Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

Um clima tenso e apreensivo ainda pairava sobre Hogwarts. Poucos estudantes haviam retornado à famosa Escola de Magia e Bruxaria depois das festas de final de ano e, logo no jantar de boas-vindas, notava-se claramente o quão assustados ainda estavam professores e alunos, todos pensando nos estudantes petrificados. Contra a vontade de sua mãe, Harry e Tom estavam entre os poucos que haviam retornado e agora se encontravam na mesa Gryffindor com Draco, Pansy e Hermione, que mal havia tocado a comida em seu prato.

- Você está bem, Mione?

- Sim, Harry, está tudo bem – a jovem bruxa ofereceu um pequeno sorriso ao amigo.

- É claro que não está nada bem – interrompeu Pansy – Você é uma das únicas nascidas-muggles que voltou para Hogwarts depois do feriado, Hermione, você deve estar muito assustada!

- Sutil como um Hipogrifo, Pansy – revirando os olhos, Harry voltou-se para a colega Gryffindor – não se preocupe, vai ficar tudo bem.

- Como você pode ter certeza?

- Confie em mim – afirmou, lançando um olhar de esgueira ao irmão, que permanecia perdido em seus próprios pensamentos.

Depois do jantar, Tom fez questão de acompanhar o menor à Torre Gryffindor, mesmo sob seus protestos:

- Nós precisamos deter aquele monstro hoje, Tom!

- Não, precisamos descansar hoje – afirmou inflexível – amanhã à noite eu irei resolver essa história.

- Mas... E se acontecer outro ataque?

- Um ataque a mais ou a menos não fará diferença agora.

- Tom!

- É verdade, basta você permanecer seguro, pequeno.

- Eu vou com você amanhã.

- Harry...

- Boa noite, Tom – após um beijo estalado na bochecha do irmão, Harry seguiu pelo retrato da Senhora Gorda, deixando o maior suspirando exasperadamente para trás.

Na noite seguinte, Tom fez questão de sair mais cedo da mesa de jantar para despistar seu irmão e esperou se passar algumas horas após o toque de recolher para seguir ao banheiro feminino do segundo andar. No entanto, chegando lá, um jovem e sorridente Gryffindor já o esperava:

- Harry, não era para você estar aqui!

- Como se eu fosse deixá-lo sozinho, Tom.

- Isso não está em discussão, volte para o seu dormitório agora.

- Não!

- Eu não posso deixar algo ruim acontecer a você, Harry, lembra-se do ano passado? – seus olhos brilharam perigosamente ao relembrar o fato – Aquele maldito Quirrell quase o matou!

- Mas você me salvou – sorriu.

- Harry...

- Eu não vou deixar você enfrentar um Basilisco sozinho, é loucura!

- Eu acho que posso controlá-lo.

- Mas você não tem certeza, não é? – perguntou suspicaz.

- Não – suspirou.

- Ora, então... – mas antes que Harry pudesse continuar, uma luz repentina iluminou todo o local, acompanhada da voz estridente de ninguém menos que Gilderoy Lockhart:

- Eu não acredito! – o professor de Duelos exclamou – Jamais imaginei que ao sair para minha ronda noturna fosse ouvir os irmãos Potter discutindo, no banheiro feminino, a respeito do monstro que está aterrorizando o castelo.

- Fique fora desse assunto, Lockhart – avisou Tom, estreitando os olhos perigosamente.

Mas o excêntrico professor apenas sorriu, apontando a varinha para os dois:

- Nada disso, senhor Potter, a aventura de vocês termina aqui. Depois dessa notícia, o diretor irá fechar a escola e vocês dois serão mandados a Azkaban por controlar este monstro e eu, é claro, serei o herói que os capturou...

Cansado da conversa fiada daquele homem insignificante, Tom lançou um breve Expelliarmus e apanhou no ar a varinha de Lockhart, que arregalou os olhos de medo:

- Ora, ora, meninos... Er... É claro que isso foi um mal entendido...

- Obliviate! – a luz prateada imediatamente atingiu o peito do professor de Duelos, que foi arremessado para trás, sob o grito sufocado de Harry:

- Tom!

- Não se preocupe, ele irá sobreviver.

- Oh, céus, o que você fez?

- Ele sabia demais, mas agora... Bem, agora ele não sabe de mais nada – burlou-se o maior, colocando a varinha de Lockhart, a saber, com a qual havia lançado o feitiço, sobre o corpo desmaiado. E após murmurar algumas palavras em Parsel, provenientes de um feitiço obscuro que havia lido em algum dos livros de Salazar Slytherin, Tom fez o corpo do professor desaparecer. Este, porém, reapareceria algumas horas depois em algum lugar do castelo.

Com um suspiro resignado, Harry apenas revirou os olhos e ordenou que a passagem para a câmara se abrisse. Instantes depois, eles caminhavam pelo conhecido corredor de pilastras serpentinas com o qual haviam se familiarizado tanto ao longo daquele ano:

- Eu não entendo como uma cobra enorme como esta não deixa para trás rastros de pele ou a carcaça dos ratos e pequenos animais que ela provavelmente come perambulando pelos canos do castelo.

- Este lugar está repleto de feitiços de limpeza e conservação, Harry.

- Tem razão, Salazar queria que sua Câmara Secreta permanecesse impecável – murmurou pensativo – Ele devia ter TOC ou algo assim.

- Algo sim... – comentou divertido, mas, ao chegar à estátua de Slytherin, colocou-se em alerta – Fique atento, Harry, irei chamar o monstro agora.

- Certo.

- Em hipótese alguma olhe nos olhos dele, entendeu?

- Sim, eu sei.

Lançando um último olhar cauteloso ao irmão, Tom parou entre as altas colunas e olhou para o rosto de pedra de Salazar Slytherin, muito acima dele na obscuridade. Respirando fundo, abriu a boca e sibilou:

- Venha, obedeça-me agora, rei das serpentes.

O gigantesco rosto de pedra de Slytherin se mexeu. Engolindo em seco, Harry viu a boca se abrir, cada vez mais, e formar um enorme buraco negro. Alguma coisa se mexia lá dentro. Alguma coisa começava a escorregar para fora de suas profundezas e, neste momento, Harry fechou os olhos, apertando-os com força.

- O herdeiro... – sibilou o monstro, e Tom apertou os punhos, olhando para o chão – A que devo a honra da presença do herdeiro que me libertou? Veio finalmente se juntar a mim para cumprir as ordens deixadas pelo amo Slytherin? Devo expurgar todos os sangues-ruins do castelo...

- Não! Eu ordeno que você pare os ataques!

- Mas as ordens do amo Slytherin são... – de repente, porém, Tom notou o enorme corpo do Basilisco ficar tenso, como se o monstro finalmente notasse a presença de algo que o perturbasse – Não pode ser! – a criatura rugiu – O herdeiro de Gryffindor não pode pisar neste local! Mas... Não é possível... Sua alma está mesclada com a alma do herdeiro de Slytherin...

Tom deu alguns passos para trás, confuso, protegendo Harry com seu corpo.

Do que o Basilisco estava falando?

- Ele irá atacá-los – a voz de Nagini, do bolso da túnica de Harry, surpreendeu os dois – Corram!

Sem pensar duas vezes, eles seguiram as instruções de sua guardiã, correndo para um dos enormes corredores que levava aos aposentos pessoais de Slytherin, no exato momento em que o furioso monstro investia contra eles. Antes de chegarem ao corredor, porém, Harry tropeçou e caiu e, sem pensar duas vezes, Tom jogou seu corpo sobre o do irmão, protegendo-o com a própria vida.

Nós vamos morrer... – Harry pensou com as lágrimas espreitando por entre os olhos fechados.

Mas, de repente, o canto de um pássaro foi ouvido.

Logo por cima deles houve um som alto, explosivo e aquoso. Em meio a isto, Tom o abraçava com força, murmurando que ele se acalmasse, enquanto espreitava por entre os olhos abertos o que estava acontecendo. Surpreendentemente, ninguém menos que Fawkes havia se lançado contra o Basilisco, fincando suas garras nos olhos da enorme serpente. Naquele momento, o sibilo animado de Nagini foi ouvido:

- Ele conseguiu! Seu pássaro cegou o Basilisco!

Olhando para a enorme serpente, Harry viu o sangue escorrendo dos olhos bulbosos e amarelos, enquanto o monstro se contorcia de dor.

- Conseguimos! – gritou Harry, mas o corpo do Basilisco imediatamente parou de se contorcer, ergueu-se em toda a sua magnitude, atento, como se tentasse... Ouvi-los.

- Silêncio, Harry, ele pode nos ouvir... – sussurrou Tom, mas era tarde demais, a enorme serpente voltava deslizar rapidamente pelo chão em direção a eles.

Com o coração acelerado de medo, Tom pensava apenas na segurança de seu irmão. Então, após uma resolução rápida, ele empurrou o menor para o corredor e correu para o lado contrário, para junto à estátua de Slytherin, lançando feitiços explosivos na enorme serpente para chamar sua atenção.

Funcionou.

O Basilisco passou a segui-lo.

Mas Tom não se importava, contanto que Harry permanecesse seguro.

- Fuja daqui, Harry, depressa! – gritava, em meio a inúmeros feitiços, que pareciam sequer fazer cócegas no monstro.

Não...

Não...

Não...!

O jovem Gryffindor contemplava a cena com puro terror desenhado em seu rosto. Ele não deixaria seu irmão se sacrificar. Ele não deixaria seu irmão morrer para salvá-lo. De repente, porém, seus olhos pousaram no Chapéu Seletor caído no piso... E por um breve instante, Harry se perguntou como o chapéu havia chegado ali. Mas logo concluiu que Fawkes o trouxera. Então seus olhos enfocaram algo brilhando no interior do chapéu, algo semelhante à bainha de uma espada...

Sem pensar duas vezes, Harry apanhou a espada pesada e correu para o Basilisco.

- Harry, não! – mas o grito de Tom chegou tarde demais. E sob seu o olhar aterrorizado, o jovem Gryffindor fincou a espada no rabo do Basilisco.

A reação da enorme serpente foi instantânea. Com um sibilo ensurdecedor, ela se virou para atacar, mas Harry conseguiu ser mais rápido, retirou a espada da cauda pesada para voltar a fincá-la na enorme boca que estava prestes a devorá-lo. Colocando todo o seu peso na espada, ele conseguiu enfiar até a bainha no céu da boca do Basilisco, mas quando o sangue quente encharcou seus braços, Harry sentiu uma dor excruciante logo acima do cotovelo. Uma presa comprida e venenosa estava se enterrando cada vez mais fundo em seu braço e se partiu quando o monstro tombou para o lado e caiu, estrebuchando no chão.

No instante seguinte, Harry escorregou para o chão, tremendo, e imediatamente sentiu os braços de Tom rodeá-lo. Com impressionante rapidez e precisão, Tom arrancou a presa que espalhava veneno do braço de seu irmão, mas o olhar angustiado de Nagini lhe dizia que já não havia nada que pudesse ser feito. O veneno do Basilisco era muito poderoso, o pequeno Gryffindor não teria chance... Um pequeno gemido de dor escapou dos lábios de Harry, que se esforçou para limpar as lágrimas dos olhos escarlates de Tom.

Curioso... – o menor chegou a pensar – Seus olhos sempre ficam dessa cor quando eu me machuco...

E só então Tom percebeu que estava chorando.

- Por que você fez isso, Harry? Eu disse para você fugir... Céus! Eu disse para você não vir!

- Eu... Eu estou feliz... Que você não se machucou...

- Harry...!

- Eu te amo, Tom...

- Harry, fique acordado! Eu não vou deixar você morrer! Nunca!

Os gritos angustiados de Tom cessaram de repente. E com indescritível alívio, o jovem Slytherin observou Fawkes, a maldita fênix de Dumbledore, derramar suas próprias lágrimas sobre a ferida de Harry.

- Lágrimas de Fênix possuem poderes curativos... – lembrou Nagini, parecendo tão aliviada e feliz quanto ele.

- Obrigado – Tom murmurou para o pássaro.

Fawkes, por sua vez, apenas acenou brevemente, como se o entendesse, e voltou a alçar voo com o Chapéu Seletor novamente preso em suas garras.

- Tom... O que aconteceu?... – Harry finalmente havia voltado a si.

Os olhos verdes inocentes haviam recobrado o brilho.

A pele de porcelana mostrava-se novamente rosada, saudável.

E os lábios trêmulos, vermelhos e brilhantes, o hipnotizavam... Tentadores.

Sem pensar duas vezes, Tom abraçou o pequeno corpo que repousava em seus braços e o beijou. Não um beijo casto, puro, trocado normalmente entre irmãos. Mas um beijo apaixonado, de um amante que por pouco não vê sua amada sucumbir diante de seus olhos. Um beijo repleto de carinho, desejo e alívio, mas acima de tudo, repleto de amor. Um beijo que explorou habilmente a boca rosada de Harry, devorando-o, instigando sua língua tímida e deliciando-se com seu sabor. Algo que o jovem Gryffindor só havia visto em filmes e que levava um estranho calor a percorrer todo o seu corpo... Um calor estranho, mas agradável... Muito agradável...

Seu primeiro beijo.

De alguma forma, parecia correto que fosse com Tom.

O primeiro beijo dos dois. E nada parecia mais correto do que aquilo.

- Nunca mais faça uma loucura dessas – murmurou Tom, após se separarem, encarando seriamente os belos olhos verdes de seu irmão – Eu não posso perdê-lo, Harry, nunca! Se algo acontecesse a você, eu... Eu... Eu enlouqueceria!

- Desculpe por preocupá-lo, Tom, mas eu não posso prometer que não vou fazer algo assim novamente.

- O que?

- Eu sempre vou fazer o que for preciso para te proteger também.

- Gryffindor teimoso – suspirou, sabendo que não adiantaria discutir com Harry – Então cabe a mim, pelo visto, garantir que você nunca precise fazer algo assim novamente.

Com um sorriso amoroso, Harry puxou o irmão para outro beijo, surpreendendo aos dois. Mas o jovem Gryffindor havia gostado daquela sensação. Ele queria sentir aquilo novamente, aquele estranho calor... E Tom não poderia negar o que seus mais profundos e obscuros desejos clamavam desde o início daquele ano conturbado e imprevisível. Era como se algo rugisse em seu interior, satisfeito, deliciando-se com os lábios de seu irmãozinho.

- Pelo amor de Salazar, arrumem um quarto – a divertida voz de Nagini, porém, trouxe os dois de volta à realidade.

- O diretor! – exclamou Harry – Precisamos dizer tudo a ele!

- Sim, vamos lá... – o Slytherin suspirou, lançando um olhar assassino a sua guardiã, que parecia sorrir maliciosamente. Não que as serpentes pudessem sorrir dessa forma, é claro.

-x-

- Então, deixe-me ver ser entendi... – suspirou o velho mago, observando-os por cima de seus óculos em formato de meia lua – Vocês dois acharam a Câmara Secreta de Salazar Slytherin no início do ano e não contaram a ninguém, libertaram sem querer um perigoso monstro que aterrorizou todo o castelo e ainda mentiram quando eu perguntei naquela noite se havia algo que vocês quisessem me contar?

Harry corou, desviando o olhar.

Novamente, para completo aborrecimento de Tom, os irmãos se encontravam no escritório do diretor de Hogwarts, sentados nas poltronas felpudas em frente à mesa repleta de objetos curiosos. Fawkes, naquele momento, permanecia pousada no ombro de Harry bicando carinhosamente sua cabeça, para divertimento de Dumbledore e exasperação de Tom, que, pela primeira vez, não parecia irritado, pois seria eternamente grato ao pássaro por salvar a vida de seu irmão.

- Exatamente – respondeu o maior, sem intimidar-se nem um pouco.

- E vocês mataram o Basilisco?

- Harry o matou – afirmou Tom, um gosto amargo em sua boca ao se lembrar do pior momento de sua vida.

- Eu vejo que você usou a Espada de Gryffindor, Harry – o diretor sorriu.

- Isso mesmo – o menor murmurou, sem soltar a mão de Tom.

No entanto, Harry pareceu se lembrar de algo:

- O monstro parecia confuso.

- Como assim? – perguntou Dumbledore.

- Ele disse que possuíamos o sangue de Slytherin e de Gryffindor, que não poderíamos estar ali. Eu acho que foi por isso que ele nos atacou.

Os olhos azuis brilharam suspicazes:

- Sim, vocês são descendentes de dois fundadores de Hogwarts... – mas separadamente pelo visto, ou seja, Tom descende de Slytherin e Harry de Gryffindor, concluiu Dumbledore em pensamento. Obviamente, porém, os dois irmãos não poderiam saber disso – Não é a toa que Fawkes desceu à câmara para protegê-los.

Encarando-os seriamente, porém, Dumbledore continuou:

- Mas eu quero que vocês me prometam uma coisa agora.

- O que? – perguntaram os dois.

- Prometam que nunca mais voltarão àquele lugar.

Harry e Tom permaneceram em silêncio por alguns instantes. E após trocarem um olhar cúmplice, afirmaram em conjunto:

- Tudo bem.

Obviamente, eles estavam mentindo.

E Dumbledore sabia disso.

- Bem, vocês podem ir agora – informou com um sorriso – Os dois receberão um prêmio por serviços prestados à escola, mas até o final do ano letivo eu não gostaria de vê-los aqui.

- Hum, acredite, nós também não queremos voltar aqui – grunhiu Tom, enxotando de seu ombro um irritante besouro que não parava de atormentá-los desde que havia colocado os pés no escritório do diretor.

- Excelente. Agora, eu sugiro que vocês voltem para seus dormitórios e descansem bem, principalmente você, Tom, pois seus N.O.M's começam amanhã cedo.

O Slytherin, é claro, apenas revirou os olhos com desdém e seguiu com o irmão para a saída do escritório, enquanto Harry acenava alegremente para o velho mago desejando-lhe boa noite. De volta à gárgula de pedra, porém, Tom murmurou:

- Espero que ele se engasgue com uma de suas estúpidas balas de limão.

E Harry não pôde deixar de rir divertido.

-x-

Uma semana depois, Tom havia concluído seus N.O.M's com maestria e agora, quando adentrava com seu sorridente irmão no Salão Principal para apreciar a paz e a tranquilidade de um bom o café da manhã, o Slytherin dizia a si mesmo que não existia nada que pudesse aplacar seu bom humor. Ah, mas ele havia pensando isso cedo demais... No instante em que os dois colocaram os pés no local, um silêncio incomum se fez presente, mas logo em seguida, uma enxurrada de aplausos rompeu por todo o salão.

- Por que isso tem que acontecer todos os anos? – suspirou o maior.

- Eu não sei – murmurou Harry, sentando-se com o irmão na mesa das serpentes – Como eles ficaram sabendo dessa vez?

Em resposta a sua pergunta, uma animada Hermione colocou a nova edição do Profeta Diário na frente dos dois:

- Herdeiros de Slytherin e de Gryffindor? Isso é incrível, quero dizer, eu imaginei que vocês estivessem relacionados à Slytherin por conseguirem falar a língua das cobras, mas isso...

- Hermione, por favor, deixe-os pelo menos ler a reportagem.

- Oh, é claro... Tem razão, Draco.

Ignorando seus amigos, Harry se juntou ao irmão na leitura da matéria de destaque do Profeta Diário, escrita por Rita Skeeter:

OS HERDEIROS SALVAM HOGWARTS NOVAMENTE!

Queridos leitores, Hogwarts está segura de novo! Os estudantes outrora petrificados já circulam alegremente pelos corredores do castelo e os pobres nascidos-muggles que haviam permanecido em suas casas, assustados, após as festas de final de ano, já voltaram para a escola e retomam agora o ano letivo.
Dumbledore conseguiu deter a Ordem Negra? Ou pelo menos identificar o mal que assombrava o castelo? Não, é claro que não! Os heróis novamente foram os irmãos Potter! Todos se lembram, é claro, do ataque de Quirinus Quirrell, foragido membro da Ordem Negra, à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts no ano passado, não é mesmo? Então todos devem se lembrar de como os irmãos Potter corajosamente colocaram este mal feitor para correr numa batalha no subsolo do castelo, que esta repórter que vos fala ainda não possui todos os detalhes...
Dessa vez, novamente o fardo de proteger Hogwarts cai sobre os ombros dos dois jovens estudantes mais famosos da escola: Thomas e Harry Potter, os quais fontes precisas asseguram ser nada mais nada menos que herdeiros de Salazar Slytherin e Godric Gryffindor! Sim, herdeiros de não um, mas dois dos fundadores de Hogwarts! Não é a toa que a fama persegue o jovem Harry desde o primeiro ano de vida, ao conseguir se livrar da maldição da morte lançada pelo amigo traidor de seus pais, e o talento flui habilmente pelas veias de Tom, conhecido como o melhor aluno a pisar em Hogwarts desde os tempos do próprio Dumbledore – o qual, cá entre nós, perdeu completamente a linha.
Eu digo isso, senhoras e senhores, porque o famoso diretor deixou os dois jovens e inocentes estudantes lutarem sozinhos contra o monstro que atacava o castelo! Sim, um monstro!
(Aproveito, neste momento, para corrigir algumas reportagens passadas e assegurar que, dessa vez, a Ordem Negra não estava envolvida nos ataques).
O monstro responsável por petrificar tantos estudantes era um Basilisco! Este havia sido deixado nas profundezas de uma Câmara Secreta orquestrada por Salazar Slytherin para que purgasse a escola dos estudantes nascidos-muggles. Os dois jovens herdeiros, no entanto, fazendo uso de sua bravura encontraram a câmara e destruíram o monstro com o auxílio de uma das relíquias mais famosas do mundo mágico: a Espada de Gryffindor, a qual todos nós sabemos que só pode ser manejada por um legítimo herdeiro de Godric Gryffindor.
É com indescritível alegria, portanto, que esta repórter agradece ao ato heroico de Thomas e Harry Potter. E afirmo, sem sombra de dúvidas, que nem mesmo a Ordem Negra terá chance contra tais poderosos herdeiros um dia.

- Como ela descobriu tudo isso? – Harry olhava assustado para o irmão, que franzia o cenho, evidentemente irritado.

- Eu não sei, pequeno. Eu não sei...

- Essa mulher é uma víbora – suspirou Pansy – Mas, pelo menos, parece que ela não inventou nada dessa vez.

- Sim, mas praticamente jogou os dois na mira da Ordem Negra – afirmou Adrian Pucey, olhando para o jornal por cima de seu livro de poções.

- Papai deve estar uma fera – comentou Harry – O próprio Remus não parece muito feliz...

De fato, na mesa dos professores, um furioso Remus Lupin discutia alguma coisa com o diretor, que parecia tão desgostoso quanto o próprio professor de Defesa. O fato de serem filhos do Chefe dos Aurores já colocava Harry e Tom na linha de frente do perigo, mas com Rita Skeeter anunciando aos quatro ventos sua descendência poderosa e seus feitos para proteger a escola, um alvo havia sido praticamente colado em suas costas. E o professor de Defesa e o diretor sabiam muito bem disso.

- Não adianta nos preocuparmos agora – assegurou Tom – Em breve voltaremos para casa e se a Ordem Negra não tentou nada até agora, não será contra a casa do Chefe dos Aurores que eles irão tentar alguma coisa.

- Tem razão – Harry sorriu, mas algo lhe dizia que, no ano seguinte, eles não estariam tão seguros.

Afinal, seus anos em Hogwarts nunca eram tranquilos...

-x-

Enquanto isso, num lugar remoto, situado na fronteira entre a Irlanda do Sul e do Norte, afastado de todo rastro de civilização mágica e muggle, erguia-se uma imponente mansão forjada em mármore negro, rodeada por um bosque espesso, no qual não vivia uma criatura sequer, devido aos poderosos feitiços de ocultação.

Esta era a sede de encontros da Ordem Negra.

- Então esses dois pirralhos conseguiram derrotar um Basilisco deixado pelo próprio Salazar Slytherin para continuar seu nobre trabalho de acabar com todos os sangues-ruins daquele castelo... – murmurou uma voz obscura, alterada magicamente para que ninguém pudesse identificá-la por detrás da máscara dourada.

Naquele momento, num enorme salão da mansão, dezenas de magos e bruxas se encontravam ajoelhados, trajando apenas vestes negras, pois haviam guardado suas máscaras prateadas para se apresentarem ao Imperador. Este, por sua vez, encontrava-se sentado num trono de mármore, a máscara dourada em seu rosto lembrava a todos uma espécie de caveira e os assustava ainda mais... Somente os cinco magos presentes no círculo interno sabiam a identidade do Imperador e permaneciam de pé, parados estoicamente ao lado do trono, enquanto seu líder reduzia a um punhado de cinzas, com um poderoso feitiço sem varinha, a recente edição do Profeta Diário.

- O senhor acha que essas crianças lhe causarão problemas futuramente? – perguntou Lucius Malfoy, um dos membros do círculo interno de seguidores.

- Silêncio, Malfoy, o que eu acho ou deixo de achar não lhe diz respeito.

- Perdoe-me, Imperador.

- No entanto, agora eu já sei o que fazer quando liberar nossos companheiros da prisão de Azkaban... – todos intuíam a presença de um horripilante sorriso por detrás da máscara – Dispensados.

- Sim, Imperador.

- Ah, mais uma coisa... Parabéns pelo seu casamento, Dolohov.

- Obrigado, Imperador – o homem ajoelhado fez uma profunda reverência e logo todos desaparataram da sala.

-x-

Com a chegada do final do ano letivo em Hogwarts, os irmãos Potter se viram ovacionados por todos os estudantes e professores do castelo ao receberem das mãos do diretor, no jantar de despedida, um prêmio por serviços prestados à escola. Cabe apontar que, neste meio tempo, a única diversão dos dois fora notar que Gilderoy Lockhart havia sido levado a St. Mungus por causar sua própria perda de memória, vendo-se, assim, afastado do cargo de professor de Duelos.

Nesta bela manhã de sol, porém, Harry e Tom se encontravam na segurança e no conforto de sua casa, dormindo abraçados na cama do maior, rodeados pela conhecida e aconchegante decoração de seu quarto, enquanto sua mãe provavelmente fazia panquecas para o café da manhã no andar debaixo. Por esse motivo, ao acordar com o pequeno corpo de Harry abraçado ao seu, Tom não pôde deixar de se lembrar do beijo trocado na Câmara Secreta, que desde então não havia se repetido, isto é, apenas em seus sonhos impuros.

Havia algo errado com ele?

Era normal possuir tais desejos?

Afinal, Harry era seu irmão...

Mas, ao observar o pequeno e cálido corpo abraçado ao seu, as pálpebras suaves, os lábios rosados entreabertos... Tom não conseguia pensar em outra coisa, senão em beijar aqueles lábios e acariciar a tez pálida que lhe era oferecida pelo pijama bonito de leõezinhos que mal escondia as bonitas curvas de Harry.

Tom amava o irmão.

Mas talvez ele o amasse de maneira mais profunda, mais intensa... Isso seria errado?

- Eu preciso perguntar a eles – murmurou para si mesmo, levantando-se devagar e com cuidado para não acordar o menor.

Tom havia decidido.

Ele iria perguntar a seus pais se tais sentimentos eram errados ou não. James e Lily com certeza teriam a resposta.

Ao chegar à cozinha, na ponta dos pés para não fazer barulho, Tom espreitou por detrás da porta e observou seus pais conversando: James com uma xícara de café na mão e Lily colocando algumas panquecas em seu prato. Ele estava prestes a entrar no local quando ouviu o irritado suspiro de seu pai:

- Isso é um absurdo.

- Eu sei querido, neste ponto os muggles estão certos – concordou a ruiva, sentando-se ao seu lado – Casamento entre familiares é algo inaceitável.

- Apenas famílias de magos e bruxas das trevas aceitam e incentivam tais costumes, para não se misturar com linhagens "impuras".

Lily acenou, servindo-se de uma xícara de café também:

- Sirius me falou que sua mãe queria que ele se casasse com a prima – comentou, notando o sorriso sarcástico se formar nas belas feições do marido:

- Exatamente! E veja o que tantos casamentos consanguíneos fez com o estado mental de Bellatrix.

- Os Dolohov também são uma família de costumes duvidosos... – ponderou.

- Eles praticam magia das trevas, eu sei disso! – grunhiu, amassando a coluna social do Profeta Diário, na qual os noivos Dolohov acenavam para a câmera e anunciavam o local e a data de seu casamento – Tenho certeza de que participam da Ordem Negra também, mas seu dinheiro e influência os mantêm seguros, como os Malfoy, os Rosier...

- Sim, isso é um absurdo – concordou a mulher, lembrando-se do que havia lido – Antonin Dolohov se casará com o próprio sobrinho...

- Incesto! – rugiu James. E Tom, atrás da porta, sentiu o sangue gelar ao notar a fúria de seu pai – É nojento!

Tendo conseguido a resposta que buscava, mas não da forma que queria, Tom correu de volta para o quarto, pois sentia que se ouvisse mais uma palavra a respeito do nojo que seus pais sentiam de relações incestuosas, sua magia e sua raiva se descontrolariam. Chegando ao quarto que dividia com Harry, porém, toda a sua raiva se dissipou, pois o menor permanecia deitado na cama, mas agora o encarava com um pequeno muxoxo, acenando para que Tom voltasse para o seu lado:

- Onde você foi? – Harry murmurou sonolento.

- Beber água – mentiu, voltando a se deitar e sentindo o coração se acalmar ao notar o pequeno corpo retomar o aconchegante abraço.

- Senti sua falta...

Para surpresa de Tom, o menor o beijou.

E, neste momento, nada mais importava.

Continua...

Próximo Capítulo: - Houve uma fuga em massa de Azkaban!

-x-

Esclarecimentos:

1) Tom é herdeiro de Slytherin e Harry é herdeiro de Gryffindor, mas como eles acham que são irmãos, intuíram que o Basilisco se referia aos dois quando mencionou o herdeiro de Gryffindor e não apenas a Harry. Quem me deu esta maravilhosa ideia, inclusive, foi TaiSouza! Muito obrigada mesmo, honey! Adorei o fato de o Basilisco os atacarem por Harry ser o herdeiro de Gryffindor! Genial!

2) O Imperador da Ordem Negra finalmente deu o ar de sua graça! E deixo-lhes aqui uma dica: sua identidade real já apareceu na história... Será que vocês imaginam quem seja? E não, não é o Tom (obviamente).

-x-

N/A: Olá, meus queridos leitores! Cá estou eu para a última postagem do ano! E na correria, pois queria postar este capítulo para vocês antes da virada! Bem, espero que vocês tenham gostado e que deixem suas REVIEWS me dizendo o que acharam de tudo... O Imperador finalmente apareceu! Ui, estou tão animada! E o pobre Tom percebeu que seus pais, como bons magos da luz, não são favoráveis a incesto e isto complica um pouco as coisas... Hehehe... Mas Harry e seus doces beijos estão lá para acalmá-lo! No próximo capítulo, meus queridos, a coisa entre os dois começa a esquentar... Mais perigos aparecem... E mais pessoas más morrem nas mãos do Tom por tentarem fazer mal ao Harry... Mas agora só no ano que vem! E prevejo que esta história tenha mais de vinte e oito capítulos... Sim, sim, vai depender apenas das maravilhosas REVIEWS de vocês!

Aproveito então para agradecer às lindíssimas REVIEWS de:

Sandra Longbottom... Pandora Beaumont... Blackverdammt... Caterine Black Potter Malfoy... boarcas... TaiSouza... Srta Laila... Sophie Malfoy... Bruna Uzumaki... lunadressa... SarahPrinceSnape... justdeel... Lady Malfoy... yggdrasil001... Dels... Luna hyacintho... VictoriaLombardi... vrriacho... Dyeniffer Mariane... Yume... E Anjelita Malfoy!

Um maravilhoso começo de ano para todos!

FELIZ 2014!

Grande beijo! E até a próxima atualização de
O Charme da Insanidade.