Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

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Era a 422ª Copa Mundial de Quadribol, sediada ao norte do País de Gales, e, obviamente, James Potter e seus filhos não poderiam perdê-la. Para exasperação de Lily, que via aquele evento como "apenas mais um jogo", seu marido e seus filhos estavam acampados há mais de duas semanas, na companhia de Remus e Sirius, assistindo a todos os jogos que podiam, enquanto a bela bruxa permanecera no sossego de Godric's Hallow colocando as leituras em dia.

Infelizmente, para desolação de James e dos outros, a Inglaterra havia sido eliminada depois de perder para a Espanha nas quartas de final, mas, sem perder a animação, eles resolveram destinar sua torcida para uma das duas equipes finalistas:

- Não seja cabeça dura, Prongs, a Bulgária é muito melhor.

- Do que você está falando, Padfoot? Está na cara que a Irlanda irá ganhar.

- Impossível! Eles não têm Victor Krum!

- O melhor apanhador do século! – acrescentou Harry, ostentando a camiseta do apanhador búlgaro com orgulho.

- Exatamente! Toca aqui, campeão – Harry e Sirius deram um high-five sob o olhar indignado de James e os sorrisos divertidos de Remus e Tom.

- Mas o time irlandês é muito melhor! – protestou James.

- Isso é o que nós vamos ver essa noite! Bulgária! Bulgária!

Os gritos em coro de Harry e Sirius logo se misturaram aos gritos de "Irlanda! Irlanda!" de James, Remus e Tom. E os gritos não demoraram a se transformar em gargalhadas e provocações hilárias que ecoavam pela barraca, a qual, na verdade, mais parecia um duplex de luxo super equipado.

Situada na parte nobre do acampamento, isto é, onde apenas as famílias de sangue-puro mais tradicionais se encontravam, as quais pagaram verdadeiras fortunas pelos melhores ingressos dos jogos, a barraca havia sido um "perfeito investimento", pelo menos fora o que James dissera a uma consternada Lily quando esta vira a quantidade de galeões dispensados àquela barraca. Todavia, os quatro quartos com suíte, mais dois lavabos, jardim de inverno, sala de estar íntima, cozinha panorâmica gourmet, área de serviço, deck e churrasqueira, todo o piso em mármore travertino e granito além da maravilhosa decoração em ébano e inúmeros equipamentos eletrônicos muggles como TV de plasma 60 polegadas, home theather com DVD Blue Ray, salão de jogos e uma adega garantiam a excelência daquele investimento que, visto do lado de fora, parecia ser apenas uma simples barraca negra com detalhes dourados.

- Vamos logo, Remus! Não podemos nos atrasar para a final!

- Mas só começa daqui quatro horas – o lobisomem suspirou, guardando seu novo livro sobre feitiços defensivos.

- Eu quero pegar bons lugares!

- Os lugares são marcados, pai – lembrou Tom – No camarote do Ministro da Magia, se bem me lembro.

- Apenas vamos logo!

Todos riram, mas seguiram James para fora da barraca, onde inúmeros magos e bruxas já seguiam para o estádio vestidos de verde e branco ou preto e vermelho. O gigantesco estádio logo se viu acomodando quase cem mil pessoas que circulavam pelas escadas púrpuras brilhantes e iam tomando seus lugares. Porém, pouco antes de James e os outros chegarem aos portões dourados do estágio uma animada voz chamou o patriarca da família Potter:

- Hey, Potter!

- Diggory! Weasley! Como vocês estão?

- Muito bem!

- Melhor agora que veremos a Irlanda ganhar – comemorou Arthur Weasley. Ao seu lado, os gêmeos discutiam alegremente sobre qual jogador seria o primeiro a desmaiar em campo. Rony, por sua vez, lançava olhares de soslaio, venenosos, aos irmãos Potter e a jovem menina Weasley não parava de sorrir tentando chamar a atenção de Harry.

Mas Ginny Weasley não era a única interessada no lindo Gryffindor de olhos esmeraldas.

Ao lado de Amos Diggory, um rapaz alto e musculoso de cabelos e olhos castanhos oferecia um cálido sorriso a Harry, sob o olhar perigoso de Tom:

- Então você está torcendo para a Bulgária? – o bonito rapaz perguntou. Os adultos, enquanto isso, falavam sobre as últimas partidas que haviam visto.

- Sim... Er...

- Cedric. Meu nome é Cedric – se apresentou depressa, estendendo a mão para Harry, que a apertou com receio – Desculpe a indelicadeza.

- Tudo bem.

- Eu vi você algumas vezes, nos jogos de Quadribol em Hogwarts, sou apanhador do time Hufflepuff.

- Oh! Eu sabia que o conhecia de algum lugar.

- Bem, considerando que vocês Gryffindors sempre nos dão uma surra... – brincou.

- Ah, não é bem assim, vocês são ótimos também – o adorável sorriso que se desenhou nos lábios de Harry foi o bastante para Tom se colocar entre eles, afastando Cedric.

- O que você quer com meu irmão, Diggory?

- N-nada... Eu só estava...

- Fique longe dele – as palavras frias e cortantes foram a última coisa que o Hufflepuff ouviu antes de Tom agarrar o braço do irmão e puxá-lo em direção à entrada do estádio.

Harry estava sem fala.

Afinal, o que havia acontecido ali?

- Tom, espera... – protestou suavemente, deixando-se arrastar em meio à multidão para o camarote mais alto do estádio – Papai, Sirius...

- Eles saberão onde nos achar.

Os dois logo chegaram ao camarote de luxo e, instantes depois, seu pai e seus padrinhos se juntaram a eles. James perguntou brevemente porque seus filhos haviam sumido – alegando que, se algo acontecesse aos dois, Lily o esquartejaria em pequenos pedacinhos e depois jogaria os pedadinhos no Lago Negro –, mas a hábil resposta de Tom sobre garantir onióculos para todos eles rapidamente o convenceu e o distraiu com o aparato que garantia excelente visibilidade de todo o campo. O camarote então foi se enchendo gradualmente e quando o Ministro da Magia chegou, seu pai se viu obrigado a cumprimentá-lo e iniciar uma conversa superficial sobre "bobagens inúteis" – segundo palavras de Sirius.

Harry, porém, viu-se entusiasmado com a chegada de seu amigo Draco, cujo semblante estoico logo esvaeceu ao notar a presença do jovem Gryffindor:

- Harry!

- Draco! – o Gryffindor o abraçou com um grande sorriso e ofereceu um breve aceno a Lucius Malfoy, que lançou um olhar de desdém à interação de seu filho com Harry e cumprimentou a todos com seu característico aceno de cabeça esnobe.

- Você viu todos os jogos? – Draco perguntou animado – meu pai não quis vir antes, apenas comprou ingressos para a final.

- Sim! Vimos todos os jogos da Inglaterra, alguns da Irlanda, vimos também Brasil e Argentina se enfrentarem...

- Esse deve ter sido incrível!

- E foi mesmo! – o sorriso contente nos lábios de seu irmão quase fez Tom esquecer a urgente necessidade de lançar um Avada Kedrava em Cedric Diggory. Quase. Se o Hufflepuff ousasse se aproximar de Harry em Hogwarts, Tom não seria tão benevolente – Para quem você está torcendo nesse jogo?

- Você ainda pergunta?

- Bulgária?

- Bulgária!

Naquele momento, interrompendo as risadas de Harry e Draco e a conversa que percorria o camarote, o Ministro avançou para a varanda estendida ao camarote, lançou um Sonorus na própria garganta e começou o discurso que daria início a partida:

- Senhoras e senhores... Bem vindos! Bem vindos à final da quadricentésima vigésima segunda Copa Mundial de Quadribol! Desejo a todos um excelente espetáculo essa noite!

Os espectadores gritaram e bateram palmas. Milhares de bandeiras se agitaram, somando seus desafinados hinos nacionais à barulheira geral. O narrador do jogo, Ludo Bagman, tomou então a palavra:

- E agora, sem mais demora, vamos apresentar... os mascotes do time búlgaro!

Dezenas de mulheres belíssimas, de cabelos louro-prateados, ar etéreo e um brilho sobrenatural sobre seus corpos deslizaram pelo gramado. Veelas. Elas começaram a dançar uma dança sensual que deixou quase todos os expectadores embasbacados. Quase todos, pois Harry olhava com curiosidade vazia e Tom com pleno desinteresse para o espetáculo. Quando as Veelas se retiraram do gramado, gritos de protesto foram ouvidos, pois a multidão não queria que as belas criaturas fossem embora. Interrompendo os protestos, porém, um imenso cometa verde e dourado entrou velozmente no estádio. Deu a volta completa se dividiu em dois cometas menores, que se projetaram em direção às balizas. De repente, um arco-íris atravessou o céu do campo unindo as duas esferas luminosas. A multidão foi ao delírio, aplaudindo e gritando "oooh..." "aaaah..." em seguida, o arco-íris se dissolveu e as esferas se fundiram num trevo refulgente que depois explodiu numa bela chuva dourada.

- E agora, senhoras e senhores, vamos dar as boas-vindas ao time nacional de quadribol da Búlgaria! Apresentando, por ordem de entrada... Dimitrov! Zograf! Levski!

Os jogadores foram disparando pelo campo um a um, ao som de seus nomes. E então, para deleite de Harry e Sirius, Bagman anunciou:

- E Victor Krum!

A enxurrada de aplausos rompeu o estádio.

- É ele! É ele! – apontava Harry. Tom, por sua vez, revirou os olhos com um ligeiro toque de irritação ciumenta.

- E agora, vamos saudar... o time nacional de quadribol da Irlanda! Apresentando... Connolly, Ryan, Troy...!

Sete borrões entraram velozes em campo e Harry, por um momento, achou que seu pai fosse desmaiar de emoção. Quando o juiz finalmente tomou seu lugar em campo e todos os jogadores se posicionaram, o apito foi ouvido e Bagman berrou:

- COOOOOOOOOOOOOOOOOOMEÇOU a partida!

Harry logo apertou os onióculus contra o rosto:

- É Mullet! Troy! Moran! Dimitrov! De volta a Mullet!

O time irlandês era incrível, mesmo Sirius a contragosto precisou admitir. E logo a partida tomou um ritmo frenético. Os batedores búlgaros atiravam os balaços com bastonadas fortíssimas nos artilheiros irlandeses, que, ainda sim, aumentavam a vantagem no placar. Este, no momento, marcava IRLANDA 70 – BULGÁRIA 30.

O tempo pareceu passar voando, na velocidade dos artilheiros, que marcavam um gol atrás do outro. De repente, porém, o apanhador irlandês mergulhou no ar e Harry teve certeza de que aquilo não era um blefe. Era para valer.

- Ele viu o pomo!

Metade da multidão parecia ter compreendido o que estava acontecendo, a torcida irlandesa se levantou como uma grande onda verde, animando o apanhador. Seu pai estava quase sobre a borda do camarote, os olhos vibrando de emoção. Mas Krum voava na rasteira do adversário. Logo o búlgaro e o irlandês emparelharam e os dois dispararam em direção ao chão.

- Eles vão bater! – Remus ofegou.

- Não vão! – berrou Sirius.

- o Lynch vai! – gritou Harry.

E tinha razão. O apanhador irlandês bateu no chão com um tremendo impacto. Krum, por sua vez, levantou voo novamente com o punho erguido e uma bolinha dourada nas mãos. O placar piscou acima da multidão: IRLANDA 170 – BULGÁRIA 160. Os torcedores demoraram alguns segundos para perceber o que havia acontecido, então, de repente, um rugido da torcida irlandesa foi se avolumando e explodiu em urros de alegria.

- VENCE A IRLANDA! – gritou Begman, que parecia tão espantado quanto os torcedores com o desfecho da partida – KRUM CAPTURA O POMO, MAS VENCE A IRLANDA!

- Para que ele agarrou o pomo? – Sirius se lamentava – Ele encerrou a partida antes que pudessem se recuperar!

- Ele sabia que o time não ia conseguir se recuperar – apontou Tom – os artilheiros irlandeses eram bons demais...

- Ele queria encerrar a partida nos termos dele – acrescentou Remus, sorrindo divertido com a cantoria de James e o muxoxo emburrado de Sirius.

- De qualquer forma, a captura dele foi genial.

Todos concordaram com o jovem Gryffindor.

Ainda que Tom não parecesse muito satisfeito com o ar deslumbrado de seu irmão.

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Meia hora depois, todos se encontravam comemorando não só a vitória da Irlanda, mas a beleza de todo o espetáculo nos arredores do estádio, cantando alegremente os hinos de suas equipes, quando o alvoroço começou. Dezenas de bruxos usando vestes negras e máscaras prateadas surgiram rodeados por uma fumaça negra e espessa e começaram a lançar maldições a esmo, pouco se importando com as crianças presentes ou com as famílias que outrora lotavam o estádio. Eles buscavam apenas o caos e a destruição e pareciam se deleitar com os gritos de desespero que não demoraram a surgir.

- Tom, leve seu irmão para a barraca! Depressa! E não saiam de lá!

James e Sirius já haviam adotado a postura de Aurores e Remus, por sua vez, estava pronto para usar todos os seus conhecimentos de combate às Artes das Trevas.

- Papai... – Harry murmurou assustado, mas antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, Tom começou a correr arrastando-o pela mão em direção ao acampamento, brandindo a varinha na outra mão o Slytherin lançava feitiços de proteção que repeliam as maldições que cruzavam seu caminho.

- Nós estamos quase lá, pequeno.

- Mas papai... E Sirius... E...

- Eles ficarão bem – garantiu. Mas antes que pudessem chegar à segurança da barraca repleta de feitiços de proteção, três bruxos mascarados se interpuseram em seu caminho:

- Ora, ora... O que temos aqui?

- Harry Potter, o menino que sobreviveu à Maldição da Morte – um deles observou a famosa cicatriz.

- Será que ele terá a mesma sorte duas vezes? – os três riram, mas, quando içaram as varinhas, os olhos de Tom já estavam tingidos de vermelho.

Bastaram algumas palavras em Parsel e um movimento fluído da varinha de Tom e logo os três bruxos mascarados se viram rodeados por um gigantesco Basilisco forjado em chamas negras.

- O que é isso?!

- É magia negra!

Os três tentaram de tudo. Todos os feitiços que conheciam não surtiam efeito contra a gigantesca serpente de fogo, que os estreitava cada vez mais num pequeno círculo.

- Tom... – Harry agarrou a manga da túnica de seu irmão. Ele estava tão assustado. As lágrimas brilhavam em seus olhos e seu único desejo era ir embora dali. E o Slytherin imediatamente identificou no semblante choroso do menor o silencioso pedido.

- Sim, vamos.

Eles voltaram a caminhar depressa em direção à barraca, mas Harry, angustiado, não pôde deixar de perguntar:

- O que irá acontecer com eles?

- Não olhe para trás, pequeno – no instante seguinte, a serpente de fogo engoliu os bruxos por completo, carbonizando-os silenciosamente em meio aos gritos de horror que enchiam o acampamento.

Harry não viu a assustadora cena.

Ele não olhou para trás.

Porque ele sabia que seu irmão cuidaria de tudo.

Finalmente, seguros na barraca de seu acampamento, que possuía feitiços de proteção tão poderosos quanto um "Fidelius" de Dumbledore, Tom se encontrava sentado no confortável sofá azul escuro da sala de estar com um trêmulo Harry aninhado em seu colo. Os soluços deste haviam diminuído um pouco e agora, com o rosto escondido na curva do pescoço de Tom, o menor tentava se acalmar ouvindo as palavras doces sussurradas em seu ouvido:

- Está tudo bem agora, pequeno, você está seguro.

- Mas nosso pai... Remus e Sirius... Eles estão lá...

- E são magos poderosíssimos, treinados para esse tipo de combate, por isso estarão aqui em breve.

- Por que eles fizeram isso? Por que atacar todas essas famílias felizes aqui, onde todos deveriam estar se divertindo?

- Eu não sei – suspirou, abraçando o pequeno corpo ainda mais apertado – Esse idiotas só estão interessados em trazer o caos, não buscam qualquer propósito, dizem querer exterminar os muggles e nascidos-muggles, mas sequer sabem se organizar propriamente.

- Será que o tal Imperador está aqui hoje?

- Não sei, mas ele deve ser tão inútil quanto seus seguidores – desdenhou – quero dizer, quem nomeia um bando de bruxos das trevas de "Ordem Negra"? Isso é tão clichê.

Um pequeno sorriso acabou surgindo no rosto de Harry.

- Você os chamaria do que?

- Humm... Algo mais poético... – ponderou – Um pouco dramático talvez. Algo como "Comensais da Morte".

- Comensais da Morte?

- Sim, o que acha?

Harry riu. E Tom acabou sorrindo divertido também.

- Merlin, esse nome é horrível!

- Tem razão, pequeno.

Os dois ficaram quase uma hora abraços no sofá, conversando sobre amenidades, tentando esquecer o susto pelo qual haviam passado e não pensar nos horrores que certamente estavam acontecendo lá fora. Felizmente, em poucos instantes, seu pai e seus padrinhos cruzaram a barreira de proteção da barraca e chegaram à sala na qual os meninos estavam.

- Vocês estão bem? – James perguntou aflito, ajoelhando-se na frente de seus filhos para conferir se cada fio de cabelo escuro permanecia intacto.

- Sim, papai – garantiu o pequeno Gryffindor, agora visivelmente mais tranquilo.

- E vocês estão bem?

- Estamos sim, Tom, as equipes de Aurores não demoraram a chegar e logo pudemos controlar a situação.

- Quinze bastardos daqueles foram presos – acrescentou Sirius, olhando com irritação para o espelho na parede que refletia a imagem de seu supercílio ensanguentado. Este, no entanto, fora o único dano que os atingira.

- Por sorte, as baixas foram poucas e não muitos saíram gravemente feridos também.

- Isso é ótimo, Remus – Harry suspirou aliviado. Ele só queria voltar para casa agora. E seu pai, pelo visto, pensava da mesma forma:

- Infelizmente a festa acabou mais cedo, meninos, vamos arrumar nossas coisas e voltar para casa antes que a mãe de vocês fique sabendo do que aconteceu e venha nos buscar pessoalmente.

- Ah, a doce Lily Potter… Ela pode ser tão assustadora e perigosa quanto qualquer membro da Ordem Negra se estiver preocupada com seus filhos – o comentário de Sirius arrancou risadinhas de todos e o clima logo se viu bem mais leve.

Pouco tempo depois, quando se encontravam em seus quartos arrumando suas mochilas para voltarem para casa, Harry não pôde deixar de murmurar para o irmão:

- Eu não sei bem o porquê, Tom, mas tenho um mau pressentimento desse nosso ano em Hogwarts.

- Eu tenho maus pressentimentos de todos os nossos anos naquela escola – suspirou – mas não se preocupe, pequeno, haja o que houver, irei sempre proteger você.

Harry sorriu e aceitou o beijo carinhoso que o maior depositara em seus lábios, abrindo-os solicitamente para que a hábil língua de seu irmão pudesse explorá-lo. O delicioso beijo, porém, acabou sendo interrompido pela batida na porta:

- Estão prontos, meninos?

- Sim, papai – uma linda cor avermelhada adornava as bochechas de Harry – Já estamos indo!

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Um novo ano letivo na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts chegou sem novos problemas envolvendo a Ordem Negra, que, desde o caos criado no mundial de Quadribol, não voltou a se manifestar. Infelizmente, os bruxos apreendidos pelos Aurores não serviram de qualquer ajuda para obter informações e adiantar as investigações, pois todos se encontravam sob o feitiço de sigilo do Imperador, que resistia até mesmo ao mais poderoso Veritaserum. James e Sirius, por sua vez, estavam muito irritados por não conseguirem qualquer informação que pudesse levá-los à captura do Imperador, mas, pelo menos, quinze bruxos das trevas estavam apodrecendo em Azkaban agora.

Enquanto isso, naquela agradável noite de Setembro, Harry e Tom se encontravam no salão principal de Hogwarts, sentados na mesa Slytherin com Draco, Hermione e Pansy e os amigos de Tom – ou colegas inúteis, como ele se referia – prontos para ouvir o discurso de boas-vindas de Dumbledore, que parecia mais animado que nunca, para grande exasperação de Tom:

- Sejam bem vindos! Sejam todos bem vindos, meus queridos alunos! Este ano será um ano muito especial...

Harry e Tom trocaram um olhar desconfiado.

-... Teremos a honra de sediar um evento extraordinário! Um evento que não é realizado há um século! Tenho o enorme prazer de informar que, este ano, realizaremos o Torneio Tribruxo em Hogwarts!

O burburinho agitado imediatamente tomou conta do salão, mas logo se desfez quando o diretor retomou a palavra:

- Alguns de vocês nasceram em famílias muggles e provavelmente não saibam o que é esse torneio, de modo que espero que aqueles que já sabem me perdoem por dar uma breve explicação – pigarreando brevemente, Dumbledore continuou a falar – O Torneio Tribruxo foi criado há uns setecentos anos, como uma competição amistosa entre as três maiores escolas europeias de bruxaria: Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. Dois campeões são eleitos para representar cada escola e competem em duplas até a última tarefa, quando se torna cada um por si, e apenas um deles pode alcançar a glória eterna.

- Idiotice – comentou Tom, revirando os olhos.

- E suicídio – acrescentou Hermione – Li que a quantidade absurda de mortes fez o torneio ser extinto por décadas.

- Após alguns incidentes durante torneios passados, o nosso Departamento de Cooperação Internacional em Magia e Jogos e Esportes Mágicos decidiram que já era hora de fazer uma nova tentativa. Trabalhamos muito durante o verão para garantir que, dessa vez, nenhum campeão será exposto a um perigo mortal. Por esse motivo, a partir de agora, somente alunos com dezessete anos ou mais poderão competir.

Um coro de "ahhhh..." desolado rompeu o salão.

- Sim, uma pena, mas é para a segurança de vocês – garantiu – Somente alunos com dezessete anos ou mais poderão se submeter ao julgamento imparcial que decidirá quais terão o mérito de disputar a Taça Tribruxo, a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões.

- Mil galeões? – desdenhou Pansy – Que pobreza.

- Veja o olhar ansioso dos Weasley – gracejou Montangue. E Draco riu:

- Patético.

- Silêncio. Silêncio – pediu Dumbledore – Agora, eu gostaria que vocês dessem as boas vindas aos nossos convidados. Primeiramente, uma salva de palmas para os alunos do sétimo ano da Academia Beauxbatons!

Surpresos, todos se voltaram às portas do salão principal, que se abriram para dar passagem a pelo menos quinze meninos e meninas, caminhando de maneira altiva e reluzindo seus levíssimos trajes de seda, albicelestes, em meio ao escuro lugar. Todos eles pareciam brilhar. Principalmente a menina que vinha à frente e possuía uma longa cascata de cabelos louro-prateados que caíam até sua cintura, olhos grandes e azuis, e um ar naturalmente encantador.

Hermione sabia reconhecer uma Veela quando via uma. Ou uma semi-Veela, no caso. E sem saber bem o porquê, ela se viu irritada com o olhar embobado com o qual Draco observava a menina.

- Feche a boca ou você vai começar a babar – sussurrou mordaz, fazendo o loiro se recompor rapidamente, sem deixar de aplaudir.

Pansy, ao notar a interação dos dois, não pode deixar de sorrir divertida.

Os estudantes de Hogwarts não puderam deixar de notar, é claro, a enorme mulher que vinha atrás dos alunos. Uma mulher languida, mas muito, muito, alta. Possuía um rosto bonito de pele morena, grandes olhos negros que pareciam líquidos e um nariz um tanto bicudo. Seu cabelo estava puxado para trás e preso em um coque na nuca. Vestia-se da cabeça aos pés de cetim negro e numerosas opalas brilhavam em seu pescoço e nos dedos grossos.

- Olímpia! – Dumbledore sorriu à diretora de Beauxbatons, e mal precisou se curvar para beijar-lhe a mão – Seja bem-vinda!

- Obrrrrigado, Alvo.

- Acomode-se, por favor.

Com um breve aceno, a diretora se acomodou numa cadeira, digamos, própria para o seu avantajado tamanho, ao lado do assento do diretor. E os jovens estudantes de Beauxbatons foram guiados pela professora McGonagall ao final da mesa Ravenclaw, na qual surgiram vários assentos vagos.

- Maravilha! – exaltou o diretor – Peço agora que vocês deem às boas-vindas também aos alunos do Instituto Durmstang!

Mais uma enxurrada de aplausos tomou conta do Salão quando as portas se abriram e por ela ingressaram os quinze menino e meninas do sétimo ano de Durmstang, usando vestes sóbrias em couro negro e marrom, e um ar tão gelado quanto o clima de sua terra natal. Logo atrás dos adolescentes, destacou-se o homem que usava uma capa sedosa e negra como o seu cabelo, um homem alto e magro que possuía um cavanhaque escondendo inteiramente o seu queixo fraco. Ao lado deste, um garoto forte, de cabelos bem curtos e sobrancelhas espessas, caminhava com altivez. E Harry não precisava do chute de Draco em sua canela, nem do grito entusiasmado de Montague para reconhecer aquele perfil.

- É o Victor Krum!

- Eu não acredito... – murmurou encantado.

Todo o salão cochichava animadamente também.

O apanhador do time nacional da Bulgária estava em Hogwarts. O mais jovem e talentoso apanhador do século. O ídolo de muitos meninos e meninas apaixonados por Quadribol. E para irritação de Tom, o ídolo de Harry também.

-... É ele mesmo, Tom!

- Sim, sua aparência é ainda mais grotesca pessoalmente – grunhiu o Slytherin, ignorando o revirar de olhos exasperado de seu irmão.

Enquanto isso, Dumbledore abraçava calorosamente Igor Karkaroff, diretor de Durmstrang:

- Igor! Fez boa viagem?

- Sim, sim, ótima. Como é bom estar em Hogwarts novamente.

- Então se acomode meu caro, por favor.

O diretor de Durmstang logo se acomodou numa cadeira ao lado de Remus e Snape, que parecia tão animado com aquele torneio quanto uma criança para a sua primeira ida ao dentista. E os estudantes do Instituto, por sua vez, foram guiados por McGonagall ao final da mesa Slytherin, na qual vários lugares vagos surgiram para acomodá-los. Naquele momento, Harry desejou estar sentado no final da mesa com os recém-selecionados pelo chapéu seletor, que tentavam a todo custo usar a altivez Slytherin para disfarçar seus olhares admirados ao apanhador búlgaro. Tom, por sua vez, desejava apenas que o filhote de Troll engasgasse com o suco de abóbora.

- Este ano – Dumbledore se dirigiu mais uma vez aos alunos – é acima de tudo para se fazer amigos. Então eu peço que vocês não percam a oportunidade de se conhecer e de se divertir!

Todos aplaudiram. E o diretor continuou seu discurso:

- Aos estudantes de dezessete anos ou mais que desejem participar do torneio, eu solicito que até a meia noite do próximo sábado se dirijam ao juiz imparcial que irá selecioná-los para a competição... o Cálice de Fogo.

Dumbledore puxou então sua varinha e deu três sacudidas leves no ar. De repente, um cálice de madeira toscamente talhado se materializou no chão à sua frente. Teria sido considerado totalmente comum se não estivesse cheio até a borda com chamas branco-azuladas, que davam a impressão de dançar.

- Quem quiser se candidatar a campeão deverá escrever seu nome e escola claramente num pedaço de pergaminho e depositá-lo no cálice até o próximo sábado. No domingo a noite, após o jantar, o cálice devolverá os seis nomes que julgar dignos de representar suas escolas. O cálice será colocado no saguão de entrada hoje à noite, onde estará perfeitamente acessível a todos que queiram competir. Ah, mais uma coisa... Para garantir que nenhum aluno menor de idade ceda à tentação, traçarei uma linha etária em volta do cálice depois que ele for colocado no saguão. Ninguém com menos de dezessete anos conseguirá atravessar a linha.

O burburinho descontente se fez novamente presente, mas Dumbledore o dispersou com um grande sorriso e suas palavras finais:

- Agora, acho que já está na hora de irmos nos deitar. Boa noite a todos.

- Uau! Nunca pensei que algo tão emocionante pudesse acontecer aqui – Montague parecia um dos mais animados.

Tom, por sua vez, revirou os olhos:

- Garanto que coisas emocionantes acontecem todos os anos.

- E nós quase morremos desfrutando delas – acrescentou Harry.

- Independente desse torneio chato, essa é uma ótima oportunidade de conhecer novas pessoas e fazer amizades... – comentou Pansy, usando seu melhor sorriso para flertar de longe com um jovem aluno de Beauxbatons que não havia tirado os olhos dela.

- Amizades, sei – suspirou Hermione.

- Eu acho que vocês ainda não entenderam – interrompeu Draco, seguindo-os para fora do salão – Victor Krum está na nossa escola!

- Vejam só, o pequeno Malfoy está apaixonado...

- Não seja idiota, Montague! – o Slytherin do sétimo ano começou a provocar o jovem loiro, que resmungava irritado, causando a diversão dos demais.

Harry, porém, acompanhou a saída do apanhador búlgaro do salão principal com a mesma admiração que seus olhos acompanharam suas jogadas na Copa de Quadribol. E Tom obviamente não gostou nem um pouco disso.

Ele estava começando a detestar a ideia desse torneio.

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Na semana seguinte ao jantar de boas vindas, a maioria dos alunos do sétimo ano das três escolas já havia colocado seu nome no Cálice de Fogo em suas tentativas de alcançar a chamada glória eterna. Para outros, no entanto, isso era apenas estupidez.

- Você não vai colocar seu nome no cálice, Tom? – perguntou Marcos Flint.

- Eu já coloquei o meu – gabou-se Montague, ignorando o suspiro exasperado de Adrian Pucey:

- Isso é ridículo.

- De fato, Pucey. Isso é ridículo. – concordou Tom – Eu tenho mais o que fazer com meu tempo que aderir a esta competição imbecil.

Naquele momento, os quatro Slytherins do sétimo ano, na companhia de Harry e de seus amigos, estavam sentados no saguão, próximos ao cálice mágico que atraía todos os olhares.

- Mas a glória eterna... – choramingou Montague.

- Eu não preciso de glória eterna – o comentário mordaz de Tom, no entanto, acabou sendo interrompido por uma enxurrada de assobios e aplausos e um mar de alunos de vestes amarelas e pretas que haviam invadido o saguão:

- Hufflepuffs – Draco observou com desdém, ganhando um olhar reprovador de Harry e uma cotovelada de Hermione – Ai!

- Não seja um idiota preconceituoso, Draco.

- Poxa, essa doeu...

Saindo da rodinha de Hufflepuffs, o rapaz bonito que havia falado com Harry na Copa Mundial de Quadribol se aproximou do cálice.

Cedric.

Cedric Diggory.

Harry não havia esquecido seu nome.

Quando Cedric colocou seu nome no Cálice de Fogo e se afastou, observando a chama avermelhada retornar ao branco azulado ao aceitá-lo, seus olhos cruzaram com os de Harry. Eles se encararam em silêncio por alguns segundos. Então, Cedric sorriu e piscou para Harry, que corou adoravelmente, observando o bonito Hufflepuff se afastar com seus amigos.

- Harry! – ofegou Pansy – Quem é ele?

- Ele é lindo – afirmou Hermione, ignorando o franzir de cenho desdenhoso de Draco.

- E piscou para você!

- Do que vocês estão falando? Eu só falei com ele uma vez...

Interrompendo o envergonhado murmúrio de Harry, Tom se levantou bruscamente. Engolindo em seco, o pequeno Gryffindor se perguntava se o irmão havia ficado chateado com os comentários bobos das meninas, mas sequer pôde abrir a boca para se desculpar quando Tom, de repente, apanhou um pergaminho qualquer das mãos de Pucey, anotou o próprio nome em sua elegante caligrafia e caminhou a passos decididos em direção ao Cálice de Fogo. Todos no local estavam sem fala. Simplesmente, o melhor aluno de Hogwarts desde a época de Dumbledore havia acabado de colocar seu nome no cálice mágico e deixado o saguão sem olhar para trás.

Instantes depois, Harry correu atrás dele.

- O que foi isso? – murmurou um confuso Draco Malfoy.

Hermione, sempre suspicaz, respondeu:

- Ele não quer perder.

- Mas Tom não parecia interessado no torneio.

- Eu não estava falando do torneio, Pucey.

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- Eu ainda não sei por que você fez isso – Harry suspirou, olhando desoladamente para o irmão.

- Já disse, será divertido.

- Será perigoso, isso sim.

- Eu sei me cuidar, pequeno.

- Desculpe Tom, mas eu espero que você não seja escolhido... – murmurou preocupado.

Tom estava satisfeito ao notar que o olhar de Harry permanecia unicamente centrado nele. Não havia mais Victor Krum ou Cedric Diggory na mente de seu irmão desde que seu nome fora engolido pelas chamas do cálice, num rompante insano, arrogante e egoísta e totalmente a cara de Tom.

Agora, na noite de domingo após o jantar, quando os pratos voltaram ao estado de limpeza inicial, houve um aumento acentuado no volume dos ruídos no salão, que caiu quase instantaneamente quando Dumbledore se ergueu. A cada lado dele, Igor Karkaroff e Madame Maxime pareiam tão tensos e ansiosos quanto os demais.

- Acredito que o Cálice de Fogo está pronto para fazer sua escolha... – anunciou o diretor de Hogwarts.

As chamas dentro do cálice de repente tornaram a se avermelhar. Começaram a soltar faíscas. No momento seguinte, uma língua de fogo se ergueu no ar, e expeliu um pedaço de pergaminho chamuscado. O salão inteiro prendeu a respiração. Dumbledore então apanhou o pergaminho no ar e leu em voz alta:

- O primeiro campeão de Durmstrang será Victor Krum!

- Eu sabia! – berrou Draco e uma enxurrada de aplausos se seguiu. O cálice então voltou a soltar faíscas e expeliu o segundo nome.

- O segundo campeão de Durmstrang será Ivan Rakitic!

O rapaz loiro de semblante estoico não foi tão aplaudido, mas isso não pareceu afetá-lo. Ele apenas se inclinou brevemente e voltou a se sentar. E o cálice voltou a soltar faíscas avermelhadas...

- A primeira campeã de Beauxbatons é Fleur Delacour! – a menina Veela agradeceu aos aplausos e assobios indiscretos de alguns, diga-se: Montague, e voltou a se sentar.

No instante seguinte, o nome do segundo campeão de Beauxbatons foi expelido:

- A segunda campeã de Beauxbatons é Daniella Semaan! – uma menina tão bonita quanto Fleur, de cabelos negros longos e olhos esverdeados deixou um pequeno sorriso arrogante adornar seus lábios e não se levantou para agradecer os aplausos.

Faltavam dois nomes.

Os campeões de Hogwarts.

Harry desejava apenas que o nome de seu irmão não fosse expelido pelas chamas do cálice, que, naquele momento, voltava a soltar faíscas brilhantes:

- E o primeiro campeão de Hogwarts é... – Dumbledore leu o pergaminho chamuscado e abriu um grande sorriso – Cedric Diggory!

Os aplausos e gritos da mesa Hufflepuff quase deixaram todos surdos. Mas Cedric, um pouco atordoado, logo se levantou e agradeceu a todos com uma grande reverência e um exuberante sorriso. Faltava apenas um nome. O último campeão de Hogwarts...

As chamas voltaram a dançar, num vibrante vermelho, soltando faíscas douradas e finalmente expelindo o último nome da competição:

- O segundo campeão de Hogwarts é... – Dumbledore leu o nome e seus olhos brilharam por trás dos óculos em formato de meia lua – Thomas Potter.

-x-

Ser monitor chefe da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts era uma grande responsabilidade. Dentre suas incumbências, destacavam-se realizar rondas pelos corredores sombrios do castelo todas as noites, auxiliar os professores com os alunos que tinham mais dificuldade, num programa semanal de aulas de reforço, aplicar punições retirando pontos e colocando em detenções os estudantes que desobedecessem as regras e entregar ao professor chefe de sua casa um relatório semanal do andamento de suas atividades como monitor chefe. Porém, havia também algumas regalias, como autorização tácita para perambular pelos terrenos da escola após o toque de recolher, a possibilidade de tirar pontos e dar detenções a qualquer aluno imbecil e ainda, ter seu próprio quarto separado do dormitório de sua casa.

Para Tom, esta era a principal vantagem.

Nas masmorras, logo ao lado do salão comunal Slytherin, por detrás de um quadro a óleo no qual se destacava um ninho de serpentes, encontrava-se o novo quarto de Tom. Extremamente espaçoso, o quarto possuía uma pequena antessala decorada da mesma maneira que o salão comunal das serpentes com um sofá e duas confortáveis poltronas de couro negras, lareira, mesa de estudos e duas estantes forradas de livros. Cruzando a pequena antessala havia o quarto em si, elegantemente decorado com dois guarda-roupas de mogno embutidos nas paredes, cama king size forrada com lençóis de algodão egípcio verdes-escuros e, anexo ao quarto, estava situado o banheiro forjado em mármore negro com banheira, ducha e armários repletos de artigos de higiene para atender todas as suas necessidades.

Finalmente, após sete anos sendo obrigado a dividir o dormitório com uma horda de imbecis, Tom podia contar com um recanto de privacidade. Mas o maior deleite do jovem Slytherin consistia em todas as noites poder ter Harry em seus braços. Isto porque, após um pedido formal ao diretor, que se mostrou mais que feliz em atendê-lo, e uma autorização expressa, a contragosto, de Severus Snape e Minerva McGonagall, Harry fora autorizado a se mudar para o dormitório privado do irmão naquele ano.

A sensação de poder abraçar o pequeno corpo, beijá-lo e acariciá-lo livremente todas as noites fazia com que Tom não ousasse reclamar por um segundo sequer de suas tarefas como monitor chefe.

Ter Harry em seus braços era sua maior alegria.

Mesmo que o pequeno corpo estivesse imóvel, um pouco pálido e coberto de tensão naquele momento...

- Você está tão tenso, pequeno. O que houve? – perguntou, acariciando suavemente os cabelos rebeldes do menor.

Após o jantar, Tom havia se reunido com os diretores e os outros campeões numa sala anexa ao Salão Principal, recebera algumas instruções iniciais e voltara para o Salão Comunal das serpentes, onde os Slytherins o receberam com festa. Seu irmão, porém, por mais que esboçasse um pequeno sorriso a todo o momento da comemoração, não conseguia afastar completamente o semblante de preocupação. Agora, após colocarem os pijamas e se aconchegaram nos braços um do outro, o pequeno Gryffindor não conseguia disfarçar mais sua ansiedade:

- Não é nada.

- Harry...

- Eu estou feliz por você, Tom, estou mesmo – jurou, encarando-o com as belas esmeraldas repletas de lágrimas não derramadas – mas as coisas que já ouvimos falar desse torneio... Isso me deixa tão preocupado! Eu não quero perder você!

- Você não vai me perder, pequeno. Nunca.

- Mas...

- Os outros competidores, dos torneios anteriores que ouvimos falar – interrompeu, abraçando-o ainda mais apertado – você acha que eles eram tão poderosos quanto eu? Tão talentosos e hábeis na prática de qualquer feitiço?

- Não – soluçou.

Era óbvio que Tom não possuía qualquer tipo de modéstia, mas suas palavras não deixavam de ser verdadeiras. E isto acabou tranquilizando Harry um pouco, que fungou, escondendo o rosto no peito largo e musculoso que todas as noites usava como travesseiro.

- Você confia em mim? Confia que posso enfrentar qualquer coisa?

- Sim – murmurou. Desde os dois anos de idade, Harry estava certo de que seu irmão era invencível.

- Então não se preocupe – disse Tom, levantando o rosto do menor e capturando seus lábios carinhosamente.

Na mesma hora, Harry fechou os olhos e se entregou ao beijo. E quando se afastaram em busca de ar, Tom afirmou:

- Confie em mim, pequeno. Eu vou ganhar aquela taça para você. Só para você.

Continua...

Próximo Capítulo: - Baile de Inverno?

- Exatamente! Com quem você vai? - a menina insistiu - Com Cedric?

- O que...? Não! Quero dizer, ele perguntou, mas... - as bochechas de Harry estavam lindamente tingidas de vermelho.

-x-

N/A: Olá, meus leitores maravilhosos! Como vocês estão? Será que se encontram tão chocados quanto eu com fato de que... JÁ É NOVEMBRO! Merlin do céu, quando isso aconteceu? Parece que foi ontem que estávamos no carnaval ainda, mas enfim... Mais uma vez peço mil perdões pela demora em atualizar e reintero que nenhuma história foi ou será esquecida, existe apenas uma pequena (ok, talvez grande) demora em publicar as atualizações. Mas não percam a fé, meus amados leitores, pois eu nunca me esquecerei de vocês!

Quanto ao capítulo de hoje... Então, o que acharam? Animados com o Torneio Tribruxo? Quis fazer dois competidores por cada casa para que vocês possam ver a interação entre Harry, Tom e Cedric... Pobre Cedric... Espero que apreciem o desenrolar da história!

Muito obrigada mesmo pelas palavras de apoio e incentivo, pelo carinho depositado em cada comentário e pela disposição tanto de ler quanto de deixar suas lindas Reviews nas minhas histórias! Muito obrigada!

Gostaria de agradecer também, de todo o coração, às belíssimas Reviews de:

lightwalnut64... Gaybow... Mjohann19... VictoriaLombardi... Mila... Malukita... Sandra Longbottom... SarahPrinceSnape... Aoi-chin... Jasper1997... yuediangelo... Mertriqs... yggdrasil001... lunynha... dels76... lunadressa... erasi... FaFaVe... yume... Anjelita Malfoy... e Dyeniffer Mariane!

Um Grande Beijo.

E até a próxima atualização de O Charme da Insanidade.