Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, que contém Lemon, a saber, sexo explícito entre os personagens, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.

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Tom abriu lentamente os olhos, sentindo-se inexplicavelmente contente e revigorado, como se fosse o homem mais feliz do mundo naquela manhã de Natal. E ao olhar para o lindo rosto do menino adormecido em seus braços, o jovem Slytherin teve a certeza de que era, de fato, o homem mais feliz e sortudo da face da Terra. Não havia sido um sonho, mais um de seus sonhos vívidos e apaixonantes, mas a realidade: seu doce e amado Harry se entregara a ele na noite passada. E Tom tinha absoluta certeza de que nem Salazar Slytherin ou o próprio Merlin haviam experienciado uma explosão de energia mágica como aquela, que pareceu entrelaçar sua própria alma à de Harry durante o ápice do prazer de seus corpos, os quais se uniram com perfeita harmonia, entrelaçando suas almas, sua magia e seus corações.

- E nada poderá nos separar... – sussurrou, acariciando os cabelos bagunçados do menino em seus braços, enquanto observava as suaves características do belo rosto que ainda conservava traços infantis com um olhar cheio de adoração.

Um olhar que estava reservado unicamente para seu irmão.

Os minutos se passaram e Tom não conseguia desviar o olhar, levantar-se da cama, ou apenas cessar as carícias nos cabelos de Harry. Ele permanecia hipnotizado pela bela imagem do pequeno anjo em seus braços.

Finalmente, pouco mais de quarenta minutos depois, Harry começou a despertar, franzindo ligeiramente o cenho e fazendo um adorável muxoxo, como desde os três aninhos costumava fazer.

- Hey... – Harry sorriu docemente ao olhar para o irmão. Mas, ao tentar mudar de posição, um leve sinal de dor se desenhou em seu rosto corado.

Imediatamente, Tom se preocupou:

- Você está bem, pequeno?

- Sim, eu só...

- Eu machuquei você, não foi? Droga! Eu sabia que deveria ter esperado mais tempo...

- Tom, não seja bobo – suspirou, buscando os lábios do maior para acalmá-lo – Eu estou bem, é só um pequeno desconforto. Você não fez nada de errado, pelo contrário.

- Mas...

- Por favor, acredite em mim – implorou, esquecendo completamente seu desconforto para abraça-lo com força – Eu não poderia estar mais feliz.

A expressão do Slytherin, então, suavizou:

- Eu te amo, pequeno, e não quero machucá-lo jamais.

- Eu sei – sorriu – Você nunca irá me machucar. E tenho certeza de que nas próximas vezes este pequeno desconforto irá desaparecer...

- Próximas vezes? – perguntou com malícia, adorando a cor avermelhada que imediatamente se apoderou das bochechas de Harry.

- Bem... Hum... Quero dizer... A menos que você não queira...

- É claro que eu quero – disse Tom, apaixonadamente, puxando-o para um beijo longo e preguiçoso – Eu poderia morrer contanto que tivesse você em meus braços.

- Eu gosto de você vivo, muito obrigado.

Os dois riram.

Instantes depois, logo após divertidos momentos na banheira da suíte de Slytherin, Tom convocou um elfo doméstico e ordenou que este trouxesse waffles, panquecas, suco de laranja, bolo de chocolate e de todas as delícias que Harry estava com vontade de comer no café da manhã, mesmo sendo tecnicamente hora do almoço. Os dois então decidiram que poderiam muito bem passar o resto do dia na câmara, trocando carícias e beijos preguiçosos, sem se preocupar com o resto do mundo.

Naquele momento, o Torneio Tribruxo não significava nada.

Hogwarts estava reduzida a um único cômodo secreto.

Seus pais poderiam pensar o que quisessem.

O mundo poderia explodir...

...Que Harry e Tom pouco se importavam.

Eles tinham um ao outro e isto bastava.

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Durante os próximos meses, a relação de Harry e Tom se mostrou cada vez mais intima e alheia ao resto do mundo, pois a cada oportunidade os dois irmãos desapareciam na Câmara Secreta para explorarem sua recém-descoberta intimidade, ou apenas para estudar, ler e jogar xadrez na companhia um do outro, saboreando a constante troca de carícias e os beijos preguiçosos nos quais pareciam viciados, muitas vezes sob o olhar questionador de Nagini, que insistia em perguntar quando os dois teriam filhotes, para diversão de Tom e mortificação de um pobre Harry, que constante precisava dizer à sua guardiã que não precisava de conselhos para preparar um ninho. Tais sumiços, porém, não eram novidade para seus amigos, nem para todo o corpo docente, uma vez que a relação dos irmãos Potter era conhecida por todos e definida perfeitamente nas palavras de Adrian Pucey como uma relação "co-dependente desmedida e lasciva que ignorava a existência do resto do mundo".

Se apenas os organizadores do Torneio Tribruxo soubessem das palavras de Pucey talvez eles tivessem tomado mais cuidado ao planejar a Segunda Tarefa.

Tarefa esta que começaria em poucos minutos.

E Tom, por sua vez, já estava de mau humor.

Ele não via seu irmão desde o café da manhã, no salão principal, quando Granger havia avisado que McGonagall queria falar com os dois. Horas depois, Harry perdera o almoço e agora Tom seguia para o Lago Negro com os demais sem identificar qualquer sinal do tufo de cabelos bagunçados e dos lindos olhos verdes do jovem Gryffindor no meio da multidão.

- Não se preocupe – comentou Pansy em seu caminho para as arquibancadas – Talvez Harry e Hermione tenham passado na cozinha para buscar um lanche e perderam a hora.

Tom, no entanto, a ignorou.

Finalmente, ele se posicionou às margens do Lago Negro com os outros competidores, em frente à mesa dos juízes, mas seus olhos ainda percorriam as arquibancadas dispostas ao longo da margem oposta do lago, quase explodindo de tão lotadas, e que refletiam nas águas lá embaixo; a algazarra dos expectadores escoava estranhamente pela superfície das águas, enquanto os olhos de Tom buscavam uma pessoa específica, sem sucesso.

- Bem, nossos campeões estão prontos para a segunda tarefa – começou o secretário do ministério – Quando eu apitar, em suas equipes, vocês terão uma hora para recuperar o que foi tirado de vocês.

Tom franziu o cenho.

Trabalhar em dupla mais uma vez... Ótimo – pensou com sarcasmo.

- Um... dois...

- Não me atrapalhe, Diggory – avisou friamente. Ele queria terminar esta bobagem logo e procurar seu irmão na escola. Talvez Harry não tenha se sentido bem e Granger o tenha levado para a enfermaria...

- Três!

O apito produziu um som agudo no ar frio, unindo-se ao som das arquibancadas que explodiram em vivas e palmas. Sem se virar para ver o que os outros campeões estavam fazendo, Tom retirou o roupão negro que cobria o calção de mergulho verde e prata, lançou em si mesmo um feitiço sem varinha simples que combinava a capacidade de respirar embaixo d'água, possibilitava-o nadar mais rápido que um sereiano e mantinha sua temperatura estável, e, sem pensar duas vezes, entrou no lago.

Em poucos minutos, Tom nadara uma distância tão grande em direção ao meio do lago que deixara de ver seu leito. Lançando um feitiço de direcionamento simples e outro que possibilitava uma visão perfeita embaixo das águas turvas e negras, o Slytherin deu uma cambalhota e mergulhou nas profundezas. Pequenos peixes passavam velozes por ele como flechas prateadas. Uma ou duas vezes ele viu um vulto maior nadando mais adiante e não se preocupou em olhar para trás para ver se Diggory o seguia. Ele precisava encontrar o objeto que haviam tirado dele depressa e voltar para Harry.

Talvez tenham levado um de seus livros.

Ou o belo broche de serpente que seu padrinho lhe dera de aniversário.

Ou o porta-retratos que ganhara de Harry na infância e adornava sua mesa de cabeceira com uma foto dos dois.

Imediatamente, Tom se sentiu irritado, só de pensar que este precioso objeto pudesse ter sido levado como uma peça do Torneio... Ele nadou ainda mais rápido na direção que o feitiço apontava e logo chegou à pequena vila repleta de casas toscas de pedra, manchadas de algas, nas quais inúmeros vultos de olhos amarelos se escondiam. Por fim, Tom se deparou com o que parecia ser a praça do povoado, onde um coro de sereianos cantava no centro e por trás erguia-se um gigantesco sereiano esculpido em pedra.

Três pessoas estavam amarradas à cauda da estátua:

Uma menina loira pequena, que ele imaginou ser a irmã de Fleur Delacour;

Hermione Granger;

E Harry...

...Seu precioso Harry.

Na mesma hora, seus olhos se tornaram vermelhos como rubis, frios e perigosos, fazendo os sereianos que guardavam os reféns se afastarem com medo, ainda que estivessem segurando lanças afiadas. Um dos sereianos, porém, não percebeu a chegada de Tom. Ele estava distraído demais tocando delicadamente, quase em curiosa reverência, a bochecha rosada de Harry...

Ele era jovem.

E inexperiente.

E nunca vira um humano tão de perto.

Ele também não viu a luz verde da maldição assassina atingi-lo pelas costas.

Quando o pobre sereiano que tocara Harry começou a afundar, morto, os outros rugiram furiosos e tentaram atacar Tom. Eles foram caindo mortos um a um, pois o poderoso Slytherin havia conjurado um escudo impenetrável e passara a lançar a maldição da morte a qualquer um que ousasse se aproximar de si ou de seu irmão.

Somente quando um velho sereiano, que parecia ser o ancião da tribo, deteve a investida dos demais de sua espécie, dos que ainda restavam, Tom parou de lançar a maldição:

- Por favor, pegue seu humano e vá embora... – disse o velho, num inglês precário – nós não queremos guerra com os magos.

- Ele ousou tocá-lo!

- E você o matou – respondeu pacientemente escondendo sua dor – você matou a todos. Agora vá, por favor, e leve seu companheiro.

Pelo canto dos olhos, Tom notou que Diggory se aproximava. Então, com um balançar de sua mão direita ele cobriu os corpos dos sereianos caídos com a areia das profundezas do lago, libertou seu irmão e começou a nadar para a superfície sem olhar para trás, sem se importar com a dor nos olhos do sereianos que ainda restavam, mulheres e crianças que choravam suas perdas e agora se escondiam em suas casas de pedra.

Instantes depois, Tom emergiu das águas do lago sob uma enxurrada de aplausos, o vermelho furioso de seus olhos por fim havia se dissipado. Logo atrás, Cedric Diggory o seguia, lançando olhares cheios de preocupação ao pequeno Gryffindor que agora tossia e recuperava o fôlego nos braços do possessivo Slytherin.

- A equipe de Hogwarts é a primeira a completar a tarefa!

Enquanto Tom carregava seu irmão até a margem, Victor Krum emergia das águas com Hermione em seus braços, seguido por um inexpressivo Ivan Rakitic:

- Em segundo lugar, a equipe de Durmstrang!

Tom, porém, estava completamente focado em seu irmão:

- Nunca mais faça uma coisa dessas, Harry!

- Desculpe – o menino sorriu não parecendo muito culpado – a professora McGonagall nos fez guardar segredo.

- Você podia ter morrido!

- Não, você jamais deixaria isso acontecer.

Suspirando, Tom concordou, conjurando um manto aquecido e colocando-o nas costas do irmão, que agora se via rodeado por Remus, Severus e seus amigos, todos admirados com a velocidade que Tom completara a tarefa.

- Harry, você está bem?

- Sim, obrigado Cedric – o pequeno Gryffindor sorriu lindamente para o preocupado Hufflepuff, que, ao notar o olhar mortal de Tom, apenas acenou com a cabeça e se afastou para junto de seus amigos.

- Em terceiro lugar, a equipe de Beauxbatons completa a tarefa!

Todos aplaudiam e observavam o placar, que mostrava Hogwarts na primeira posição, seguida por Durmstrang e, finalmente, Beauxbatons ocupando o último lugar, o que explicava os olhares venenosos que Daniella lançava à Fleur, que parecia mais preocupada em secar os cabelos de sua irmãzinha. Naquele momento, Dumbledore se encontrava agachado à beira da água, absorto numa séria conversa com o velho sereiano que discutira com Tom. Um olhar de profundo arrependimento brilhava no rosto do diretor, que parecia se desculpar na língua do nativo das águas do Lago Negro, o qual, ao afastar-se para submergir novamente nas águas, lançara um intenso olhar para Tom.

Seguindo com os demais para o castelo, Harry ainda em seus braços descansando confortavelmente a cabeça em seu peito forte e perfeitamente esculpido, Tom passou pelo diretor e lhe sussurrou uma velada ameaça:

- Da próxima vez, eu não irei parar até ver todos mortos.

- Tom... – a culpa e o receio estavam desenhados no rosto do velho mago.

- Não ousem envolver meu irmão neste circo novamente.

Quando o vermelho brilhou nos olhos castanhos, o diretor suspirou e concordou em silêncio.

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- Estou falando a verdade, Harry querido, aquela menina fez uma combinação de cores que não a favorece nem um pouco. Pelo amor de Morgana le Fay, quem usa uma sombra azul com um batom rosa bebê logo pela manhã?

- Não seja má, Pansy – o menino sorriu, divertindo-se com os comentários ferinos de sua amiga, os quais, naquela manhã, estavam reservados a uma pobre Hufflepuff que caíra em prantos ao ouvir as previsões macabras da professora de adivinhação.

Semanas após a Segunda Tarefa, Harry e Pansy se encontravam agora saindo da Torre de Astronomia e seguindo para o Salão Principal, onde o almoço seria servido, quando uma apressada voz os deteve:

- Harry, espere!

- Cedric?

Quando o bonito rapaz de olhos e cabelos castanhos chegou ao seu lado ostentando aquele sorriso que fazia metade da população de Hogwarts perder o fôlego, Harry rapidamente olhou em volta para se certificar de que seu irmão não estava por perto.

- Eu vou deixar vocês sozinhos – Pansy sorria maliciosamente – vejo você no almoço, Harry.

- Ok. Se o meu irmão perguntar...

- Digo que a professora Trelawney quis falar com você quando a aula acabou – com uma piscadela marota, a Slytherin se afastou dos dois.

Voltando-se ao rapaz mais velho, Harry então perguntou:

- Você queria falar comigo, Cedric?

- Sim.

Mais uma vez, para desconforto de Harry, o Hufflepuff estava lhe dando aqueles olhares longos fascinados, com os quais Harry se deparava desde o baile de inverno e que, por sorte, Tom ainda não havia testemunhado:

- Você gostaria de ir ao povoado de Hogsmeade comigo neste domingo? – novamente, aquele sorriso deslumbrante e o brilho apaixonado nos olhos castanhos – Eu conheço um café excelente por lá...

- Eu... Er... – Harry engoliu em seco – Eu agradeço seu convite, mas... Eu... Er... Eu não tenho certeza se irei ao povoado, porque tenho um pouco de lição de casa acumulada e meu irmão ficou de me ajudar enquanto ele estuda para os N.I.E.M's.

- Entendo – a decepção era visível nos belos olhos castanhos, mas Cedric não era o tipo de pessoa que desiste facilmente – Tudo bem, mas irei trazer um presente para você da Dedosdemel.

- O que? Não...

- Eu insisto – o deslumbrante sorriso estava de volta – Eu sei o quanto você aprecia as sobremesas aqui em Hogwarts e o meu maior deleite é ver o lindo sorriso que você exibe ao se lambuzar de chocolate.

- Cedric... – Harry corou, perguntando a si mesmo se era tão óbvia sua paixão por doces –... Bem, obrigado.

- Vejo você mais tarde, Harry.

Após um beijo doce na bochecha do pequeno Gryffindor, o Hufflepuff se afastou.

Harry, por sua vez, em seu caminho para o salão principal tentava não pensar no que poderia dar errado, ou, mais especificamente, no que seu irmão faria se descobrisse os longos olhares e as abordagens de Cedric. Eles podiam ser uma dupla no Torneio Tribruxo, mas Harry conhecia seu irmão bem o bastante para saber que este não hesitaria em afogar o Hufflepuff no Lago Negro na primeira oportunidade que surgisse.

- Que Merlin me ajude...

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Os dias foram passando depressa, um a um, dias que se transformaram em semanas e semanas que rapidamente trouxeram os meses que aproximavam o final do ano letivo e a última e mais importante tarefa do Torneio Tribuxo. Durante esses meses, Tom havia prestado seus N.I.E.M's, aos quais não oferecera menos que a perfeição, deixando todos os examinadores do ministério de queixo caído com tamanha maestria em absolutamente todos os assuntos. Harry, por sua vez, não poderia estar mais orgulhoso de seu irmão e por que não dizer, de seu amante, uma vez que ao longo desses meses seu relacionamento havia apenas se fortalecido com laços físicos e emocionais: os dois seriam irmãos, amantes, companheiros e cúmplices para toda a vida.

O pequeno Gryffindor, porém, ao longo desses meses tentava esconder a crescente inquietação que os avanços de Cedric Diggory lhe proporcionavam. Ele não sentia absolutamente nada pelo galante Hufflepuff, senão amizade, mas a cada poesia em formato de bilhete de coração mágico, a cada doce cuidadosamente escolhido na Desdosdemel, a cada flor rara que este lhe dava, ficava mais difícil esconder tais avanços de Tom. Pelo menos Cedric era inteligente o bastante para não lhe dar essas coisas na presença de seu irmão, e por mais que Harry dissesse que agradecia a delicadeza do gesto, mas que não havia necessidade, que ele não estava interessado em se envolver romanticamente com ninguém no momento, o Hufflepuff parecia determinado em fazê-lo mudar de ideia.

Esta determinação, porém, transformou-se em suicídio na noite da terceira e última tarefa do Torneio Tribuxo.

Noite esta que começava agora.

- Não precisa ficar nervoso, pequeno.

- Eu não posso evitar! E se acontecer alguma coisa? E se houver uma criatura das trevas dentro desse labirinto pronta para devorar sua alma? E se...

- Acalme-se – o Slytherin riu, pousando um beijo amoroso na bochecha do irmão – Eu posso derrotar qualquer coisa.

- Metido.

Os dois riram.

Naquele momento, as arquibancadas se enchiam cada vez mais rápido, repletas de estudantes e dos familiares dos campeões, além de uma grande equipe de jornalistas do profeta diário comandada por Rita Skeeter, que estava com sua pena de repetição rápida a postos. O campo de Quadribol, onde todos se encontravam agora, estava irreconhecível: uma sebe de seis metros corria a toda volta; havia uma abertura bem diante dele que parecia ser a entrada para o imenso labirinto; a passagem além parecia ser escura e sinistra.

Finalmente, quando o ar vibrava com as vozes excitadas, as bandeiras de cada escola sacodindo no ar com o ímpeto de seus estudantes, Dumbledore, Madame Maxime, Igor Karkaroff e os juízes do ministério se reuniram com os campeões na entrada do labirinto, onde Harry ainda se encontrava segurando firmemente a mão de Tom.

- Senhoras e senhores, a última tarefa do Torneio Tribruxo está prestes a começar! - anunciou o secretário do ministério sob os gritos e aplausos da plateia – Dessa vez, cada campeão deverá agir sozinho e buscar no labirinto a Taça Tribruxo, que foi escondida por nossos colaboradores hoje cedo.

Harry mal conseguia respirar.

Ele queria amaldiçoar Tom por parecer tão tranquilo ao seu lado.

- O campeão que enfrentar os perigos que o labirinto reserva e achar a Taça será consagrado com a glória eterna e receberá o prêmio de mil galeões. Então, quando eu apitar...

- Harry, meu querido menino, acredito que seja a hora de você se juntar aos seus pais e a seus amigos na arquibancada – Dumbledore sugeriu com uma piscadela e Harry, envergonhado, finalmente soltou a mão de Tom.

- É claro, senhor – voltando-se para o Slytherin, o menino deu um rápido beijo em sua bochecha, lhe desejou boa sorte e começou a se afastar.

- Um...

- Harry, espere! – Cedric gritou. E, surpreendendo a todos, o Hufflepuff puxou Harry para um apaixonado beijo que deixou o pobre menino e toda a plateia completamente atordoados – Eu vou trazer a Taça para você! – prometeu com um sorriso vitorioso combinando perfeitamente com seu olhar deslumbrado.

- Dois...

Uma aura assassina se apoderou de Tom.

- Três!

No instante seguinte, cinco dos seis campeões correram para dentro do labirinto ao som do apito. O último deles, porém, caminhou lentamente para a entrada sombria, os olhos fechados escondendo do público a perigosa cor vermelha, escondendo do público sua fúria, escondendo seu desejo assassino.

Harry, por sua vez, assistiu com horror faíscas verdes brilharem na ponta da varinha de Tom quando este desapareceu no labirinto.

- Diretor, o senhor precisar parar essa prova, o senhor precisa impedir que...

- Eu sinto muito, Harry, mas não posso fazer isso.

- O senhor sabe o que ele vai fazer.

- Tenha fé, Harry. Tenha fé...

Suspirando, Harry seguiu para a arquibancada ignorando todos os olhares e sussurros.

- Harry, meu filho, eu não sabia que você estava namorando o menino Diggory.

- Eu não estou, mãe.

Seus pais, padrinho e amigos permaneceram em silêncio, notando facilmente o quão angustiado o pequeno Gryffindor estava. Este, por sua vez, apenas rezava silenciosamente para que Tom não fizesse nenhuma bobagem.

Enquanto isso, no labirinto, as horas passavam depressa. Bichos-papões, Explosivinis, filhotes de Acromântulas, Quimeras e outras criaturas perigosíssimas estavam espalhados por toda a parte. Daniella estava com o braço ferido quando se deparou com um filhote de Acromântula que por pouco não a matou, o veneno do filhote havia sido retirado, mas o susto a deixou paralisada. Ao cair no chão, a sebe das paredes do labirinto rapidamente envolveram seu corpo sinalizando sua eliminação da prova. Próximos à Daniella, Victor Krum e Ivan Rakitic pareciam travar um duelo até a morte, seus olhos vazios, como se estivessem sendo controlados pela maldição Imperio ou algo do tipo e somente quando feitiços obscuros deixaram suas varinhas, ferindo-os quase mortalmente, quando ambos caíram no chão, a sebe verde os envolveu e os eliminou do torneio.

Caminhando silenciosamente pelo labirinto, Tom dissipava todas as ameaças que surgiam à sua frente com um simples balançar de varinha, o vermelho brilhando em seus olhos repletos de fúria. Ao cruzar um corredor lamacento, o Slytherin se deparou com uma chorosa e ferida Fleur Delacour, que parecia ter acabado de lutar contra um grupo de Explosivinis:

- Potter – sussurrou a menina.

Fleur, porém, ao olhar em seus olhos soltou um grito de terror:

- Seus olhos! O labirinto... Ele mudou seus olhos...!

Um sorriso obscuro se desenhou no rosto de Tom:

- Obliviate.

Ele não olhou para trás para ver a sebe arrastar o corpo inconsciente de Fleur.

Ele seguiu adiante.

E por fim, deparou-se com seu objetivo:

A Taça Tribruxo brilhava num pedestal a menos de cem metros à sua frente. Mas isso não importava, sua atenção estava voltada ao Hufflepuff que se levantava do chão, poucos passos à sua frente, tendo acabado de se livrar do que parecia ser um bicho-papão.

- Finalmente.

Com um simples estalar de dedos, a varinha de Cedric voou para sua mão. Na mesma hora, o surpreendido rapaz se virou e deu um passo para trás ao encará-lo:

- Potter...

- Diga-me uma coisa, Diggory, no que você estava pensando quando ousou encostar seus repugnantes lábios no meu irmão?

- Olha, eu sinto muito, mas eu gosto do seu irmão – respondeu com sinceridade – Eu prometo que irei trata-lo com respeito...

- Ah, você promete?

- É claro que sim – garantiu Cedric, o medo gelando seus ossos ao notar a perigosa cor escarlate no olhar de Tom – Mas... Nós podemos discutir isso quando voltarmos...

- Eu acho que você ainda não entendeu a situação – suspirou – Permita-me aclarar as coisas... Crucio!

Oh sim...

Os gritos agonizantes de Cedric Diggory eram música para os ouvidos de Tom.

- Você entendeu agora, Diggory?

Esses lábios que ousaram macular seu irmão...

Esses lábios que ousaram tocar no que é seu...

Esses lábios agora estavam repletos de sangue.

- Você não sairá vivo daqui – sentenciou o Slytherin – Asmodeum!

Quando a maldição obscura criada pelo próprio Salazar Slytherin atingiu o corpo de Cedric, este sentiu seus órgãos serem esfaqueados um a um, sua pele parecia ser lentamente esfolada do próprio corpo e o sangue borbulhava em suas veias, sob o olhar satisfeito de Tom.

- Eu queria usar algumas maldições interessantes em você – comentou o Slytherin, depois do que pareceram ser horas para o pobre rapaz agonizando no chão – mas não quero perder mais tempo, afinal, meu doce irmão está esperando para festejar minha vitória comigo em nossa cama... Isso mesmo, dessa forma que você está imaginando. Então, melhor voltarmos ao básico, não é mesmo?

Quando os olhos castanhos ampliaram horrorizados, Tom sorriu:

- Avada Kedrava.

E observou a maldição conjurada sem varinha roubar o sopro de vida que restava em Cedric Diggory.

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Quando Tom reapareceu na frente do labirinto após ser transportado pela Taça Tribruxo, seus olhos ainda conservavam pequenas rajadas de vermelho. E uma enxurrada de sons logo tomou conta do lugar: aplausos, assobios, gritos de louvor, instrumentos musicais... Ele havia ganhado o Torneio Tribruxo e se consagrado com a glória eterna, mas nada disso importava, a única coisa importante naquele momento era o pequeno Gryffindor que havia se jogado em seus braços:

- Você conseguiu! Eu sabia que você conseguiria!

- Eu consegui por você, pequeno – sorriu, acariciando os cabelos de Harry enquanto aceitava os louvores de seus pais e amigos.

Mas um grito de horror acabou interrompendo a festa.

Os corpos machucados dos outros campeões foram sendo transportado um a um para a entrada do labirinto, onde Madame Pomfrey e uma equipe de medimagos estavam prontos para atendê-los. Daniella, porém, foi a primeira a notar o corpo sem vida de Cedric e seu grito logo cessou a música, os aplausos e cantorias.

- Merlin, Diggory! – murmurou a enfermeira – Diretor, ele está morto!

Essas palavras foram repetidas, as vozes que se comprimiam ao redor dos campeões machucados e agora estarrecidos estavam cada vez mais próximas, depois outras gritaram para todos: "Ele está morto!" "Ele está morto" "Cedric Diggory! Morto". Garotas gritavam e soluçavam histéricas, como personagens de um filme de terror. Naquele momento, Harry levantou a cabeça e olhou em choque para Tom. O Slytherin, porém, conservava um semblante de educada consternação.

- Foi ele! Ele matou Diggory! – Ron Weasley externou o pensamento de muitos ali, ignorando a dor de Amos Diggory e sua esposa, que agora choravam sobre o corpo inerte de seu filho – Ele o matou porque Diggory beijou seu irmão!

- Tom... – Dumbledore olhava gravemente para ele.

- Isso é um absurdo – rosnou Lily – meu filho jamais...!

Suas palavras, porém, foram interrompidas pelo próprio Tom:

- Ficarei feliz em provar que isso é mentira – garantiu, puxando a varinha sob os olhares dos professores, alunos e membros do ministério – Priori Revelatem.

O poderoso feitiço logo revelou que os únicos feitiços produzidos nas últimas horas haviam sido para defesa e ataques leves, todos inofensivos aos olhos do Ministério da Magia.

- Isso é mais que suficiente para provar a inocência do meu filho – afirmou James Potter, olhando friamente para o jovem Weasley, que abaixou a cabeça em silêncio. Dumbledore ao seu lado suspirou, concordando com um breve aceno, enquanto solicitava que todos voltassem ao castelo com calma.

- Eu disse – a voz de Lily, embargada pelo choro, surpreendeu seus filhos – Pessoas morrem nesses torneios! É uma competição estúpida!

- Venha, Lily, vamos voltar para o castelo, nossos filhos estão bem.

- Pobre Amos... Pobre Catharine... – murmurava a mulher, seguindo seu marido e os demais para o castelo.

Lançando um olhar sobre o ombro, Harry contemplou uma das cenas mais dolorosas que talvez fosse testemunhar um dia: pais chorando sobre o corpo do filho. Harry não poderia enganar a si mesmo. Ele havia testemunhado uma vez, em seu terceiro ano, na Casa dos Gritos: Tom era perfeitamente capaz de lançar a maldição da morte sem o auxílio de sua varinha. Uma silenciosa lágrima então escapou de seus olhos e Tom o apertou ainda mais em seus braços:

- Está tudo bem, pequeno – sussurrou, beijando carinhosamente o topo de sua cabeça – Eu estou aqui. Eu te amo.

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Hogwarts estava de luto.

No dia seguinte à terceira prova do Torneio Tribruxo, último dia do ano letivo, estudantes das três escolas, professores e familiares presentes no Salão Principal guardaram um minuto de silêncio pela memória de Cedric Diggory. Todos ostentavam vestes negras e semblantes abatidos. Membros do Ministério da Magia não conseguiam conter a culpa que brilhavam em seus olhos e Dumbledore, ao se levantar para fazer seu discurso anual e entregar os diplomas para os alunos do sétimo ano, por um momento, pareceu não saber o que dizer:

- Temos que admitir, sofremos uma perda realmente grande... Cedric Diggory era como todos sabem excepcionalmente esforçado, infinitamente justo e o mais importante, um amigo muito, muito leal. Infelizmente, ao escolher participar do Torneio Tribruxo, além de demonstrar sua coragem, Cedric também se colocou em vários riscos.

Os soluços podiam ser ouvidos por entre as meninas Hufflepuffes.

- Hoje, o ministro da magia anunciou a extinção definitiva deste torneio – continuou Dumbledore – no entanto, eu peço que vocês não se lembrem de Cedric como uma das vítimas do Torneio Tribruxo, mas como o rapaz corajoso, leal e dedicado que lutou até o fim.

Todos aplaudiram.

- Pois bem... Estudantes do sétimo ano, atenção – disse Dumbledore – quando eu chamar seus nomes, por favor, venham pegar seus diplomas. Vocês chegaram ao final de uma bela etapa de suas vidas, mas outras etapas maravilhosas ainda estão por vir...

Harry suspirou, olhando para o irmão sentado orgulhosamente ao seu lado:

- Primeiramente, devemos saudar o único estudante a se formar com honras e obter notas máximas em todas as disciplinas cursadas ao longo de sua trajetória nesta escola. Por favor, uma salva de palmas para o estudante de Slytherin e monitor chefe de Hogwarts, Thomas Potter.

James, Lily e Sirius aplaudiam orgulhosamente de seus lugares.

Remus, na mesa dos professores, tentava ser imparcial e contido, mas era impossível.

Harry, por sua vez, também não conseguia conter o sorriso de orgulho estampado em seu rosto ao observar o irmão se aproximar de Dumbledore e receber o único diploma a receber menção honrosa em Hogwarts, desde os tempos do próprio diretor. Tom parecia tão imponente naquele momento: o campeão do Torneio Tribruxo, o bruxo mais brilhante de sua idade, poderoso, bonito e inalcançável aos olhos de todo o mundo mágico.

- Agora, em ordem alfabética, por favor, aproxime-se: Adrian Pucey... Anna Lounds...

Quando todos os estudantes do sétimo ano receberam seus diplomas e a taça das casas foi entregue para Slytherin, Dumbledore desejou a todos boas férias e o Salão Principal, aos poucos, começou a esvaziar. Naquele momento, Tom estava conversando com seus pais a respeito de sua aceitação na faculdade de Direito e Leis Mágicas de Cambridge quando notou a repentina ausência de seu irmão.

Imediatamente, o Slytherin se despediu de sua família e seguiu em busca do pequeno Gryffindor. Por sorte, bastou apenas alguns minutos de concentração para sentir sua presença perto do Lago Negro, de onde Tom se aproximava agora.

- Está tudo bem, pequeno? – perguntou, sentando-se ao seu lado, no gramado verde e úmido das proximidades de lago.

- Sim.

- Tem certeza?

- Não – com um pequeno suspiro, Harry voltou-se ao bonito rapaz sentado ao seu lado e observou atentamente aqueles olhos castanhos que, desde a noite anterior, possuíam leves rajadas de vermelho. Era quase imperceptível, mas não para Harry, que desde o primeiro ano de vida somente encontrava carinho e conforto nos profundos olhos de seu irmão.

- Você está desse jeito porque não estarei aqui no próximo ano?

- Sim... – é claro que a dor de imaginar sua vida em Hogwarts sem Tom latejava em seu peito – Isso também, mas...

- Eu sei como você se sente, pequeno, porque me sinto da mesma forma. Por isso não aceitei o convite da universidade mágica de Harvard, porque viver do outro lado do oceano seria um inferno para mim, mesmo com chaves-de-portais e redes-de-Flu.

Harry apenas balançou a cabeça e sorriu com tristeza:

- Isso não é tudo.

- Não? – o maior arqueou uma sobrancelha, confuso – Então o que está preocupando você, meu amor? Fale.

O pequeno Gryffindor, porém, permaneceu em silêncio.

- Harry, por favor, fale...

- Você o matou, Tom?

Finalmente, a dolorosa pergunta deixou seus lábios.

E o repentino silêncio serviu como uma clara resposta.

- Harry, eu...

- Eu sei, não precisa dizer nada – com um sorriso melancólico, o menor se aproximou e beijou suavemente seus lábios.

Harry sabia que Tom o amava.

Harry sabia que Tom nunca iria machucá-lo.

E Harry também sabia que Tom não hesitaria em matar outra pessoa inocente se esta ousasse tocá-lo.

Tom possuía um lado obscuro, quase monstruoso, e Harry sabia disso. Ele havia visto nos enfurecidos olhos escarlates. Mas Harry o amava. Ele amava o sorriso arrogante, os comentários sarcásticos, os toques gentis e ao mesmo tempo apaixonados, os beijos sensuais e cada pequena rajada de vermelho que agora brilhava em seus olhos, escondendo o assassino que havia por detrás de cada sorriso educado, de cada nota perfeita, de cada resposta brilhante em sala de aula.

Harry o amava.

E este amor estava acima de todas as coisas, do certo e errado, de qualquer senso de moralidade.

Continua...

Próximo Capítulo: Um suspiro entristecido escapou dos lábios do pequeno Gryffindor, que olhava perdidamente para um ponto fixo na parede, enquanto pensava em seu irmão.

- Senhor Potter, o senhor está prestando atenção?

-x-

N/A: Olá, meus queridos e leitores. Como vocês estão? Espero que estejam bem. Dessa vez não demorei tanto, não é mesmo? Finalmente, o último ano de Tom em Hogwarts, última tarefa do Torneio Tribruxo e últimos momentos de vida de Cedric... Sim, eu sei que prometi não matá-lo dessa vez, mas é mais forte do que eu! Talvez eu tenha que procurar um grupo de apoio: "Olá, sou Tassy Riddle e sempre mato Cedric Diggory em minhas fics". "Oooooi Tassy...". É, talvez isso ajude.

De qualquer forma, o que vocês acharam do capítulo de hoje? Espero que tenham gostado! Por favor, deixem suas Reviews para eu saber!

Aproveito para deixar meus agradecimentos especiais a:

CristinBay... biafreitassantos... CamiCw... Sandra Longbottom... Ana Paula- A.P... Lamort9... Jack Liv... ... Mertriqs... thesecretpassage1... Santiago Viera... vrriacho... Lanyath... leilasalvato123... SarahPrinceSnape... TaiSouza... Tania S.M... Dyeniffer Mariane... Malukita... Tisifone... boarcas... VictoriaLombardi... Srta Potter... Barbara Vitoria... Cami... Lady Malfoy... Jasper1997... FaFaVe... yggdrasil001... Luana LS... e lunynha!

Um grande Beijo!
E não percam a estreia (momento novela das oito) da minha próxima história: um Universo Alternativo cuja trama irá deixá-los – pelo menos assim espero – de cabelos em pé.