Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, Lemon, a saber, sexo explícito entre os personagens, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.
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Marvolo Gaunt, nascido em 1870, falecido em 1924, puro-sangue, linhagem Gaunt, Slytherin e Peverell, visto pela última vez em Little Hangleton.
Seu avô.
Morfin Gaunt, nascido em 1900, falecido em 1943, puro-sangue, linhagem Gaunt, Slytherin e Peverell, condenado à prisão perpétua em Azkaban pelo assassinato de cinco muggles, fugiu da prisão em 1940, visto pela última vez em Little Hangleton.
Seu tio.
Mérope Riddle, nascida em 1907, falecida em 1926, puro-sangue, linhagem Gaunt, Slytherin e Peverell, vista pela última vez em Little Hangleton.
Sua mãe.
Tom Riddle, nascido em 1905, falecido em 1943, muggle, visto pela última vez em Little Hangleton.
Seu pai...
Um franzir de cenho irritado se desenhou no bonito rosto de Tom. Seu pai era um muggle, um maldito muggle que vivera há mais de setenta anos atrás, e sua mãe verdadeira, Mérope, ao que tudo indica, morrera aos dezenove anos de idade após dar a luz a ele em algum momento nesta confusa e incompatível linha do tempo. No entanto, quanto mais Tom pesquisava, quanto mais ele testava feitiços de reconhecimento de linhagens mágicas, quanto mais pergaminhos e livros sobre genealogia familiar com base no sangue se acumulavam em sua escrivaninha, menos ele vislumbrava como aquilo poderia ser verdade.
Segundo todos os registros, em suas veias corria o mesmo sangue de um dos fundadores de Hogwarts, de um dos magos mais poderosos de todos os tempos. Ele fazia parte das linhagens Gaunt, Slytherin e Peverell, linhagens puras, poderosas e até então extintas, tendo seu antepassado mágico mais próximo, seu tio Morfin, morrido décadas atrás.
Nada disso fazia o menor sentido.
Seu nascimento, seus antepassados. Era uma verdadeira loucura.
Mas essa loucura tinha um denominador comum: Little Hangleton.
Uma aldeia situada entre duas colinas íngremes, ao norte da Inglaterra, perto da maior comunidade de Grande Hangleton, com pouco mais de cem habitantes e cerca de 200 milhas de distância de Little Whinging. Sua igreja e cemitério estavam claramente visíveis, como todo pequeno povoado muggle e do outro lado do vale, na encosta oposta, encontrava-se uma mansão considerável cercada por uma vasta extensão de aveludado gramado verde.
Tom, no entanto, havia aparatado nas profundezas do bosque que rodeava o povoado e, com um feitiço de localização simples guiado pelo sangue, chegou ao local que procurava: a casa da família Gaunt. Se é que poderiam chamar aquilo de casa. Quase com nojo ele discerniu o barraco escondido entre o emaranhado de troncos, rodeado por árvores que bloqueavam toda a luz solar e a vista do vale abaixo. Ele se perguntou como uma família de sangues puros pudera um dia viver ali, então se lembrou de ler em algum lugar que séculos de endogamia na família Gaunt havia causado pobreza e uma veia de instabilidade e violência. Adorável. Pensou com sarcasmo.
Ele estava prestes a abandonar o local quando um brilho curioso rodeado de energia mágica chamou sua atenção. Um poderoso feitiço de proteção ocultava uma pequena caixa de prata sob a madeira solta de um dos pisos. Um feitiço que somente seria identificado por um membro da família, constatou Tom, apanhando a caixa. Esta guardava aquele que talvez fosse o único tesouro deixado por seus antepassados: um anel de ouro com uma pedra negra no centro, gravada com o que Tom se lembrava de ver no brasão da linhagem Peverell, isto é, uma linha dentro de um círculo, dentro de um triângulo. Era poderoso e bonito a sua maneira. E pertencia a ele.
Ao sair do casebre, Tom lançou neste um feitiço de demolição simples e silencioso que, sem muito esforço, varreu do mapa aquela deplorável casa como um último favor à orgulhosa linhagem Gaunt. Então, seguindo para a encosta oposta do povoado, Tom se deparou com a mansão antiga, mas bem cuidada, com vista para o vale. Sem sombra de dúvidas, a mansão Riddle. Curiosamente, as luzes estavam acesas e um ruído abafado de vozes e uma gritaria característica de crianças brincando vinha de lá.
Pensando friamente, Tom se aproximou das grandes portas de madeira da entrada e tocou a campainha antiga, que badalou como um sino. Instantes depois, um homem de pouco mais de trinta anos, olhos e cabelos escuros e rosto perturbadoramente parecido ao seu saiu à porta para atendê-lo.
- Boa noite, posso ajudá-lo?
- Imperio.
Quando a maldição proibida impactou o muggle desavisado, este ficou a completa mercê de Tom.
- Querido, quem é? – a voz de uma mulher gritou de dentro da casa.
- Ninguém – disse Tom.
- Ninguém – repetiu o homem, em voz alta para sua mulher ouvir.
- Você está saindo para uma caminhada.
- Estou saindo para uma caminhada, querida, volto já – disse ele, mecanicamente, os olhos sem foco e escurecidos.
- Tudo bem – respondeu a mulher.
- Siga-me – ordenou Tom. Então, em instantes, ambos estavam escondidos pelas árvores do pequeno bosque que rodeava a propriedade – Você irá responder minhas perguntas com a verdade, sem ocultar qualquer conhecimento que eu possa julgar útil.
- Sim senhor.
- Você conheceu Tom Riddle?
- Sim senhor.
- Quem ele era?
- Meu avô.
Tom estreitou os olhos. Ele não poderia ser tio de um muggle medíocre, poderia? Bem, parece que sim.
- Conte-me sobre ele.
- Ele era orgulhoso, intolerante, frio, de boa aparência, mas desinteressado com tudo o que não dissesse respeito a ele mesmo. Casou-se com a avó Cecilia, que deu a luz a meu pai, pouco depois de um acontecimento estranho que não estamos autorizados a falar a respeito.
- Diga-me sobre este acontecimento.
- Antes de se casar com a avó Cecilia, ele se casou com uma mulher miserável, feia e esquisita que vivia num casebre caindo aos pedaços fora do povoado. Mérope. Este era o nome dela. Eles viveram juntos por quase dois anos e todos no povoado diziam que meu avô fora enfeitiçado pela mulher maligna. Uma bruxa, eles diziam. Então, num dia eles descobriram que ela estava grávida e pouco depois ela desapareceu. Tom nunca quis saber do paradeiro dela ou da criança que estava por nascer.
Uma poção do amor, deduziu Tom. Sua ingênua mãe usara uma poção do amor para fazer o muggle nojento amá-la, então se viu gravida, contou a verdade e pensou que ele a aceitaria. Pobre mulher estúpida.
- Quando isso aconteceu? – perguntou por fim.
- No outono de 1925.
Isso é ridículo, pensou o Slytherin. Como sua mãe poderia ter dado a luz pouco antes de morrer, em 1926, e hoje ele ter 21 anos de idade?
A menos que...
- Volte para sua casa e esqueça tudo o que conversamos. Diga para sua esposa que você achou ter ouvido um barulho estranho e resolveu investigar, mas era apenas um gato.
- Sim senhor.
Quando o homem desapareceu de suas vistas, Tom respirou fundo e decidiu voltar ao dormitório. Afinal, logo Harry voltaria para a Torre Gryffindor, após o jantar de boas vindas, e poderiam se falar pelo espelho de dois sentidos.
Em sua mente, uma hipótese começava a clarear:
Alguém havia interferido em seu passado para, talvez, mudar seu futuro.
Quem?
Por quê?
Seria seu passado tão sombrio a ponto alguém interferir nas leis do espaço-tempo para roubá-lo como um bebê dos braços de sua mãe e entregá-lo à família Potter? James e Lily saberiam de toda a verdade? Teria Dumbledore algo a ver com isto?
Tom não tinha qualquer resposta.
Mas logo, logo, descobria.
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Dias depois à visita a Little Whinging, Tom adiantou todas as suas provas, trabalhos e seminários finais, formando-se na Faculdade de Direitos e Leis Mágicas de Cambridge, com honras, no meio do semestre, numa cerimônia privada, a qual apenas sua família, seus professores, o diretor e o próprio reitor da faculdade assistiram. Este último lhe entregou o diploma com um aperto de mãos firme e um olhar admirado, afirmando que nenhum outro aluno de sua Universidade conseguira tal feito.
- Posso pergunta por que o senhor decidiu se formar em três anos e meio, senhor Potter?
- Bem, reitor Willians, por mais que eu preze meus estudos e o aprendizado adquirido em sua instituição de ensino, devo dizer que, no momento, tenho outras prioridades – afirmou, olhando de soslaio para Harry, que conseguira dispensa em Hogwarts para assistir a formatura do irmão.
Durante a noite, Tom ignorou habilmente seus pais e padrinhos, inclusive no jantar de comemoração no restaurante do famoso bruxo Gordon Ramsay, amigo da família e chef brilhante. Ele dedicava toda sua atenção a Harry e juntos faziam planos para quando o menor se formasse, daqui alguns meses.
- Você tem certeza de que ficará bem com papai e mamãe em Godric's Hallow?
- Sim, pequeno – garantiu, afagando delicadamente sua mão por baixo da mesa – Serão apenas alguns meses até você se formar, enquanto isso irei cuidar dos preparativos para nossa mudança e para meu ingresso no Ministério da Magia no próximo ano.
- Tem certeza?
- Absoluta. Até porque Lily nos contou que James mal para em casa devido aos ataques da Ordem Negra e ela mesma está ocupada com sua escolinha no povoado.
- Tom, por favor, não seja tão frio, eles são nossos pais.
O Slytherin arqueou uma sobrancelha, mas permaneceu em silêncio.
- Você vai me contar o que descobriu?
- Agora não, pequeno – suspirou – Na sua próxima ida a Hogsmeade poderemos conversar melhor.
- Tudo bem. Eu amo você.
- Eu também amo você, Harry.
Naquela noite, os dois se despediram com um abraço apertado e um beijo no rosto, diante do olhar de sua família. Harry e Remus voltaram para Hogwarts, Sirius para Grimmauld Place e Tom e seus pais para Godric's Hallow.
- Está tudo bem, querido?
- Sim, mãe – mentiu, as palavras deslizando de sua boca com facilidade – Com licença, irei para o meu quarto agora, quero acordar cedo e ver algumas casas em Londres amanhã.
- É claro, querido.
- Boa noite, meu filho. Estamos orgulhosos de você – disse James, sorrindo.
Tom retribuiu ao sorriso com frieza e subiu às escadas.
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- O que você está fazendo, Pansy?
- Uma lista.
- Uma lista? – Harry arqueou a sobrancelha sentando-se ao lado da amiga na mesa Slytherin. Hermione, que também havia se juntado a eles, mal conseguia acreditar que sua amiga já estava no quinto pergaminho da tal lista, algo que Pansy não escrevia nem para os ensaios mais exigentes de Snape.
- Posso perguntar sobre o que é essa lista? – questionou Hermione, servindo-se de algumas batatas.
- Você pode – assentiu Pansy, orgulhosamente. Ao seu lado, Draco revirou os olhos, querendo matar os amigos por tocarem no assunto, pois Pansy estava desde as primeiras aulas da manhã falando disso – Trata-se de uma lista com algumas coisinhas que preciso comprar em Hogsmeade para o Baile de Formatura.
- Algumas coisinhas?
- Sim, meu querido Harry. Todo o resto pedi para minha mãe encomendar em algumas boutiques em Paris, e chegará semana que vem.
Desde que Dumbledore anunciara que, pela primeira vez na história de Hogwarts, os alunos do sétimo ano teriam um Baile de Formatura no final do ano letivo, Pansy havia enlouquecido e começado a planejar cinco looks diferentes para usar naquela noite. Ela não era a única, é claro. Todas as meninas do sétimo ano, e algumas dos anos anteriores que haviam sido convidadas por algum formando, estavam animadíssimas para comprar joias e vestidos deslumbrantes para a festa. A maioria dos meninos, porém, estava vivendo o "pesadelo do Baile de Inverno" novamente.
- Não sei por que Dumbledore inventou esse baile agora – comentou Harry.
- Porque seu aluno favorito irá se formar – provocou Draco, ganhando um revirar de olhos de Harry, que lhe mostrou a língua.
O pequeno Gryffindor, no entanto, estava mais ansioso que Pansy para a ida à Hogsmeade, no dia seguinte, não para comprar adereços para o baile, mas para ver seu irmão. Isto porque eles não se viam desde a formatura de Tom, há alguns meses, e, para Harry, parecia uma eternidade.
De repente, uma tranquila Luna se juntou a eles na mesa, ainda comendo colheradas de seu potinho de pudim. Pansy, naquele momento, parou tudo o que estava fazendo e sorriu para a menina.
- Olá, Luna.
- Olá.
- Está animada para o baile?
- Baile? – murmurou confusa. Então, pareceu se lembrar – Oh, sim, Neville me convidou.
Pansy ficou muda.
Harry, Draco e Hermione trocaram um olhar receoso.
Luna, no entanto, saboreava tranquilamente seu pudim.
- Você vai ao baile com Longbottom? – a Slytherin perguntou lentamente.
- Sim.
- Com Neville Longbottom?
- É. Ele me convidou e eu aceitei – respondeu Luna, como se aquilo fosse óbvio.
Fervendo de irritação, Pansy se levantou, apanhou seus pergaminhos e saiu do local sem ao menos pedir licença. Luna, por sua vez, olhou para os demais sem entender nada.
- Eu disse alguma coisa errada? – perguntou preocupada.
Harry, no entanto, sorriu e balançou a cabeça.
- Não, Luna, você não disse nada errado.
A menina parecia confusa, então Harry acrescentou:
- Mas talvez você deva dizer a Neville que não poderá ir com ele ao baile.
- Oh... – vendo o local por onde Pansy havia saído, Luna se levantou disposta a segui-la – Sim, tem razão. Com licença.
- Você acaba de salvar a cabeça de Longbottom, Harry – Draco comentou, divertido.
- Sim, eu sei.
Os três riram. Então Harry, com um sorrisinho malicioso no canto dos lábios, perguntou:
- E você, Mione, com quem irá ao baile?
- Comigo – Draco se apressou a responder, pegando a menina e a si mesmo de surpresa – Quero dizer... Er...
- Vamos, não é tão difícil – Harry provocou, ganhando um chute do amigo por baixo da mesa.
Draco, então, respirou fundo e perguntou:
- Você quer ir ao baile comigo, Hermione?
Depois de alguns eternos segundos, que deixaram o pobre Slytherin tremendo de nervosismo, a menina respondeu:
- Sim – o rosto tingido de vermelho, mas um sorriso bonito dançando em seus lábios.
Harry aplaudiu, ganhando olhares confusos de todo o Salão Principal, outro chute de Draco e um peteleco na cabeça de Hermione. Mas o jovem Gryffindor não podia deixar de sorrir. Ele estava realmente feliz por seus amigos.
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No dia seguinte, em Hogsmeade, Harry se despediu de seus amigos para encontrar Tom no Três Vassouras. O local estava tão cheio como sempre acontecia nos dias de visita dos estudantes de Hogwarts, mas Harry logo pode distinguir seu irmão numa mesa afastada, o manto escuro cobrindo seus ombros largos e o cabelo negro sempre perfeitamente arrumado. O pequeno Gryffindor deixou um pequeno sorriso adornar seus lábios enquanto se aproximava do maior. Ele sentia tanta falta de Tom, mas agora estavam cada vez mais perto de viverem juntos e felizes para sempre, por mais clichê que possa soar ao ouvidos de qualquer um.
- Hey... – Harry cumprimentou, depositando um rápido beijo nos lábios de Tom e se sentando à sua frente na mesa.
- Olá, pequeno.
- Está esperando há muito tempo?
- Não, mas eu esperaria o tempo que fosse preciso para vê-lo.
- Não seja bobo... – murmurou Harry, corando.
Tom apenas sorriu, entrelaçando sua mão com a de Harry sobre a mesa.
- Gostariam de pedir alguma coisa, meninos? – perguntou Madame Rosmerta, lançando um olhar de soslaio para as mãos entrelaçadas.
- Duas cervejas amanteigadas e dois Fish & Chips – falou Tom, sem se preocupar em olhar para a mulher, que rapidamente anotou o pedido e os deixou a sós.
- Como estão as coisas em casa?
- Bem.
- Tom... – Harry o encarou suspicaz.
O Slytherin então suspirou:
- James quase não para em casa, devido aos ataques da Ordem Negra, às vezes o vejo de relance, mas ele passa quase vinte e quatro horas por dia no quartel general de Aurores. Lily também anda cada vez mais ocupada com a escola, mas ainda a vejo durante a noite, no jantar.
- E você descobriu mais alguma coisa? Quero dizer, sobre seus verdadeiros pais?
- Na verdade, descobri sim. Eu deveria ter contado antes, mas nunca estávamos sozinhos e não confio tanto naquele espelho para falar algo assim...
- O que você descobriu? – Harry perguntou na língua das cobras.
- Estive em Little Hangleton há alguns meses, antes de sair de Cambridge, e falei com o neto de Tom Riddle, que me contou toda a história do relacionamento de Tom com Mérope.
- Como?
- Eu posso ter usado um "Imperio" nele.
- Oh Merlin... – Harry revirou os olhos, mas sorriu, conhecendo os métodos sutis do irmão – E o que ele disse?
Tom lhe contou toda a história na língua das cobras, longe dos ouvidos indiscretos, saboreando a cerveja amanteigada e a deliciosa culinária do pub. Harry, por sua vez, ouviu atentamente, ao mesmo tempo assustado e fascinado com a história por detrás do nascimento do irmão.
- Quem poderia ter feito algo assim? E por quê? Por que alguém alteraria as leis do espaço-tempo para fazê-lo crescer nesta época?
- Não sei pequeno, mas pretendo descobrir.
Estava entardecendo quando Harry e Tom saíram do Três Vassouras, mas as ruelas de Hogsmeade ainda estavam repletas de estudantes gastando suas mesas nas mais diversas bugigangas que todas as lojas poderiam oferecer. De repente, porém, o céu se tornou um breu, feitiços obscuros começaram a atingir os desavisados e gritos de horror puderam ser ouvidos por todo o local.
A Ordem Negra estava atacando Hogsmeade.
- Socorro!
- Cuidado!
- A Ordem Negra...!
- Corram!
Imediatamente, Tom alçou a varinha e agarrou a mão de Harry, protegendo-o a suas costas. No instante seguinte, a praça principal se viu repleta de magos e bruxas com vestes negras e máscaras prateadas. Então, o caos teve início: os membros da Ordem Negra não se importavam com nada, senão torturar os nascidos muggles e mestiços que ali se encontravam. Gritos eram ouvidos por todos os lados. Gritos de terror sempre ao som da Maldição Cruciatus. Alguns estudantes mais velhos, os professores que estavam por lá e um ou outro habitante do povoado tentavam resistir, revidavam com feitiços agressivos, tentavam proteger os menores, mas estavam em evidente desvantagem.
- Crucio!
A maldição passou a centímetros do rosto de Harry, que foi rapidamente puxado por Tom. Os olhos deste, então, ganharam um característico e perigoso brilho escarlate.
- Avada Kedrava – sentenciou o Slytherin, com um hábil movimento de varinha e um sussurro na língua das cobras. Então, o bruxo que atacou Harry caiu sem vida no chão. E o pequeno Gryffindor, por sua vez, estremeceu, mas não soltou a mão do irmão.
Observando o caos a sua volta, Tom, obviamente nem um pouco preocupado com quem sairia vivo daquele confronto, começou a puxar o menor em direção à casa dos gritos.
- Venha, vamos sair daqui.
- Espere!
Mais adiante, perto do Café Madame Puddifoot, Harry viu Draco e Hermione tentando se defender dos brutais ataques de três bruxos mascarados.
- Precisamos ajudá-los, Tom, por favor!
- Er... – Tom se viu tentado a perguntar "por quê?", mas ao ver os suplicantes olhos verdes do irmão, não pode fazer outra coisa senão assentir – Tudo bem.
Eles tentaram cruzar as ruas do povoado rapidamente, o que se mostrou quase impossível, pois a cada esquina havia um confronto, maldições obscuras atingindo jovens inocentes, homens e mulheres mascarados destruindo tudo por onde passavam. Tom, é claro, livrava-se das maldições direcionadas a ele e ao irmão com maestria, retribuindo aos ataques com maldições obscuras sussurradas na língua das cobras que levavam os bruxos que os atacavam a gritar de terror como os pobres estudantes que até então se viam sob suas miras. Para o Slytherin, aquilo tudo não passava de uma perda de tempo, um confronto ridículo com magos e bruxas que se denominavam das trevas, mas que sequer conheciam metade do seu repertório de feitiços obscuros.
- Vamos, Tom... Estamos quase lá...
- Não se preocupe, pequeno, iremos salvar seus amigos – afirmou, ainda que aquilo lhe parecesse um gasto de tempo e energia desnecessários, mas Tom não poderia negar nada a Harry.
Quando estavam a poucos metros de Draco e Hermione, que até então se mantinham firmes repelindo os ataques, os irmãos se detiveram diante de uma nuvem negra que interrompeu seu caminho. Era como se estivessem diante de uma centena de dementadores. Os ataques pararam, os gritos morreram em lábios angustiados, todos se mantiveram imóveis.
Apenas o frio e a angustia pairavam sobre aquele local.
E o terror, silencioso, mortal, nos olhos daqueles que contemplavam o manto negro e a máscara dourada do ser mais perigoso na Grã Bretanha até então: o Imperador.
O Imperador chegara à Hogsmeade.
E trouxera com ele desesperança, medo e destruição.
Naquele momento, a poucos passos daquele ser aterrorizante, Harry fez o que qualquer um em seu lugar faria, escondeu o rosto no peito de Tom. Este, por sua vez, abraçou sua cintura com força, a outra mão sujeitando firmemente a varinha, enquanto seus olhos frios mediam cada pequeno movimento do Imperador. Ele não estava com medo. Tom mataria qualquer um que se atrevesse a machucar seu irmão, e isto incluía o próprio terror do mundo mágico: o Imperador. E quem quer que estivesse em seu caminho.
Então, olhos negros e cruéis se voltaram aos meninos à sua frente.
- Ora, ora... O que temos aqui? – a voz distorcida magicamente fez quase todos nas proximidades se encolherem de medo, Tom não era um deles. Ele permaneceu em silêncio, sem desviar o olhar ou a varinha do Imperador.
Harry estremeceu, mas sabia que estava seguro nos braços do irmão.
O Imperador, por sua vez, sorriu friamente por detrás da máscara.
- Um doce casal apaixonado... – o ressentimento evidente em sua voz – Não é adorável? Talvez eu deva torturar o menorzinho primeiro, fazê-lo sofrer diante de tal olhar destemido e arrogante.
- Você não tocará nele – sibilou Tom, furioso.
- Oh... – a luz verde brilhou na ponta da varinha do Imperador.
- Tente – desafiou Tom – apenas se atreva a tocar nele e seu ridículo império de terror acaba hoje. Você está morto.
- Tom... – Harry murmurou em seu peito, abraçando-o com força.
Uma luz de reconhecimento então surgiu no olhar negro do Imperador. Cabelos negros, rostos aristocráticos, vestes de qualidade e descaso para com o mundo... Aqueles dois eram os irmãos Potter. Thomas e Harry Potter, este o famoso menino que sobrevivera à maldição da morte. Sim, não cambiam dúvidas. Seus olhos suspicazes, porém, notaram o que poucos até então puderam perceber: aquele abraço íntimo, a fúria nos olhos do maior, a tranquilidade com a qual o menor se deixava manusear pelo outro... Oh, essa postura não era de irmãos, pelo menos não de uma notória família da luz.
Eles eram amantes.
Os olhos do Imperador brilharam diante de sua descoberta e imediatamente ele baixou a varinha.
- Eu vejo que a nobre família Potter foi maculada por um costume característico das famílias mais obscuras.
Tom ficou lívido.
Então o Imperador sussurrou apenas para os seus ouvidos e os de Harry:
- Oh, sim, tão belo e puro é o incesto...
Naquele momento, porém, chegaram os Aurores, que logo iniciaram uma baralha brutal com os membros da Ordem Negra para proteger os estudantes e os habitantes de Hogsmeade. O Imperador, por sua vez, estava pronto para acabar com todos aqueles que ousavam interrompê-lo quando ouviu:
- Harry! Tom! – gritou James.
- Afaste-se deles! – rugiu Sirius, logo atrás do amigo.
Tom observou com fascinação e certa curiosidade o momento em que a mão enluvada do Imperador tremeu, suas pernas fraquejaram e um pequeno som ofegante, distorcido pela magia na voz, alcançou seus ouvidos.
O que isto significava...?
Seus pensamentos, porém, foram interrompidos pela ordem alta e clara:
- Retirada!
No instante seguinte, o Imperador desapareceu.
E junto com ele, todos os seus seguidores.
- Vocês estão bem, meninos? – perguntou James, a preocupação e o medo evidentes em seus olhos.
- Sim – respondeu Tom. Harry, no entanto, permaneceu com o rosto enterrado em seu peito, concentrando-se apenas no perfume masculino e tranquilizador do irmão.
Naquela noite, os dois dormiram abraçados num dos luxuosos quartos de Salazar Slytherin, na Câmara Secreta, sabendo que em poucos meses estariam juntos, dormindo nos braços um do outro de uma vez por todas.
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Finalmente, o grande dia.
Pelo menos para os estudantes do sétimo ano da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, os quais hoje receberiam seus diplomas e seriam então magos e bruxas formados pela famosa escola da Grã Bretanha. Querendo consagrar este momento e esquecer os horrores trazidos pela Ordem Negra nos últimos meses, Dumbledore insistira em fazer um baile de formatura para os estudantes, familiares e convidados, que, aos poucos, iam chegando ao magicamente expandido Salão Principal naquela noite. Este, por sua vez, encontrava-se ricamente decorado com tons claros, fluídos e leves, enquanto o colorido ficava por conta dos arranjos de flores com as cores das quatro casas espalhados por todo o local. As pequenas mesas circulares estavam espalhadas pelo salão, cada qual com o nome de um formando, reservada para seus amigos e familiares. Pequenas ilhas de comidas deliciosas se dividam nos quatro cantos do salão, enquanto bandejas flutuantes traziam qualquer drink solicitado. Por fim, o céu estrelado pela arte da magia completava aquele belo cenário.
- Será que estamos atrasados? – murmurou Lily, ao ver que o salão estava quase cheio de convidados.
- Não, ainda não começou... Veja, lá está Tom! – apontou James, vendo seu filho mais velho sentado numa das mesas próximas ao palco que substituía a mesa dos professores, no qual os formandos subiriam em breve para receber seus diplomas.
- Hey, Tom! – cumprimentou Sirius, sentando-se ao seu lado – Por que saiu mais cedo?
- Porque vocês obviamente se atrasariam.
- Não estamos atrasados – protestou James.
- Por pouco – replicou Lily, que estava belíssima em seu vestido lilás esvoaçante, cabelo preso num coque alto e maquiagem leve destacando a beleza de seus olhos.
- Teríamos chegado mais cedo se vocês dois se arrumassem mais rápido.
- Isso não é justo, Moony!
- Nós somos bonitos demais para ficarmos prontos depressa.
James e Sirius, de fato, estavam de tirara o fôlego em seus fraques pretos com coletes cinza, James usando uma gravata bordô e Sirius com uma azul escura. Remus, por sua vez, usava um terno azul marinho e uma expressão cansada em seus olhos, pois a lua cheia havia sido há poucos dias.
- Silêncio – disse Tom, calando-os – vai começar.
Dumbledore subiu ao palco numa escandalosa túnica vermelha e dourada, que fez a maioria dos Slytherins revirar os olhos e pensar "sempre um velho tendencioso", seguido por McGonagall, num sóbrio vestido preto. O diretor, então, lançou um feitiço para amplificar sua própria voz e se dirigiu aos demais:
- Queridos alunos, pais e amigos aqui presentes, hoje mais uma etapa da vida desses jovens se cumpriu e em tempos tão sombrios, nada é mais gratificante do que poder celebrar tal conquista com aqueles que lhes são queridos. Sendo assim, gostaria de desejar a todos uma ótima noite. Desfrutem!
- Muito bem – McGonagall tomou a palavra, voltando-se para a fila de estudantes nervosos que esperavam ao lado do palco – Quando eu disser seus nomes, venham pegar seus diplomas.
Harry, no meio da fila, cruzou o olhar com o irmão. Este sorriu, encorajando-o, e o pequeno Gryffindor logo se viu retribuindo ao sorriso, animado com o que estava por vir.
- Susan Bones!
A Hufflepuff que outrora fora uma garotinha de rosto rosado saiu aos tropeços da fila, como na primeira vez em que colocou o chapéu seletor, recebeu o diploma das mãos do diretor, cumprimentou os professores chefes de casa e rapidamente correu para a mesa em que estava sua família.
- Hermione Granger!
Hermione estava deslumbrante num vestido vermelho Chiffon de um ombro, plissado e cravejado de strass no decote, os cabelos castanhos caiam com um leve ondulado nas costas e nem mesmo a bela maquiagem conseguia disfarçar seu rubor diante do olhar orgulhoso de McGonagall.
Harry aplaudiu, animado, observando-a seguir para mesa onde Luna e a família de Pansy se encontravam, já que seus pais, por não possuírem magia, não puderam vir a Hogwarts.
- Draco Malfoy!
Draco caminhou altivamente até o palco, o olhar orgulhoso de um verdadeiro sangue-puro, num terno de três peças verde escuro e gravata prateada. Ele apertou a mão de Dumbledore com um ar de nojo característico e seguiu para a mesa Malfoy, na qual Narcisa aplaudia contidamente e Lucius permanecia com o olhar frio inabalável.
- Rony Weasley!
Com certa diversão, Harry observou o Weasley caçula nas mesmas vestes ridículas do baile de inverno apanhar o diploma com as orelhas vermelhas de vergonha diante do alvoroço de sua espalhafatosa família.
Seguiram-se os demais. Nott... Pansy, maravilhando a todos num vestido de seda preto, sem mangas, repleto de diamantes cravejados no decote e estilo sereia. Finnigan... Bott..., depois as duas gêmeas, Patil e Patil... E então, finalmente:
- Harry Potter!
"Oh, Merlin..." – pensou Harry, então respirou fundo e subiu ao palco sob inúmeros aplausos e o sorriso orgulhoso do irmão.
- Meus parabéns, Harry, meu filho – cumprimentou Dumbledore, entregando-lhe o canudo de cetim preto com o tão esperado diploma.
- Obrigado, senhor.
- Seja forte, meu menino – disse Dumbledore, enigmaticamente. Então Harry, ainda um pouco atordoado, cumprimentou os demais professores e seguiu para a sua mesa. Toda a sua confusão de repente se esvaiu, vendo-se rodeado pelos fortes braços de Tom.
- Parabéns, pequeno.
- Obrigado – Harry sorriu e os dois precisaram conter o impulso de se beijar apaixonadamente. Logo, Harry saiu dos braços do irmão para ganhar um beijo de sua chorosa mãe e um abraço apertado de seu pai e de seus padrinhos.
- Parabéns, Harry.
- Estamos orgulhosos.
Harry se sentou ao lado do irmão para acompanhar o final da cerimônia. No entanto, suas atenções foram reivindicadas por Tom, que lhe sussurrou no ouvido:
- Você está irresistível, pequeno.
O pequeno Gryffindor corou, baixando o olhar. De fato, Harry estava adorável vestindo calças brancas que abraçavam seu corpo nos lugares certos, camisa da mesma cor e uma bela túnica de seda verde cravejada de centenas esmeraldas que ganhara de sua mãe como presente de formatura.
- Você também, Tom – murmurou ainda corado, sem deixar de observar de soslaio como seu irmão parecia um verdadeiro príncipe de contos de fada naquele smoking preto, com gravata borboleta verde esmeralda combinando com a própria túnica de Harry, camisa branca impecável e sapatos pretos de verniz. Tudo isso, é claro, combinado ao sorriso no canto dos lábios e olhar sedutor que bebiam cada pequeno movimento do jovem Gryffindor naquele momento.
Por fim, quando a cerimônia acabou e todos os formandos estavam agora com seus amigos e familiares, a banda favorita de Harry – As Esquisitonas – subiu ao palco começou a tocar uma valsa suave para que os primeiros casais de formandos abrissem a pista de dança. Logo, Pansy e Luna, Draco e Hermione – para grande irritação de Lucius Malfoy – e muitos outros casais começaram a dançar sob a bela melodia. Harry, por sua vez, mordeu suavemente o lábio inferior, mas, em seguida, abriu um lindo sorriso ao ver Tom se levantar e lhe estender a mão.
- Concede-me esta dança?
- Todas – brincou o Gryffindor, tomando a mão oferecida e seguindo para o meio do salão, sob os olhares divertidos e alheios de seus familiares. Afinal, dançar nos braços um do outro era mais do que comum para todos que conheciam Harry e Tom.
À medida que as horas se passaram, as melodias suaves deram lugar às musicas pop-rock famosas e jovens e adultos agora dançavam animados no meio do salão. É claro que magos e bruxas sangues-puros como os Malfoy não permaneceram por muito tempo na festa, mas isso não impediu que seus filhos se entregassem à diversão, como fazia Draco agora, dançando com Hermione com os olhos brilhando e um sorriso genuíno adornando seus lábios pela primeira vez.
- Obrigado por aceitar vir comigo ao baile – disse Draco, tentando se fazer escutar sob a música alta.
- O que?
- Eu disse obrigado por vir comigo!
- O que? – a menina fazia o possível para tentar entendê-lo, mas, sob as batidas da música, não era uma tarefa fácil.
- Obrigado...!
- Quê?
Draco finalmente perdeu a paciência e a beijou.
Naquele momento, Harry passava pelos dois com a segunda taça de ponche nas mãos – que quase deixou cair – e imediatamente assobiou e aplaudiu. Tom, por sua vez, apenas revirou os olhos e comentou:
- Até que enfim.
O pequeno Gryffindor então olhou para o lado e riu.
- Pansy conseguiu ser mais rápida de novo.
A Slytherin, que naquele momento usava um vestido curto na cor prata adornado com centenas de cristais swarovski, pressionava Luna contra a parede devorando seus lábios como se suas vidas dependessem disso. A Ravenclaw, por sua vez, usava um belo vestido azul claro ao estilo princesa e correspondia ao beijo com igual intensidade e, pela primeira vez, seus pensamentos não estavam voltados aos Narguilés.
- Somente depois de sete anos seus amigos se acertaram?
- Não seja mau, Tom – Harry lhe mostrou a língua, divertido –, nem todos podem ter a mesma sorte que nós.
- De fato, eu posso dizer que tenho muita sorte por você ser meu.
Harry corou.
- Merlin, quero tanto beijá-lo agora, pequeno.
- E eu quero beijar você – suspirou o Gryffindor, escondendo o rosto no pescoço do irmão.
- Talvez possamos sair daqui sem ninguém perceber.
- Sim! Há uma sala vazia aqui por perto... – os olhos verdes brilhavam de desejo e Tom já não conseguia mais se conter:
- Vamos.
Sorrateiramente, como faziam desde a infância, os irmãos desapareceram sob o som alto, as luzes das centenas de velas, em meio ao falatório, aos risos e a todo o alvoroço que acontecia do salão. Logo, os dois ingressaram numa das salas de aula vazias no corredor que dava acesso às masmorras, próximo ao salão principal, uma sala mal iluminada e repleta de mobilha velha, que, no entanto, parecia perfeita. Perfeita porque, naquele momento, eles estavam sozinhos.
Imediatamente, seus lábios se buscaram num beijo apaixonado, repleto de desejo e saudade contida. E, sem se separarem, Harry tomou impulso e rodeou com suas pernas a cintura de Tom, que lhe segurou com firmeza, depositando-o no que deveria ter sido a mesa do professor alguns séculos atrás.
- Finalmente, pequeno... – Tom murmurou contra seus lábios, os olhos escurecidos de desejo – Saindo daqui hoje, nunca mais estaremos separados de novo.
- E se eu quiser fazer faculdade? – provocou o menor.
- Você poder fazer o que quiser, mas nunca estará longe de mim outra vez.
- Nunca – garantiu, puxando o paletó do smoking para longe do corpo de Tom e tentando abrir os botões de sua pulcra camisa. O Slytherin, por sua vez, sorriu e rapidamente se desfez do paletó, da gravata e da camisa, em seguida, despiu Harry de sua bela túnica e da bonita camisa branca.
- Nós podemos ser pegos, pequeno.
- E você está... Oh... Tão preocupado com isso... – riu, pressionando seus corpos para provar seu ponto, momento em que um gemido contido escapou de ambos os lábios – Vai me dizer que você nunca pensou em fazer isso comigo numa sala de aula vazia?
- Você nem imagina.
No instante seguinte, Tom se desfez das calças brancas do menor, jogando-as para o lado com o resto de suas roupas e conjurando um feitiço lubrificante rápido, começou a prepará-lo com os dedos, lentamente, enquanto saboreava o pescoço alvo deixando pequenas marcas possessivas. Harry, por sua vez, contorcia-se de deleite sob os cuidados do irmão. Então, quanto os dedos se tornaram um, depois dois, então três em seu interior, ele já não podia esperar mais.
- Por favor, Tom... – gemeu, os olhos fechados em abandono.
O Slytherin não se fez rogar e ao ver que o menor estava bem preparado, desabotoou a própria calça em busca do alívio tão desejado. Finalmente, quando os dois estavam intimamente conectados, as respirações pesadas, as pequenas gotas de suor escorrendo pela nuca, seus corpos estavam completos, suas almas entrelaçadas. Então, quando Tom começou a se mover, em estocadas leves e profundas, Harry, de olhos fechado, pensou estar no salão principal, pois as mais belas constelações dançavam sob suas pálpebras.
- Eu te amo tanto, pequeno... – murmurou Tom, a voz rouca em sua nuca.
- Eu também te amo... Ah...
O que os dois sequer podiam imaginar era que seus pais, naquele momento, buscavam-nos por todo o salão principal, pois James teria plantão no Quartel General de Aurores no dia seguinte e queria voltar para casa agora.
- Onde está o mapa do maroto quanto precisamos dele? – suspirou Sirius, ganhando um aceno do amigo.
- De fato – concordou James – Mas você se esquece, Padfoot, que feitiços de localização são minha especialidade.
- Essa eu quero ver.
Lily, ao lado dos dois, revirou os olhos, mas seguiu o marido quando este conjurou um simples feitiço de localização para buscar seus filhos.
- Eles não estão no salão principal – observou Remus, seguindo os demais para o corredor que levava às masmorras.
- Devem ter escapado para tirar um cochilo numa das salas vazias – ponderou James, olhando para a varinha que girava como uma bússola na palma da mão – são crianças, afinal.
- Crianças? – o lobisomem arqueou uma sobrancelha, mas resolveu não discutir.
Chegando ao local que o feitiço indicava, James ingressou pela porta sem se preocupar em bater.
Ele nunca se arrependeu tanto.
Lá dentro, naquela sala da aula imunda e esquecida, seus filhos estavam nus, as respirações pesadas e os corpos ainda intimamente conectados, tendo acabado de fazer sexo. James estava sem fala. O nojo e o desprezo brilhavam em seus olhos. Ao seu lado, Lily deixou escapar um grito abafado, o que pareceu trazer Harry e Tom à realidade:
- Mamãe... Papai... – murmurou Harry, os olhos arregalados.
Na mesma hora, Tom saiu com cuidado de dentro do irmão e fechou a calça. Então, ele se colocou na frente de Harry para protegê-lo, conhecendo o nojo que brilhava nos olhos de James: o mesmo nojo com o qual Lucius Malfoy contemplara o intercâmbio de seu filho com a menina nascida muggle.
- Como vocês ousam...? – perguntou James, apertando os punhos – Como ousam praticar tais atos nojentos, degradantes, dignos das famílias mais obscuras! Como ousam? Vocês! Que carregam o sobrenome Potter!
- Papai... – os olhos de Harry se encheram de lágrimas. Envergonhado, ele rapidamente tentou se cobrir com a túnica esquecida no chão.
Lily, naquele momento, chorava de desgosto, incapaz de olhar para seus filhos.
No mundo muggle aquele tipo de ato seria impensável.
Ela se orgulhava de não ser como Petúnia, de lutar pelas causas dos desfavorecidos, mas aquilo... Aquilo era nojento! Seus próprios filhos! Isso só podia ser um pesadelo.
- Onde eu errei? Oh, Merlin... O que eu fiz? Onde eu errei?
- Mamãe... – Harry tentou se aproximar dela, mas seu pai o impediu.
- Não se atreva a chegar perto de nós assim... Imundo! – rugiu James – Ainda pingando o sêmen do seu próprio irmão!
- Mas papai...
- Vocês são nojentos!
- Não seja hipócrita – replicou Tom, puxando Harry para os seus braços sem se preocupar com o ódio e o nojo destilados no olhar de sua própria família – Nós não somos realmente irmãos, você sabe disso.
Todos ficaram em silêncio. Surpresos.
Lily quase engasgou com as próprias lágrimas, mas James rapidamente retomou a palavra:
- Sim, nós o adotamos quando você era um bebê e foi deixado na porta da nossa casa, mas isso não importa. O parentesco sanguíneo não importa. Vocês foram criados como irmãos. E irmãos não devem se relacionar dessa forma!
Sirius, ainda parado na porta ao lado de Remus, que também observava a cena com evidente surpresa, não conseguia entender a repugnância nas palavras de seu amigo e as lágrimas histéricas de Lily. Tudo bem, sua família era considerada uma família de tradições obscuras, mas, de todos os horrores que os Black praticaram ao longo dos séculos, os relacionamentos consanguíneos estavam longe de ser um deles. Ele se lembra dos tios, primos de sua mãe, que, mesmo sendo irmãos, se casaram sob as bênçãos da família e viveram felizes, um dos poucos Black que não se interessavam por magia negra ou por fazer mal a alguém. Ele mesmo não havia se casado com Bellatrix por ela ser louca, e por não amá-la, não por ser sua prima.
- James, acalme-se – o herdeiro da fortuna Black tentou intervir.
Mas James estava fora de si.
- Eu não criei vocês dois para arrastarem o meu nome na lama assim!
- Papai, por favor, nós nos amamos.
- Amor? Isso não é amor! Isso é uma doença!
Remus estremeceu ao ver as lágrimas brilhando nas belas esmeraldas de Harry. Ele sabia bem o que era ser alvo de olhares enojados e furiosos com os quais James e Lily estavam fitando seus filhos agora. Seus próprios pais o miraram assim quando souberam de sua condição lupina. Por isso, como Sirius, ele tentou intervir:
- James, Lily, sejam sensatos, por favor, eles são seus filhos.
- Meus bebês não fariam algo tão sujo... – murmurou Lily, incapaz de encarar os meninos que até então significavam tudo em sua vida.
Harry soluçava, abraçados às costas de Tom. Este, por sua vez, dirigia-lhes um olhar frio e desinteressado:
- Se é assim, já que não somos mais seus filhos, saiam daqui e nos deixe em paz.
- Como se eu fosse deixar os dois denegrir o nome Potter novamente – rosnou James – Vamos para casa agora. Lá, decidiremos o rumo que vocês irão tomar, mas tenham certeza de uma coisa, vocês não ficarão juntos mais um dia sequer.
Tom riu.
- Em seus sonhos, pai – replicou com sarcasmo.
Vendo que seu irmão estava a ponto de alcançar a varinha e amaldiçoar seus pais, Harry se adiantou e se aproximou de James:
- Por favor, papai, tente entender... Nós amamos vocês e sentimos muito, mas o que sentimos um pelo outro é inexplicável...
- É uma desgraça, isso sim!
- Não, papai...
- Cale a boca, sua puta! – James gritou, fora de si, e desferiu um doloroso tapa no rosto de Harry, que caiu no chão, um gemido angustiado e doloroso escapando de seus lábios.
No instante seguinte, uma luz vermelha atingiu o peito do patriarca da família Potter, que voou para trás, indo de encontro à parede do corredor fora da sala. Tom lhe apontava a varinha, que faiscava enraivecida como sua própria magia, os olhos vermelhos brilhando de fúria.
- Não se atreva a tocar nele!
- Como ousa, seu bastardo!
Lily gritou, em choque, observando o marido e seu filho mais velho começarem um duelo ensandecido. Logo, feitiços elaborados e perigosos rasgavam os ares de Hogwarts e atraiam a atenção de muitos dos convidados que ainda restavam no salão. James tentava descontar toda a sua fúria em Tom, sabendo ter sido este o responsável por macular o menor. E o Slytherin, por sua vez, estava cegado de ódio pelo tapa desferido em seu irmão.
- Confringo!
- Protego – sibilou Tom, um prazer sádico dançando em seus olhos ao ver o horror de James perante o feitiço conjurado na língua das cobras – Sectumsempra!
- Protego Horribilis!
As luzes voavam de um lado para o outro numa velocidade alarmante. Explosões eram ouvidas, como se Hogwarts estivesse sob ataque e um grupo de estudantes e pais alarmados se aglomerava naquele corredor, observando a cena horrorizados, mas nada parecia distrair James e Tom de sua sede de vingança.
- O que está acontecendo aqui? – perguntou Dumbledore, chegando ao local. Mas, ao observar Harry chegar ao seu lado com a roupa mal colocada, o cheiro inconfundível e a face avermelhada, o reconhecimento e a tristeza brilharam em seus olhos.
- Por favor, senhor... Detenha-os – pediu Harry.
- Tarde demais. Eles vão se matar – observou Snape.
Harry então levantou o olhar e reconheceu a inconfundível luz verde brilhando na ponta da varinha de seu irmão.
Oh, Merlin...
Na mesma hora, sem se preocupar em ser atingido por qualquer feitiço ou maldição, o Gryffindor se jogou na frente de Tom:
- Pare! Não faça isso, Tom!
Os olhos vermelhos mal conseguiram distingui-lo.
- Ele bateu em você – grunhiu com ódio – Ele te chamou de...
- Eu sei. E não importa. Por favor, Tom, eu não sobreviveria se você fosse para Azkaban.
James estava caído no chão, sagrando e indignado, vendo-se derrotado e humilhado como o Chefe dos Aurores. Sua maior indignação, porém, concentrava-se nos dois jovens tão parecidos à sua frente. Na forma como Harry abraçava o irmão, olhava-o com amor e adoração, algo tão improprio para uma família nobre e seguidora da luz como os Potter, algo que estivera lá desde os primeiros anos da infância dos dois e que ele fora tolo o bastante para não ver. Pouco depois, Lily chegou ao seu lado para ajuda-lo a se levantar e James, com todo o seu orgulho, cuspiu para dois meninos:
- Vocês não são mais meus filhos.
Tom apenas o encarou friamente, mas Harry sentiu os olhos se encherem de lágrimas e, com um pequeno soluço, voltou-se para a mãe, para a mulher que tanto amou e que admirou a vida toda:
- Mamãe...
Lily, porém, desviou o olhar:
- Eu não quero... – ela balançou a cabeça, tentando afastar as imagens que a deixavam com nojo – Eu não quero algo assim acontecendo na minha casa.
- Ótimo. Porque nós não pensamos em voltar para a sua casa. Tampouco precisamos do seu dinheiro – acrescentou, olhando com ódio para James, que, após cuspir um pouco de sangue, perguntou com ironia:
- E irão viver como? Onde? Pedindo esmolas nos becos da Travessa do Tranco?
Sirius, que até então observava o intercâmbio preocupado, mas sem intervir, adiantou-se, parando ao lado de seus afilhados:
- Nada disso. Eles virão comigo.
- Não se atreva a interferir, Padfoot!
O herdeiro dos Black, no entanto, balançou a cabeça e pela primeira vez se mostrou tão sério e maduro conforme sua idade:
- Você sabe que minha família sempre foi composta por um bando de idiotas, elitistas e, quase sempre, praticantes de magia das trevas, James. Mas, às vezes, esses idiotas amavam uns aos outros, a sua maneira, é claro. E muitas vezes este amor surgia entre primos, tios, irmãos e não há nada de errado com isso.
- Sim, diga isso à sua prima lunática.
- No momento, você se parece tão lunático quanto ela – com essas últimas palavras e um olhar frio a seu melhor amigo, Sirius se voltou para seus afilhados e lhes estendeu uma chave de portal – Vamos, meninos.
No instante seguinte, os três desapareceram do alvoroçado corredor de Hogwarts para aterrissar no número doze de Grimmauld Place.
Continua...
Próximo Capítulo:
- Sirius disse que poderíamos ficar quanto tempo quiséssemos em Grimmauld Place.
- Eu sei que esse lugar é horrível – grunhiu Tom, irritado – mas é temporário. Nós não precisamos da esmola dele, nós não precisamos de ninguém. Eu posso cuidar de você.
-x-
N/A: Olá, meus amores! Tudo bem com vocês? Espero que sim. E espero que vocês me perdoem pela demora, porque, como vocês estão cansados de saber... Ou seja, como vocês estão cansados de ouvir meus lamentos, a vida profissional e acadêmica não é nada fácil, mas nós vamos levando do jeito que dá... – sorriso animado – A boa notícia, porém, é que o TCC vai bem... Bem lento, mas segue caminhando... Mas eu pude escrever este capítulo bem grande porque, como vocês bem sabem, eu amo vocês!
Quando ao capítulo, o que acharam? Felizes? Enfurecidos? Querendo lançar um Crucio no James, outro na Lily e depois um Avada Kedrava nos dois? Neste último caso, eu entendo e peço que me perdoem aqueles que gostam do James e da Lily, eu também gosto dos dois, mas a vida precisa de uma complicação às vezes para nos fazer enxergar as coisas boas que nos rodeiam... – lágrimas nos olhos – Filosófico, né? Hahahaha...
Espero que vocês tenham apreciado o capítulo de hoje e que tenham amado o Sirius tanto quanto eu! Sou Team Black agora! Brincadeira, sempre serei Team Riddle – pisca.
Caso tenham gostado, ou se desejam lançar um Crucio em mim também, deixem suas Reviews! – sorri animada, indo se esconder atrás do Tom e do Harry.
Aproveito para deixar meus agradecimentos especiais à:
Gabi... TaiSouza... Sandra Longbottom... Anjelita Malfoy... Lóren... Tisifone... Barbara Vitoria... Srta Potter... Dyeniffer Mariane... Gustavo... SrtaSnape2014... Nataly Arisa... FaFaVe... Estrela Carmesim... yggdrasil001... e Cris Cruz!
Um grande Beijo!
E até o próximo capítulo de Amnésia!
