Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, Lemon, a saber, sexo explícito entre os personagens, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.
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Um suspiro melancólico escapou dos lábios de Harry outra vez. Era o quinto suspiro a deixar seus lábios só naquela manhã, uma manhã cinzenta e triste, que se assemelhava muito ao seu estado de espírito. Naquele momento, a família Potter se encontrava no número 10 de West Rd, na cidade de Cambridge, Reino Unido, mais precisamente no alojamento de estudantes da Universidade Mágica de Cambridge (UMC), na ala de dormitórios particulares e individuais exclusiva para herdeiros puro-sangue, onde Charlus Potter e seus antepassados haviam se acomodado em sua juventude, o mesmo local que James Potter teria usado se não houvesse optado por seguir os estudos na Academia de Aurores.
- Você tem certeza de que precisa de tantos livros, Tom? – James choramingou, levitando mais uma pilha de livros para fora das caixas, colocando-os numa das muitas prateleiras afixadas na parede – a biblioteca daqui deve ser ainda maior que a de Hogwarts, não é possível que você precise de tantos livros...
Tom e Lily reviraram os olhos, ignorando os lamentos do Auror, que gemeu de frustração ao abrir outra caixa e se deparar com mais uma pilha de livros.
Harry, por sua vez, encontrava-se sentado sobre a bela escrivaninha de mogno, junto a uma das janelas do aposento, brincando com uma pena marrom. Seu olhar esmeralda, hoje entristecido e sem brilho, percorria toda a habitação com evidente desânimo, vendo que esta, pouco a pouco, tornava-se a cara de Tom.
Ladeando a cama king size, sobre o criado mudo, destacava-se o porta-retratos que Harry fizera na infância, numa das aulas de artes, pintado de verde-escuro e coberto de pequenas pastilhas de vidro prateadas, exibindo uma foto dos dois no balanço da pracinha de Godric Hallow's, na qual um sorridente Harry era empurrado por seu irmão, que sorria divertido enquanto observava o menor acenar para a câmera. Do outro lado da cama, em frente à lareira, as duas poltronas de couro e a mesinha de mármore negro compunham o sofisticado cenário de um quarto que, aos poucos, tornava-se um meio termo entre as casas Slytherin e Ravenclaw.
Com suas cores escuras, cortinas de veludo esverdeadas, detalhes requintados em prata, além das prateleiras e estantes repletas de livros, pergaminhos antigos e do pequeno laboratório de poções montado numa bancada de mármore negra próxima à janela, o espaçoso aposento dispunha de absolutamente tudo o que uma pessoa pudesse vir a precisar ao longo de quatros anos dedicados aos estudos. O belo aposento, não obstante, possuía também uma espaçosa suíte, que se assemelhava muito ao banheiro dos monitores de Hogwarts, uma pequena cozinha americana, pois os moradores desta ala privilegiada, ainda que pudessem comparecer aos refeitórios, poderiam fazer uso de sua individualidade cozinhando seus alimentos em sua própria cozinha e uma outra porta que dava acesso ao enorme closet para guardar seus pertences, o qual Lily se ocupava de ajudar a organizar naquele momento.
- Você tem certeza de que apenas estes casacos serão o bastante?
- Sim, mãe. E, se for o caso, compro outro aqui por perto.
- Certo... – Lily não parecia muito convencida, mas continuou a pendurar as roupas em silêncio.
Enquanto seus pais estavam distraídos com a arrumação, Tom se aproximou do entristecido menino sentado sobre sua escrivaninha, que mantinha o olhar perdido na bela imagem do gramado verde do campus oferecida pela janela.
- Você está bem, pequeno?
- Não – murmurou sem conseguir encará-lo, as belas esmeraldas se enchendo de lágrimas rapidamente.
Tom, por sua vez, sentiu o coração apertar. Ele odiava ver tamanha tristeza no rostinho de traços infantis, mas, nas últimas semanas, quando recebera sua carta de aceitação na Faculdade de Direito e Leis Mágicas de Cambridge e seus pais começaram a arquitetar toda a sua mudança para o dormitório da família, Harry ficara desolado. O pequeno Gryffindor havia chorado por três dias seguidos em seus braços e, desde então, a tristeza não havia desaparecido das belas esmeraldas.
- Não fique assim, pequeno, por favor – pediu suavemente, aproximando-se do pequeno corpo sentado sobre a mesa e se posicionando entre as esbeltas pernas cobertas por uma calça preta de sarja fina. Por mais que Tom odiasse ver tamanho sofrimento nos olhos de seu irmão, ele sabia que necessitava investir em seu futuro, no crescimento de sua carreira, a fim de garantir uma vida feliz e confortável para o menor.
- Eu não posso evitar – disse Harry, encostando a cabeça no peito do irmão – não sei viver sem você.
- E nem eu sem você.
- Então não me deixe, por favor.
- Não vou deixa-lo. Nunca – garantiu, acariciando os cabelos negros sempre tão rebeldes –, mas precisamos nos separar por alguns meses, pequeno, até você se formar em Hogwarts e eu me formar aqui também, depois disso poderemos arquitetar o nosso futuro como bem entendermos.
- Eu não me importo com o futuro! Eu quero ficar com você! Eu já disse, posso deixar Hogwarts, não importa...!
- Importa sim, este é o motivo de eu estar aqui, meu amor, porque desejo lhe proporcionar o melhor futuro possível.
- Mas...
- Quem sabe não acabo me tornando o Ministro e você a Primeira Dama da Magia? – brincou, fazendo Harry balançar a cabeça, mas esboçar um pequeno sorriso – Em breve, nós não iremos mais depender de nossos pais, nós iremos viver juntos, só nós dois, então eu espero conseguir um bom emprego para cuidar de você.
- Eu sei...
Naquele momento, quando seus olhos se encontraram e seus rostos se aproximaram quase naturalmente, o barulho de uma caixa de livros caindo no chão os despertou.
- Ops... Desculpe, Tom – um distraído James murmurou, ignorando completamente o intercâmbio demasiadamente íntimo de seus filhos, a fim de se perguntar mais uma vez, silenciosamente, por que diabos Tom necessitava de tantos livros – Esses são os últimos, certo?
- Sim, pai – suspirando, Tom se separou de Harry e, a contragosto, aproximou-se de seu pai para ajuda-lo com as caixas que faltavam.
Finalmente, quando o aposento se encontrava impecável, com a cara do ex-monitor chefe Slytherin, ou, nas palavras de James, "uma assustadora combinação da Torre Ravenclaw e das masmorras Slytherin", seus pais o fitaram com orgulho, prontos para se despedir.
- Tenha cuidado, meu filho, estude bastante, mas não deixe de aproveitar esse tempo na faculdade para se divertir, com moderação, é claro – aconselhou Lily, puxando-o para um abraço apertado e depositando um beijo em sua testa, tudo para grande consternação de Tom.
- Sem dúvida! – um animado James tomou a vez da esposa e puxou o filho mais velho para um abraço apertado – esperamos conhecer namoradas ou namorados nas próximas férias.
- Podem esperar sentados – grunhiu irritado ao ver como Harry tentava esconder sua dor desviando o olhar.
- Vamos filho, não é só de livros que se vive a vida.
- Deixe-o em paz, James – revirando os olhos, Lily puxou o marido para a porta – Harry, querido, esperamos você lá embaixo no setor de chaves de portais. E você, Tom, trate de escrever!
- Ok, mãe.
Quando seus pais saíram e fecharam a porta, Harry desabou, mais uma vez. As silenciosas lágrimas caíam livremente de seus olhos enquanto ele escondia o rosto no peito forte de Tom, que o levou para a cama e ficou lá por mais de dez minutos em silêncio, apenas abraçando o pequeno corpo que soluçava em seus braços. No momento em que Harry finalmente se acalmou, Tom o puxou para um beijo doce e sussurrou sobre seus lábios:
- Eu te amo, pequeno.
Harry, abafando os soluços e encarando-o com igual adoração e ternura, respondeu:
- Eu também te amo.
- Você está com o espelho?
- Sim, e não irei me separar dele um minuto sequer – afirmou, tocando suavemente o objeto em seu bolso. De repente, era como se ele tivesse oito anos novamente e seu irmão estivesse partindo para Hogwarts e o único meio de comunicação possível, além da usual correspondência por coruja, consistia no espelho de dois sentidos com o qual Dumbledore lhes presenteara.
- Vamos nos falar todos os dias, pequeno, e se você tiver alguma dúvida quando estiver estudando para os seus N.O.M's ou quando...
- Sim, eu sei – sorriu com ternura, a tristeza, porém, ainda adornando o belo rosto de traços infantis – meu único desejo é ouvir sua voz e senti-lo ao meu lado.
- Não se preocupe meu amor, sempre estarei com você, aqui – afirmou, tocando o peito do menor, no lugar onde pulsava o coração.
Harry assentiu e Tom capturou seus lábios novamente.
- Vejo você no feriado do Natal, pequeno.
- Tudo bem, mas não se esqueça de comprar meu presente – brincou o menor, as lágrimas finalmente dando lugar ao pequeno sorriso corado.
- Pode deixar – com um sorriso de sua própria autoria, Tom tomou seus lábios pela última vez, num beijo doce e apaixonado, que carregava toda a saudade que já consumia seu peito.
Quatro meses...
Seriam apenas quatro meses até o Natal.
Não poderia ser tão difícil esperar... Poderia?
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Harry olhava pela janela do Expresso Hogwarts com uma expressão desolada, o olhar fundo e abatido de alguém que mais parecia estar indo para a própria execução, ao invés de estar a caminho do seu quinto ano na famosa Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Ao seu lado, Draco e Hermione trocavam olhares repletos de preocupação, mas permaneciam em silêncio, pois qualquer tentativa de conversa com o pequeno Gryffindor era contestada com monossílabos desinteressados e um olhar distante. Pansy, por sua vez, não parecia tão preocupada e permanecia a folhear a revista Coração de Bruxa tranquilamente, sabendo que o amigo precisaria de alguns dias para se acostumar à ausência do irmão.
De repente, porém, os quatro adolescentes ouviram um alvoroço na porta da cabine.
- Hey, aluada, aonde você vai sem os sapatos?
- Deixa essa esquisita para lá, McLaggen.
- Sim, aposto que ela esqueceu de trazer os sapatos...
- É uma esquisitona mesmo!
Os risos cruéis ressoavam por todo o trem.
Irritada, Hermione abriu a porta da cabine e se deparou com uma cena horrível:
- O que está acontecendo aqui? – ela perguntou friamente.
No centro de uma roda de Gryffindors e Ravenclaws dos quintos e sextos anos se encontrava uma pequena Ravenclaw de longos cabelos loiros, sobrancelhas muito pálidas, acinzentados olhos grandes que se destacavam em seu rosto sonhador e pequeninos pés descalços, que permanecia imperturbável mesmo sendo alvo de tantos risos e chacotas.
- Cuide de sua vida, Granger.
- E por que você não vai cuidar desse seu cabelo ressecado cheio de pontas duplas, Brown? – Pansy replicou, juntando-se à amiga na porta da cabine e observando a cena com o cenho franzido. Naquele momento, a pequena Ravenclaw se encontrava completamente alheia à discussão lendo uma revista intitulada "O Pasquim", virada de cabeça para baixo, seus pés descalços tocando o chão sem qualquer cerimonia e um sorriso etéreo que desde o início de sua leitura não havia deixado seus lábios.
- Era só o que faltava – Padma Patil desdenhou – a nerd e a boneca Barbie se juntaram para defender a Senhorita Esquisita.
- Eu sei que sou adorável, Patil, uma verdadeira boneca, com certeza – a Slytherin sorriu com malícia – já você, creio que só pode ser comparada a um ogro fedorento.
Uma risadinha escapou dos lábios da pequena Ravenclaw de pés descalços. E, naquele instante, logo antes de as varinhas e os insultos virem à tona, um exasperado Draco Malfoy apareceu na porta da cabine.
- Mas, afinal, o que está acontecendo aqui? Harry já está ficando irritado lá dentro.
Quando ouviram o nome do jovem Gryffindor, alguns estudantes se afastaram e rapidamente voltaram para suas cabines. Eles sabiam que Tom havia se formado no ano passado e provavelmente não estaria na cola do irmão menor, protegendo-o quase obcecadamente como nos últimos anos, mas, mesmo assim, muitos não queriam tentar a sorte.
- Você vem com a gente – disse Pansy, puxando a menina loira para dentro da cabine – E vocês deem o fora daqui, seus inúteis.
Ao bater a porta e voltar para o seu lugar, Pansy notou que aquela cabine agora contava com uma curiosa Gryffindor de cabelos castanhos, que fitava abertamente a menina loira ao seu lado; um Slytherin exasperado, que mantinha os braços cruzados e uma expressão de poucos amigos; um Gryffindor desinteressado, que permanecia com o olhar fixo no espelho-de-dois-sentidos em seu colo, esperando que este tocasse; uma tranquila Ravenclaw, que torcia preguiçosamente seus pequenos pés descalços; e ela mesma, que, naquele momento, olhava para a menina com certa incredulidade.
- Então... Quem é você?
- Luna.
- Luna? – Pansy repetiu, trocando um significativo olhar com Draco e Hermione.
- Luna Lovegood, muito prazer – disse a menina, sorrindo para Pansy. Mas, no instante seguinte, seus olhos se voltaram para Harry – Não fique triste, aqueles que amamos nunca se separam de nós.
- O que?
- Os Narguilés me disseram isso. Eles escondem minhas coisas, mas sempre me dão bons conselhos.
Harry arqueou uma sobrancelha, lançando um olhar intrigado aos amigos, que apenas deram de ombros mostrando que sabiam tanto quanto ele.
- E quem é você?
- Luna – ela sorriu novamente.
Horas mais tarde, com todos reunidos para o jantar de boas vindas, no Salão Principal, a mesa Slytherin abrigava um curioso grupo: Hermione Granger engajada numa acalorada discussão com Draco Malfoy sobre os direitos dos elfos domésticos, Pansy Parkinson ouvindo as recentes matérias que Luna havia lido na revista "O Pasquim", tentando entender o que diabos eram Narguilés, enquanto esta agora usava belos sapatos de marca, cortesia de Pansy, e um sorridente Harry Potter conversando com seu irmão através do espelho-de-dois-sentidos, ignorando todos a sua volta.
Na mesa dos professores, Dumbledore observava aquele curioso grupo com um sorriso.
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Silêncio.
Dizia uma das placas, ao lado do relógio de ponteiros, seguida de diversas outras com recomendações para não comer, beber, ou fumar naquele local, todas em três línguas diferentes: inglês, francês e latim. O local em questão, a biblioteca principal de Cambridge, se assemelhava a um enorme labirinto de prateleiras com livros e pergaminhos dispostos numa arquitetura deslumbrante, janelas do chão ao teto, mesas de mogno, poltronas confortáveis, luminárias e lareiras por todos os lados.
Após assistir sua última aula do dia, "Política Internacional de Tratados Mágicos", Tom se encontrava sentado junto a uma das mesas de mogno, rodeado por pilhas e mais pilhas de livros acerca dos assuntos que seus professores haviam abordado naquele mês e das matérias que pretendia adiantar no próximo semestre, pois seu objetivo era terminar o curso em três anos, ao invés de quatro, como previa a ementa comum. E quando Tom colocava um objetivo em mente, nada podia detê-lo.
Ele não se importava de estudar dia e noite.
Ele não se importava em adiantar matérias e preencher sua grade horária com aulas de manhã, de tarde e de noite.
Ele não se importava de passar a maioria de suas noites enfurnado na biblioteca e após horas e horas de estudo acabar caindo de exaustão sobre os livros.
Ele não se importava com nada disso, contanto que pudesse sair daquele lugar em três anos, com seu diploma repleto de honras e um estágio ou até mesmo um emprego já encaminhado no Ministério da Magia, quando Harry saísse de Hogwarts.
- Com licença – uma voz suave o chamou – Thomas Potter, não é mesmo?
- Sim, posso ajuda-la?
A bonita menina de longos cabelos negros, traços angelicais e um corpo escultural visto claramente por debaixo do vestido lilás muito justo abriu um deslumbrante sorriso, enrolando uma mecha de cabelos nos dedos finos com certa timidez, enquanto o nervosismo misturado à euforia brilhavam em seus olhos:
- Meu nome é Anne, estou na sua classe de "Magia das Trevas e Sanções Penais", com o professor Phill, acho que você não se lembra de mim...
Tom permaneceu em silêncio, encarando-a com apatia.
Não, ele não se lembrava.
E não, ele não se importava.
- Eu... Eu queria dizer que fiquei impressionada com as hipóteses que você levantou sobre a maldição Imperio, quero dizer, tenho certeza de que todos ficaram impressionados, o próprio Sr. Phill não sabia o que dizer – uma risadinha escapou de seus lábios pintados de gloss cor-de-rosa – Então, bem..., você poderia me ajudar a estudar para essa matéria?
- Estou ocupado.
- Não, não precisa ser hoje – acrescentou depressa – um dia desses, quero dizer, apenas se você puder.
- Não posso, sinto muito – replicou sem um pingo de arrependimento, é claro – como disse, estou e permanecerei ocupado.
- Oh, tudo bem, desculpe – murmurou a menina, desviando o olhar – Hum... E você vai à festa do dormitório da ala norte amanhã? Alguns amigos meus estão organizando, nós poderíamos...
- Não, obrigado.
A decepção era evidente nos belos olhos azuis. Tom, no entanto, pouco se importava. Os únicos olhos que aqueciam seu coração eram um par de brilhantes esmeraldas, todos os outros não passavam de janelas vazias, olhos opacos.
- Desculpe incomodá-lo – murmurou outra vez, mordendo o lábio com nervosismo – bem, se decidir aparecer por lá...
Diante do silêncio incômodo e dos olhos castanhos que já começavam a mostrar sinais de irritação, a bonita menina deu um abreve aceno e se afastou de Tom. Este, por sua vez, suspirou, e pôde finalmente voltar à sua leitura, ansiando apenas que o relógio marcasse nove horas para poder apanhar o espelho-de-dois-sentidos e desejar boa noite ao irmão.
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O passar do tempo se arrastou lentamente para Harry, cujos únicos momentos de euforia se resumiam a suas conversas diárias com Tom. Sua apatia, no entanto, havia desaparecido ao longo dos meses para dar lugar à resignação, agora Harry já não ignorava os amigos, até se divertida e desfrutava de sua companhia, principalmente quando a pequena Ravenclaw de longos cabelos loiros e olhos sonhadores se juntava a eles. Luna era uma jovem extremamente tranquila, muitas vezes intrigante, que sempre os divertia com suas histórias e seus personagens fantasiosos, os quais acreditava serem reais, e despertava o lado protetor de ninguém menos que a chamada "frívola rainha do gelo de Slytherin", Pansy Parkinson. Esta já havia amaldiçoado inúmeros estudantes que ousavam caçoar de sua nova e doce amiga, que, por sua vez, parecia pouco se importar com as provocações constantes, exibindo sempre um etéreo sorriso.
Agora, pouco depois do almoço no Salão Principal, Harry se encontrava caminhando em direção às estufas, onde Luna prometera lhe mostrar uma rara flor comestível cultivada por Narguilés, quando três conhecidos Gryffindors bloquearam seu caminho.
- "Ótimo" – pensou sarcasticamente, observando os sorrisos maliciosos que Rony Weasley, Seamus Finnigan e Dino Thomas exibiam.
- Onde está sua babá, Potter? – o jovem Weasley se burlou, colocando-se mais uma vez no caminho de Harry, que, ignorando-os, tentara se esquivar.
- Pobrezinho, Rony – Finnigan se juntou às provocações – Ele está tendo que dormir sozinho agora, de volta na Torre Gryffindor, como se fosse um aluno qualquer outra vez.
Harry revirou os olhos, mas não respondeu. Desde o começo do ano letivo, os três Gryffindor "valentões" o perseguiam com provocações e comentários maldosos, principalmente quando estava sozinho. Ele sabia que o único motivo de os três não tentarem fazer qualquer gracinha à noite, no dormitório, devia-se à constante e perigosa presença de Nagini, a qual cumpria com louvor seu papel de guardiã. Além disso, sua cama, bem como seus pertences pessoais estavam protegidos pelos melhores feitiços que Tom lhe ensinara. Weasley e seus amigos haviam acordado toda a Torre mais de uma vez, gritando de dor, ao tentarem se aproximar de suas coisas.
Quando Rony se aproximou novamente, Harry lhe apontou a varinha:
- Fique longe de mim, Weasley.
- Ui, o gatinho tem garras – os três riram – mas o seu irmão psicopata não está mais aqui para te defender, não é mesmo?
- Não fale do meu irmão!
- Ou o que? – provocou o ruivo, todos os três com as varinhas apontadas para Harry.
- Ou eu vou fazer você engolir suas palavras.
Os três riram novamente, mas Harry não se abalou, os belos olhos verdes treinados nos rapazes com quem dividia o dormitório. Quando ele notou uma luz prateada brilhar na ponta da varinha de Rony Weasley, que pretendia ataca-lo, Harry não pensou duas vezes e conjurou:
- Exepelliarmus! – o que enviou o ruivo para o outro lado do corredor, num doloroso baque contra a parede de pedra.
Dino e Seamus sequer tiveram tempo de raciocinar quando Harry gritou "Avifors!", conjurando uma dezena de pássaros selvagens para ataca-los. Logo, os três saíram correndo dali, seguidos pelas furiosas aves, enquanto Harry observava a cena com um sorriso divertido dançando em seus lábios.
- Tenho certeza de que eles irão pensar duas vezes antes de subestimá-lo agora – uma voz tranquila e melodiosa soou ao seu lado fazendo o pequeno Gryffindor sobressaltar.
- Luna!
- Olá, Harry – a menina sorria despreocupada.
- Você não deveria estar nas estufas?
- Eu vim procurá-lo, você estava demorando a chegar.
- Certo... Bem, acho que podemos ir.
- Sim, podemos.
- Luna?
- O que?
- Pansy não irá gostar de vê-la descalça.
A menina corou, mas deu de ombros, sossegada. E assim, Harry e sua amiga seguiram para os domínios da Professora Sprout, onde flores comestíveis cultivadas por Narguilés os aguardavam.
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Por sorte, antes de o coração de Harry não aguentar mais de saudade do irmão, chegou o feriado do Natal e, com ele, a possibilidade de voltar para casa, onde se encontraria com Tom. Por isso, quando a chave-de-portal trouxe Harry ao límpido gramado verde de sua casa, na companhia de seu pai e de seu padrinho, o pequeno Gryffindor ignorou completamente a sorridente presença de sua mãe e se jogou nos braços de Tom, que havia chegado na noite anterior, e não demorou a prendê-lo em seus braços, desejando nunca mais soltá-lo
- É como se não existíssemos.
- E qual a novidade nisso, minha querida Lily? – perguntou Sirius, divertido.
- Tem razão – os dois riram notando como Harry e Tom seguiam para dentro da casa, ainda abraçados, ignorando todos à sua volta.
Aproveitando que estavam momentaneamente sozinhos na cozinha, Harry roubou um rápido beijo do irmão:
- Eu senti tanto a sua falta.
- Eu também, pequeno, mais do que você imagina – abraçando-o com força, Tom somente se afastou um pouco quando seus pais e Sirius ingressaram no local.
- Quem está com fome? – perguntou Lily, retirando uma generosa travessa de macarrão a carbonara do forno.
- Eu! Eu!
- Essa é uma grande novidade, Sirius – a bela mulher se burlou, arrancando risos de todos, que agora se juntavam ao herdeiro da fortuna Black na mesa.
Logo, a família Potter – e Sirius – se viu saboreando a deliciosa iguaria de Lily, enquanto conversavam sobre amenidades, quando Tom, de repente, lançou um assunto que vinha ponderando há semanas:
- Estou pensando em passar a noite de Natal na casa de campo com Harry, e talvez ficar lá até o ano novo.
- Mas seu pai estará de plantão no quartel general de aurores.
- Serão apenas alguns dias, mãe.
- Mesmo assim, nós não poderemos ir.
- Oh, que pena, então seremos apenas você e eu, pequeno – suspirou, lançando uma piscadela para Harry.
- Mas Harry... Tom...? Vocês têm certeza? – lamentou-se a mulher.
- Sim! – Harry imediatamente respondeu – Quero dizer, como ando estudando muito para os N.O.M's e Tom provavelmente está se matando de estudar na faculdade também, acho que merecemos alguns dias desligados do mundo, relaxando um pouco perto da natureza, apenas curtindo a casa de campo.
- Eles têm um ponto – concordou Sirius, de boca cheia – Estão estudando muito, pobres coitados, precisam de alguns dias para desanuviar. Lembra-se, Prongs, nós costumávamos fazer isso na época dos exames, passávamos horas e horas na Casa dos Gritos jogando Snap Explosivo.
- Sim, eu me lembro, Padfoot.
Lily suspirou, trocando um olhar com o marido, que não pôde fazer outra coisa senão concordar com seus filhos.
- Tudo bem, pedirei que os elfos preparem a mansão para receber vocês amanhã.
- Isso! Obrigado, papai! – Harry gritou radiante, dando um rápido abraço em seu pai para, em seguida, joga-se nos braços de Tom, que sorria igualmente satisfeito.
Balançando a cabeça, obviamente divertidos, seus pais e padrinho não perceberam o olhar apaixonado e cheio de desejo contido que brilhavam nos olhos de Harry e Tom. Na manhã seguinte, estes mal podiam conter a euforia quando se despediram de seus pais. E, no momento em que a chave de portal finalmente os levou à casa de campo da família, os dois se uniram um beijo ardente, sedento, bebendo dos lábios um do outro como um náufrago bebe da água fresca.
Os dois, então, fizeram amor em cada canto da mansão, parando somente para apreciar a deliciosa culinária dos elfos domésticos que, por segurança, haviam sido enfeitiçados por Tom para que não vissem exatamente o que os dois estavam fazendo e contassem a seus pais. Quando não estavam amando um ao outro, selvagemente, lentamente, das mais diversas formas possíveis, os irmãos Potter estavam apreciando a companhia um do outro em silencio, cada um concentrado em sua leitura, ou jogando xadrez, ou apenas conversando sobre seu dia a dia, enquanto permaneciam abraçados, trocando pequenas carícias como agora:
- Então Pansy amaldiçoou esses meninos que estavam caçoando da Luna no meio da aula e o Tio Sev nem percebeu! Ele só apareceu para dar detenção a eles quando seus caldeirões explodiram!
- Posso imaginar a cara deles.
- Foi hilário!
Os dois se encontravam, naquele momento, envoltos por um macio edredom, deitados no tapete da sala de estar em frente à lareira. Seus corpos desnudos ainda conservavam vestígios das atividades praticadas há pouco.
- Fico feliz que você esteja se divertindo no seu quinto ano, pequeno, e não apenas estudando para os N.O.M's, como sua amiga Granger.
- Sim, mas estou preocupado com você – comentou suspicaz, acariciando as marcas de olheiras que somente agora começavam a desaparecer do rosto de Tom – Você não está estudando demais? Eu tenho certeza de que se matricular para o dobro de matérias previstas para o primeiro ano não deve ser fácil.
- Você sabe que eu quero me formar em três anos, não em quatro, assim poderemos nos mudar para nossa própria casa quando você sair de Hogwarts.
- Eu sei, mas estou preocupado com a sua saúde, você parece cansado.
- Você acha mesmo que pareço cansado? Que não estou perfeitamente saudável? – perguntou com malícia, beijando o pescoço alvo e puxando o pequeno corpo de encontro ao seu. Harry, então, imediatamente notou que seu irmão estava cheio de energia e pronto para outra rodada – O que me diz, hum?
- Tom! – murmurou envergonhado, mas correspondendo ao apaixonado beijo mesmo assim.
Logo, o pequeno Gryffindor se viu mais uma vez aprisionado sob o musculoso corpo do irmão, que devorava seu pescoço já repleto de marcas. No instante seguinte, de uma só estocada, Tom voltou a penetrá-lo, tendo sua passagem facilitada pelos fluídos que lá se encontravam. Harry, por sua vez, gemeu em êxtase, agarrando os ombros fortes que ainda conservavam as marcas de suas unhas.
- Tom... Por favor...!
- Diga-me, pequeno, você acha mesmo que estou sem energia? – burlou-se, aumentando a velocidade de suas estocadas – acha que estou fraco e cansado?
- Não... Ah... Eu não... Eu não quis dizer isso... Ah...
Harry, porém, não conseguia mais organizar seus pensamentos.
Ele estava perdido nas sensações de prazer que os certeiros golpes de Tom lhe proporcionavam. Este, enquanto isso, sorria com malícia, deixando pequenos rosnados de prazer rasgar sua garganta ao sentir como o menor se contorcia deliciosamente sob seu corpo.
Logo Tom impusera um ritmo que fazia Harry ver as estrelas, movendo-se cada vez mais forte, cada vez mais rápido, preciso, o som de seus corpos se chocando ressoando por toda a sala. Quando ele agarrou os quadris de Harry para mantê-lo no lugar, este já não conseguia conter os gritos de prazer e no momento em que uma das mãos de Tom agarrou seus cabelos e o puxou para um beijo ardente, Harry acabou se derramando novamente sobre o tapete caro de sua mãe.
Quando Tom puxou para fora, um pequeno suspiro escapou dos lábios de Harry, que, no entanto, logo se viu virado de costas com as coxas espalhadas para o sorriso sensual de seu irmão. Tom então empurrou novamente para a entrada de Harry, que, ainda hipersensível, se contorceu e gritou de prazer. Instantes depois, os quadris do maior batiam contra Harry de uma forma que o fazia soluçar e implorar por mais. Eles sabiam que só haviam passado alguns minutos, mas cada minuto parecia durar uma eternidade.
Finalmente, os dois chegaram ao ápice do prazer, Harry sob seu abdômen e Tom em seu interior, inundando-o com sua semente pela décima ou décima terceira vez só naquele dia. Sinceramente, eles já haviam perdido as contas.
- Então? – perguntou Tom, um sorriso preguiçoso enfeitando suas feições, ambos ainda tentando normalizar a respiração.
- Tudo bem, me desculpe.
- E...?
- E eu retiro o que disse, ó soberano irmão. Eu admito que você está cheio de energia – afirmou, resignado, soltando um pequeno gemido ao sentir o maior sair de seu corpo com cuidado.
- Ora, obrigado, pequeno.
- Engraçadinho – os dois riram.
Instante depois, Harry suspirou e, com a cabeça descansando no peito forte do irmão, murmurou com pesar:
- Não quero voltar para Hogwarts, Tom, não quero ficar longe de você.
- Também não quero ficar longe de você, meu amor, mas no momento é preciso. Pelo menos agora falta pouco mais de dois anos para voltarmos a viver juntos... – garantiu, acariciando com ternura os cabelos bagunçados do menor – Falta pouco, muito pouco...
Tom havia prometido a si mesmo que, custe o que custar, ele se formaria em três anos e, assim, quando Harry saísse de Hogwarts, eles estariam prontos para começar uma vida juntos, só os dois.
- Logo nada, nem ninguém, poderá tirá-lo dos meus braços, pequeno.
- Sim... – Harry sorriu, pois ele sabia que era verdade. Tom nunca havia mentido para ele – Mal posso esperar...
Dois anos...
Só mais dois anos... – pensavam Harry e Tom.
Continua...
Próximo Capítulo:
- Então isso significa...
- Significa que não somos realmente irmãos.
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N/A: Olá, meus amados e pacientes leitores, tudo bem com vocês? Espero que sim e espero também que vocês me perdoem pela demora em atualizar. Já não tenho desculpas para me justificar, posso apenas citar a correria do dia a dia, mas saibam meus amados, que em momento algum deixo de pensar em vocês. Por mais que eu talvez, ou quase sempre, demore, nunca irei abandoná-los!
Quanto ao capítulo de hoje, o que acharam? Nada como um Lemon para matar a saudade, não é mesmo? Pobre Harry e Tom, tendo que pensar no futuro, mas os dois mal sabem o que está por vir... Pela pequena prévia vocês podem imaginar que alguns segredos virão à tona, será que isso irá influenciar seu relacionamento? Será que os dois confrontarão seus pais para saber a verdade? Será que essa informação os deixará com a consciência mais tranquila, ou pouco importa? Estas e outras respostas vocês poderão conferir no próximo capítulo. Então, por favor, mandem suas Reviews!
Só posso dizer uma coisa, meus amores, a partir do vigésimo primeiro capítulo, as coisas não ficarão nada fáceis para Harry e Tom... Esperem e verão!
Gostaria de aproveitar para agradecer de todo o coração pelas Reviews de:
LorenLohana... CamiCw... CristinBay... Loohana... Malukita... VictoriaLombardi... Sandra Longbottom... Mertriqs... lunynha... Jasper1997... lightwalnut64... tarsilag... Dyeniffer Mariane... FaFaVe... Nicodemos V. Alexandrov... Tisifone... yggdrasil001... thesecretpassage1... Ana Paula- A.P... Jack Liv... vrriacho... Barbara Vitoria e Anjelita Malfoy!
Um grande Beijo!
E até o próximo capítulo de Amnésia!
