Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. E ainda, indício de Lemon (sexo explicito entre os personagens). Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.
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O recesso de Natal chegou e se foi de maneira inexpressiva para Harry e Tom, que passaram esses dias em Godric's Hallow lidando com a constante tensão que assolava seus pais, desde a fuga em massa que houvera em Azkaban. Agora, de volta a Hogwarts e longe dos suspiros irritados, tiques constantes e do estresse evidente que pairava sobre seu pai e seu padrinho, Harry se sentia um pouco mais tranquilo ao notar que nada de ruim havia acontecido ainda. Mas talvez ele estivesse se deixando levar pela suposta calmaria cedo demais...
Uma agradável brisa de vento refrescava aquele final de tarde enquanto o belo por do sol tingia o céu de laranja, no momento em que Harry e seus amigos se afastavam dos arredores do Campo de Quadribol e seguiam pelo caminho de pedras em direção à escola, onde um delicioso jantar certamente os aguardava. Eles haviam acabado de assistir a última aula do dia, Trato de Criaturas Mágicas, e agora não viam a hora de saborear uma deliciosa fatia de carne assada com suculentas batatas e talvez um pouco de molho. Exceto Pansy, é claro, que naquela semana estava fazendo a dieta da cenoura com alface.
- Você vai acabar virando um coelho.
- Talvez. Mas serei um coelho magro e esbelto, Draco, querido.
Harry e Hermione, por sua vez, apenas reviraram os olhos. E a jovem Gryffindor, mais uma vez, tentou convencer sua amiga:
- Você não precisa fazer nenhuma dieta, Pansy, você está linda, como sempre.
- Oh, é muita gentileza sua, Mione, mas...
- Além disso – Harry interrompeu com um malicioso sorriso – Eu vi você comendo uma caixa de sapos de chocolate ontem.
- Ora...! Isso é um absurdo! Quero dizer, chocolate é fibra! Além disso, provém do cacau, então pode ser facilmente considerado uma fruta...
- É claro que sim – os outros três assentiram solenemente e logo todos começaram a rir. Distraídos, porém, não notaram a presença de cinco vultos negros se movendo rapidamente. E quando Hermione percebeu o estranho brilho de uma máscara prateada, já era tarde demais:
Os cinco membros da Ordem Negra haviam feito um círculo ao redor de Harry e, em seguida, sumido numa cortina de fumaça negra em direção às raízes do Salgueiro Lutador.
- HARRY! – gritaram os três, desesperados.
Tudo havia acontecido muito depressa.
- Oh Merlin... – Draco murmurou, sentindo o sangue gelar em suas veias – O que foi isso...?
- Harry... Oh, céus! Ele foi levado! Os foragidos de Azkaban o levaram!
- O que vamos fazer? – perguntou o Slytherin.
- Precisamos contar para o diretor! – Hermione já havia começado a correr em direção ao castelo. E sem pensar duas vezes, Draco seguiu atrás dela – Vamos! Depressa!
Pansy, no entanto, teve uma ideia melhor.
Ela correu em direção às masmorras.
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"Princípios Ocultos da Animagia" – por Salazar Slytherin. Um livro muito interessante, de acordo com Tom, que naquele momento estava absorto no capítulo XII: "conexões entre almas na forma animaga". Neste capítulo, Salazar explorava o quão conectadas estavam as almas de um casal, uma vez que assumissem sua forma animaga. Se Lily desenvolvesse uma forma animaga, por exemplo, certamente esta seria uma corça, culminando assim numa conexão à forma animaga de James, um cervo. Talvez, por esse motivo, ponderava Tom, sua própria forma animaga estava relacionada com a de Harry.
Naquele momento, porém, interrompendo o agradável silêncio que reinava no salão comunal Slytherin e suas divagações acadêmicas, uma estridente Pansy Parkinson cruzou as portas de madeira gritando seu nome:
- TOM!
Com um suspiro irritado, o Slytherin do sexto ano perguntou:
- Qual o problema, Parkinson? Você quebrou uma unha?
- Eles levaram o Harry!
Imediatamente, levantando-se de um pulo, o semblante de Tom mudou:
- Onde?
- Perto do Salgueiro Lutador... Cinco homens... Eles usavam máscaras prateadas...
Tom não esperou a menina terminar de falar, ou sequer recuperar o fôlego. Em menos de dois segundos, ele já estava correndo em direção à saída principal do castelo.
- Pelas presas de um Basilisco! – exclamou Nagini, ao quase ser atropelada no caminho de pedra que ligava o Lago Negro ao castelo – Por que a pressa?
- Harry!
O perigoso rosnado foi o suficiente para colocar a serpente em alerta e fazê-la seguir o jovem humano aos arredores da imensa árvore, que se agitava de um lado para o outro, parecendo irritada.
- Eu vou matá-los... Todos eles...! – Tom murmurava para si.
- O que está acontecendo? – demandou Nagini.
- Harry foi sequestrado... – o desespero e a dor eram evidentes em sua voz – Eu preciso encontrá-lo! Agora!
Nagini encarou o desesperado jovem por alguns segundos e então, teve a brilhante ideia:
- Sua forma animaga.
- O que?
- Use sua forma animaga para achá-lo! – explicou a serpente, parecendo tão preocupada quanto ele – Suas formas são compatíveis e provavelmente estão conectadas pelo...
Tom, no entanto, não esperou sua guardiã terminar de falar. Ele ainda não havia conseguido assumir sua forma animaga completa, faltava pouco, mas ainda haveria alguns meses de estudos e treinamentos pela frente. Contudo, naquele momento, nada mais importava:
Ele precisava salvar seu irmão.
Quando um imenso tigre negro de listras acinzentadas surgiu a sua frente, Nagini não poderia estar mais orgulhosa.
- Agora, concentre-se!
Os brilhantes olhos escarlates do imponente tigre se fecharam, concentrando-se por alguns instantes. De repente, Tom podia sentir o que pareciam ser lapsos de dor e de medo em sua própria alma. Lapsos que não pertenciam a ele. E agora, ele podia ouvir claramente os batimentos cardíacos de Harry, desenfreados, refletindo sua dor... Uma dor que provinha da Casa dos Gritos!
Nagini mal conseguiu acompanhar as pegadas do furioso tigre, que seguiu rapidamente para o que parecia ser uma passagem sob as raízes da árvore. Era uma passagem secreta. A passagem que Remus usava nas noites de lua cheia para chegar à Casa dos Gritos. Eles rastejaram habilmente pelo túnel estreito e empoeirado, cheio de ratos suculentos, os quais Nagini anotou em sua mente para fazer uma visita mais tarde e finalmente chegaram às portas de um alçapão. O primeiro mago a cair ensanguentado no chão estava de costas e sequer viu o animal agarrá-lo quando sentiu as presas destroçarem sua jugular. O segundo chegou a ver Tom, até ergueu a varinha para atacá-lo, mas não foi rápido o bastante e num movimento preciso, o tigre estraçalhou a varinha junto com o braço que a brandia, e logo arremeteu para a jugular. O terceiro mago que patrulhava o piso inferior conseguiu não ser visto por Tom, mas não teve a mesma sorte com Nagini. Em menos de três segundos, antes que pudesse lançar a maldição da morte no tigre enfurecido, pelas costas, o homem de vestes negras e máscara prateada caiu no chão urrando de dor enquanto segurava o tornozelo, onde Nagini o havia mordido.
Voltando à forma humana, Tom lançou um rápido olhar de agradecimento a sua guardiã, que agora triturava os ossos do homem caído no chão sob os dolorosos efeitos de seu veneno, que explodiam suas células sanguíneas uma a uma, e correu para o segundo andar, onde gritos de dor anunciavam a presença de seu irmão.
- Crucio!
Os gritos agora se misturavam a soluços e lágrimas.
- Não exagere, eu ainda quero me divertir com o menino.
- E isso não é divertido?
- Eu prefiro vê-lo sem tantas roupas...
- Seu velho sujo!
As risadas maliciosas de ambos os sujeitos, abafadas apenas pelos gritos de Harry, fizeram o sangue de Tom ferver. E quando ele entrou no quarto empoeirado, onde seu irmãozinho se contorcia sob a maldição Cruciatus no chão, seus olhos já estavam tingidos de vermelho.
- Veja, aí está o outro que devemos matar... – burlou-se o bruxo que torturava Harry, ao vê-lo ingressar no quarto. Suas palavras, porém, morreram rapidamente.
Um simples movimento de sua mão direita bastou para que as varinhas dos dois magos entrassem em combustão instantânea e virassem cinzas rapidamente. Era um feitiço obscuro, conhecido apenas por Salazar Slytherin, e esse era o apenas um dos inúmeros feitiços obscuros que Tom conhecia.
- Como esse garoto conseguiu fazer isso...? – gaguejou um deles, sendo interrompido pelas palavras frias de Tom:
- Então você gosta da maldição Cruciatus?
Harry, que havia conseguido recuperar o fôlego e agora suportava os resquícios de dor, lançou um olhar aliviado, mas ao mesmo tempo preocupado ao irmão maior.
Tom não parecia a mesma pessoa.
- Eu também gosto... Crucio!
Imediatamente, os dois bruxos das trevas caíram aos berros no chão, sob uma potência nunca antes vista da maldição proibida. Talvez nem mesmo o Imperador conseguisse lançar um Cruciatus tão terrível assim. Não que ambos fossem viver para descobrir.
- Mas prefiro outras maldições – continuou Tom, lançando um olhar significativo para o irmão – Feche os olhos, Harry.
Ele fechou.
E ouviu palavras estranhas murmuradas em Parsel.
No instante seguinte, gritos desesperados de dor, mil vezes pior, foram ouvidos.
Por sorte, a presença reconfortante de Nagini rodeou seu pequeno corpo num abraço protetor, enquanto Harry usava as mãos para tampar os ouvidos. Passaram-se as horas, ou talvez apenas alguns minutos, Harry não saberia dizer ao certo. Ele não aguentava mais. O jovem Gryffindor queria apenas voltar para o castelo, tomar um chocolate quente e abraçar seu irmão. E a sensitiva guardiã imediatamente percebeu isso:
- Acabe logo com isso, Tom – alertou Nagini.
- Não! Eles merecem sofrer!
- Sim, mas Harry não. Ele está cansado e ferido, devemos voltar ao castelo.
Na mesma hora, ao ver o irmãozinho encolhido sob as escamas protetoras da serpente, Tom reconsiderou suas palavras.
Ele daria um fim à tortura daqueles homens.
Mas não os levaria para os Dementadores.
Eles não mereciam sair dali com vida.
- Avada Kedrava – mais uma vez, Harry viu a luz verde brilhar nos olhos vermelhos de Tom.
E novamente:
- Avada Kedrava.
Dois corpos sem vida agora se encontravam aos seus pés.
Harry e Tom permaneceram imóveis por alguns segundos e contra todo o prognóstico, não foi Tom quem correu para verificar a saúde menor, mas Harry, que se desvencilhou rapidamente de Nagini e correu para os braços do irmão:
- Você está bem? – o Slytherin conseguiu murmurar, apertando com força o pequeno corpo em seus braços.
- Sim. E você?
- O que?
- Seus olhos... – explicou, olhando maravilhado e ao mesmo tempo assustado para os brilhantes olhos escarlates que o encaravam de volta.
Tom piscou algumas vezes e lentamente o vermelho parecia se desvanecer.
- E os outros três?
- Estão no andar de baixo.
- Eles estão...? – Harry perguntou apreensivo.
- Sim.
- Oh. Certo. Tudo bem... – respirando fundo, o menor continuou a falar – O que vamos fazer com os corpos?
Tom estava sem fala. Ele não sabia ao certo se deveria se sentir aliviado pelo apoio incondicional do pequeno Gryffindor, ou horrorizado com a facilidade com a qual Harry parecia ignorar as brutalidades e as mortes que tingiam seus olhos de vermelho e sujavam suas mãos. E ao fixar-se nos preocupados olhos verdes, Tom só conseguia detectar o amor e a adoração que estava acostumado a ver naquelas belas esmeraldas, mesmo agora, depois de torturar e matar esses homens.
Mesmo agora, Harry estava ao seu lado.
Ele sempre estaria ao seu lado.
- Eu te amo tanto, pequeno – murmurou agradecido, agradecido pelo amor que ainda brilhava naquelas doces esmeraldas mesmo depois de presenciar seu lado mais sombrio, saboreando lentamente aqueles lábios convidativos.
Harry respondeu ao beijo com fervor.
E ao se separarem, disse com um lindo sorriso:
- Eu também te amo, Tom. E obrigado por vir me salvar.
- Vocês dois podem acasalar mais tarde – Nagini interrompeu, inoportuna como sempre, na opinião de Tom – Agora acredito que precisamos tirar os corpos daqui antes que apareça alguém.
- Bem, e o que você sugere, serpente sabe-tudo?
Ignorando o tom sarcástico do jovem Slytherin, ela respondeu:
- Podemos deixá-los às margens do lago, talvez após alguns feitiços de reconstrução facial e corporal para o estrago que Tom fez nesses dois, todos vão pensar que os Dementadores os pegaram.
Harry e Tom trocaram um olhar aguçado.
De fato, aquela era uma brilhante ideia.
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Ao voltarem para o castelo, os dois irmãos foram recebidos pelos preocupados amigos do Gryffindor e pelo diretor, que imediatamente os encaminhou para a enfermaria. Lá, ambos contaram o que supostamente aconteceu:
- Então eu acabei sendo levado para a Floresta Proibida, quase às margens norte do Lago Negro, e me vi rodeado por cinco bruxos mascarados...
- Membros da Ordem Negra – supôs Draco, ganhando um aceno afirmativo do amigo, que continuou a história:
-... Mas, de repente, tudo ficou muito frio e eu acabei perdendo a consciência.
- Os Dementadores apareceram – Hermione ofegou, o medo estampado em sua face.
- Sim – o Slytherin do sexto ano tomou a palavra – Quando eu cheguei lá, consegui lançar um patrono para proteger Harry, mas eram centenas deles...
- Sendo assim, os Dementares acabaram dando o beijo da morte nos foragidos que tanto procuravam – completou Dumbledore, lançando um olhar suspicaz aos dois, por cima de seus óculos em formato de meia lua.
- Isso mesmo – afirmou Tom, sustentando friamente seu olhar.
- Bem, é um alívio que você estava lá para salvá-lo, meu querido menino, pelo visto a senhorita Parkinson tomou a decisão certa ao procurá-lo em meu lugar.
Pansy, é claro, lançou uma piscadela para Draco e Hermione, que apenas reviraram os olhos, exasperados. A jovem Slytherin certamente ficaria mais convencida do que nunca ao ser elogiada por Dumbledore. E Harry, por sua vez, não pôde deixar de sorrir divertido diante da interação de seus amigos.
Poucas horas depois, Harry foi liberado da enfermaria, ouvindo de Madame Pomfrey que ela não queria mais vê-lo ali até o final do ano letivo. Sua primeira parada, obviamente, foi no escritório do diretor, onde ele e Tom conversaram com James e Lily pela rede-de-Flu e garantiram mais de uma vez que estavam bem. Também responderam aos preocupados questionamentos de Remus e Severus e quase ficaram surdos com o desesperado berrador de Sirius, que não podia expressar sua preocupação para com seus afilhados de uma maneira mais sutil, pelo visto. Finalmente, porém, os dois seguiram para o Salão Principal e chegaram bem a tempo de ouvir o discurso do diretor:
- É com imenso alívio, meus queridos alunos, que eu informo que os Dementadores voltarão para Azkaban.
O burburinho agitado imediatamente começou, mas Dumbledore continuou a falar:
- Os cinco bruxos foragidos foram capturados esta tarde e, infelizmente, não resistiram ao beijo de tais criaturas sombrias – suspirou – Como vocês podem ver, este é o triste destino daqueles que se deixam levar pelas artes das trevas... – os brilhantes olhos azuis se fixaram em Tom – cedo ou tarde, a obscuridade volta para assombrá-los...
O orgulhoso Slytherin sustentou friamente seu olhar.
Mas o semblante de Tom suavizou quando o pequeno Gryffindor de olhos brilhantes segurou carinhosamente sua mão por baixo da mesa. Harry não havia julgado suas ações. Ele não havia mostrado qualquer sinal de medo diante da veia cruel e ligeiramente sádica de seu irmão. Pelo contrário, Harry o ajudou a levar os corpos sob um feitiço desilusório ao Lago Negro e não mediu palavras inventadas para protegê-lo de uma longa estadia na prisão.
Talvez o gosto de Tom por livros duvidosos e por feitiços que dificilmente seriam recomentados por qualquer mente sã fosse ligeiramente perigoso. Talvez seu interesse por magia negra e pelos ensinamentos de Salazar Slytherin fosse um pouco preocupante. Talvez seus olhos ficassem vermelhos por algum motivo... Mas enquanto seus conhecimentos profundos das artes das trevas estivessem ajudando a proteger seu irmão, Tom não mudaria suas leituras. Ele as aprofundaria ainda mais. E se a Ordem Negra continuassem a persegui-los, Tom não duvidaria em se tornar um mago ainda mais perigoso que o próprio Imperador, pois somente assim poderia proteger seu irmão.
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Quando Harry e Tom voltaram para casa, depois de mais um ano letivo repleto de acontecimentos inusitados e perigos superados, o humor de seus pais havia mudado por completo: Lily estava sempre ostentando um belo sorriso e cantarolando canções muggles enquanto cozinhava algo delicioso, James havia voltado a fazer suas piadas inusitadas nas mais diversas ocasiões e Sirius agora entrava e saía da residência Potter com uma piscadela marota e seu riso contagiante. Tudo isso graças à captura dos foragidos de Azkaban, que haviam sido encontrados às margens do Lago Negro rodeado por centenas de Dementadores famintos e já sem qualquer resquício de suas almas.
Os irmãos Potter, por sua vez, estavam muito felizes com o clima alegre que voltara a reinar em sua casa, mas, pelo visto, sua felicidade não se comparava à de seus pais:
- James, nós estamos saindo numa segunda lua de mel no sábado – anunciou Lily, alegremente, na mesa do café da manhã.
- Estamos? – o aludido arqueou uma sobrancelha, confuso.
- Estamos!
- Oh, tudo bem – concordou depressa – É claro que sim, querida.
Os dois adolescentes trocaram um olhar divertido por cima de seus pratos de panquecas com calda de blueberry.
- Depois de todos esses meses de estresse – continuou Lily – nós merecemos um pouco de tranquilidade, um tempo a sós...
E James, é claro, imediatamente se animou com a ideia:
- Sem dúvida, querida! Irei providenciar as passagens. Cancun?
- Caribe.
- Certo, Caribe. É para já!
- E vocês, meninos, acham que conseguem ficar uns dez dias sozinhos?
- Sim! – Harry respondeu animado.
- Porque, se for o caso, eu posso pedir para o seu padrinho ficar com vocês no Largo Grimmauld.
- Mãe, por favor – Tom suspirou e por pouco não revirou os olhos, exasperado – Eu já tenho dezessete anos, tirei minha licença para Aparatar há duas semanas, posso gerenciar alguns dias sozinho cuidando do meu irmão.
Com um sorriso radiante, o jovem Gryffindor balançou a cabeça, concordando com as palavras do irmão. Lily, por sua vez, suspirou teatralmente com as mãos sobre o coração e disse:
- Meus bebês, por que vocês cresceram tão depressa?
- É, meu amor, estamos ficando velhos.
- Fale por você, James Potter! – replicou com falsa indignação, acertando o pano de prato na cara do marido, fazendo seus filhos caírem na gargalhada.
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Os dias de ausência de seus pais foram exatamente iguais aos outros dias. Na verdade, a única diferença era a presença do elfo doméstico trazido da casa de campo da família Potter para manter a casa em ordem e preparar todas as refeições, muito a contragosto de Lily, é claro. Tom e Harry, no entanto, seguiam a mesma rotina de sempre, isto é, acordavam nos braços um do outro, jogavam xadrez juntos, liam alguns livros – bem, no caso de Tom pelo menos – e assistiam televisão abraçados no sofá da sala enquanto trocavam pequenas carícias. Ou seja, os dois estavam vivendo um para o outro, como sempre havia sido.
Naquele momento, depois de um delicioso jantar preparado pelo animado elfo doméstico, que não sabia o que fazer para agradá-los, Harry se encontrava esparramado no colo de Tom enquanto assistiam TV, deitados no sofá da sala. Ou melhor, Tom assistia o irmão mudar preguiçosamente de canal sem parar em nada específico.
- Apenas escolha qualquer um, pequeno.
- Hummm... – murmurou o menor, desinteressado, mas finalmente deixando no primeiro episódio de um seriado muggle que Sirius havia esquecido gravado na TV. Harry estava mais concentrado nas deliciosas carícias que recebia em seu pescoço e só faltava ronronar contra o peito forte de seu irmão para expressar todo o deleite que estava sentindo.
Aos poucos, porém, os dois foram se concentrando no seriado, que possuía uma trama muito interessante e envolvente, e até mesmo Tom era obrigado a admitir que os muggles, às vezes, podiam ser muito criativos:
- Mas eu aposto que o autor dessa série possui alguma ligação com o mundo mágico, talvez seja um abordo ou um nascido-muggle, senão, como ele saberia tanto sobre dragões?
- Talvez. Eu já ouvi Hermione dizendo alguma coisa sobre os livros que deram origem a essa série. George R. R. Martin é o nome do autor, vou perguntar se ela sabe de alguma relação dele com o nosso mundo.
De repente, uma cena inusitada começou: um garotinho, o filho de um dos vassalos do rei, estava escalando uma torre de pedra e acabou flagrando a rainha e o irmão gêmeo dela, um dos cavaleiros da Guarda Real, num momento extremamente... íntimo.
Harry engoliu em seco e sentiu as bochechas esquentarem.
Era uma cena bem explícita.
Tom, por sua vez, mexeu-se desconfortavelmente no sofá.
- Eles são irmãos... – murmurou Harry.
- Sim – Tom concordou com a voz rouca, mexendo-se novamente. E Harry, de repente, sentiu algo duro cutucando suas costas.
Com a boca seca, o Gryffindor se acomodou um pouco melhor e balançou ligeiramente os quadris, ouvindo um gemido abafado escapar dos lábios de seu irmão. Eles mal registraram o que se passou no final do episódio, tão pouco deram importância aos créditos subindo na tela, estavam concentrados um no outro agora, concentrados demais.
- Harry... – suspirou Tom, agarrando firmemente os estreitos quadris, mas sem deter os pequenos movimentos provocantes.
-Eu... Eu me sinto estranho...
- Bom ou ruim? – perguntou o maior, distribuindo pequenos beijos e mordidas pelo pescoço alvo.
- Bom... – um pequeno gemido também escapou de seus lábios ao sentir as mãos fortes do irmão acariciarem seu pênis por cima do short fino que usava – Ah... Tom...
Esquecendo qualquer inibição, guiado apenas pelo desejo nas palavras de Harry, Tom deixou suas mãos explorarem habilmente o pequeno corpo que agora se mexia com ansiedade sobre o seu colo, provocando-o de uma maneira que nem seus sonhos mais íntimos poderiam figurar. Porque aquilo não era mais um sonho. Ele estava, de fato, com seu irmão deixando escapar pequenos gemidos de prazer em seus braços.
- Isso o que a gente está fazendo... Isso é... Isso é normal? – perguntou Harry, os olhos fechados, lábios entreabertos e as bochechas tingidas de vermelho.
Tom o acariciava ritmicamente. Num vai e vem lento, o qual ele gostava de praticar em si mesmo, nas manhãs preguiçosas logo após um vívido sonho com seu irmão, ou num banho mais demorado, quando não partilhava a banheira com Harry. Ele sabia o que se sentia bem e agora, oferecia ao menor as mesmas sensações.
- Não, provavelmente não, pequeno – respondeu, respirando fundo enquanto sentia intensas ondas de prazer percorrê-lo, pois os movimentos de Harry em seu colo, provocantes como uma sedutora dança, faziam o sangue correr vertiginosamente em suas veias – Nossos pais não aprovariam... Nem seus amigos... Ou qualquer bruxo que se considere digno hoje em dia... Então não, não acredito que seja normal...
- Bom...
- O que?
- Isso é bom... – outro ofegante gemido deslizou de seus lábios – Eu não gosto do que é normal... Normal é chato...
Uma risada feliz e aliviada escapou de Tom:
- É mesmo?
- Sim... Eu gosto de você... Gosto de tocar em você... – virando-se no colo do irmão, Harry se posicionou de forma que pudesse encará-lo, rodeando sua cintura com as pernas trêmulas enquanto retomava o movimento de seus quadris com os olhos nublados pelo desejo febril que seu corpo mal havia descoberto ainda.
- Eu também gosto de tocar em você, pequeno. E gostaria de poder tocá-lo a todo instante.
- Você pode agora – sorriu, capturando os lábios do irmão num beijo apaixonado, como havia visto apenas nos filmes, mas que se mostrava ainda melhor na vida real. Tom, por sua vez, correspondeu ao beijo ansiosamente, voltando a tocá-lo intimamente e a impulsionar os quadris a cada movimento que o menor fazia.
- Harry...
- Hummm... Tom...
Eles não se importavam com o que seus pais poderiam pensar; ou seus amigos, ou qualquer pessoa no mundo mágico. Naquele momento, não existia ninguém mais... apenas os dois. Para Tom, seus desejos mais íntimos e obscuros se concretizavam e para Harry, anseios desconhecidos tomavam forma agora e finalmente o jovem Gryffindor se dava conta do que estava faltando em sua vida, do que seu corpo ansiava tanto, isto é, dos toques de seu irmão. E tudo parecia tão correto, tão íntimo, tão bonito... Como algo assim poderia ser anormal? Errado? Repudiado pelo mundo? Eles não conseguiam entender. E naquele momento, eles não precisavam entender, precisavam apenas responder aos mais profundos desejos de seus corpos e de seus corações, que se uniam num só.
Em poucos minutos, seus corpos adolescentes não aguentaram mais tantos estímulos e Harry logo se derramou nas mãos de Tom, enquanto este deixou sua essência na própria roupa, sufocando um gemido extasiado nos lábios trêmulos do irmão.
Quando seus olhos se encontravam novamente, um sorriso cúmplice, feliz e satisfeito se instalou em seus lábios.
- Eu amo você, Harry. Talvez de uma forma que muitos não consigam entender, possam considerar errado, mas eu jamais poderei abrir mão desse amor.
- Eu também te amo, Tom – murmurou, escondendo o rosto no pescoço do irmão – Eu te amo da mesma maneira. E isso não pode ser errado, porque o amor nunca está errado, pelo menos foi isso o que Dumbledore disse uma vez.
Revirando os olhos, Tom respondeu:
- Pelo visto, o velhote ainda consegue dizer algo que preste.
- Tom... – Harry tentou repreendê-lo, mas acabou rindo no final. E então, o Gryffindor se lembrou de algo que o fez sorrir com carinho.
- Por que o sorriso, pequeno?
- Estou me lembrando da última cena do episódio de Game of Thrones que estávamos assistindo.
- É mesmo? Eu estava mais concentrado em outras coisas.
- Eu também – murmurou, corando adoravelmente – mas ainda sim, não pude deixar de notar que o Jaime jogou a criança pela janela dizendo: "as coisas que faço por amor" e acabei lembrando de uma certa pessoa...
Tom também estava sorrindo:
- De fato, eu faria a mesma coisa por você.
- Eu sei... – riu, buscando seus lábios novamente.
Talvez Harry devesse se sentir horrorizado com as palavras de seu irmão, mas, aos seus olhos, aquela era uma doce declaração de amor. E vindo do mago de olhos escarlates que havia assassinado cinco bruxos a sangue frio para protegê-lo, sem dúvida alguma, não haveria mais doce e sincera declaração de amor.
Continua...
Próximo Capítulo: - Esse ano, Hogwarts irá sediar o Torneio Tribruxo!
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N/A: Olá, meus leitores lindos e cheirosos... Tudo bem com vocês? Como já é de praxe, inicio minhas notas me desculpando pela demora em postar o capítulo. Eu sei... São semanas, quase meses, de demora imperdoável. Mas, mesmo assim, eu espero que vocês me perdoem e que não deixem de acompanhar minhas histórias, porque, mesmo que haja um pouquinho de demora na atualização, eu nunca irei abandoná-las, eu nunca irei abandonar vocês. Então, sejam pacientes, por favor.
Quanto ao capítulo de hoje... O que vocês acharam? Nosso querido Tom está mostrando cada vez mais uma perigosa veia assassina, a qual se manifesta apenas quando seu querido irmão está em perigo... Será que isso o trará problemas algum dia? Bem, logo vocês poderão conferir. E o que acharam do pequeno indício de lemon? Da descoberta da sexualidade dos dois começando a aflorar? Só posso dizer que a partir deste capítulo, as coisas ficarão bem mais calientes. Espero que vocês gostem!
Gostaria de agradecer também às magníficas Reviews, que sempre me inspiram a continuar a escrever, de: Alluka Zaoldyeck... yggdrasil001... Mertriqs... Sandra Longbottom... tkawaiii2013... SarahPrinceSnape... Boarcas... yume... Flavia FV... Bruna Uzumaki... lunynha... Dyeniffer Mariane... lunadressa... val12345678999... e vrriacho!
Muito obrigada mesmo pelas Reviews de vocês!
Um grande beijo! E até a próxima atualização (a qual, mesmo que demore um pouquinho, será postada sim) de O Charme da Insanidade!
