Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

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Desde o dia em que o filho mais velho de Lily e James Potter havia começado seus estudos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, três anos se passaram rapidamente, ainda que nas concepções de Tom e de seu irmão mais novo, esses três anos demoraram verdadeiros séculos para passar. Nesse meio tempo, Lily havia acreditado que o poderoso laço que unia seus dois filhos acabaria por se desgastar naturalmente deixando sua relação mais amena, isto é, menos co-dependente, ao estarem separados e na companhia de crianças de sua idade. No entanto, contrariando aquilo que a bela ruiva previra a cada dia o afeto entre os irmãos se viu cada vez maior, afeto este que fora apenas multiplicado pela saudade e pelo desejo de dividir cada detalhe de seus dias. O Espelho de Dois Sentidos, portanto, ao longo destes três anos fora uma ferramenta primordial para impedir que Harry e Tom se vissem abraços pela tristeza da separação.

Este ano, porém, as coisas seriam diferentes:

- Harry está animado para Hogwarts?

- Você não faz idéia o quanto, Remus – Lily suspirou divertida – qualquer coruja que ele vê já imagina estar trazendo sua carta e todas às vezes eu preciso lembrá-lo de que a coruja de Hogwarts só chegará depois do seu aniversário.

Remus apenas sorriu imaginando a cena descrita por sua amiga enquanto lhe entregava a travessa de vidro para que Lily colocasse os biscoitos de baunilha com gotas de chocolate que havia acabado de tirar do forno. Os dois, naquele momento, encontravam-se conversando na cozinha enquanto Lily preparava um delicioso chá da tarde para seu amigo e seus filhos, os quais estavam na sala de estar jogando vídeo game.

- Mas Tom chega a ser ainda pior – comentou ela, lançando um silencioso feitiço nas laranjas para que estas se descascassem rapidamente e assim, pudesse preparar uma jarra de suco – Está sempre falando dos feitiços que irá ensiná-lo, dos livros que pegarão na biblioteca, dos lugares em que poderão aproveitar os intervalos das aulas jogando xadrez ou lendo alguma história...

- E o que Harry diz?

- O que você acha? Ele fica ainda mais animado, os olhinhos brilhando de expectativa, enquanto ouve atentamente cada palavra do irmão. Às vezes eu penso que a escola em si é o menor interesse daqueles dois e na verdade, o que realmente importa é voltarem a estar juntos.

- Disso não restam dúvidas, minha cara Lily – burlou-se o professor – Ora, não me diga que você achou mesmo que eles fossem de distanciar nesses três anos?

- Sim, mas agora eu vejo que foi um pensamento absurdo – da porta da cozinha, Lily podia observar um sorridente Harry sentado entre as pernas do irmão, a cabeça recostada em seu peito, enquanto apertava uma seqüência de botões no controle em suas mãos. Por sua vez, Tom apoiava o queixo na cabeça do menor, com os braços a sua volta, protetoramente, concentrando-se no seu próprio personagem que continuava a matar cada um dos zumbis que aparecia na tela da TV.

- Esses dois têm uma relação fora do comum, mas que não deixa de ser encantadora – sorriu, notando a forma protetora que Tom envolvia o menor, algo natural para os dois meninos desde os primeiros anos de vida.

- Tem razão, Remus – compartilhando seu sorriso, a bela mulher colocou a jarra de suco em cima da mesa – mas diga-me, como Tom está indo em Hogwarts?

- Excelente como sempre – respondeu animado – mais uma vez foi o primeiro aluno da turma e não há dúvidas de que Slytherin ganhou a Taça das Casas novamente graças a ele.

- Severus deve ter ficado radiante.

- Sim, ele não parava de lançar olhares presunçosos para a pobre McGonagall – revirou os olhos, lembrando-se da cena – mas o mais interessante talvez tenha sido a primeira ida de Tom a Hogsmeade.

- É mesmo? Ele estava animado?

- Na verdade, ele estava mais preocupado com o que poderia comprar para Harry...

(Flashback)

Nada como uma bela manhã de sol para inaugurar a primeira ida do ano letivo ao povoado de Hogsmeade. Pelo menos isto era o que a maioria dos alunos entre o quarto e o sétimo ano pensava, mas os mais animados eram os jovens do terceiro ano, uma vez que seria sua primeira ida ao povoado bruxo. Contudo, havia um aluno em especial que observava toda aquela animação e gritaria na frente dos portões da escola com olhos frios e desdenhosos, pois Thomas Potter desprezava aglomerações como aquela, que em sua concepção assemelhava seres humanos a animais incoerentes. E mais uma vez Tom dizia a si mesmo que só havia concordado em visitar Hogsmeade por um motivo:

- Harry pediu para você comprar muitas coisas? – Remus perguntou com um sorriso, notando o fato de seu afilhado preferir seguir afastado dos estudantes barulhentos e caminhar ao seu lado.

- Apenas alguns doces da Dedosdemel, mas eu não vou levar só isso para ele.

- Não?

- É claro que não – respondeu como se fosse óbvio – Bem, eu vejo você depois, Remus. Até mais.

Observando seu afilhado se afastar e adentrar nas ruas movimentadas do povoado, Remus apenas balançou a cabeça, divertido, imaginando que tipo de coisas Tom levaria para seu amado irmão caçula.

Por sua vez, Tom agradecia silenciosamente o fato de seu exagerado pai sempre lhe fornecer uma generosa quantia de galeões a cada partida para Hogwarts e agora, com inúmeras sacolas encolhidas no bolso de sua túnica, ele saía da abarrotada loja de guloseimas e seguia em direção a Zonko's.

- Hey, Tom! Eu não imaginava encontrá-lo aqui... – um divertido Montague acenou ao vê-lo entrar na loja –... Na verdade, achei que você iria preferir ficar em Hogwarts estudando.

Tom é claro, ignorou-o.

- Eu teria preferido ficar em Hogwarts trabalhando no meu ensaio de poções!

- Não seja um estraga-prazeres Adrian – Derrick suspirou, parecendo repetir as mesmas palavras pela centésima vez naquele dia, enquanto se ocupava em escolher algumas bombas de bosta para jogar nos Hufflepuffs desavisados do primeiro ano.

Ignorando todos eles, Tom escolheu alguns cartões de Snap Explosivos, um novo par de ioiôs berrantes, dois conjuntos de penas flutuantes que mudavam de cor e uma pequena réplica de um jogador de Quadribol que voava num raio de dois metros perseguindo um minúsculo pomo de ouro, boneco este que ele havia arrancado das mãos de Flint, pois era o último na prateleira. O artilheiro do time das serpentes apenas revirou os olhos, mas não falou nada, caso contrário ele sabia que Tom não lhe ajudaria em sua lição de Defesa Contra as Artes Obscuras.

Depois de comprar tudo que pudesse agradar seu irmão, Tom juntou os novos embrulhos às sacolas de doces encolhidas no bolso de sua túnica e seguiu com os demais Slytherins ao Três Vassouras para apreciarem uma caneca de cerveja amanteigada. Ele detestava ser sociável, principalmente com gorilas imbecis como Flint e Derrick, ou com o babaca irresponsável de Montague, ou com idiota maníaco por poções que estava apaixonado pelo Snape, mas Tom era um político natural e sabia que às vezes era preciso agüentar situações como estas para manter possíveis aliados no futuro.

- Olá meninos – uma apressada madame Rosmerta cumprimentou os cinco Slytherins que acabavam de se sentar em uma das mesas – O que vão querer hoje?

- Cinco cervejas amanteigadas, por favor – pediu Montague, usando seu melhor sorriso para falar com a bonita dona do bar.

- Certo, vou trazer num minuto.

Montague, Derrick e Flint, então, colocaram-se a conversar animadamente sobre as estratégias que usariam no próximo jogo de Quadribol contra os Gryffindors, enquanto Adrian abria sua edição de bolso de "Venenos e Poções – uma combinação explosiva" e ocupava-se do interessante capítulo no qual havia parado antes de deixar a escola. Tom, no entanto, apenas acenava desinteressadamente quando algo lhe era perguntado, mantendo sua atenção longe dali.

Será que Harry gostaria dos presentes?

Seria melhor mandá-los via coruja ou entregar pessoalmente?

Talvez devesse comprar mais alguns sapos de chocolate, afinal, Harry os adorava...

- Mas eu ainda não entendi Tom, por que você comprou tantas coisas? – a curiosa voz de Marcus Flint interrompeu seus pensamentos – Poxa, eu tinha gostado daquele boneco...

- São para o meu irmão.

- Ah, o pequeno Harry... Como ele está?

- Não é da sua conta, Montague – respondeu friamente, e o pobre rapaz longo ergueu as mãos em sinal de paz.

Por sorte, naquele momento, madame Rosmerta apareceu trazendo cinco cervejas amanteigadas em cima de uma bandeja e interrompeu o possível – e certamente brutal – assassinato do menino de sobrancelhas espessas.

- Muito bem, meninos, aproveitem a estadia.

- Obrigado – agradeceram eles. Exceto Tom, que apenas acenou brevemente, ainda lançando um olhar obscuro ao amigo.

- Vejam quem chegou... – murmurou Derrick, lançando um sugestivo olhar às portas da taverna.

Acabavam de chegar, pois, Dafne Grengrass e suas amigas, Elizabeth Rosier e Olivia Carrow, as jovens mais belas de Slytherin, quiçá de toda a escola. Elizabeth possuía um longo cabelo negro e olhos cor de avelã num rosto de boneca, no qual se encontrava sempre um sorriso frio e um olhar superior para qualquer um que não julgasse em seu nível. Olivia, por sua vez, possuía cabelos encaracolados castanhos que adornavam a face aristocrática de belos olhos azuis, olhos estes que destilavam veneno ao contemplar o que ela chamava de Gryffindors descerebrados e Hufflepuffs inúteis.

E no momento em que os frios olhos acinzentados de Dafne reconheceram seus colegas em uma das mesas, um sorriso sutil apareceu no canto de seus lábios rosados e afastando os fios de cabelos louros do rosto de traços finos, ela fez um pequeno sinal para que suas amigas a seguissem.

- Meus olhos foram ofuscados por tamanha beleza!

- Cale a boca, Montague, elas estão chegando – Flint grunhiu, levantando-se com Derrick para apanham três cadeiras na mesa ao lado.

- Olá meninos.

Enquanto Derrick, Flint e Montague sorriam feito idiotas e tentava conter o gaguejar nervoso ao cumprimentá-las, Adrian revirava os olhos e voltava a se concentrar em seu livro e Tom, por sua vez, suspirava mentalmente, perguntando-se se talvez não teria sido melhor trazer um de seus livros também, principalmente se isto pudesse afastar o irritante sorriso que, naquele momento, Dafne Grengrass dirigia a ele.

- Como você está Tom? – a bela menina, que imediatamente havia se sentado na cadeira que fora colocada ao seu lado, piscava-lhe os cílios suavemente, num gesto que talvez ela considerasse ser cativante.

- Bem.

- Fez muitas compras?

- Sim.

- Oh... E você não achou ótimo a gente poder visitar Hogsmeade a partir de agora?

- Uhum – murmurou com desinteresse, apreciando mais um gole da bebida.

- Talvez nós pudéssemos vir juntos no próximo final de semana?

- Não, eu prefiro vir sozinho – colocando o dinheiro para pagar sua bebida em cima da mesa, Tom se levantou e ofereceu um breve aceno aos demais – Eu vejo vocês na escola.

O perfume adocicado de Grengrass estava embrulhando seu estômago.

Merlin, aquela menina era tão irritante...

- Ah, esse Tom, sempre tão simpático e sociável – Montague sorriu, mas logo engoliu em seco ao observar o olhar assassino de Dafne, que odiava ser ignorada.

Enquanto isso, no caminho de volta ao castelo, Tom acariciava levemente o espelho no bolso de sua túnica, imaginando o doce sorriso que certamente apareceria nos lábios de seu irmão ao contar-lhe das atrações que o famoso povoado mágico oferecia.

(Fim do Flashback)

- Céus, nem me lembre, eu ainda tenho sapos de chocolate escondidos para evitar que Harry comesse todos e passasse mal.

Remus apenas riu divertido ajudando sua amiga a colocar os pequenos potes de geléias em cima da mesa, ao lado do cesto de pães diversificados.

- Eu não acho que Tom deixaria Harry comer todos até passar mal.

- Tem razão, Tom é muito protetor com o irmão.

- Exato.

- Na verdade – a bela mulher continuou – agora me lembro do dia em que Harry trouxe um coleguinha para casa e Tom ficou sabendo... Merlin, foi um sufoco...

- Harry trouxe um amiguinho para casa? – perguntou genuinamente curioso.

- Sim, no ano passado, mas apenas porque precisavam fazer um projeto em duplas para a aula de história...

(Flashback)

- Você avisou sua mãe que hoje a tarde estaria em nossa casa, Alex?

- Sim senhora, diretora.

- Por favor, agora que estamos aqui fique a vontade e me chame de Lily – a bela mulher sorriu, convidando-o para entrar na casa.

- Tudo bem, senhora Lily.

Alex Rhodes, um sorridente menino de dez anos de idade, cabelos castanhos e sorriso contagiante havia acabado de se mudar para Godric's Hollow e começara a estudar na sala de Harry, na quarta série. Alex não tinha muitos amigos, por isso, quando a professora de história havia selecionado as duplas para fazerem este projeto, seus olhos brilharam de expectativa ao ver que seu companheiro seria o silencioso menino de olhos verdes, com o qual sempre havia desejado conversar e assim, descobrir o motivo do ar entristecido que os belos olhos sempre conservavam e se possível, fazê-lo seu amigo.

- Harry, leve-o para o seu quarto, acredito que vocês já tenham tudo o que precisam, não é mesmo?

- Sim, mamãe – concordou o menor, guiando o coleguinha em direção à escada – É por aqui, Alex.

- Com licença.

Quando Harry lhe avisara que precisaria trazer um colega para fazer um trabalho da escola, Lily habilmente havia lançado um feitiço para que em qualquer ocasião, os muggles que entrassem na casa não reparassem em nada fora do comum, como por exemplo, as fotos se movendo nos porta-retratos, ou os quadros cochichando uns com os outros na parede e outros detalhes com os quais famílias bruxas estavam acostumadas a conviver. A ruiva, é claro, não poderia negar sua animação com o fato de Harry estar interagindo com outra criança, ainda que por obrigação, e no momento em que os dois meninos haviam desaparecido para o quarto de Harry, ela imediatamente correu para preparar um delicioso lanche para eles.

No tapete de seu quarto, Harry já havia separado o isopor que usariam para fazer a maquete e agora, Alex retirava de sua mochila a cartolina e o gel de cabelo necessários para incrementar o projeto. Isto porque o trabalho em questão consistia em fazer uma réplica do período histórico que eles estavam estudando: o Egito antigo.

- Será que três potes de gel darão para fazer o rio Nilo?

- Acho que sim – Harry deu um pequeno sorriso. Ele havia gostado da idéia do gel para fazer o rio – A areia que eu peguei no parquinho da pracinha estão nestes dois baldes...

Era mentira, é claro. Seu pai havia conjurado toda a areia com um feitiço.

- Perfeito!

Os dois então começaram a trabalhar tranquilamente na maquete, conversando sobre um ou outro detalhe a ser feito e a possível nota que deveriam ganhar. No entanto, Alex estava curioso. Ele havia ouvido falar que Harry tinha um irmão mais velho, que agora estava estudando num colégio interno na Irlanda e por isso, ele gostaria de saber com quem Harry brincava depois da escola:

- Harry?

- Hum... – o menor murmurou para indicar que estava ouvindo enquanto se concentrava nas pirâmides de cartolina que estava fazendo.

- Com quem você costuma brincar depois da escola? Er... Quero dizer, seu irmão só volta para casa nas férias, né? Então, você costuma... Não sei, ficar sozinho?

- Eu não fico sozinho – respondeu, franzindo o cenho – Meu irmão conversa comigo todas as noites.

- Ele liga para você?

- Ligar?... Hum... Sim, ele me liga e nós ficamos conversando até cair no sono.

Alex imaginou que o pai de Harry, assim como o seu, também devesse ficar bravo sempre que recebia a conta do telefone.

- Mas ainda sim, você não pode sair para brincar com ele – insistiu o maior – Então, com quem você costuma brincar agora?

- Eu... Não sei... – murmurou, os olhinhos se enchendo de lágrimas rapidamente ao pensar na distância que o separava de seu irmão, lágrimas que ele tentou esconder virando o rosto para encarar a cartolina laranja como se esta fosse a coisa mais interessante do mundo.

- Eu posso brincar com você! Eu gostaria muito, se você quiser... – comentou animado – Nós poderíamos ir à pracinha, tomar sorvete, eu tenho um monte de brinquedos legais, você precisa ver!

Harry apenas piscou, confuso.

No entanto, antes que pudesse falar qualquer coisa, algo vibrou em cima da mesinha de cabeceira ao lado da cama e seu nome foi chamado pela conhecida voz de seu irmão:

- Harry? Você está aí, pequeno?

- Tom! – os olhos do menor brilharam de alegria e sem qualquer explicação ao outro menino, Harry correu para apanhar o Espelho de Dois Sentidos – Olá, Tom!

- Olá, pequeno, como você está?

- Nossa, eu nunca tinha visto um telefone desses... – Alex murmurou em voz alta, impressionado com o telefone que se parecia a um espelho e mostrava a imagem de quem estava ligando. Talvez fosse uma nova invenção japonesa, seu pai sempre dizia que os japoneses inventavam coisas incríveis – É muito legal!

- Quem está aí, Harry? – a voz de Tom, de repente, havia endurecido.

- Ah, seu nome é Alex, ele estuda na minha...

- E o que ele está fazendo aí? – seu irmão o cortou, visivelmente irritado com a presença do outro garoto.

- Nós precisávamos fazer um trabalho para a escola, ele estuda na minha sala e a professora de história mandou todos os alunos fazerem uma maquete do antigo Egito em duplas – explicou rapidamente, preocupado que seu irmão fosse ficar chateado com ele – Eu juro que não estávamos brincando ou algo assim...

- Ok, pequeno, está tudo bem – sussurrou com a voz mais calma – Está tudo bem agora, mas você poderia fazer um favor para mim?

- Sim, é claro.

- Desça e chame a mamãe, eu preciso falar com ela.

- Certo, eu volto já, Tom.

- Obrigado, pequeno.

O espelho havia sido colocado em cima da cama e ao ouvir os passinhos de seu irmão se afastarem no corredor, Tom não pensou duas vezes e se dirigiu ao garoto que tinha a audácia de invadir o quarto que compartilhava com menor:

- Alex, não é mesmo?

- O que? Oh, sim, eu me chamo Alex – murmurou, olhando para o menino mais velho, cujo olhar possuía uma obscura sombra avermelhada, sem se atrever a encostar no moderno telefone que provavelmente havia custado uma fortuna – Você é o irmão...?

- Escute aqui, garoto, mas preste atenção porque eu não pretendo repetir minhas palavras – advertiu friamente – Fique longe do meu irmão.

- O que...?

- Caso contrário, assim que eu colocar os pés em Godric's Hollow novamente, a primeira coisa que eu vou fazer será descobrir onde você mora, torturar o papai e a mamãe na frente dos seus olhos até que você implore por uma morte rápida para eles e então, eu vou fazer você se arrepender do dia que ousou falar com o meu irmão, entendeu? Cada pequena unha, cada fio de cabelo, cada pedacinho de pele sentirá uma dor que você sequer pode imaginar, uma dor com a qual nem mesmo a maldição Cruciatus poderia se comparar. Será que eu fui claro?

- Maldição...O que? Você é louco? – gritou, mas de repente suas pernas estavam tão fracas que ele não conseguiu nem mesmo correr para fora do quarto e caiu no chão, ao lado da maquete quase pronta, ouvindo as seguintes e cruéis palavras de Tom:

- Eu não sou louco, porque loucos não sabem o que querem. Loucos não se importam com muggles nojentos ameaçando a segurança de seus irmãos. Eu não sou louco, porque loucos não sentiriam prazer ao exterminar com um verme feito você. Não, loucos não poderiam fazê-lo sofrer como eu posso.

- E-Eu... Eu...

- Então, para a sua segurança, FIQUE LONGE DELE.

Naquele exato momento, Harry e sua mãe adentravam no quarto, a tempo de contemplar a imagem de um menino com o rosto pálido de medo, tremendo, encolhido no chão. Lily, que havia escutado claramente as últimas palavras de Tom, não pensou duas vezes antes de puxar a varinha e lançar um poderoso feitiço de desmaio no menino, que ao acordar, provavelmente pensaria que tudo não havia passado de um sonho... Ou de um pesadelo, na pior das hipóteses.

- Tom, o que você fez para o menino?

- Nada, mas o que você acha que está fazendo, mãe? Deixando Harry se aproximar dessas crianças... Pode ser perigoso!

- Do que você está falando, meu filho? Harry precisa interagir um pouco com...

- Não, não precisa! Você está sendo irresponsável e negligente deixando que ele se exponha a estes muggles nojentos!

- THOMAS CHARLUS POTTER! – ela gritou, escandalizada – Com quem você pensa que está falando?

Os olhos de Tom, a partir da imagem no espelho, apenas se estreitaram friamente, mas antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, uma voz pequena e chorosa o interrompeu:

- Não brigue com ele, mamãe – Harry murmurou, sentando-se na cama e trazendo o espelho para junto ao peito, num gesto cheio de ternura – Tom só está cuidando de mim, ele sabe que eu não gosto de brincar com as crianças da escolinha, então não fique brava.

Suspirando, a ruiva apenas balançou a cabeça e resolveu deixar seus dois filhos sozinhos, levitando o desmaiado corpo de Alex para a sala de estar, onde poderia verificar se seria necessário lançar no pobre menino um Obliviate.

- Tom...? – murmurou a voz pequena.

- Estou aqui – respondeu do espelho – Eu estou aqui, Harry, vai ficar tudo bem agora.

- Eu sei, obrigado.

E naquele momento, as belas esmeraldas recobravam o brilho, contemplando o sorriso suave que seu irmão lhe oferecia:

- Então, pequeno, conte-me sobre o seu dia.

- Bem, a professora de história mandou a turma fazer esse projeto...

Estava tudo bem agora.

Estava tudo bem. Porque os dois estavam sozinhos novamente.

Mais tarde, quando o pobre Alex acordasse, ele se lembraria do pesadelo com um rapaz de cabelos negros e olhos vermelhos, sob o brilho de uma luz verde-esmeralda mortal, que ele não conseguia reconhecer.

E depois disso, ele já não tentaria se aproximar do menino cujos olhos lhe recordavam tanto esta perigosa luz.

(Fim do Flashback)

- Esse menino, Alex, ficou bem depois disso? – Remus perguntou preocupado.

- Sim, ele pensou que havia sido apenas um pesadelo, mas eu confesso que gostaria de saber o que Tom fez para deixá-lo naquele estado.

- Nós dois sabemos que Tom sempre foi excelente com as palavras e sem dúvida, ele não hesitaria em usá-las da pior maneira se isto significasse proteger o irmão.

- Eu sei e tenho medo disso – suspirou – Tenho medo do dia em que ele pense que apenas palavras não são o suficiente.

- Não acho que Tom poderia machucar alguém.

- Pare defender Harry?

- Bem, nesse caso... – o lobisomem suspirou, ajudando-o Lily a colocar os pratos na mesa – Acho que resta-nos apenas orientá-los no caminho certo.

Com um breve aceno, a ruiva chamou seus filhos da porta da cozinha:

- Meninos, venham comer!

- Estamos indo, mamãe – respondeu a alegre voz de Harry – Droga, morri de novo.

- Eu não sei por que você insiste em jogar esse jogo se nunca consegue acertar os zumbis...

Harry apenas mostrou a língua para o irmão, que arrepiou seus cabelos, divertido. E logo os dois se sentaram com os adultos:

- Tudo parece uma delícia, mãe.

- Ora, então não deixe esfriar, Tom, pegue logo um pedaço de bolo – a ruiva sorriu, servindo um generoso copo de suco para cada um dos meninos.

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Na semana seguinte, o aniversário de onze anos de Harry foi comemorado em grande estilo com a ida de James, Lily, Remus, Sirius, Tom e Harry para uma das propriedades que a família Potter possuía ao sul do País de Gales: uma mansão não muito grande, mas ricamente decorada por um vasto jardim, com a maior parte de sua estrutura forjada em mármore branco e seus elegantes móveis de puro carvalho real, nos quais não havia sequer um grama de poeira, devido ao esmero dos elfos domésticos da família, que viviam e cuidavam da mansão.

Eles passaram cinco dias na bela casa e no dia 31 de julho fizeram um grande piquenique às margens da piscina, com direito a um enorme bolo de chocolate confeitado com onze velinhas a serem sopradas pelo menor, que obviamente adorou e logo se lambuzou com o seu pedaço do bolo – após dar o primeiro pedaço para seu irmão, é claro. Agora, de volta a Godric's Hollow, Harry estava mais ansioso do que nunca para receber sua carta de Hogwarts, por esse motivo, quando todos apreciavam seu café naquela bela manhã de sol e uma coruja de repente interrompeu na janela, o menino de olhos verdes foi o primeiro a saltar de sua cadeira e correr para o animal de plumagem escura:

- Vejam! Vejam! É a minha carta!

- Então, abra-a querido – Lily sorriu, assistindo com evidente interesse o desenrolar do pergaminho:

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS

Diretor: Alvo Dumbledore
(ordem de Merlin, primeira classe, grande feiticeiro, bruxo chefe, Confederação Internacional de Bruxos).

Prezado Sr. Harry Potter.

Temos o prazer de informar que o senhor tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa dia 1º de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de agosto, no mais tardar.

Atenciosamente,

Minerva McGonagall
(diretora substituta).

Harry leu em voz alta, o sorriso radiante ainda em seu rosto infantil.

- Isso é maravilhoso, querido.

- Sim, campeão, meus parabéns.

Mas o menor ignorou completamente as palavras carinhosas de seus pais e correu para o colo do irmão, que o encarava com um sorriso igualmente radiante e os olhos castanhos cintilando com as esperanças e a alegria renovadas, pois agora poderia voltar a contemplar o doce sorriso de seu irmão caçula todos os dias.

- Eu consegui Tom! Eu vou para Hogwarts com você!

- Eu sei, pequeno, isto é maravilhoso... – murmurou, abraçando-o apertado.

Lily e James, por sua vez, trocaram um olhar divertido:

- O que acham de fazermos uma visita ao Beco Diagonal então, meninos? – James sugeriu com um alegre sorriso – Podemos comprar o que Harry e Tom precisarão para este ano e depois almoçar no Caldeirão Furado ou em algum lugar de Londres muggle.

- Ótima idéia – concordou Lily e na mesma hora, Harry e Tom correram ao andar de cima para se arrumarem para o passeio em família.

- Eu só espero que ele fique em Gryffindor.

- James...

- Er... Quero dizer... Estou brincando, Lily, você sabe que eu amarei meus filhos independente da casa em que estejam.

- Hum.

- Mas dois filhos crescendo no ninho das cobras seria cruel demais para o meu pobre coração Gryffindor – murmurou.

- Disse alguma coisa? – a ruiva o perfurou com um perigoso olhar.

- Não, querida, impressão sua.

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O Beco Diagonal parecia mais cheio do que nunca. Magos e bruxas circulavam pelas ruas estreitavam e entravam e saíam das lojas carregando um grande número de sacolas, com suas roupas e chapéus coloridos, fazendo aquela manhã de sábado parecer um longo e estressante dia para Tom, que agora segurava com firmeza a mão de seu irmão para que o menor não se perdesse em meio ao tumulto.

- Meninos, seu pai e eu precisamos passar em Gringotes primeiro, vocês querem vir conosco ou preferem começar a fazer as compras?

- Nós preferimos começar com as compras – Tom respondeu.

- Tudo bem, você está com o dinheiro que eu dei?

- Sim.

- Perfeito, então comecem pelas túnicas e depois nos encontrem na livraria, enquanto isso seu pai e eu providenciaremos o caldeirão, os frascos, o telescópio e a balança no boticário.

- Ok.

- Eu ainda acho tão injusto que ele não possa levar uma vassoura...

Ignorando o lamento de seu pai, Harry e Tom seguiram para a loja "Madame Malkin – Roupas para Todas as Ocasiões". E enquanto Tom esperava pelo irmão folheando uma revista qualquer, Harry se encontrava nos fundos da loja em cima de um banquinho para que a mulher tirasse suas medidas.

- Hogwarts também? – perguntou um garoto louro de bonitos olhos acinzentados que estava em cima de outro banquinho, logo ao seu lado, com vestes compridas a serem feitas a barra.

- Sim.

- Meu pai está na loja ao lado comprando meus livros e minha mãe está mais adiante procurando varinhas – disse o garoto. Tinha uma voz de tédio, mas seu olhar parecia interessado em observar Harry – Depois vou levá-los para dar uma olhada nas vassouras de corrida. Não vejo porque os alunos do primeiro ano não podem ter vassouras individuais.

- Meu pai também não entende isso – deu um pequeno sorriso.

- Você tem uma vassoura?

- Sim, ganhei uma Nimbus 2000 de aniversário do meu padrinho.

- Uau... – murmurou impressionado – Estou há séculos pedindo uma Nimbus para o meu pai, mas minha mãe acha que é muito rápida, mesmo que eu saiba voar muito bem, é claro.

- É meio que uma tradição, meu padrinho sempre nos dá uma vassoura de aniversário e como eu fiz onde anos, ele disse que precisava ser uma vassoura especial.

- Que legal, meu padrinho só me dá livros e ingredientes para poções – comentou, revirando os olhos.

Madame Malkin, porém, interrompeu a conversa dos dois garotos ao afirmar que ambos os conjuntos de vestes já estavam prontos e que o de Harry já havia sido entregue ao seu irmão.

- Bem vejo você em Hogwarts, suponho – Harry murmurou e com um pequeno aceno, correu para fora da loja, onde seu irmão o esperava:

- Temos as roupas e nossos pais cuidarão do caldeirão e dos frascos antes de procurarmos os livros, isso nos deixa...

- Com a varinha – Harry sorriu, enquanto puxava o maior em direção a loja estreita no final da rua, cujas letras de ouro descascadas diziam "Olivaras: Artesão de Varinhas de Qualidade desde 382 a.C".

Um sininho tocou em algum lugar quando os dois entraram e logo uma voz suave ressoou pela loja sombria:

- Boa tarde.

- Olá, viemos comprar uma varinha para o meu irmão – Tom informou com um ar de poucos amigos, rodeando o menor com seus braços, sob o vigilante olhar do homem de idade.

- Ah, sim – disse Olivaras – Achei que ia vê-lo em breve. Harry Potter. Faz três anos desde que vocês dois entraram nessa loja e você comprou sua primeira varinha, Tom. Pena de Fênix, trinta e quatro centímetros, feita de teixo. Uma varinha poderosa... Muito poderosa...

Olivaras chegou mais perto de Harry, que se escondeu sutilmente atrás do irmão, desejando que o homem piscasse, pois aqueles olhos prateados lhe davam um pouco de medo. Tom apenas o abraçou mais forte. E Olivaras sorriu, um sorriso peculiar, de quem sabia exatamente qual varinha escolheria o menino.

Depois de sumir por entre as estantes de estojos de varinhas, o velho homem regressou com um estojo azul escuro, empoeirado, do qual retirou uma varinha:

- Aqui está.

- Você não deveria medir sua mão primeiro? – Tom perguntou com astúcia.

- Não será preciso, vamos senhor Potter, experimente.

Harry apanhou a varinha e no instante seguinte, sentiu um repentino calor nos dedos. Ergueu-a acima da cabeça, baixou-a cortando o ar empoeirado com um zunido, e uma torrente de faíscas douradas e vermelhas saíram da ponta como fogos de artifício muggle, atirando fagulhas luminosas que dançavam nas paredes. Tom sorriu orgulhoso do menor, mas ainda sem entender como Olivaras sabia qual varinha lhe dar.

- Ora, ora, eu disse ao senhor, senhor Potter, três anos atrás, que chagada à hora sua varinha estaria esperando pelo senhor aqui – sorriu, encarando-o com aqueles olhos claros – Esta varinha, vinte e oito centímetros, feita de azevinho e pena de fênix é uma excelente varinha. E a fênix cuja pena está na sua varinha produziu apenas mais uma pena, que se encontra aqui mesmo nesta loja, no bolso da túnica de seu irmão.

- Nossas varinhas são irmãs? – perguntou Tom, impressionado.

- Exato.

- Uau, isso é incrível Tom!

- Sim... – murmurou, abraçando o menor, que sorria radiante. Em seu peito, o coração dava aceleradas batidas e por mais piegas que soasse em sua própria mente, Tom só podia imaginar que aquilo era obra do destino. De seu destino, que estaria sempre entrelaçado ao de Harry, ainda que agora ele não soubesse as exatas proporções desta afirmação tão simples.

Depois de sair da loja, Tom e Harry seguiam para encontrar seus pais na livraria, quando de repente uma voz animada os interrompeu:

- Hey, Tom!

- Merlin, eu não mereço isso... – o maior sussurrou para si.

- Poxa, se a gente tivesse combinado não teria dado tão certo de nos encontrar aqui, não é mesmo Adrian?

- Sim, Montague, quanta sorte a nossa – o aludido replicou com sarcasmos, abraçando cuidadosamente um novo caldeirão que havia comprado para a aula de poções.

- Quem são esses, Tom? – Harry perguntou em seu ouvido.

- Eu não acredito! Esse é o seu irmãozinho? – exclamou Montague – Finalmente eu posso conhecê-lo!

Com um grunhido de advertência, Tom puxou o menor para os seus braços, encarando os dois Slytherins perigosamente:

- Harry, conheça Pucey e Montague, eles estudam comigo em Hogwarts.

- Oh, é deles que você sempre reclama?

- Exatamente.

- Poxa, Tom, não seja tão ruim... – suspirou Montague, dirigindo-se a Harry com o seu melhor sorriso enquanto observava descaradamente a famosa cicatriz – É um imenso prazer conhecê-lo, Harry.

- Obrigado. E igualmente, suponho.

Adrian também lançava um olhar ao pequeno raio esculpido na testa no menino, com mais discrição, mas igualmente curioso a respeito da cicatriz que fizera o irmão de Tom famoso por sobreviver à maldição assassina.

- Eu vejo vocês em Hogwarts – afirmou Tom, puxando o irmão para longe dos dois abutres.

Se esses dois já estavam tão interessados na cicatriz que havia garantido fama indesejada ao menor, Tom não queria nem imaginar como seriam as outras crianças em Hogwarts.

Por sorte, ele estaria lá para protegê-lo.

-x-

O dia 1º de Setembro nunca amanhecera tão ensolarado, bonito e contagiante, como os semblantes de Harry e Tom, que naquele exato momento, cruzavam a parede de pedra da Estação King's Cross para chegar à plataforma 9 ¾ como faziam todos os anos, de mãos dadas, mas agora com um sorriso animado em seus lábios. Logo atrás seus pais os seguiam, James guiando o carrinho com o malão de Tom e a gaiola de Hades, que olhava venenosamente para o patriarca da família Potter, antes de regressar o olhar interessado para bela coruja branca no carrinho ao seu lado. Carrinho este que Lily dirigia, levando o malão de Harry e a gaiola com sua nova coruja, Edwiges, que piava contente para Hades.

Como sempre, o local estava abarrotado de crianças e adolescentes se despedindo de suas famílias. E Lily, naquele momento, deixou um suspiro angustiado escapar:

- Merlin, meus dois filhos indo para Hogwarts...

- Querida, você está bem?

- Não, James! Eu já estou sentindo os efeitos da síndrome do ninho vazio.

- Síndrome do que? – perguntou preocupado – Você quer aparatar para St. Mungus?

Mas a bela mulher apenas revirou os olhos e se dirigiu aos seus filhos com um doce sorriso, colocando um delicado beijo na testa de cada um:

- Comportem-se direitinho, está bem?

- Sim, mamãe – responderam em coro.

- E você trate de cuidar bem do seu irmãozinho, Tom.

Este apenas arqueou uma sobrancelha, como se aquilo fosse óbvio demais para ser dito. E Lily balançou a cabeça, divertida, pois ela mesma sabia que não havia ninguém melhor para cuidar de seu filho caçula.

- Divirtam-se, meninos – James bagunçou os cabelos de cada um, ganhando um olhar irritado de Tom e um sorriso brilhante de Harry – Você está com os galeões que eu dei para a viagem, Tom?

- Estou e já é o bastante.

Naquele momento, o Expresso Hogwarts anunciou a partida. E rapidamente, Harry e Tom se despediram de seus pais e correram para encontrar um vagão vazio, deixando uma preocupada Lily com os olhos cheios de lágrimas e um sorridente James acenando tranqüilo.

- Acalme-se, Lil, eles vão ficar bem.

- Eu sei disso – com um pequeno sorriso, Lily observou a locomotiva vermelha se afastar pelos trilhos.

Enquanto isso, Harry e Tom acabavam de achar um compartimento vazio, que o maior imediatamente trancou com poderosos feitiços para que ninguém os incomodasse, sentando-se em seguida num dos confortáveis bancos azuis escuros. Harry, por sua vez, logo se sentou no colo de Tom, apoiando confortavelmente a cabeça em seu peito, enquanto seu rosto exibia um leve sorriso:

- Eu nem acredito que estou indo com você para Hogwarts.

- Pode acreditar, pequeno – sussurrou, afagando os cabelos macios – Eu disse a você que nós voltaríamos a ficar juntos.

- Eu trouxe o espelho.

- Eu também – sorriu, vendo que ambos haviam pensado da mesma forma. Caso Harry fosse selecionado para outra casa, ao anoitecer poderiam se falar pelo Espelho de Dois Sentidos, isto até Tom ingressar no sexto ano e com suas maravilhosas notas, virar monitor chefe, momento em que teria o seu próprio quarto, no qual poderia dividir suas noites com seu amado irmão caçula.

Desviando o olhar para a bonita paisagem da janela, Harry suspirou sonolento, sentindo-se seguro e feliz nos braços do irmão:

- Como Hogwarts é?

- Eu já contei todos os detalhes para você.

- Conte de novo, por favor.

- Está bem – sorrindo, Tom começou o relato, sem nunca abandonar as suaves carícias – O Salão Principal é iluminado por milhares de velas...

-x-

O trem foi diminuindo a velocidade e finalmente parou. As pessoas se empurraram para chegar à porta e descer na pequena plataforma escura. Harry estremeceu nos braços do irmão, o ar frio da noite esvoaçando levemente a túnica de seu uniforme escolar. Então apareceu uma lâmpada balançando sobre as cabeças dos estudantes e Harry ouviu uma voz rouca desconhecida:

- Alunos do primeiro ano! Primeiro ano aqui!

- Você está bem, pequeno?

- Estou sim, Tom.

- Certo – sorriu o maior, bagunçando levemente os cabelos macios – Nós precisamos nos separar agora, mas nos veremos novamente no Salão Principal. Eu devo pegar uma das carruagens e você seguirá o meio-gigante até os barcos, com os alunos do primeiro ano, está bem?

- Tudo bem.

- Vamos, venham comigo. Mais alguém do primeiro ano?

Harry sorriu levemente ao sentir os lábios do irmão em sua testa e a contra gosto se afastou para seguir o homem enorme que balançava a lâmpada sobre suas cabeças. Após alguns minutos de caminhada, os alunos do primeiro ano logo se depararam com a margem de um grande lago escuro. No alto de um penhasco, a imagem do imponente castelo se erguia.

- Só quatro em cada barco! – gritou o homem, apontando para os barquinhos parados na água junto à margem. Harry se viu dentro de um dos barcos acompanhado de um garoto ruivo, uma menina de emaranhados cabelos castanhos e um menino de semblante amedrontado que abraçava seu sapo de estimação.

- Todos acomodados? – gritou o meio-gigante, que tinha um barco só para si – Então... Vamos!

Logo os barquinhos seguiram a uma espécie de cais subterrâneo, onde os alunos desembarcaram e subiram por uma passagem aberta na rocha, acompanhando a lanterna brilhante, e desembocaram finalmente num gramado fofo e úmido à sombra do castelo. Depressa, pois, as crianças e o guarda-caça subiram por uma escada de pedra e se aglomeraram em torno de uma enorme porta de carvalho. Quando a porta se abriu, uma bruxa de vestes escuras e rosto muito severo apareceu:

- Alunos do primeiro ano, Professora Minerva McGonagall – informou o meio-gigante.

- Obrigada, Hagrid. Eu cuido deles daqui em diante.

No instante seguinte, as crianças acompanhavam a professora pelo piso de pedra e durante o trajeto, Harry ouviu o murmúrio de centenas de vozes que vinham de uma porta à direita. Imediatamente, imaginou o sorriso carinhoso de seu irmão, que deveria estar lá dentro esperando por ele.

- Bem vindos a Hogwarts – disse McGonagall, fazendo com que todos parassem às portas do Salão Principal – O banquete de abertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas vocês serão selecionados por casas. Tenham em mente que enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família, seus acertos renderão pontos para sua casa, mas seus erros a farão perder. No final do ano, a casa com maior número de pontos receberá a Taça das Casas.

Um olhar amargo apareceu em seu rosto, como se ela não ganhasse a prestigiosa Taça há muito tempo.

- As casas para as quais vocês poderão ser selecionados se chamam Gryffindor, Hufflepuff, Ravenclaw e Slytherin – informou solenemente – Dentro de instantes a cerimônia de seleção vai se realizar na presença de toda a escola, enquanto isso esperem aqui.

O olhar dela demorou alguns instantes na cicatriz de Harry antes de deixá-los sozinhos e sumir pelo corredor obscuro.

- Em qual casa você acha que vai ficar? – o menino ruivo que havia viajado com Harry num dos barcos, apresentando-se como Rony Weasley, perguntou curioso.

- Não sei – respondeu com sinceridade.

- Para mim tanto faz, contanto que não seja em Slytherin.

- E por que isso? – Harry franziu o cenho, desconfiado.

- Ora, você não sabia? Todos os bruxos maus e aqueles que praticam magia negra são ou foram de Slytherin. Salazar Slytherin foi um dos piores bruxos que já existiu e todos que acabam em sua casa se tornam maus.

- Isso é mentira! – replicou furioso – O meu irmão está em Slytherin e ele é a melhor pessoa que eu já conheci!

- Mas... – o ruivo, porém, foi interrompido por uma voz arrastada:

- É verdade o que estão dizendo? – o menino loiro de olhos acinzentados que Harry havia encontrado na loja Madame Malkin parou na frente dos dois – Harry Potter, o menino que sobreviveu à maldição da morte veio para Hogwarts?

Todos os olhares imediatamente se voltaram para Harry.

- Eu sou Malfoy, Draco Malfoy – apresentou-se com uma reverência educada. Rony, porém, deixou escapar uma risadinha ao ouvir o nome de Draco.

- Do que você está rindo?

- Eu? Não, de nada.

- Bem, vejamos. Expressão vazia, vestes surradas de segunda mão... Você deve ser um Weasley, não é mesmo?

Com um sorriso arrogante, Draco voltou-se para Harry:

- Logo você irá perceber que algumas famílias são melhores do que as outras, Harry, deixe-me ajudá-lo a conhecer Hogwarts – ofereceu, estendo-lhe a mão.

- Não é educado rir das pessoas, Rony – Harry repreendeu e então, pegou a mão que lhe fora estendida – Muito prazer, Draco. Eu confesso que não sei realmente se algumas famílias são melhores do que as outras, mas tenho certeza de que algumas pessoas são melhores sim.

O herdeiro da fortuna Malfoy pareceu ponderar a resposta e então, sorriu com superioridade para Rony, que os encarava com um olhar obscuro. E sem pensar duas vezes, Harry seguiu seu novo amigo deixando o garoto ruivo sozinho:

- Em qual casa você acha que vai ficar Draco?

- Slytherin, é claro.

- Vamos andando agora – disse a voz enérgica de McGonagall, que havia voltado – Façam uma fila e me sigam.

Quando todos cruzaram as portas duplas e adentraram no Salão Principal, uma imagem esplêndida lhes fora oferecida. O lugar era exatamente como Tom sempre havia descrito: iluminado por milhares de velas que flutuavam no ar sobre quatro mesas compridas, onde os demais estudantes já se encontravam sentados. E onde Harry reconheceu o orgulhoso olhar de seu irmão mais velho, sentado ao centro da mesa das serpentes, ao lado de Pucey e Montague. No outro extremo do salão havia uma mesa comprida em que se sentavam os professores e logo Harry se deparou com o sorriso que Remus lhe lançava e o olhar interessado do melhor amigo de sua mãe, Severus Snape.

- É enfeitiçado para parecer o céu lá fora, li em "Hogwarts, uma história" – informou a menina de emaranhados cabelos castanhos ao seu lado.

- Eu sei, meu irmão já leu este livro para mim. É muito legal, não é mesmo?

- Sim, é muito instrutivo! – sorriu animada.

Levando os alunos do primeiro ano à frente da mesa dos professores, McGonagall posicionou um chapéu velho em cima de um banquinho de madeira de quatro pés e retirou do bolso de suas vestes um pergaminho comprido:

- Quando eu chamar os seus nomes, vocês colocarão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção. Susan Bones!

Uma garota de rosto rosado saiu aos tropeços da fila, colocou o chapéu, que lhe afundou ao meio dos olhos, e se sentou. Uma pausa momentânea...

- Hufflepuff! – anunciou o chapéu.

- Hermione Granger!

Hermione, a menina de cabelos castanhos ao seu lado, respirou fundo e seguiu para o banquinho onde a professora colocou o chapéu sobre sua cabeça:

- Gryffindor!

Harry aplaudiu, junto com a segunda mesa à direita, para onde a menina correu.

- Anthony Goldstein!

- Ravenclaw!

- Draco Malfoy!

Com um olhar interessado, Harry observou o chapéu mal tocar os cabelos loiros de seu amigo antes de anunciar:

- Slytherin!

- Rony Weasley!

- Gryffindor! – anunciou o chapéu e Harry fez uma pequena careta.

Faltavam poucas pessoas. Nott... Parkinson... Finnigan... Bott..., depois duas gêmeas, Patil e Patil... E então, finalmente:

- Harry Potter!

Quando Harry se adiantou ao banquinho, correu um burburinho por todo o salão, mas o menino sentiu apenas o interessado olhar de seu irmão em sua nuca.

Tom estava lá...

Tom estava esperando por ele...

Não importava a casa para a qual fosse selecionado... Tom sempre estaria lá para ele.

A última coisa que Harry viu antes de o chapéu cair sobre seus olhos foi o sorriso encorajador que seu irmão lhe oferecia. Em seguida, só viu a escuridão de um forro de cetim.

- Difícil... Muito difícil. Bastante coragem, vejo. Uma mente nada má. Há talento e astúcia. E a necessidade de proteger aqueles que ama... Ou melhor, aquele que ama... Onde vou colocá-lo?

Harry apertou as bordas do banquinho e esperou pacientemente. Ele não se importava.

- Vejo que independente da casa em que você esteja sempre seguirá o seu coração... Bom, muito bom... Será essa a oportunidade de acabar com uma rivalidade milenar?... Bem, só nos resta tentar:

- Gryffindor! – anunciou o chapéu. E Harry apenas sorriu, imaginando que seu pai ficaria feliz. Mas ao invés de correr para a mesa que o aplaudia, o menino de belos olhos esmeraldas correu para a mesa onde uniformes verde e prata se destacavam e sem a menor cerimônia, sentou-se ao lado de seu irmão, aproveitando o espaço aberto por Montague.

O Salão Principal inteiro parecia chocado.

Um recém selecionado leão acabava de se sentar à mesa das serpentes.

- Tom, veja, papai ficará feliz.

- De fato, pequeno – sorriu o maior, afagando os cabelos do irmão e lançando um olhar de advertência para os demais Slytherin, que se calaram rapidamente.

- Olá Draco!

- Harry – cumprimentou o loiro, sentado nas proximidades de Harry, mas logo engoliu em seco e desviou o olhar ao observar o semblante perigoso de Tom.

A cerimônia de seleção foi concluída rapidamente, assim como o discurso de boas vindas do diretor, que ao sugerir que todos começassem a comer o delicioso jantar, percebeu os murmúrios que ainda rondavam o salão devido à presença de Harry Potter na mesa das serpentes:

- Ora, ora, Harry, sua idéia foi sensacional – exclamou Dumbledore chamando a atenção de todos – Eu digo que hoje nós devemos comer numa mesa diferente... Isso mesmo! Vamos fazer novas amizades!

Com um olhar perplexo, todos observaram o excêntrico diretor se sentar à mesa Hufflepuff, em meio aos alunos do segundo ano, que pareciam curiosos e assustados. Mas logo alguns estudantes que tinham amigos em outras casas foram se sentar em suas mesas e o barulho de conversas alegres interrompeu no lugar. Remus também se juntou à mesa das serpentes, em frente aos seus afilhados, McGonagall caminhou solenemente para se sentar entre os Gryffindors do quinto ano e logo todos os professores se juntavam às mesas de suas casas. Exceto Snape, é claro, que preferiu o sossego da mesa dos professores, assim como o professor de Runas Antigas recém contratado, Quirinus Quirrell.

- Do que você está rindo, Remus? – Harry perguntou curioso, deixando o irmão colocar mais algumas batatas em seu prato.

- Bem, digamos que você mal colocou os pés em Hogwarts e já começou a revolucionar a dinâmica entre as casas.

Harry não pareceu entender.

Mas ao seu lado, Tom sorria divertido:

- Uma coisa é certa, pequeno, os dias serão bem mais animados com você aqui.

Naquela noite, Harry e Tom se separaram apenas no momento em que os monitores começaram a levar os alunos do primeiro ano para conhecer seus dormitórios, mas Tom prometeu que no dia seguinte buscaria o menor na Torre Gryffindor para tomarem café da manhã juntos e dando-lhe a senha das masmorras, disse a Harry que deveria procurá-lo sempre que fosse preciso.

Começava uma nova vida em Hogwarts.

Era o que dois irmãos pensavam, com um honesto sorriso.

Continua...

Próximo Capítulo:

-É Leviôôôsa... E não Leviosááá... – burlou-se o ruivo – É sério, ela é um pesadelo, deve ser por isso que não tem amigos.

- E você é um idiota – Harry replicou irritado, correndo para alcançar a chorosa menina de emaranhados cabelos castanhos.

-x-

N/A: Olá meus queridos leitores, em primeiro lugar, eu gostaria de me desculpar profundamente pela demora em postar o novo capítulo desta história – suspira, olhando para a pilha de livros de Direito Civil a serem estudados agora no feriado –, mas essa época de provas e trabalhos e estresse nas duas faculdades não deu nenhum alívio... Por isso, aproveitei o feriado do dia das crianças para postar o novo capítulo! E como recompensa pela demora, você poderão ver que é um capítulo bem grandinho!

Finalmente, o nosso amado Harry se juntou ao irmão em Hogwarts... E começou bem, fazendo amigado com Draco Malfoy e ignorando o pobre Weasley que ousou falar mal da casa em que Tom estudava. O que vocês acham que vai acontecer agora? O que vocês gostariam que acontecesse? Deixem-me saber, por favor, mandem suas dúvidas e sugestões porque ainda há muita história pela frente... Pois agora, com a reta final de O Pequeno Lord, esta será minha nova longfic... Eu particularmente adoro flashbacks, principalmente do Harry e do Tom crianças, por isso talvez haja mais alguns... E vocês, algum momento específico da infância dos dois que gostariam de ver? Por favor, mandem as sugestões para mim!

Espero que tenham apreciado a capítulo! Por favor, deixem suas REVIEWS dizendo o que estão achando da história e façam esta humilde autora feliz!

Por esse motivo, gostaria de agradecer especialmente a:

Finding-u-through-time-n-space... dianaolimpus98... Elaine... jess winchester... Ananda... Amanda... Paulo Ruembz... FranRenata... Srta. Ines Black... vrriacho... BabiSnapePotter... sskittyblue... Nando Rowling... Pandora Beaumont... Kimberly Anne Potter... Dyeniffer Mariane... Wincest-me... musme... TaiSouza... Nicky Evans... e Sandra Longbottom!

Agradeço imensamente pelas LINDAS reviews de vocês!

Um grande Beijo!
E até a próxima atualização, isto é, o penúltimo capítulo de O Pequeno Lord, que tentarei postar no próximo feriado!