas para aliviar a tensão, James desejava apenas que aquele estressante dia chegasse logo ao fim para que ele pudesse voltar para sua casa e principalmente, para sua tranqüila família.

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Enquanto isso, na casa da família Potter, alheio ao estressante dia de seu pai, Harry se encontrava sozinho e entediado naquele final de tarde. Isto se devia principalmente ao fato de sua mãe haver pedido para Tom levar uma receita de torta de abacaxi para a senhora Halliwell, que vivia na rua debaixo e há duas semanas não parava de cobrar a matriarca da família Potter para lhe passar a deliciosa receita. E Tom, sem a menor animação, acabou por acatar ao pedido. Harry, porém, como não havia terminado sua lição, fora proibido de acompanhar o irmão.

Todavia, agora que sua lição já estava pronta, o menor andava de um lado para o outro na sala de estar como um filhote de leão enjaulado. Ele sentia falta de seu irmão. Ele se sentia sozinho e cansado do silêncio e da monotonia. Então, Harry decidiu procurar alguma coisa interessante para se distrair até seu irmão chegar e como não estava nem um pouco disposto a ajudar sua mãe a preparar o jantar, ele tomou o caminho contrário no corredor que levava à cozinha e decidiu explorar o escritório de seu pai.

Era uma idéia brilhante.

Ao menos na mente de Harry.

Pois ele poderia esperar seu pai chegar do trabalho para que brincassem juntos.

O aposento em questão era forrado de estantes de madeira escura e de aparência muito cara e antiga, nas quais se encontravam inúmeros objetos estranhos e livros mais velhos do que os que haviam na modesta, mas ainda sim elaborada biblioteca da casa, livros estes que nem mesmo Tom tinha autorização para mexer. Ao centro, logo à frente da única janela, havia uma espaçosa mesa de mogno, sobre a qual estavam situados alguns livros, tinteiros e diversos pergaminhos.

Com um radiante sorriso, Harry se colocou de joelhos na cadeira acolchoada que sempre era ocupada por seu pai e se esticou um pouco para melhor visualizar tudo o que se encontrava na mesa.

- Uau, quanta coisa... – murmurou, alcançando o tinteiro de prata e alguns pergaminhos que já estavam rabiscados com a caligrafia de seu pai.

Harry, então, pôs-se a desenhar alegremente, ignorando a pequena voz que ressoava no fundo de sua mente alertando que estar ali era errado, que seu pai havia proibido ele e seu irmão de entrarem em seu escritório sem a sua presença. Mas seu pai e seu padrinho sempre diziam que as regras eram feitas para serem quebradas, não é mesmo? Ou eles estavam se referindo à sua época em Hogwarts?... Enfim, distraindo-se com seus desenhos, Harry decidiu não prestar muita atenção nisso.

Quando James Potter chegou a sua casa após o expediente no Quartel General de Aurores, ele ainda fervilhava de frustração e ódio ao pensar no verdadeiro fiasco que fora o interrogatório de Ethan Rosier. Assim, ao sair da chaminé na sala de estar, James passou rapidamente na cozinha para dar um beijo em Lily, que estava quase terminando de preparar o jantar, e seguiu para o escritório, imaginando que seus filhos estavam no andar de cima brincando ou fazendo a lição. Sua intenção era apanhar os relatórios dos ataques anteriores, os quais havia deixado pulcramente arrumados em cima da mesa, e relacioná-los com a presença de Rosier.

No entanto, ao adentrar em seu escritório, James sentiu seu sangue gelar.

A primeira coisa que ele observou foi a tinta escorrendo de sua mesa, negra e pegajosa, indo de encontro ao tapete caro e felpudo que forrava o chão. Em seguida, seus olhos varreram os livros raros, o bisbilhoscópio que havia ganhado de Olho-Tonto-Moody e finalmente, os relatórios de suma importância que resumiam três anos de investigação: todos cobertos de tinta.

E então, seus olhos encontraram um par de brilhantes olhos verdes esmeraldas:

- Papai...! – um sorridente Harry, coberto de tinta da cabeça aos pés, viu-se radiante com a chegada de seu pai. Mas seu sorriso congelou na mesma hora ao ouvir o enfurecido grito:

- O QUE VOCÊ FEZ?

- Eu... Eu...

Em dois passos, James chegou ao lado de Harry e o puxou para fora da cadeira, sacudindo-o pelos ombros encolhidos:

- Eu já falei para você não entrar aqui!

- Eu sei... – murmurou, assustado, as lágrimas começando a se acumular em seus olhos – Me desculpe...

- Olhe o que você fez!

- Me desculpe! – gritou, irritando o adulto ainda mais, que alçou a mão para puni-lo.

Harry, por sua vez, apertou seus olhos banhados de lágrimas, esperando o impacto, mas este nunca chegou. E quando abriu os olhos novamente, deparou-se com a protetora presença de seu irmão, que, parado à sua frente, furioso, segurava o pulso de seu pai.

- Não se atreva a tocar nele.

- Ele é meu filho – James grunhiu, irritado.

- Ele é meu irmão – replicou Tom, encarando-o perigosamente, os olhos castanhos por um instante se tornando vermelhos, transparecendo toda a sua fúria e o fato de que não hesitaria em matar qualquer um que ousasse ferir seu irmão – Não ouse encostar um dedo nele.

- Thomas... – o adulto encarava seu filho mais velho com um misto de irritação e confusão. Por um segundo, seus olhos se pareceram vermelhos como sangue, mas talvez tenha sido o reflexo da luz.

Neste exato momento, uma assustada Lily ingressou às pressas no aposento, procurando saber a origem de tantos gritos. E ao observar seu marido, irritado, com a mão esquerda no ar presa pelo poderoso agarre de seu filho mais velho, que parecia fervilhar de ódio, e seu choroso filho caçula, escondido e agarrado às costas do irmão, ela não pensou duas vezes antes de questionar com a voz firme e poderosa:

- O que está acontecendo aqui?

Suspirando e procurando manter a calma, James se afastou de seus filhos e se aproximou da mesa para avaliar o estrago e quantos feitiços de limpeza seriam necessários, quando ouviu a acusadora e venenosa voz de Tom:

- Ele ia bater no Harry!

- Ele ia... O que? – a bela ruiva perguntou perigosamente.

James, então, prendeu a respiração por um segundo.

Contar para Lily, isto era baixo, digno de um Slytherin.

- Eu não ia... – protestou, encolhendo-se ligeiramente sob o furioso olhar esmeralda de sua esposa.

- Tom, meu amor, por que você não leva o seu irmão lá para cima e aproveita para dar um banho nele? – perguntou com doçura – A mamãe precisa ter uma conversinha com o papai...

Com um silencioso aceno, Tom pegou o menor em seus braços e seguiu em direção à porta, lançando um último olhar de aviso para seu pai. Este, porém, encontrava-se pálido e evitava a todo custo o olhar de Lily. Com certa satisfação obscura, Tom imaginou que sua mãe iria deixar bem claro para seu pai que a violência jamais seria um meio oportuno para educar seus filhos.

-x-

Mais tarde, naquela mesma noite, os dois irmãos se encontravam abraçados na cama de Tom prontos para se entregar ao mundo de Morpheus, mas enquanto o sono não lhes alcançava, Tom permanecia a acariciar os cabelos revoltos do irmão e Harry ronronava feliz em seus braços, apreciando imensamente as carícias. Sorrindo, o menor se lembrava ainda do efusivo pedido de desculpas de seu pai na hora do jantar, sob o brilho de advertência dos olhares de sua mãe e irmão, quando ele garantiu também que não voltaria a entrar no seu escritório sem autorização.

- Obrigado, Tom – murmurou, aninhando-se mais contra o peito do irmão – Obrigado por me proteger.

- Eu sempre vou proteger você, pequeno.

- Promete?

- Prometo.

- Mas... – engoliu o choro – E quando você embora? E quando você for para Hogwarts?

Suspirando, o maior se abaixou para pousar um suave beijo na cicatriz em forma de raio:

- Não vamos pensar nisso agora – aconselhou – Mas saiba que mesmo em Hogwarts, ou em qualquer outro lugar, não importa onde eu esteja, eu nunca vou abandonar você.

E com um pequeno, mas sincero sorriso, Harry acreditou nas palavras de seu irmão.

Continua...

Próximo Capítulo: Harry olhou para a coruja como se esta fosse a razão de todos os males da sua vida, pois pobre a coruja acabara de deixar cair sobre a mesa uma carta para Tom, uma carta na qual estava impresso o selo de Hogwarts.

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N/A: Olá, meus amados leitores, como vocês estão? – sorri alegremente, escondendo-se atrás do Harry e do Tom por demorar tanto para postar o novo capítulo – Espero que estejam todos bem! E eu gostaria de me desculpas pela demora, mas a época de estudos e trabalhos chatos estava intensa... No entanto, não há nada melhor do que um feriado para aliviar a pressão, não é mesmo? – imaginando, ao lado do Harry, os deliciosos chocolates que espera ganhar – Assim, espero que todos vocês desfrutem deste capítulo e me desculpem pela demora.

Muitos de vocês, meus espertos leitores, notaram à referência que eu fiz ao filme "Do Começo ao Fim" logo no preview do capítulo anterior e devo afirmar que, de fato, foi uma referência expressa a este maravilhoso curta brasileiro mesmo! Devo afirmar ainda que este curta foi uma das obras que me inspirou a escrever esta história, pois descreve uma relação muito bonita dos irmãos, ainda que o final seja meio... abrupto de mais, ao meu ver.

Quanto ao capítulo de hoje, então, o que vocês acharam?

Espero que tenham gostado!

Por favor, mandem suas REVIEWS para dizer o que estão achando da história – olhinhos brilhando de expectativa.

Gostaria ainda de agradecer imensamente e mandar um grande beijo para:

Leh Weasley... DreYuki-Chan... Mary P. Malfoy... FranRenata... fabiana... Cris-Gallas-Benedetti... Pandora Beaumont... Srta Laila... vrriacho... St. Lu... Inu... TaiSouza... Di-Lua Riddle... Neko Lolita... Sandra Longbottom... Keicy M.E... Nailly... Kimberly Anne Potter... Malukita... Rafaella Potter Malfoy... Dreyuki... Nicky Evans... Debauchi... xXxMartelxXx... sonialeme... Ines G. Black... e Lilavate!

Muito obrigada mesmo pelas lindas Reviews de vocês!
Um grande beijo...
E o próximo capítulo de O Pequeno Lord estará online muito em breve!