Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

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O Natal se aproximava. E na manhã em que os alunos deixariam a escola para as férias de Natal, Hogwarts acordou coberta com mais de um metro de neve. O lago havia congelado e os gêmeos Weasley receberam um castigo por enfeitiçarem várias bolas de neve fazendo-as seguir Quirrell por todo o castelo, garantindo boas risadas de Harry e seus amigos, os quais perceberam rapidamente que nem todos os Weasley eram um caso perdido. Eles estavam relativamente tranqüilos em deixar o castelo, pois sabiam que Quirrell não tentaria roubar a pedra com Snape e Dumbledore ali. Então, após abraços calorosos e votos de boas-festas, Hermione se despediu na entrada do Expresso Hogwarts afirmando que passaria o feriado com seus pais em Paris, Pansy e Draco passariam com suas famílias e Harry e Tom também. E logo os dois últimos seguiram para a sua usual cabine no trem, trancando-a com um poderoso feitiço e assim, garantido sossego e privacidade até a chegada à plataforma 9 ¾.

Na plataforma, James e Lily os esperavam com uma chave de portal para levá-los para casa. E ao entrar novamente em seu quarto, após todos esses meses, Harry percebeu o quanto havia sentido falta do calor de sua casa, do calor de sua casa na companhia de Tom, é claro.

- Está pensando em que, pequeno?

- Em como senti falta de casa – sorriu – acho que só agora percebi isso.

- É mesmo?

- Sim, senti falta do nosso quarto, de acordar com você – murmurou, o rosto levemente corado – o espelho não é a mesma coisa.

- Eu sei.

Deixando os dois malões caírem levemente ao lado da cama, ao encerrar o feitiço de levitação, Tom puxou o irmão para os seus braços, sentando-se com Harry em seu colo na cama. Um brilho amoroso refletia em seus olhos castanhos. E Harry, contente, aninhava-se nos braços fortes que o envolviam.

- Eu senti falta de ter você somente para mim – confessou Tom.

- Ciumento – brincou o menor.

- Muito.

- Você não precisa ter ciúmes dos meus amigos, Tom, eles não vão roubar o seu lugar.

- Por que você precisa ter amigos? – perguntou, genuinamente confuso e descontente, pronunciando amigos com evidente desprezo.

Harry piscou duas vezes.

Ele realmente não sabia o que seu irmão queria ouvir como resposta.

- Não é que eu precise... – tentou explicar -... Mas eu gosto da companhia deles.

- A minha não é o bastante?

- Tom, por favor, a sua companhia é perfeita. Mas você não pode estar sempre comigo em Hogwarts, estamos em anos e casas diferentes, mas ainda sim eu passo muito mais tempo com você do que com eles.

- Hum...

- E você também tem amigos com quem devo dividi-lo.

Tom apenas arqueou uma sobrancelha. E suspirando, Harry percebeu que sua afirmação não era verdade. Os únicos momentos em que Tom estava com Adrian e Montague se resumiam a quando precisava de um livro emprestado, anotações das aulas, ou qualquer outra coisa desse tipo. Eram trocas baseadas em interesses de ambos os lados e na maior parte do tempo, Tom estava em seu encalço, ou na biblioteca, cumprindo sua meta de ler todos os livros existentes ali.

Sabendo que seus argumentos não poderiam convencer o irmão, Harry decidiu usar sua arma secreta e o encarou com os seus melhores olhinhos lacrimejantes numa expressão cheia de ternura, algo que havia treinado para situações de emergência:

- Por favor, não fique bravo comigo...

E Tom, é claro, sucumbiu.

- Eu não estou bravo com você, nunca ficaria bravo com você – suspirou – você pode ter quantos amigos quiser, apenas... apenas não se esqueça de mim.

- Eu te amo Tom – respondeu, pousando um rápido selinho nos lábios do irmão – E nunca me esquecia de você, nem mesmo se eu fosse atingido por um obliviate.

Com um sorriso mais relaxado, Tom respondeu:

- Eu também te amo, pequeno. E eu nunca deixaria que feitiço algum o atingisse.

- Eu sei.

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No dia seguinte, Harry e Tom acordaram renovados após uma longa noite conversando abraçados na cama do mais velho e agora, diante de uma magnífica mesa repleta de waffles, bacon, ovos, sucos e geléias os dois se deliciavam com o café da manhã preparado por sua mãe sem notar a preocupação brilhar nos olhos de seu pai enquanto este se concentrava no Profeta Diário franzindo o cenho a cada segundo.

- Pelo visto, as notícias não são das mais agradáveis – comentou Lily, servindo outra xícara de café para seu marido.

- Os ataques desses bruxos das trevas tem se intensificado desde a fracassada tentativa de roubo à Gringotes.

- O que será que eles buscavam?

- Não sei – suspirou – Dumbledore também não quis me dizer, apenas garantiu que o objeto está seguro em Hogwarts.

Agora Harry e Tom prestavam atenção.

"Seguro, claro" – o mais velho revirava os olhos, fingindo interesse na omelete em seu prato.

- Eu gostaria de saber quem está por trás disso.

- Eu também, Lily, facilitaria muito o meu trabalho.

"Talvez fosse Quirrell" – Harry e Tom trocaram um olhar.

Mas logo se desfizeram da idéia.

Quirrell não seria capaz de organizar e comandar um grupo de bruxos das trevas.

De repente, uma coruja cinzenta interrompeu pela janela voando elegantemente ao centro da mesa e deixou cair um envelope prateado à frente de Lily, que o apanhou e desenrolou o fino pergaminho escuro que havia em seu interior sob o olhar intrigado do resto da família. Enquanto sua mãe lia a carta em silêncio, Harry notou um pequeno bilhete dentro do envelope e o alcançou, abrindo um radiante sorriso ao reconhecer a caligrafia de seu amigo:

Harry,
Por favor, aceite o convite.
Pedi para meus pais convidá-los e espero vê-lo este sábado.
Abraços,
Draco Malfoy.

- O que é isto? – perguntou James, lendo por cima do ombro de sua esposa – Um convite para um baile na mansão Malfoy?

De fato, numa caligrafia elegante em tinta prateada, destacava-se:

Sr. & Sra. Potter,
Os senhores e sua família foram convidados para assistir ao baile anual de Solstício de Inverno da família Malfoy no próximo dia 25 de Dezembro.
Favor confirmar presença e aderir a traje a rigor para a festa.
Com os mais saudosos cumprimentos,
Lucius e Narcisa Malfoy.

- Sim, papai, podemos ir? – Harry quase pulava de animação em sua cadeira – Draco nos convidou, ele é meu amigo!

Tom estreitou os olhos, os lábios franzidos em aborrecimento.

Quem esse pirralho Malfoy pensava que era para interromper suas férias com Harry?

- Não sei não, James, certamente será uma daquelas festas em que a frieza e a falsidade estão por todos os lados – comentou Lily.

- Sem dúvida, mas, por outro lado, seria uma oportunidade perfeita para sondar Malfoy e descobrir se ele está ligado a estes bruxos das trevas.

- Talvez...

- E se nós formos, Sirius não irá ignorar o convite de sua prima dessa vez e poderá me ajudar a descobrir alguma coisa.

- Se você diz – suspirando, Lily observou novamente o convite – Solstício de Inverno ao invés de Natal, é bem a cara deles, ignorando tudo o que diz respeito à muggles e nascidos muggles.

- E é exatamente por isso que Malfoy está no topo das minhas suspeitas.

- Espero que você consiga descobrir alguma coisa nesse baile.

- Eu também espero, amor.

- Então, papai, podemos ir? Podemos ir?

Com uma piscadela divertida, James respondeu para o filho:

- Sim, campeão, podemos.

E naquele momento, Tom sentiu o estômago revirar ao observar um radiante sorriso se desenhar nos lábios de Harry.

Um sorriso que não era endereçado a ele.

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Localizada em Wiltshire, sudoeste da Inglaterra, uma imponente mansão antiga e nobre se destacava em meio à sebe e rodeada por árvores de teixo, uma estrutura majestosa forjada em granito branco e pedras de mármore frios e austeros, coincidindo com o ar da nobre família que habitava o local há gerações: a família Malfoy. Quando Harry se viu nos imensos jardins, seus olhos imediatamente se voltaram aos pavões albinos que corriam livremente pelo gramado bem cuidado e um sorriso extasiado surgiu em seus lábios. Ele nunca havia visto criaturas tão magníficas. Ao seu lado, Tom revirava os olhos com desdém, seguindo com seus pais e Sirius para dentro da casa.

O interior da casa não fugia da linha habitual, isto é, suntuosamente decorado com um magnífico tapete felpudo, uma mesa ornamentada, mármores e um espelho dourado. Os quadros em movimento espionavam a passagem de visitantes pelo corredor. E seguindo por um grande hall de entrada mal iluminado com uma porta de maçaneta de bronze, os elfos domésticos vestindo trapos sujos e desgastados guiavam os convidados ao enorme salão de festa, no qual se destacava um gigantesco lustre de brilhantes ao centro e centenas de bandejas flutuando por entre os convidados servindo taças de espumantes e elaborados canapés. E naquele momento, uma centena de mago e bruxas já circulava pelo local trocando cumprimentos cínicos e sorrisos cheios de frieza em suas melhores vestes de gala.

Era um evento majestoso digno da realeza.

Digno de um Malfoy.

- Vocês viram os pobres elfos? – grunhiu Lily, os olhos esmeraldas brilhando de fúria.

- Acalme-se amor, lembre-se que viemos aqui numa missão – murmurou James, sua voz soando levemente por cima da música clássica tocada pela orquestra ao fundo.

- Eu não acredito que vocês me arrastaram para isso.

- Você está aqui para ajudar, Sirius.

- Primo, fico feliz que você tenha aceitado o meu convite dessa vez – uma voz fria os interrompeu.

- Olá Cissy. E dessa vez eu não tive nenhum evento de caridade importantíssimo ou uma chamada de emergência no Quartel General de Aurores para atender.

- É claro.

Narcisa Malfoy conseguia ser pessoalmente mais deslumbrante do que suas fotos na coluna social do Profeta Diário. O cabelo louro-prateado descendo em camadas pelas costas suavizava ainda mais suas feições finas e o vestido na cor prata iluminava seus olhos azuis. Era uma beleza fria e inalcançável, assemelhando-se às belas esculturas de mármores que adornavam o jardim.

- Senhores Potter – cumprimentou ela.

Um olhar de desprezo percorreu Lily de cima abaixo, o que fez Harry franzir o cenho e Tom estreitar os olhos perigosamente. E com um sorriso frio, Narcisa elogiou:

- Lily, você está deslumbrante, como sempre.

- Obrigada Narcisa, você também – por mais venenoso que o comentário de Narcisa Malfoy tenha parecido, a bela ruiva estava realmente magnífica em seu vestido bordô esvoaçante rodeado por uma faixa de esmeraldas na cintura. Seus belos olhos verdes contemplavam a mulher loira com uma elegância natural repleta de indiferença.

Em seguida, Lucius se aproximou de sua esposa e lançou o mesmo olhar para Lily, um olhar que gritava: sua-desprezível-sangue-ruim. Um olhar ignorado por Lily, que sujeitou suavemente a mão de seu marido para evitar que James amaldiçoasse Lucius.

- Sejam bem vindos, senhores Potter, senhor Black.

O tom desdenhoso, porém, desmentia suas palavras.

- Festa encantadora, Lucius – sorriu James, a ironia evidente em sua voz.

- Meu filho insistiu para convidá-los, parece que ele se afeiçoou muito ao pequeno Harry Potter, não parou de falar dele desde que chegou aqui.

Se olhares matassem, Lucius não estaria mais entre nós.

Tom o encarava com uma chama vermelha que rivalizava com a fúria de mil Avada Kedravas. E Harry imediatamente se encolheu em seus braços, desviando o olhar da especulação interessada de Lucius. Mas ao notar o semblante perigoso do filho mais velho de James e Lily, o patriarca da família Malfoy, pela primeira vez, sentiu-se intimidado e discretamente desviou o olhar.

"Criança assustadora" – pensou.

Entretanto, uma animada voz logo interrompeu o pesado clima:

- Harry, você está aqui! – Draco correu para abraçar o amigo, mas parou de repente em seus pés quando notou os possessivos braços de Tom ao redor do irmão.

- Não corra Draco.

- Desculpe pai.

- E não peça desculpas – grunhiu Lucius – Isso não é digno de um Malfoy.

- Sim, senhor.

James e Lily apenas trocaram um olhar, pensando ao mesmo tempo: "pobre criança".

No instante seguinte, Lucius e Narcisa desejaram friamente que os recém chegados ficassem à vontade e se afastaram, seguindo ao encontro do Ministro da Magia para cumprimentá-lo. Após um breve olhar para sua mãe, que concordou com um sorriso, Harry seguiu Draco para se juntar à Pansy e às outras crianças de sua idade, arrastando um irritado Tom, que ainda não havia soltado seu braço. Enquanto isso, apanhando uma taça de espumante cada um, James, Lily e Sirius decidiram circular pela festa para conseguir qualquer informação relacionada aos ataques desses bruxos das trevas.

- Harry, você está lindo – uma sorridente Pansy logo abraçou o amigo, que corou, deixando que a menina avaliasse sua bela túnica esmeralda com olhos apreciativos.

- Obrigado, Pansy, você também está muito bonita.

- É claro que sim – piscou, rodopiando em seu vestido de pregas e rendas roxo e prata.

- Crabbe, Goyle.

- Olá, Harry – cumprimentaram os dois.

Tom revirava os olhos quando uma voz animada soou ao lado:

- Hey, Tom, eu não esperava vê-lo aqui.

- Montague – grunhiu, numa ríspida saudação – Pucey.

- Seus pais também arrastaram você para isso? – suspirou Adrian, ganhando uma cotovelada de Montague – Ai!

- Não seja chato, Adrian! Veja todas essas bruxas lindas, desfilando em belos vestidos justos e decotados...

Tom não achava que esse caloroso encontro pudesse ficar pior, mas para sua decepção a irritante voz de Dafne Grengrass logo provou o contrário:

- Olá, Tom, que surpresa agradável vê-lo aqui.

- Não posso dizer o mesmo – replicou, abraçando o irmão menor, que logo lançou um olhar venenoso para a bonita menina de vestido de seda cinza-prateado. Harry não sabia exatamente o porquê, mas sua vontade era arrancar os cabelos louros de Grengrass com as próprias mãos sempre que esta colocava seus predadores olhos em Tom.

- E vejam o pequeno Harry – sorriu friamente, ignorando as palavras cortantes de Tom – sempre tão adorável.

Com pouquíssima delicadeza, Dafne arrastou uma menina pequena, talvez um pouco mais nova do que Harry, de cabelos louros e desinteressados olhos azuis, colocando-os frente a frente:

- Harry, conheça minha irmã caçula, Astoria.

- Er... Olá, Astoria... – cumprimentou ligeiramente confuso, sentindo os braços de Tom apertarem ao redor da sua cintura.

- Olá.

- Perfeito, agora vocês dois podem encontrar um local mais íntimo para conversar e você pode fazer a gentileza de me levar ao jardim, não é mesmo, Tom?

Naquele momento, Draco, Adrian e Montague trocavam um olhar cúmplice, como se apostassem nas possíveis reações de Tom, que sempre acabavam humilhando a pobre menina. Pansy, por sua vez, lançava um olhar de desdém para as irmãs Grengrass enquanto Crabbe e Goyle pareciam mais interessados nos elaborados canapés desfilando nas bandejas do que no áspero intercâmbio em si.

- Eu não tenho interesse em levá-la para lugar algum – respondeu Tom.

- Mas...

- Agora eu sugiro que você e sua irmã nos deixem em paz.

- Sinto muito, mas Astoria estava louca para conhecer o pequeno Harry, por isso eu...

- Eu não estava não – interrompeu a menina menor – Você me prometeu outra boneca se eu: "distraísse o pirralho irritante para que você pudesse fisgar seu irmão" – afirmou, recitando linha por linha as palavras da irmã.

- Astoria!

Montague e Draco imediatamente caíram na gargalhada. Pansy deixou escapar algumas risadinhas e Adrian revirou os olhos em silenciosa diversão. O próprio Harry tentava conter um sorriso divertido enquanto Tom arqueava uma sobrancelha para Dafne, que estava mais vermelha do que os cabelos dos Weasley.

- Você é patética, Grengrass.

Após esta última declaração, Tom sujeitou a pequena mão de Harry, levando-o ao fundo do salão para as portas de vidro que davam acesso a uma escada de caracol forjada em mármore negro que ligava o salão de festas ao enorme jardim da mansão.

E levemente abafada pelo som da música, os dois ainda conseguiram ouvir a impassível voz de Astoria Grengrass perguntar:

- Eu ainda vou ganhar a boneca?

E Harry não conseguiu mais segurar as risadas.

Enquanto isso, Sirius havia deixado James e Lily interrogando... ou melhor, conversando com os irmãos Carrow e suas esposas para sondar ele mesmo o casal Rosier. Contudo, ele ainda não havia achado o irmão do falecido Ethan Rosier quando uma estridente voz chamou seu nome. E um arrepio de terror imediatamente percorreu sua espinha.

Não.

Por favor, não.

Oh, Merlin... Ela não.

- Sirius! Sirius! Sirius!

Com um suspiro resignado, após contar mentalmente até dez, o herdeiro da fortuna Black voltou-se à bela mulher de longos e ondulados cabelos negros, olhos escuros e generoso decote ressaltando o vestido negro que aderia sensualmente à suas curvas:

- Olá Bella.

- Por que você sumiu? – demandou irritada – Eu não o vejo desde... Sempre!

- Ora, você sentiu minha falta?

- É claro que sim! – um brilho obsessivo refletia perigosamente em seu olhar – Mas eu aposto que você prefere ficar com aquele lobisomem imundo e os seus amiguinhos sangues-ruins a ficar com sua própria família.

- Nós não vamos discutir isso, Bellatrix – respondeu friamente – E eu não admito que você fale assim do Remus. Agora, se me der licença, eu preciso ir.

- Não!

- Bella... – suspirou, era sempre a mesma coisa – Onde está o Rodolphus?

- Quem se importa com aquele idiota?

- Não fale assim, Bella, ele é seu marido.

- Deveria ser você!

Oh Merlin...

Isso de novo não.

-... Mas você me rejeitou para ficar com aquele lobisomem nojento e seus amigos sangues-ruins!

- Chega Bellatrix! – arrancando a manga de sua túnica das garras da insana mulher, Sirius se afastou – Eu não me casei com você por não amá-la. E só por isso. Agora, com licença.

Deixando a prima com os olhos brilhando de raiva e mágoa disfarçada, o herdeiro da fortuna Black desapareceu em meio aos convidados, amaldiçoando o desconfortável encontro que sempre acabava da mesma maneira. Onde sua mãe estava com a cabeça quando anunciou o seu casamento com Bellatrix? Depois disso, sua insana prima nunca mais havia sido a mesma. E por um breve momento, Sirius sentiu pena de Rodolphus Lestrange, imaginando os martírios que este deveria agüentar todos os dias.

Naquele momento, Harry e Tom apreciavam a magnífica vista do jardim, sentados num dos bancos de mármore, e o menor não podia deixar de sorrir ao passar a mão nas penas macias de um dos pavões albinos, sob o atento olhar de seu irmão. Pois eram animais dóceis, mas mesmo assim, Tom se preocupava pelo bem-estar de Harry.

- Nós não deveríamos voltar para a festa?

- Não, prefiro ficar aqui com você, pequeno.

- Oh...

- Por quê? Algum problema?

- Não, não é nada – sorriu, respondendo rápido demais. E Tom obviamente notou o deslize.

- Harry... – advertiu.

- Draco pediu para dançar comigo – murmurou – acho que ele vai ficar chateado se eu não aparecer.

- Você não vai dançar com aquele idiota.

- Mas Tom...

- Não vou discutir com você – interrompeu, os olhos castanho-avermelhados brilhando de irritação – assunto encerrado, ouviu?

- Eu gosto de dançar – respondeu baixinho, desviando o olhar – E sei dançar muito bem desde que você me ensinou.

Levantando-se de repente, Tom puxou o irmão para os seus braços, fazendo o menor ofegar de susto e encará-lo com os olhos verdes brilhando e o rosto corado:

- Dance comigo.

Harry piscou duas vezes.

E Tom fez uma profunda reverência.

E sem esperar pela resposta do irmão, Tom começou a deslizar habilmente pelo gramado conduzindo de maneira impecável o menino em seus braços. A bela música tocada pela orquestra inundava o ambiente bucólico de flores exóticas e esculturas de mármore e com um radiante sorriso nos lábios, Harry se deixava guiar sentindo a brisa fresca do anoitecer acariciando sua face.

- De fato, você dança muito bem, pequeno.

- Isso porque eu tive um ótimo professor.

- Com certeza – piscou divertido.

- Obrigado, Tom.

- Pelo o quê? – perguntou curioso, sem interromper seus habilidosos passos.

- Por sempre me fazer feliz – Harry sorriu, apoiando o rosto corado no peito de Tom. E com puro deleite pôde ouvir os batimentos acelerados sob a túnica negra do irmão.

- Eu que devo agradecer.

- Por quê?

- Por você existir – murmurou, pousando seus lábios nos cabelos negros desordenados que exalavam um delicioso perfume de hortelã.

E Harry, com um sorriso travesso, perguntou:

- Você ainda não vai me deixar dançar com o Draco, né?

- Não.

- Ciumento.

- Muito.

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Para o descontentamento de James, Lily e Sirius, nada de útil havia sido averiguado no baile dos Malfoy, salvo o fato de o ideal purista imperar nas concepções da maioria dos convidados, ainda que este fato não pudesse acrescentar em nada na investigação sobre os ataques dos bruxos das trevas. Dessa forma, o casal Potter precisou fazer uso de todo o seu autocontrole para não amaldiçoar uma dúzia de magos e bruxas preconceituosos e metidos – incluindo os anfitriões da festa –, enquanto Sirius esgueirava-se pelos cantos fugindo de sua obcecada prima, Bellatrix, que ainda não havia superado a rejeição de um casamento arranjado e Harry e Tom desfrutavam da companhia um do outro no belo jardim da mansão, onde um amigável elfo doméstico, Dobby, havia levado alguns sanduíches finos e dois copos de suco para os irmãos.

Finalmente, ao término da magnífica festa, James, Lily e Sirius voltaram para casa sem qualquer informação importante, somente com uma enorme dor de cabeça devido aos discursos preconceituosos e sorrisos esnobes trocados pela maioria dos convidados. Harry e Tom, no entanto, aproveitaram cada segundo, ainda que Draco houvesse se despedido de Harry com um pequeno muxoxo por não ter passado mais tempo com o amigo, mas garantido que o veria em breve em Hogwarts.

Agora, minutos antes de usarem uma chave de portal para chegar à plataforma 9 ¾, na qual embarcariam no Expresso Hogwarts para retomar o ano letivo na escola, Harry e Tom se encontravam sentados no escritório de seu pai ouvindo o solene discurso deste e de Sirius:

- E a mãe de vocês não pode nem sonhar com isso.

- Ela nos mataria.

- Esquartejaria.

- Queimaria.

- E finalmente – suspirou James – jogaria nossos restos mortais no Lago Negro.

- Nós já entendemos, papai.

- Tem certeza, Harry?

- Absoluta.

- Afinal, que misterioso objeto é esse que vocês querem nos dar envolvendo todo este segredo? – Tom não podia deixar de revirar os olhos, imaginando que seriam algumas bombas de bosta.

Mas para sua surpresa, seu pai retirou um pedaço de pergaminho velho da gaveta:

- Este pergaminho, meus queridos filhos, é a maior herança que os marotos deixaram para vocês.

- Herança? – burlou-se o maior – Um pergaminho velho?

- Não é apenas um pergaminho velho, Tom – explicou Sirius – mas um mapa em tempo real de todos os cômodos e passagens secretas de Hogwarts, que ainda mostra quem está circulando pelo castelo e por seus arredores, chegando quase à Hogsmeade.

Neste momento, Harry e Tom trocaram um olhar perplexo.

E James continuou explicando:

- É muito simples, basta apontar a varinha e dizer: "juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom". E quando terminar é só dizer: "mal feito, feito". Dessa forma, ninguém poderá ler.

- Por que vocês estão nos dando isso agora?

- Porque eu achei melhor esperar que o seu irmão também começasse a estudar em Hogwarts para que os meus dois filhos pudessem desfrutar desta preciosa herança. Com isso, vocês poderão fazer inúmeras travessuras juntos sem o risco de serem pegos, então é o melhor presente de Natal que poderíamos pensar.

- Mas tomem cuidado com o Moony, porque ele ajudou a fazer o mapa – avisou Sirius –, ainda que seja óbvio que ele não vá dar nenhuma detenção para vocês.

Sabendo disso também, os dois irmãos compartilharam um pequeno sorriso.

- E não esqueçam...

-... Não sejam pegos!

Com um sorriso confiante, Harry e Tom assentiram.

O que eles não sabiam, naquele momento, é que uma importante ferramenta havia sido entregue em suas mãos. Uma ferramenta que ainda os ajudaria a enfrentar grandes perigos.

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De volta à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts os meses pareciam passar devagar, pelo menos para Harry e seu irmão. Mas, para a maioria dos estudantes, a data de início dos exames finais se fazia cada vez mais próxima. Hermione, por exemplo, andava pelos corredores murmurando fórmulas de poções e feitiços diversos; Draco estava sempre com um livro novo nas mãos; e mesmo Pansy havia trocado suas revistas de moda pelas anotações das aulas.

Harry, no entanto, sentia-se tranqüilo, pois todas as suas dúvidas eram respondidas por Tom enquanto estudavam no seu lugar usual e reservado da biblioteca.

Ele se sentia confiante.

Isto porque não existia professor melhor do que seu irmão.

A situação com Quirrell também parecia acomodada, pois este não se via fora da mira de Snape. Mas numa noite, Harry notou que o professor de Poções não havia aparecido no jantar e ao questionar Hermione, descobriu que a explosão do caldeirão de Neville mais cedo levara os dois para a enfermaria, onde provavelmente passariam a noite sob os cuidados de madame Pomfrey. E para aumentar ainda mais o nervosismo de Harry, Dumbledore também se ausentara da escola ao receber uma carta urgente do ministério e assim, criava-se o momento perfeito para Quirrell roubar a Pedra Filosofal.

Com isso em mente, naquela noite, Harry e Tom se encontravam no salão comunal Slytherin observando cuidadosamente os passos do professor de Runas Antigas pelo mapa do maroto. E pela primeira vez, Tom admirava a inteligência de seu pai.

O mapa era simplesmente incrível.

- Veja, ele está indo para o corredor proibido do terceiro andar.

- Eu sabia! – Harry ofegou – Devemos chamar o Draco, a Pansy e a Mione?

- É claro que não, eles só vão nos atrapalhar.

Com um pequeno sorriso, Harry revirou os olhos, mas não discutiu, sabendo que assim seus amigos não correriam perigo. Estranhamente, ele não se preocupava com a própria segurança, pois a simples presença de Tom ao seu lado garantia que nada nem ninguém poderia lhe fazer mal.

- Tem certeza que você quer ir também?

- Nós já conversamos sobre isso, Tom, eu não vou deixá-lo sozinho.

- Eu sei. E eu não vou deixar nada acontecer a você.

- Então vamos.

- Vamos. Eu tenho algumas contas a acertar com aquele maldito gaguinho – desdenhou, sujeitando perigosamente a varinha.

Com o auxílio do mapa, Harry e Tom seguiram ao corredor do terceiro andar despistando todos os monitores e professores em suas rondas noturnas, deparando-se finalmente com a porta de madeira que já se encontrava aberta, por onde provavelmente Quirrell acabara de passar. Sem hesitar e com um feitiço certeiro, Tom atingiu o cachorro de três cabeças, que caiu desmaiado no chão. E Harry ainda agarrava as costas da túnica do irmão quando os dois pularam no alçapão escuro, aterrissando em algo macio e úmido.

- Eu espero que Dumbledore nos dê um prêmio por serviços prestados à escola quando salvarmos sua pedra – murmurou Harry, sem conseguir distinguir o que exatamente havia amparado a queda.

- A pedra realmente não me interessa, mas eu não posso perder a oportunidade de torturar o maldito desgraçado que tentou ferir você.

- Torturar?

- Com feitiços inofensivos, é claro – mentiu.

- É claro que sim – suspirou o menor – Mas afinal, onde nós estamos?

- Parece uma espécie de planta...

- Ela está se mexendo!

- Oh, agora me lembro, isso é Visgo do Diabo – afirmou, abraçando a cintura do irmão, que havia caído em seu colo, e apontando a varinha para baixo: – Lumos Solem!

Em questão de segundos, os dois sentiram a planta afrouxar e se encolher, fugindo da luz e fazendo com que caíssem no chão frio.

- Este feitiço imita a luz do sol e Visgo do Diabo é muito sensível a esse tipo de luz – explicou o maior. E Harry revirou os olhos sem deixar de sorrir.

- Só você mesmo para se lembrar das aulas de Herbologia numa hora dessas.

- Conhecimento é poder, Harry, lembre-se disse.

- Sim, senhor – respondeu divertido.

Seguindo por um corredor de pedra que era o único caminho que havia, os dois ouviam apenas o som de seus passos se misturando ao barulho dos pingos abafados de água que escorria pela parede. Finalmente, chegando ao final do corredor, Harry e Tom se depararam com uma câmara mal iluminada na qual se perdia a vista do teto. Acima de suas cabeças flutuavam centenas de chaves brilhantes que se assemelhavam a pequenos pássaros e ao observar a vassoura velha apoiada num canto, Tom imediatamente matou a charada.

- Isso só pode ser brincadeira – suspirou – Quanto trabalho desnecessário.

- Eu vou buscar a chave, não se preocupe, posso voar muito rápido.

- Eu sei, mas não vou arriscá-lo – respondeu seriamente. Em seguida, Tom lançou um feitiço imobilizador em todas as chaves, que imediatamente pararam de bater as asas e voltou-se à porta trancada: - Bombarda!

Ao ouvir o barulho da explosão, Harry se encolheu atrás do irmão, assustado.

- Vamos.

A câmara seguinte era tão escura que não dava para ver absolutamente nada. Mas, ao entrarem nela, a luz inesperadamente inundou o aposento, revelando um enorme tabuleiro de xadrez sobre o qual estavam parados. De frente para eles, obstruindo a passagem, estavam dispostas as peças brancas.

- Ótimo, vamos ter que jogar – comentou Tom, exasperado.

- Mas...

- Não se preocupe pequeno, será rápido – garantiu – Não estou com muita paciência hoje.

- Ok.

- Assuma o lugar do rei. Eu serei o bispo.

Para assombro de Harry, que observa o irmão com pura admiração e incredulidade, a partida não durou mais de oito minutos. E quando o rei branco tirou a coroa, ao som poderoso da voz de Tom anunciar: "cheque-mate", Harry não pôde conter a emoção e se jogou nos braços do irmão quando as peças brancas finalmente se afastaram dando passagem:

- Isso foi incrível, Tom!

- Na verdade foi fácil.

- Metido – brincou.

- Estou apenas sendo sincero – piscou, bagunçando os cabelos rebeldes do menor – Agora vamos, temos um charlatão idiota para impedir.

Ingressando na última câmara, redonda e fria, Harry e Tom observaram o conhecido turbante roxo se destacar ao centro do aposento. Era Quirrell, observando furiosamente o que parecia ser um espelho grande e ornamentado, suas mãos viajando em todas as direções da túnica roxa como se estivesse à procura de algo.

- Maldição! Eu vejo a pedra, mas não estou com ela!

- Boa noite, professor – cumprimentou a voz fria de Tom. E Harry silenciosamente admirava o irmão, que parecia tão alto e poderoso, observando Quirrell com o desprezo de quem observa um rato preso numa ratoeira.

- O que?! O que vocês dois estão fazendo aqui?!

- Ora, nós podemos fazer a mesma pergunta.

- Potter – Quirrell grunhiu, olhando furiosamente para Tom.

- Vamos, seja um cavalheiro, professor – sorriu friamente – E talvez nós possamos ajudá-lo.

- Do que você está falando? Você sabe onde está a pedra?

- Talvez...

- Entregue-me isto, Potter, agora!

- Ora, ora, não é assim que se pede um favor.

Com um olhar assassino, Quirrell lhes apontou a varinha:

- Bastam algumas palavras, Potter, e você e o seu irmãozinho irão desejar uma morte rápida.

- Como você desejou naquela partida de Quadribol?

Sorrindo maliciosamente, Tom continuou:

- Tantos dias na enfermaria, não deve ter sido muito agradável...

- Seu moleque!

- Agora, diga-me, por que você tentou matar o meu irmão?

Encarando-os com perspicácia, Quirrell decidiu lhes dizer a verdade e assim, tentar descobrir se o pirralho Potter realmente estava com a pedra. Não seria uma idéia absurda, pois Dumbledore protegia-os visivelmente acima dos outros alunos e seu pai era o chefe dos Aurores.

Sim, a pedra poderia muito bem estar com eles.

- Bem, nada criaria uma distração melhor do que o filho do chefe dos Aurores estatelado no gramado do campo de Quadribol – burlou-se o professor – Snape e Dumbledore sequer notariam a minha ausência durante o alvoroço que seria levar o seu irmãozinho às pressas para a enfermaria.

Protegido às costas do irmão, Harry lançava um olhar ressentido à Quirrell. Contudo, sua atenção logo foi capturada pela própria imagem no espelho, que mostrava o seu reflexo guardando uma pedra vermelha no bolso da túnica com uma piscadela e um sorrisinho maroto.

Será...?

- Mas o seu plano não deu muito certo.

- E agora eu sei que a culpa foi sua, pirralho! – grunhiu, faíscas vermelhas saindo da varinha – Mas não é tarde demais. Eu vou conseguir essa maldita pedra esta noite e depois disso, ninguém poderá deter a Ordem Negra.

- Ordem Negra? – questionou Tom. E Harry arqueou uma sobrancelha, confuso.

- Sim, este grupo de bruxos das trevas que o papai de vocês tanto investiga – sorriu com malícia – A poderosa Ordem Negra, que sob o comando do Imperador irá livrar o mundo mágico de sangues-ruins e mestiços nojentos como vocês.

- Isso é ridículo, mestiços e nascidos-muggles configuram a maior parte de poder mágico no nosso mundo.

- Não é ridículo! É um ideal! Um sonho! E com a Pedra Filosofal teremos poder mágico e ouro o bastante para conseguir formar o maior exército já visto!

Interessante... – pensou Tom -... Devo continuar a extrair informações.

E com um sorriso de desdém, provocou:

- Aposto que você nem foi aceito para esta tal Ordem ainda.

- Do que você está falando?!

- Ora, todos os bruxos das trevas que fazem parte desse seu grupinho estão sob um juramento inquebrável, não é mesmo? Meu pai me contou que vocês não podem dar qualquer informação sem caírem mortos no chão, mas aqui está você jogando aos quatro ventos seus planos...

- Não é verdade! O Imperador apenas não quis arriscar que Dumbledore percebesse o feitiço, mas eu sou tão leal quanto os outros!

- Me parece que você é apenas um bode-expiatório descartável.

- Ora seu...! Crucio!

Tom desviou com facilidade e puxou Harry para protegê-lo, mas não conseguiu ser rápido o bastante e agora, gritando desesperadamente, seu irmãozinho se contorcia no chão.

Quirrell sorriu com maldade.

Mas seu sorriso desapareceu no instante seguinte...

Os olhos de Tom haviam sido inundados por vermelho. Vermelho de ódio. Vermelho de fúria. Vermelho puro e assassino tomando o lugar da íris escura. E sem pensar em mais nada, ouvindo apenas os gritos de seu irmão, duas palavras decisivas deixaram os seus lábios. Um feitiço rápido e certeiro. Quirrell não teve tempo de se defender, não teve tempo de gritar, estava tudo acabado quando a luz verde o atingiu:

- Avada Kedrava!

E na mesma hora, os gritos de Harry cessaram.

E o corpo de Quirrell caiu sem vida no chão.

A maldição Cruciatus não havia durado mais de quinze segundos e, ofegante, Harry conseguiu se sentar, sentindo apenas os músculos doloridos e uma forte do de cabeça começando a surgir. Contudo, todo o seu desconforto desapareceu quando ele notou o irmão ajoelhado ao seu lado, os olhos vermelhos assustadores ainda fixados num ponto distante, onde seu professor havia caído.

- Tom! Fale comigo, por favor! – balançando os ombros do irmão, Harry observava o vermelho brilhar nos olhos bonitos de Tom.

-...

- Tom!

-...

- Tom, por favor!

-...

- Por favor, você está me assustando... – murmurou. E finalmente, os olhos castanhos se fixaram nos seus, cheios de preocupação e receio.

- Desculpe pequeno, você está bem?

- Sim, você me salvou – sorriu, mas o pequeno sorriso desapareceu ao lançar um olhar assustado para o corpo caído no centro da habitação – Ele está...?

- Morto?

- É.

- Sim, eu usei a maldição assassina.

Tom olhava com certo temor para o menor, talvez esperando que Harry surtasse ao ver que o irmão havia usado um dos mais poderosos feitiços de magia negra para matar alguém. Mas Tom não se arrependia de ter matado Quirrell, apenas de não ter torturado o maldito professor primeiro para compensar toda a dor que este fizera seu irmão passar.

No entanto, suspirando nervosamente, Harry apenas perguntou:

- Como vamos esconder o corpo?

Pegando Tom completamente de surpresa.

- Se alguém descobrir, você irá para Azkaban, precisamos fazer alguma coisa! – a urgência na voz pequena fez o coração de Tom se encher de ternura. E com um sorriso nos lábios, ele observava claramente que a única preocupação de Harry era o seu bem-estar.

- Não se preocupe pequeno, eu conheço alguns truques.

Habilmente Tom usou um poderoso feitiço obscuro para reduzir o corpo do professor de Runas Antigas a pó, sob o olhar admirado de Harry. E no instante seguinte, como se houvessem cronometrado os fatos, Dumbledore e mais dois Aurores desconhecidos interromperam no aposento.

- Harry, Tom, meus queridos meninos – sorriu o diretor – Vocês estão bem?

- Sim, professor, e aqui está sua pedra – Harry conseguiu sorrir, retirando o pequeno objeto do bolso de sua túnica sob o olhar perspicaz do diretor.

- Como...?

- Ah, minha idéia mais criativa, somente quem quisesse a pedra para não usá-la poderia obtê-la – cantarolou, respondendo a pergunta de Tom.

E com um sorriso jovial, continuou:

- Agora talvez seja melhor nós conversarmos no meu escritório.

- E o Quirrell? – um dos Aurores perguntou.

- Sumiu – respondeu Harry, naturalmente – Ele ouviu vocês chegando e usou uma chave de portal.

- Aquele maldito, foi por pouco!

Dumbledore, porém, observava atentamente os dois irmãos, um brilho astuto em seu olhar.

- Vamos! – Harry puxou a mão de Tom para seguir os adultos, sem notar que o olhar deste estava perdido no espelho, o rosto ligeiramente corado ao observar tal imagem.

-x-

No escritório de Dumbledore, Harry e Tom relataram ao diretor e aos Aurores todo o ocorrido, omitindo apenas o desfecho com a maldição da morte e substituindo-o pela fuga covarde de Quirrell com uma chave de portal que este parecia guardar para tal emergência. Os Aurores anotavam todas as informações avidamente, quando um deles teve a brilhante idéia de sugerir que Tom fosse submetido a Legilimens para averiguar se o jovem mago não havia deixado passar nenhum detalhe:

- Não! – Harry se exaltou – Vocês não vão vasculhar a cabeça do meu irmão!

- Isso é ilegal.

- Os meninos estão certos – sorriu Dumbledore.

- Mas senhor...

- Talvez seja melhor que Tom lhes conceda sua memória dos acontecimentos recentes, tenho certeza de que isto também poderá ajudar – o tom do diretor era conclusivo.

- Sim, senhor.

Com um imperceptível suspiro aliviado, Tom passou a remover suas memórias para um pequeno frasco de vidro, modificando habilmente a parte condenatória. E a julgar pelo sorriso cúmplice de Dumbledore, este parecia saber a extensão de tudo o que havia acontecido naquela câmara.

Maldito velhote onisciente...

Os pensamentos de Tom, porém, logo regressaram à imagem refletida pelo espelho.

E olhando para Harry de soslaio, seu rosto se viu novamente tingido de vermelho.

O que significava aquilo afinal?

- Vocês estão liberados, garotos – afirmou um dos Aurores, ao guardar o frasco com as memórias modificadas de Tom – E meus parabéns, foram muito corajosos hoje.

- Sem dúvida provaram que são filhos do chefe.

Os meninos, no entanto, ignoraram os elogios e com um pequeno aceno se afastaram em direção à porta, o sono e o cansaço enfim se fazendo presentes.

Mas antes de sair, Tom interrompeu seus passos e finalmente se voltou ao diretor:

- Aquele espelho, o que ele mostra?

Harry também apurou os ouvidos, curioso:

- Ah, o espelho de Ojesed – sorrindo enigmaticamente, Dumbledore respondeu: – Ele nos mostra nada mais nada menos que o desejo mais íntimo, mais desesperado de nossos corações.

Com o rosto ainda mais vermelho, um rubor claramente envergonhado, Tom se retirou do escritório arrastando um confuso Harry e batendo a porta à suas costas.

E sorriso de Dumbledore cresceu ainda mais.

-x-

No final da semana houve a festa de fim de ano. E no momento em que Tom e Harry cruzaram as portas do Salão Principal, fez-se um silêncio momentâneo e em seguida, todos começaram a falar alto ao mesmo tempo, apontando para os irmãos com os olhos cheios de admiração e incredulidade. Ou inveja e descrença, no caso de Rony Weasley. E Harry suspirou, sabendo que aquilo era obra da língua rápida e viperina de Pansy, que provavelmente havia contado sobre sua aventura com uma impressionante riqueza de detalhes ilustrados por sua mente imaginativa.

- Harry, eu tentei impedi-la! – defendeu-se Draco, olhando furiosamente para Pansy, que apenas sorria divertida.

- Grandes feitos devem ser contados, oras. Todos precisavam saber que vocês conseguiram salvar a famosa pedra filosofal e ainda colocar o meliante do Quirrell para correr com o rabinho entre as pernas.

Na mesa das serpentes, sentada ao lado de Pansy, Hermione apenas balançava a cabeça inconformada com o perigo que os dois irmãos tinham corrido.

- Eu aposto que o Quirrell fugiu quando Tom olhou para ele – burlou-se Montague – O pobre coitado não poderia lidar com a cara assustadora que o nosso querido amigo faz quando algo ameaça o seu irmãozinho.

- Cale a boca, Montague.

- Viram? Assustadora!

Felizmente, Dumbledore se levantou antes que Tom amaldiçoasse Montague:

- Mais um ano se passou! – disse alegremente – E que ano maravilhoso, diga-se de passagem, com muito mais harmonia e interação entre as quatro casas – piscou para Harry, que corou, sentado ao lado do irmão – Agora pelo o que eu entendi, a Taça das Casas deve ser entregue e a contagem de pontos é a seguinte: em quarto lugar Gryffindor, com trezentos e quarenta e cinco pontos; em terceiro Hufflepuff, com trezentos e cinqüenta pontos; em segundo Ravenclaw, com quatrocentos e vinte e seis; e Slytherin com quatrocentos e setenta e dois pontos.

- Genial! – gritaram Derrick e Montague.

E uma enxurrada de aplausos interrompeu na mesa das serpentes. Harry sorria feliz, aplaudindo, mesmo que sua casa estivesse em último lugar, pois ele se sentia orgulhoso pelo irmão.

- Sim senhores, meus parabéns, aos Ravenclaws e Hufflepuffs também, mas precisamos levar em conta os recentes acontecimentos.

A sala mergulhou em profundo silêncio.

- Por isso, eu gostaria de conceder cem pontos para os senhores Harry e Thomas Potter pela brilhante demonstração de coragem e esperteza que protegeram esta escola.

- Harry, nós ficamos em segundo! – exclamou Hermione.

- Sim... – murmurou ainda em choque, ouvindo a enxurrada de aplausos que novamente se seguiu no momento em que a bandeira Gryffindor substituiu a Ravenclaw. Mas seu estupor logo desapareceu quando Tom lhe beijou o topo da cabeça, sussurrando carinhosamente:

- Meus parabéns, pequeno.

E agora, um brilhante sorriso dançava em seus lábios:

- Obrigado, Tom.

- Vejam só a cara dos Ravenclaws! – gritou Montague, e mesmo Hermione não podia deixar de sorrir divertida.

-x-

No dia seguinte, os alunos embarcaram no Expresso Hogwarts para voltarem para suas casas e Harry se despediu calorosamente de seus três amigos afirmando que escreveria várias cartas para eles antes de seguir o irmão para sua cabine privada usual. Com o cenho franzido, Harry notou que Tom parecia nervoso e evitava seu olhar, mas não disse nada, permanecendo em silêncio ao lado do mais velho durante os primeiros vinte minutos da viagem.

Mas o silêncio logo se tornara sufocante para Harry, que murmurou:

- Aconteceu alguma coisa? – buscando os olhos castanhos que sempre o fitavam cheios de afeto.

Tom, no entanto, permaneceu a encarar o livro de poções aberto numa página qualquer em seu colo e respondeu simplesmente:

- Não, está tudo bem.

- Mas...

- Harry, eu estou tentando ler, por favor.

- Mentira! – num rompante de irritação, o menor jogou o livro para o banco da frente e se sentou no colo do irmão, encarando-o intensamente com as belas esmeraldas, nas quais já se acumulavam pequenas lágrimas – O que aconteceu? Fale comigo, por favor.

- Eu... – suspirou, desviando o olhar.

- Por favor, Tom!

- Eu matei um homem, Harry – disse friamente – Você não está com medo de mim?

E ao notar o silêncio que se seguiu, Tom desviou olhar outra vez, observando a imagem da bonita vegetação montanhosa pela janela do vagão enquanto o coração apertava dolorosamente em seu peito.

Mas de repente a voz suave de Harry o surpreendeu:

- É por isso que você está assim? – um sorriso pequeno se desenhava nos lábios rosados – Não seja bobo, Tom.

- O que...?

- Eu nunca teria medo de você.

- Tem certeza?

- É claro que sim. Eu sei que você fez isso para me proteger.

- E faria outra vez – afirmou com seriedade – Eu mataria quem quer que fosse preciso para protegê-lo.

E Harry sorriu, pois o brilho afetuoso havia voltado aos belos olhos castanhos de seu irmão.

- Obrigado, Tom.

E seus lábios se uniram mais uma vez.

E Tom não pôde deixar de se lembrar da imagem refletida pelo espelho de Ojesed, o coração disparado em seu peito, enquanto suas mãos possessivas abraçavam a cintura pequena de maneira pouco fraternal, mas apaixonada.

- É bom estar indo para casa, não é?

- Sim, é muito bom, pequeno.

Continua...

Próximo Capítulo: - Uma serpente?

- Eu tenho nome, menino – sibilou o réptil – Um nome muito bonito, ouviu? Meu nome é Nagini.

- Muito prazer, Nagini – Harry sorriu, sob o olhar perplexo do irmão, sem se dar conta de que os dois estavam conversando tranquilamente com uma serpente. Uma serpente muito excêntrica, diga-se de passagem.

-x-

N/A: Olá, meus leitores amados do coração! Peço desculpas pelo pequeno atraso, mas para compensar entrego a vocês um capítulo bem longo! Espero que apreciem!

Como vocês podem ver através da prévia do próximo capítulo, nossa amada Nagini finalmente irá aparecer! Já não era sem tempo, né? Eu particularmente estava ansiosa para colocá-la na história. Também poderemos conferir no próximo capítulo o que o Tom viu refletido no espelho de Ojesed... Hehehe... Alguma suspeita? Já posso adiantar que esta imagem irá "segui-lo" por vários capítulos... E irá despertar inusitadas emoções no adolescente! Bem, vejamos o que vai acontecer!

Agora eu gostaria de agradecer de todo o meu coração pelas lindas REVIEWS de:

Meel Jacques... ... Nando Rowling... vrriacho... musme... TaiSouza... Boarcas... Mary P. Malfoy... Sandra Longbottom... Dyeniffer Mariane... Kamilla Riddle... Aziza Phoenix... Lady Slytherin of Camelot... Nicky Evans... E lunynha!

E gostaria também de convidá-lo para conferir minha NOVA FIC:
O Charme da Insanidade.
Nesta história, o nosso pequeno Harry trabalha como médico residente no Hospital Psiquiátrico de Hogwarts, onde conhece o sedutor paciente, Tom Riddle, um perigoso assassino com transtorno de personalidade narcisista e características maníaco-obsessivas, que logo se vê interessado no lindo médico.
Espero que gostem!

Um grande Beijo! E até a próxima semana!