Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

Quando Harry saiu da torre Gryffindor na manhã seguinte, um alegre sorriso se desenhou em seus lábios ao ver que seu irmão o esperava pacientemente do lado de fora para levá-lo ao salão principal. Na mesa das serpentes, Harry desfrutou de suas panquecas enquanto sorria debilmente para um curioso Adrian, que não parava de olhá-lo de soslaio, e um inoportuno Montague, cujas perguntas irritantes a respeito de sua "vida como celebridade" eram respondidas por grunhidos perigosos de Tom. E quando Tom o acompanhou a entrada da sala de Transfiguração para sua primeira aula, Harry agradeceu em silêncio, sabendo que sem a companhia do irmão se perderia facilmente naquele imenso castelo.

Havendo ainda poucas pessoas na sala, Harry se sentou ao lado de uma menina que parecia afoita tentando decorar cada palavra do livro em suas mãos.

- Olá – cumprimentou ele.

- Oh, desculpe – ela olhou para cima – Olá, sou Hermione Granger.

- Harry Potter.

Os olhos castanhos voaram imediatamente para sua cicatriz. Mas voltaram depressa ao livro de Transfiguração:

- Uma matéria fascinante, não acha? Sabia que vamos aprender a transformar almofadas em sofás inteiros?

- Parece bem interessante – sorriu – É a matéria favorita de minha mãe.

- Seus pais são mágicos?

- Sim.

- Oh...

- Os seus não são?

- Não – murmurou desconfortável.

- Então você terá muitas coisas legais para mostrar a eles depois – comentou com simplicidade. E um sorriso alegre voltou aos lábios da menina:

- Mas não podemos fazer magia fora de Hogwarts.

- Ah, é mesmo – riram.

Depois de Transfiguração, Harry e Hermione seguiram juntos para a segunda aula do dia: Poções. Esta era numa das salas de aula das masmorras, onde era mais frio do que a parte social do castelo e daria arrepios mesmo sem os animais embalsamados flutuando em frascos de vidro nas paredes à volta. E Harry logo entendeu porque seu irmão dizia que o salão comunal Slytherin, mesmo com os feitiços de aquecimento, permanecia frio e sombrio. Ao entrar na sala, Harry logo avistou Draco e uma menina morena de cabelos chanel e se sentou ao seu lado com um alegre sorriso:

- Olá Draco.

- Harry – cumprimentou o loiro – Esta é Pansy Parkinson.

- Olá Pansy.

- Olá Harry, você ainda é mais bonito pessoalmente – a menina sorriu. Não buscava sua atenção ou possuía qualquer interesse romântico nele, mas apenas fazia uma observação natural.

- Er... Obrigado... Esta é Hermione Granger.

- Olá – murmurou a menina, desconfortável com o olhar dos dois Slytherins.

- Granger? – repetiu Pansy.

- Uma sangue-ruim?

- Draco! – Harry gritou horrorizado. Por sorte, ainda não havia muitos alunos na sala – Não diga uma coisa dessas! É ofensivo!

- E-Eu...

- Minha mãe é nascida-muggle também! E ela é brilhante!

- E-Eu... Quero dizer... – Draco piscou várias vezes, confuso. Ele havia aprendido a vida inteira a desprezar o que seu pai chamava de "sangues-ruins": seres inferiores e indignos de possuir magia. Mas agora, Harry Potter, o menino que sobrevivera à maldição assassina, afirmava que sua própria mãe era um desses sangues-ruins. E que chamá-los assim era ofensivo. E ele queria ser amigo de Harry. Ele queria muito mesmo ser amigo do belo menino de olhos esmeraldas – Eu sinto muito, Grange... Er... Hermione.

- Sente-se aqui, Hermione, e diga-me que feitiços você usa neste cabelo – demandou Pansy, sorrindo para a confusa menina – Precisamos de uma série de encantamentos urgentes para deixá-lo a altura de sua beleza.

Oferecendo um pequeno sorriso para Draco, o menor observou a dramática entrada de Severus Snape na sala assustando a maioria dos alunos desavisados. E Snape, como McGonagall, começou a aula fazendo a chamada e, como McGonagall, parou no nome de Harry.

- Ah, sim – disse baixinho – Harry Potter. A nossa nova celebridade.

- Olá Tio Sev!

A sala inteira engasgou. E o professor sentiu um tique de irritação se formar em seu olho esquerdo:

- Harry, o que eu disse sobre me chamar assim em Hogwarts?

- Que eu perderia dez pontos cada vez que fizesse isso.

- Exato. Menos dez pontos para Gryffindor – grunhiu – E agora vamos voltar para a ciência sutil do preparo de poções que eu francamente não espero que mentes simplórias como a de vocês entendam.

Com um sorrisinho divertido, sob o olhar assombrado de toda a sala, Harry começou a anotar as palavras que Severus escrevia na lousa.

-x-

Na saída da aula, Tom mais uma vez estava a sua espera para levá-lo ao salão principal. E Harry não poderia estar mais contente com a companhia seu irmão, o qual parecia ter decorado seu caderno de horários melhor do que ele mesmo. O almoço em questão apenas confirmava o quão talentosos eram os elfos da escola e Harry não pôde negar quando Tom encheu seu prato de espaguete ao molho de cream cheese e tiras de alcatra. E na hora da sobremesa, um generoso pedaço de torta de chocolate com morangos foi colocado em seu prato.

- Eu nunca imaginei que Tom pudesse ser atencioso com alguém – comentou Flint.

- Se por atencioso você quer dizer obsessivo – divertiu-se Montague – o pobre garoto não pode nem escolher o que irá comer.

- Cale a boca, Montague.

- Ele sabe o que gosto – Harry respondeu simplesmente, lambuzando-se com a torta sob o olhar divertido dos Slytherins, que obviamente não falaram mais nada ao notar uma perigosa sombra avermelhada no olhar de Tom.

Naquele momento, as corujas começaram a chegar com a nova edição do Profeta Diário e quando o papel enrolado caiu nas mãos de Tom este logo entendeu o burburinho que havia começado por todo o salão:

O CASO GRINGOTES

Prosseguem as investigações sobre o arrombamento de Gringotes, ocorrido em 31 de agosto, que se acredita ter sido trabalho dos bruxos das trevas, os quais vêm sendo caçados pelos Aurores incansavelmente desde seu último ataque ao metrô muggle anos atrás.
Os duendes de Gringotes insistem que nada foi roubado, pois o cofre fora esvaziado mais cedo naquele mesmo dia.
"O objeto cobiçado pelos bruxos das trevas já havia sido levado para o local mais seguro do Mundo Mágico", disse um porta-voz mais tarde.

- O local mais seguro do mundo mágico... – Harry murmurou, lendo a notícia ao seu lado.

- Hogwarts – afirmou Tom.

- De fato. Papai disse que não há lugar mais seguro, lembra-se?

- Sim.

Contudo, uma inoportuna presença interrompeu a divagação dos dois:

- Ora Tom, você ainda não me apresentou seu irmãozinho.

- Harry, esta é Dafne Grengrass – informou com evidente desgosto. E Harry lançou um olhar de cima abaixo à menina de cabelos louros e arrogantes olhos acinzentados.

- Você não é a coisa mais fofa do mundo? – perguntou melosamente, apertando sua bochecha e sorrindo insinuante para Tom, que rosnou quando os dedos de unhas longas e cor de rosa tocaram em Harry.

- Não toque nele.

- Oh, desculpe, querido.

- Não me chame de querido, Grengrass – sibilou irritado – Ou eu vou amaldiçoar você.

- Eu não gosto dela – afirmou Harry, casualmente.

- Eu também não, mas ela insiste em não perceber isso.

- Talvez seja burra demais para se dar conta.

- Sim, você está certo, pequeno.

Dafne arregalou os olhos. E em seguida, fitando os irmãos Potter com ódio, retirou-se do salão principal com o que restava de sua dignidade. Ela nunca havia se sentido tão humilhada em sua vida. Ao fundo, a irritada menina ainda conseguiu ouvir as risadas de Flint e Montague.

-x-

Semanas depois, para alegria de Harry, chegava o dia da primeira aula prática de vôo. Era um dia claro, com uma brisa fresca e a grama ondeava pelas encostas sob seus pés ao caminharem em direção a um gramado plano que havia do lado oposto à floresta proibida, cujas árvores balançavam sinistramente à distância, lembrando-lhe da advertência de seu irmão para nunca colocar os pés neste local. Os Slytherins e Ravenclaws do primeiro ano já estavam lá quando os Gryffindors chegaram, seguidos dos Hufflepuffs, colocando-se imediatamente ao lado das vinte e oito vassouras arrumadas em fileiras no chão. Harry e Hermione se aproximaram logo de Draco e Pansy, que estavam ao lado de dois garotos corpulentos que se apresentaram como Crabbe e Goyle.

Draco reclamava do estado das vassouras da escola quando a professora, Madame Hooch, chegou. Tinha cabelos curtos e grisalhos e olhos amarelos iguais aos de um falcão.

- Vamos, o que estão esperando? – perguntou com rispidez – Cada um ao lado de uma vassoura. Estiquem a mão sobre ela e digam "suba!".

- Suba!

A vassoura de Harry pulou imediatamente para sua mão. Foi uma das primeiras a fazer isso, como a vassoura de Draco, mas a de Hermione simplesmente se virou no chão e a de Neville, um garoto gordinho que adorava sapos e plantas e dividia o dormitório com ele nem se mexeu. Lembrou-se de seu irmão ensinando-o a voar. Tom sempre dizia que era preciso ter segurança e impor sua vontade à vassoura. E o pobre Neville parecia bem longe de conseguir isso.

Quando todos conseguiram montar nas vassouras a professora ordenou:

- Agora, quando eu apitar, dêem um impulso forte com os pés. Três... Dois...

Mas Neville, de repente, viu-se subindo no ar.

- O que é isso? Volte aqui, menino!

Tarde demais. Neville subia como uma rolha que sai sob pressão de uma garrafa. O pobre menino estava pálido de medo, agarrando-se a vassoura como se sua vida dependesse disso. E dependia mesmo. Contudo, a mais de seis metros do chão, Neville escorregou.

Ouviu-se um baque mudo. Um ruído de fratura e Neville caído na grama. Madame Hooch correu e se debruçou sobre o menino:

- Pulso quebrado – suspirou – Venha, levante-se. Vou levá-lo a enfermaria.

Harry encarava o pobre menino com pena. E Draco, ao ver a expressão do amigo, decidiu não fazer nenhum comentário mordaz a respeito.

- Nenhuma vassoura deve sair do lugar. Caso contrário, quem estiver sobre ela será expulso antes mesmo que possa dizer "Quadribol".

Assim que se distanciaram, Rony Weasley e mais dois meninos de seu dormitório que Harry não se lembrava o nome caíram na gargalhada:

- Vocês viram a cara dele?

Alguns Slytherin se entreolharam. Eles não imaginavam que os nobres Gryffindors pudessem se burlar de membros de sua própria casa.

- Olhe – disse Rony, recolhendo um pequeno objeto do chão – É aquela porcaria de Lembrol que a avó do Neville mandou.

- Se o idiota tivesse olhado isso, talvez se lembrasse de não cair – riu o outro menino, que falava com um forte sotaque irlandês.

O Lembrol cintilou ao sol quando Weasley o ergueu.

- Me dá isso aqui – falou Harry.

- Não – grunhiu o ruivo – Na verdade, acho que vou deixar em algum lugar para Neville apanhar, que tal em cima de uma árvore?

- Idiota – murmurou Harry, mas Rony montara na vassoura e saíra voando. E sem pensar duas vezes, Harry montou em sua própria vassoura também.

- Não! – gritou Hermione – Harry, você vai ser expulso!

- Nós podemos bater nele para você depois – ofereceu Crabbe, ganhando um rápido aceno em concordância de Goyle, mas Harry já subira ao ar atrás de Rony:

- Me dá isso aqui, ou vou derrubá-lo dessa vassoura!

- Ah, é? – retrucou o Weasley, tentando caçoar, mas parecendo preocupado – Apanhe se puder então!

Harry viu, como se fosse em câmera lenta, a bolinha subir no ar e começar a cair. Ele se curvou para frente e apontou o cabo da vassoura para baixo, como se estivesse a ponto de pegar o pomo-de-ouro nas vezes que jogava Quadribol com seu pai, Sirius e seu irmão. Esticou a mão, a uns trinta centímetros do solo e agarrou a bolinha de vidro bem a tempo de levar a vassoura à posição vertical, e caiu suavemente na grama com o Lembrol a salvo e seguro na mão.

Inúmeros aplausos foram ouvidos.

Mas um severo grito os interrompeu:

- Harry Potter!

- Professora McGonagall, por favor, não foi culpa dele... – começou a explicar Hermione.

- Venha comigo – ordenou sua chefe de casa. E Harry, lançando um olhar irritado a um sorridente Rony, seguiu-a.

Subiram os degraus da entrada, subiram as escadarias de mármore e McGonagall permanecia em silêncio. Escancarava portas e seguia pelos corredores com um Harry a beira de lágrimas atrás dela. Neste momento, o menino havia se dado conta de que, se fosse expulso, não veria mais o irmão. Talvez ela o levasse a Dumbledore. Talvez ela chamasse seus pais...

Os devaneios infelizes de Harry foram interrompidos quando McGonagall parou a porta de uma sala de aula. Abriu a porta e meteu a cabeça para dentro:

- Com licença, professor Quirrell, posso pedir o Wood emprestado por um instante?

Na sala de Runas Antigas, Tom olhou intrigado para a professora, mas quando percebeu o choroso rosto de Harry atrás dela, levantou-se imediatamente e saiu da sala, passando ao lado de Oliver Wood e ignorando o chamado de Quirrell.

- O que aconteceu? – demandou a uma surpreendida Minerva McGonagall, abraçando o irmão protetoramente, que logo enterrou o rosto em seu peito.

- Ora, fique calmo senhor Potter – bufou a mulher – Eu apenas queria apresentar a Wood o seu novo apanhador.

- Está falando sério, professora?

- É claro que estou, senhor Wood.

- Apanhador? – Harry murmurou, despregando o rosto da túnica de seu irmão.

- Sim, Harry, nós gostaríamos que você se juntasse ao time de Quadribol Gryffindor.

- Eu não serei expulso?

- O que? – Tom perguntou, apertando-o em seus braços.

- É claro que não. Se você e Wood concordarem, você será o nosso novo apanhador.

Oliver Wood não precisou ouvir duas vezes e já pensava nas jogadas para a próxima partida contra Slytherin com a presença do pequeno Gryffindor como apanhador. Harry, por sua vez, apenas olhou para cima fixando suas belas esmeraldas em Tom, que fez um breve aceno com a cabeça incitando-o a aceitar o convite. Em seguida, com um sorriso radiante, Harry falou:

- Papai e Sirius vão morrer de alegria.

- E nossa mãe de preocupação – comentou divertido.

Naquele momento, Tom sentia-se orgulhoso e feliz pelo menor, pois sabia que uma das maiores paixões de Harry era jogar Quadribol.

-x-

- Você é o mais novo apanhador do século! – a repentina voz de Draco o surpreendeu. Harry estava a caminho da biblioteca para encontrar seu irmão quando o animado Slytherin do primeiro ano interrompeu seu caminho nas escadas.

- Então você ficou sabendo?

- A escola inteira já está sabendo, Harry! Poxa, como você é sortudo.

- O melhor foi ver a cara de Rony Weasley quando McGonagall fez o anúncio na torre Gryffindor ontem.

- Eu queria ter estado lá para ver – sorriu maliciosamente o loiro.

De repente, as escadas se moveram e os dois quase caíram:

- Por aqui, vamos! – chamou Harry. E logo as duas crianças ingressaram num dos corredores sombrios do terceiro andar.

Temendo que Filch ou sua gata aparecessem e os pegassem nas proximidades do corredor proibido, Harry e Draco continuaram caminhando às cegas e finalmente se detiveram na sala de troféus, onde se colocaram a pensar em como poderiam sair dali. Hogwarts nunca havia parecido tão monstruosamente grande e labiríntica quanto agora.

- O que nós vamos fazer? – perguntou Draco, casualmente, fazendo o possível para esconder seu medo – Eu já não sei nem para que lado estão as escadas.

- Eu também não.

- Daqui a pouco será hora do jantar.

- De fato – suspirou o menor – Tom vai morrer de preocupação se eu me atrasar.

- E vai me matar se descobrir que eu fiz você se perder e agora estou aqui com você – murmurou. E ao ver o olhar confuso de Harry, acrescentou – Seja honesto, Harry, seu irmão é um maníaco possessivo que não admite perdê-lo de vista ou que as outras pessoas sequer olhem para você, Hogwarts inteira já percebeu isso.

- Não fale assim dele – replicou friamente – E você está exagerando, Tom apenas... Espere! É isso, Tom!

Alcançando rapidamente o bolso de sua túnica, Harry apanhou o pequeno espelho com o qual se comunicava com seu irmão:

- Thomas Potter – chamou. E instantes depois, uma conhecida voz respondeu:

- Harry, aconteceu alguma coisa?

- Er... Eu meio que... Estou perdido, Tom.

- Onde você está?

- Sala de troféus.

- Não saia daí – ordenou – chego em dois minutos.

Quando a chamada foi encerrada, um sorridente Harry voltou-se para seu amigo, que estava mais pálido do que antes:

- Qual o problema, Draco?

- Ele vai me matar.

- Ora, não seja ridículo.

- Ridículo? Seu irmão é assustador. Ele amaldiçoou Grahan Montague apenas porque este o chamou de cunhado outro dia.

- Montague chamou Tom de cunhado? Por quê? – perguntou genuinamente confuso.

Mas Draco o ignorou e continuou a choramingar:

- Inclusive os estudantes mais velhos não se atrevem a enfrentá-lo num duelo. O cara é o melhor aluno que Hogwarts já viu desde Dumbledore!

- Sério? – um sorriso orgulhoso se desenhava nos lábios de Harry. Não havia dúvidas: seu irmão era incrível.

- Sim!

Os lamentos de Draco, no entanto, foram interrompidos por uma voz descontente e profunda:

- O que está acontecendo aqui?

- Tom! – gritou um animado Harry, jogando-se instantaneamente nos braços de seu irmão – Obrigado, nós dois nos perdemos por causa das escadas...

- E o que Malfoy estava fazendo com você?

Draco fez o possível para não se encolher com o tom perigoso do maior.

- Ele estava me dando os parabéns por conseguir a posição de apanhador quando as escadas se moveram e nós acabamos aqui no terceiro andar – murmurou, sentindo-se seguro nos protetores braços que o rodeavam.

- Tudo bem, vamos sair daqui.

Ignorando completamente o loiro, Tom começou a caminhar para fora da sala com os braços ainda ao redor do irmão quando uma luz fraca apareceu ao fundo do corredor, seguida do miado acusador de uma gata e da voz do zelador:

- Tem alguém aqui, minha querida?

- Rápido, venham!

Correndo sem olhar para trás, eles seguiram para o final de um corredor onde se depararam com uma porta... Fechada.

- Droga! – gemeu Draco, empurrando inutilmente a porta – Estamos ferrados! Meu pai vai me matar quando descobrir que fiquei de detenção!

Ouviram passos, Filch correndo em sua direção. Faltava pouco para virar o corredor e descobri-los.

- Saia da frente, idiota – resmungou Tom, empurrando Draco para o lado e apontando a varinha para a porta – Alohomora!

A fechadura deu um estalo e a porta se abriu. Imediatamente, Tom puxou o irmão para dentro da sala e Draco se adiantou em seguida, apurando os ouvidos e notando que, ao não descobrir nenhum aluno quebrando as regras, Filch se afastava aos resmungos.

- Ele acha que a porta ainda está trancada – burlou-se Draco.

- E por um bom motivo – murmurou Harry, pálido.

Tom logo notou o medo no olhar de seu irmão e virou-se para ver o que Harry olhava. Na mesma hora, engoliu em seco. Eles não estavam numa sala, conforme supusera. Encontravam-se num corredor. O corredor proibido do terceiro andar. E agora sabiam por que era proibido. Estavam encarando os olhos de um cachorro monstruoso, um cachorro que ocupava todo o espaço entre o teto e o piso. Tinha três cabeças. "Um cerberus" ofereceu seu cérebro analítico.

E quando o cerberus rugiu, Tom agarrou firmemente a mão de Harry e o puxou para fora do local, pouco se importando se Malfoy os seguia ou não quando fechou a porta com um poderoso feitiço às suas costas.

- Isso foi... Horrível – murmurou Draco.

Oh, ele ainda estava vivo, observou Tom.

- Vamos para o salão comunal Slytherin – disse para Harry, que apenas assentiu em silêncio, ainda agarrando sua mão.

-x-

Chegando ao salão comunal das serpentes, Tom levou o irmão para um pequeno sofá afastado, próximo à lareira, onde abraçou o menor, que imediatamente aconchegou-se em seu peito. Harry apenas reparou brevemente nas paredes de pedra e nas lâmpadas verdes circulares pendendo do teto que iluminavam parcialmente o elegante e sóbrio local. Tudo bem diferente do aposento redondo e cheio de poltronas fofas repleto de vermelho e dourado que caracterizava o salão comunal Gryffindor. Por sorte, naquele momento não havia muitos estudantes ali. E Draco, ao notar o olhar perigoso do maior, afastou-se depressa com um murmúrio de desculpas para Harry, avisando que o veria nas aulas.

- Como eles podem deixar uma coisa daquelas numa escola?

- Ele deve estar guardando alguma coisa – ponderou Tom.

- Você acha?

- Ele estava sobre um alçapão, Harry, você não reparou?

- Não, eu estava distraído com as cabeças. Eram três delas.

- Tem razão – riu sem humor, abraçando o pequeno corpo ainda mais forte – mas aquela coisa monstruosa deve estar guardando um objeto muito importante.

- Você acha que o objeto que buscavam em Gringotes...?

- Sim, só pode estar naquele lugar, sob a custódia do cerberus.

- O que poderia ser tão importante?

- Não sei – suspirou – mas algo me diz que ainda vamos descobrir.

-x-

Todavia, desde o encontro repentino com a perigosa criatura no corredor proibido do terceiro andar, semanas haviam passado e Harry, Draco e Tom resolveram deixar de lado tais lembranças desagradáveis. Agora, na manhã de Halloween, Harry acordava com o delicioso cheiro de abóboras assadas que se espalhava pelos corredores do castelo. E para melhorar ainda mais o dia, o Prof. Flitwick anunciou na aula de Feitiços – sua segunda matéria favorita, perdendo apenas para Defesa Contra as Artes Obscuras com Remus – que os alunos estavam prontos para fazer objetos voarem, uma coisa que desde pequeno teve curiosidade de tentar, quando observava sua mãe flutuar os pratos e talheres para cima da mesa.

- Não se esqueçam daquele movimento com o pulso que praticamos! – falou esganiçado o professor, como sempre empoleirado no alto de uma pilha de livros – Girar e sacudir. Lembrem-se, girar e sacudir.

Suspirando, Harry se colocou a praticar:

- Wingardium Leviosa – instantes depois, a longa pena branca flutuava há alguns centímetros da mesa.

Com Draco acontecia a mesma coisa ao seu lado.

- Excelente! – exclamou Flitwick, observando-os.

No entanto, Rony Weasley, na mesa ao lado, não estava tendo muita sorte.

- Wingardium Leviosa! – ordenava, sacudindo os braços compridos e desajeitados. E a pena sequer se movia.

- Você está dizendo o feitiço errado – Hermione corrigiu aborrecida – É LeviÔsa. E não LeviosA.

- Faz você então, que é tão sabichona.

Hermione suspirou exasperada, enrolou as mangas das vestes, bateu a varinha e disse:

- Wingardium Leviosa!

Em seguida, a pena se ergueu da mesa e parou há mais de um metro acima da cabeça deles. Harry imediatamente sorriu para a menina, Pansy bateu palmas dando parabéns para a nova amiga e Draco balançou a cabeça, impressionado.

- Excelente, Srta. Granger! Dez pontos para Gryffindor!

Rony Weasley, por sua vez, parecia estar de muito mau humor na altura em que a aula terminou.

-x-

- É LeviÔsa – burlava o ruivo, imitando uma voz estridente, que não se parecia em nada com a de Hermione – E não LeviosA.

Seamus Finnigan e Dean Thomas riram. Eles caminhavam pelo pátio do castelo ao sair da sala de aula e para esquecer seu vexame, Rony burlava-se da inteligente menina de cabelos castanhos.

- Cara, ela é um pesadelo – comentou Finnigan.

- É por isso que não tem amigos – afirmou o ruivo – Porque convenhamos, Potter e aqueles dois Slytherins, Malfoy e Parkinson, não podem ser chamados de amigos.

- Eu ainda não sei por que Potter anda com ela e os Slytherins... – murmurou Dean Thomas. Mas Rony o ignorou, continuando a caçoar da menina:

- Ela é tão feia e irritante que irá acabar sozinha um dia – riu consigo mesmo – É um pesadelo de horríveis cabelos emaranhados na cabeça.

Naquele momento, alguém esbarrou nele ao passar. Era Hermione. E o ruivo apenas gracejou com seus amigos ao ver que a menina escutara cada uma de suas palavras.

- E você é um idiota – interrompeu a irritada voz de Harry. Este também havia escutado tudo, alguns passos atrás do ruivo, com Draco e Pansy ao seu lado.

- O que você disse Potter?

- Além de idiota também é surdo? – os Slytherins riram. E Rony apertou os punhos com ódio.

- Saia daqui, Potter, se não quiser se machucar.

- E o que você vai fazer Weasley, sem conseguir lançar um mísero feitiço de levitação?

- Ui... Essa doeu – burlou-se Pansy, sorrindo maliciosamente para o rosto vermelho de raiva do irritante Gryffindor. Os próprios Seamus e Dean precisaram disfarçar as risadinhas.

- Eu não preciso de magia para quebrar a sua cara!

- Eu quero ver você tentar.

- Ora, seu...! – agarrando Harry pela gola da camisa, Rony levantou o punho. E no momento em que Draco e Pansy puxaram a varinha para defender o amigo, uma voz perigosa e baixa congelou a todos:

- Tire as mãos dele, Weasley.

O ruivo engasgou e a perigosa voz se fez ainda mais fria:

-... Isto é, se você deseja continuar com vida.

- Tom! – Harry sorriu. E na mesma hora, Rony o soltou como se queimasse.

- Er... Eu não ia... Eu...

- Hammas Fuodellios – conjurou Tom, num movimento ágil e elegante de varinha. Instantes depois, Rony Weasley caia no chão, agarrando o pescoço, sem conseguir respirar.

Todos se afastaram alguns passos.

Dezenas de olhos horrorizados agora observavam a cena.

- Escute bem, Weasley, se você sequer pensar em prejudicar meu irmão outra vez, seus pais não encontrarão um corpo sobre o qual chorar, entendeu?

Com lágrimas nos olhos, o rosto ficando roxo e as unhas arranhando violentamente o pescoço em busca de ar, Rony concordou depressa, implorando piedade com o olhar. Tom é claro, ignorou. E Harry logo correu para os braços do irmão com um radiante sorriso. Ele sabia que sempre poderia contar com Tom para protegê-lo.

- Você está bem, pequeno? – sussurrou com carinho. Rony ainda sufocando aos seus pés.

- Sim, obrigado.

- Tom, meu querido menino, você poderia interromper a morte iminente do senhor Weasley, por favor? – pediu a alegre voz do diretor. Para desgosto do Slytherin, o velho mago parecia sempre escolher o momento certo para aparecer.

- Finite Incantatem – disse Tom. E com um suspiro resignado, observou o garoto ruivo tossindo violentamente ao tentar recuperar todo o ar de seus pulmões.

- Excelente! – sorriu Dumbledore – Agora, vamos todos voltar aos nossos afazeres. E não se esqueçam de que um magnífico jantar de Halloween nos aguarda esta noite.

No momento em que o diretor se afastou a maioria dos estudantes ainda permanecia imóvel. Apenas Seamus e Dean haviam se adiantado para ajudar um pálido Weasley, que ainda tossia violentamente, apoiando as mãos e os joelhos no chão. Por sua vez, Draco e Pansy se despediram a distância de Harry, sorrindo com certo nervosismo e afirmando que o veriam esta noite no jantar.

Enquanto isso, os irmãos Potter ignoravam toda a reviravolta ao redor e se afastavam sem olhar para trás. Um sorriso infantil dançando nos lábios do menor cuja fina cintura permanecia rodeada pelos protetores braços de Tom.

Continua...

Próximo Capítulo:

- Alguém está azarando a vassoura do Harry! – Exclamou Draco, arrependendo-se em seguida ao notar uma sombra escarlate refletir nos perigosos olhos de Tom. Quem quer que esteja fazendo isso não vai acabar bem.

-x-

N/A: Olá, meus queridos leitores! Feliz ano novo para todos vocês! E para começar o ano, finalmente consegui atualizar esta história que há tanto tempo havia deixado de lado, mas espero que vocês entendam que foi para uma boa causa, isto é, o desfecho de O Pequeno Lord. Agora, porém, poderei me dedicar em tempo integral a Destinos Entrelaçados! Pelo menos até postar minha nova fic... A qual ainda estou planejando, cabe apontar.

Enfim, espero que vocês tenham gostado do novo capítulo!

Para todos aqueles que são fãs do Rony, peço desculpas, mas o Weasley caçula não vai deixar de ser odioso ao longo da fic. Por outro lado, estou tratando bem da Hermione dessa vez... Hehehe... Então, o que estão achando? Draco já percebeu que precisa deixar seus preconceitos de lado para ser amigo do Harry e Pansy, como sempre, é uma fofa! Não posso evitar, adoro essa menina! Hehehe... Quanto ao Tom, com muito sacrifício ele está permitindo que seu irmão interaja com outras crianças, mas Harry ainda prefere ficar com Tom na maior parte do tempo e não poderia ser diferente, né? E é claro, não poderia faltar o nosso amado Dumbledore fazendo vista grossa para o quase assassinato de Rony em prol dos irmãos Potter, porque o Dumbledore não é tendencioso, não, nem um pouquinho... Hehehe... Confesso que me divirto muito com isso!

E vocês meus queridos leitores, o que estão achando?

Por favor, deixem-me saber e mandem suas REVIEWS!

Inclusive, gostaria de deixar registrado os meus sinceros agradecimentos e um grande beijo para:

BabiSnapePotter... joanaamaralax... Lady Slytherin of Camelot... Layla DK... Amamda14... Elllaine... Kimberly Anne Potter... Mazzola Jackson... Elaine... Wincest-me... Death Sounds Like a Lullaby... vrriacho... lunynha... musme... TaiSouza... Sandra Longbottom... Dyeniffer Mariane... E Nicky Evans!

Um grande Beijo!
E que 2013 seja repleto de Fanfics para todos nós!