Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

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O lugar era frio, escuro e sem vida, mas não menos impressionante, como um museu visto na calada da noite, no qual as obras de arte se destacam em meio às sombras: assustadoras, mas magníficas. E nada descreveria melhor o local em que Harry, Tom e Nagini se encontravam agora do que a combinação obscura e indubitavelmente Slytherin de beleza e trevas.

Seguindo por uma câmara muito comprida e mal iluminada, destacavam-se altas colunas de pedra entrelaçadas com cobras em relevo sustentando o teto que se perdia na escuridão, projetando longas sombras negras na luz estranha e esverdeada que iluminava o lugar. Seus passos ecoavam nas paredes sombreadas à medida que avançavam por entre as colunas serpentinas, observando que no final daquele enorme corredor havia um rosto gigantesco talhado em pedra.

O rosto de Salazar Slytherin.

Os irmãos, portanto, logo puderam concluir que aquele era o aposento pessoal e secreto de Salazar Slytherin. Em seguida, circulando pelas paredes de pedra e corredores que se perdiam de vista, Harry e Tom descobriram vários aposentos curiosos, pois em meio a cada coluna de pedra serpentina encontrava-se uma habitação diferente. Eram mais de quinze divididas em quatro salas elegantemente decoradas, três quartos com camas enormes e confortáveis, cinco banheiros forjados inteiramente em mármore com enormes banheiras que saíam do piso, três laboratórios para preparo de poções que contavam com ingredientes que o professor Snape sequer poderia sonhar e é claro, o cômodo pelo qual Tom havia se apaixonado instantaneamente: uma enorme biblioteca, equivalente a da própria escola, que, no entanto, possuía um acervo de livros de conteúdo "duvidoso" – ou seja, magia das trevas – que sequer a Sessão Reservada possuía.

- Esse lugar é incrível – afirmou Tom, rodeado por uma pilha de livros que jamais estariam expostos na Floreiros e Borrões, talvez nem mesmo nas livrarias da Travessa do Tranco, nas quais, diga-se de passagem, seus pais não o permitiam ir.

- Salazar tinha bom gosto – concordou o menor, recostado numa elegante poltrona de couro ao lado de seu irmão. Nagini, por sua vez, tirava um merecido cochilo no tapete felpudo em frente à lareira de pedra.

- Eu me pergunto como ninguém descobriu este lugar antes.

- Nagini nos disse que apenas um falante de Parsel poderia entrar. Talvez Salazar só gostasse daqueles que pudessem falar a língua das cobras, como ele mesmo.

- Talvez – murmurou, lembrando-se das palavras do Chapéu Seletor mais uma vez:

"O herdeiro...".

Será?

- Hermione e Draco vão adorar essa biblioteca também. E Pansy, é claro, vai se apaixonar pela decoração, já estou até vendo.

- Você pretende trazê-los aqui? – o maior questionou com uma pontada de aborrecimento em sua voz.

- Humm... Sim?

Contudo, ao notar a contrariedade óbvia nas feições de seu irmão, Harry repensou sua resposta:

- Você preferia que eu não os trouxesse aqui? – perguntou suavemente.

- Sim. E tenho certeza de que Salazar também iria preferir deste modo, sem intrusos incapazes de falar o idioma que ele tanto prezava em seus aposentos.

- Tudo bem – Harry sorriu – este será o nosso segredo então.

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Semanas após a descoberta da câmara, Harry e Tom continuavam a sumir todas as noites, geralmente depois do jantar e antes do toque de recolher, aproveitando para apreciar cada livro de conteúdo duvidoso – no caso de Tom –, ou apena cochilar enrolado a Nagini, jogar alguns jogos na espaçosa sala de estar e apreciar a silenciosa companhia de seu irmão – como fazia Harry. Seus amigos, é claro, sequer poupavam um pensamento a estes sumiços, pois sabiam que os irmãos, por vezes, precisavam de um momento para si.

Certa noite, porém, quando Harry e Tom acabavam de sair da câmara de Slytherin e seguiam pelos corredores mal iluminados do castelo em direção à Torre Gryffindor, uma curiosa cena os deteve: caída no chão repleto de água se encontrava a gata de Argus Filch, sem se mexer, sem respirar...

- Ela está morta? – Harry perguntou ao irmão, preocupado.

- Não – respondeu o maior, abaixando-se para olhar mais de perto – Está petrificada.

- Petrificada? Mas como?

- Eu não sei.

- Quem poderia ter...? – Harry, porém, viu-se interrompido por um angustiado grito:

- Madame Norrra! – o zelador, chegando de repente, havia se jogado no chão ao lado de sua gata – Minha preciosa! Oh, o que fizeram para você?

- Zelador Filch... – murmurou o jovem Gryffindor, que, no entanto, deu um assustado pulo para trás ao ouvir os acusadores gritos do zelador:

- Vocês! Seus pirralhos! O que vocês fizeram para a minha gata?!

Tom, ao notar as mãozinhas trêmulas do menor se agarrarem a sua túnica, estreitou os olhos perigosamente e içou a varinha na altura dos olhos de Filch:

- Nós não fizemos nada para a sua maldita gata, seu aborto inútil.

- M-mas vocês... – gaguejou, observando a ponta da varinha do garoto assustador ganhar um perigoso brilho esverdeado.

- Tom, por favor, acalme-se.

- Eu estou perfeitamente calmo, Harry.

- Certo. Então tente não amaldiçoá-lo, está bem?

- Vou tentar... – desdenhou, mas, para alívio do zelador, a tranquila voz de Dumbledore os interrompeu:

- Argus, eu preciso que você leve... – ao contemplar a cena, porém, o diretor se deteve – O que está acontecendo aqui?

- Esses pirralhos mataram a minha gata! – acusou, aos gritos, aproveitando que Tom havia baixado a varinha.

Ao lado do diretor se encontravam alguns professores e, logo atrás, inúmeros estudantes que acabavam de sair do Salão Principal se juntavam à cena. Imediatamente, portanto, os burburinhos começaram a percorrer todo o corredor. Hermione, Draco e Pansy apenas trocaram um olhar preocupado, Adrian, por sua vez, prestava pouca atenção ao tumulto, enquanto Montague, ao seu lado, sorria divertido, perguntando-se se a gata estava morta mesmo.

- Ela não está morta, está petrificada – revirando os olhos, aborrecido, o Slytherin continuou – Se quiséssemos matá-la de fato, nós a teríamos dado para Nagini jantar.

- Tom, você não está ajudando! – Harry murmurou, sob as exclamações assustadas que se seguiram – Por favor, diretor, nós não fizemos nada.

- Está tudo bem, Harry, ninguém aqui está acusando vocês.

- Mas eu não os vi no Salão Principal. Então, o que eles poderiam estar fazendo numa hora dessas? – apontou Rony Weasley, sorrindo maliciosamente para os dois irmãos. Contudo, seu sorriso desapareceu depressa e ele se escondeu atrás de um confuso Seamus Finnigan ao notar o perigoso olhar de Tom.

- Eu não estava com fome, Weasley, obrigado por se preocupar – Harry respondeu sarcasticamente, antes que seu irmão amaldiçoasse o garoto ruivo na frente de todos – Tom estava me fazendo companhia na Torre de Astronomia.

- Diretor, se me permite – interveio Remus – Isto parece apenas uma brincadeira de mau gosto com a qual não acredito que Harry e Tom estejam envolvidos.

- E você entende bem de brincadeira de mau gosto, não é mesmo, Lupin?

- Severus, por favor – suspirou Dumbledore – Bem, a meu ver o professor Lupin está certo. Então, com isso esclarecido, vamos todos para a cama.

- Mas minha gata foi petrificada! Eu quero que alguém seja punido!

- Todos são inocentes até que se prove o contrário, Argus. E não se preocupe, a professora Sprout está com uma excelente safra de Mandrágoras este ano, logo poderemos trazer sua gata ao normal.

Ignorando os resmungos do zelador, Dumbledore se voltou aos estudantes curiosos:

- Agora, todos para a cama. Vamos. Vamos.

Pouco a pouco, os corredores começaram a esvaziar. Enquanto isso, Harry e Tom, ao retomarem seu caminho para a Torre Gryffindor, logo se viram rodeados por Hermione, Draco, Pansy, Adrian e Montague, o qual pediu animadamente a Tom:

- Cara, por favor, me diga que você petrificou aquela gata irritante!

- Não, Montague, mas eu posso petrificar você.

Todos riram.

Harry e Hermione, porém, trocaram um olhar preocupado. Os dois não podiam deixar de se perguntar que aluno teria feito uma brincadeira tão cruel quanto esta.

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No final da semana, o incidente com Madame Norrra já havia sido esquecido pela maioria dos alunos, que não conseguiam conter a animação com a proximidade da primeira aula no Clube de Duelos. Quando este dia chegou, várias turmas foram divididas com estudantes de anos e casas diferentes, segundo as escolhas dos mesmos, para atender às aulas em dias da semana distintos. Harry, Tom e os amigos de ambos – ou colegas, no caso de Tom – ficaram com a quarta-feira, a saber, o dia em que as atividades teriam início. Sendo assim, naquele momento, todos se encontravam no Salão Principal, onde as longas mesas de jantar tinham sido substituídas por um palco incrivelmente cumprido, em meio ao salão, sobre o qual flutuavam milhares de velas no alto.

- Animado?

- Muito – Harry sorriu para Draco, que, no entanto, baixou rapidamente o olhar ao notar o possessivo braço de Tom rodear o ombro do irmão.

- Eu estou aqui apenas para ver o professor Lockhart – anunciou Pansy, sonhadoramente. Hermione, por sua vez, não pôde deixar de lançar um sorrisinho cúmplice à amiga.

- Aquele cara é um idiota.

- Nesse ponto nós dois concordamos, Montague – afirmou Tom, sustentando um olhar de desprezo ao animado professor que subia ao palco:

- Aproximem-se, aproximem-se! Todos estão me vendo? Todos estão me ouvindo?

Vários suspiros femininos foram ouvidos.

- Excelente! – sorriu brilhantemente – Agora, meus caros, permitam que eu apresente o meu assistente, professor Remus Lupin.

Todos aplaudiram. E Remus, com uma piscadela divertida a seus afilhados, subiu ao palco.

- Bem, o seu professor de Defesa Contra as Artes Obscuras comentou comigo que sabia alguma coisa de duelo e concordou em me ajudar a fazer uma breve demonstração antes de começarmos.

- Remus vai humilhá-lo – anunciou Tom. E Harry não pôde deixar de sorrir com expectativa.

- Agora, eu não quero que nenhum de vocês se preocupe – continuou Lockhart – vocês terão o seu professor logo após eu derrotá-lo, não precisam ter medo!

Remus disfarçou o riso com uma pequena tosse e logo se endireitou para a luta. Frente a frente, os dois se cumprimentaram com uma pequena reverência e içaram as varinhas como se empunhassem espadas:

- Como vocês podem ver, esta é a posição normalmente adotada num duelo – disse Lockhart aos alunos silenciosos – Quando contarmos três, lançaremos os primeiros feitiços. Nada muito perigoso, é claro, vocês precisam do seu professor de Defesa ainda – riu.

- Um... dois... três...

Os dois ergueram as varinhas acima da cabeça e as apontaram para o oponente; Remus exclamou:

- Expelliarmus! – Todos viram um lampejo vermelho ofuscante e Lockhart foi lançado para o alto, acabando por aterrissar dolorosamente no final do palco.

Harry, Draco e Montague deram vivas. Pansy e Hermione olhavam apreensivas para o homem espatifado no chão. E Tom revirava os olhos diante da cena. Os demais estudantes se dividiam em risos discretos e verdadeiras gargalhadas.

- Muito bem! – disse Lockhart, cambaleando de volta ao centro do palco – Isso foi um feitiço de desarmamento, como viram, perdi minha varinha... Er... Onde ela está?... Ah, sim, obrigado Srta. Parkinson... Bem, foi uma excelente demonstração, professor Lupin, mas se não se importa que eu diga, ficou muito óbvio o que o senhor ia fazer.

- Sim, é claro que sim – concordou Remus, pigarreando para disfarçar o sorriso.

- Se minha intenção fosse detê-lo, bem, seria muito fácil, mas achei mais instrutivo deixá-los ver...

- Sem dúvida.

- Remus é terrível – Harry sussurrou para o irmão.

- Se Sirius estivesse aqui, ele estaria caído no chão de tanto rir – concordou o maior.

- Agora, vejamos, vamos começar a praticar... Senhorita Granger e senhor Montague, por favor.

- Eles estão em anos diferentes – advertiu Remus.

- Bobagens. Num verdadeiro duelo nunca será possível saber a magnitude do conhecimento de seu adversário, é preciso estar preparado para tudo.

- Não se preocupe Granger, não vou te machucar muito.

A menina apenas virou-lhe as costas e subiu no palco. E Pansy e Harry trocaram um olhar divertido.

- De frente para seus parceiros – mandou Lockhart – E façam uma reverência. Isso mesmo. Agora, quando eu contar até três, lancem seus feitiços para desarmar o oponente, apenas desarmar, entenderam? Um... dois... três...

Montague ergueu a varinha, mas Hermione havia sido mais rápida e já anunciava o feitiço:

- Expelliarmus!

Em menos de um segundo, Montague perdera a varinha e agora, via-se com cara de bobo no meio do palco, sob os aplausos dirigidos à menina.

- Você está bem, Montague? Eu o machuquei muito? – perguntou a jovem Gryffindor, passando pelo Slytherin com um sorriso divertido.

Quando os dois saíram do palco, Lockhart voltou a tomar seu lugar no centro:

- Excelente! Vinte pontos para Gryffindor, senhorita Granger.

Hermione corou e o professor passou a olhar em volta novamente:

- Certo, a próxima dupla então... Harry! Isso mesmo! Suba aqui, senhor Potter!

Com um sorriso tranquilizador ao irmão, Harry subiu ao palco.

- E vejamos... Senhor Lounds!

- Lounds está no sétimo ano – disse Remus, olhando com preocupação para o jovem Gryffindor – Essa é uma diferença muito grande, Lockhart.

- Bobagem – sorriu, observando o Ravenclaw e o Gryffindor se colocarem frente a frente – Em posição. Quando eu contar três...

Eric Lounds sorria presunçosamente, sabendo que esta era sua chance de derrotar a única pessoa a sobreviver à maldição da morte e se tornar popular em sua casa. O rapaz de cabelos castanho-avermelhados e sardas era inteligente, mas queria viver no foco das atenções de seus colegas e agora via a oportunidade perfeita para isto.

- Um...

Remus não podia deixar de olhar com preocupação para o palco.

- Dois...

Harry respirou fundo, concentrando-se para dar o seu melhor.

- Três!

Lockhart mal havia acabado de pronunciar o número, quando Lounds gritou:

- Rictusempra!

Um jorro de luz prateada atingiu Harry no estômago e ele se dobrou, com dificuldade de respirar.

- Eu disse desarmar apenas! – gritou Lockhart, mas o rápido contra-ataque de Harry surpreendeu a todos:

- Tarantallegra! – no instante seguinte, as pernas do Ravenclaw começaram a sacudir descontroladas.

- Finite Incantatem! – Lounds conjurou furioso, apontando a varinha para as próprias pernas e quebrando o feitiço - Everte Statium!

- Protego!

- Parem! Parem! Eu disse desarmar apenas!

Harry estava indo muito bem, defendendo-se com maestria e atacando na mesma proporção. Remus e seus amigos estavam orgulhosos. Mas Lounds, de repente, lançou um feitiço complicado, cujo conhecimento estava reservado ao sexto ano em diante. Um poderoso feitiço que fazia qualquer coisa em que tocasse explodir:

- Confringo!

Exclamações assustadas foram ouvidas.

Mas a luz vermelha nunca chegou a tocar o rosto de Harry, dissipando-se numa poderosa barreira que agora envolvia o menino.

- O que?

- Mas o que é isso? – os sussurros se espalhavam.

O próprio Harry parecia confuso, flutuando a alguns centímetros do palco, rodeado pela reluzente barreira de proteção. De repente, porém, ao observar o pálido semblante de Eric Lounds, o jovem Gryffindor olhou por trás e viu seu irmão subindo ao palco com um olhar perigosamente sereno em seu belo rosto:

- Eu vou tomar o lugar de Harry agora.

- M-mas... – o próprio Lockhart engoliu em seco ao observar o assustador semblante do Slytherin, preferindo assentir debilmente e se esconder atrás de Remus, que observava o desenrolar da cena apreensivamente. Mas nem mesmo ele poderia interferir agora.

Harry aterrissou suavemente no chão, ao lado de seus amigos, a tempo de ouvir o comentário de Adrian Pucey, que ainda permanecia concentrado em seu livro de poções:

- Lounds não vai sair vivo dessa.

No instante seguinte, sob dezenas de olhos arregalados e num silêncio ensurdecedor, o duelo começou:

- Estupefaça! – gritou Lounds, mas Tom apenas arqueou uma sobrancelha e bloqueou o feitiço com um simples balançar de varinha.

Em seguida, o Ravenclaw começou a conjurar todos os feitiços que conhecia, os quais foram bloqueados um a um pelo Slytherin com movimentos simples e precisos. Mas quando Tom apenas desviou do feitiço estuporante que ele havia lançado, Lounds sentiu suas pernas começarem a tremer.

- Creio que seja minha vez agora.

De repente, uma luz negra atingiu Eric Lounds, que se curvou e começou a tossir desesperadamente. No instante seguinte, filetes de sangue manchavam seus lábios. Exclamações horrorizadas foram ouvidas no salão, mas Tom continuou. Sem pronunciar uma única palavra, com os olhos brilhando num vermelho repleto de fúria, o jovem Slytherin erguia e baixava a varinha uma e outra vez, lançando raios escuros que impactavam diretamente no corpo do Ravenclaw, que agora se contorcia no chão.

- Senhor Potter! Já chega! – gritava Lockhart.

- Tom, por favor, é o bastante – Remus tentava intervir, mas Tom ignorava a todos.

Numa tentativa desesperada, Lounds ergueu a varinha e conseguiu murmurar:

- Serpensortia! – fazendo uma pequena Naja aparecer no salão. Tom, por sua vez, franziu o cenho, tentando imaginar se o Ravenclaw era suicida ou apenas retardado mesmo.

- Você tem noção do acabou de fazer, Lounds?

- O que?

- Eu posso falar com cobras, idiota. E conjurar espécimes ainda mais perigosas – ao murmurar palavras numa língua desconhecida e apontar a varinha para a pequena Naja, Tom a transformou numa Taipan de mais de dois metros, conhecida no mundo mágico e muggle por ser a cobra mais venenosa já vista, com a potência de matar mais de cem homens com apenas uma pequena quantidade de veneno perigosamente armazenada em suas presas.

- Isso foi longe demais, Tom! Finite Incantatem!

Mas nem mesmo Remus conseguiu fazer a perigosa cobra desaparecer.

- Enrole-se nele. Mas não o mate, ainda.

- Sim, mestre.

Seguindo as ordens do Slytherin, para completo terror de Eric Lounds, a perigosa cobra deslizou rapidamente pelo palco e se enrolou em seu corpo, mantendo suas presas a escassos centímetros da artéria de seu pescoço. Naquele momento, até mesmo Harry mordia o lábio inferior com preocupação. Ele não queria que seu irmão fosse expulso.

- Você sabe como o veneno desta cobra funciona, Lounds?

- Não! Por favor, pare com isso! Eu me rendo, Potter! – implorou, jogando a varinha no chão, sentindo o suor frio escorrer de seu rosto – Eu sinto muito por tentar machucar seu irmão, por favor...

- Ora, deixe-me explicar então – sorriu, ignorando as súplicas do outro garoto - O veneno da Taipan ataca principalmente o sangue, causando a morte das células sanguíneas e hemorragia interna, dependendo do local da mordida pode matar por asfixia, agora eu imagino o que aconteceria se o local da mordia fosse justamente uma artéria vital...

Lounds sentiu uma gota de veneno pingar em seu pescoço.

A assustadora serpente estava com a boca aberta, as presas prontas para atacar.

- Eu vou chamar o diretor!

- Espere Lockhart... – mas Remus mal viu o vulto de vestes extravagantes desaparecer as pressas do salão.

Ao ouvir as palavras de Lockhart, Harry arregalou os olhos de medo. Se Dumbledore visse o que estava acontecendo, seu irmão seria expulso de Hogwarts. Ele sabia que Tom estava exagerando um pouco, mas isto sempre acontecia quando sua segurança estava em jogo. Eric Lounds havia brincado com fogo e agora estava a ponto de se queimar. Harry compreendia o irmão e se sentia grato pela proteção e cuidados que este sempre dispensava a ele. Por esse motivo, o jovem Gryffindor precisava pará-lo antes que fosse tarde demais e seu irmão pudesse até mesmo ser levado a Azkaban.

- Tom, por favor, pare com isso... – murmurou, subindo ao palco e puxando a manga da túnica do irmão.

De longe, Remus esperava que Harry conseguisse deter o maior, pois se ele lançasse qualquer feitiço para tentar parar Tom agora, a serpente poderia atacar.

- Ele tentou machucar você.

- Sim, mas ele não conseguiu, e você já deu a lição que ele precisava... Agora pare com isso, por favor, antes que você seja expulso por uma bobagem.

- Eu deveria matá-lo.

- Tom...

Todos observavam com certo temor e mórbida curiosidade a interação na língua das cobras. E quando Tom murmurou alguma coisa naquele idioma estranho e a perigosa serpente desapareceu, Hermione, Pansy e muitos outros não puderam deixar se suspirar aliviados. Draco ainda estava pálido, talvez se lembrando da surra que havia levado no início do ano letivo e um irritado Montague retirava do bolso cinco Galeões, dando-os a Adrian, que havia apostado que Harry impediria o irmão de cometer um assassinato.

O próprio Remus finalmente deixava o ar escapar de seus pulmões e agora ajudava um horrorizado Eric Lounds a sair do palco. Talvez fosse apena a pressão de estudar para os N.O.M's ou o irracional instinto de proteção de um irmão mais velho, mas Remus ainda achava melhor conversar com seu afilhado mais tarde para descobrir o que havia acontecido ali.

- Vamos sair daqui – suspirou Tom, ajudando o menor a descer do palco.

- Ok.

Em seguida, os dois passavam por dezenas de rostos assustados e saíam do salão sem dizer uma única palavra. E com um último sorriso apologético a Remus e um breve aceno a seus amigos, Harry viu as portas do Salão Principal se fecharem a suas costas.

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Harry e Tom ficaram na câmara até o cair da noite para que o mais velho pudesse se acalmar e não amaldiçoar Lounds na primeira vez que voltasse a vê-lo. No entanto, quando o estômago de Harry começou a reclamar, os dois decidiram subir ao Salão Principal para que pudessem aproveitar ainda o final do jantar. Contudo, ao saírem do banheiro feminino onde se escondia a entrada para a Câmara Secreta e tomarem um atalho para o salão, eles se depararam com um corredor particularmente escuro, onde os archotes tinham sido apagados por uma corrente de ar forte e gelada que entrava por uma vidraça solta.

Harry e Tom estavam na metade do corredor quando viram um corpo estendido:

Eric Lounds jazia duro e frio no chão, uma expressão de choque fixada no rosto, os olhos, sem visão, voltados para o teto. E não era tudo. Ao lado dele outro vulto, a visão mais estranha que os irmãos Potter já encontraram: Nick Quase Sem Cabeça, o fantasma da casa Gryffindor, havia deixado de ser branco pérola para se tornar preto e fumegante, flutuando imóvel na horizontal a mais de um metro do chão.

- Eles... Eles estão... – Harry murmurou, os olhos arregalados, agarrando com força a túnica de seu irmão.

- Petrificados – respondeu Tom, um brilho de mórbida satisfação dançando em seus olhos – Humm... Interessante.

- Tom, isso não é interessante! É assustador!

- Bem, por mim ele estaria morto...

- Apanhados na cena do crime! – interrompeu, de repente, o zelador Filch – Agora vocês não poderão escapar!

Ao lado do zelador vinha Minerva McGonagall, que apenas suspirou e ordenou aos meninos:

- Sigam-me, o diretor irá falar com vocês.

- Professora, eu juro – afirmou Harry – nós não tivemos nada a ver com isso.

- Não está em minhas mãos decidir, senhor Potter. Sigam-me.

Os dois, então, caminharam em silêncio atrás da professora, Tom segurando a mão de seu irmão caçula e lançando olhares tranquilizadores a este de vez em quando. Finalmente, quando pararam em frente à gárgula de pedra e McGonagall disse "gota de limão", os irmãos Potter se viram subindo pelas escadas em formato de caracol, em círculos, cada vez mais alto, até pararem em frente a uma porta de carvalho reluzente.

- Faz tempo que a gente não vem a este lugar – comentou o maior, com desdém, o que fez Harry revirar os olhos e bater na porta para anunciar a chegada dos dois.

Quando a porta se abriu, os irmãos foram recebidos pelo caloroso sorriso do diretor:

- Boa noite, Harry, Tom.

- Boa noite, diretor.

- Por que nós estamos aqui? – interrompeu Tom, olhando friamente para o mago mais velho.

- Acalme-se, Tom – o sorriso de Dumbledore se fez ainda maior – Por que vocês não se sentam e tomam uma xícara de chá?

- Nós estamos bem, obrigado, senhor.

- Sim, vá direito ao assunto.

- Tom...! – Harry lançou um olhar de advertência para o irmão, mas este o ignorou, continuando o observar friamente o semblante divertido do diretor.

- Muito bem, fique tranquilo, Tom – o velho mago levantou as mãos em sinal de paz – Eu sei que vocês dois não estão envolvidos com o que aconteceu ao senhor Lounds.

- Então...?

- Ainda que os acontecimentos no Clube de Duelos tenham saído um pouco de mão, não é mesmo? – seus olhos brilharam por detrás dos óculos em formato de meia-lua. Neste momento, Harry corou e desviou o olhar, mas Tom continuou a encará-lo friamente sem dizer uma única palavra.

Dumbledore, então, continuou:

- Na verdade, eu gostaria apenas de perguntar uma coisa a vocês dois.

- O que?

- Existe alguma coisa, qualquer coisa, que vocês queiram me contar? – os olhos azuis brilhavam com perspicácia.

E Harry e Tom trocaram um rápido olhar:

- Não, senhor, nada – responderam em coro.

- Muito bem – Dumbledore suspirou, desapontado – Vocês já podem ir.

- Tenha uma boa noite, senhor – despediu-se Harry, rapidamente, vendo-se puxado para fora do escritório por seu irmão.

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Ao longo das próximas semanas, as coisas ficaram ainda piores. Mais três crianças petrificadas haviam se juntado a Eric Lounds na enfermaria. Todos os dias dezenas de cartas de pais preocupados chegavam a seus filhos, mas tudo piorou consideravelmente quando o Profeta Diário anunciou:

A ORDEM NEGRA ATACA HOGWARTS!

"Centenas de pais e mães ainda permanecem na ignorância, acreditando que seus amados filhos estão seguros na famosa Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Isto porque o diretor desta escola, Alvo Dumbledore, não disse a vocês, queridos e zelosos pais, que seus filhos estão em perigo! Sim, a Ordem Negra atacou novamente! E dessa vez, o alvo foi Hogwarts, onde quatro alunos nascidos-muggles se encontram petrificados..."

- Como ela sabe de tudo isso? – perguntou Hermione, afastando o jornal sem terminar de ler a matéria. Naquele momento, todos se encontravam no Salão Principal tomando café da manhã, sob uma chuva de corujas que voavam para lá e para cá, trazendo centenas de cartas de pais preocupados.

- Rita Skeeter é uma cobra – afirmou Pansy – e não no sentido nobre e Slytherin da palavra, mas um ser rasteiro e oportunista. É o que minha mãe sempre diz.

- Achei que sua mãe só lesse revistas de fofoca.

- Nem sempre, Draco, querido – sorriu maliciosamente, mostrando a língua ao amigo.

- Vocês acham que ela está certa? – perguntou Harry – Acham que isto é obra da Ordem Negra?

- Talvez – disse Draco, tentando esconder o temor em sua voz.

- Se as coisas continuarem assim, Remus disse que Hogwarts não abrirá as portas no próximo ano.

- Mas Tom... – Harry se encolheu nos braços do maior.

- Eu sei, também não quero que isso aconteça – suspirou, colocando mais um pedaço de waffle no prato de seu irmão – Termine seu café, Harry.

Nos próximos dias, a maioria dos alunos estaria voltando à suas casas para passar o feriado de Natal com suas famílias. E alguns, devido à pressão dos pais, não sabiam se retornariam a Hogwarts depois. Naquele momento, a tensão era visível nos rostos de cada um. E até mesmo os professores, em sua maioria, mal conseguiam conter a preocupação:

- Isso é obra de Salazar Slytherin, Minerva, você sabe disso!

- Ora, professor Binnis...

Passado o toque de recolher, perambulando pelos corredores do castelo, após saírem da câmara com alguns livros que Tom queria levar consigo para casa no feriado, os irmãos Potter testemunharam uma inusitada discussão entre McGonagall e Binnis, o tedioso fantasma que dava aula de História da Magia:

- Você conhece a lenda, Minerva, ele deixou um monstro para assombrar o castelo!

- É apenas uma lenda, nunca acharam nada.

- Mas os nascidos-muggles, você está vendo, apenas eles estão sendo petrificados!

- Bem, isso não prova a existência de uma lenda milenar. Caso contrário, por que estaria acontecendo justo agora? Por que não antes?

- Alguém deve ter encontrado a câmara! Alguém deve ter soltado o monstro no castelo!

Harry e Tom, naquele momento, trocaram um olhar assustado.

- Absurdo! – exclamou McGonagall, dando as costas ao fantasma e passando a caminhar na direção contrária em que Harry e Tom se escondiam. Binnis a seguiu, seu corpo etéreo flutuando atrás dela.

"Alguém deve ter encontrado a câmara".

"Alguém deve ter soltado o monstro no castelo".

- Tom, você acha que nós...? – o menor engoliu em seco, agarrando firmemente a manga da túnica de seu irmão.

- Eu não sei, pequeno. Eu não sei...

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Semanas depois, com a chegada do feriado de Natal, seis crianças já haviam sido petrificadas e uma nuvem negra de preocupação e temor pairava sobre Hogwarts. Por esse motivo, muitos estavam felizes em voltar para casa naquela manhã:

- Meu pai disse que tudo isso é culpa do Dumbledore.

- Seu pai está errado, Draco – afirmou Harry, seguindo com o irmão e os amigos para a estação de trem em Hogsmeade – Dumbledore está tão preocupado quanto todos nós, mas nem mesmo ele parece saber com o que está lidando.

- Ninguém sabe – murmurou Hermione.

- Talvez seja mesmo a Ordem Negra.

- Talvez, Pansy – o Gryffindor suspirou e ao chegarem ao trem, despediu-se de todos com um pequeno sorriso antes de se dirigir a uma cabine com seu irmão.

A viagem foi tranquila, em meio a um silêncio contemplativo, no qual Harry e Tom pensavam nas palavras do professor de História da Magia. Chegando à plataforma 9 ¾, porém, suas divagações logo foram interrompidas pela presença de seus pais, que os aguardavam com olhares de pura preocupação e, ao verem os dois meninos, sorrisos cheios de alívio.

- Meus queridos! Oh, eu fiquei tão preocupada!

- Nós estamos bem, mãe – respondeu Tom – conforme eu disse em todas as trinta e oito cartas que você mandava por dia.

- Não revire os olhos para mim, mocinho. Eu não tenho culpa de amar meus filhos e não querer vê-los feridos.

- Não precisa se preocupar, mamãe, estamos em perfeito estado – garantiu Harry, sorrindo.

- Eu já mandei uma frota inteira de Aurores para Hogwarts, se isso for coisa dessa maldita Ordem Negra, nós vamos pegá-los!

- James, não use esta linguagem na frente dos nossos filhos!

- O que? O que foi que eu disse, amor?

Lily, no entanto, apenas suspirou e estendeu uma colher de prata que funcionava como chave de portal para seus filhos. As risadas de Harry e Tom, diante do beicinho de seu pai, só desapareceram quando os dois sentiram o característico – e desagradável – puxão do portal. Harry odiava este tipo de viagem e, pelo visto, Nagini também:

- Que sensação horrível foi essa...? – sibilou a cobra, deslizando a cabeça triangular pela gola da camisa de Harry, pois a preguiçosa guardiã havia viajado enrolada no cálido corpo do menor.

No entanto, antes que Harry pudesse responder, o histérico grito de seu pai o deteve:

- HARRY! NÃO SE MOVA!

- O que foi, papai?

- Oh, Merlin! – sua mãe gritou, assustada.

- Está tudo bem, Lily – James respirou fundo, puxando a varinha – Fique calmo, meu filho, eu vou cuidar disso.

- O que?... Não! – percebendo do que se tratava, Harry se escondeu atrás do irmão – Ela não é uma ameaça! Seu nome é Nagini, ela é nossa guardiã!

- Ela... Ela... é... o que? – James empalideceu, a varinha caindo com um baque mudo não chão.

- Nossa guardiã, minha e de Tom.

- Guardiã? A guardiã dos meus filhos é uma cobra...?

- James, querido, você está bem? – Lily não sabia se olhava para seu marido com pena ou diversão. Apesar do susto, ela sabia da existência de Nagini, pois Severus havia lhe contado tudo.

- Nossos filhos, eles... Eles...

- O que está acontecendo? – perguntou Nagini, sentindo facilmente toda tensão a sua volta.

- Não se preocupe – respondeu Harry – papai está apenas dando um chilique.

- Às vezes ele faz isso – acrescentou Tom, divertido.

Uma exclamação de terror, então, foi ouvida:

- POR GODRIC!

Pelo visto, James havia acompanhado todo o intercâmbio entre Harry, Tom e Nagini.

- Nossos filhos estão falando... Eles estão falando... A língua das...

E então, sob os olhares complacente de Lily, divertido de Tom e confuso de Harry, James Potter, o chefe do Quartel General de Aurores, desmaiou. Sim, o impetuoso Auror Potter, o terror de qualquer membro da Ordem Negra, desmaiou ao ouvir seus filhos falarem a língua das cobras. Naquele momento, Harry e Tom não puderam mais segurar as risadas, e até mesmo Lily não pode deixar de esboçar um sorriso divertido.

- Venham, meninos, está quase na hora do jantar.

- E o papai?

Com um suspiro resignado, a bela ruiva levitou o corpo de seu marido para cima do sofá:

- Pronto. Deixem seu pai aí, quando ele estiver com fome ele vai acordar.

-x-

Na noite de Natal, a família Potter juntou-se a seus amigos mais queridos no Largo Grimmauld, onde Sirius havia organizado um agradável e íntimo jantar para que pudesse comemorar aquela bela data muggle, tão odiada por sua falecida mãe, com seus amigos e parentes mais chegados, isto é, sua prima Andrômeda e sua adorável família, Remus e agora, os Potter, que finalmente se juntavam à ocasião.

- James, meu amigo, ainda deprimido? – Sirius sorriu solidariamente, sabendo do incidente com Nagini.

O aludido, no entanto, apenas suspirou.

Lily havia contado para seu marido a suposta teoria que Dumbledore confidenciara a Severus. Dessa forma, o chefe dos Aurores não podia fazer nada senão aceitar o "dom" que seu filho mais velho havia partilhado ainda em terna idade e inconscientemente com Harry. Ele obviamente não estava satisfeito e Nagini fora mandada para o jardim, mas as coisas estavam em relativa tranquilidade por enquanto. Chegando logo atrás de seu pai, Harry e Tom acenaram num cumprimento a todos, mas se surpreenderam ao notar um rosto diferente na sala de estar da mui nobre e antiga casa dos Black. E, naquele momento, os irmãos Potter não conseguiram conter a animação:

- Tio Regulus!

Um homem alto, quase tão alto quanto Sirius, de cabelos ondulados negros e olhos azuis reluzentes imediatamente deixou um sorriso sincero, algo que raramente deixava transparecer em suas belas e aristocráticas feições, brilhar em seu rosto. Regulus Black sempre havia partilhado dos ideais puristas de seus pais, mas, ao entrar na adolescência e se desvincular um pouco da influência destes, viajar pelo mundo e conhecer inúmeras criaturas mágicas, logo se deu conta de que seus pais sempre estiveram errados e seu revolucionário irmão certo. Os dois, então, fizeram as pazes e Regulus logo foi muito bem recebido na turma dos Marotos. E com a chegada de Tom e, futuramente, de Harry à família, o jovem Black logo se viu encantado pelas inteligentes e adoráveis crianças.

Por esse motivo, naquele instante, Regulus recebia em seus braços o jovem menino de cabelos bagunçados e brilhantes olhos verdes por quem nutria um profundo carinho.

- Harry, Tom, vejam só como vocês cresceram! – ainda abraçando o menor, o irmão caçula de Sirius bagunçou os cabelos de Tom e ganhou um pequeno sorriso divertido deste, que, no entanto, franzia ligeiramente o cenho ao notar seu irmão ainda nos braços de Regulus.

- E Angeline, não pôde vir?

- Não, Tom, infelizmente ela precisou acompanhar a mãe num procedimento médico, mas desejou a todos um ótimo Natal e, é claro, mandou inúmeros presentes para vocês dois.

Angeline Bardot era uma bela bruxa francesa de sangue-puro herdeira de uma nobre família que possuía sangue real. Seus longos cabelos louros e olhos azuis turquesa destacavam ainda mais sua face angelical. E Angeline, mesmo tendo nascido numa família bruxa tradicional da França não possuía um ar esnobe ou repulsivo, pelo contrário, sua personalidade era doce e tranquila, algo que havia encantado Regulus na primeira vez em que os dois se encontram, quando o jovem Black fora contratado para a presidência da filial de um Banco aliado a Gringottes na França, onde Angeline coordenava os diversos cofres de sua família e de sua própria renda como diplomata entre os mundos mágico e muggle.

- Presentes! – os olhos de Harry brilhavam no momento em que este precisou sair do colo de seu "tio", para cumprimentar o restante da família.

- Depois do jantar, Harry – com uma piscadela ao menor, Regulus agora dirigia seus cumprimentos à Lily – Deslumbrante como sempre, Lily.

- Obrigada, Regulus. Não sei como pude me casar com James quando um gentleman como você ainda estava disponível – brincou ela.

- Hey!

Ao som do protesto do patriarca da família Potter, todos riram.

Na hora do jantar, no entanto, o assunto se voltou a um tema mais sério. Ou seja, às crianças recentemente petrificadas em Hogwarts. Para Sirius e James, sem dúvida alguma estes acontecimentos terríveis haviam sido orquestrados pela Ordem Negra. Andrômeda concordava com a posição de seu primo, assim como seu marido e sua filha, que acabara de entrar para a Escola de Aurores. Lily e Remus, por sua vez, ainda tinham ressalvas, mas não podiam pensar em mais nada, senão nas palavras do Profeta Diário e na relativa coerência que estas possuíam, afinal, tamanha crueldade só podia ser obra de bruxos das trevas. Regulus, contudo, parecia estranhamente pensativo e um astuto Tom havia notado isso.

Momentos mais tarde, quando os irmãos Potter acompanharam o irmão caçula de Sirius a seu quarto para receberem os presentes mandados por Angeline, Tom não pode deixar de sondar suas dúvidas:

- Você não acha que os estudantes petrificados tenham sido alvos da Ordem Negra?

- Essa é uma questão complicada, Tom – suspirou – Pelo que eu ouvir falar dessa Ordem Negra, acho difícil eles apenas petrificarem estudantes nascidos-muggles, ao invés de matá-los.

Harry ouvia atentamente o intercâmbio entre Tio Regulus e seu irmão.

- Sabe, na minha época, o professor Binnis nos contou a história de um monstro deixado por Salazar Slytherin nas profundezas do castelo para punir os nascidos-muggles que frequentassem Hogwarts. É claro que era apenas uma história e, obviamente, ninguém prestava atenção em suas aulas para sequer ouvi-la, exceto eu – acrescentou divertido – mas esta história sempre me intrigou e, anos depois, pesquisando em alguns livros, eu achei algo realmente interessante...

- O que? – os olhos de Tom brilhavam de curiosidade.

- Eu achei a descrição de um monstro capaz de matar uma pessoa apenas olhando em seus olhos e de petrificá-la se não conseguir contato direito, um monstro que poderia ser facilmente controlado por Salazar Slytherin, quem falava a língua das cobras...

- Que monstro?

- Um Basilisco.

Harry arregalou os olhos, deixando cair no chão a bela túnica verde esmeralda que ainda estava parcialmente coberta pelo papel de presente lilás. Tom, no entanto, permanecia indiferente e apenas Harry conseguiu identificar um leve enrijecer na postura de seu irmão.

- Obviamente esta é apenas uma lenda boba, mas sempre me pareceu interessante a suposta existência de um monstro em Hogwarts capaz de petrificar os alunos. Mas para que um monstro assim existisse precisaria existir também a "Câmara Secreta", o suposto local onde Salazar o deixara escondido, mas depois de incontáveis buscas este local nunca foi achado, então não há com o que se preocupar.

Harry e Tom, neste momento, engoliram em seco e trocaram um breve olhar.

- O verdadeiro monstro, na verdade, é este bando de bruxos das trevas que não conhece os limites da dignidade humana – suspirou Regulus, parecendo finalmente convencido – Eu espero que o pai de vocês e Sirius consigam pegá-los depressa.

- Sim, nós também – concordou Tom, olhando fixamente para seu irmão – Esperamos que este monstro seja detido logo.

Harry assentiu em silêncio.

Os dois já sabiam o que precisavam fazer.

Continua...

Próximo Capítulo: - Harry, não era para você estar aqui!

- Como se eu fosse deixá-lo sozinho, Tom.

-x-

N/A: Finalmente, depois de nove meses sem atualizar essa história, eu volto "do além" (conhecido também como mundo acadêmico) para trazer-lhes este capítulo. Peço infinitas desculpas, meus amados leitores... Algum de vocês já se casou? Teve filhos? Ou foi realizar seu sonho de ser cantor(a) da Broadway nesse meio tempo? – sorri timidamente – Sim, eu sei que demorei séculos e não há desculpas para tamanha demora... Eu realmente sinto muito. Este é meu último semestre numa das minhas faculdades e entre entrega de TCC, apresentações de artigos em diversos lugares, provas e mais provas, eu acabei deixando de lado o que eu mais amo no mundo: escrever e postar novos capítulos para vocês. Isso não vai mais acontecer! Eu não vou mais deixá-los de lado (pelo menos eu juro que vou tentar!).

Com a chegada iminente das férias de final de ano as coisas serão diferentes! Oh, sim, agora a produção de capítulos será em larga escala!

Então, eu só posso pedir que vocês me desculpem e que apreciem mais este capítulo que foi postado com um certo atraso... Mas que eu escrevi de todo o coração para vocês! E, por favor, deixem suas REVIEWS me dizendo o que acharam!

Gostaria de agradecer também (mesmo com este imperdoável atraso) às magníficas Reviews que me inspiraram a escrever neste momento em que o TCC roubou toda capacidade do meu cérebro, isto é, às belíssimas Reviews de:

Nena... Neko Lolita... Tsuki... VictoriaLombardi... Elaine... nicoly delayr... Yume... Iriya-chan... Yuuki Kishimura... LehGetirana... Joana A... lightwalnut64... vrriacho... Nando Rowling... SarahPrinceSnape... TaiSouza... PrisD... Bruna Uzumaki... Bree Lewis... Andhy... Dels... SSkittyblue... Sandra Longbottom... musme... Meel Jacques... Dyeniffer Mariane... Cristin X... Srta Laila... E Aziza Phoenix!

Muito obrigada mesmo pelas MARAVILHOSAS reviews de vocês!
Um grande beijo! E até a próxima atualização (agora muito mais rápida, eu prometo) de O Charme da Insanidade!