Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem; Lemon, a saber, sexo explícito entre os personagens; e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

No dia seguinte ao anúncio dos campeões do Torneio Tribruxo, Harry acordou sozinho na cama que dividia com o irmão. Isto era algo raro, pois sempre que dormiam juntos, seja em Hogwarts ou em casa, permaneciam deitados acariciando delicadamente um ao outro até o momento em que ambos despertassem por completo. Harry mal se lembrava dos dias que não acordava sob a terna carícia dos lábios do irmão. Por isso, ao deparar-se com tal ausência, um angustiado aperto tomou conta de seu peito e, a passos lentos, o menino se levantou da cama e se arrastou para fora do quarto.

De repente, sua angústia esvaiu.

Chegando à pequena sala do dormitório privado de Tom, Harry ouviu a preocupada voz de sua mãe:

- Pelo amor de Merlin, isso é loucura, Tom.

- É apenas um torneio bobo, mãe.

- Pessoas morrem nesse torneio!

- Já não morrem com tanta frequência...

O pequeno Gryffindor suspirou aliviado e se aproximou, esfregando os olhos sonolentos.

Tom não havia deixado-o sozinho, mas precisara atender à chamada de sua mãe, cujo rosto agora flutuava sobre as chamas esverdeadas do pó-de-Flu. Ao se aproximar, Harry apenas murmurou um "bom dia, mamãe" e se aconchegou no colo de Tom, que se encontrava sentado na poltrona de couro preta em frente à lareira.

- Bom dia, querido – cumprimentou Lily, docemente, e logo voltou sua atenção ao filho mais velho – Seu pai também está preocupado, Tom, as coisas que acontecem nesse torneio são imprevisíveis.

- Diga a ele que eu sei me cuidar – garantiu, acariciando os cabelos bagunçados do lindo e sonolento Gryffindor em seu colo – vocês não precisam se preocupar, está bem?

- Tom, por favor...

- Essa já é uma decisão tomada, mãe. O cálice me escolheu, eu sou um dos campões de Hogwarts e ganharei a Taça Tribruxo, você vai ver.

- Disso eu não tenho dúvidas, querido, você é um mago poderoso e inteligentíssimo, mas não pode culpar sua mãe por se preocupar – suspirou – Estaremos aí sempre que pudermos e você irá me escrever após cada missão perigosa que este torneio oferecer, está bem?

- Ok. Eu prometo.

- Bem, andem logo e vão tomar o café da manhã, seu irmão já está quase dormindo de novo.

Tom sorriu. Harry, de fato, começara a cochilar em seu colo.

- Até mais tarde, mãe.

- Tchau, mamãe... – murmurou Harry, aconchegando-se um pouco mais contra o peito forte do irmão.

- Até mais, meus queridos, amo vocês.

- Também te amamos – responderam em coro.

Quando o rosto de sua mãe desapareceu num redemoinho de chamas verdes, Tom suspirou e abraçou ainda mais o pequeno corpo junto ao seu. Ele passara a manhã inteira tentando convencer uma preocupada Lily Potter a não vir para Hogwarts discutir com o diretor e com os organizadores do torneio, ouvindo os lamentos e divagações de sua mãe, que achava que a primeira tarefa pudesse ser algo como tiro ao alvo de maldições da morte com ele como alvo, pelo visto. Finalmente, depois de horas de uma desgastante conversa e sutil persuasão, Tom convenceu Lily de sua decisão. Na verdade, ele a convenceu apenas a não reclamar tanto e tentar não surtar a cada minuto.

- Está com fome, pequeno? – perguntou, afastando uma mecha do cabelo bagunçado do lindo rosto de seu irmão.

- Sim...

- Então venha, vamos nos arrumar para o café.

Com um pequeno beijo nos lábios rosados, Tom se levantou e ambos voltaram para o quarto.

-x-

Chegando ao Salão Principal, Tom logo se viu rodeado por inúmeros Slytherins e Ravenclaws que desejavam felicitá-lo mais uma vez pela grande conquista de se tornar um dos campeões do Torneio Tribruxo. Porém, bastou um olhar gélido numa expressão de pouquíssimos amigos para afastá-los. É claro que esses idiotas desejavam felicitá-lo, mas nenhum deles merecia dois segundos do seu tempo. Sem poupar um segundo pensamento a esses imbecis, Tom se sentou com o irmão à mesa das serpentes e começou a servir um copo de suco de laranja para o menor e uma xícara de chá para si mesmo.

- Tom, meu amigo, eu tenho certeza de que você ganhará a primeira tarefa – um sorridente Montague comentou, ganhando uma sobrancelha arqueada do aludido.

- Ele apostou dinheiro em você – esclareceu Pucey, desinteressadamente.

- Os gêmeos Weasley montaram uma banca de apostas e você está ganhando de lavada.

- Vitor Krum está na segunda posição – lembrou Flint.

- Ah, mas aquele búlgaro sobrancelhudo não tem chance, nosso querido Tom conhece mais feitiços que o próprio Dumbledore – afirmou, deleitando-se com a ideia de dobrar sua mesada este mês.

- Montague?

- Sim, Tom?

- Cale a boca.

Em meio às risadinhas, Hermione comentou:

- Você deve estar nervoso, não é mesmo, Tom? – bastou apenas um olhar do Slytherin, porém, para reduzir a inteligente Gryffindor ao gaguejar nervoso que se seguiu – Er... Não, provavelmente não...

- Bem, eu estou nervoso por nós dois – Harry suspirou, mordiscando seu waffle com calda de morango.

- Também pudera, ouvi dizer que coisas terríveis acontecem nesse torneio... Ai! O que é isso, Pansy? – Draco choramingou, indignado com a pisada no pé que levara da amiga, mas, ao ver rostinho cheio de preocupação do pequeno Gryffindor, percebeu que havia falado demais – Oh... Quero dizer... Essas coisas terríveis aconteceram há muito tempo atrás, hoje tudo está mais seguro, o Ministério tem todo o torneio sob controle...

- Você não tem com o que se preocupar, pequeno – Tom interrompeu as divagações do loiro – Já disse que irei ganhar esse torneio.

- É assim que se fala! – festejou Montague – Toca aqui, hi-five!

Tom, obviamente, ignorou-o.

-x-

Na semana seguinte, os alunos do sétimo ano de Slytherin e de Durmstrang estavam nas masmorras ouvindo o professor Snape descrever cada particularidade da Poção do Morto-Vivo, numa tediosa aula de poções, ainda que a maioria estivesse mais interessada em lançar olhares de esgueira a Vitor Krum que ouvir as palavras do professor em si, quando uma batida na porta da sala de aula distraiu a todos. Era Harry Potter, que entrou discretamente na sala, sorrindo para Tom, e dirigiu-se à mesa de Snape diante da turma.

- Que foi? – Severus perguntou rispidamente.

- Por favor, professor, me pediram para levar Victor Krum, Ivan Rakitic e meu irmão lá em cima.

- O senhor Potter, senhor Krum e o senhor Rakitic ainda tem mais uma hora de aula, senhor Potter.

Harry deu uma risadinha.

- Professor, é o diretor quem está chamando – explicou, ainda divertido com os característicos "senhor Potter" intimidadores do melhor amigo de sua mãe – Todos os campeões precisam ir, parecem que vão tirar fotos...

Tom revirou os olhos, desgostoso com a ideia de posar para a câmera ao lado dos imbecis dos outros competidores, mas logo se levantou, arrumou suas coisas num fluído movimento de varinha e se aproximou do irmão. Vitor Krum e Ivan Rakitic também já estavam prontos para ir.

- Tudo bem, sumam – grunhiu Snape.

Ao cruzarem as portas das masmorras, Harry sorriu para Tom:

- Pansy queria emprestar um pó compacto para você.

- Oh Merlin...

- Ela disse que suavizaria o tom de sua pele nas fotos – sorrindo maliciosamente, Harry prosseguiu – Eu trouxe aqui comigo, você quer usar?

- Harry!

- Estou brincando! Hahaha!

- Você é terrível, pequeno – sorrindo, Tom bagunçou os cabelos escuros do menor.

Após lançar um olhar de esgueira aos silenciosos jovens que caminhava ao seu lado, Harry, sendo o amigável Gryffindor que era, ofereceu um sorriso aos dois:

- Olá, eu sou Harry.

Rakitic o ignorou.

Talvez ele não entendesse muito bem a língua inglesa.

- Vitor Krum – apresentou-se o outro, dando um pequeno aceno de cabeça ao menino.

- Eu sei – riu – Vi seu jogo na Copa de Quadribol, você foi incrível.

- Obrigado – agradeceu timidamente com aquele sotaque nórdico arrastado.

- Sim, incrível – zombou Tom – Perder por dez pontos a final do campeonato foi digno de receber a Nimbus d'Or, sem dúvida.

- Tom!

Um olhar de dor e arrependimento cruzou as feições do búlgaro, que permaneceu em silêncio. Harry, por sua vez, balançava negativamente a cabeça, descontente com o comentário do irmão. Quando chegaram à sala correta, o Gryffindor se despediu rapidamente e seguiu para a biblioteca, onde Draco, Pansy e Hermione o esperavam para fazer o dever de Transfiguração. Tom, é claro, culpava o estúpido búlgaro pelo último olhar severo que recebera do irmão.

- Finalmente, os três últimos competidores – cumprimentou Dumbledore, ao lado de Madame Maxime e Igor Karkaroff.

Cedric Diggory, Fleur Delacour e Daniella Semaan aguardavam sentados num longo sofá creme, enquanto alguns representantes do Ministério da Magia conversavam com o bondoso conhecedor de varinhas, Olivaras, e uma equipe de fotógrafos e ninguém menos que Rita Skeeter perambulavam pela sala. Esta, no entanto, deteve seus passos e abriu um largo sorriso ao observar os recém-chegados.

- Ora, ora, ora... O que temos aqui?

Dumbledore, porém, a interrompeu:

- Bem, as pesagens das varinhas podem começar agora. Senhor Olivaras, por favor.

Tom observou o homem do qual havia comprado sua primeira varinha. Uma varinha especial, cujo núcleo conectava-se à de seu irmão.

- Irei analisar a varinha de cada um de vocês para saber se estão funcionando bem – explicou Olivaras – Também saberei quais os últimos feitiços lançados por elas e se qualquer maldição considerada imprópria pelo Ministério da Magia fora conjurada em algum momento.

Dumbledore observava Tom por cima de seus óculos, atentamente.

- Senhorita Delacour, aproxime-se, por favor.

Fleur Delacour fez o que o bruxo pedia e lhe entregou a varinha. O senhor Olivaras logo girou a varinha entre os dedos longos como se fosse um bastão, murmurou algumas palavras latinas e imediatamente várias faíscas rosas e douradas foram emitidas. Depois aproximou-a dos olhos e a examinou atentamente.

- Fascinante – disse baixinho – Vinte e quatro centímetros, inflexível, jacarandá e contém um fio de cabelo de veela.

Disse mais algumas palavras em latim e sorriu:

- Sim, esta varinha nunca lançou qualquer maldição proibida.

Fleur o encarava como se o homem fosse louco.

- Sua varinha está em perfeitas condições de uso, senhorita Delacour – devolveu-a a menina – Senhorita Semaan, sua vez.

Fleur retornou delicadamente ao seu lugar e sorriu para Daniella, que retornou o sorriso, revirando os olhos desdenhosamente às suas costas.

Outra varinha em perfeito estado.

Tal qual a de Rakitic, a de Krum e a de Diggory.

Todas impecáveis e oficialmente prontas para participar do Torneio Tribruxo.

- Senhor Potter, por favor.

Quando Tom estendeu a varinha, notou que Dumbledore prestava especial atenção aos movimentos de Olivaras. Pobre velho senil, pensou o Slytherin, se ele esperava que um feitiço medíocre fosse denunciá-lo...

- Oh, sim... Uma das minhas – Olivaras sorria. Girou a varinha entre os dedos longos e murmurou as palavras latinas que logo fizeram várias faíscas douradas serem emitidas. Depois aproximou-a dos olhos e a examinou atentamente. – Teixo. Pena de Fênix. Trinta e quatro centímetros.

Em seguida, verificou os feitiços lançados pela varinha...

E sorriu.

- Não possui qualquer indício de maldições proibidas, excelente condições de cuidado e perfeita para uso, meus parabéns, senhor Potter.

- Obrigado.

Pelo visto, os encantamentos proibidos de Salazar Slytherin podiam enganar ao mais habilidoso mestre de varinhas. Uma série de feitiços obscuros e antigos, talvez mais antigos que o próprio Merlin, relatados por Salazar em seus livros, sempre possibilitaram que Tom escondesse qualquer rastro de magia negra tanto de sua assinatura mágica, quanto de sua varinha. Por isso, após tantos Avada Kedravas e Cruicios lançados, o Ministério da Magia nunca havia aparecido em Godric's Hollow para levá-lo sob custódia para a prisão de Azkaban.

Nem mesmo Alvo Dumbledore seria capaz de detectar tais feitiços, ainda que o diretor não deixasse de observá-lo sem esconder sua suspeita.

- Muito obrigado a todos – disse Dumbledore – Vocês podem voltar às suas aulas agora, ou talvez seja melhor descer para o jantar...

Interrompendo o diretor, porém, Rita Skeeter pigarreou:

- Fotos, Dumbledore, fotos.

- Oh sim... Chegou a hora de se deleitarem com as câmeras.

Obviamente, as fotos consumiram muito tempo e boa parte da paciência de Tom. Por fim, após uma dezena de sorrisos falsos, cortesia das jovens de Beauxbatons, expressões vazias como as de Rakitic, ou carrancudas como as Krum, ou apenas sorrisos patetas como os de Diggory, o fotógrafo pareceu se cansar e declarou que todas estavam maravilhosas.

Na saída da sala, Tom se viu abordado por uma sorridente repórter, que lançou suas garras pintadas de vermelho neon em seu braço:

- Que tal uma entrevista exclusiva, meu querido Potter?

- Em seus sonhos, Skeeter – respondeu friamente.

- Mas seria um furo e tanto, podemos convidar seu irmão e vocês dois poderão...

- Escute aqui, Skeeter – seus olhos brilhavam perigosamente – Se você escrever qualquer coisa sobre mim neste jornal, você enfrentará um processo tão grande e exaustivo que a deixará falida. Agora, se escrever uma linha sequer sobre o meu irmão, eu mato você.

Ela engoliu em seco e assentiu rapidamente.

A cor só voltou ao seu rosto minutos após Tom deixar a sala.

-x-

Com a chegada do frio mês de Novembro, aproximou-se também o momento de os campeões enfrentarem a primeira tarefa do Torneiro Tribruxo. Todos estavam ansiosos, alunos e professores, estudantes de Hogwarts e convidados estrangeiros, e até mesmo Tom se perguntava brevemente o que poderia vir a enfrentar. Ele esperava ao menos que fosse algo desafiador, enquanto os outros competidores, provavelmente, esperavam apenas sair vivos deste primeiro confronto.

- E assim ficaria o corpo de uma pessoa se fosse atingida pela maldição deprimo – concluiu Remus, apontando para o boneco de madeira estilhaçado no chão.

Tom suspirou entediado. Seu padrinho era um excelente professor, mas o conteúdo previsto pelo conselho da escola para os estudantes do sétimo ano era tão pobre. Tom já estava num nível muito mais avançado e isto era indiscutível, aquelas maldições pareciam brincadeira de criança para alguém que facilmente poderia lançar um Avada Kedrava sem varinha. Por sorte, meia hora depois a entediante aula chegou ao fim, mas quando estava preparando suas coisas para sair, o Slytherin se viu abordado pelo professor:

- Tom, podemos conversar um minuto?

- Claro Remus.

O escritório de seu padrinho sempre lhe pareceu fascinante. Uma mesa de madeira simples, duas cadeiras e muitos objetos mágicos decoravam o local. Havia sempre alguma criatura perigosa capturada e presa numa jaula para os alunos a estudarem. Sobre a mesa havia o bisbilhoscópio que Remus ganhara de James no natal passado e um artefato que detectava a presença das trevas, presente de um excêntrico Sirius Black, é claro.

- Então, você está ansioso para a primeira tarefa?

- Você parece mais ansioso que eu.

De fato, o lobisomem torcia as mãos nervosamente sobre a mesa, seu rosto estava pálido e a agitação visível nos belos olhos amendoados.

- Bem... Er... Todos nós estamos.

- Você está querendo me dizer alguma coisa, Moony?

Remus pode se orgulhar dos trinta segundos de silêncio que foi capaz de manter após a pergunta de Tom, antes de suspirar e dizer:

- Eu vi Hagrid mostrando à Madame Maxime qual será a primeira tarefa.

- Oh... – os olhos escuros brilharam levemente interessados – E...?

- Dragões.

- Dragões? – repetiu incrédulo.

- Sim. Eu não consegui ouvir como eles seriam usados na tarefa, mas tenho absoluta certeza de que será um dragão para cada dupla de competidores.

- Interessante.

- Você e Cedric voam muito bem – ponderou Remus – podem usar isso a seu favor.

- Sim, talvez.

- Enfim, tenho que preparar minha próxima aula. Esta conversa nunca aconteceu, ouviu bem?

- Tudo bem, obrigado Remus – rindo, o Slytherin se levantou e seguiu para a saída da sala.

- Não se esqueça de contar a Cedric – lembrou o maior, fazendo Tom arquear uma sobrancelha, ironicamente.

Mas Remus não viu esse gesto, pois o adolescente estava de costas. Ele tampouco notou o sorriso malicioso se desenhar nos lábios de Tom:

- É claro, pode deixar – mentiu.

Afinal, Tom gostava de contar com o elemento surpresa.

-x-

Finalmente, o tão esperado dia da primeira tarefa chegou. O campo de Quadribol havia sido reestruturado magicamente para acomodar o espetáculo e centenas de estudantes pouco a pouco começavam a tomar seus lugares, a maiorias dos professores também havia se acomodado, enquanto Dumbledore e os outros diretores seguiram para a grande barraca branca que abrigava os campeões. Nesta, a ansiedade estava à flor da pele. Fleur e Daniella repassavam estratégias aos sussurros, sentadas num sofá azul celeste mais afastado. Krum e Rakitic permaneciam em silêncio, de pé, estoicamente, num outro canto da barraca. Cedric, por sua vez, andava de um lado para o outro, esfregando as mãos e se perguntando o que estariam prestes a enfrentar. Enquanto Tom, por sua vez, acalmava um agitado Harry, ambos sentados num sofá bege perto da entrada da barraca.

- Esse menino não deveria estar aqui – reclamou Maxime, apontando para Harry.

- Não se preocupe minha cara Olímpia, Harry veio apenas desejar boa sorte ao irmão – Dumbledore sorria – Você deve voltar à arquibancada agora, Harry, seus pais já estão lá.

- Mas...

- Está tudo bem, pequeno. Irei vê-lo em breve.

Um adorável beicinho adornava os lábios do menor quando este finalmente desgrudou do irmão, oferecendo ao Slytherin um último olhar cheio de preocupação antes de sair da barraca. Então, o secretário do ministério que coordenava o torneio por fim tomou a palavra:

- Vocês irão retirar deste saco uma miniatura daquilo que irão enfrentar – mostrou o saco de seda púrpura levemente chamuscado – E quando adentrarem na arena terão cinquenta minutos para capturar o ovo de ouro, se exceder o tempo, vocês e sua escola serão desclassificados.

Os adolescentes assentiram em silêncio.

- Primeiro as damas – disse a Fleur e Daniella. Esta apenas lançou um olhar duro à outra garota, que suspirou e enfiou a mão trêmula no saquinho e retirou uma minúscula e perfeita réplica de dragão. Um verde-galês. Tinha um número "dois" pendurado no pescoço.

Cedric foi o único surpreso.

Krum e Rakitic ficaram com o meteoro-chinês vermelho, o qual portava o número "um" pendurado ao pescoço, mas nenhum deles esboçou qualquer reação. Quando o saco parou a sua frente, Tom observou com certo deleite o garoto Hufflepuff erguer as mãos trêmulas, antes de se adiantar e apanhar a miniatura de um rabo-córneo húngaro, que exibia o número três ao pescoço.

Fascinante.

- São filhotes ou miniaturas? – o Slytherin questionou, pegando a todos de surpresa.

- Er... Bem, são miniaturas... Quero dizer, são dragões adultos criados sob um feitiço para permanecer nesse tamanho – explicou o secretário do ministério.

- Não há perigo de voltarem à forma original?

- O que? Não. Não há como isso acontecer, pois são nascidos e criados sob o feitiço, que é lançado apenas uma vez ainda no ventre da mãe.

- Excelente – sorriu, sob os olhares incrédulos de todos.

Guardando o pequeno dragão em seu bolso, Tom sabia que Harry iria adorar a surpresa. Seu irmão sempre fora fascinado pelos rabos-córneos húngaros e agora teria um só para si. Talvez ele esquecesse um pouco dos perigos que o torneio oferecia e ficasse mais animado.

- Er... Creio que podemos começar agora... Senhor Krum e senhor Rakitic, boa sorte.

Quando os campeões restantes ficaram sozinhos na barraca, Diggory se aproximou:

- Hey, Potter, você parece tranquilo – admitiu a contragosto – Você tem alguma estratégia?

- Oh sim... Tenho uma excelente estratégia – sorriu – Não se preocupe Diggory, você irá ver.

- Gostaria de compartilhar?

- Não. Prefiro usar o elemento surpresa.

Diggory murmurou algo que soava muito parecido a "idiota", mas Tom o ignorou, pois logo a diversão começaria de verdade.

Finalmente, vinte e cinco minutos depois, Rakitic e Krum voltaram para a barraca com as vestes chamuscadas, vassouras de corrida nas mãos e os ovos dourados debaixo do braço, e seguiram para a sala onde Madame Pomfrey iria verificá-los.

- Senhorias Delacour e Semaan.

Elas respiraram fundo e trocaram um último olhar antes de se adiantar à arena.

Quarenta minutos depois, estavam de volta. O cansaço adornava seus belos rostos, mas os ovos brilhavam nas delicadas mãos de Daniella, sinalizando a vitória.

- Senhor Potter e senhor Diggory, vocês são os últimos.

Ao som de seu nome, Tom se adiantou à saída da barraca e logo se viu cercado pela arquibancada repleta de cores, na qual um par de preocupados olhos verdes-esmeraldas se destacava. Harry, naquele momento, agarrava as mangas da túnica de sua mãe para tentar minimizar o nervosismo, pois não podia acreditar que seu irmão iria enfrentar um maldito dragão! Lily, no entanto, não parecia em melhores condições:

- Um dragão, James! Um maldito dragão!

- Acalme-se querida, Tom irá se sair bem...

O rabo-córneo húngaro estava do outro lado do campo, deitado sobre sua ninhada de ovos, as asas meio fechadas, os olhos amarelos e malignos fixos nos dois competidores, a cauda monstruosa coberta de escamas balançava de um lado para o outro indicando sua irritação.

- Agora é um bom momento para o seu plano, Potter – o Hufflepuff grunhiu, visivelmente assustado.

- Tem razão – sorriu.

Em um elegante movimento de varinha, Tom transfigurou Cedric num avestruz e despejou sobre o pobre rapaz transfigurado um barril cheio de sangue de aves em decomposição que havia conjurado com um feitiço simples. Nojento, porém eficaz. Imediatamente, o dragão farejou o ar e se levantou de seu ninho.

- É um bom momento para você correr, Diggory.

Com certa diversão obscura, Tom observou a ave correr pelo campo com o dragão em seu encalço, antes de se aproximar do ninho e recolher os dois ovos dourados, sob os aplausos e assobios chocados de todos na arquibancada.

- Immobulus – conjurou por fim, quase preguiçosamente, paralisando o dragão antes que este pudesse abocanhar Cedric.

Quando a enfurecida ave se aproximou, Tom agitou a varinha num "finite incantatem" silencioso e observou o Hufflepuff coberto de fluidos nojentos começar a gritar:

- SEU MALDITO! O QUE VOCÊ PENSA QUE...

- Meus parabéns, meus queridos meninos! – as palavras alegres do diretor interromperam os gritos de Cedric – Finalmente uma dupla conseguiu o tão esperado trabalho em equipe. Meus parabéns! Tudo isso em apenas quinze minutos. Impressionante!

- Obrigado.

O sorriso de Tom fazia Cedric querer degolá-lo. O Hufflepuff, porém, não era estúpido e sabia que não duraria dois segundos numa batalha contra o garoto prodígio.

- Sim... Obrigado, senhor – acabou murmurando, desejando apenas um chuveiro quente e vestes limpas.

- Vocês podem ir para a barraca agora, Madame Pomfrey irá atendê-lo, senhor Diggory.

De volta à barraca, Tom se viu imediatamente abraçado por um pequeno furacão de cabelos bagunçados, quase deixando os ovos caírem no processo.

- Dragões, Tom! Dragões!

- Eu sei, pequeno – riu – Eu o vi bem de perto.

- Pelo amor de Merlin – Lily suspirou. James e Sirius adentravam na barraca logo atrás dela – Que perigo!

- Está tudo bem, mãe – o Slytherin riu, sem deixar de abraçar Harry para reconhecer a presença de seus pais.

- Isso foi incrível, campeão!

- Brilhante! A ideia de transfigurar o garoto Diggory e usá-lo como isca – apontou Sirius – simplesmente brilhante!

- Ele estava de acordo com isso, não é mesmo, Tom?

- É claro que sim, mãe.

Harry sabia que o irmão estava mentido e olhou-o com recriminação, ganhando apenas um beijo no topo de seus cabelos como resposta.

- Isto é para você, pequeno.

- O que...? Oh... Tom! – a miniatura de rabo-córneo húngaro havia sido colocada em suas mãos – Isso é incrível!

- Oh céus! Tome cuidado, Harry!

- Está tudo bem, mãe. É uma miniatura, nasceu sob um feitiço e não irá crescer mais – explicou o jovem Slytherin – Não tem perigo.

- É esplêndido! – exclamaram James e Sirius, sob o olhar exasperado de Lily.

- Eu adorei – o pequeno Gryffindor sorriu, depositando um beijo na bochecha do irmão.

- Bem, você irá cuidá-lo, alimentá-lo, limpará a caixa de areia...

- Mas Lily...

- Você não, James! O dragão é do Harry.

- Obrigado, mamãe. Prometo não deixar Nagini comê-lo também – murmurou para o irmão, que sorriu divertido:

- Aposto que ela ficará com ciúmes – riu. E, voltando-se aos adultos, perguntou: – vocês ficarão para o jantar?

- Ficaremos sim, querido.

- Dumbledore nos convidou – disse James.

- Excelente. Então vamos, porque esta noite ainda terei que desvendar o que significa este ovo ridículo.

- Tenho certeza de que você não irá demorar a descobrir – garantiu Sirius.

O Slytherin sabia disso. Mas, naquele momento, pouco lhe importava o ovo, a segunda tarefa ou todo o Torneio Tribruxo, apenas o adorável sorriso que adornava os lábios rosados de seu irmão enquanto este acariciava o pescoço do pequeno rabo-córneo húngaro, que ronronava, apreciando a delicada carícia.

-x-

Três dias.

Este foi o tempo exato que Tom demorou a descobrir a pista do ovo de seu ouro. E apenas porque não estava realmente interessado. Ele preferia se deleitar vendo Harry brincar com o pequeno dragão, Steven, a se concentrar nos preparativo para a segunda tarefa. Na verdade, era ridiculamente fácil. Tão ridiculamente fácil quanto a própria canção:

Tente ouvir da nossa voz o tom

Na superfície não há som

Durante uma hora deve buscar

E o que quer vai encontrar

Segundo a pista cantada naquela voz irritante, ele terá uma hora para buscar no Lago Negro algo precioso para si que terá sido tomado e permanecerá sob a custódia dos sereianos. Um feitiço de localização simples, combinado a um feitiço de aquecimento e outro que o permita nadar rapidamente e respirar embaixo da água seria o necessário para cumprir a segunda tarefa. Não era nada que exigisse muito conhecimento de magia avançada.

Naquele momento, todos estavam desfrutando do jantar no Salão Principal, quando Dumbledore se levantou para fazer um pequeno pronunciamento:

- Meus queridos meninos e meninas, a primeira tarefa do Torneio Tribruxo foi um verdadeiro sucesso!

Todos aplaudiram e gritaram.

Na mesa Hufflepuff, porém, Cedric não parecia muito de acordo com isso.

- Mas agora, um evento ainda mais importante se aproxima... O Baile de Inverno!

Mais aplausos se seguiram.

E gritinhos animados de várias meninas.

- O baile é uma tradição do Torneio Tribruxo e uma oportunidade para convivermos socialmente com nossos hóspedes estrangeiros – fez uma leve reverência às mesas Slytherin e Ravenclaw, onde se encontravam os alunos de Durmstrang e Beaubatox, respectivamente – Infelizmente, o baile só será franqueado aos alunos do quarto ano em diante...

Um muxoxo descontente percorreu todo o salão, mas o diretor logo retomou a palavra:

- Sim, uma pena, mas os alunos mais velhos podem convidar os mais novos se quiserem. Agora, eu sugiro que vocês já comecem a pensar em seus trajes a rigor e tomem coragem para convidar aquela pessoa especial, pois o baile acontecerá aqui no Salão Principal, das oito horas até a meia noite, no dia de Natal.

Os sussurros ansiosos logo se fizeram presentes.

- Os campeões devem dar atenção especial a este memorável evento, pois tradicionalmente são quem abrem a pista de dança. Agora, creio que podemos voltar à sobremesa... – alegrou-se o diretor, voltando para o seu lugar.

Quando Pansy e Hermione trocaram um olhar, Harry quase estremeceu de medo:

- Isso é incrível – exclamou a menina Slytherin.

- Mal posso esperar – concordou a outra.

- Que tédio... – suspirou Montague, verbalizando o pensamento de quase todos os garotos presentes – Aposto que nem servirão ponche de verdade.

-x-

Na semana seguinte, apesar de toda a comoção de meninas sorridentes que circulavam em seus pequenos clãs, aos cochichos e risadinhas, pelos terrenos da escola, Harry havia praticamente esquecido do Baile de Inverno, sempre ignorando com sucesso a ladainha de Pansy e Hermione sobre vestidos, sapatos e acessórios de cabelo para o baile. Porém, num final de tarde particularmente frio, quando saída do corujal havendo acabado de mandar uma carta a seus pais, Harry quase esbarrou no outro campeão de Hogwarts, Cedric Diggory, que também segurava uma carta em suas mãos.

- Oh, desculpe.

- Tudo bem, a culpa foi minha, Harry – o Hufflepuff sorriu, encarando-o com aqueles belos olhos castanhos cheios de ternura.

Desde o começo do ano letivo, mais precisamente desde a copa mundial de Quadribol, Cedric lhe lançava olhares de soslaio, pequenos sorrisos e acenos amigáveis. Era como se o Hufflepuff quisesse lhe falar algo importante a todo o momento, mas a constante presença de Tom ao seu lado o intimidava.

Mas Tom não estava ali agora.

- Eu... Eu queria te perguntar uma coisa...

- Pode dizer.

Encarando-o intensamente, Cedric respirou fundo e pareceu tomar coragem para falar:

- Você gostaria de ir ao baile comigo?

- Oh... – Harry estava em choque.

Imediatamente, a sombria e arrebatadora imagem de seu irmão tomou conta de seus pensamentos. Era um combinado tácito, sem a necessidade de palavras sussurradas com nervosismos ou rebuscados convites, Harry iria com Tom ao Baile de Inverno, disso não cabiam dúvidas. Mas agora Cedric o fitava com nervosismo e expectativa... E aquilo era assustador.

Como Harry poderia dizer não?

Talvez pensando nos perigosos e sedutores olhos vermelhos de seu irmão...

- Er... Eu sinto muito, Cedric, mas irei com outra pessoa ao baile.

- Tudo bem – um olhar desolado cruzou as feições do Hufflepuff, que suspirou, curvando seus lábios num sorriso entristecido – Mas espero que você guarde uma dança para mim.

- É claro – sorriu docemente, afastando-se do bonito rapaz com um aceno tranquilo – Vejo você por aí.

- Até mais, Harry.

Naquela mesma noite, Harry, Tom e seus amigos estavam fazendo suas lições de casa no salão de estudos do castelo, onde muitos estudantes também se encontravam rodeados de livros e pergaminhos velhos, quando o assunto do baile surgiu novamente. Na verdade, Tom já havia acabado sua lição de poções e agora ajudava Harry a escrever um ensaio para a aula de herbologia, enquanto Pucey revisava pela quinta vez suas anotações da aula de Snape, Flint e Derrick liam revistas de Quadribol por detrás de seus livros e Montague tentava convencer Pansy a ir com ele ao baile, sem sucesso, é claro:

- Vamos, Parkinson, me dê uma chance...

- Não, obrigada, prefiro levar um hipogrifo como acompanhante.

- Você não achará companhia melhor.

- Pois saiba que eu já achei – desdenhou a menina, lançando um sorriso bonito ao rapaz de Beaubatox que acenava da outra mesa, do qual aceitara o convite para ir ao baile na noite passada.

O Slytherin do sétimo ano, por sua vez, resmungou algo incompreensível sobre garotas volúveis que só dão atenção para estrangeiros loiros de olhos azuis e sotaques franceses irritantes e fechou a cara, fingindo voltar a se concentrar em sua tarefa de poções. Ao seu lado, Draco também parecia desanimado e pouco concentrado nas anotações de herbologia que Hermione lhe emprestara:

- Qual o problema dragão? – Pansy perguntou, olhando de soslaio para Hermione e percebendo o leve interesse brilhar nos olhos castanhos que não haviam desviado do livro de feitiços.

- Não sei quem levar ao baile.

- Ouvi dizer que a pequena Greengrass está esperando ansiosamente seu convite.

- Salazar que me livre, aquela menina é irritante.

- Talvez você devesse levar alguém mais próximo, que você goste, se identifique... – sugeriu, arqueando as sobrancelhas finas sugestivamente.

- Se eu convidar o Harry, Tom me lança um Avada Kedrava – sussurrou para a menina.

- Não estou falando dele, seu imbecil.

- Então quem? – perguntou confuso – Quem poderia ser minha companhia no baile? Preciso aparecer com uma pessoa deslumbrante, digna de um Malfoy, mas que ao mesmo tempo não seja irritante a ponto de acabar com minha paciência antes do segundo copo de ponche.

Pansy, já irritada com a estupidez do amigo, balançou a cabeça com pouca sutileza, indicando uma corada Hermione Granger, que fingia prestar atenção à sua leitura.

- Oh, a Granger? É... Até que não é uma má ideia – pigarreou para disfarçar o nervosismo – Diga, Granger, você consegue dar um jeito nesse seu cabelo até o dia do baile? Afinal, não se pode aparecer assim ao lado de um Malfoy...

- Você é um idiota, Draco – disseram Harry e Pansy ao mesmo tempo.

Hermione, por sua vez, com os olhos cheios de lágrimas se levantou abruptamente, guardou todos os seus livros na mochila com um movimento de varinha e lançou um olhar de desprezo ao confuso Slytherin de olhos acinzentados:

- Eu já fui convidada para o baile, Malfoy, e essa pessoa não se preocupa se o meu cabelo estará ou não a altura de sua majestosa presença. Seu idiota!

Quando a menina saiu a passos furiosos do salão de estudos deixando um perplexo Draco Malfoy para trás, Pansy apenas suspirou e voltou suas atenções ao pequeno Gryffindor de olhos esmeraldas:

- E você Harry, com quem irá?

- Ao baile de inverno?

- Exatamente. Com quem você vai? – a menina insistiu, lembrando-se do Hufflepuff que não conseguia disfarçar seus olhares ao belo Gryffindor – Com Cedric?

- O que...? Não! Quero dizer, ele perguntou, mas... – as bochechas de Harry estavam lindamente tingidas de vermelho, mas suas palavras timidamente sussurradas foram logo interrompidas pelo som de um livro grosso sendo fechado com violência.

- Vamos, Harry.

- Mas Tom...

- Vamos.

Com um rápido aceno de despedida aos demais, Harry se apressou a seguir o irmão para fora da sala.

- Meus parabéns, Pansy, você acaba de assinar o atestado de óbito do Diggory.

- Talvez, mas já está na hora de apimentar um pouco a relação desses dois, Tom precisa ver que tem concorrência...

- Do que você está falando?

- Nada que sua pobre mente inocente possa compreender, Draco, querido.

Enquanto isso, seguindo pelos corredores sombrios do castelo para seu quarto nas masmorras, Harry tentava apaziguar o humor do irmão:

- Eu disse não, Tom – insistiu, puxando a manga da túnica do maior para que este detivesse seus passos e o escutasse – Eu disse que iria com outra pessoa.

Silêncio.

Tom estava realmente furioso.

Se Cedric cruzasse seu caminho agora...

- Porque eu vou com você, não vou? Ou você está pensando em ir com alguém mais? – os belos olhos verdes se encheram de lágrimas.

- O que? É claro que não! – abraçando-o, Tom enterrou o rosto nos cabelos bagunçados que cheiravam a xampu de maçã – Nós iremos juntos, pequeno.

Eles iriam juntos.

Seria tolice para qualquer um pensar de outra forma.

-x-

Com a chegada do Natal, a neve caía sem descanso formando um lindo tapete branco nos terrenos da escola. A carruagem azul-clara de Beaubatox parecia uma enorme abóbora coberta de gelo ao lado da cabana de Hagrid, enquanto as escotilhas do navio de Durmstrang estavam foscas e o cordame branco de gelo. A decoração do Salão Principal acompanhava os detalhes do belo clima de inverno e, naquela noite, as paredes estavam cobertas de gelo prateado e cintilante, com centenas de guirlandas de visco e azevinho cruzando o teto escuro salpicado de estrelas. As mesas das casas haviam desaparecido; em seu lugar havia umas cem mesinhas iluminadas com lanternas que acomodavam, cada qual, doze pessoas. Uma orquestra fora contratada e inúmeras bandejas flutuavam pelo salão servindo sucos, água gaseificada de diversos sabores e cidra de maçã, além de deliciosos canapés.

- Isso não é nada se comparado às festas na mansão Malfoy – desdenhou Draco, que estava muito bonito em seu traje de veludo negro com gola alta, mas sem acompanhante ao seu lado.

- Não seja um estraga prazeres – Pansy sorria, braço dado a Julian, o bonito rapaz de Beaubatox, cujo sorriso branco e brilhante acentuavam a beleza de seu cabelo louro prateado. Ela usava um vestido longo preto repleto de cristais swarovski, que pareciam fazê-la brilhar por onde passava e ambos pareciam saídos de um magnífico evento de gala muggle.

- Você viu a Hermione?

- Não... Oh, espere, aí vem ela!

Descendo lentamente as escadas, quase de forma envergonhada, num lindo vestido esvoaçante azul-pervinca, Hermione se aproximava. Os cabelos estavam lisos e brilhantes, enrolados num elegante nó na nuca e seu sorriso destacava a cor rosada dos lábios, que combinavam com a maquiagem suave.

- Cuidado para não babar, Draco, querido.

O Slytherin abriu a boca para replicar, mas as palavras morreram diante da visão de ninguém menos que Vitor Krum se aproximar e oferecer a mão para a jovem Gryffindor, que havia aceitado o gesto com as bochechas coradas e um pequeno sorriso delicado.

- O que...?

- Ora, Ora... Nossa querida Hermione não perde tempo – provocou Pansy – Fisgou o melhor pardito da festa. Oh, depois de você, Julian querido.

Passando por eles, Hermione sorriu para a amiga, que lhe ofereceu uma piscadela, e ignorou a presença de um abismado Draco Malfoy, que ainda não havia fechado a boca, pelo visto. Ela seguiu para o meio da pista de dança onde os campeões tomavam seus lugares: Cedric e Cho Chang, uma bela menina de traços orientais, estavam logo à frente, Daniella e sua sorridente acompanhante morena de olhos claros, Cesc, estavam posicionadas mais atrás, enquanto Fleur e o capitão do time Ravenclaw, Roger Davies, seguiam-nos, emparelhados a Ivan e seu acompanhante, Marc, um jovem de cabelos avermelhados como suas adoráveis bochechas.

Faltava apenas um campeão.

- Pelo amor de Godric, onde está o senhor Potter? – McGonagall parecia a ponto de lançar uma maldição em alguém, enquanto Remus tentava acalmá-la:

- Fique tranquila, Minerva, ainda não está na hora.

- Mas...

- Veja! Aí estão eles!

Descendo calmamente as escadas e atraindo olhares diversos, alguns repletos de inveja, outros de indiscreta cobiça, encontravam-se Harry e Tom, de braços dados e sorriso tranquilo nos lábios. O Gryffindor estava simplesmente adorável usando botas pretas e a calça da mesma cor ajustada com a camisa verde-clara e uma longa túnica de seda por cima, preta, com delicados bordados em verde e prata, que destacavam o lindo brilho de seus olhos e as bochechas naturalmente rosadas. Já o Slytherin optara por um smoking completo composto por paletó preto, calça igualmente preta, gravata estilo borboleta, camisa branca, faixa na cintura e sapatos e meias pretas, look este que exalava sensualidade e poder, bem característicos à sua persona.

- Já não era sem tempo!

- Desculpe a demora, professora – disse Harry, sorrindo encantadoramente.

- Tudo bem, senhor Potter. Vocês vieram juntos?

- Sim, algum problema? – perguntou Tom, longe de oferecer a mesma amabilidade que o irmão.

- Não. Quero dizer... – pigarreou, recompondo-se depressa – Vamos, tomem logo seus lugares.

Harry não teve problemas com a dança, pois seu irmão o ensinara desde cedo como dançar e, nos braços de Tom, o jovem Gryffindor parecia flutuar, como se fossem feitos para aqueles passos lentos, pequenos rodopios e gestos rebuscados, como se Tom houvesse nascido para conduzir o menor e este para se deixar ser conduzido com tamanha maestria. Finalmente, após a dança de abertura, o banquete foi servido ao som de uma bela música clássica. Os campeões e seus acompanhantes então se sentaram à mesa principal e saborearam os deliciosos pratos na companhia de Dumbledore, de Karkaroff, Maxime, e dos demais professores.

Todos pareciam estar se divertindo.

Com um pequeno sorriso, Harry observava Hermione tentando ensinar Krum a falar seu nome corretamente. Do outro lado, Daniella estava desdenhando cada pequeno detalhe da decoração para sua acompanhante, que apenas sorria, tentando convencê-la de que Hogwarts não estava assim tão ruim:

- Eles não colocaram uma escultura de gelo sequer!

- Vamos, Dani, você nem gosta daquelas esculturas... – a pequena Cesc sorria.

Enquanto isso, Fleur conversava com Roger Davies sobre sua intenção de se mudar para Londres e trabalhar em Gringotts, mas o Ravenclaw não parecia ouvir uma única palavra que a menina dizia, ocupado de mais em admirar sua beleza e concordar com absolutamente qualquer palavra que saía de seus lábios. Ao lado deles, o jovem Marc não parava de falar um segundo sequer numa língua absolutamente desconhecida para Harry, que observava sua interação com Ivan Rakitic, o qual parecia ignorá-lo, mas, se observado de perto, estava ouvindo cada palavra de seu adorável acompanhante e oferecendo até um pequeno sorriso ao menor.

Cedric, por sua vez, mesmo sentado do outro lado da mesa não havia tirado os olhos de Harry.

- Você deve pedi-lo uma dança, pelo menos.

- Não sei, Cho – suspirou, voltando-se para a amiga – Ele pode recusar outra vez. E aquele irmão maluco dele já quer me matar.

- Você só vai saber se tentar.

Talvez sua amiga estivesse certa.

Por uma dança com Harry valia a pena correr o risco.

Ao final do banquete, a mesa principal e a maioria das mesinhas desapareceram e uma banda de rock tomou o lugar da orquestra, enchendo o ambiente de um som juvenil. Todos estavam se divertindo como nunca, ou quase todos, pois Harry conseguiu vislumbrar pelo canto dos olhos um emburrado Draco Malfoy sentando ao lado de Crabbe e Goyle perto do Buffet. Pouco depois das onze e meia muitos professores já haviam se retirado para seus aposentos e apenas uma furiosa McGonagall tentava encontrar o culpado por batizar o ponche com Firewhisky. Montague, é claro, estava longe de ser visto.

- Você está com sede, pequeno?

- Sim... – disse Harry, ainda ofegante, pois havia pulado e gritado como nunca ao som da última música, sempre rodeado pelos protetores braços do irmão – quero outra cidra de maçã.

- Espere aqui, irei buscá-la.

- Ok.

Instantes depois, uma sorridente Hermione apareceu ao seu lado, os lábios levemente inchados.

- Está aproveitando a festa?

- Talvez não tanto quanto você – riu, vendo-a corar – Seu príncipe encantando parece estar te esperando.

- Oh, sim... Combinei de levá-lo para conhecer as estufas.

- Conhecer as estufas, sei.

- Harry!

Acenando para amiga, Harry não podia deixar de sorrir. E seu sorriso cresceu ainda mais ao notar o olhar furioso que Draco dirigiu a Vitor e Hermione quando estes passaram por ele. A quem o herdeiro da família Malfoy estava tentando enganar? Estava na cara o ciúme que sentia. Talvez ele estivesse tentando enganar a si mesmo ou aos preconceitos que herdara de seu pai.

De repente, quando uma doce e lenta melodia começou a tocar, atraindo os casais apaixonados à pista de dança, Harry ouviu um leve pigarrear a suas costas.

- Com licença – ao se virar, a imagem do bonito Hufflepuff o cumprimentou – você me daria a honra dessa dança, Harry?

- Cedric...

- Vamos, você prometeu – sorriu, aquele sorriso deslumbrante que levava metade da população feminina de Hogwarts à beira de um desmaio – apenas uma dança.

Bem...

Uma dança não mataria ninguém, não é mesmo?

- Tudo bem.

Eles dançaram uma música.

Ou quase isso...

A música nem havia chegado ao fim quando Harry sentiu seu braço ser violentamente puxado e seu corpo separado de Cedric. Uma aura assassina rodeava o mago que agora o tinha em seus braços. Por sorte, poucas pessoas notaram a comoção e aqueles próximos à cena não demoraram a se afastar, temendo por suas próprias vidas:

- Tom, acalme-se.

- E como você espera que eu me acalme? – rosnou, a voz baixa e fria, os olhos escuros treinados no pálido Hufflepuff à sua frente.

- Eu não sei – a voz de Harry tremia – vamos sair daqui.

- Eu vou matar esse filho da p...!

- TOM! – Harry gritou na língua das serpentes, o olhar apavorado de quem sabia que o irmão poderia fazer uma loucura a qualquer minuto – Por favor, vamos sair daqui!

Ao notar as lágrimas brilharem nos belos olhos verdes, Tom guardou a varinha e se deixou ser arrastado à saída do Salão Principal, onde alguns estudantes conversavam ou passavam mal por causa do ponche repleto de Firewhisky. Lá, sua fúria voltou com força total ao se lembrar das mãos daquele filho da puta ao redor da estreita cintura de seu irmão, do sorriso que compartilhavam e dos passos habilidosos que atraíam olhares pelo salão.

- Por que você estava dançando com ele?

- Tom, por favor...

- É uma pergunta simples, Harry. Responda!

O menor estremeceu, mordendo o lábio inferior para conter as lágrimas.

Poucas vezes Tom havia levantado a voz para ele.

- Ele me pediu, quando me convidou, e como eu rejeitei o convite achei... Eu achei que apenas uma dança... Não sei, ele estava triste e...

- Ele estava triste? Oh, então se ele quisesse dormir com você para melhorar o humor você aceitaria?

- Tom! – gritou, horrorizado com a rudez pouco característica do irmão.

A essa altura todos já observavam a estranha discussão na língua das serpentes, e Harry não duvidava de que, na manhã seguinte, os irmãos Potter seriam o assunto da vez.

- Melhor sairmos daqui... – agarrando o pulso fino com pouca delicadeza, Tom arrastou o menor para o primeiro local privado que pôde encontrar, que acabou sendo o banheiro feminino do segundo andar, onde se escondia a passagem para a Câmara Secreta de Salazar Slytherin.

Em poucos instantes e em completo silêncio, os dois seguiram para câmara comprida e mal iluminada, na qual se destacavam as altas colunas de pedra. E sem poupar um segundo olhar ao irmão, Harry ingressou na enorme biblioteca privada de Slytherin, cuja maioria de livros de magia das trevas já havia sido lida por Tom.

- Você me machucou – murmurou o pequeno Gryffindor, fungando baixinho, enquanto segurava o pulso ferido com a outra mão.

O primeiro instinto de Tom fora correr para o lado do menor e verificar o ferimento, após inúmeros pedidos de desculpas e beijos suaves depositados na bochecha molhada de lágrimas. No entanto, o orgulhoso Slytherin se conteve:

- Por que você estava dançando com aquele idiota?

- Eu já disse! Ele pediu e eu aceitei, ninguém saiu ferido, tudo bem?

- Não! – gritou, surpreendendo o menor – Não está tudo bem! Você não deveria dançar com ele, você não deveria dançar com mais ninguém...

- Tom... – suspirando, Harry se aproximou do maior – Aquela dança não significou nada.

- Mas...

- A dança não significou nada – repetiu – porque Cedric não significa nada para mim.

-...

- Você significa tudo.

Subindo na ponta dos pés, Harry uniu seus lábios num beijo doce e tranquilo, que Tom não demorou a responder.

- Eu sinto muito, pequeno.

- Eu sei.

- Seu pulso...

- Está tudo bem – sorrindo, Harry girou os punhos para o maior ver – Eu também posso fazer um pouquinho de drama às vezes.

- Às vezes?

- Hey!

Com um pequeno sorriso, Tom o puxou para um novo beijo, mais quente e necessitado, no qual Harry acabou gemendo baixinho contra seus lábios:

- Eu te amo, Tom.

- Eu também te amo, pequeno – os lábios habilidosos do Slytherin agora saboreavam cada pedacinho de seu pescoço, fazendo arrepios deliciosos percorrem todo o seu corpo – Eu te amo tanto. De uma forma que não sei nem explicar...

- Tom...

- De uma forma que eu sei que não é normal, que está longe de ser a certa.

- Por que não é a certa?

- Porque nós somos irmãos – suspirou, acariciando o rosto do menor com tamanha devoção, tamanho cuidado e ternura.

Como isto poderia ser anormal?

Como poderia ser errado?

Algo tão puro...

Um sentimento tão belo...

- Se alguém descobrisse, se nossos pais soubessem...

- Eu não me importo – garantiu Harry – Eu não me importo com o que eles pensam. Só me importo com você, com nós dois...

- Harry...

- Por favor, eu preciso de você, Tom – as belas esmeraldas brilhavam de uma forma nunca antes vista. Seus lábios tão próximos que a respiração se misturava, assim como a poderosa energia mágica que os rodeava – Nunca me abandone.

- Nunca, pequeno. Eu prefiro morrer a abandoná-lo.

Seus corpos estavam tão próximos, seus lábios quase se tocando e o brilho resoluto nos olhos esmeraldas não deixavam Tom se enganar: Harry queria ser seu, completamente seu. Esta noite.

- Por favor, Tom...

- Você tem certeza?

- Eu sempre tive. Eu sempre soube que seria você.

- Mas... Hoje...? Você não quer esperar?

- Esperar pelo o que? O momento perfeito? – sorriu, unindo seus lábios mais uma vez, num beijo tranquilo e cheio de amor – O momento perfeito sempre será aquele em que estou com você.

O adolescente de catorze anos não aguentava mais esperar. Sempre que dormiam juntos, sempre que Tom o acariciava intimamente até levá-lo ao clímax, o desejo queimava em seu peito. O desejo de seguir a diante, entregar-se por completo às mãos hábeis e aos lábios sensuais, ao corpo de seu irmão, que parecia tão certo quando junto ao seu. Tom, por sua vez, podia sentir sua magia ronronar. Ele sempre imaginou que seria o primeiro (e único) na vida de Harry, como Harry seria o seu. Ele sempre imaginou que se tornaria um só com seu irmão, que alcançariam o ápice do prazer e da felicidade juntos, que pertenceriam um ao outro para sempre.

- Isso é realmente o que você quer?

- Sim.

Com um sorriso apaixonado, Tom respondeu:

- Então você terá, meu amor – pegando-o no colo como uma noiva, para surpresa de Harry, que deixou escapar um gritinho pouco masculino, Tom sussurrou – Você sempre terá o que quiser.

Tom seguiu para a suíte principal da Câmara de Slytherin levando aquela preciosa carga em seus braços, onde a depositou cuidadosamente na majestosa cama king size forrada de lençóis verdes escuros de seda, que harmonizavam com as paredes de pedras, as tapeçarias antigas, a lareira próxima à cama, que oferecia um calor tão aconchegante. Toda a decoração em verde escuro, os candelabros e adornos de prata, as poltronas negras e o fogo crepitando na lareira ofereciam ao cômodo um ar luxuoso medieval, mas, naquele momento, Tom pouco admirava o bom gosto de seu antepassado, pois seus olhos bebiam apenas a adorável imagem de Harry:

Doce.

Vulnerável.

Pequeno e lindamente exposto.

E, ao mesmo tempo, corajoso, decidido e sem qualquer sombra de medo obscurecendo seus olhos, penas o desejo e amor em sua forma mais pura.

Harry era perfeito.

E era seu.

Desde o momento que sua mãe, há catorze anos, chegara em casa e lhe mostrara aquele pequeno ser ainda embrulhados nas mantas do hospital, Harry pertencera a ele. E agora, quando suas mãos acariciavam o pequeno corpo suavemente, despojando-o das vestes de gala, deixando-o completamente expostos aos seus olhos famintos, tudo pareceria tão correto quanto a primeira vez que o tivera em seus braços.

- Tom... – um gemido ofegante escapou dos lábios de Harry, que, desnudo, acomodava o corpo exuberante e completamente vestido do irmão entre as pernas trêmulas. Sua pele, porém, estava tão sensível que a cada pequeno movimento de Tom seus olhos rolavam para trás e seu corpo se contorcia de prazer.

- Está tudo bem, pequeno – murmurou Tom, afastando-se apenas um pouco para se desfazer de suas próprias vestes, rapidamente – Eu vou cuidar de você.

Quando os dois corpos desnudos se encontraram e seus lábios se juntaram mais uma vez, num beijo apaixonado e exigente, Tom quase chegou ao clímax ali mesmo. Entre as penas do irmão, abertas tão solicitamente apenas para ele, Tom sabia que não haveria melhor lugar no mundo que aquele. E nada daquilo se assemelhava aos corriqueiros momentos que, abraçados na cama de seu quarto, acariciavam seus corpos dando prazer um ao outro. Não. Isto era algo muito mais intenso.

Deitando-se completamente sobre o corpo de Harry, com cuidado para não força-lo sob seu peso, Tom observou aquelas belas esmeraldas brilharem cheias de desejo e se deu conta do quão pequeno e frágil seu irmão se parecia. Mas não havia nada de frágil em Harry, de fato, apenas a força e a coragem de um verdadeiro Gryffindor.

- Tão belo – sussurrou Tom, beijando o lóbulo da orelha sensível do irmão, ao mesmo tempo em que mentalizava um feitiço do qual poucos falavam a respeito, mas muitos conheciam.

- Tom...!

- Está tudo bem, assim não irá machucá-lo – a voz rouca mostrava a necessidade de possuir o pequeno corpo por completo. E quando introduziu o dedo no estreito e agora lubrificado buraquinho de Harry, seu coração pareceu falhar uma batida, sua magia agitou violentamente em suas veias como se quisesse sair para testemunhar aquele momento.

Harry era perfeito. Sempre fora. Mas agora, arqueando as costas sob seu corpo, respirando agitadamente e gemendo baixinho com os olhos fechados, Harry se assemelhava a um verdadeiro anjo. Um anjo cuja aura magnética atraía seus lábios, cujos gemidos silenciosos e necessitados compunham a mais bela sinfonia, cujas esmeraldas brilhantes de desejo poderiam fazer o mais puro arcanjo sucumbir ao pecado. Logo, um segundo dedo fazia companhia ao primeiro dentro daquele lugar molhado e aconchegante. E então, um terceiro dedo impunha um ritmo poderoso, o qual arrancava os mais doces gemidos de Harry, que arqueava as costas e praticamente se desfazia em seus braços.

- Por favor, eu estou pronto... – implorava o menor, os belos olhos verdes repletos de anseio e expectativa. Nunca medo, pois, estando nos braços de Tom, ele sabia que não havia motivos para temer.

Usando o mesmo feitiço lubrificante, Tom retirou os dedos daquele cálido orifício e os substituiu por algo maior, deslizando-se com suavidade para dentro do pequeno corpo, sem exercer muita pressão, observando atentamente cada detalhe do rosto de Harry e abrandando sempre que notava qualquer desconforto adornar as feições finas de seu irmão. Ele não sabe quanto tempo levou para Harry se acostumar, quanto tempo passou imóvel dentro aquele cálido corpo que, após um lento e profundo movimento, agora o acolhia por completo. Todos os seus sentidos estavam nublados pelo prazer, ao ver-se unido por completo ao irmão. E quando uma lágrima silenciosa deslizou pela bochecha de Harry, Tom a beijou delicadamente.

- Tudo bem – garantiu o Gryffindor, unindo seus lábios mais uma vez, numa permissão silenciosa para o Slytherin se mover.

Dentro daquele corpo quente e acolhedor, Tom começou a se mover com cuidado, suavemente, amando-o em cada pequeno empurrão, em cada toque delicado naquele feixe de nervos que fazia Harry suspirar, esquecer o desconforto e soltar silenciosos gritos de prazer.

Merlin...

Morgana...

Salazar... Godric...

Não havia divindade mágica a quem clamar agora, pois o prazer logo os fez esquecer tudo, apenas o nome um do outro dançava em seus lábios:

- Harry...

- Tom...

Se não fosse o pequeno corpo contorcendo-se de prazer sob o seu, oferecendo-lhe as mais inebriantes sensações, Tom poderia pensar que aquilo se tratava de um sonho. Mas quando Harry abraçou seu pescoço, as pernas leitosas rodeando sensualmente seus quadris, impulsionando-se no mesmo ritmo que as estocadas profundas, Tom percebeu que isto não poderia ser um sonho, pois nem seus sonhos se comparavam a tamanha beleza e perfeição.

Irmãos.

Amantes.

Enamorados...

Não havia a necessidade de rótulos ali.

Eles eram apenas Harry e Tom, amando um ao outro, sem se preocupar com tabus.

Naquele momento, o som de seus corpos se chocando inundava o aposento, combinado ao aroma apaixonado da entrega e do desejo, mas nada se fazia mais forte, mais inebriante, mais espesso que a magia de ambos, entrelaçadas, numa neblina negra e pungente, perigosa e mortal, unida à beleza dourada, pura e libertadora de opostos, que agora se uniam e formavam um só, assim como o negro e o dourado formavam a cor mais bela: a cor de um diamante recém lapidado.

Mas ambos estavam alheios à magia a sua volta.

Alheios ao tempo e ao espaço...

Alheios a todo o resto...

Quando viu lampejos brancos por trás de seus olhos fechados, Harry buscou os lábios do irmão mais uma vez. E sem aviso prévio, com apenas mais alguns empurrões poderosos, ambos caíram num abismo líquido. Um grito extasiado escapou de seus lábios, no momento em que Tom se derramou no interior de Harry e este deixou sua semente vir de seu membro intocado, banhando seus corpos.

Os lábios inchados...

A respiração agitada...

Os corpos suados, abraçados...

Nem mesmo os mais renomados pintores da renascença poderiam capturar tal imagem, a imagem da completude, da felicidade, da perfeição. Somente três palavras poderiam:

- Eu te amo – sussurrou Tom, sonolento, estreitando o pequeno corpo em seus braços.

Harry sorriu e adormeceu.

Ambos ainda intimamente conectados.

Continua...

Próximo Capítulo: - Você o matou, Tom?

O silêncio é sua resposta.

Uma clara resposta.

-x-

N/A: Meus queridos, amados leitores... Eu sei que não há palavras para pedir perdão pelo atraso nas minhas atualizações. Nem tentarei mais. Comecei a trabalhar num novo local e minha vida está uma loucura, não há como pedir perdão e não há como prometer que não atrasarei novamente... Mas posso garantir, de todo o meu coração, que nunca abandonarei vocês! Então, provando isto, cá estou com um novo capítulo...

O LEMON! Finalmente! Então, o que acharam?

Uau... Não me lembro de escrever algo tão grande há séculos! Espero que vocês gostem!

Bem, estarei esperando ansiosamente suas Reviews me dizendo o que acharam.

Sendo assim, gostaria de aproveitar e agradecer de todo o coração às belíssimas Reviews de:

Malukita... lily-lecter... TaiSouza... 4lelima... Luana LS... Srta Potter... Mertriqs... SarahPrinceSnape... Lady Malfoy... dels76... Gaybow... Sandra Longbottom... niki riddle... Jasper1997... vrriacho... Dyeniffer Mariane... lunynha... yume... FaFaVe... CamiCw... yggdrasil001... erasi e Nena!

Um grande Beijo!
E até o próximo (e último) capítulo de O Charme da Insanidade!