Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, Lemon, a saber, sexo explícito entre os personagens, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia. (3) – Novidades ao final do capítulo, confiram!

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Choque.

Medo.

Ódio.

Estes foram os sentimentos que inundaram Tom quando, naquele entardecer, ao voltar da Borgin & Burkes, deparou-se com a porta de sua casa destrancada e Nagini imobilizada no chão. Harry havia sumido. E depois da visita de Malfoy e Lestrange à loja e do convite rejeitado, não cabiam dúvidas de quem era o responsável por aquilo, quem jamais se contentaria com um "não" como resposta e para persuadi-lo – para não dizer, chantageá-lo – usaria Harry, a única pessoa que importava em sua vida, sua única fraqueza.

- Eu vou matá-lo.

Não era um desejo.

Não era uma ambição dita num momento de ódio.

Era um fato. O Imperador morreria naquela noite. Tom iria matá-lo.

- Primeiro você precisa encontrá-lo – disse Nagini. Ela estava tão furiosa quanto ele, pois seu querido filhote havia sido levado sob as suas próprias escamas sem que ela pudesse fazer qualquer coisa para salvá-lo.

- Eu sei – murmurou, com ódio, após o quinto feitiço de localização que conhecia não dar qualquer resultado.

Ele estava prestes a aparatar para a Mansão Malfoy e torturar Lucius até este lhe contar onde Harry e o Imperador estavam, quando, de repente, uma segunda presença se fez manifesta em sua mente. Era uma sensação conhecida, uma sensação que o lembrava de seu tempo na escola, quando Harry tentava contata-lo usando o link que os unia pela cicatriz. Concentrando-se um pouco, Tom se viu em meio a um campo de batalha repleto de sangue e corpos pelo chão, imobilizado, com lágrimas deslizando de seus olhos pelo rosto amordaçado, assustado. Ele estava vendo aquele cenário pelos olhos de Harry. E o palco de tudo aquilo era um só, o qual pôde distinguir pelo majestoso castelo que se erguia ao fundo: Hogwarts.

O Imperador estava atacando Hogwarts.

A batalha final pelo controle do mundo mágico havia começado.

Para Tom, porém, nada disso importava. Sua única preocupação sempre seria uma só: Harry.

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Era indubitável para todo o mundo mágico que Alvo Dumbledore era um dos magos mais poderosos e brilhantes que já havia existido, mas nem sequer ele mesmo poderia imaginar testemunhar uma cena como aquela: Hogwarts, o cenário de uma guerra. Uma guerra incitada pelo ódio contra mestiços e nascidos-muggles. Uma guerra incitada pelo desprezo daquilo que se considera diferente, daquilo que, erroneamente, magos e bruxas de sangues-puros consideram pior, inferior, sujo. Mas, no final das contas, era apenas sangue.

Sangue que agora se derramava pelos terrenos da famosa Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Sangue inocente. Sangue de vítimas da barbárie do ódio. Sangue daqueles que tentavam proteger o único ponto de resistência que ainda restava no mundo mágico contra o Imperador. Todos os outros locais já estavam tomados pelo ódio, pelo medo, pela destruição. Mas Hogwarts ainda resistia. Hogwarts estava lá para todos aqueles que se opunham ao ódio, à corrupção dos valores e à perseguição de inocentes. Hogwarts agora era o quartel general dos Aurores que ainda restavam, das famílias que se opunham ao novo regime, das criaturas mágicas que fugiam do reinado de terror do Imperador. E, naquele momento, todos lutavam por suas vidas.

- Não é possível – disse o professor Flitwick, quase sem fôlego, lutando ao lado a lado das estátuas convocadas por Minerva para proteger o castelo – Desde quando a Ordem Negra se tornou um exército tão grande?

- Desde que criaturas das trevas como dementadores, ogros e lobisomens mercenários se juntaram a eles – respondeu a professora de transfiguração, que lutava bravamente ao seu lado para proteger as crianças escondidas no castelo.

De fato, a Ordem que há anos começara tímida, pequena, apenas um punhado de magos e bruxas com pensamento elitista encantados pelo discurso do misterioso Imperador, agora era nada menos que um exército de centenas de magos, bruxas, criaturas das trevas e mercenários sanguinários que estavam a um passo de destruir a última resistência contra o seu governo forjado em repressão, ódio e sangue inocente.

- Onde ele está? – uma voz gritou na multidão, uma voz que Sirius reconheceu logo.

- Ele ainda não deu as caras, James.

- Maldito!

Os dois agora lutavam lado a lado, como antes, colocando de lado diferenças e rancores passados para proteger aqueles que amavam e deter o Imperador.

Todos estavam há horas tentando resistir aos ataques, defendendo-se como podiam, atacando com as poucas energias que ainda lhes restavam, mas nada parecia capaz de deter a Ordem Negra. Se um inimigo caía, dois apareciam para tomar o seu lugar. E eram todos magos e bruxas e criaturas das trevas treinados para matar contra um punhado de aurores, professores, cidadãos mágicos comuns e estudantes que mal sabiam manejar direito a varinha num duelo.

Mesmo Alvo Dumbledore tinha dificuldades na batalha contra seus oponentes, lutando não contra um, dois, ou três magos impecavelmente treinados, mas dez magos e bruxas que compunham o esquadrão de elite da Ordem Negra, dentre os quais Lucius Malfoy se destacava:

- Pronto para desistir, meu velho?

- Por quê? Está ficando cansado, Lucius?

- Não, meu caro Alvo – ele riu, lançando outro feitiço que o diretor conseguiu desviar a duras penas, pois todos os demais o atacavam ao mesmo tempo – Mas sua barba pode estar um pouco suja de sangue...

O diretor apenas esboçou um sorriso tranquilo.

Ele poderia até morrer ali, mas protegeria sua escola a todo custo.

- Professor, o senhor está bem? – perguntou uma preocupada Hermione, colocando-se juntamente com Draco Malfoy ao lado do diretor de Hogwarts para ajudá-lo naquela batalha.

- Sim, minha querida, mas a ajuda de dois jovens brilhantes como vocês é muito bem vinda.

Lucius olhou com desgosto para o seu filho, ali, parado ao lado da sangue-ruim, pronto para lutar lado a lado com Dumbledore.

- Você é o meu maior desgosto, Draco.

- Digo o mesmo, pai.

A batalha continuou sangrenta por horas a fio e o cansaço e desespero se faziam cada vez mais presentes nos rostos daqueles que lutavam para proteger a escola. Eles viam familiares, amigos e pessoas com as quais dividiram os últimos dias caindo mortas aos seus pés, tanto sangue inocente derramado, tantas famílias desfeitas, tantos futuros eliminados com apenas um balançar de varinha. E tudo isso para que? Para satisfazer o ódio e as ambições de um homem. Apenas pelos caprichos elitistas do Imperador. E onde estava o monstro que orquestrara todo aquele cenário de morte e destruição? Muitos, com medo, ódio ou desprezo, poderiam se perguntar ao não avistá-lo no meio da batalha. De repente, porém, a máscara dourada se fez reluzir no alto de uma colina próxima ao castelo com vista privilegiada para o campo de batalha.

O mais assustador, no entanto, não foi reconhecer a máscara dourada no alto daquela colina, ou ver como o possuidor desta máscara marchava lentamente com mais uma centena de seguidores às suas costas, mas ver, aos seus pés, um jovem e conhecido rapaz amarrado, com lágrimas nos olhos e um filete de sangue escorrendo pela testa, sendo arrastado pelo chão com um feitiço, as vestes sujas e ensanguentadas.

- Harry!

Aquele grito angustiado apertou o coração daqueles que lutavam contra a Ordem Negra. Era o grito de uma mãe preocupada, arrependida e arrasada, que temia que a última vez a ver o seu filho fosse aquela e tudo por culpa do seu orgulho e de seus valores deturpados.

James, um pouco mais adiante, também sentiu o coração falhar uma batida ao ver o filho naquele estado. Todas as desavenças de repente foram esquecidas. Toda a raiva e o desgosto que em algum momento havia sentido desapareceram e deram lugar ao medo de perder seu filho, ou, possivelmente, seus dois filhos, pois se Harry estava ali naquelas condições, isto significava que Tom certamente estava morto.

Não.

Não.

NÃO!

Ele não perderia seus filhos.

Ele ainda precisava pedir perdão por agir de forma tão estúpida e absurda.

- Sirius...!

- Vamos!

Após uma rápida troca de olhares, os dois eternos melhores amigos correram em meio à batalha, desviando dos feitiços, conjurando contra ataques, guardando as costas um do outro, até chegarem próximos ao Imperador. O que, no entanto, foi inútil. Logo eles se viram rodeados por uma dezena de magos, bruxas e criaturas das trevas prontos para dilacerá-los e ouviram a distorcida voz do Imperador:

- Matem o Potter e tragam Black até mim, vivo.

Não. Ele não poderia morrer ali, pensou James. Ele tinha que pedir perdão ao seu filho. E, com esse desejo em mente, James colocou todo o seu coração naquela batalha. Mas, quanto mais tempo passava, mais ele e Sirius se sentiam esgotados, batalhando com um número de inimigos quase sem fim e cada vez mais distantes de salvarem Harry.

Quase todos se sentiam assim, esgotados, sem esperança, com medo de que aquele seria o fim. Dumbledore olhava preocupado para o seu jovem pupilo amarrado sob os pés do Imperador, a quem, naquele momento, ele não podia ajudar, pois junto com Hermione e Draco – que também olhavam desesperados para o seu amigo – tentavam deter o círculo interno da Ordem Negra. Enquanto isso, Lily, Remus e Moly Weasley faziam de tudo para impedir que Acromântulas agressivas derrubassem as portas do castelo, mas os olhos da matriarca da família Potter a todo o momento se desviavam para o seu filho e as vãs tentativas de seu marido ajudá-lo. Ela estava tão preocupada. Se Merlin os ajudasse a sobreviver e sair vitoriosos daquela situação ela iria pedir tanto perdão e com certeza se tornaria uma pessoa melhor.

Mas não parecia nem um pouco provável que eles fossem sobreviver àquilo.

Isto é, até aquele momento.

Uma luz branca característica de alguém aparatar para um local pôde ser vista no centro do campo de batalha. Era uma luz muito mais poderosa, porém, que cegou a todos por quase um instante. E junto dela veio uma explosão, que jogou a todos ao seu entorno quase dez metros para trás. Então, no centro da pequena cratera onde a luz havia se formado, um homem de vestes negras, cabelo negro impecável e implacáveis olhos vermelhos pôde ser visto.

- O Imperador está tão morto... – Pansy disse o que muitos pensavam naquele momento, quase sem prestar atenção nos seus próprios oponentes para olhar a aproximação do filho mais velho dos Potter ao local onde estava o Imperador.

Tom caminhava sem pressa, a passos firmes, o olhar vermelho fixo no Imperador e uma aura negra rodeando-o. Era como se sua própria magia o cobrisse com um escudo negro e mostrasse a todos o que era um mago das trevas de verdade. Qualquer feitiço lançado em sua direção, naquele momento, ricocheteava e voltava com o dobro de força a quem o havia lançado, que instantaneamente caía morto no chão.

O Imperador, ao ver aquela cena, sentiu algo que nunca havia sentido:

Medo.

- Matem-no! – ordenou quase desesperado a seus seguidores – Agora!

Em vão.

Quando Tom chegou a poucos metros de distância, ele havia deixado um rastro de membros da Ordem Negra mortos no chão, isso sem sequer levantar a varinha e sem tirar os olhos do seu verdadeiro objetivo.

- Como você ousa? – Tom perguntou friamente, após um breve olhar ao irmão, que agora o encarava com olhos chorosos, mas esperançosos do chão.

- Vamos, rapaz. Eu lhe dei uma chance de se juntar a mim.

- E eu educadamente declinei.

- Eu não lido bem com rejeições.

- E eu não lido bem com o sequestro do meu irmão – seus olhos vermelhos reluziram e o Imperador, temeroso, deu um passo para trás – Você teve uma chance de ganhar esta guerra, de se tornar o governante supremo do mundo mágico, de fazer o que quer que você quisesse com nascidos-muggles, eu não me importava. Eu e meu irmão iríamos sair desse país em breve, sem olhar para trás, e você poderia dançar sobre o túmulo de quem você quisesse, colocar esta escola e o mundo mágico inteiro em ruínas, se este fosse o seu desejo... Mas você foi estúpido o bastante para colocar as mãos sobre ele.

- Tom... – Harry murmurou, tentando se soltar das cordas mágicas e chegar até o irmão.

- E por isso – continuou Tom, desfazendo-se das cordas que prendiam Harry com um simples balançar de sua mão direita – você vai morrer aqui hoje.

No instante seguinte, Harry foi magicamente trazido para o lado de Tom e se viu protetoramente rodeado por Nagini e por uma força mágica reluzente, prateada, que parecia envolvê-lo numa bolha, algo como um escudo, que ao mesmo tempo curava seus ferimentos e o revigorava.

Todos esperavam por uma batalha épica, mas as chances do Imperador logo se fizeram quase nulas, quando Tom recitou algumas palavras em Parsel e um exército de Inferi eclodiu do chão banhado de sangue, todos sedentos por destruir cada um dos membros da Ordem Negra. Dumbledore olhou espantado para aquela demonstração de controle das artes das trevas e poder quase absurdos. James, por um momento, sentiu medo de seu filho e os demais mal podiam acreditar que estavam testemunhando tamanho poder. Nem mesmo o Imperador poderia acreditar naquilo.

Logo a batalha se viu dominada pelos Inferi e os poucos membros da Ordem Negra que restavam com vida tentavam escapar a todo custo, aparatando com o pouco da magia que lhes restava para longe dali. Os próprios aurores, estudantes e professores que até então lutavam por suas vidas e para salvar a última resistência ao Imperador se afastaram temerosos do exército de mortos vivos que se alimentava da magia e do sangue de seus oponentes e logo todos se viram apartados num canto observando Tom duelar com o Imperador.

Eles quase tiveram pena do Imperador, pois este durou poucos minutos nas mãos de Tom.

- Alvo, faça alguma coisa – Minerva chegou desesperada ao lado do diretor – Tom irá matá-lo.

Dumbledore, porém, não a ouvia. Ele tinha o estranho pressentimento de que precisava estar em seu escritório antes do badalar da meia-noite.

- Com licença, Minerva.

- O que...?!

- Quando isto acabar, por favor, diga aos Potter que eu gostaria de vê-los na minha sala.

- Mas, Alvo...!

O diretor se afastou tranquilamente do local e desapareceu no interior do castelo sob olhares curiosos, olhares estes, no entanto, que logo foram tomados pela surpresa e o horror quando Tom, com um movimento certeiro de varinha, estilhaçou a máscara dourada que cobria o rosto do Imperador.

- Você! – ofegou Sirius, chocado.

Ele e muitos outros a sua volta.

Bellatrix Lestrange cuspiu um pouco de sangue quando caiu de joelho aos pés de Tom. Então, ela começou a rir. E cuspir mais sangue. E rir. Insanamente. Um riso que fez um arrepio de terror percorrer a espinha de muitos. Aquela mulher completamente louca era o Imperador.

- Por que, Bella...? – murmurou o animago, sem conseguir acreditar que sua prima fizera tudo aquilo.

- Por quê? – Ela riu novamente. Um riso gelado e agudo, interrompido apenas pela tosse e o cuspir de sangue – Ora, querido Sirius, eu só queria ser sua. Desde que eu era uma menina e tia Walburga prometeu que nos casaríamos, eu queria ser sua esposa. Mas então você preferiu um lobisomem nojento, um bando de traidores do sangue e de sangues-ruins... – ela declarou com ódio – E eu resolvi exterminar todos eles. Limpar o nosso mundo mágico. E então certamente eu teria você para mim.

- Certamente – James comentou com ironia, ganhando um olhar fulminante da mulher enlouquecida – Infelizmente, seus planos acabam aqui, Lestrange. Você está presa sob a acusação de terrorismo contra o mundo mágico.

- Não – Tom interrompeu sem sequer voltar os olhos ao pai – Eu fui bem claro ao dizer que ela morre aqui hoje.

- Mas...

- Não interfiram.

- Tom, se você matá-la...

- Estarei detendo uma terrorista e agindo dentro da lei, como cidadão mágico inglês, nos termos do código de proteção civil do mundo mágico, livro I, parágrafo XIV, que diz claramente que "se para impedir um terrorista for necessário matá-lo, qualquer cidadão tem o aval do ministério para fazê-lo".

- Mas ela deve ser presa, julgada e punida pelos crimes que cometeu.

- Ela está morta – disse Tom, simplesmente – Ela está morta desde o momento que colocou as mãos sob Harry.

O medo pareceu reluzir no olhar enlouquecido de Bellatrix, que tentou se arrastar pateticamente para longe de Tom, o qual a acompanhava passo a passo, tranquilamente, com os olhos vermelhos brilhando numa fúria gelada assassinada, enquanto sua expressão permanecia impassível.

- Você não tem para onde correr... – disse Tom, observando-a com o desdém de quem observa um verme preso na sola do seu sapato – E por que deveríamos esperar para vê-la sucumbir ao beijo de um Dementador, não é mesmo? Se eu poço oferecer uma experiência quiçá tão agradável...

Ela sequer teve tempo de gritar. Ou de tentar entender o que Tom dizia na língua das cobrar. Era como se o seu corpo estivesse coberto por chamas e ela não podia gritar, pedir ajuda, ou apenas perder a consciência até tudo aquilo acabar. É claro que não, Tom não a deixaria escapar tão fácil. Ela não perdeu a consciência por um segundo sequer enquanto sentia seu corpo ser consumido pelo fogo. Ela não perdeu a consciência enquanto sentia a pele descolar dos músculos e os músculos dos ossos e os ossos estilhaçarem um a um. Ela tampouco perdeu a consciência quando se viu rasgada lentamente por dentro e sentiu toda a dor enlouquecedora até o fim, repetidamente, até o momento em que a alma deixou o seu corpo e foi levada por um bando de Inferi às profundezas do inferno, onde Tom havia garantido que permaneceria sob sofrimento eterno.

E no lugar onde horas antes se encontrava o orgulhoso Imperador restavam apenas cinzas e o cheiro lúgubre de morte e enxofre.

- Tom... – James começou a dizer, horrorizado, mas suas palavras mal chegaram ao herdeiro de Slytherin, que imediatamente correu para se ajoelhar ao lado do irmão.

Harry, agora visivelmente curado dos ferimentos e em melhor estado, imediatamente se jogou nos braços do irmão ao vê-lo ao seu lado. Ele estava seguro agora. Ele sempre estaria seguro naqueles braços.

- Você veio...

- E você tinha dúvidas?

- Não – riu baixinho, aninhando a cabeça no peito forte do irmão – É claro que não.

Tom sorriu e então depositou um beijo nos lábios do menor:

- Vamos sair daqui.

Naquele momento, após viver horas de pânico numa batalha assustadora e ainda testemunhar uma das mortes mais aterrorizantes da história, os aurores, estudantes, professores e demais refugiados que ali se escondiam da Ordem Negra ajudavam os feridos, carregavam os corpos sem vida para outro local e limpavam aos poucos os entulhos resultantes de toda aquela destruição em massa. Família e amigos se reencontravam em lágrimas, entes queridos eram sepultados após um último adeus e o terror vivido ali agora restaria apenas na memória e em seus pesadelos.

- Tom, espera... – Harry olhava por cima do ombro do irmão algumas pessoas se aproximarem.

Eram seus pais, Remus, Sirius, Draco, Pansy, Hermione e seus amigos. Todos eles com uma mistura de receio e preocupação dançando em seus olhos. Eles nunca haviam testemunhado tamanho poder, tamanho conhecimento das artes das trevas e, ainda assim, isto fora utilizado para salvar o mundo mágico das garras do Imperador. É claro que aqueles que conheciam Tom e Harry sabiam que a salvação do mundo mágico fora apenas um efeito colateral da salvação do pequeno Gryffindor. Mas isso não importava agora. A guerra havia acabado, pois Tom dera um ponto final a isso.

- Meninos... – Lily murmurou com lágrimas nos olhos, aproximando-se deles – Meus meninos...

- Agora nós somos os seus meninos? – o gélido olhar vermelho a fez dar um passo para trás – Isso é engraçado, porque há alguns meses nós erámos uma decepção, uma afronta e completamente repugnantes para você.

- Tom, me perdoe...

- Perdoá-la?

- Tom... – a voz pequena de Harry interrompeu suas palavras mordazes para a mulher que, agora, encarava-os aos prantos – Por favor, eles são nossos pais.

O Slytherin, é claro, sabia o quão importantes James e Lily Potter eram para Harry e o quão devastado ele ficara após a rejeição que sofreram, por isso, e somente por isso, ele se calou e permitiu que a mulher a quem Harry insista em chamar de mãe e James Potter se aproximassem, sem soltar seu irmão por um segundo sequer, mas sem impedir que eles se dirigissem a ele.

- Harry, meu filho, eu fiquei tão preocupada – Lily chorava nos braços do marido – Eu fui uma idiota, o que eu fiz foi desumano, eu sei que não mereço mais ser chamada de mãe, mas, por favor, me perdoe.

- Harry, Tom, nós sentimos muito, muito mesmo – continuou James – Nós amamos vocês, isso nunca mudou, ou irá mudar.

- Sim, nós amamos vocês.

- Nós amamos vocês também – o Gryffindor disse com um pequeno sorriso. Tom quis dizer "fale por si só", mas decidiu não acabar com a alegria do irmão.

- Tom, aquilo que você fez... – Sirius começou a dizer, ainda perplexo por tudo o que acabara de acontecer – Obrigado.

O animago por um instante perguntou a si mesmo se as coisas poderiam ser diferentes se ele tivesse tratado Bellatrix de outra forma. Mas Remus interrompeu seus pensamentos com uma mão em seu braço e um balançar de cabeça, deixando claro com apenas um olhar que nada daquilo era sua culpa e Sirius nada poderia fazer para mudar o destino de Bellatrix.

- Sim, obrigada por nos salvar do Imperador – disse Hermione. E Draco, ao seu lado, concordou um aceno. Ele nunca esqueceria a imagem de seu pai ser devorado vivo por um Inferi. Ele nunca esqueceria todos os terrores vividos ali.

Um coro de "obrigado" e "você nos salvou" logo se fez ouvir, mas Tom cortou a todos com poucas e contundentes palavras:

- Eu não fiz isso por nenhum de vocês.

É claro que ele não fez.

Se dependesse dele, todos ali poderiam estar mortos.

Mas o Imperador havia sido estúpido o bastante para tentar recrutá-lo e verdadeiramente suicida ao tentar usar Harry como um troféu de guerra. Tom jamais perdoaria qualquer um que ousasse colocar as mãos sobre o seu irmão.

- Vamos, pequeno?

- Sim.

- Senhores Potter – Minerva os interrompeu – O professor Dumbledore requisita a presença de todos em seu escritório, por favor.

- Que eu aposto que foi de onde ele viu toda a batalha.

- Tom! – Harry o repreendeu – Nós estamos indo, professora McGonagall.

- Estamos?

- Sim... – o pequeno Gryffindor fez um adorável beicinho e isso foi o bastante para Tom suspirar e seguir com seus pais para o castelo.

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Alvo Dumbledore naquele exato momento se encontrava estoicamente parado em frente à janela na torre do diretor, que lhe permitia uma visão precisa do sangrento campo de batalha. Ele, então, observava preocupado como Voldemort pressionava a ponta da varinha contra a testa de Harry, que já não tinha mais forças para gritar. No entanto, quando o relógio em seu escritório badalou meia-noite, ele colocou a mão sobre o peito, sentindo um peso quente repousar sobre sua túnica: o vira-tempo de Merlin. E, ao olhar novamente pela janela, viu que Voldemort já não estava ajoelhado pressionando a ponta da varinha contra a testa de Harry, mas Tom Riddle estava ajoelhado com Harry Potter em seus braços, segurando-o protetora e amorosamente, como se fosse o tesouro mais precioso do mundo.

Seu plano havia dado certo.

Agora as lembranças das duas vidas se misturavam e iam voltando e se acomodando em sua mente uma a uma. Qualquer outro mago, em seu lugar, teria enlouquecido. Lidar com as memórias de duas realidades completamente distintas, alterar o tempo e o espaço e ser o único a ter conhecimento do que aquelas duas realidades trouxeram para o mundo mágico uma vez, seria enlouquecedor para qualquer mago ou bruxa comum. Mas o diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts não era nada comum, disso não cabiam dúvidas. Ele sequer se sentiu tonto quando, instantes depois, recordou-se de tudo, apenas deixou um sorriso satisfeito adornar sua face, pois sabia que o mundo mágico estava salvo agora, que Harry e Tom, ambos, estavam salvos.

- Com licença, senhor – disse Harry, entrando no escritório seguido dos pais e de Tom.

- Entrem. Entrem. Fiquem à vontade, minhas crianças.

Tom revirou os olhos, mas se sentou, puxando o irmão para o colo, pois cada segundo que Harry passava longe dos seus braços agora parecia incômodo para ele.

- O senhor queria falar conosco?

- Sim, minha cara Lily. Eu queria contar algo a vocês – disse ele, aproximando-se de um aparador de mármore redondo no qual se encontrava uma bacia de pedra rasa, com entalhes estranhos na borda, runas e símbolos – mas acho melhor mostrar a vocês. Por favor, venham aqui.

Todos – Tom, é claro, com relutância – se aproximaram e observaram o diretor extrair de seu templo uma lembrança para colocar na penseira. O processo demorou alguns minutos, pois parecia uma longa memória e, finalmente, quando aproximaram seus rostos da luz prateada que dançava lentamente ali, puderam ver algo que jamais imaginaram ver um dia.

Eles percorreram todas as memórias de Dumbledore. Todas elas. Primeiro, as memórias do encontro com Tom no orfanato, então este crescendo em Hogwarts com aliados duvidosos, isto é, os futuros Comensais da Morte, a ascensão dele enquanto Voldemort, a profecia, o ataque aos Potter – momento em que James e Lily puderam contemplar a própria morte nas mãos do filho mais velho, pois, na outra realidade, há muito tempo, Dumbledore havia extraído esta memória de Harry sem que ele soubesse – e o fatídico instante em que Voldemort o ataca e se vê parcialmente destruído, deixando-lhe a cicatriz. Viram, então, um breve e doloroso esboço do crescimento de Harry com os Dursley – momento em que Tom desejou matá-los –, sua passagem por Hogwarts e todos os confrontos com o Lord das Trevas até o confronto final, quando estava sob os seus pés, ensanguentado, pronto para receber a maldição da morte. Contudo, a cena logo mudou para Dumbledore em seu escritório recebendo o vira-tempo de Merlin de Minerva McGonnagal. Logo em seguida, viram o diretor em Londres ouvindo as palavras de uma moribunda Mérope Gaunt enquanto esta lhe entregava Tom sob os seus cuidados, então, contemplaram o exato momento em que Dumbledore deixou o bebê na porta dos Potter com o bilhete que dizia:

"Chegará o dia em que este bebê será um poderoso mago. Mas agora, ele precisa de uma amorosa família que possa guiá-lo no caminho do amor e da bondade.
Ele já não possui mais ninguém neste mundo.
Por favor, cuidem dele.
Seu nome é Tom".

Após isso, as memórias acabaram e todos voltaram para o escritório.

Eles estavam sem fala. Em choque.

Aquela era a realidade original. Dumbledore havia manipulado o tempo e o espaço para salvar o mundo mágico, para que Tom não se transformasse no Lord das Trevas, para que Harry não morresse em suas mãos. Tom, por sua vez, só conseguia pensar nas atrocidades que ele, enquanto Voldemort, havia causado. Na dor que fizera Harry passar, primeiro sob os cuidados dos Dursley, depois o atacando tantas vezes e, por fim, quase ceifando sua vida na batalha final... Ele mal conseguia encarar seus pais, muito menos o irmão, após ver tudo aquilo. Nenhum deles parecia capaz de dizer qualquer coisa após testemunharem o que a vida realmente poderia ter sido. Isto é, até Harry dizer, com uma voz risonha:

- Você não tinha nariz...

- O que...? – Tom o encarava, perplexo.

- Estava engraçado – riu.

- Depois de tudo o que você viu, de todo o sofrimento que eu causei, isso é o que você tem a dizer?

- Sim. Eu fico feliz que você tenha nariz – o Gryffindor sorria – E que nós estejamos aqui agora.

Tom, então, entendeu o que o menor queria dizer. Isto é, que nada mais importava, senão o fato de estarem ali agora, juntos e felizes.

- Eu amo você, pequeno – com um sorriso, ele puxou o irmão para um beijo apaixonado, ignorando todos os demais e sendo respondido à altura.

- Eu também amo você – disse Harry, logo após o beijo, o rosto levemente corado – Sempre vou amar.

- Sempre.

- Nessa e em qualquer outra realidade.

- Sem dúvida, pequeno.

James e Lily sorriram, genuinamente felizes por seus filhos e pelo rumo que a história seguiu após a breve intervenção de Dumbledore. Este, por sua vez, não poderia estar mais satisfeito e orgulhoso de haver tomado aquela decisão há tanto tempo, assumindo o risco de interferir nas leis do tempo e do espaço pela chance de garantir a todos um futuro melhor.

- Como é misterioso o tempo. Poderoso, e quando interferimos, perigoso – disse consigo mesmo, acariciando a cabeça de penas vermelhas de Fawkes – Mas, ocasionalmente, o resultado pode ser grandioso.

FIM.

Próximo Capítulo: Epílogo.

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N/A: Ahá! Pensaram que eu tinha abandonado vocês, né? Uma palavra: Jamais. Jamais irei abandoná-los, meus queridos leitores e por mais que eu demore um pouco – sim, eu não tenho vergonha na cara para dizer que quase um ano foi "um pouco" – sempre voltarei com um capítulo novo para vocês.

Espero que gostem do capítulo postado hoje. O famigerado final. Deixem suas Reviews comentando o que acharam, se acertaram na identidade do Imperador, se gostaram ou esperavam que Tom se juntasse ao lado das trevas... Rs. E não deixem de conferir o Epílogo de Destinos Entrelaçados e os próximos capítulos de Amnésia que, agora um pouco mais rápido, estão por vir!

E muito obrigada a todos aqueles que deixaram suas lindas Reviews, especialmente:

Luiza... Katrina... Lilith Lestrange Riddle... LLucine... 123... maah... Shindou... Lily Morgan... Tsuruga Lia1412... Lily... SasaDiAngelo... Jasper1997... Sandra Longbottom... yggdrasil001... Hanii Seirios Slytherin... FaFaVe... TaiSouza... vrriacho... barbaravitoriatp e Li Guido.

Um grande beijo!
E até o próximo capítulo de Amnésia!