Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

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Ao ingressar no Salão Principal de Hogwarts, Tom não pôde deixar de perceber o quão esplêndido o local parecia, iluminado por milhares de velas que flutuavam no ar sobre quatro mesas compridas, onde os demais estudantes já se encontravam sentados. Em cada mesa estavam dispostos pratos e taças douradas. E no outro extremo do salão havia mais uma mesa comprida em que se sentavam os professores, onde Tom reconheceu seu padrinho sorrindo para ele com o semblante um pouco cansado, pois a lua cheia fora há alguns dias.

Olhando para o teto aveludado e negro salpicado de estrelas, enfeitiçado para parecer o céu lá fora – segundo lera em Hogwarts, uma história – Tom pensou em seu irmão, pois sabia que Harry ficaria encantado com a bela visão. Ao pensar no menor, porém, o coração pareceu apertar em seu peito e um pequeno suspiro entristecido escapou de seus lábios no momento em que a professora Minerva McGonagall colocava um banquinho de quatro pernas logo à frente da fila de alunos do primeiro ano com um chapéu remendado e esfarrapado em sua superfície.

O chapéu seletor.

Tom reconheceu das histórias de seu pai.

- Quando eu chamar os seus nomes, vocês colocarão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção – anunciou a professora, desenrolando um pergaminho comprido – Roger Davies.

Um garoto alto e magricela de cabelos escuros saiu da fila, sentou-se no banquinho e esperou a professora colocar o chapéu em sua cabeça, que lhe afundou direto até o os olhos. Uma pequena pausa e então...

- Ravenclaw! – anunciou o chapéu.

A mesa a direita bateu palmas e deu vivas quando Roger Davies foi se sentar à mesa Ravenclaw. Nesse momento, Tom viu o fantasma de uma mulher de semblante melancólico fazer uma pequena reverência para o recém chegado à sua casa. A dama cinzenta, Helena Ravenclaw, Tom reconheceu de seus livros.

- Penélope Clearwater.

- Ravenclaw! – anunciou o chapéu outra vez, e a menina loura de olhos azuis saiu depressa para se sentar ao lado de Davies.

- Cedric Diggory.

- Hufflepuff!

Dessa vez foi a segunda mesa à esquerda que aplaudiu e o menino alto de cabelos e olhos castanhos foi se juntar eles. Oliver Wood foi o escolhido para Gryffindor e a mesa na extrema esquerda explodiu em vivas. Dafne Greengrass, com seus cabelos louros e olhos cinzentos cheios de superioridade acabou em Slytherin, assim como Marcus Flint.

Tom já estava começando a ficar impaciente, uma mistura de irritação pela demora e tristeza ao pensar outra vez nas lágrimas deslizando dos olhos de seu irmão, e sua atenção pouco estava focada na seleção, quando, de repente, seu nome foi chamado:

- Thomas Potter.

Quando Tom se adiantou ao banquinho e o chapéu foi colocado em sua cabeça, este lhe afundou ao meio dos olhos e a escuridão tomou conta:

- Há talento, sem dúvida alguma, sede de poder e conhecimento... – ressoou uma voz em sua cabeça – Astúcia e coragem, mas não está disposto a se arriscar por qualquer um... Não, há apenas uma pessoa em seu coração... Oh, mas não restam dúvidas quanto à casa a ser escolhida... Sim, sim, o herdeiro deverá permanecer em seu legado...

Tom arqueou uma sobrancelha e pensou: "herdeiro?"

Mas, no instante seguinte, o chapéu anunciou para todo o salão:

- Slytherin!

Ao caminhar calmamente para a mesa que o aplaudia, Tom não pôde deixar de pensar que seu pai, sem dúvida alguma, teria um ataque. E seus pensamentos foram confirmados ao observar o sorriso sarcástico no rosto de Severus Snape e o aceno trêmulo que seu padrinho lhe enviou, pois Remus parecia estar pensando no mesmo que ele. Sentando-se entre dois garotos que haviam sido selecionados antes dele, Tom esperou que as três últimas crianças no meio do salão fossem escolhidas para suas casas e então, observou Dumbledore se levantar alegremente para fazer o seu discurso.

- Sejam bem-vindos! – começou o sorridente diretor.

Tom, por sua vez, revirou os olhos e se colocou a pensar em outras coisas, mais precisamente num par de olhos esmeraldas e como seu irmão estaria agora, talvez sendo consolado por sua mãe no sofá da sala de estar, ou mesmo encolhido em sua cama com as lágrimas ainda banhando o rostinho infantil. Seu coração apertou e então, após ouvir uma salva de palmas, percebeu que o discurso do velho excêntrico havia acabado e que os pratos à sua frente agora estavam cheios de comida.

- Costela ao molho barbecue! – exclamou o garoto sentado à sua direita – meu prato favorito!

Tom apenas arqueou uma sobrancelha e o menino em questão, dando-se conta de sua presença lhe estendeu a mão, apresentando-se em seguida:

- Sou Grahan Montague, muito prazer.

- Thomas Potter – respondeu com desinteresse. Montague parecia tão alto quanto ele mesmo, com cabelos castanhos e sobrancelhas espessas que lhe deixavam com um semblante carregado.

- Sou Adrian Pucey – cumprimentou uma voz a sua esquerda e Tom, então, acenou brevemente para o menino moreno de olhos azuis caídos e expressão entediada. Sentados à sua frente, dois garotos se apresentaram como Marcus Flint e Peregrine Derrick e logo começaram uma desinteressante conversa a respeito de Quadribol, à qual um animado Montague se uniu imediatamente. Pucey, por sua vez, continuou a ler o pequeno livro que havia retirado de seu bolso enquanto comia suas batatas e Tom, ignorando-os completamente, colocou-se a saborear seu jantar com a imagem de seu irmão ainda rondando seus pensamentos.

Com o final do jantar e mais algumas palavras sem importância do diretor, os novos alunos de Slytherin seguiram o monitor de sua casa para as masmorras parando em frente a uma tapeçaria longa, na qual uma bela cobra acinzentada estava enrolada em um dos galhos de uma enorme macieira.

- Puro sangue – o monitor informou a senha à cobra, que acenou brevemente e em seguida, deixou a tapeçaria se abrir para lhes dar passagem ao salão comunal Slytherin.

Franzindo o cenho ao ouvir a senha, Tom seguiu os colegas para dentro do local, deparando-se em seguida com paredes de pedra e lâmpadas verdes circulares pendendo do teto que enriqueciam ainda mais o ar luxuoso do salão. Este possuía ainda poltronas de couro rodeando longos sofás em frente à lareira de pedra e estantes em madeira polida repletas de livros ao redor de pequenas mesas de mogno espaçadas onde alguns alunos mais velhos estavam sentados conversando. O monitor indicou às meninas a porta de seu dormitório, no fundo da sala, e aos meninos, a porta deles, seguindo por um longo corredor, que se encerrava numa porta de madeira talhada que dava acesso aos banheiros.

Dentro do elegante quarto decorado em tons de verde e prata, encontravam-se suas camas: cinco camas com reposteiros de veludo verde-escuro. As malas já haviam sido trazidas e no instante seguinte, Adrian, Montague, Marcus, Peregrine e Tom seguiram para suas respectivas camas. Quando Tom havia finalmente achado seu pijama de malha azul escuro dentro da mala, uma leve batida na porta foi ouvida e o monitor ingressou no quarto com um semblante confuso:

- Thomas Potter, o professor Snape acaba de me informar que o diretor requer a sua presença em seu escritório. Por favor, venha comigo.

Tom, por sua vez, apenas concordou em silêncio e seguiu o monitor, deixando seus curiosos colegas para trás. Em sua mente, ele se perguntava o que já havia feito para ser chamado ao escritório do diretor logo no seu primeiro dia em Hogwarts.

Chegando à gárgula de pedra, Tom pisou no primeiro degrau e após ouvir o monitor murmurar "sapos de chocolate", viu-se sozinho subindo ao escritório do diretor. Finalmente, quando os degraus pararam de se mexer, o jovem Slytherin se deparou com uma grande porta de madeira com contornos dourados, à qual deu duas pequenas batidas antes de uma voz alegre anunciar:

- Entre.

Tom estava irritado, com sono e preocupado com seu irmão e esperava que Dumbledore falasse logo o que queria antes que a tentação de lançar uma maldição no velhote, de preferência uma das maldições que havia lido nos livros de Tio Regulus, fosse grande de mais para ele. Com isso em mente, Tom logo se viu no escritório circular cheio de objetos mágicos curiosos, sendo encarado por uma magnífica fênix de cima de seu poleiro, ao lado da mesa em que se encontrava o diretor de Hogwarts.

- Boa noite, Tom – o velho mago sorriu calorosamente – Sente-se, fique a vontade, por favor.

- Diretor – com um aceno brusco, o menino se sentou na poltrona indicada.

- Meus parabéns por ficar em Slytherin, Tom. Tenho certeza de que o professor Snape ganhou um mago excepcional para sua casa.

- Obrigado.

- Jujuba de limão? – ofereceu, apanhando uma bala esverdeada de dentro de um saquinho colorido – São uma delícia.

- Não, obrigado.

- Oh, você não sabe o que está perdendo.

- O senhor tem algum motivo especial para me chamar aqui? – perguntou friamente, satisfeito ao ver o sorriso no rosto do diretor vacilar.

- Na verdade, trata-se do seu irmão...

- O que aconteceu com Harry? – exigiu, levantando-se tão bruscamente que a poltrona foi jogada para trás.

- Tom, acalme-se...

- Não, eu não vou ficar calmo! – rugiu ele – Eu quero saber o que aconteceu com o meu irmão agora!

Suspirando, Dumbledore começou o relato:

- Quando você embarcou no Expresso Hogwarts, Harry sofreu um colapso emocional e sua magia se descontrolou precisando ser levado às pressas por seus pais para o Hospital de St. Mungus. Eu acabei de falar com sua mãe pela Rede de Flu e me parece que já está tudo bem, foi apenas um susto.

Sentindo o coração falhar uma batida, Tom apertou os punhos, sabendo que era sua culpa:

- Eu preciso vê-lo! – afirmou, olhando ao redor, procurando pela chaminé mais próxima – Ele não pode ficar sozinho! Eu preciso voltar... Eu...

- Agora Tom, acalme-se, por favor – abrindo a primeira gaveta de sua mesa, Dumbledore retirou um pequeno objeto de prata, um espelho ornamentado que Tom reconheceu como um Espelho de Dois Sentidos – Acredito que você saiba o que é isto.

- Sim, é um Espelho de Dois Sentidos. São muito raros. Torna possível se comunicar com a pessoa que possui o outro par dizendo seu nome para ele.

- Excelente. Dez pontos para Slytherin, Tom – aprovou com um sorriso, entregando-lhe o espelho – Enviei para Harry o outro par e dessa forma, vocês dois poderão se comunicar enquanto você estiver em Hogwarts. Ele possui um feitiço de segurança que não o deixará quebrar, então você pode levá-lo em sua túnica sem problemas, vou pedir apenas que não o use durante as aulas.

- Certo... – murmurou, encarando o objeto em suas mãos com reverência – Er... Bem, obrigado, diretor.

- De nada, meu garoto. Você pode voltar para o seu dormitório agora, acredito que esteja ansioso para falar com seu irmão.

- Boa noite, diretor.

Sem ao menos esperar a resposta de Dumbledore, Tom correu para as masmorras. Ao ingressar em seu quarto, ignorou completamente Flint e Montague, que ainda estavam acordados conversando e fechou as cortinas ao redor de sua cama, lançando um feitiço silenciador de privacidade antes de apanhar o espelho e murmurar com expectativa:

- Harry Potter.

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Harry suspirou novamente olhando para as paredes brancas ao seu redor. Deitado na desconfortável cama de um dos quartos do hospital, na ala de acidentes mágicos, o menino se recuperava do colapso emocional que havia levado ao descontrole de sua magia após o medimago lhe administrar algumas poções calmantes e colocá-lo baixo um leve feitiço de retenção de magia. No momento, sua mãe estava sentada na poltrona branca ao lado de sua cama, fingindo folhear uma revista para que ele não percebesse os olhares preocupados que ela lhe lançava a cada segundo, seu pai, enquanto isso, fora na cantina buscar um café para esperar o medimago voltar com o atestado de sua alta o liberando para voltar para casa.

Contendo as lágrimas que ameaçavam deixar seus olhos outra vez, ao pensar que seu irmão não poderia lhe fazer companhia agora, que ele não estaria mais ao seu lado, Harry ouviu seu nome ser chamado suavemente pelo pequeno espelho que sua mãe havia colocado em cima da mesinha ao lado de sua cama, afirmando ser um presente do professor Dumbledore, que em alguns minutos lhe renderia uma grata surpresa.

Harry não havia prestado muita atenção às palavras de sua mãe.

Mas agora, ao pegar o espelho e reconhecer a voz que o chamava, seus olhos se enchiam de lágrimas, lágrimas de alegria.

- Tom? – murmurou, a voz tremendo levemente e um pequeno sorriso se desenhando em seus lábios ao reconhecer a imagem que havia se formado no espelho, ao contemplar o preocupado semblante de seu irmão.

- Como você está pequeno?

- Bem... – respondeu sem pensar – Mas como...?

- Esse é um Espelho de Dois Sentidos – explicou o maior, adivinhando os pensamentos de Harry – Serve para duas pessoas se comunicarem a distância. Pelo visto, Dumbledore resolveu dar o nosso presente de Natal mais cedo este ano.

- Professor Dumbledore – a divertida voz de Lily soou ao fundo, corrigindo seu filho, que apenas revirou os olhos com desdém.

- Que seja, mamãe.

- Isso é incrível, Tom! – exclamou Harry, um pequeno brilho parecendo regressar às belas esmeraldas.

- Sim, poderemos nos falar todos os dias, pequeno.

Naquele momento, Harry abriu um sorriso tão radiante que sua mãe acabou sorrindo também, agradecendo em silêncio ao professor Dumbledore, o qual parecia ter adivinhado que a separação dos dois irmãos não seria tão fácil. Mas Dumbledore sempre parecia saber de tudo e Lily, sinceramente, estava grata por isso. Nos próximos minutos, então, Harry e Tom continuaram a conversar sobre como fora a chegada do maior à Hogwarts, desde a travessia nos pequenos barcos guiada pelo guarda-caça Hagrid, até ao momento em que havia contemplado o céu estrelado de dentro do Salão Principal. Os dois aproveitaram também para combinar os horários que poderiam se falar nos próximos dias, isto é, quando Tom não estivesse em aula e nem Harry na escolinha, prometendo um ao outro, porém, que não passariam um dia sem entrar em contato com o outro para falar sobre o seu dia.

Em meio à animada conversa, a porta do quarto de repente se abriu, revelando um sorridente James Potter trazendo dois copos de Frappuccino:

- Eu simplesmente adoro essas bebidas muggles, ainda bem que eles vendem aqui.

Lily, por sua vez, aceitou um dos copos, revirando os olhos com diversão ao ouvir as palavras de seu marido.

- O que é isso, Harry?

- É um Espelho de Dois Sentidos, papai – Harry explicou com o radiante sorriso dançando em seu rostinho – O professor Dumbledore nos deu para que eu e Tom pudéssemos nos falar enquanto ele estiver em Hogwarts.

- Uau... – exclamou, sentando-se na cama ao lado de seu filho – Tom? Você está aí?

- Sim, papai.

- Nossa, funciona mesmo, eu nunca tinha visto um desses.

- Pois é – a imagem de Tom revirou os olhos no espelho e Harry deixou escapar um risinho.

- E como estão as coisas aí, campeão? As camas na Torre Gryffindor continuam tão confortáveis de quando me lembro?

- Er... Veja bem, papai...

- Ah, aposto que a McGonagall já inspecionou todos os quartos em busca de artículos de travessura, não é mesmo? Ela sempre fazia isso...

- Então – interrompeu a voz de Tom – na verdade, eu fui selecionado para Slytherin.

Na mesma hora, James empalideceu:

- O que?

E antes que o Auror pudesse falar qualquer outra coisa, Lily tomou a palavra:

- Isso é ótimo, querido! Estamos muito orgulhosos de você, não é mesmo, James? – sem dar tempo para homem responder, a sorridente ruiva se despediu de seu filho maior e arrastou o marido para fora do quarto.

Sozinhos, Harry e Tom romperam em risadas.

Talvez aquele espelho não pudesse acabar com o sofrimento e a saudade, mas poderia levar um sorriso aos seus lábios e a certeza de que nem mesmo a distância seria capaz de separá-los.

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Na manhã seguinte, ao acordar em sua nova cama no dormitório Slytherin, Tom percebe que passara a noite inteira conversando com Harry através do espelho, o qual permanecia em uso, oferecendo a doce imagem de seu irmão caçula dormindo agarrado ao travesseiro que Tom sempre usava. Com um pequeno sorriso, o maior renovou o feitiço de privacidade ao redor de sua cama para poder acordar seu dorminhoco irmão:

- Hey, pequeno, acorde.

- Hum... Não quero... – murmurou a sonolenta voz no espelho.

- Vamos, Harry.

- Não...

- Acorde, pequeno, dessa vez eu não estou aí para arrumá-lo para a escola – suspirou o maior – você precisa levantar, Harry, senão irá se atrasar.

Finalmente, abrindo as entristecidas esmeraldas, Harry murmurou para o irmão:

- Eu gostaria que você estivesse aqui.

- Eu também gostaria.

- Nós precisamos desligar o espelho agora, não é mesmo?

- Temo que sim, pequeno.

- Você irá me chamar mais tarde? – perguntou num sussurro – Quero dizer, quando acabarem suas aulas?

- É claro que sim! E então, eu vou querer saber sobre como foi o seu dia.

- E eu vou querer saber sobre o seu – sorriu levemente – Até mais, Tom.

- Cuide-se bem, pequeno – em seguida, com o coração apertado, Tom murmurou para o espelho – Encerrar.

E a imagem de seu irmão já não podia mais ser vista.

Quando se levantou da cama, Tom não prestou muita atenção no que seus colegas conversavam e começou a se arrumar para o primeiro dia de aula. Após alguns minutos, os cinco Slytherins seguiam em direção ao Salão Principal para saborear o café da manhã antes de começar aquele longo dia. No salão em questão, alguns estudantes e a maioria dos professores já se encontravam apreciando a primeira refeição do dia e os Slytherin do primeiro ano então seguiram para a mesma mesa onde haviam jantado na noite anterior, na qual alguns alunos mais velhos de sua casa já estavam acomodados.

- Aquele porta-retrato que está na sua mesinha de cabeceira... – comentou Montague, sentado ao seu lado, enquanto se servia de uma generosa porção de bacon com ovos –... É você e seu irmão, não é mesmo? Harry Potter, o menino que sobreviveu à maldição da morte?

- Sim.

- Deve ser legal ter um irmão famoso – murmurou pensativo – Como ele é?

- Não é da sua conta, Montague – grunhiu irritado.

- Foi mal. Credo, eu só estava curioso.

- Deixe o meu irmão fora da sua curiosidade.

- Está bem, não está mais aqui quem falou – levantando as mãos em sinal de paz, Montague decidiu continuar a conversar com Flint sobre Quadribol, que se mostrava um terreno mais seguro.

- Hoje temos poções na primeira aula – anunciou Adrian, conferindo seu caderno de horários, um tom animado em sua voz.

- Interessante – respondeu Tom.

- Interessante? Ora, é muito mais do que isso. Teremos aula com Severus Snape, o homem é um gênio.

- Se você diz.

- É verdade, meus pais queriam que eu fosse para Durmstrang, mas eu os convenci a me deixarem estudar aqui apenas para ter aulas com o professor Snape.

Tom ponderava se deveria dizer ao menino sentado ao seu lado que não estava nem um pouco interessado nos detalhes de sua vida. No entanto, preferiu permanecer em silêncio, apenas acenando vagamente para quem lhe fizesse algum comentário direto. Em seus pensamentos, imaginava Harry debruçado sobre a pia, um olhar sonolento, enquanto escovava os dentes para descer para delicioso o café da manhã que sua mãe havia preparado.

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- Não permitirei brincadeiras com varinhas nem feitiços idiotas aqui – informou a fria voz de Severus Snape, que havia ingressado na sala de aula golpeando a porta à suas costas.

Tom apenas arqueou uma sobrancelha, sentado ao lado de um animado Adrian Pucey, na primeira fileira. Snape conseguia ser tão dramático às vezes.

- Pois bem, não espero que muitos de vocês apreciem a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções.

Suspirando, Tom começou a copiar as palavras do professor, esperando que este acabasse com o seu show de intimidação que estava fazendo os Hufflepuffs nas fileiras de trás tremerem e começasse logo a ensinar como se preparar uma poção.

- Porém, para aqueles poucos escolhidos dispostos a aprender, posso ensinar como enfeitiçar a mente e como confundir os sentidos. Posso ensinar como engarrafar a fama, cozinhar a glória e até por fim na morte...

Interessante.

Pensou Tom, continuando a copiar cada palavra em seu pergaminho, enquanto Adrian olhava com adoração para o homem de vestes negras à frente da sala.

- Contudo, talvez alguns tenham vindo a Hogwarts com habilidades tão formidáveis que se sintam confiantes o bastante para não prestar atenção.

Nesse momento, Tom sentiu a leve cotovelada de Adrian em seu braço e ergueu os olhos para encarar o professor de poções.

- Senhor Thomas Potter – cumprimentou friamente – Diga-me, o que forma raiz de asfódelo em pó colocada em uma infusão de losna?

Na mesma hora, Adrian levantou a mão.

- Forma a Poção do Morto Vivo, senhor. Isto é claro, depois de acrescentar as raízes de valeriana e a vagem suporífera.

- Exato – afirmou a contra gosto – E onde procuraria se eu pedisse para me trazer bezoar?

Adrian quase caiu da cadeira, esticando-se para levantar a mão.

- No exato momento, eu iria procurar no seu armário de poções. Contudo, esta pedra é encontrada no estômago de uma cabra, senhor.

- Qual a diferença entre acônito licoctono e acônito lapelo?

- Acônito licoctono é uma flor amarelada extremamente parecida com um girassol. Acônito lapelo, porém, são as folhas de um pé de abóbora.

- Muito bem. Vinte pontos para Slytherin – Snape concedeu e Tom pôde detectar um brilho de satisfação nos olhos de seu professor, que havia percebido que o livro de poções que lhe dera no seu aniversário fora devorado antes de vir para Hogwarts – Pelo visto você não herdou a incompetência de seu pai.

- De fato, senhor. Parece que eu herdei a inteligência de minha mãe.

- E devemos agradecer a Merlin por isto – concordou Snape, virando-se para escrever na loura a poção que deveriam preparar naquela aula.

- Isso foi incrível – murmurou a voz de Peregrine Derrick na carteira de trás.

- Foi mesmo – afirmou Adrian, ainda ressentido por não ter tido a chance de responder nenhuma pergunta.

- Ele poderia ter feito perguntas mais difíceis – Tom revirou os olhos, concentrando-se em copiar as palavras da lousa e ignorando o olhar espantado de toda a sala.

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Os dias seguiram tranquilamente na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, dias que logo se transformaram em semanas e nesse meio tempo, Tom se mostrava o melhor aluno de sua classe, sempre ganhando pontos para Slytherin e ocupando seu tempo na biblioteca para aperfeiçoar cada vez mais seus conhecimentos, às vezes, acompanhado de Adrian ou Montague, com os quais interagia superficialmente nos momentos em que achasse oportuno, isto é, para comparar sua lição de poções com Adrian ou seu pergaminho de feitiços com Montague, que se mostrava realmente talentoso nesta matéria, ainda que não chegasse aos seus pés, é claro. Tom ainda achava que estava cercado por um bando de idiotas, mas sabia que deveria manter aliados.

Na verdade, os únicos momentos preciosos para Tom se resumiam à chegada do correio, quando Hades trazia as cartas de Harry, que estavam sempre acompanhadas de um desenho, um doce ou algo que havia feito na escolinha para ele, e quando voltava do jantar e podia se deitar em sua cama com um feitiço de privacidade ao redor e acionar o espelho, colocando-se a conversar com o seu irmão caçula até o dia seguinte, quando então o acordava para a escolinha.

Tom não poderia negar que gostava de passar as tardes com seu padrinho, o qual sempre lhe ensinava alguma coisa nova durante as conversas regadas a chá e biscoitos trazidos pelos elfos da escola. Defesa Contra as Artes Obscuras era sua matéria favorita e Remus era um excelente professor, mas nem isso, ou os passes para estudar na sessão proibida da biblioteca, amenizavam sua vontade de voltar para casa e contemplar pessoalmente o doce sorriso de seu irmão.

Enquanto isso, os dias de Harry seguiam opacos e sem vida, como seus olhos, que só recobravam o brilho quando recebia as cartas de seu irmão pela manhã ou quando adormecia ouvindo sua voz pelo espelho, os bracinhos finos ao redor do travesseiro que ainda conservava o perfume de Tom. Na escolinha, quando seus colegas haviam descoberto que Tom fora para a Escócia estudar num colégio interno particular, logo tentaram se aproximar do doce menino de olhos verde, que já não contava com a estóica e intimidadora presença do maior ao seu lado, mas Harry continuava a ignorá-los, interagindo apenas superficialmente e oferecendo sorrisos vazios com a desculpa de preferir ficar sozinho durante as manhãs.

Lily estava preocupada com Harry, mas todos os seus esforços para ajudá-lo a interagir com as outras crianças e esquecer a ausência do irmão eram em vão. Assim, a bela ruiva havia decidido deixar o tempo seguir o seu curso enquanto o menor não adoecesse nem caísse em depressão. Ela suspeitava, porém, que o único motivo de Harry permanecer saudável o suficiente era o espelho que oferecia uma contínua via de comunicação entre ele e Tom. E silenciosamente, Lily agradecia à perspicácia de Dumbledore.

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- Harry, acalme-se, querido.

- Estou calmo, mamãe – respondeu o menino, que andava de um lado para o outro esperando ansiosamente a chegada do trem.

Os meses haviam passado lentamente, ao menos na opinião de Harry e Tom, mas agora o feriado de Natal finalmente anunciava a volta do maior para casa e naquele momento, Harry e seus pais se encontravam na plataforma 9¾ a espera do Expresso Hogwarts. Inúmeras famílias circulavam ao redor também aguardando a chegada dos alunos que haviam decidido passar o feriado em suas casas, mas Harry não prestava atenção em qualquer outra coisa senão no caminho pelo qual o trem deveria chegar. Depois de quatro longos meses de espera, ele finalmente voltaria a ver seu irmão.

Quando o Expresso Hogwarts anunciou sua chegada, Lily precisou trazer o filho caçula para o seu colo antes que Harry decidisse entrar no trem para procurar pelo irmão. Pouco a pouco os alunos foram descendo dos vagões e seguindo ao encontro de suas famílias, quando, de repente, os olhos de Harry se fixaram num menino moreno de olhos castanhos que usava uma calça jeans escura e um bonito suéter preto combinando com o cachecol verde e prata ao redor de seu pescoço.

- Tom... – murmurou, e na mesma, soltou-se dos braços de sua mãe.

Tom, por sua vez, sorriu ao sentir um pequeno furacão de cabelos bagunçados se agarrar à sua cintura e abraçou o menor com força, enterrando seu rosto nos cabelos negros que conservavam aquele delicioso perfume de inocência e maçã, característico unicamente de seu irmão.

- Olá, pequeno.

- Tom... – Harry repetiu uma e outra vez, as lágrimas de alegria se concentrando no canto de seus olhos, enquanto se deixava envolver pelo conhecido e confortável calor dos braços de seu irmão.

- Você se comportou enquanto eu estava em Hogwarts?

- Sim – sorriu – você sabe que sim, Tom.

- Estou apenas confirmando – comentou divertido e logo pegou o pequeno de oito anos em seu colo, para deleite de Harry, que apoiou a cabecinha em seu ombro sem deixar de sorrir.

- Tom, querido, como você cresceu.

- Obrigado, mamãe – sorriu, deixando que a ruiva lhe plantasse um beijo na bochecha.

- Eu ainda não acredito que você está na casa das serpentes – suspirou James, olhando para o cachecol de seu filho como se este fosse venenoso por si só – Meu bom Merlin, onde foi que eu errei?

- James... – Lily o encarou perigosamente.

- Mas é claro que eu estou muito orgulhoso de você, meu filho – acrescentou depressa. E suspirou de alívio ao ver o aceno positivo de sua doce, porém assustadora esposa.

- É claro que sim, papai.

Rindo, os dois irmãos seguiram para saída da plataforma, deixando que seus pais cuidassem da bagagem.

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Naquela noite, depois de apreciarem um delicioso jantar preparado por sua mãe, Harry e Tom seguiram para cama do maior – que Harry vinha ocupando desde então – e assim, puderam finalmente se perder no calor dos braços um do outro como faziam desde os primeiros anos de vida. Os dois pares do Espelho de Dois Sentidos permaneciam na mesinha de cabeceira ao lado da cama. E sob as cobertas, enrolado nos braços do irmão, Harry suspirava feliz com o rosto em seu peito.

- Eu estava com saudade do calor da nossa cama, pequeno.

- As masmorras são muito frias? – perguntou curioso, desfrutando das agradáveis carícias em seus cabelos.

- Um pouco, mesmo com os feitiços de aquecimento que a cercam.

- Entendo – acenou vagamente – E os seus amigos, eles vão passar o feriado no castelo?

- Eu não tenho amigos, pequeno, já falei isso para você. Eu tenho conhecidos, cuja companhia eu tolero porque pode me ser útil num determinado momento.

Harry apenas sorriu divertido, sabendo que isto era a cara de seu irmão, que continuou a falar:

- E não, nenhum deles ficou no castelo, mas eu não os vi desde a saída de Hogwarts porque prefiro viajar sozinho no trem.

- Eu quero ir para Hogwarts logo.

- Eu também quero que você vá – sorriu ao ouvir o menor ronronar com as carícias.

Depositando um beijo suave na cicatriz em forma de raio, Tom acrescentou:

- Eu quero que você vá para Hogwarts logo, pequeno, porque já não consigo mais ficar longe de você.

- E nem eu de você – Harry murmurou sonolento, levantando o rostinho e deixando um beijo suave cair nos lábios de seu irmão.

Neste momento, um calor agradável rodeou o coração de Tom, que sentiu seus lábios formigarem e em seguida, formarem um inconsciente sorriso.

Continua...

Próximo Capítulo:

- É verdade o que estão dizendo? Harry Potter, o menino que sobreviveu à maldição da morte, veio para Hogwarts?

Um menino loiro, então, parou na frente dos dois:

- Eu sou Malfoy, Draco Malfoy.

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N/A: Olá, meus queridos leitores. Como prometido, ofereço a vocês o capítulo cinco de Destinos Entrelaçados uma semana depois de atualizar O Pequeno Lord... Merlin, não há nada melhor do que FÉRIAS, não é mesmo? Pena que acabam rápido... Mas enquanto isso, eu aproveito para atualizar minhas histórias!

Espero que vocês tenham gostado do capítulo – sorriso feliz – Eu não gosto de deixar o Harry e o Tom separados, por isso, no próximo capítulo o nosso amado moreninho de olhos esmeraldas irá para Hogwarts, onde conhecerá alguns amigos e é claro, inimigos também... Ansiosos para ver? Então deixem suas REVIEWS para que eu possa saber o que estão achando da história! – olhinhos brilhando.

Bem, aproveito para dar meus sinceros agradecimentos e um beijo especial para:

fabi... Polarres... Mary P. Malfoy... FranRenata... lady00dark... Slytherins are better... vrriacho... Srta Laila... TaiSouza... Kimberly Anne Potter... LaLu... Brunah-Akasuna... Wincest-me... Doreandrix... Srta. Ines Black... dreyuki... Sandra Longbottom... Pandora Beaumont... musme... e Nicky Evans!

Agradeço imensamente pelas lindas REVIEWS!
Um grande beijo! E até a próxima atualização na semana que vem, isto é, mais um capítulo se aproximando do final de O Pequeno Lord.