Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.
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Era uma bela manhã de sexta-feira, um dia antes da primeira saída de Harry ao povoado de Hogsmeade, e as coisas estavam relativamente calmas na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Naquele momento, a maioria dos alunos e professores estava no Salão Principal desfrutando da primeira refeição do dia. E Harry, sentado à mesa das serpentes com seus amigos e seu irmão, sorria carinhosamente para o último, deixando-o colocar mais algumas panquecas com calda de caramelo em seu prato. Este agradável clima descontraído, no entanto, foi interrompido pela chegada do correio.
- O que é isso? – Harry perguntou curioso, olhando por cima do ombro de seu irmão a notícia estampada na primeira página do Profeta Diário.
- Eles foram vistos – murmurou Draco. E o burburinho já havia se espalhado por todo salão.
- Quem?
- Os foragidos de Azkaban – respondeu Tom – Cinco deles foram vistos num povoado muggle.
- Qual povoado? – perguntou Pansy.
- O mais próximo a Hogwarts.
Harry imediatamente sentiu um arrepio de medo percorrê-lo e não pensou duas vezes antes de agarrar a mão de Tom. Este, por sua vez, ignorou a presença de todos e puxou o menor assustado para os seus braços e jovem Gryffindor, com um suspiro satisfeito, escondeu o rosto em seu peito. Conhecendo a dinâmica dos irmãos Potter, ninguém estranhou a nova posição.
- O que eles podem querer em Hogwarts? – Adrian perguntou, ignorando pela primeira vez o livro de poções para se concentrar no jornal de Montague.
- Boa coisa não deve ser... – comentou Montague.
- Pela primeira vez, estou feliz com a presença dos Dementadores – disse Hermione e todos assentiram. Na mesa dos professores, até mesmo Dumbledore não conseguia esconder o semblante preocupado.
- Mesmo assim... – Harry murmurou silenciosamente, apenas para Tom ouvi-lo – Estou com um mau pressentimento.
- Não se preocupe, pequeno – sussurrou, acariciando os cabelos bagunçados – Eu não vou deixar ninguém machucá-lo.
- Eu sei.
- Eu vou matar qualquer um que ouse tocar em você.
- Eu sei – Harry sorriu e se aninhou nos braços fortes do irmão.
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Quando Tom o deixou na porta da sala de Defesa Contra as Artes Obscuras, Harry se sentia um pouco mais animado, pois aquela era sua aula favorita. O burburinho assustado também já havia diminuído e os alunos do terceiro ano agora olhavam com interesse para os guarda-roupas velhos que estavam distribuídos pela sala de aula no lugar das mesas e cadeiras. Com um sorriso tranquilo, Remus se colocou no meio da sala e solicitou que todos se aproximassem.
- Hoje teremos uma aula prática – anunciou, dando uma piscadela para Harry.
Um sorriso animado dançava nos lábios do jovem Gryffindor, que adorava as aulas de Remus.
- Mas antes de começarmos, alguém pode me dizer o que é um bicho-papão?
Hermione imediatamente levantou a mão.
- Srta. Granger – concedeu Lupin, divertido.
- É um transformista, capaz de assumir a forma do que achar que pode nos assustar mais.
- Excelente. Eu mesmo não poderia ter dado uma definição melhor. 10 pontos para Gryffindor.
Draco revirou os olhos, mas não pôde deixar de sorrir ao ver o rosto iluminado de orgulho da menina.
- Como vocês podem supor, há um bicho-papão em cada guarda-roupa nesta sala e vocês irão enfrentá-los em pequenos grupos de quatro pessoas com um feitiço muito simples, forçando-os a assumir uma forma que vocês achem engraçada, pois nossas risadas são sua maior fraqueza.
Todos pareciam entusiasmados. Até mesmo Pansy havia guardado sua lixa de unha e olhava com certa admiração para o guarda-roupa velho que fazia movimentos bruscos no chão.
- Vamos praticar o feitiço com as varinhas primeiro. Repitam comigo, por favor... Riddikulus!
- Riddikulus! – repetiu a turma.
- Ótimo – aprovou Remus – Vocês já podem se dividir em grupos e se colocar à frente de um guarda-roupa.
Quando todos se organizaram, o professor solicitou que começassem e passou a circular pela sala de aula, indicando algumas falhas e ajudando os alunos com o feitiço.
Harry, Draco, Hermione e Pansy já estavam de frente para um guarda-roupa e após respirar fundo, Hermione se adiantou sob o olhar encorajador de seus amigos. Quando as portas do guarda-roupa de abriram, para sua surpresa, a Profa. McGonagall apareceu com um olhar severo e um pergaminho em suas mãos.
- Eu estou muito decepcionada, Srta. Granger. Você reprovou em todas as matérias e teve as piores notas já vistas em toda a escola. E o que posso dizer dos seus N.O.M.s? Eles são uma vergonha...
- M-mas... Eu... Eu juro que estudei...
- Hermione! – Harry gritou, chamando sua atenção – Isso não é real, é um bicho-papão, lembra?
- M-mas...
- Pelo amor de Merlin, Granger, nós nem fizemos provas para os N.O.M.s ainda – afirmou Draco. E isso pareceu despertar a menina.
- É verdade... Nós ainda estamos no terceiro ano...
- Exatamente.
- Riddikulus! – Hermione finalmente conjurou e seus amigos começaram a rir quando viram a Profa. McGonagall fazendo piruetas numa precária coreografia de balé.
Quando Pansy tomou o lugar da amiga, o bicho papão imediatamente assumiu uma nova forma, que resultou num grito fino de terror da jovem Slytherin, que olhava para si mesma numa camiseta laranja esfarrapada, calças azuis com o dobro de seu tamanho, o cabelo desgrenhado e sem qualquer maquiagem. Harry e Draco se entreolharam, sem entender, mas Pansy começou a hiperventilar:
- Azul e laranja não combinam! Azul e laranja não combinam!
- Pansy... – Hermione murmurou.
- Oh, céus! Olhe esse cabelo, essas unhas, meu rosto...
- Pansy! Você está linda, como sempre, isso é apenas um bicho-papão! – Harry avisou e Pansy, por sua vez, olhou para suas próprias unhas impecáveis pintadas de preto-azulado, antes de suspirar de alívio e conjurar:
- Riddikulus!
Logo a falsa Pansy ganhou uma fantasia de princesa e começou a jogar gliter cor-de-rosa para o alto. Em meio às risadas, Draco assumiu o lugar da amiga, que correu para se olhar no espelhinho que guardava no bolso da túnica e admirar sua maquiagem perfeita.
Quando o bicho-papão assumiu a forma de seu pai, Draco engoliu em seco e Harry, Pansy e Hermione trocaram um olhar apreensivo.
- Olhe só para você – o falso Lucius Malfoy cuspiu com o desprezo característico – Uma vergonha para o nome Malfoy, associando-se a sangues-ruins e seus defensores!
- Pai...
- Eu não consigo nem olhar para você! Meu próprio filho interagindo com essa escória!
Harry não podia deixar de notar que este falso Lucius era bem convincente. E pelo olhar ferido no rosto de Hermione, não era só Draco quem ele estava afetando.
- Você irá se livrar desses seus "amigos" agora mesmo! Nunca mais irá falar com eles! Sequer olhar para eles!
- Mas...
- Irei transferi-lo de escola. Sim, talvez em Durmstrang você adquira algum juízo.
- Não, espera...!
- Draco – Hermione falou com seriedade – Não é real. Você está aqui, conosco, lembre-se disso.
- Isso mesmo, Draquinho – Pansy sorriu – Você não irá se livrar de nós facilmente.
- Está esperando o que para acabar com esse impostor, Draco?
Ao ouvir a pergunta de Harry, o loiro ofereceu um sorriso agradecido a seus amigos e murmurou o feitiço. No instante seguinte, o sempre imponente Lucius Malfoy tentava se equilibrar num par de patins. E até mesmo Remus não pôde deixar de rir.
Quando Harry assumiu o lugar de Draco, porém, o sorriso do professor desapareceu.
No momento em que a hilária imagem de Lucius Malfoy deu lugar a Tom, um olhar perplexo se desenhou nos semblantes Hermione, Draco e Pansy. Este Tom, porém, segurava o estômago com força e suas mãos rapidamente se enchiam de sangue.
-H-Harry...
- Tom! – os belos olhos verdes logo se encheram de lágrimas.
- Harry, isso não é real – avisou Hermione, preocupada.
- Vamos, você sabe que seu irmão está bem – Draco também tentava acalmá-lo – acabe logo com este bicho-papão ou o verdadeiro Tom irá nos matar por fazê-lo chorar.
Mas os olhos de Harry, cheios de lágrimas, estavam fixados apenas no corpo ensanguentado de seu irmão.
- Tom...
- Harry! – Pansy gritou.
O bicho-papão parecia ganhar cada vez mais força, olhando suplicantemente para Harry com o rosto de Tom:
- E-Eu estou feliz que pude protegê-lo... Ao menos uma última vez...
- TOM!
O grito angustiado de Harry fez o professor de Defesa içar a varinha e se colocar entre o jovem Gryffindor e o corpo ensanguentado de Tom:
- Riddikulus!
Uma lua de borracha quicou por toda sala antes de voltar para dentro do armário, que Remus trancou com um poderoso feitiço. Todos agora observavam Harry soluçar nos braços de Pansy.
- Hermione, vá para o laboratório de Poções e busque Tom.
- Sim, senhor.
- O restante de vocês está dispensado.
Todos deixaram a sala de aula lançando olhares curiosos e preocupados ao jovem Gryffindor. Exceto Weasley, é claro. Este apenas lançou um olhar presunçoso por cima do ombro, mas não se atreveu a dizer nada. Dez minutos depois, quando um preocupado Tom chegou ao local, Harry se encontrava no chão, nos braços de Remus, enquanto Pansy acariciava seus cabelos e Draco lhe dizia palavras de conforto.
- Harry!
Imediatamente, Tom assumiu a posição de Remus e puxou o irmão para o seu colo. Ao vê-lo, Harry agarrou com força sua túnica e passou a chorar de alívio.
- Você estava coberto de sangue... Eu vi... Por minha culpa... Você estava morrendo...
- Shhh... Está tudo bem agora, pequeno.
No caminho do laboratório de Poções à sala de Defesa, feito às pressas, Hermione havia lhe contado sobre o bicho-papão.
- Não era real – garantiu o maior – Eu estou bem, veja.
- Parecia real... – murmurou. E Tom o abraçou com força, lançando um olhar perigoso ao professor de Defesa.
- Foi apenas uma aula prática que devia ter sido melhor supervisionada – pela primeira vez, Remus engoliu em seco e desviou o olhar.
Tom não agia com calma quando algo afetava Harry.
Mas para alívio de todos, Harry suspirou e enterrou o rosto no pescoço do irmão:
- Estou cansado...
- Vou levá-lo para o meu quarto, pequeno.
- E expulsar alguém de lá novamente?
- Sim, provavelmente.
Com um pequeno sorriso, Harry se deixou carregar pelo irmão, que se deteve na porta da sala ao ouvir a preocupada voz de seu padrinho:
- Tom...
- Eu falo com você depois, Lupin – afirmou friamente.
Ele falou com Remus naquela noite.
Ou melhor, esbravejou.
E por um breve instante, o professor de Defesa jurou ter visto uma sombra escarlate no olhar furioso de Tom, mas talvez fosse apenas sua imaginação... Finalmente, após garantir que não usaria bichos-papões ou qualquer outra coisa que pudesse assustar Harry novamente, Tom se acalmou.
Ele estava prestes a deixar o escritório de Remus, quando este falou:
- É muito bonita a relação de vocês, Tom. Eu me lembro de ver Sirius e Regulus sempre brigando como cães e gatos, mas você e Harry são diferentes.
O Slytherin apenas o encarou em silêncio.
- Apenas tenha cuidado, esta codependência que vocês alimentam é muito perigosa, quando vocês se separarem isso poderá...
- Não iremos nos separar.
- Bem, vocês irão crescer, constituir família...
- Não iremos nos separar – repetiu friamente – Nunca.
- Mas...
- Boa noite, Remus.
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No dia seguinte, Harry se sentia um pouco melhor e compartilhava com os amigos sua animação diante da primeira ida ao povoado de Hogsmeade. Contudo, ele ainda não havia esquecido a dolorosa imagem oferecida pelo bicho-papão e desde então, não havia desgrudado um minuto sequer de seu irmão. Por esse motivo, nesta bela manhã de sol, Tom e os outros Slytherins do sexto ano acompanhavam Harry e seus amigos pelas abarrotadas ruelas do povoado. Era uma cena no mínimo interessante de se ver: Hermione e Adrian caminhavam mais a frente, envolvidos numa acalorada discussão sobre as propriedades ocultas de um Bezoar; Montague tentava flertar com Pansy, desastrosamente, para cruel diversão da menina; Draco, Flint e Derrick falavam do próximo jogo de Quadribol e das funções de Draco como novo apanhador; E Tom e Harry vinham logo atrás, os braços do maior rodeando os pequenos ombros do Gryffindor enquanto lhe contava a história do povoado e os detalhes de como cada loja havia surgido.
Às vezes, Harry se perguntava se Tom lera todos os livros da biblioteca de Hogwarts e da Câmara de Slytherin, tamanho o seu conhecimento sobre absolutamente tudo.
-... E foi por isso que a Zonko's só conseguiu abrir uma loja aqui depois de conseguir o alvará especial do Ministério da Magia.
De uma coisa, porém, Harry tinha certeza:
Seu irmão era incrível.
No final do dia, quando todos se acomodaram numa espaçosa mesa no Três Vassouras, suas túnicas estavam cheias de embrulhos encolhidos. Hermione estava radiante com seus novos livros, Pansy com suas maquiagens e esmaltes novos, enquanto Draco e Harry haviam acabado com os estoques da Zonko's e da Dedosdemel. E por incrível que pareça, Tom não havia amaldiçoado qualquer estudante distraído que esbarrara em Harry. Ele havia tentado, mas Harry conseguiu impedi-lo.
- Nem acredito que consegui comprar as últimas bombas de bosta da Zonko's – comentou Derrick.
- Você pode usá-las em vários Hufflepuffs desavisados.
- Gosto do jeito que você pensa, Malfoy – os dois trocaram um sorriso malicioso.
- Minha querida e adorável Pansy – Montague sorria sedutoramente para a menina de cabelos escuros sentada ao seu lado – Tem certeza de que não quer deixar estes tolos aqui e me acompanhar ao Café de Madame Puddifoot?
- Humm... Talvez.
- Sério?
- Talvez, se você nascer novamente, com sobrancelhas normais dessa vez.
Todos riram. Mas Montague nunca se daria por vencido:
- Ela me ama – suspirou dramaticamente.
- Posso anotar o pedido de vocês, queridos?
- Ah, Madame Rosmerta... – Montague imediatamente direcionou seu sorriso sedutor à dona do bar – Que imenso prazer revê-la.
Todos riram novamente e Pansy revirou os olhos.
- Nove cervejas amanteigadas, por favor – pediu Tom, o único que não parecia tão interessado em caçoar de Montague, já que este era um caso perdido.
- Saindo num minuto. Fiquem à vontade, queridos.
Adrian e Hermione também não pareciam tão interessados nos galanteios desastrosos do Slytherin de sobrancelhas espessas e permaneciam focados em sua própria discussão sobre antídotos para Veritaserum:
- Estou te falando Granger, não há antídoto possível.
- Pois eu li em "Les antidotes et contre-sorts" que existe sim.
- Eu ouvi falar desse livro, é muito raro.
- Harry me deu de aniversário – afirmou com um brilhante sorriso. Sem que Hermione soubesse, Harry havia conseguido o livro na biblioteca de Slytherin e após horas de olhinhos de cãozinho perdido conseguiu convencer Tom a deixá-lo dar o livro de presente para a amiga.
- Oh, sorte a sua... – murmurou, desviando o olhar.
- Posso emprestá-lo a você, se você quiser.
- Jura?
- Sim, se você prometer não danificá-lo ou...
- Eu faço um voto perpétuo se você quiser, Granger!
- Calma, não é para tanto... Tudo bem, apenas...
- Obrigado, Granger! Obrigado!
Adrian agora segurava as mãos de uma envergonhada Hermione e olhava para esta como se fosse o próprio Salazar Slytherin convidando-o para uma aula particular de preparo de poções. Diante da inusitada cena, Harry e Pansy arqueavam as sobrancelhas sugestivamente para a jovem Gryffindor, cujas bochechas ficavam mais vermelhas a cada minuto. Draco, porém, lançava olhares de esgueira, sentindo-se estranhamente incomodado com aquilo.
No entanto, o mais inusitado de tudo aquilo era a aceitação fácil de uma nascida-muggle por um grupo de Slytherins de tradicionais famílias sangues-puras. Era incrível. Harry não poderia estar mais contente pela felicidade estampada no rosto de sua amiga. E se Harry estava contente, Tom não precisava amaldiçoar ninguém.
- Ora, Ora, que reuniãozinha mais encantadora – uma voz fina e arrastada burlou-se de todos – Pensei que você fosse mais esperto, Pucey, mas vejo que também caiu nas garras dos Gryffindors e agora está flertando com uma sangue-ruim.
- Grengrass – Tom advertiu friamente.
- Como está sua mãe, Dafne? – Pansy perguntou com um adorável sorriso.
- Ela está ótima, Parkinson, obrigada por perguntar.
- Oh, então ela já se recuperou do fiasco da plástica no nariz?
- O que...? Como você...?
- Pobrezinha. Espero que você consulte um cirurgião melhor que o de sua mãe, Dafne, querida, quando decidir arrumar este seu narizinho achatado horrível.
Todos riram. E Dafne lançou um olhar irritado às suas próprias amigas, que tentavam conter as risadinhas.
- Do que você está rindo, Potter? – a menina lançou um olhar venenoso para Harry – Pelo menos minha testa não possui uma cicatriz horrível.
- Péssima ideia... – Montague suspirou dramaticamente e todos se encolheram quando Tom se levantou.
Harry, no entanto, deixou escapar um suspiro de sua própria autoria e também se levantou para impedir que o irmão fosse mandado a Azkaban por uma bobagem tão insignificante de sobrenome Grengrass.
- Está tudo bem, Tom – sorriu, baixando a mão de seu irmão, que segurava a varinha a poucos centímetros do assustado rosto de Dafne Grengrass – Você prometeu me levar a Casa dos Gritos, lembra?
O silêncio apreensivo de todos durou exatos trinta segundos.
Dafne podia sentir uma fina gota de suor escorrer de sua nuca.
Ela estava apavorada.
- Tom...? – Harry insistiu.
- Tudo bem.
Finalmente, o Slytherin guardou a varinha e após deixar o dinheiro para pagar pelas bebidas sua e de Harry, que sequer haviam consumido, seguiu o irmão caçula para fora do pub. Contudo, antes de cruzarem as pesadas portas de madeira, os dois puderam ouvir os indignados gritos de Dafne e as risadas de todos ecoando pelo local.
- Tom... – Harry lançou um significativo olhar ao irmão.
- Ela mereceu.
Dentro do pub, a beira de lágrimas, a jovem Slytherin ostentava um focinho de porco cor-de-rosa no roso.
Quando os dois chegaram à Casa dos Gritos, os olhos verdes de Harry se iluminaram de admiração perante a estrutura de madeira precária e ao jardim úmido e mal cuidado. Tom o abraçava pelas costas, rodando-o com sua própria túnica, pois havia esfriado bastante e Harry sorria, olhando para a casa e se lembrando de todas as histórias que seu pai, Remus e Sirius haviam contado. Ele sabia que o lugar não era realmente amaldiçoado, que este fora apenas um boato criado pelo próprio Dumbledore para proteger Remus e que ainda hoje os barulhos ocorriam somente nas noites de lua cheia, quando o professor de Defesa Contra as Artes Obscura precisava se ausentar da escola para cuidar de seu "problema peludo".
- Queria poder acompanhar Remus nas noites de lua cheia, como papai e Sirius faziam.
- Hum.
- Você ainda está bravo com ele?
Com um suspiro resignado, Tom respondeu:
- Não. Eu sei que ele não pretendia assustá-lo com o bicho-papão.
- Que bom – sorrindo, Harry continuou – Nós poderíamos tentar nos transformar em animagos e fazer companhia a Remus...
- Essa transformação demora meses, talvez anos.
- Por favoooor, Tom.
Tom não resistia aos olhinhos de cachorrinho perdido, dos quais Harry sempre abusava quando queria alguma coisa.
- Slytherin pode ter alguns livros – suspirou.
Com um sorriso radiante, Harry uniu seus lábios num casto beijo:
- Obrigado! Você é o melhor irmão do mundo!
- Eu sei.
- E o mais convencido também – os dois riram.
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As semanas que se seguiram foram muito instrutivas para Harry e Tom. E por que não dizer, divertidas, pois quase todas as noites os dois se encontravam na Câmara Secreta para estudar Animagia, sob a rigorosa – ou sádica, na opinião de Tom – supervisão de Nagini. Incrivelmente, em poucas semanas ambos os irmãos tiveram grandes avanços e alguns deslizes também, é claro. Como na vez em que Harry passou duas horas com suaves orelhas negras de gato e uma cauda combinando, que balançava de um lado para o outro, sob o lascivo olhar de Tom.
Felizmente, este incidente não voltou a acontecer.
Ou infelizmente, segundo os pensamentos nem um pouco fraternais de Tom.
Além do crescente sucesso em seus estudos sobre animagia, Harry também estava indo de vento em polpa nos jogos de Quadribol e finalmente havia chegado o dia de disputar a final contra Hufflepuff. No entanto, a chuva torrencial não havia dado uma trégua para o momento do jogo. O vento estava forte quando eles entraram em campo cambaleando para os lados e se os espectadores estavam aplaudindo, os aplausos eram abafados pelos roncos dos trovões, mas Harry ainda podia sentir nitidamente o preocupado olhar de seu irmão vindo de algum ponto da abarrotada arquibancada.
Mas Tom não tinha motivos para se preocupar.
Era apenas uma chuvinha à toa...
...Outro trovão rasgou o céu. E Harry engoliu em seco.
Os jogadores de Hufflepuff se aproximaram pelo lado oposto do campo, usando vestes amarelo-canário e Harry pôde jurar que o capitão e apanhador do time havia sorrido para ele. Douglas...? Dennis...? Diggory...! Isso, o nome dele era Diggory. Um aluno do sexto ano e muito maior do que Harry, talvez da altura de Tom, mas de sorriso fácil e cálidos olhos castanhos.
Quando Madame Hooch levou o apito à boca e soprou, um som agudo e distante anunciou o início da partida. Harry subiu depressa na vassoura e segurou o mais firme que pôde, dando uma guinada para cima. Por sorte, seu irmão havia insistido num feitiço impermeável e aquecedor para suas vestes, além de um feitiço próprio para repelir a água de seus óculos, que o permitia jogar com mais segurança. A partida logo estava acirrada, mas Gryffindor tinha uma vantagem de cinquenta pontos e Harry estava empenhado em achar o pomo, caso contrário, talvez ficassem naquele estádio pelo resto da noite.
Finalmente, depois de algumas horas, o Gryffindor achou a bolinha dourada antes de Diggory. Ele voou depressa, colocando todo o seu empenho em sua Nimbus, pois o apanhador rival finalmente havia se dado conta de sua manobra, mas antes que pudesse alcançar o pomo, notou que alguma coisa estranha estava acontecendo... Um silêncio inexplicável foi caindo sobre o estádio, o vento parou momentaneamente de rugir, como se seus ouvidos tivessem parado de funcionar de repente. Então uma onda de frio terrivelmente familiar o assaltou, penetrou seu corpo, no mesmo instante em que tomava consciência de algo flutuando sobre sua cabeça. Ele olhou para cima e viu no mínimo cem dementadores deslizando pelos céus ao seu encontro.
Era como se houvesse água gelada subindo até o seu peito, cortando os lados do seu corpo. E então, a última coisa que Harry ouviu antes de perder a consciência foi a voz de Tom:
- Aresto Momentum!
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Harry chegou à enfermaria nos braços de Tom, desacordado, e imediatamente se viu rodeado por todos os seus colegas de time, por seus amigos, por Dumbledore, Severus, Remus e pela professora McGonagall. Mas uma furiosa Madame Pomfrey logo expulsou todos os intrusos. Bem, quase todos...
- O senhor também, senhor Potter.
Tom a encarou friamente, sem soltar por um segundo sequer a pálida mão de seu irmão caçula:
- Eu não vou sair.
- Senhor Potter...! – mas ao olhar para Tom, a enfermeira imediatamente se calou, engoliu em seco e começou a escanear o corpo de Harry com uma fraca luz prateada que saía da ponta de sua varinha.
Instantes depois, sob o atento olhar do Slytherin, ela concluiu:
- Ele teve uma queda de pressão, efeito da presença dos dementadores – afirmou desgostosa, aproximando um frasco cheio de líquido vermelho gosmento do nariz de Harry – Deve acordar dentro de poucos segundos.
De fato, ao final das palavras da enfermeira, Harry começou a franzir o cenho, dando indícios de querer acordar.
- Dê isto a ele quando abrir os olhos – ordenou bruscamente, dando o frasco com a poção vermelha para Tom – É uma poção revitalizante.
Após um último olhar exasperando aos dois, Madame Pomfrey os deixou sozinhos e voltou a cuidar dos prontuários semanais que estavam acumulados na mesa de sua sala.
A primeira coisa que Harry notou, ao voltar a si, foi o olhar preocupado de seu irmão:
- Oi... – sorriu fracamente.
Mas Tom não retribuiu o sorriso.
E Harry então suspirou, desejando que talvez um dia seu irmão voltasse a deixá-lo subir numa vassoura.
- Beba isto – ordenou o maior. E Harry, franzindo o cenho numa careta de desgosto, apanhou a poção e a bebeu de um só gole.
- Eca...
- É uma poção revitalizante – explicou – Sua pressão caiu por causa da proximidade dos dementadores.
- Oh... Eu me lembro de sentir muito frio – murmurou, lembrando-se da horrível sensação de angústia e infelicidade consumi-lo – Humm... Então, quem ganhou o jogo?
- Ninguém.
- Como...?
- Dumbledore cancelou a partida quando você caiu de uma altura de mais de cem metros.
- E minha vassoura?
- Sinto muito – suspirou, sentando-se ao lado do menor na cama da enfermaria – Eu avisei para você não jogar nessa tempestade.
- Mas ninguém poderia imaginar que os dementadores fossem aparecer.
- Foi o que Dumbledore me disse – grunhiu, abraçando o pequeno corpo que agora voltava a recuperar a cor saudável nas bochechas – Eu fiquei com tanto medo de perdê-lo, pequeno.
Harry deixou um pequeno sorriso adornar seus lábios e se aconchegou no corpo maior do irmão. Um olhar de puro carinho e amor brilhando em suas belas esmeraldas:
- Ainda bem que você estava lá para me salvar.
- Eu sempre estarei lá para salvá-lo, pequeno, onde quer que você esteja – numa carícia inocente e íntima, Tom pousou seus lábios na cicatriz em forma de raio, sentindo o característico conforto das pequenas correntes elétricas que este ínfimo toque produzia.
- Eu sei – sorriu – Quando eu estava caindo e ouvi sua voz, eu sabia que você iria me salvar. Você sempre irá me salvar.
- Sempre.
O que nenhum dos dois sabia ainda era que Harry também estava lá para salvar Tom.
Ele sempre estaria lá para salvá-lo de si mesmo.
Continua...
Próximo Capítulo: - Avada Kedrava! – mais uma vez, a luz verde brilhou nos olhos vermelhos de Tom.
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N/A: Olá, meus amados leitores. Como vocês estão? Prontos para um dos melhores feriados do ano? Já compraram os ovos de páscoa? Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar pela demora em atualizar, mas consegui um novo estágio... Então vocês imaginam a correria, né? Mas não se preocupem, por mais que eu demore a atualizar, jamais deixarei de lado minhas histórias! E por esse motivo, peço encarecidamente a paciência de vocês.
Quanto ao capítulo de hoje... O que acharam? Já podiam imaginar qual seria o bicho papão do Harry? E o que podem me dizer da preview do próximo capítulo? Será que Tom matará mais alguém? Bem, espero que vocês tenham apreciado o capítulo! Por favor, mandem suas REVIEWS dizendo o que acharam!
Gostaria de agradecer pelas belíssimas Reviews de:
yggdrasil001... Gessica Silva... Mertriqs... Nena... Nicodemos V. Alexandrov... tkawaiii2013... Caterine Rosier Potter Malfoy... TaiSouza... Lady Malfoy... val12345678999... boarcas... SarahPrinceSnape... vrriacho... Sandra Longbottom... Jess Juarez... Bruna Uzumaki... Blackverdammt... Dyeniffer Mariane... Anjelita Malfoy... lunynha... 38... lunadressa... Black B... Yume... E musme!
Um grande beijo para todos vocês.
E até a próxima atualização: O Charme da Insanidade.
