Capitulo 32 - Ultima Paragem

A noite tinha passado lentamente, até a manhã nebulosa começou a fazer-se presente em Konoha. O Hatake foi o primeiro a despertar, sentindo um cheiro delicioso, que lhe era familiar e querido. O cheiro de Hinata, a sua pequena. Fitou-lhe o rosto oval e feminino, o observando cada recanto. Admirou-a por longos minutos até sussurrar elogiando-a.

–-Linda, como um verdadeiro anjo...

Ele não conseguia de deixar de acha-la tentadora, mesmo no meio daquela tempestade toda ocorrendo ao seu redor. Foi então que o maior recordou que teria que pedir a alguém que busca-se roupas e objectos pessoais da sua pequena, afinal no dia anterior não tinha conseguido pensar em pegar nada para ela, que obviamente ainda vestia a mesma roupa.

Suspirou descontente de ter de sair da cama naquele momento. Devagar, de modo a não despertar a noiva Kakashi retirou-se da cama, cobrindo bem a Hyuuga que de imediato se encolheu em ressentimento á retirada de calor da cama.

O maior pegou o celular que estava em cima da cómoda e procurou na sua lista telefónica o número de Kyoko. Não queria incomoda-la, porém sair aquela hora era impensável, e Jiraya também devia estar completamente devastado com tudo o que tinha acontecido. Eram quase 8 da manhã, e ele tinha marcado o enterro para as 10 de maneira a que todos pudessem ao menos descansar um pouco. Ouviu o seu telemóvel tocar, e ai saiu do quarto, deixando a porta do mesmo entre-aberta, para caso Hinata acordasse.

–-Bom dia .- Cumprimentou Kyoko do outro lado da linha.

O maior retribuiu.

–-Bom dia , posso lhe pedir um favor?

Kyoko já imaginando o que seria replicou com antecedência.

–-Não precisa pedir , eu já estou aqui na casa Hyuuga, cuidando disso, esteja descansado que daqui a meia hora, estarei ai com algumas mudas de roupas para a menina assim como objectos de higiene pessoal.

O Hatake não pode deixar de agradecer educado.

–-Muito Obrigado pelo seu cuidado Kyoko.

A mulher do outro lado assentiu.

–-Não precisa agradecer, e como está a menina Hinata ?

O mais novo contou o ocorrido.

–-Agora está dormindo, ontem consegui acalma-la um pouco, apesar de tudo.

Kyoko desejou.

–-Só espero que ela consiga superar tudo isto da melhor maneira possivel.

O herdeiro abriu a porta do quarto, porém permaneceu do lado de fora mirando-a enquanto a mesma dormia a Kyoko.

–-Não sabe o quanto desejo o mesmo.

E realmente naquele delicado momento, essa era a maior vontade do Hatake.

...

Jiraya já estava de pé na sua casa e fitava a televisão que estava com o volume no mínimo, sem realmente ver o que passava. Tentava inutilmente se distrair, no entanto, não conseguia de modo sentir fome, contudo não conseguia pensar em fazer o que quer que fosse naquele momento, estava mais concentrado em se mentalizar para tudo o que ia acontecer naquele dia. Primeiro seria o enterro e de tarde, a leitura do testamento que seria realizada na casa das Hyuuga. Embrulhado na própria mente o Uzumaki não se apercebeu quando o neto entrou sala adentro o chamando, e apenas reagiu quando este estalou os dedos na frente dos seus olhos.

–-Avô, você tá me ouvindo?

Jiraya então retorquiu ainda atordoado com a volta a realidade.

–-Desculpe, estava distraído.

Naruto suspirou alto pesaroso. Os próximos tempos seriam difíceis para o seu avô, pois ele notara, que apesar de ter já visto a Hyuuga morta, ele continuava na fase de negação. Era como se não crê-se naquilo que tinha acontecido praticamente diante dos seus olhos.

–-Vou fazer um café da manhã reforçado, você não come nada desde ontem.

Informou tendo apenas como resposta um aceno de cabeça vindo do homem de cabelos brancos. Achou melhor deixa-lo sozinho, para que assim ele consegui-se organizar as ideias.

Assim esperava Naruto.

...

Kyoko arrumava, dentro de uma não muito grande mala, as roupas da Hyuuga assim como todos os utensílios que a menina viesse a nisso lembrou-se de algo básico que com toda a certeza Hinata iria precisar. Pensos Higienicos. Perguntou-se onde a Hyuuga menor poderia ter guardado e começou procurando dentro da gaveta da cómoda que estava ao lado da cama. Lá viu uma bolsinha rosa clara com um coração rendado na frente, e logo percebeu que era ali onde estavam guardados. Retirou o pequeno objecto, e abriu um pouco a bolsa para confirmar se realmente era aquilo que procurava. E era. Ia fechar a gaveta quando algo chamou a atenção da Hyuuga. Um envelope. Estranhou pois pelo que sempre soubera Hinata, não trocava cartas com ninguém. Pegou o envelope e viu o que estava escrito na parte de trás, arregalando os olhos a medida que estes se deitavam pelo papel."Neste envelope guardo minhas ultimas palavras, á minha filha Hinata, ao meu irmão de alma Jiraya e a Kakashi,o protetor da minha menina."

Kyoko logo ficou desconcertada com aquilo, e lembrou-se que realmente, depois de a menina ter saído com o noivo na manhã do dia anterior, Rina silenciosamente tinha entrado no próprio quarto para depois rapidamente ir para o da filha, com ar de quem estava fazendo arte. Mas ela não estava. Ela apenas quisera que suas ultimas palavras fossem mais fácil e rapidamente encontradas, e para tal colocara tais documentos dentro da gaveta da filha.

A enfermeira amiga da família então guardou a carta dentro da sua mala decidida a entregar a verdadeira dona. Terminou de colocar todos os objectos dentro da bolsa da garota arrumando-os devidamente. Tinha colocado roupa suficiente para 4 dias, o resto ela sabia que Kakashi viria com ela buscar. E ainda havia esse assunto. A guarda de Hinata, porque apesar de Rina ter deixado claro quem seria o tutor, Jiraya com certeza não ia concordar com isso, não de primeira. Passados alguns minutos Kyoko dirigia-se até a casa do Hatake.

...

Hinata abriu com vagar os olhos perolados, sentindo uma grande diferença de aroma, em relação á sua velha e boa cama. Ainda desconcertada percebeu que o cheiro forte e extremamente masculino que lhe chegava ao nariz era do namorado, e ai ela relembrou tudo o que lhe ocorrera na noite anterior. Seus olhos foram tomados pela tristeza e logo ela sentiu as lágrimas chegarem as orbes peroladas, no entanto reteve-as lá, tentando manter a calma. Sentou-se sobre a cama e levou as mãos ao rosto, mais propriamente a vista, limpando os cantos das pérolas que eram os seus olhos.

Parou aquilo que fazia quando ouviu uma voz vinda do outro lado do quarto.

–-Não gosto de vê-la chorando pequena.

De imediato ela virou o rosto para a porta dando de cara com o noivo de bandeja na mão. O homem de grande porte entrou no quarto encostando a porta atrás de si. Por segundos Hinata admirou a maneira como o noivo segurava a bandeja sem fazer qualquer tipo de esforço, de fato Kakashi era um homem muito forte, tanto em termos físicos como mentais.

Hinata deu um sorriso fraco e desculpou-se.

–-M-Me D-desculpe p-prometo t-tentar s-ser forte...

O Hatake aproximou-se e depositou a bandeja em cima da cama, e seguidamente sentou-se sobre a cama e abriu um pouco as pernas fazendo sinal a Hyuuga que se sentasse ali. Hinata corou e ficou quieta envergonhada, vendo isto sem dificuldade ele puxou-a para si tendo-a sentada entre suas pernas com as costas da mesma apoiada no seu peito. Aninhou-a num abraço por detrás, envolvendo a pelos ombros e cobrindo as mãos pequenas, e falou compreensivo.

–-Eu sei o quão difícil e doloroso isso tudo está sendo para você, não precisa se preocupar, porque eu, Kakashi Hatake, vou sempre estar do seu lado.

Emocionada com mais aquela demonstração de amor, a Hyuuga entrelaçou as mãos delicadas nas grandes do ex-sensei, que a apertou ainda mais contra o seu peito.

–-O-Obrigada por tudo Kakashi kun, e-estaria perdida sem você.

Sentiu as lágrimas penicarem seus olhos, porém o herdeiro ergueu o rosto feminino pelo queixo, puxando para o lado delicadamente, e distribuiu pequenos selinhos por todo o rosto da menina para depois, querendo desviar aquele assunto triste, dizer.

–-Bem acho que o nosso café vai esfriar desse jeito.

Hinata riu ligeiramente, contendo o pranto, e no momento após concordou.

–-V-Você tem razão K-Kakashi kun.

E só naquele instante Hinata reparou no conteudo da bandeja, repleta de coisas, que num estado emocional normal, a deixariam com os olhos brilhando de gula. As fatias douradas cortadas em quadrados, elegantemente distribuídas num círculo sobre o pranto central, repletas em açúcar e canela, tinham um aroma e aspecto delicioso. O cheiro de chocolate quente que provinha da pequena chaleira, fazia a combinação perfeita com a comida, e do lado estavam numa tigela vários pedaços de maçã cortados.

A bandeja estava linda e com um ar delicioso, mas ainda assim a Hyuuga não sentiu fome.O Hatake reparou que Hinata fitava desgostosa a bandeja, inquiriu.

–-Não gosta do que vê menina?

A adolescente logo desfez a impressão que o futuro marido tivera.

–-N-Não é isso K-Kakashi kun, eu a-apenas n-não tenho fome ainda...

Hatake repreendeu determinado.

–-Pequena, você precisa comer algo, desde ontem que não come nada e eu não deixo você sair do meu colo enquanto não comer pelo menos metade disso tudo.

A mais nova Hyuuga constrangida. De fato ele não a deixaria sair dali sem comer qualquer coisa.

–-A-Acho que não tenho escolha e-então.

O maior confirmou brincando com ela.

–-Não, você não tem.

E assim começaram a tomar o café da manhã reforçado. Seria um longo dia.

...

Naruto levou a bandeja até a sala depois de quase uma hora de luta na cozinha. Tudo o que sabia fazer mais ou menos era rámen e desta vez se aventurara a fazer uma comida diferente.

Olhou com alguma desconfiança as panquecas um pouco escuras que fizera. Esperava que pelo menos tivessem um sabor melhor que o aspecto. Depositou a bandeja sobre a mesinha da sala, chamando a atenção do velho Uzumaki que entrara novamente em transe. Naruto alfinetou.

–-O senhor está com cara de velho tarado imaginando mulher pelada.

Bastou tal comentário para que Jiraya ficasse irritado.

–-O QUE VOCÊ TÁ FALANDO MULHEQUE? TU DEVE DE ACHAR QUE É TUDO COMO TU!

Naruto provocou ainda mais. Ele queria que seu avô voltasse ao estado normal, pelo menos assim seria mais fácil para ele superar. Não era bom que o Uzumaki estivesse sempre pensando sempre no que tinha acontecido.

–-Calma velhote, não vou contar a ninguém que o senhor fica com cara de lesado enquanto pensa...

O maior ficou vermelho de "raiva". Se havia alguém que tinha o poder de lhe tirar do sério além de Rina, esse alguém era Naruto. Talvez por ambos terem personalidades extremamente parecidas. Minato tinha herdado o génio calmo da sua falecida esposa. Mas aquela abecula que era o seu neto tinha ficado com a personalidade dele, e a aparência do seu filho um pouco misturada com a de Kushina.

–-NÃO ME PROVOQUE ABÉCULA, E...- Ia continuar a reclamar, contudo viu a cor das panquecas e não perdeu a oportunidade de provocar de volta-Isso dai é o café da manhã?

Naruto sorriu vitorioso, finalmente o seu avô estava voltando a realidade, e a si menos naquele instante.

...

O casal terminava o café da manhã quando o som do telefone do apartamento se fez ouvir na sala, e em toda a casa visto que o único som da mesma era apenas as vozes do casal que se encontrava no quarto. O Hatake logo pensou que fosse Kyoko querendo entregar as coisas que ele lhe pedira. Avisou a namorada que ele fizera comer exactamente metade de tudo o que havia ali, sendo que a outra metade fora ele que devorara.

–-Vou atender o telefone pequena, não irei demorar.

Hinata curiosa,indagou.

–-P-Posso saber q-quem é?

Kakashi retorquiu, explicando sucintamente.

–-Pedi a que trouxesse roupas para você, menina.

A Hyuuga naquele momento relembrou que ainda vestia a mesma roupa do dia anterior e além disso ficara tão abalada que nem conseguira falar com ningué pediu.

–-P-Posso ir c-com você,Kakashi kun?

O maior sorriu-lhe de leve, e apenas afirmou.

–-Claro pequena, apenas irei colocar uma blusa e a mascara.

Hinata então constatou um pouco envergonhada.

–-V-Você n-não devia u-usar m-mascara K-Kakashi kun, é m-muito bonito.

O Hatake sorriu de lado com aquilo e aproximou-se dela plantando seguidamente um beijo carinhoso na boca pequena, que fez a menina se encolher, retrucando em seguida.

–-Talvez um dia pequena, eu deixe, por você.

Hinata sorriu de leve em resposta e em seguida saiu juntamente com o namorado rumo a sala.

Após o Hatake atendeu o telefone e dizer ao porteiro para indicar o apartamento a Kyoko, alguns minutos depois ela já batia na porta do apartamento. Kakashi abriu-lhe a porta, cumprimentando-a no próximo instante.

–-Bom dia .

Kyoko retribuiu o cumprimento.

–-Igualmente Sr. Kakashi, aqui estão as coisas que me pediu.-Terminou de falar entregando uma bolsa um tanto grande na sua mão que continha os objectos da Hyuuga menor.

Ele tornou a agradecer.

–-Obrigado por ter feito isso por mim .

A mais velha sorriu dizendo.

–-De nada Kakashi.

Em seguida Hinata, que se encontrava atrás do mais velho,direccionou-se a enfermeira.

–-B-Bom dia .

De imediato Kakasho fez espaço para que a senhora de meia-idade passasse e fosse abraçar a noiva. Decidiu que era melhor deixa-las a sós naquele momento, para que conversassem a vontade.

Kyoko abraçou Hinata enquanto cumprimentava, e a outra recebia o carinho de bom grado.

–-Bom dia menina Hinata, como se sente hoje?- Quando terminou a pergunta afastou-se ligeiramente observando o estado da garota. Ela ainda trajava a legging de tecido leve branca, juntamente com uma blusa verde água com botões na frente e igualmente leve, e ao pousar os olhos nos pés pequenos percebeu que ela estava de meias brancas, ou seja, descalça. Ontem tinha sido um dia muito difícil e doloroso, tanto que ninguém que ninguém que estivera no hospital por Rina, tinha comido ou pensado em qualquer actividade comum.

O olhar da Hyuuga tornou-se ainda mais melancólico e triste. Confessou.

–-E-Estou um pouco m-mais... calma.

Kakashi então viu que era a parte da cena em que ele se retirava.

–-Irei deixar que conversem a vontade, estou no quarto pequena, qualquer coisa me chame.-Completou aquilo que dissera dando um selinho na testa da moça mesmo com a mascara cobrindo o seu rosto, e deslocou-se até ao seu quarto.

As duas estando sozinhas. Kyoko logo se sentou no sofá ao mesmo tempo que a Hyuuga enquanto segurava a mão da mesma.A mulher sabendo que a garota era um pouco tímida para fazer perguntas incentivou.

–-Pode me fazer as perguntas que quiser menina Hinata.

A Hyuuga então não conteve mais as questões que a importunavam.

–-A s-senhora sabe c-como está o Jiraya san?

A mais velha retrucou, fazendo um carinho na mão pequena.

–-Ele ficou muito transtornado,e em choque por algum tempo, mas depois ajudou na preparação... bem do resto juntamente com seu noivo.- Exitou em falar na palavra enterro e certidão de óbito.

Hinata sentiu as lágrimas penicarem seus olhos ao pensar em Jiraya. Seu pseudo-pai devia estar sofrendo muito com tudo aquilo, e ainda assim ajudara a preparar tudo o que era necessário, enquanto ela tivera um ataque de choro e desespero. Sentia-se tão inútil. Vendo muito cabiz baixa Kyoko interrogou.

–-No que está pensando menina Hinata?

A Hyuuga não exitou em dizer enquanto algumas lágrimas solitárias caíram dos seus olhos, e ela limpou-as logo a seguir.

–-M-Me s-sinto t-tão inutil no m-meio disso tudo.

Kyoko ouvindo isso contrariou veemente.

–-Não diga bobagem menina Hinata. Você acabou de perder a sua mãe é natural que ficasse abalada e além disso ainda é uma adolescente. O é adulto, O também, assim como eu, é nossa obrigação cuidar de tudo.

A garota insistiu.

–-M-Mas ainda assim...

Kyoko interrompeu.

–-Sem mas Senhorita. Não pense desse jeito, não se martirize por isso, sua mãe não gostaria que se sentisse assim. E tenho algo aqui para a menina.

Hinata olhou confusa a mulher com os olhos marejados, quando viu a mesma tirando da própria mala, um envelope, que em seguida estendeu a mais nova, que o pegou com as mãos tremulas.

–-Não pense que sou bisbilhoteira, mas enquanto procurava alguns pertences seus na sua primeira gaveta da cómoda, encontrei lá essa carta e vi que era de sua mãe para você, Jiraya e Kakashi. Achei melhor lhe entregar.

A adolescente leu a parte de trás que continha a letra de sua mãe e viu que realmente era verdade. Sua mãe deixara suas últimas palavras ali.

Hinata sorriu a Kyoko agradecida.

–-M-Muito Obrigada senhora Kyoko, muito obrigada por me entregar isso.

Kyoko então desejou.

–-Espero que o conteúdo do que tem ai dentro, ajuda a menina e o senhor Jiraya a seguirem em frente com o coração mais leve.

Hinata sorriu entristecida mais com esperança ao mesmo tempo.

–-V-Vindo de mamãe tenho a certeza que sim.

Kyoko olhou para as horas e viu que já passava um pouco das nove, estava na hora de ela ir para casa e se preparar para o enterro.

–-Agora que cumpri a minha missão deve retornar a casa.

Hinata levantou-se seguida da senhora. Expressou sua gratidão.

–-M-Mais uma vez obrigada senhora Kyoko, m-mesmo no meio dessa c-confusão a senhora ainda se preocupou comigo.

A senhora de meia-idade retrucou simplesmente.

–-Não precisa me agradecer, foi de coração.

Após as duas se despediram e Hinata abriu a porta a Kyoko que saiu rumo a sua vida. Quando fechou a porta a menor sentiu suas costas sendo pressionadas contra algo duro e quente, que identificou como o peito másculo do amado que estava coberto pela T-shirt cinza clara de decote redondo. Carinhoso ouviu indagar.

–-Tudo bem pequena?

Hinata suspirou melancolicamente e virou encarando Kakashi e depois, um pouco embaraçada abaixar o olhar. Mesmo depois de tanto tempo de namoro e convivencia, ela tinha vergonha de encara-lo no olho.

–-A s-senhora Kyoko, conversou c-comigo e me entregou u-um envelope.

O maior arqueou a sobrancelha, inquiriu.

–-O que tem o envelope?

Hinata retrucou.

–-C-Cartas da minha mãe, para Jiraya, você e eu.

O maior de certa forma não ficara surpreso por saber que Rina tinha escrito cartas para eles, aliás era bem a "cara" dela fazer isso. E o herdeiro sabia que essas cartas apenas iriam acalmar o coração daqueles dois e encoraja-lo a ele.

–-Quando pretende abrir o envelope?

Ela levantou o rosto momentaneamente mirando os orbes misteriosos do namorado, voltando a abaixar o rosto observando o envelope em suas pequenas mãos.

–-Pretendo abrir quando estiver-mos os três presentes... na leitura do testamento.

Só Kami sabia como fora difícil dizer a palavra testamento, mas conseguira. Notando a sua infelicidade, Kakashi tomou-a nos braços e concordou.

–-Você escolheu bem o momento menina.

Hinata deixou-se envolver pelo maior, aninhando-se como uma gata manhosa no peito dele. Sem que ela esperasse ele a pegou no colo. Ela interrogou.

–-Onde v-vai me levar K-Kakashi kun?

Ele esclareceu.

–-Para o quarto, deixarei você a vontade lá, para que possa tomar banho e se vestir.

Ele começou a caminhar com ela nos braços.

–-M-Mas p-porque m-me carrega?

Ele sorriu de lado, ele já estava sem a mascara desde que Kyoko saíra.

–-Porque gosto de carrega-la no colo sinto um prazer especial nisso.

Sem conter a curiosidade ela perguntou tímida, fitando-o enquanto ele olhava em frente e seguia pelo corredor.

–-Que prazer?

–-O prazer de sentir que é minha.

Envergonhada ela calou-se. Certamente a partir do momento que vivesse com o Hatake, as coisas mudariam.

...

Eram exactamente dez horas quando Hinata chegou juntamente com o noivo ao cemitério. Quando chegou viu que todos os seus amigos estavam na porta do local, vestidos de preto. Sakura,Ino, Temari, Tenten e os seus respectivos namorados, Jiraya e Naruto, Kyoko que vira de manhã, e alguns vizinhos mais próximos estavam todos presentes. A Hyuuga saído do carro ajudada por Kakashi, trajando uma legging preta, uma sapatilha de pano de igual cor,e uma T-shirt feminina preta básica simples. Não pensara muito na roupa que ia vestir, apenas pegara as peças mais escuras que tinha, e que reflectiam a maneira como ela se sentia indo para lá.

Todos trajavam roupa escura, acordando com o que a situação por si, imponha. A primeira pessoa que veio na direcção da Hyuuga foi nada menos que Temari que avançou sobre a amiga lhe dando um abraço de urso. Hinata logo também envolveu a amiga sentindo o consolo que ela queria passar. Temari podia ser, a de suas amigas, a mais pervertida e até um pouco maliciosa, mas também, tal como as outras, era leal, sincera e verdadeiramente preocupada com as suas amigas, principalmente com Hinata que por ser a mais nova, acabava por ser a mias protegida. O Hatake silenciosamente deixou Hinata entre as amigas que formaram um círculo em torno da mesma e foi para perto de Jiraya que estava cabiz baixa no canto, do lado de Naruto, e o grupo de rapazes. Aquele era o momento de as meninas consolarem a amiga, antes do enterro começar.

Temari falou enquanto abraçava a amiga.

–-Eu e as meninas Hina, sentimos muito, realmente, de verdade.

A mias nova concordou.

–-Eu sei meninas, obrigada.

Após Temari abraça-la, Ino também a abraçou, desejando.

–-Espero que tudo isso passe depressa Hina.

–-Eu também Ino chan.

E Seguidamente Sakura e Tenten a abraçaram, sem dizer mais nada, apenas acarinhando-a. Enquanto isso no outro lado, apenas a quase dois metros de distância. Jiraya iniciou uma conversa com Kakashi, que em nenhum momento tirou os olhos de cima da noiva.

–-Como ela está reagindo?

Kakashi retrucou com a verdade.

–-Numa primeira face ela chorou muito e estava muito nervosa e abalada. A consolei e agora se encontra mais tranquila, mas sei que está se contendo, está sofrendo muito

Jiraya então fez algo que na vida nunca pensou que fosse dizer ao Hatake.

–-Obrigado por ter consolado ela, na hora fiquei sem saber o que fazer, se não fosse você ela teria ficado ainda mais traumatizada.

O maior sorriu de leve por debaixo da mascara.

–-Não precisa me agradecer , tudo o que fiz foi por amor, e eu entendo sua situação.

Logo Jiraya volto a agir normalmente com Kakashi.

–-Não pense que é com isso que vai me fazer gostar mais de você Hatake.

O homem de cabelos cinza aumentou um pouco o seu .

–-Não sei porque o senhor me vê como inimigo, alguma razão?

JIraya logo murmurou resmungando a resposta.

–-Você quer corromper o meu anjinho e ainda pergunta o porque da minha implicância.

Kakashi então foi sincero, se movendo um pouco do lugar, pois as meninas já estavam terminando de conversar com a namorada.

–-Bem em relação a isso não posso fazer nada, apenas dizer que amo esse anjinho.

Jiraya irritou-se enquanto o viu tranquilamente ir para perto da Hyuuga para entrarem no local onde o corpo iria ser velado.

–-Desgraçado, nem negou que quer corromper o meu anjinho.

Mentalmente Kakashi retorquiu."Nem vou negar, afinal eu desejo corrompe-la". E todos entrado no local onde seguidamente o velório teve lugar. Enquanto velaram o corpo, todos se dirigiram a Hyuuga deixando seus pêsames sinceros e palavras de conforto. Kakashi não desgrudava da delicada adolescente, que vendo a mãe morta dentro do caixão com uma face tranquila, libertou suas lágrimas silenciosamente, sem fazer algum tipo de som.

Quando o tempo do velório se esgotou, Hinata depositou um selinho sobre a testa pálida da mãe e murmurou de modo a que só a mãe, caso estivesse viva, ouvisse.

–-Nunca vou te esquecer mama, eu te amo muito.

Acariciou pela ultima vez o rosto feminino, e viu os homens e viu Kakashi e Jiraya colocarem a tampa do caixam onde o rosto da mãe desapareceu diante os seus olhos. Chorou novamente e em seus ombros duas mãos femininas pousaram, e ela soube de quem eram. Era Kyoko e em torno de si estavam algumas vizinhas e as meninas. Saíram do local carregando o corpo, Kakashi, Jiraya, Naruto, Sasuke, Shikamaru, e Lee. Do lado de fora, Hinata encontrou Tsunade, que se aproximou dela.

–-Meus sinceros pêsames Menina Hinata, saiba que pode contar com todo o meu apoio e o apoio da escola também.

Hinata agradeceu entristecida.

–-A-Agradeço Tsunade Sama, m-muito mesmo.

O cortejo continuou até que chegaram a aquela que seria, a ultima paragem de Rina. Com desgosto HInata viu jogarem terra em cima do caixão da mãe. Seu coração quebrou e Kakashi sentido que ela começara a tremer envolveu ainda mais a namorada em seus braços enquanto os senhores do cemitério terminavam de cena era tão familiar ao Hatake que por momentos achou que tinha retornado ao passado e que novamente ele estava enterrando a própria mãe. Mas não aquele enterro não era o de sua mãe, mas era o de Rina Hyuuga, era o da mulher que tinha colocado e criado, e muito bem por sinal, a sua menina.E ali seria a ultima paragem dessa mulher. Daquela importante, para ele e todos os presentes, mulher.

...

Agradecimento aos reviews:

Luciana Fernandes- Pois é Luciana, esse foi o adeus de Rina. Obrigada pelo review! :) Até ao próximo!