Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

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Férias.

Uma pequena palavra repleta de significado. Para alguns, a possibilidade de ficar em casa, desfrutando de horas e horas de ócio improdutivo. Mas para outros, outros como o herdeiro da família Black, consistia no momento oportuno de viajar com seus amigos em seu novíssimo iate de luxo. Por esse motivo, neste exato momento, Lily estava tomando sol em uma das elegantes espreguiçadeiras brancas do convés, seu lindo corpo coberto por um biquine verde esmeralda e os óculos escuros dando o toque final ao seu ar de estrela de cinema. Remus lia um bom livro ao lado de sua amiga, deixando seu corpo pálido sob o guarda-sol, mas desfrutando imensamente também daquele belo dia ensolarado. James e Sirius, por sua vez, divertiam-se no minibar do convés criando diferentes drinques com bebidas mágicas e muggles ao som de um famoso rock muggle.

Enquanto isso, Harry e Tom estavam na piscina do convés, perseguindo um ao outro num jogo de pega-pega particular. Na piscina, a cachoeira de espelhos d'água deixava o calor da costa ibérica muito mais agradável. Sem dúvida alguma, Sirius havia feito um excelente investimento ao comprar o iate de um empresário muggle. A embarcação em questão possuía quatro cabines para hóspedes, todas com suítes e vista panorâmica, numa decoração elegante e minimalista, com um mix de materiais transparentes com abertura para o exterior que deixavam a luz natural entrar. Um verdadeiro paraíso que deixaria o próprio Lucius Malfoy impressionado com a elegância e a tecnologia muggle.

- Peguei você – anunciou Tom, abraçando o pequeno corpo do irmão pelas costas e sentindo as risadas de Harry em seu peito:

- Não vale! – protestou o menor, sem tentar se desvencilhar dos musculosos braços do irmão – Eu não vi você chegando...

- Ora, esse é o intuito.

- Slytherin – suspirou, num falso tom deprimido.

- Com muito orgulho.

Ainda rodeado pelos braços do irmão, Harry se virou para encará-lo e deparou-se com o corpo escultural de dezesseis anos, forte e tonificado, o sorriso brilhante e um par de olhos castanhos que o encaravam com diversão. E mais uma vez, Harry sentiu as bochechas corarem. Durante todas as férias de verão, sempre que dedicava um olhar ao irmão, contemplando seu belo corpo coberto pela sunga negra, ou acordava em seus braços na espaçosa cama da suíte que dividiam, Harry sentia o rosto corar e um estranho calor percorrê-lo. Certas partes de seu corpo também começaram a reagir de maneira inesperada à presença do irmão e Harry se sentia cada vez mais envergonhado e confuso. Mas, ao mesmo tempo, ele não queria parar de tocar o irmão, deixar de acordar em seus braços, sentir seus beijos, suas carícias...

- Está tudo bem, pequeno? – Tom havia sentido o pequeno corpo de Harry ficar tenso em seus braços e agora, encarava-o com preocupação.

- Sim, está tudo bem...

- Talvez você tenha ficado tempo demais no sol, vamos sair da água.

- Eu estou bem, Tom – garantiu, colocando um pequeno beijo no pescoço do irmão. Tom, por sua vez, suspirou satisfeito, acariciando a cintura do menor.

Antes que Harry pudesse pensar numa desculpa para se afastar de Tom, pois aquela embaraçosa parte de seu corpo havia começado a dar sinais de interesse pelas carícias de seu irmão, a animada voz de sua mãe surpreendeu os dois:

- Meninos, o almoço está pronto – anunciou Lily, sorrindo ao ver seus filhos abraçados na piscina – Venham!

Rapidamente, Harry deu um beijo estalado na bochecha do irmão e saiu da piscina, enrolando-se na toalha vermelha que repousava sobre sua espreguiçadeira. Instantes depois, o jovem Gryffindor sentiu um roupão branco felpudo rodeá-lo e sorriu para Tom, que agora secava seu cabelo com a toalha vermelha. Após se secarem e colocarem os roupões por cima da sunga, os dois seguiram para a mesa principal do deck, onde seus pais e padrinhos já estavam acomodados, esperando os elfos domésticos terminarem de servir os deliciosos pratos.

- Os muggles chamam isso de caipirinha – informou Sirius, solenemente, colocando os quatro drinques em cima da mesa.

- Não, obrigada – recusou Lily, preferindo se servir de um copo de suco de abacaxi com hortelã.

- Parece bom... – Harry sorriu, alcançando o copo que sua mãe havia recusado, mas este foi imediatamente retirado de sua mão por um tranquilo Tom – Hey!

- Vamos, Tom – pediu James, divertido – Só um golinho não faz mal.

- Não.

- Pelo visto, Tom é mais responsável do que vocês dois juntos – afirmou Lily, orgulhosamente, referindo-se a James e Sirius.

- Ah, mas isso não é novidade alguma...

- Até você, Remus? – Sirius choramingou e todos começaram a rir.

O delicioso almoço servido pelos dois elfos domésticos que Sirius havia recrutado para cuidarem do iate consistia em camarões servidos abertos e grelhados com casca, acompanhados de arroz, batata corada e um delicado molho de alho, salsinha e manteiga. Havia também camarões grelhados na chapa, guarnecidos de arroz e legumes na manteiga. E ainda, entre os pratos com ingredientes do mar, destacavam-se as anchovas grelhada inteira com legumes e batatas sauté.

Na hora da sobremesa, para delírio de Harry, diferentes tipos de sorvetes foram servidos com inúmeras coberturas e confeitos diversificados para incrementá-los.

- Querido, sua boca... – Lily comentou divertida, notando os contornos da pequena boca de Harry cobertos de calda de chocolate. Harry, porém, não esperou que sua mãe apanhasse o guardanapo para limpá-lo, virando-se para o irmão, que, imediatamente, usou o próprio guardanapo para limpar a bagunça nos lábios do menor.

De repente, interrompendo o agradável clima de férias em família, uma coruja marrom com penugens douradas aterrissou no encosto da cadeira de James e estendeu a este uma carta lacrada com o selo do Ministério da Magia. Pelo silêncio que se seguiu, Harry intuiu que não deviam ser boas notícias.

- James? – Lily murmurou preocupada. E o comandante do quartel general dos Aurores, após ler a carta, entregou-a para Sirius sem dizer uma única palavra.

O herdeiro da fortuna Black também a leu rapidamente.

E sob o olhar expectante de todos, Sirius amassou a carta em seu punho, trocando um olhar preocupado com James.

- O que está acontecendo? – Remus finalmente perguntou.

- Houve uma fuga em massa de Azkaban.

- Isso não é possível... – murmurou Tom, franzindo o cenho enquanto segurava protetoramente a mão de Harry – Ninguém jamais fugiu de Azkaban antes.

- Eu sei disso, campeão – James parecia a ponto de lançar a maldição da morte em alguém –, mas aqueles malditos da Ordem Negra conseguiram não só invadir Azkaban, como libertaram quinze magos e bruxas que haviam sido presos por praticar magia negra e comercializar itens de procedência duvidosa.

- Filhos da...

- Sirius!

- Desculpe, Lily.

- Nós precisamos voltar – suspirou James, ganhando um imediato aceno de Sirius:

- É claro, vou avisar aos elfos para mudarem o rumo.

Imediatamente, James e Sirius começaram a discutir como proceder quando chegassem à Londres, enquanto Remus e Lily trocavam olhares preocupados e se levantavam para arrumar as malas, garantindo aos adolescentes que tudo ficaria bem. Harry, no entanto, não depositava muita confiança no sorriso trêmulo de sua mãe e agora, sozinho no convés com o irmão, não pensou duas vezes antes de correr para o colo de Tom e enterrar o rosto em seu peito:

- Eles devem ser muito poderosos para conseguir invadir Azkaban...

Tom permaneceu em silêncio, apenas acariciando os cabelos bagunçados do menino em seu colo, e Harry continuou:

- Eu... Eu estou com medo...

- Você não precisa ter medo, pequeno. Nosso pai e Sirius irão pegá-los com certeza – garantiu – E eu não vou deixar ninguém chegar perto de você para machucá-lo, ouviu?

- Mas...

- Você confia em mim?

- Sim, você sabe que sim, Tom – acariciando os lábios do menor, Tom o beijou suavemente, aproveitando que não havia ninguém no convés.

Harry corou.

E logo esqueceu todas as suas preocupações.

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A despedida de seus pais na plataforma ¾ se deu de forma tensa e repleta de olhares preocupados. Lily repetiu inúmeras vezes que tomassem cuidado e mandassem uma coruja para casa se algo acontecesse. James, por sua vez, não conseguia esconder a preocupação e o estresse provenientes das duas semanas que passara buscando os foragidos, sem sucesso. Por esse motivo, quando o trem anunciou a partida, Tom não se preocupou em gastar muito mais tempo com seus pais e puxou Harry para a brilhante locomotiva vermelha.

Não demorou muito para Harry e Tom encontrarem uma cabine vazia, pois o jovem Gryffindor não se preocupou em procurar pelos amigos, já que os veria em Hogwarts e logo, quando o trem começou a se movimentar e deixar para trás a estação, os dois irmãos se viram sentados lado a lado no confortável banco acolchoado. Neste momento, olhando de soslaio para o bonito perfil de seu irmão, Harry não podia deixar de corar.

Tom era lindo.

Ele possuía uma beleza misteriosa e magnética, algo que mesclava obscuridade, malícia e esperteza. O corpo de dezesseis anos havia se desenvolvido incrivelmente bem, de tal forma que, nas festas de final de ano, Ninfadora Tonks havia brincado dizendo que muitas agências de modelo muggles o contrariam para ser modelo de roupas íntimas. Cabe destacar que, neste momento, Tom havia fuzilado a pobre moça com o olhar e arrastado Harry para fora da sala... Mas a menina estava certa. Tom era lindo. E de uns tempos para cá, quando os hormônios adolescentes começaram a se agitar em seu corpo de treze anos, Harry passou a se dar conta disso.

Ele sempre havia amado e admirado o irmão.

Mas agora, Tom lhe parecia irresistível...

- Por que você está corando tanto? – uma voz rouca perguntou em seu ouvido. E Harry deu um pulo, corando ainda mais, algo que não havia pensado ser possível.

- O que?... Não, não é nada...

- Você está pensando em alguém? – de repente, os olhos de Tom ganharam um perigoso brilho vermelho, mas Harry apenas balançou a cabeça, envergonhado.

Como dizer que estava pensando nele?

Porque, convenhamos, pensar que o próprio irmão é lindo e sentir o corpo responder de forma pouco sutil a tais pensamentos não pode ser considerado normal, não é mesmo?

- Harry...? – Tom insistiu, os olhos brilhando perigosamente, cada vez mais vermelhos, ao pensar que Harry poderia estar interessado em alguém.

- Eu estava pensando em você.

- Oh...

Dizer que Tom estava surpreso seria dizer pouco.

Ele estava surpreso e muito feliz.

- Isso é ótimo, pequeno – sorriu, puxando o menor para seu colo e pousando um delicado beijo em seu pescoço – porque eu nunca deixo de pensar em você.

- Eu sei – sorrindo, os dois irmãos passaram a aproveitar a proximidade para desfrutar de pequenos beijos e delicadas carícias, enquanto conversavam sobre amenidade e contemplavam a bela paisagem oferecida pela janela do vagão.

Obviamente, aquela cena não seria muito bem compreendida por qualquer um que os visse agora, mas para Harry e Tom os beijos superficiais e as pequenas carícias trocadas pareciam tão naturais quanto acordar todas as manhãs com o delicioso cheiro das panquecas feitas por sua mãe. Era como se o corpo de um fosse destinado a ser tocado pelo outro. No entanto, os dois sabiam – conscientemente no caso de Tom, ao ouvir seus pais conversarem, e inconscientemente no caso de Harry – que tais sentimentos não eram considerados normais ou socialmente aceitáveis... Eles eram irmãos, não podiam sentir o estranho desejo de tocar, beijar e acariciar um ao outro... Este desejo deveria ser reservado a alguém especial, ao rapaz ou menina que escolhessem para partilhar suas vidas. Mas Harry e Tom não queriam mais ninguém. Eles queriam um ao outro e pouco a pouco iam se dando conta disso...

Ao longo do trajeto, quando já estavam na metade do caminho para Hogwarts, os dois conversavam sobre a primeira ida de Harry ao famoso povoado de Hogsmeade. Tom não havia saído para o povoado bruxo desde que seu irmão chegara à escola, pois preferia ficar com Harry no sossego de seu salão comunal a sair com os idiotas de Pucey e Montague para comprar bobagens, mas agora, Tom estava animado para mostrar ao irmão os todos os lugares interessantes que Hogsmeade poderia oferecer:

- Tenho certeza de que você irá adorar a Zonko's.

- Será nossa primeira parada em Hogsmeade!

- E a Dedosdemel...

- Segunda parada!

- E a Casa dos Gritos, onde Remus se recolhe durantes as noites de lua cheia...

- Eu sempre quis ir lá! – Harry sorria animado, praticamente pulando no colo do irmão, algo que fazia o Slytherin ligeiramente desconfortável.

- Sim, eu sei pequeno.

Quando as belas árvores e arbustos encharcados pela chuva e expostos pela janela do vagão foram se movendo cada vez mais lentamente, Harry estranhou, encolhendo-se inconscientemente nos braços do irmão:

- Por que estamos parando?

- Nós ainda não chegamos – afirmou o maior, consultando o relógio – não deveríamos estar parando agora.

O trem foi rodando cada vez mais lentamente. Quando o ronco dos pistões parou, o barulho do vento e da chuva de encontro à janela pareceu mais forte do que nunca. Deslizando cuidadosamente o irmão para fora de seu colo, Tom se levantou para espiar o corredor, onde dezenas de cabeças curiosas também surgiam à porta das cabines.

Finalmente, o trem parou completamente com um tranco, e baques e pancadas distantes sinalizaram que as malas tinham despencado dos bagageiros. Em seguida, sem aviso, todas as luzes se apagaram e o trem mergulhou na escuridão total.

- O que está acontecendo? – Harry sussurrou, abraçando o corpo do irmão, que havia voltado para o seu lado.

- Eu não sei...

- Acha que o trem enguiçou?

- Talvez – alcançando a varinha, Tom olhava para a porta da cabine com desconfiança – Fique onde está, Harry.

- Okay – murmurou, escondendo-se sob a figura protetora de seu irmão.

De repente, porém, um vulto negro surgiu à porta e esta se abriu antes que Tom pudesse alcança-la. Iluminado pelo Lumus que emergia da ponta da varinha de Tom havia um vulto de capa que alcançava o teto. Seu rosto estava completamente oculto por um capuz e uma mão saía da capa, uma mão quase cadavérica, de um cinza brilhante, aparência viscosa e coberta de feridas...

Um dementador.

Harry havia ouvido seu pai e Sirius falarem dos guardas de Azkaban, mas agora, inalando o frio que a criatura obscura produzia, notava o quão perigosos poderiam ser.

No entanto, quando Harry soltou um pequeno soluço de medo, os olhos de Tom brilharam furiosos, num vermelho assassino, e dementador se afastou. Pela primeira vez em séculos um dementador havia se afastado de um humano, mas Tom não dedicou qualquer pensamento a isto, apenas içou a varinha e rugiu:

- Expecto Patronum!

No instante seguinte, uma cobra imensa forjada de luz prateada se enrolou no dementador, que se agitou e deslizou para fora do vagão com a mesma rapidez com a qual havia entrado. E Tom imediatamente se voltou para o irmão:

- Você está bem, pequeno?

- Sim... – murmurou, deixando os braços fortes envolvê-lo – Esse foi... Esse foi o seu patrono?

- Parece que sim – sorriu, acariciando os cabelos bagunçados do assustado menino em seu colo – Eu nunca havia produzido um patrono corpóreo antes, nas aulas de Defesa, apenas luzes prateadas como todos os outros.

- Foi incrível.

- Eu sei.

- Convencido – riu.

Tom também sorriu, mas logo seu rosto ficou sério:

- Eles devem estar à procura dos foragidos de Azkaban.

- Será que vão voltar?

- Não, o trem voltou a andar agora – suspirou, abraçando o pequeno corpo em seu colo – Quer um chocolate? Eu posso procurar a senhora do carrinho de doces.

- Não precisa – garantiu – você o botou para correr antes que ele pudesse nos afetar de verdade.

- Eu disse que não deixaria nada machucá-lo, não disse?

- Sim.

Com um lindo sorriso, Harry uniu seus lábios num beijo amoroso e deixou a habilidosa língua de Tom acariciar sua boca sensível. E sem dúvida alguma, aquela sensação doce e acolhedora não poderia se comparar nem a todo o chocolate do mundo.

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No Salão Comunal, depois da seleção dos novos alunos e enquanto o jantar de boas-vindas não começava, o burburinho se fazia cada vez maior, devido à estranha parada do trem e aos boatos de existirem dementadores espreitando agora os arredores da escola. Na mesa das serpentes, Harry, por sua vez, contava aos amigos sobre os feitos heroicos de Tom no Expresso Hogwarts e como este havia afugentado sozinho um dementador com nada menos que um patrono corpóreo.

- Isso é mesmo incrível – afirmou Hermione – Patronos corpóreos são muito difíceis de conjurar.

- Para conjurá-lo o mago deve pensar em algo que o faça realmente feliz – comentou Adrian Pucey, pela primeira vez, distraído de seu livro de poções.

- Em que você pensou? – perguntou Harry.

- Em você, é claro.

Todos os Slytherins reviraram os olhos e Hermione bufou divertida, mas Harry imediatamente abriu um lindo sorriso e abraçou o irmão. Neste momento, um silêncio repentino interrompeu no aposento, pois Dumbledore havia se levantado para o seu discurso anual. No entanto, ele não parecia tão animado quanto nos últimos anos:

- Sejam bem-vindos! – começou Dumbledore, sem um terço de sua animação habitual – Sejam bem-vindos para mais um ano em Hogwarts! Tenho algumas coisas a dizer a todos, e uma delas é muito séria...

Harry nunca havia visto o rosto do velho diretor tão sombrio quanto naquele momento.

- Como vocês todos perceberam – continuou Dumbledore – houve uma busca no Expresso Hogwarts pelos foragidos de Azkaban e agora, por ordem do Ministério da Magia, os dementadores também estarão nos arredores da nossa escola. Eles estarão postados em cada entrada da propriedade e, enquanto estiverem conosco, é preciso deixar muito claro que ninguém deve sair da escola sem permissão. Dementadores são criaturas perigosas – declarou sombriamente –, por favor, não se esqueçam disso.

Tom apertou suavemente a mão de Harry debaixo da mesa, lançando um olhar significativo ao irmão, que lha dizia para não se meter em problemas. Mas o jovem Gryffindor apenas lhe ofereceu um brilhante sorriso.

- Agora, falando de coisas mais agradáveis – o diretor finalmente sorriu – o Prof. Kettleburn, que ensinava Trato de Criaturas Mágicas, aposentou-se no fim do ano passado para aproveitar os membros que lhe restam. E por esse motivo, tenho o prazer de informar que o seu cargo será preenchido por ninguém menos que Rúbio Hagrid!

Harry, Hermione, Draco e Pansy trocaram um olhar estupefato, pois o guarda-caça era famoso por gostar de cuidar de criaturas estranhas e perigosas. Em seguida, acompanharam os aplausos, vendo como o enorme homem tinha o rosto vermelho-rubi e olhava para as mãos enormes, o sorriso largo escondido no emaranhado de sua barba escura. Harry estava sinceramente feliz pelo meio-gigante, mas, ao seu lado, seu irmão não parecia muito animado com a notícia:

- Estou com um mau pressentimento... – suspirou Tom, observando Harry aplaudir alegremente enquanto o meio-gigante parecia enxugar os olhos na toalha de mesa.

- Ora, o que poderia dar errado? – perguntou Montague, animado com a possibilidade de conhecer as mais perigosas e obscuras criaturas.

- Isso é o que eu não quero descobrir.

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Na manhã seguinte, Tom acompanhava o irmão caçula e uma sorridente Pansy Parkinson para a primeira aula do dia, suspirando ao perguntar pela milionésima vez – segundo Harry – por que seu querido irmão havia escolhido aquela disciplina:

- Quero dizer, Runas Antigas é um assunto muito mais interessante – insistiu.

- Talvez para você...

- E para Draco e Hermione – acrescentou Pansy – Eles também preferiram Runas Antigas.

- Exatamente. Mas nós não gostamos tanto assim de números e desenhos esquisitos.

- Mas adivinhação...? – se Tom não fosse um orgulhoso Slytherin, aquele som poderia ter parecido um choramingar, mas este obviamente não era o caso.

- Isso mesmo, a bela e milenar arte da adivinhação!

- Com suas borras... – acrescentou Pansy.

- E cartas de tarô... – completou Harry.

- E mapas astrais...

- E o mais importante...

- Muito tempo livre! – exclamaram em conjunto. Pansy mostrando a coleção de revistas de moda que havia levado para ler na aula e Harry exibindo alegremente os artigos recém-lançados sobre Quadribol e esportes muggles.

Com um sorriso exasperado, Tom os deixou em frente ao alçapão que se abria numa escada prateada e os levava à sala de adivinhação, despedindo-se do irmão com um beijo no topo dos cabelos bagunçados e ignorando Pansy por completo. Não que isso fosse alguma novidade, pois raramente Tom reconhecia a presença de alguém além de Harry.

Finalmente, Harry e Pansy adentraram na sala mais esquisita e horrenda – segundo a mortificada Slytherin – que poderia existir em Hogwarts. Na realidade, sequer lhes parecia uma sala de aula, e, sim, uma cruza de sótão com salão de chá antigo. Havia, no mínimo, vinte mesinhas circulares rodeadas por cadeiras forradas de chintz e pequenos pufes estufados. O ambiente era iluminado por uma fraca luz avermelhada; as cortinas às janelas estavam fechadas e os vários abajures cobertos com xales vermelho-escuros.

- Isso é um verdadeiro atentado ao bom gosto!

- Calma, Pansy. Respira... Respira...

- A pessoa que decorou este lugar merece a pior cela de Azkaban!

- Sem dúvida – sorriu, sentando-se ao lado da amiga num dos horrendos pufes. Pouco a pouco os alunos começaram a chegar, a maioria também olhando com incredulidade e desgosto para os detalhes da decoração. Por fim, quando todos já estavam acomodados, uma voz saiu subitamente das sombras, uma voz suave, meio etérea.

- Sejam bem-vindos. Que bom ver vocês no mundo físico, finalmente.

- Morgana do céu, o que é aquilo? – Pansy olhava horrorizada para a mulher de meia idade que havia surgido no meio da sala. A impressão imediata de Harry foi a de estar vendo um inseto cintilante. Sibila Trelawney usava óculos imensos, que deixavam seus olhos ainda maiores, um xale diáfano, salpicado de lantejoulas e inúmeras pulseiras, anéis e correntes e colares de contas no pescoço.

- Bem-vindos à aula de Adivinhação, a mais difícil das artes mágicas. Devo alertá-los logo de início que se não possuírem clarividência, terei muito pouco a ensinar a vocês. Saibam que a arte de desvendar o futuro é para poucos... Você, menino – disse ela de repente a Neville Longbottom, que quase caiu do pufe – Sua avó vai bem?

- Acho que vai – respondeu o trêmulo menino.

- Eu não teria tanta certeza se fosse você, querido – disse a professora, enquanto a luz das chamas fazia faiscarem seus longos brincos dourados. Neville engoliu em seco.

Mas Sibila continuou tranquilamente:

- Vamos descobrir os métodos básicos de adivinhação este ano... – prosseguiu em seu discurso. Naquele momento, para distrair seus olhos da terrível decoração e da própria professora, Pansy estava concentrada na última edição da revista Pó de Fada, enquanto Harry, por sua vez, inteirava-se sobre a mais nova vassoura de corrida lançada no mercado: a Firebolt. Somente quando os dois ouviram Sibila dizer para formarem duplas e se servirem de uma xícara de chá, eles voltaram à atenção para a aula.

Sem um pingo de interesse, Harry e Pansy levaram suas xícaras para encher, voltaram à mesa e começaram a beber o chá de jasmim. Instantes depois se colocaram a sacudir a borra conforme a professora mandava e logo viraram as xícaras e as trocaram entre si.

- Certo – disse Harry, depois de abrir o livro na página seis – Humm...

- Espero que Draco e Hermione também não estejam se divertindo.

- Abram suas mentes, meus queridos, e deixem os olhos verem além do que é mundano! – gritou Sibila na penumbra.

- Meus olhos estão implorando para ver além dessa decoração horrível, isso sim – suspirou a menina, fazendo o mesmo com a xícara de Harry – Vejamos... Você tem uma espécie de cruz torta...

- E você parece ter uma espécie chapéu pontudo... Humm... Aqui diz que talvez você vá trabalhar no Ministério da Magia, Pansy.

- Oh, céus, espero que não. Eu odeio as roupas que eles usam.

A professora se virou quando Harry deixou escapar uma risada.

- Deixe-me ver isso, querida – disse ela em tom de censura a Pansy, aproximando-se num ímpeto e tirando a xícara de Harry da mão da menina. Todos se calaram para observar.

Sibila então examinou a xícara, e girou-a no sentido anti-horário.

- O falcão... meu querido, você tem alguém que o protege acima de tudo.

- Mas todos sabem disso – comentou Pansy num cochicho audível. Sibila a encarou, mas a jovem Slytherin apenas deu de ombros – Ora, todo mundo sabe que Tom protegeria o irmão com a própria vida.

Todos na sala balançavam a cabeça, concordando. Rony Weasley, sentado com Seamus Finnigam logo à frente, havia estremecido, lembrando-se bem do lado protetor de Tom para com o irmão. A professora, por sua vez, preferiu não responder. Tornou a baixar seus enormes olhos para a xícara de Harry e continuou a girá-la.

- Uma rosa... um forte laço familiar...

Todos observavam, hipnotizados, a professora, que deu um último giro na xícara, ofegou e soltou um berro. Ouviu-se uma onda de porcelanas que se partiam tilintando. Neville destruíra sua segunda xícara, mas Sibila parecia assustada demais para sequer notar o barulho:

- Oh, meu querido menino... Pobrezinho... Você tem o Sinistro.

- O que? – perguntou Harry.

- O Sinistro, meu querido, o Sinistro! – exclamou a professora, que parecia chocada com o fato de Harry e todos os demais não terem entendido – O cão gigantesco e espectral que assombra cemitérios! É um mau agouro, o pior de todos... O agouro de morte!

Todos tinham os olhos fixos em Harry, todos exceto Pansy, que se levantara e procurava chegar às costas da professora:

- Eu não acho que isso pareça um Sinistro – disse com firmeza.

Sibila mirou a menina atentamente e com crescente desagrado.

- Desculpe-me dizer isso, minha querida, mas não percebo muita aura ao seu redor. Pouquíssima receptividade às ressonâncias do futuro...

- Ora, eu também não percebo um pingo de senso de moda em você e não estou reclamando.

Sibila engasgou e a classe inteira riu.

- Bem, acho que vamos encerrar a aula por hoje – disse a professora no tom mais etéreo possível, fingindo não ter ouvido a menina – É... por favor, guardem suas coisas...

As risadinhas ainda podiam ser escutadas quando Harry e Pansy desceram as escadas. Muitos cumprimentaram Pansy no caminho. Esta, no entanto, tinha um olhar atento pousado em Harry.

- Não se preocupe com as bobagens que ela disse, ouviu?

- Não estou preocupado – garantiu – mas, por favor, não mencione nada disso para o meu irmão, está bem? Ele não acredita nessa bobagem de adivinhação e borra de chá, mas com certeza enforcaria a professora Trelawney por tentar me assustar.

- Ora, bem que ela merece.

- Pansy...

- Tudo bem, não vou falar nada.

- Obrigado – com um sorriso agradecido, Harry seguiu a amiga para a próxima aula.

Ele realmente não se preocupava com as previsões de Sibila.

Afinal, seu irmão sempre estaria lá para protegê-lo.

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- Vamos, andem depressa! – Hagrid falou quando os alunos se aproximaram – Tenho uma coisa ótima para vocês hoje! Vai ser uma grande aula! Estão todos aqui? Certo, então me acompanhem.

Os alunos do terceiro ano tentavam não deixar transparecer sua apreensão, mas conhecendo a fama do meio-gigante, muitos temiam que Hagrid os levasse para a Floresta Proibida. No entanto, o guarda-caça contornou a orla das árvores perto de sua cabana e cinco minutos depois eles estavam diante de uma espécie estábulo a céu aberto. Não havia nada ali.

- Todos se agrupem em volta dessa cerca! – mandou ele – Isso... procurem garantir boa visibilidade... agora, a primeira coisa que vão precisar é abrir os livros...

- Como? – perguntou a voz fria e arrastada de Draco. Ele não parecia nem um pouco feliz com os violentos livros.

- Ora, é só fazer carinho neles...

Com um olhar de desdém marca registrada Malfoy, Draco passou a acariciar o livro, que começou a ronronar.

- Harry, onde está seu livro? – perguntou Hermione, que já havia conseguido abrir o dela.

- Ele tentou me atacar pouco antes de virmos para Hogwarts.

- E o que aconteceu?

- Bem... – murmurou, desviando o olhar – Tom o queimou.

- Oh, céus – a menina suspirou, sabendo do obsessivo instinto de proteção de Tom – Você pode acompanhar comigo.

- Obrigado, Mione.

- Muito bem, vocês não vão precisar do livro por enquanto, apenas observem esta magnífica criatura... – disse Hagrid, apontando para o animal que chegava ao meio do cercado. O bicho em questão tinha o corpo, as pernas traseiras e a cauda de cavalo, mas as pernas dianteiras, as asas e a cabeça lembravam uma água gigante, com bico cinza-metálico e enormes olhos laranja-vivo.

Era impressionante.

E um pouco assustador também.

- Seu nome é Bicuço, alguém sabe o que ele é?

- Um Hipogrifo.

- Exatamente, Srta. Granger. Dez pontos para Gryffindor – aplaudiu Hagrid – Lindo, não acham?

Poucos pareciam concordar com Hagrid, mas Harry via um tipo de beleza exótica ali.

- Agora, a primeira coisa que vocês precisam saber sobre hipogrifos é que são orgulhosos – explicou o guarda-caça – Se ofendem com facilidade. Nunca insultem um bicho desses. E na hora de se aproximarem, esperem sempre o hipogrifo fazer o primeiro movimento, é uma questão de cortesia, entendem? Certo, quem vai ser o primeiro?

Todos deram um passo para trás.

Mas Harry, ainda admirado com o animal, sequer ouvia as palavras de Hagrid.

- Ah, excelente, Harry! Pode vir aqui!

- Espera... O que? – assustado, Harry logo se viu arrastado pelo alegre meio-gigante e posicionado à frente do hipogrifo.

- Isso mesmo... agora, faça uma reverência...

Harry não se sentia muito animado a expor sua nuca para Bicuço e agradecia que Tom não estivesse ali para torturar o pobre Hagrid com todas as maldições que havia aprendido nos livros de Slytherin. Finalmente, após respirar fundo, conseguiu se curvar brevemente e ergueu os olhos. Para sua surpresa e deleite, o hipogrifo dobrou os escamosos joelhos dianteiros e afundou o corpo em uma inconfundível reverência.

Todos soltaram exclamações de surpresa.

Pansy já não lixava as unhas, os olhos cheios de animação fixados na cena.

Hermione, preocupada, havia segurado a mão de Draco sem perceber. E loiro, por sua vez, apertava nervosamente a mão da menina.

- Muito bem, Harry! – aplaudiu Hagrid, extasiado – Certo, agora pode tocá-lo! Acaricie o bico dele, vamos!

Harry avançou devagar para o hipogrifo e estendeu a mão. Acariciou seu bico várias vezes e o bicho fechou os olhos demoradamente, como se estivesse gostando. A turma prorrompeu em aplausos, à exceção de Rony Weasley e seus amigos, Seamus e Dino, que pareciam cheios de inveja mal contida.

- Perfeito, Harry, creio que você já pode montar nele.

- O que? – arregalando os olhos, e antes de poder negar educadamente a oferta do animado professor, Harry se viu suspenso no ar pelas enormes mãos do meio-gigante e colocando suavemente sobre as costas do hipogrifo.

- Cuidado para não arrancar nenhuma pena... – avisou Hagrid, antes de dar uma palmada nos quartos de Bicuço.

Sem aviso, as asas de quase quatro metros se abriram a cada lado de Harry; ele só teve tempo de se agarrar ao pescoço do hipogrifo e já estava voando para o alto. Não foi nada semelhante a uma vassoura e Harry soube na hora qual dos dois preferia, mas não era tão ruim assim... Ele agora deixava para trás toda a turma e subia aos céus, balançando para frente e para trás quando os quartos do hipogrifo subiam e desciam acompanhando o movimento das asas.

Quando Harry se viu sobrevoando o lago negro, todo o desconforto e receio já havia sido esquecido e um sorriso brilhante dançava em seu rosto. Bicuço então sobrevoou as torres mais altas de Hogwarts e passou por cima do pátio do castelo.

E, naquele momento, os olhos de Harry encontram os de Tom...

"Droga" – pensou Harry, identificando claramente o brilho escarlate furioso no olhar de seu irmão.

- Vamos, Bicuço, precisamos voltar depressa – murmurou, torcendo para que o hipogrifo pudesse entendê-lo. E por um milagre arquitetado talvez pelo próprio Merlin, o animal pareceu escutá-lo.

Cinco minutos depois, Harry aterrissava sob aplausos e assobios ao lado de Hagrid.

No entanto, neste exato momento, um furioso Tom também chegava ao local.

- O que está acontecendo aqui?

- Tom, espera... – Harry havia descido do lombo de Bicuço rapidamente e corrido para o irmão, que apenas segurou seu pulso com força, colocando-o atrás de si.

- Seu idiota irresponsável, o que você acha que está fazendo? – o Slytherin gritava com Hagrid, apontando-lhe a varinha perigosamente. Todos encaravam a cena com preocupação, mas sem dizer uma única palavra.

- E-Eu... Eu...

- Uma desculpa patética de ser humano como você não poderia ter sido nomeado professor!

- Tom, por favor... – Harry murmurou, mas a mão em seu pulso apenas apertou com mais força.

Tom estava realmente irritado.

- Eu não fiz nada... E-Eu não queria machuca-lo... Hipogrifos são incompreendidos...

- Incompreendidos e mortalmente perigosos, seu idiota!

- Eu estou bem, Tom, acalme-se, por favor...

- Um animal imundo como este não deveria estar numa escola!

Os olhos brilhantes e cheios de raiva se voltaram para Bicuço, que eriçou pela hostilidade de Tom. O pobre animal, sentindo-se ameaçado pelos gritos do ser humano, fez o que qualquer animal faria...

Ele atacou.

- Tom!

- Incarcerous! – imediatamente, inúmeras cordas rodearam o corpo do hipogrifo e o arrastaram para o chão, dolorosamente, sob dezenas de olhares chocados.

Tom, por sua vez, apenas olhava com puro desgosto para o animal.

- Veja como este animal pode ser perigoso!

- Mas... Ele se sentiu ameaçado... Bicuço não é mau...

- Eu deveria acabar com ele e então, garantir que você seja expulso dessa escola.

Com um puxão repentino, Harry se soltou e se colocou à frente de Tom, protegendo Bicuço:

- Não o machuque, por favor! Se você machucá-lo, eu nunca irei perdoá-lo!

- Harry...

- Não aconteceu nada, pelo amor de Merlin, pare de agir como um louco!

- Eu estava preocupado com você.

- Eu sei, mas você não pode machucar uma criatura inocente por causa disso.

Com um grunhido irritado, Tom fez as cordas que prendiam Bicuço desaparecerem e lançou um olhar gelado para Hagrid:

- Se eu ver este animal por aqui novamente, ou qualquer outro com o mesmo potencial de perigo, ser mandado embora será a sua menor preocupação, entendeu?

- S-Sim... – Hagrid murmurou. E era quase estranho pensar que um adolescente de dezesseis anos poderia ameaçar um meio-gigante. Mas o brilho furioso no olhar de Tom poderia fazer o próprio Alvo Dumbledore sentir receio.

- Vamos – arrastando Harry pelo pulso, Tom o levou de volta para o castelo.

E a última coisa que Harry pôde ouvir foi Hagrid afirmando que a aula estava encerrada e que talvez não tivesse sido mesmo uma boa ideia mostrar-lhes um hipogrifo. Ao longe, Bicuço acenou uma última vez para Harry, balançando a imensa cabeça, como se estivesse agradecido.

E deveria estar mesmo.

Graças a ele, Harry agora escutaria um belo sermão de Tom.

-x-

- Saia Flint – ordenou Tom. Ele havia levado Harry para o seu quarto nas masmorras.

- Eu ia dar um cochilo agora...

- FORA!

Imediatamente, Marcus Flint desapareceu do quarto, deixando Harry e Tom sozinhos.

- Talvez você pudesse ser um pouco menos assustador – comentou Harry, ironicamente – Tenho certeza de que as pessoas não teriam tanto medo de andar perto de você.

- Harry, eu não estou brincando – suspirou, olhando seriamente para o irmão – você poderia ter se machucado ou até mesmo morrido.

- Mas não aconteceu nada!

- Por sorte!

- E agora o que? Eu não poderei mais assistir aulas de Trato de Criaturas Mágicas? Daqui a pouco não poderei mais jogar Quadribol também, afinal, é um esporte perigoso... Ah, já sei, não devo assistir aulas de Poções, Defesa Contra as Artes das Trevas... Tudo isso é perigoso!

- Não seja ridículo, Severus e Remus não deixariam nada acontecer...

- Bem, não importa, sempre haverá algum perigo no mundo. Você não pode me trancar numa caixa de vidro, Tom.

- Harry...

- Você queimou a porcaria do meu livro!

- Ele atacou você!

- Era só fazer carinho nele!

- O que?

- Isso não vem ao caso agora – suspirou, sentando-se na cama do irmão – Eu amo você, mas você é um pouco obsessivo às vezes, sabia?

Com um suspiro resignado de sua própria autoria, Tom sentou-se ao lado de Harry:

- Eu sinto muito – disse sinceramente.

- Eu sei... – sorrindo, Harry puxou o maior para um abraço de urso e os dois acabaram deitados na cama, Harry sob o corpo forte e impressionante de seu irmão – mas você promete não se esgueirar a noite para matar o Hagrid ou pobre Bicuço?

-...

- Tom!

- Tudo bem, eu prometo.

- Obrigado, você é o melhor irmão do mundo!

Harry sabia que seu irmão podia ser protetor demais às vezes.

Ele também sabia que não era normal um adolescente de dezesseis anos ameaçar de morte um professor e quase executar um animal mitológico na frente de todos.

Tom não era normal.

A relação deles não era normal.

Mas Harry não estava interessado em coisas normais.

Não quando os lábios de seu irmão percorriam carinhosamente seu pescoço.

-x-

Enquanto isso, na afastada mansão que acolhia os encontros da Ordem Negra, dezenas de magos e bruxas se encontravam ajoelhados aos pés do Imperador. Este, por baixo da máscara dourada, sorria cruelmente para os quinze novos integrantes de sua Ordem, que haviam sido libertados de Azkaban:

- Eu tenho uma missão para vocês cinco, aproxime-se.

Os cinco homens de pele acinzentada e sorrisos dementes, cujos olhos escuros refletiam a loucura de Azkaban, aproximaram-se e se ajoelharam aos pés do Imperador.

- Em que podemos servi-lo, meu senhor? – perguntou um deles.

- Vocês partirão para Hogwarts em breve.

- M-mas existem dementadores por lá...

- Crucio!

Sob os gritos do insolente que havia lhe interrompido, o Imperador continuou:

- Eu quero eliminar duas ameaças em potencial aos meus planos. Eu quero a morte dos herdeiros de Slytherin e Gryffindor...

Continua...

Próximo Capítulo: Os olhos de Harry, cheios de lágrimas, estavam fixados no corpo ensanguentado de seu irmão.

- Tom...

-x-

N/A: Olá meus queridos e amados leitores. Como vocês estão? Espero que muito bem... Em primeiro lugar, obviamente, devo me desculpar pela demora. Eu comecei a fazer estágio em Janeiro e foi um inferno! Trabalhar em casa é terrível, eu não tinha tempo nem para comer... Era coisa chegando no meu e-mail até de madrugada, ainda tinha audiência para ir... Céus! Nem consegui abrir o Word para escrever um pouco. Por sorte, eu saí desse estágio e estou procurando outro agora e, enquanto isso, posso postar novos capítulos para vocês! Então, por favor, perdoem-me!

Quanto ao capítulo... Então, o que vocês acharam? Espero que tenham gostado. Pobre Bicuço, por pouco não virou churrasco sob a varinha do Tom, mas Harry estava lá para salvá-lo. O Imperador, por sua vez, decidiu acabar com Harry e Tom, que podem ameaçar seus planos no futuro, e mandou alguns foragidos de Azkaban para matá-los... Mas digam-me, vocês já sabem quem é o Imperador? Não é o Pettigrew, nem o Regulus, nem o Snape... Nenhum desses... Então, o que vocês me dizem?

Gostaria de agradecer pelas maravilhosas REVIEWS de vocês! Que me deram força para passar por Janeiro e voltar a escrever com todo o meu coração!

Agradeço, principalmente, às Reviews de:

val12345678999... TaiSouza... Boozinha Luthor... musme... Sandra Longbottom... lunadressa... Blackverdammt... Pandora Beaumont... SarahPrinceSnape... boarcas... Bruna Uzumaki... lunynha... VictoriaLombardi... Lady Malfoy... Nena... dels76... Black B... Dyeniffer Mariane... Caterine Rosier Potter Malfoy... Sel-hil... vrriacho... E Yume!

Gostaria também de me desculpar com a nicoly, que me deixou uma adorável Review em O Charme da Insanidade pedindo que atualizasse Destinos Entrelaçados no dia 02/02, domingo, pois seria seu aniversário. Infelizmente, não pude atualizar a tempo. Peço desculpas, mas espero que você aprecie este capítulo e que tenha tido um maravilhoso aniversário no domingo! Parabéns!

Muito obrigada mesmo pelas lindas e animadoras Reviews de vocês!

Em breve, o próximo capítulo de O Charme da Insanidade estará online!
Um grande beijo e até a próxima!