Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.
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Trinta e um de dezembro.
Véspera de ano novo e o mais importante, dia do aniversário de onze anos de Tom. Um dia que amanhecera ensolarado e radiante no vilarejo de Godric's Hollow, ao som dos pássaros cantando, dos fregueses em busca da fornada de pães quentinhos que acabara de sair na padaria e das animadas crianças que brincavam na pracinha aproveitando os merecidos dias de férias da escolinha. No entanto, duas crianças em especial permaneciam alheias a esta bela manhã de sol, encontrando-se no conforto de uma cama quentinha, ainda entregues aos braços de Morpheus.
De repente, porém, um belo par de esmeraldas se abriu, sonolento, e enfocou o adormecido semblante de seu irmão mais velho, que lhe abraçava possessivamente a cintura. Com um doce sorriso, então, Harry afastou uma mecha de cabelos negros que caíam no pacífico rosto de Tom.
Sem dúvida, qualquer pessoa que conhecesse a rotina dos dois, naquele momento, ficaria chocada ao perceber que o sempre preguiçoso e sonolento Harry havia acordado antes de seu madrugador irmão. Mas uma vez ao ano, sempre no dia trinta e um de dezembro, este raro evento acontecia, pois o menor se propunha a acordar o aniversariante de maneira especial:
- Parabéns para você, nesta data querida... – Harry cantarolava suavemente enquanto lhe acariciava com a ponta dos dedos os cabelos macios –... muitas felicidades, muitos anos de vida.
Um pequeno grunhido sonolento, porém, foi o que Tom ofereceu como resposta, estreitando o menor em seus braços e enterrando o rosto nos cabelos bagunçados que cheiravam deliciosamente a shampoo de maçã.
- Acorde, seu aniversariante dorminhoco.
- Humm...
- Acorde, Tom.
- Estou acordado – murmurou ainda de olhos fechados.
- Vamos, Tom, hoje é o seu dia.
- O meu dia? – perguntou, abrindo um de seus olhos castanhos que brilhava com diversão.
- Sim!
- Isto significa que você irá fazer tudo o que eu quiser o dia inteiro?
- Sim!
Mas após ponderar por alguns segundos com o cenho graciosamente franzido, Harry acrescentou em seguida:
- Quero dizer, menos servir de cobaia para suas poções outra vez, porque da última vez que você decidiu brincar com o kit de poções que o Tio Sev nos deu, meu cabelo acabou ficando cor de rosa.
- Bem, pelo menos combinava com seus olhos.
- Tom!
- Estou brincando – afirmou divertido. E Harry, então, logo substituiu sua expressão indignada por um bonito sorriso, enrolando os braçinhos ao redor do pescoço de Tom:
- Feliz aniversário – sussurrou com carinho.
- Obrigado, pequeno.
Depositando um beijo suave na cicatriz em forma de raio e assim, sentindo a magia percorrer agradavelmente seus lábios, Tom fixou o olhar naquelas belas esmeraldas que o encaravam com uma incrível combinação de amor e ternura.
- Onde está o meu lindo aniversariante? – perguntou a melodiosa voz de Lily, que acabava de ingressar no quarto de seus filhos. Em suas mãos, encontrava-se um pequeno muffin de chocolate com uma velinha dourada acesa em sua superfície.
Com um brilho divertido em seu olhar, a bela ruiva observou os dois meninos abraçados. Ela ainda se perguntava vagamente como Harry sempre conseguia escapulir para a cama do irmão, pois na noite anterior, por exemplo, os dois haviam adormecido no sofá da sala de TV, no meio dela e de James, enquanto assistiam a um filme e quando este acabou, Lily e James haviam levado os meninos para a cama, isto é, cada um para a sua própria cama. Era como se durante a noite, Harry inconscientemente buscasse o calor e a proteção dos braços de seu irmão, como fazia desde o primeiro ano de vida, algo que Lily achava muito doce, mas que a preocupava ligeiramente ao pensar no momento em que os dois precisassem se separar.
- Parabéns para você, nesta data querida... – ela começou a cantar, sendo logo acompanhada por Harry, que havia se sentado na cama para bater palmas com um radiante sorriso adornando os lábios rosados. Ao seu lado, Tom apenas balançava a cabeça, esboçando um pequeno sorriso –... muitas felicidades, muitos anos de vida!
Ao ver que sua mãe lhe estendia o pequeno muffin, Tom revirou os olhos, mas soprou a velinha.
- Bom dia, meu amor, feliz aniversário – Lily desejou, abraçando carinhosamente seu primogênito.
- Bom dia, mamãe.
- Bom dia, Harry, querido – um beijo amoroso, então, foi depositado na bochecha do caçula.
- Bom dia, mamãe.
- Agora, meus amores, está na hora de se levantar e descer para o café antes que seu pai e Sirius acabem com todas as guloseimas que eu preparei para este dia especial.
De fato, quando Harry e Tom adentraram na sala de jantar, eles se depararam com uma vasta mesa forrada de pães, três jarras de sucos diferentes, cinco variedades de geléias, um cesto cheio de muffins de chocolate e baunilha, um enorme bolo de chocolate confeitado, além das deliciosas panquecas e dos pratos cobertos generosamente de porções de bacon com ovos. Sem dúvida, um verdadeiro banquete preparado pelas habilidosas mãos de sua mãe.
- Sirius, eu não acredito que você já atacou o bolo de chocolate! – Lily exclamou, adentrando no salão logo atrás dos meninos.
- Não fui eu! – protestou ele, mas a cobertura lambuzando seu rosto o denunciava.
Rindo, Harry seguiu para o seu lugar após dar um beijo estalado na bochecha de cada um dos presentes, os olhos esmeraldas, porém, fixados cobiçosamente no bolo em questão. Tom, por sua vez, fora enterrado nos braços de seu pai:
- Parabéns, campeão!
- Obrigado, papai...
- Onze anos, hein? Já é um homenzinho!
- Er... Certo, mas você pode me soltar agora...
No entanto, o menino saiu dos braços de James apenas para ser sufocado pelo abraço de urso de Sirius. Finalmente, após ser salvo por Remus e receber o cumprimento carinhoso, mas um pouco menos efusivo de seu padrinho, Tom pôde se sentar ao lado do irmão que, por sua vez, já havia atacado o bolo de chocolate.
E assim, o café da manhã seguiu repleto de brincadeiras e risos divertidos, quando Tom recebeu os presentes de sua família. Dois presentes, contudo, haviam chegado via coruja e para deleite do maior, ele observou o novíssimo livro de Poções, geralmente estudadas por alunos do terceiro e quarto ano, que recebera do melhor amigo de sua mãe, Severus Snape, e um livro intitulado "Hogwarts, uma história" do diretor Dumbledore, ao que Tom franziu o cenho, pois ele ainda não ia com a cara do velhote sorridente com aparência de avô, mas ainda sim lhe parecia uma leitura muito interessante.
De seus pais, ele havia ganhado um brinquedo muggle que se conectava à TV chamado vídeo game, mais precisamente Playstation 3, sob as advertências de sua mãe para que ele e Harry jogassem apenas quando terminassem suas lições. Por parte de Sirius, ele ganhara uma vassoura de último modelo da marca Nimbus, considerada uma das mais rápidas do mercado, ouvindo o discurso do herdeiro da fortuna Black de que todo mago deveria ganhar uma vassoura de qualidade no seu aniversário de onze anos, ao que Tom havia agradecido com um enorme sorriso, prometendo para o irmão que o levaria para voar depois, sem se preocupar com o olhar apreensivo de sua mãe, que mesmo sendo uma bruxa extraordinária, nunca havia gostado muito de voar. De Remus, para seu completo deleite, Tom havia ganhado uma vasta coletânea de livros introdutórios à teoria e à prática de magia.
Todavia, nenhum presente fora tão especial e apreciado quanto o de Harry.
Seu irmão caçula, com um lindo sorriso tímido, havia lhe estendido um porta-retrato que ele mesmo fizera na aula de artes, pintado de verde-escuro e coberto de pequenas pastilhas de vidro prateadas. Dentro do porta-retrato havia uma foto dos dois no balanço da pracinha, uma foto mágica, na qual um sorridente Harry era empurrado por seu irmão, que sorria divertido enquanto observava o menor acenar para a câmera que sua mãe usava para capturar belas imagens de seus filhos.
- Você gostou?
- Eu adorei – garantiu Tom, puxando o caçula para o seu colo, sob o olhar afetuoso de sua família. Ao fundo, James comentava que as cores vermelho e dourado ficariam melhores, ganhando um aceno em concordância de Sirius, um olhar reprovador de Lily e um suspiro exasperado de Remus, mas sendo completamente ignorado por seus filhos.
- Tom, querido, você tem certeza de que não quer fazer uma festinha? – Lily perguntou com um sorriso.
- Sim, mamãe.
- Mas você pode chamar os meninos da escola...
- É justamente por isso que eu não quero – garantiu, apoiando o queixo no ombro de Harry, que havia se acomodado em seu colo – Eu não quero aqueles inúteis na minha casa.
- Não fale assim, Tom.
Vendo que seu filho não tinha a mínima intenção de se desculpar ou voltar atrás, Lily suspirou e comentou em seguida:
- Se é assim, precisamos ver um lugar divertido para comemorar este dia.
- Eu tenho uma idéia – afirmou Remus – A professora de Estudos Muggles em Hogwarts vive falando desse tal parque de diversões que ela levou seus filhos. Por que não passamos o dia lá com os meninos?
- Oh, é uma idéia sensacional, Remus.
- Parque de diversões – James murmurou – Hum... Gostei de como soa o nome.
- Eu também – garantiu Sirius – Parece um lugar perfeito para os Marotos e seus aprendizes.
- O que você acha, querido? – a mulher perguntou para seu filho.
E ao ver que seu irmão sorria animado com a idéia, Tom respondeu simplesmente:
- Sim, parece interessante mamãe.
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Após aquele delicioso café da manhã, a família Potter e seus conhecidos agregados, Remus e Sirius, seguiram através da Rede de Flú para o Ministério da Magia, mais especificamente para o departamento de transportes mágicos, onde conseguiram uma chave de portal para a América. Dessa forma, instantes depois eles aterrissaram na cidade de Orlando, nos Estados Unidos, e no centro de aterrissagem para chaves de portais a família pegou a versão americana do Nôitibus Andante, que em poucos minutos os deixou na entrada do gigantesco parque de diversões muggle.
- Uau... – Harry murmurou, admirado, caminhando lentamente ao lado de seus pais pela ponte que dava acesso a entrada do parque. Esta remontava a entrada de um castelo, não o castelo de Hogwarts, forjado em imponentes pedras escuras, mas um castelo branco e reluzente daqueles que sempre apareciam nos filmes de contos de fadas muggles que sua mãe colocava para ele e Tom assistirem.
- Esse lugar é enorme – exclamou James, olhando ao redor – Como vamos conseguir ver tudo?
- E esse é apenas um dos parques, querido, vamos escolher cuidadosamente os brinquedos, porque dessa vez não poderemos ver tudo mesmo.
- Mas mamãe...
- Não faça essa carinha, Harry, nas próximas férias nós poderemos voltar aqui e passar uma ou duas semanas em um dos Resorts.
- Seria fantástico, Lily – os olhos de Sirius brilhavam mais do que os das crianças enquanto eles caminhavam pelas ruas repletas de visitantes em direção às atrações.
- O lugar está repleto de muggles – Tom comentou impassível, segurando protetoramente a pequena mão de seu irmão mais novo.
- Mas pelo visto há algumas famílias de bruxos também – informou Remus, apontando para uma família de quatro pessoas que não havia conseguido se adequar à moda muggle e usava túnicas coloridas por cima das calças jeans.
- É, parece que sim – o menino concordou com seu padrinho.
- Venham, vamos para essa tal de montanha russa!
- Devagar, Sirius... – Lily protestou, mas o animago já arrastava a todos em direção ao brinquedo.
Nas próximas três horas, antes de pararem para almoçar, eles andaram na enorme montanha russa que remontava o velho-oeste norte americano, na qual Lily e Remus se divertiram principalmente com os gritos empolgados de James e Sirius, enquanto Tom segurava firmemente a mãozinha de seu irmão que, sorridente, ia sentado ao seu lado no carrinho. Depois da montanha russa, para atender à vontade do aniversariante, eles seguiram para um passeio de submarino, no qual Tom havia achado tudo interessantíssimo e Harry, radiante, mostrava a seus pais o peixinho Nemo que havia visto num de seus filmes. Em seguida, Harry havia insistido que voassem no Dumbo, o Elefante Voador, ao que Sirius havia exclamado: "mas como eles podem voar? Não são vassouras e nem mesmo hipogrifos!", ganhando, então, uma longa explicação de Lily acerca da avançada tecnologia muggle. E depois de passarem pelo carrossel de cavalos brancos, ao qual James havia se admirado por não serem cavalos de verdade, eles seguiram para o carrinho bate-bate, onde Tom e Harry, sentados obviamente no mesmo carrinho, haviam se divertido como nunca cada vez que batiam no carrinho de seu pai e Sirius, ganhando exclamações indignadas dos dois adultos.
Às 13h00min, mais ou menos, a alegre família parou para almoçar num restaurante que Tom havia deixado Harry escolher. O restaurante acabou sendo a Gruta da Ariel, cuja decoração remontava o fundo do mar, um lugar acolhedor e bonito, no qual foram recebidos por três diferentes Princesas Disney:
- Sejam bem-vindos – exclamou a moça ruiva vestida de princesa, que Harry reconheceu como a própria Ariel.
- Olá, mesa para seis, por favor – Lily pediu com um sorriso, dando uma discreta cotovelada em James, que logo desviou o olhar da bonita princesa ruiva.
- Por aqui, por favor – outra princesa, que Harry logo reconheceu como Cinderela, levou a todos para uma espaçosa mesa situada entre dois sofás azuis. E então, Tom, Harry e Lily escorregaram para um sofá, ficando de frente para Remus, Sirius e James, que se acomodaram no outro – Aqui está o cardápio.
- Obrigado, Cinderela – Harry sorriu. E moça em questão, murmurando algo que soava como "que coisa mais fofa", plantou-lhe um estalado beijo na bochecha, ganhando um olhar obscuro de Tom, que logo passou os braços ao redor de seu pequeno irmão.
Depois de escolherem os pratos, isto é, tradicionais hambúrgueres com batatas fritas norte-americanos, James fez o pedido para o garçom e aproveitando que Tom estava distraído com Harry, que falava com a sorridente princesa da Bela e a Fera, Lily silenciosamente indicou ao garçom que hoje era aniversário de seu filho mais velho e o sorridente rapaz, então, na mesma hora afirmou que a sobremesa seria uma surpresa por conta da casa.
O almoço em questão estava delicioso e na hora da sobremesa, Tom arqueou uma sobrancelha para o olhar divertido de seus pais e padrinhos, quando, de repente, o menino ouviu um coro de "parabéns para você..." aproximando-se na sua direção. Arregalando os olhos ligeiramente, Tom observou todas as mulheres fantasiadas que haviam apertado a bochecha de Harry se aproximarem, cantando, enquanto o garçom que os havia atendido trazia um bolo de chocolate no formato das orelhas do Mickey, o rato que usava calças vermelhas que ele e Harry sempre assistiam na TV, sobre o qual repousavam inúmeras velinhas acesas.
-... Muitas felicidades, muitos anos de vida! – as princesas, seus pais, seus padrinhos, seu sorridente irmão e até mesmo os outros clientes do local encerraram a música com um sorriso e Tom, ligeiramente corado, soprou as velinhas do bolo que havia sido colocado à sua frente. A próxima coisa que ele sentiu, para seu deleite, foi o carinhoso beijo de Harry em sua bochecha e os bracinhos ao redor do seu pescoço.
Nas próximas três horas, depois do almoço, a família Potter aproveitou para andar em mais alguns brinquedos. Por insistência de Harry, todos haviam seguido para o castelo que remontava inúmeras culturas do mundo com bonecos e canções, no qual os visitantes sentavam num barquinho que percorria toda a viagem. Sirius, murmurando o quão chato era aquilo, ganhou um cutucão de Remus, que apenas sorria ao observar Tom explicando para Harry os detalhes de algumas culturas. Em seguida, para delírio de James e Sirius, eles seguiram para as chamadas "xícaras malucas", onde os dois marotos haviam apostado para ver quem conseguia girar sua xícara mais rápido. Isto, é claro, terminou com os dois com o rosto pálido e incrivelmente enjoados. Seguindo a sugestão de Lily, depois de James e Sirius voltarem à cor natural, eles seguiram para a enorme roda gigante que oferecia uma vista incrível de todo o parque.
Finalmente, antes de voltarem para casa, eles decidiram visitar a Torre do Terror. O lugar em questão remontava um hotel fantasma e logo na entrada do brinquedo, eles foram recebidos por um recepcionista com ar macabro dos zumbis dos filmes de terror que James e Sirius adoravam assistir. O recepcionista, então, indicou que eles caminhassem pelo lobby abandonado e assustador, contando a história de um raio que havia caído em cinco visitantes numa noite chuvosa de 1939 e que desde então, os espíritos mortos nunca haviam deixado o local. Harry, durante o discurso, encolheu-se nos protetores braços de seu irmão, que ouvia a história com leve interesse, admirado pela imaginação de alguns muggles. Sirius, enquanto isso, perguntava para Remus, num sussurro, se eles encontrariam fantasmas como Nick-quase-sem-cabeça e o Barão Sangrento ali, ao que o lobisomem revirou os olhos e explicou que a história era apenas uma invenção muggle.
- Agora, eu convido vocês a entrarem no elevador e descobrir o segredo da morte dos cinco pobres coitados.
Harry lançou ao irmão um olhar cauteloso, mas este apenas sorriu, murmurando em seu ouvido:
- Não se preocupe pequeno, eu estou aqui.
- Então – continuou o recepcionista – Vocês se atrevem?
Logo que todos estavam sentados no elevador em questão, com cintos de couro oferecendo segurança para a aventura no brinquedo, uma voz macabra anunciou:
- Apertem os cintos.
Harry, apertando a mão de Tom, fechou os olhos depressa quando a mesma voz proclamou:
- Despeçam-se desta vida!
E em seguida, o elevador despencou para o que parecia ser a morte certa, mas logo se deteve antes de chegar ao chão. Em meio aos gritos animados de seu pai e padrinho, Harry percebeu que Tom nem por um segundo havia soltado sua mão e ofereceu um lindo sorriso ao menino mais velho, apoiando a cabeça em seu peito para normalizar a respiração, enquanto sentia os cintos do brinquedo afrouxarem rapidamente com a chegada ao fim.
Agora, com um sorvete de baunilha na mão e um boné verde-escuro escrito "Disneyland" em letras douradas, Tom esperava pela chegada do Nôitebus Andante que os levaria para o centro de viagens através de chaves de portais; ao seu lado, com um boné no formato das orelhas do Mickey, seu irmãozinho se lambuzava com um sorvete de chocolate.
- Gostaram do passeio, meninos?
- Sim, mamãe! – responderam em coro.
- Nós com certeza precisamos voltar aqui nas férias – afirmou Sirius, com um boné igual ao de Harry na cabeça, sob o olhar divertido de Remus – Precisamos passar um mês inteiro e conhecer todos os parques! Esses muggles são geniais!
- Sem dúvida, companheiro – James concordou, colocando-se a subir atrás de sua esposa no ônibus mágico que havia chegado.
- Nós precisamos ir embora mesmo? – Harry murmurou, olhando para sua mãe.
- Sim, Lily, deixe-nos ficar mais um pouquinho...
- Ora, Sirius, em poucas horas irá começar a Festa de Ano Novo no Largo Grimmauld, da qual você será o anfitrião, lembra-se?
- Sim, mas...
- Sem mais discussão, crianças – concluiu a ruiva – E isto serve para você também, Sirius.
Com um suspiro resignado, as crianças – e Sirius – adentraram no ônibus, deixando aquele reino de magia muggle para trás, mas com a promessa de regressar em breve.
- Gostou do seu aniversário, querido?
- Sim, mamãe – Tom sorriu levemente, afagando os cabelos de um sonolento Harry, que havia se acomodado no seu colo para a viagem no Nôitibus Andante – Foi perfeito.
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Às oito horas da noite, Harry e Tom já se encontravam impecavelmente arrumados para a festa de ano novo que começaria em breve no Largo Grimmauld, e naquele exato momento, esperavam por seus pais na sala de estar, onde Tom fazia o possível para ensinar o irmão a jogar xadrez.
- Cavalo em A5 – Tom ordenou calmamente.
- Hum... Torre em H3?
- É uma pergunta ou um movimento?
- Não sei – murmurou o menor, fazendo beicinho sob o olhar divertido de seu irmão.
- Tente usar a rainha, pequeno.
- Rainha em D4?
- Pergunta ou movimento?
- Movimento?
- Harry...
- Ok, é um movimento. Rainha em D4.
- Excelente – elogiou Tom, ao ver a rainha destruir seu bispo. E Harry, então, lhe presenteou com um lindo sorriso.
O menor estava simplesmente encantador com uma calça cinza de caimento leve, pequenos sapatos da mesma cor, camisa branca de seda e por insistência de sua mãe, uma bela túnica verde-esmeralda por cima. Enquanto Tom, por sua vez, via-se como um verdadeiro príncipe de conto de fadas – principalmente aos olhos de seu irmão – usando uma calça social preta com sapatos da mesma cor, em conjunto com a camisa de seda branca e uma túnica vermelho-escuro, quase bordô, por cima da roupa.
- Vocês estão prontos, meninos? – Lily, deslumbrante em seu vestido verde-escuro, perguntou ao adentrar na sala com um sorridente James, em suas vestes de gala, acompanhando-a.
- Sim, mamãe – responderam os dois.
- Então vamos logo antes que eu fique velho de tanto esperar.
- Mas você já é velho, papai – Harry afirmou divertido.
- Sim – concordou Tom – Você já tem vinte e nove anos nas costas.
- Ora, fiquem quietos seus pirralhos, eu ainda estou na flor da idade!
Em meio a risadas divertidas, a família Potter seguiu para a chaminé conectada à Rede de Flú. E quando chegaram ao Largo Grimmauld, eles se depararam com uma confusão de elfos domésticos organizando os últimos detalhes da bela decoração. Diante da cena, Lily franziu o cenho em desaprovação, pois como nascida-muggle ela havia se tornado terminantemente contra a exploração destas pobres criaturas no Mundo Mágico. Porém, os agitados elfos domésticos pareciam mais do que satisfeitos em dar os retoques finais à elegante decoração de ano novo. E assim, com uma reverência exagerada, eles recebiam um a um os convidados que começavam a chegar, mostrando-lhes a entrada da luxuosa e magicamente ampliada sala de estar, na qual um alegre Sirius Black se encontrava, com um cálice de licor na mão, a fim de recebê-los.
Poucas horas depois, a mansão Black se viu repleta de risos e vozes animadas discutindo desde política internacional até as tendências da última moda no mundo muggle. Os inúmeros magos e bruxas que Sirius havia convidado, isto é, seus colegas mais próximos no Quartel General de Aurores com suas famílias, bem como alguns amigos do ministério e outras pessoas chegadas a ele, como sua prima Andrômeda Tonks e sua divertidíssima família, ostentavam suas melhores vestes e conservavam um sorriso radiante em seus rostos descontraídos. Dessa forma, via-se claramente que as festas na mansão Black não se pareciam em nada com as tradicionais festas de outras famílias sangues-puros, como os Malfoy ou os Lestrange, que passavam a noite inteira em seus pedestais de olhares frios e roupas insensatamente caras enquanto conversavam em tons discretos e polidos apenas sobre política e economia.
- Grande festa, Sirius – James elogiou, um copo de Whisky de Fogo na mão, sob o desaprovador olhar de Lily.
- Obrigado, companheiro.
- Mas me diga uma coisa, primo, como você conseguiu silenciar o retrato da minha adorável tia?
- Na verdade, foi muito simples, bastou um pouco de habilidade e inteligência para...
- Oh, então eu estou falando com a pessoa errada – Andrômeda sorriu com malícia – Diga-me, Remus, como você conseguiu?
- Uma simples bolha silenciadora ao redor do retrato – respondeu o lobisomem, sorrindo, enquanto todos gargalhavam do olhar magoado que Sirius lançava a sua prima.
Nesse meio tempo, Tom e Harry se encontravam sentados no topo das escadas observando tudo o que acontecia ao redor, o mais velho sentado no último degrau e Harry logo abaixo, rodeado pelos protetores braços do irmão. Um prato de biscoitos e dois copos de suco de abóbora permaneciam logo ao lado, cortesia dos elfos domésticos, e compartilhando sorrisos maliciosos, os dois irmãos se ocupavam de falar dos convidados:
- Você acha que aquele olho giratório pode ver tudo mesmo? – Tom perguntou com curiosidade, olhando para Alastor Moody, que conversava rigidamente com Kingsley Shacklebolt.
- Papai diz que sim, mesmo através de capas de invisibilidade e feitiços glamour.
- Interessante, mas será que ele conseguiria ver por detrás de uma Poção Polissuco?
- Poção Poli...o que?
- Polissuco, Harry, eu cheguei a comentar com você – lembrou o maior – basta um fio de cabelo para uma pessoa se transformar em outra.
- Verdade, você disse que não poderia misturar com pelo de animal, senão... – antes que Harry pudesse continuar, porém, uma voz no meio das escadas o interrompeu:
- Hey, vocês dois! Vocês querem jogar Snap Explosivos com a gente?
- Desculpe, quem é você? – Harry perguntou, encarando o menino ruivo de mais ou menos quinze anos parado no meio das escadas. Atrás do menino havia mais algumas crianças ruivas e outras crianças desconhecidas para Harry e Tom.
- Eu sou Charlie – respondeu ele – Charlie Weasley, e esses são meus irmãos Ron e...
- Não se incomode – Tom interrompeu, apertando os braços ao redor de Harry – Nós não estamos interessados.
- Mas...
- Tenham uma boa noite e um feliz ano novo – acrescentou Harry, sorrindo, mas dando por encerrado o assunto.
Charlie e as outras crianças, então, afastaram-se, lançando olhares confusos e alguns olhares ofendidos por cima do ombro em direção aos dois meninos que permaneciam sentados no topo das escadas. E num canto da sala, as crianças se colocaram a brincar com suas cartas sob o olhar desdenhoso de Tom e indiferente de Harry.
- Você queria brincar com eles? – o mais velho perguntou com cautela, o queixo apoiado no topo da cabeça de cabelos bagunçados de seu irmão menor.
Harry, por sua vez, observava vagamente os meninos ruivos – mais especificamente os gêmeos – se divertindo ao sabotar um menino menor igualmente ruivo que parecia ser o caçula da família, e com um pequeno sorriso, respondeu com sinceridade:
- Não, eu prefiro ficar aqui com você.
E Tom deixou um sorriso radiante adornar seus lábios enquanto observava o irmão se levantar e puxar seu braço:
- Venha, vamos para a cozinha pedir mais doces para o Monstro.
- Harry, você sabe que a mamãe não quer que a gente coma doces a essa hora.
- Eu sei, você sabe, mas o Monstro não sabe e além disso, ele nunca nos negaria nada – ofereceu um sorriso angelical ao maior, que arqueava uma sobrancelha, divertido:
- Sim, mas somente porque o Tio Regulus ordenou que ele nunca nos negasse nada.
- Exatamente – afirmou radiante, arrastando o irmão em direção à cozinha.
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Passado algumas horas, Tom se encontrava mergulhado na leitura de um estranho livro de capa obscura que Tio Regulus havia esquecido na estante de seu quarto ao se mudar para a França, enquanto Harry se esgueirava para a sala de estar principal a fim de perguntar para sua mãe que horas eles estariam voltando para casa, pois ele estava cansado e queria a sua cama, ou melhor, a cama de seu irmão, com os braços deste protetoramente ao seu redor para poder finalmente se entregar ao mundo de Morpheus.
Ao avistar uma bela ruiva destacando-se em meio à multidão num elegante vestido de seda verde-escuro, Harry se aproximou devagar, quando ouviu a melodiosa voz de sua Tia Andrômeda:
- Daqui a pouco será meia-noite, Lily, você não irá se juntar ao James?
- E por que isso, Andy?
- Ora, é uma conhecida tradição muggle, você deveria saber.
- E o que essa tradição diz?
- Diz que a pessoa que você beijar a meia-noite será aquela que estará com você para toda a eternidade.
Harry arregalou os olhos e se virou para o relógio na parede ao seu lado.
23h58min.
Merlin...
Faltavam dois minutos para a meia-noite!
Sem pensar duas vezes, Harry saiu correndo em direção às escadas, ignorando os protestos daqueles em quem esbarrava. Os degraus nunca haviam parecido tão longos quanto agora, quando seus pequenos pés os escalavam de dois em dois numa velocidade impressionante, desviando habilmente das pessoas que vinham descendo na direção contrária. Harry mal conseguiu ouvir a alegre voz de Dumbledore lhe desejar boa sorte, ao ingressar no longo corredor dos quartos principais da mansão e correr para a última porta a esquerda, na qual uma bonita placa de prata ostentava as siglas: R. A. B.
Ao abrir a porta abruptamente, o menino cujos cabelos pareciam mais bagunçados do que nunca, finalmente contemplou o confuso olhar no rosto de seu irmão, que permanecia sentado numa das poltronas de couro junto à estante:
- Harry, o que você...? – mas para surpresa de Tom, seus lábios foram selados infantilmente pelos lábios macios do próprio Harry, que havia praticamente se lançando em seu colo, no exato momento em que o relógio da sala de estar ecoava as doze badalas da meia-noite por toda a mansão.
Com a confusão ainda brilhando em seus olhos, mas num ato de puro reflexo, Tom abraçou a estreita cintura e se deixou envolver pelo delicioso calor dos lábios de seu irmão caçula. Contudo, quando a última badalada soou, os doces lábios se afastaram e Harry permaneceu em seu colo, as bochechas coradas, encarando-o com um par de brilhantes olhos verdes.
- Feliz ano novo, Tom – murmurou com um pequeno sorriso.
- Feliz ano novo, pequeno – respondeu, sem deixar de abraçá-lo – Não que eu esteja reclamando, mas o que foi isso?
- Bem, é que eu ouvi a Tia Andrômeda falar para mamãe que a pessoa que você beijasse a meia-noite ficaria ao seu lado para toda a eternidade...
- É mesmo?
- Sim, parece que é uma lenda muggle.
- Oh, ainda bem que você chegou a tempo, pequeno – sorriu, estreitando o menor em seus braços – Caso contrário, eu seria obrigado a roubar um vira-tempo para voltar à meia-noite e assim, garantir que você permanecesse para sempre ao meu lado.
Com um doce sorriso, Harry recostou a cabeça no peito do irmão e suspirou feliz, deixando finalmente o sono alcançá-lo.
- Para sempre... – foi o último murmúrio sonolento a escapar de seus lábios.
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Meses se passaram desde a noite de ano novo no Largo Grimmauld. Tom e Harry haviam voltado para a escolinha após o pequeno recesso de natal, retomando, assim, sua agradável rotina, mas antes mesmo que os dois pudessem se dar conta, julho havia batido à porta e com ele, em meio às merecidas férias de verão, o aniversário de oito anos de Harry.
No entanto, a meados de agosto, Harry viu o seu mundo inteiro se esvair:
Era uma agradável manhã de sol quando aconteceu. Harry estava com seus pais e seu irmão na cozinha, todos reunidos na pequena mesa redonda de mármore, coberta de pratos de panquecas e de saborosos bacons com ovos preparados por sua mãe, que naquele momento, insistia em colocar mais leite com chocolate em seu copo vazio. Enquanto isso, Harry e Tom duelavam com seus garfos, pois o maior queria a todo custo colocar mais bacon no prato de seu irmão e este tentava impedi-lo, alegando que já estava satisfeito. A épica batalha de utensílios domésticos, é claro, era travada com sorrisos divertidos em seus rostos, sob o olhar entretido de James e um balançar de cabeça exasperado de Lily.
O agradável ambiente, porém, viu-se interrompido pelas insistentes bicadas de uma coruja na janela da cozinha:
- O que será isso? – Lily perguntou, levantando-se para chegar à bela ave marrom de olhos dourados que lhe estendia uma carta. E então, ao observar o envelope lacrado, um orgulhoso sorriso de desenhou em seus lábios – É para você, Tom.
Sob o olhar temeroso de Harry, que já imaginava a procedência da carta, Tom se colocou a lê-la em voz alta:
ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS
Diretor: Alvo Dumbledore
(ordem de Merlin, primeira classe, grande feiticeiro, bruxo chefe, Confederação Internacional de Bruxos).
Prezado Sr. Thomas Potter.
Temos o prazer de informar que o senhor tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa dia 1º de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de agosto, no mais tardar.
Atenciosamente,
Minerva McGonagall
(diretora substituta).
Com as belas esmeraldas cheias de lágrimas não derramadas, Harry olhava para a coruja parada no marco da janela como se o pobre animal fosse responsável por trazer para sua casa todos os males do mundo.
- Eu não vou – a determinada voz de Tom anunciou de repente, interrompendo o alegre discurso que seus pais estavam prestes a dar.
- O que? – James engasgou com o café, olhando confuso para seu filho mais velho – Como assim não vai? O que você está dizendo, Tom?
- Eu vou esperar o Harry receber sua carta e então, nós dois iremos juntos para Hogwarts.
Lily, ao ouvir isso, suspirou, observando Tom se levantar para abraçar o menino menor, que havia se agarrado às suas vestes e agora chorava silenciosamente no peito do irmão.
- Tom, meu filho – começou James – Você não pode simplesmente decidir que...
- James, por favor – a bela ruiva o interrompeu – Termine o seu café senão você ira se atrasar para o trabalho, deixe-me conversar com os dois na sala. Está bem? Venham, meninos.
Lançando um olhar cauteloso a sua esposa, James suspirou e se serviu de mais uma xícara de café, desejando que Lily conseguisse convencer Tom a fazer a coisa certa. Mas o menino podia ser tão cabeça-dura às vezes.
Na sala de estar, enquanto isso, Lily havia se sentando no sofá ao lado de seus filhos. Um choroso Harry permanecia no colo de Tom, a cabeça apoiada em seu peito, encontrando-se um pouco mais calmo devido à segurança que os braços do irmão lhe proporcionavam. Finalmente, com um olhar compreensivo, Lily falou:
- Tom, meu querido, infelizmente você não pode adiar sua ida para Hogwarts. É contra o regulamento da escola.
- Então eu simplesmente não vou.
- Mas Tom...
- Eu não vou, não sem o Harry.
- Meu amor, você não quer aprender coisas novas? Poções? Feitiços? Isso só será possível em Hogwarts.
- Eu não quero aprender nada, não se isso significa que eu devo deixá-lo sozinho – afirmou friamente, estreitando ainda mais o menino em seus braços.
- Harry não estará sozinho, você sabe disso, Tom. Eu e seu pai iremos cuidar dele, e Sirius também, e você estará com Remus em Hogwarts...
- Eu não quero me separar dele!
O grito abafado fez o coração de Lily apertar, mas ela sabia o que precisava fazer:
- Eu sei, querido. Mas você não quer ser capaz de protegê-lo?
- O que?
- Você não quer ser capaz de proteger seu irmão? – repetiu ela, encarando-o seriamente.
- É claro que sim!
- Mas como você vai fazer isso sem aprender a controlar e a utilizar sabiamente sua magia?
- Eu vou aprender. Eu tenho livros... E... E você e o papai podem me ensinar.
- Nós jamais poderíamos ensiná-lo tão bem quanto os professores de Hogwarts, que dispõem de todos os recursos, e alguns, como o professor Binnis, de séculos de experiência.
- Mas...
- Conhecimento é poder, Tom. Se você não for para Hogwarts, você estará em desvantagem em relação aos demais, que poderão subjugá-lo e assim, chegar facilmente ao seu irmão.
Tom apertou os punhos, cerrando os olhos enquanto sua mente ponderava os prós e contras de toda a situação, numa velocidade impressionante. Lily, ao seu lado, mascarava o sorriso com uma expressão de solene seriedade. Talvez fossem os anos de convivência com seu melhor amigo, Severus, ou o seu lado Slytherin finalmente aflorando, mas suas palavras habilmente arquitetadas para atingir o ponto fraco de Tom serviriam para uma boa causa, isto é, para a educação adequada e o amadurecimento de seus dois filhos, pois havia chegado à hora deles se separarem.
Silenciosamente, Tom ponderava a respeito das palavras de sua mãe. Se ele fosse para Hogwarts, seu irmão ficaria sozinho e eles só poderiam se reencontrar nas férias. Ele não acordaria mais com o calor de Harry em seus braços, não sorriria ao observar o menor lutar contra o sono sentado na pia do banheiro enquanto ele o preparava para a escola, não veria o lindo sorriso se desenhar nos lábios rosados ao desejar-lhe bom dia todas as manhãs, não o ajudaria com a lição, não contaria mais histórias para Harry dormir, não beijaria docemente o pequeno raio em sua testa para lhe dizer boa noite...
Eles não estariam mais juntos.
No entanto, se Tom não fosse para Hogwarts, sua magia não seria explorada o suficiente para que ele se tornasse um mago poderoso e assim, pudesse cuidar de seu irmão menor. Se ele não fosse para Hogwarts, qualquer um que tivesse estudado na conceituada Escola de Magia e Bruxaria poderia chegar a superá-lo, poderia ferir seu irmão, poderia arrebatar-lhe o menor para sempre. Não, ele não deixaria isso acontecer.
Tom havia prometido a si mesmo que se tornaria o mago mais poderoso de todos os tempos e, então, ninguém jamais poderia ameaçar ou lhe roubar seu amado irmão.
Ele faria o que fosse preciso para proteger Harry.
Mesmo que para isso precisasse se afastar dele.
Seriam apenas alguns poucos anos.
E eles ainda se veriam nas férias...
- Tudo bem – suspirou por fim – Eu vou para Hogwarts.
Em seu colo, Harry arregalou os olhos de repente e exclamou:
- Não! Por favor, Tom, não!
- Harry, querido... – Lily começou, mas o olhar do menino mais velho a silenciou e com o coração apertado a bela mulher percebeu que Tom estava sofrendo da mesma forma que Harry, mas tentava não demonstrar, procurando fazer o que era certo para proteger o irmão.
- Deixe-me falar com ele mamãe – pediu o maior e Lily concordou com um aceno, levantando-se para regressar à cozinha, enquanto lançava um olhar entristecido para seus dois filhos.
O rostinho de Harry, naquele momento, encontrava-se banhando pelas lágrimas que ele já não conseguia mais segurar. E Tom, com um suspiro pesado, abraçou o relutante menino em seu colo.
- Por favor, eu prometo ser um irmão melhor, mas não me deixe sozinho...
- Você é o melhor irmão que eu poderia querer Harry.
- Então, por que...?
- Porque é preciso, pequeno – apertou os punhos com impotência, sentindo seu coração afundar mais a cada lágrima que deslizava dos belos olhos de seu irmão – Se eu não for para Hogwarts, não poderei protegê-lo adequadamente...
- Eu não ligo! Eu posso me proteger! E... E nós temos o papai e o Sirius, eles são fortes, você não precisa...!
- Não, Harry, você é doce e amável e por isso não pode se proteger da maneira correta, e nossos pais e padrinhos não poderão cuidar de você para sempre, mas eu sim, se eu for para Hogwarts eu vou me tornar forte para cuidar de você e protegê-lo de todo mal até o final dos nossos dias.
- Mas... – soluçando, Harry se encolheu nos braços do irmão – Mas quem irá cuidar de mim quando você estiver em Hogwarts?
- Serão apenas três anos, eu confio que mamãe e papai possam cuidar de você até lá e então, antes mesmo que você perceba, você estará em Hogwarts comigo.
- Eu não quero que você vá... – murmurou com a voz embargada pelas lágrimas.
- Eu também não quero ir – afirmou sinceramente – Mas eu prometo escrever todos os dias.
Harry ficou em silêncio, chorando nos braços do irmão, que beijava carinhosamente seus cabelos enquanto lhe balançava apertado, murmurando que tudo estaria bem.
- Você confia em mim, Harry? – perguntou com suavidade, após observar os soluços diminuírem aos poucos.
- Sim.
- Então confie em mim para me tornar um grande mago, pequeno, para que eu possa cuidar de você e protegê-lo de todos os perigos.
Harry fungou baixinho, mas levantou suas chorosas esmeraldas para encarar o irmão. Ele sabia o quanto se tornar um poderoso mago para ser capaz de protegê-lo era importante para Tom, ainda que ele achasse que seu irmão já era o mago mais poderoso de todos os tempos. Então, com a voz pequena e ainda chorosa, Harry murmurou:
- Tudo bem, mas você promete não deixar de escrever e voltar para casa assim que puder?
E Tom sorriu, apertando o menor em seus braços e pousando um carinhoso beijo na pequena cicatriz:
- Eu prometo pequeno. E não se preocupe, eu disse para você uma vez e agora repito, não importa o que aconteça, não importa a distância entre nós, ninguém poderá nos separar. Você acredita em mim?
Com um pequeno, mas sincero sorriso, Harry respondeu em seguida:
- Eu acredito em você, Tom.
E assim, aos poucos, as lágrimas começaram a cessar, ainda que a tristeza perdurasse em ambos os corações dos meninos, que permaneciam abraçados no sofá.
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No final de semana seguinte, a família Potter decidiu fazer uma excursão ao Beco Diagonal para que pudesse adquirir todos os materiais necessários para o primeiro ano de Tom em Hogwarts. Depois de chegarem ao Caldeirão Furado pela rede-de-Flu, os quatro seguiram para o pequeno pátio murado no fundo do estabelecimento e após os ligeiros toques de varinha nos tijolos necessários, a família se viu adentrando no famoso centro comercial mágico de Londres, que parecia mais lotado do que nunca, com inúmeros magos e bruxas em suas vestes coloridas que combinavam com seus chapéus circulando em meios às lojas e adquirindo cada vez mais sacolas.
Tom e Harry, que caminhavam lado a lado com as mãos entrelaçadas, observavam com interessem as lojas à sua volta. Ambos os meninos sempre se mostravam animados quando visitavam o Beco Diagonal com seus pais, mas dessa vez um persistente ar melancólico os rodeava.
Suspirando, então, Lily apanhou a pequena lista em seu bolso:
- Vejamos – comentou ela, passando a ler os itens em voz alta:
ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS
Uniforme:
Os estudantes do primeiro ano precisam de:
1. Três conjuntos de vestes comuns de trabalho (pretas)
2. Um chapéu pontudo simples (preto) para uso diário
3. Um par de luvas protetoras (couro de dragão ou similar)
4. Uma capa de inverno (preto com fechos prateados)
As roupas do aluno devem ter etiquetas com seu nome.
Livros:
Os alunos devem comprar um exemplar de cada um dos seguintes:
- Livro padrão de feitiços (1ª série), de Miranda Goshwak
- História da Magia, de Batilda Bagshot
- Teoria da magia, de Adalberto Waffling
- Guia de transfiguração para iniciantes, de Emerico Switch
- Mil ervas e fungos mágicos, de Fílida Spore
- Bebidas e poções mágicas, de Arsênio Jigger
- Animais fantásticos e seu hábitat, de Newton Scamander
- As forças das trevas: Um guia de autoproteção, de Quintino Trimble.
Outros equipamentos:
Uma varinha mágica
Um caldeirão (estanho, tamanho padrão 2)
Um conjunto de frascos
Um telescópio
Uma balança de latão, aço carbono ou inoxidável.
Os alunos podem ainda trazer uma coruja, um gato ou um sapo.
LEMBRAMOS AOS PAIS QUE OS ALUNOS DO PRIMEIRO ANO NÃO PODEM USAR VASSOURAS PESSOAIS.
- Eu sempre achei isso tão injusto!
- James, por favor, não pense em mandar meu filho para Hogwarts com uma vassoura contrabandeada em seu malão, seria quebrar as regras antes mesmo de cruzar os portões da escola.
- Eu sei, Lily – murmurou, revirando os olhos – Mas que é uma regra injusta é.
- De qualquer forma – Lily continuou, voltando-se aos meninos – Por que vocês não vão para a Madame Malkin e enquanto Tom encomenda suas roupas, eu e seu pai providenciaremos o caldeirão, os fracos, o telescópio e a balança?
- Tudo bem, mamãe – concordou Tom.
- Encontre-nos na Floreio e Borrões em meia hora, querido.
Após um breve aceno para seus pais, Tom seguiu com o menor em direção a famosa loja de vestuários Madame Malkin. Lá, a própria Madame Malkin, uma mulher baixinha, de bochechas redondas e sorriso radiante colocou Harry sentado em uma das poltronas de couro com um pote de balas em suas mãos e passou a tirar as medidas de Tom, que em cima do banquinho, não tirava os atentos olhos de seu irmão. Finalmente, depois de quarenta minutos, os meninos saíram da loja com três sacolas em suas mãos contendo o chapéu pontudo simples, as luvas protetoras de couro de dragão, uma capa de inverno e os três conjuntos de vestes comuns de trabalho.
Quando eles entraram na Floreio e Borrões, seus pais já estavam a sua espera e logo lançaram um feitiço de encolhimento nas sacolas de roupa para guardá-las no bolso. Em seguida, Lily e Tom se colocaram procurar os livros exigidos pela escola e mais um ou outro que eventualmente Tom quisesse levar, o que resultou em dez vezes mais a quantidade de livros necessária, fazendo a ruiva sorrir orgulhosa para seu filho. Enquanto isso, Harry se ocupava de escolher alguma coisa interessante na sessão infantil, olhando apreciativamente para alguns livros de contos de fadas, e James havia se perdido em meio aos livros de Quadribol.
Saindo da livraria, a família seguiu para o empório das corujas, onde Tom escolheu uma elegante coruja negra de olhos curiosamente vermelhos, um belo macho de uma rara espécie, ao qual ele nomeou Hades. A coruja logo bicou dolorosamente o dedo de James, mas se deixou acariciar feliz por Harry e seu novo dono, que entre risos, desculpava-se com seu pai.
- Não sei por que você esse escolheu esse animal selvagem, aquele sapinho roxo era bem mais inofensivo... – James ainda resmungava, enquanto eles seguiam para a última loja do dia: Olivaras – Artesão de Varinhas de Qualidade desde 382 a. C.
Quando eles adentraram na loja pequena, coberta de poeira e cheia de estojos de varinhas espalhados por diversas estantes, um homem velho de olhos grades e muito claros apareceu diante deles.
- Olá, Sr. Olivaras – Lily cumprimentou com um sorriso.
- Lily Evans, vinte e seis centímetros de comprimento, farfalhante, feita de salgueiro. Uma boa varinha para encantamentos.
A mulher apenas sorriu em resposta.
- E você, James Potter, deu preferência a uma varinha de mogno. Vinte e oito centímetros. Flexível. Excelente para transformações.
- Deu preferência? – Tom perguntou – Mas não é...
- Oh, sim, é a varinha que escolhe o bruxo, é claro.
Oliavaras então observou a cicatriz de Harry:
- Lembro-me da varinha que lhe causou isso – suspirou ele – Castanheira. Vinte e três centímetros. Quebradiça. Peter Pettigrew, um rapaz de caráter fraco, quebradiço, como sua varinha.
- O senhor já terminou? – a gélida voz de Tom interrompeu na loja, afastando seu irmão do estranho homem e protegendo-o com seu corpo, ao que Harry deixou escapar um suspiro aliviado.
No entanto, Oliavaras apenas sorriu e após uma fita mágica medir o braço de Tom, aproximou-se da estante, puxando desta um estojo de varinha.
- Vejamos, acredito que esta será adequada para você...
- Tom – educadamente, James forneceu o nome de seu filho.
- Sim, Tom. Experimente – encorajou Oliavaras – Fibra de coração de Dragão. Macieira. Trinta centímetros.
Tom agitou a varinha, ainda abraçando os pequenos ombros de seu irmão, e um vaso de plantas explodiu no balcão fazendo Harry se encolher e o velho fabricante de varinhas balançar a cabeça:
- Não, não... Tente esta. Pelo de unicórnio. Trinta e dois centímetros. Carvalho real.
Com um simples agitar de varinha, inúmeros estojos foram jogados da estante para o chão.
- Não, não, definitivamente não.
E assim, seguiram-se mais quarenta e cinco minutos. Até que Olivaras olhou para um estojo em particular e franziu o cenho, pensativo. Era uma varinha poderosa. Poderosa demais... Mas a aura do menino também parecia.
- Aqui, Tom, experimente esta.
- Eu espero que seja a última – murmurou o menino, observando com preocupação o rostinho cansado de seu irmão, que agora se encontrava sentado numa cadeira no colo de sua mãe.
- Sim, acredito que será – respondeu enigmaticamente, estendendo-lhe a varinha – Teixo. Pena de Fênix. Trinta e quatro centímetros.
Tom apanhou a varinha e na mesma hora sentiu um calor nos dedos. Era uma sensação incrível de poder, na sua forma mais pura, acalentando sua mão. Ergueu a varinha e baixou-a e uma torrente de faíscas douradas saiu da ponta atirando fagulhas luminosas que dançavam nas paredes. Harry, esquecendo-se imediatamente do cansaço, gritou de entusiasmo e bateu palmas enquanto seus pais sorriam orgulhosamente e acenavam com aprovação.
Depois de James colocar os sete galeões no balcão, a família se dirigiu à saída da loja, mas antes de cruzarem o marco da porta, o senhor Olivaras sorriu para Harry e afirmou, enigmaticamente:
- Não se preocupe, quando chegar à hora, sua varinha estará esperando por você. Não há dúvidas de qual varinha o escolherá.
O menino em questão apenas arqueou uma sobrancelha, mas foi logo escoltado para a saída da loja pelos protetores braços de seu irmão, que olhava para Olivaras com desconfiança. O fabricante de varinhas, porém, apenas sorria, sabendo que o destino dos dois irmãos estava entrelaçado, como suas varinhas.
- Finalmente – Lily exclamou com um sorriso, enquanto a família seguia para a sorveteria Florean Fortescue a fim de uma merecida parada para um delicioso sorvete antes de voltarem para casa – Conseguimos todos os itens, agora você está mais do que preparado para Hogwarts, querido.
Sem um pingo de entusiasmo, Tom concordou com um breve aceno, abraçando ainda mais forte, protetoramente, o entristecido menino que estremecera em seus braços.
Ele estava pronto para Hogwarts.
Infelizmente.
-x-
O dia 1º de Setembro amanhecera nublado e chuvoso no vilarejo de Godric`s Hollow, apático, como os semblantes de Harry e Tom. Finalmente, para infelicidade dos dois irmãos, havia chegado o dia de Tom partir para Hogwarts. E naquele exato momento, enquanto caminhavam pela Estação King's Cross em meio a dezenas de muggles barulhentos, Harry apertava firmemente a mão de seu irmão, como se quisesse impedi-lo de chegar à plataforma 9 ¾.
- Vocês estão prontos, meninos? – Lily perguntou com um sorriso, apontando para a parede aparentemente vazia entre as plataformas 9 e 10 – Observem seu pai primeiro.
- Eu adorava essa parte! – riu James, correndo em direção à parede enquanto empurrava o carrinho, no qual se encontravam um sonolento Hades em sua gaiola e o malão de Tom. No instante seguinte, ele havia sumido.
Ao ver o olhar receoso de Harry, o maior sussurrou em seu ouvido:
- Juntos?
- Juntos – concordou com um pequeno sorriso. E então, sem soltarem suas mãos, os dois correram para a parede de tijolos.
Harry nem mesmo percebeu que havia fechado os olhos, mas voltou a abri-los logo que seu irmão anunciou "chegamos" numa voz calma e ligeiramente impressionada. Uma locomotiva vermelha a vapor estava parada à plataforma abarrotada de gente. Um letreiro no alto informava "Expresso Hogwarts, onze horas". Olhando rapidamente para trás, Harry viu um arco de ferro com os dizeres: Plataforma 9 ¾. A fumaça da locomotiva dispersava sobre as cabeças das pessoas que conversavam alegremente, enquanto gatos de todas as cores trançavam por suas pernas e diversas corujas piavam em suas gaiolas, descontentes com toda aquela agitação.
Os primeiros vagões já estavam cheios de estudantes, uns debruçados nas janelas conversando com suas famílias, outros brigando por causa de lugares. Harry agarrou-se ao braço de Tom e seguiu em busca de seu pai, passando por um garoto bonito de cabelos castanhos que parecia indignado com alguma coisa:
- Eu não sei por que não podemos levar uma vassoura, pai.
- Ora, Cedric...
E por um menino de cabelos escuros que ignorava completamente sua família, mais interessado em continuar com a leitura de seu livro:
- Adrian, pelo menos diga adeus a sua mãe!
E assim, os dois continuaram andando pela aglomeração até chegarem a seus pais:
- Está na hora, Tom – cautelosamente, Lily olhou para seus filhos. A locomotiva já havia dado o primeiro anúncio da partida.
Com um suspiro resignado, Tom abraçou seu pai, ganhando um pequeno saco de galeões para suprir qualquer eventual despesa no trem, e depois de um conjunto de beijos molhados em sua bochecha por parte de uma chorosa Lily, ele se agachou para ficar na altura de seu irmão:
- Harry... – murmurou, encarando aquelas belas esmeraldas que já começavam a se encher de lágrimas.
- Não vá! Por favor, não vá!
- Não faça isso, pequeno – com um leve suspiro, Tom o puxou para seus braços – O que eu mais queria era ficar com você, mas nós já conversamos sobre isso. Comporte-se, está bem? E não se esqueça de que eu amo você, meu pequeno.
- Por favor, Tom...
Naquele momento, o Expresso Hogwarts anunciou a última chamada antes de partida. E Lily, com o coração apertado, trouxe um relutante Harry para os seus braços:
- Não! Solte-me, mamãe! Solte-me! Tom...! Tom...! Por favor...!
Sem olhar para trás, Tom seguiu para a locomotiva que já anunciava a partida. E sem olhar para trás, chegou ao primeiro degrau do vagão, mas então seu coração o traiu e ele virou levemente o rosto para dar uma última olhada em seu irmão. Um olhar esmeralda mergulhado na mais profunda tristeza foi a última coisa que Tom contemplou antes de desaparecer no vagão.
- Tom... Tom... TOM! – ao ver seu irmão sumir em meio às outras crianças que embarcavam com sorrisos radiantes, acenando para seus familiares, Harry se desesperou. Ele se desesperou completamente e aos gritos, começou a se debater cada vez mais forte no colo de sua mãe.
James e Lily, é claro, não esperavam uma reação tão exagerada de seu filho caçula e agora, nervosamente, tentavam acalmá-lo. Mas cada uma de suas palavras de ânimo e tranqüilizadoras pareciam em vão. E quando o trem começou a se afastar, deixando a plataforma para trás, Harry viu o pânico consumi-lo. As esmeraldas agora fora de foco haviam perdido completamente o brilho, e uma ventania estranha passava a rodear o pequeno corpo do menino, cujos dedos finos começavam a emitir inusitadas faíscas douradas, assustando a todos que ainda se encontravam na plataforma.
Sua magia havia perdido o controle.
- James! Nós precisamos aparatar para St. Mungus agora!
- Rápido, Lily, segure-se em mim!
No instante seguinte, sob inúmeros olhares assustados e confusos, James e Lily desapareceram com seu filho.
E nesse meio tempo, sentado num compartimento vazio e selado magicamente para que ninguém o incomodasse, pela primeira vez em onze anos, Tom sentia as lágrimas rolarem livremente de seus olhos. Ele simplesmente não conseguia mais contê-las. Ele não conseguia mais esconder seus sentimentos. Ele não conseguia mais fingir que tudo ficaria bem, porque cada vez que tentava, seus pensamentos evocavam a imagem de um par de esmeraldas sem brilho e chafurdadas num mar de tristeza nunca antes visto.
- Harry... – murmurou e por um breve instante, pôde ouvir o desesperado grito de seu irmão ressoar em sua mente.
Era como se um pedaço de sua alma estivesse ficando para trás.
Continua...
Próximo Capítulo:
- O diretor Dumbledore pediu para você encontrá-lo em seu escritório – informou o monitor.
Tom, por sua vez, apenas concordou em silêncio, perguntando-se o que ele já havia feito para ser chamado ao escritório do diretor logo no seu primeiro dia em Hogwarts.
-x-
N/A: Olá, meus queridos, tudo bem? Espero que sim... Bem, em compensação à minha demora, este capítulo foi beeeeeem longo, não é mesmo? Infelizmente, época de final de semestre é uma tristeza, só trabalhos e provas... Loucura total. Mas ainda sim eu consegui um tempinho para atualizar esta história. Então, espero sinceramente que vocês apreciem!
Oh, não se preocupem, o Harry e o Tom não vão ficar "separados" por muito tempo, logo no capítulo seis, o tempo necessário terá passado e o nosso amado moreninho de olhos verdes estará embarcando para Hogwarts na companhia de seu adorado irmão. E Hogwarts que se segure! Hehe...
E o capítulo de hoje, meus queridos leitores, o que vocês acharam?
Espero sinceramente que tenham gostado!
Por favor, mandem suas REVIEWS para dizer o que estão achando da história e façam esta humilde autora muito feliz!
Gostaria de agradecer imensamente e mandar um super beijo para:
musme... Wincest-me... Mazzola Jackson Lupin... Kiki Moon... Brunah-Akasuna... Malukita... dreyuki... Moony Black... vrriacho... Leh Weasley... TaiSouza... Pandora Beaumont... FranRenata... St. Lu... Kimberly Anne Potter... Srta. Ines Black... Sandra Longbottom... Mary P. Malfoy... Neko Lolita... annegreen... Nicky Evans... e Kamilla Riddle!
Muito obrigada mesmo pelas maravilhosas Reviews de vocês!
Em breve, prometo que estará online o novo capítulo (rumo à reta final) de O Pequeno Lord!
