Disclaimer: Sakura Card Captor e seus personagens pertencem ao CLAMP.


O Último Reino Antes do Fim

Escrito por: Cherry_hi

Revisado por: Yoruki Hiiragizawa

Ato 4 - A Hime e o domingo atarefado

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- Droga! Me atraseeeei!

Watery acordou, assustada, transformando-se em água e molhando a cama onde dormia.

- Caramba, Hime! Precisava gritar desse jeito?

A Hime não respondeu, ocupada em calçar o segundo pé da bota. Depois correu para o espelho e prendeu rapidamente os cabelos num coque.

- Aiaiai…! - ela resmungou, aflita. Ela prendeu o broche de Sword no vestido e saiu, batendo a porta sem nem se despedir.

Desceu as escadas da estalagem apressadamente, pulando os últimos três degraus e quase derrubou Ichirou, que a segurou automaticamente. Quando viu que era ela, corou.

- Ah… Maki-chan!

- Desculpe, Ichirou-kun! Estou atrasada para encontrar com Hanae-san! Preciso sair agora!

- Você não vai tomar nem café?! - Ichirou gritou, pois a moça já estava correndo pra fora. Sua única resposta foi a porta da frente batendo.

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Minutos depois, a Hime chegava esbaforida na frente da doceria. Antes mesmo de tocar na porta dos fundos, ela se abriu e Hanae-san apareceu, assustando-se com a repentina chegada

- Ah, Maki-chan! Por um instante achei que tivesse me abandonado.

- Não! Não! - ela se curvou. - Desculpe pelo atraso! Dormi demais!

- Tudo bem, querida. Se trabalharmos bastante, vamos compensar.

E a Hime trabalhou. Aprendeu a fazer biscoitos, rosquinhas, geleias, bolos e vários tipos de pães. Depois acendeu o forno, untou assadeiras, colocou os doces para assar, varreu o chão, arrumou as prateleiras, limpou os vidros…

- Está pronto, Maki-chan! Pode me ajudar a tirar do forno?

- Claro!

A cozinha estava com um cheiro maravilhoso. Misturava chocolate, canela, laranja, morango, gengibre com o aroma de assado. Kero iria morrer se estivesse ali. Quando finalmente terminou de ajudar Hanae-san de decorar os doces e encher as prateleiras, estava quase na hora de abrir.

- Bem a tempo! - Exclamou a doceira, feliz - Maki-chan, hoje você fica só no balcão.

O único momento em que a manhã foi tranquila foi nos breve cinco minutos entre arrumação da loja e a abertura. A Hime perdeu as contas de quantas pessoas serviu na primeira hora. E até o meio-dia, o movimento foi intenso. Crianças comprando pirulitos e bombons com suas mesadas; mães escolhendo sobremesas para os almoços de domingo; namorados comprando chocolates para suas amadas; sem falar nas pessoas que faziam e pegavam encomendas. Mas, apesar do trabalho excessivo, a Hime estava gostando. Sentia seu coração se aquecer ao ver o sorriso daquelas pessoas quando pegavam seus pedidos ou quando suspiravam ao entrar na loja, sentindo o cheiro maravilhoso de comida. Os eventos da Capital, pelo que parecia, ainda não haviam afetado aquela parte do Reino.

- Ufa! - Hanae-san fechou a loja, no horário do almoço delas. - Acho que nós merecemos um descanso, não?

- Acho que você precisa mais do que eu, com todo respeito.

- Admito que estou bastante cansada. Acho que vou comer alguma coisa e tirar um cochilo.

- Se você não se importar, acho que vou dar uma volta na pracinha… para ver o movimento.

- Claro, querida… - Hanae-san foi se acomodando numa poltrona bastante gasta que existia em um canto da loja. Ela deu um enorme bocejo.

- Volto em uma hora

- Claro… claro… - a voz se tornou pastosa. Antes mesmo de abrir a porta da rua, ela ouviu Hanae-san ressonar levemente.

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A pracinha estava mais movimentada e animada do que nunca. Crianças corriam pra lá e pra cá enquanto seus pais corriam pra cá e pra lá atrás delas. Havia comerciantes em todos os cantos, vendendo todo o tipo de coisa, de comida a roupas. Uma bandinha tocava de um lado e, do outro, um senhor com um violão dedilhava algumas canções. Havia várias pessoas mascaradas fazendo mágicas ou só brincando com as crianças, que riam. Uma bolinha azul parou bem aos pés da Hime e um cachorro todo peludo e dourado veio pegá-la, com a língua de fora. Abanou o rabo alegremente quando a moça se abaixou para acariciar sua cabeça.

- Kinko-chan!

O Cachorro latiu e correu em direção da pessoa que gritara seu nome. Em cima de uma árvore, um gato gordo observava todo o movimento com o desdém característico dos gatos. Por um instante, a moça se sentou em um banquinho da praça e ficou apenas observando o movimento. Queria poder ter um jeito de guardar toda aquela alegria e paz para si. Desejou, até mesmo, saber desenhar para poder passar para o papel o que sentia. E, por fim, desejou poder ficar ali para sempre.

Seu sorriso, constante desde que o dia amanhecera, finalmente vacilou um pouco. Sabia que não poderia ficar. Eventualmente, Phobos mandaria alguém procurá-la na cidade e não deixaria pedra sobre pedra até encontrá-la. Detestava só de pensar em ver aquela linda cidade ser destruída por sua causa. Não. Quanto mais cedo partisse, sem deixar rastros, melhor…

- Hi… er… Hanako-chan!

A Hime viu Watery se aproximar. Parecia chateada com alguma coisa.

- O que houve?

- Eu desisto! Tentei de tudo - TUDO! - mas estou fadada a ser um desastre ambulante. - ela se sentou, curvada, ao lado da Hime. - Garçonete, vendedora, cozinheira, cuidadora de animais, cuidadora de crianças, cuidadora de idosos… NADA! Não ganhei um centavo! Na verdade, tive que pagar o prejuízo de um livro que rasguei sem querer na livraria. - ela suspirou profundamente - Desisto!

- Anime-se, Mizuho-chan! - A Hime deu uns tapinhas nas costas da garotinha - Você só não encontrou a ocupação ideal. Mas você ainda tem uma tarde inteira. Eu posso te ajudar.

Depois de uns dois minutos tentando convencer Watery a se levantar, as duas moças deram uma volta na pracinha. A Hime dava sugestões e apontava para as barracas dos mais diversos produtos e serviços…

- Que tal tentar fazer coroa de flores para vender?

- Vou acabar amassando todas as pétalas.

- Você toca algum instrumento? Podia se juntar a banda.

- Nunca aprendi a tocar nada.

- Que tal ser contadora de histórias?

- Tenho bastante dificuldade de falar em público.

- Professora?

- Estamos num domingo e amanhã partiremos.

- Cabelereira?

- Você quer mesmo deixar a cabeça de uma pessoa aos cuidados dessas mãos segurando tesouras?! Você enlouqueceu?

Passaram quase meia hora indo de um lado para o outro e Hime já estava começando a se aborrecer.

- Eu simplesmente não consigo acreditar que você não saiba fazer NADA!

Watery suspirou, cabisbaixa.

- Talvez seja isso mesmo. Sempre fui muito focada no meu trabalho como Conselheira e nunca aprendi mais nada. Os outros sabiam fazer tantas coisas… Windy toca harpa maravilhosamente; Flower cozinha como uma deusa; Glow escreve poemas muito bonitos… Até Firey tem seu lado sensível, pois adora animais e tem jeito incrível com eles. Mas eu… Tudo o que eu tento acaba em fracasso.

Ela parecia, mais do que nunca, uma garotinha insegura. O aborrecimento da Hime passou, substituído pela compaixão. Não tinha certeza do que poderia falar para confortá-la. Procurou, então algo que pudesse distraí-la e seus olhos encontraram a palhacinha do dia anterior, que agora brincava com os malabares. Usava apenas uma mão para jogar duas bolinhas coloridas e, com a outra, fazia mímicas que divertiam o público. No final, fez um giro gracioso com o corpo e, com um floreio, fez os malabares desaparecerem. As pessoas ao redor aplaudiram entusiasmadas e jogaram moedas no pequeno chapéu que havia na frente dela. A Hime ia sugerir que elas parassem um pouco para olhar as mágicas, entretanto teve uma ideia que fez seus olhos se iluminarem.

- É isso, Mizuho-chan!

- Acho que hoje é o dia de você me dar sustos. - Resmungou Watery, meio pálida - Quase morri do coração agora!

- Desculpe, mas não consegui evitar a empolgação! Mizuho-chan, você sabe fazer mágica?!

- Você sabe que eu sei…

- Não estou falando da magia de fazer chover ou encher rios e poços… Estou falando de truques de mágica.

- Ah! Como… Como ela? - Watery olhou em dúvida para a palhacinha - Não sei… Nunca tentei.

- Eu aposto que você conseguiria! Use sua magia de água para criar ilusões e fazerem coisas aparecerem e desaparecerem! E você nem precisa falar nada! Aposto que você consegue!

- Acha mesmo? - Ela perguntou, ainda com ar de dúvida, mas um pouquinho esperançosa.

- Sim! Tenho certeza que vai dar certo!

Watery sorriu, corando levemente.

- Se a Hi… Quero dizer, se a Hanako-chan diz que eu posso, vou acreditar nisso!

- Excelente! Agora temos que arranjar roupas bonitas e uma máscara daquelas para você.

- Você vive se esquecendo que eu posso transformar minhas roupas e minha aparência, né?

- Ah, é verdade. Mas… Quer saber? Faço questão de comprar ao menos a máscara!

- Pensei que não devíamos gastar nosso dinheiro desnecessariamente.

- Pra mim, isso é importante! É o começo do seu sucesso, Mizuho-chan!

Watery corou ainda mais, mas sorriu, mais confiante.

- Obrigada por acreditar em mim, Hime-sama. - As últimas palavras foram ditas num sussurro que apenas a Hime ouviu - Mesmo quando eu mesma não acreditei que poderia.

- Pois você pode! "Zettai daijoubu dayo"! - o sorriso de Watery aumentou ainda mais - Vá se trocar e depois me encontre aqui! Vou atrás da sua máscara!

A Hime saiu correndo. Procurou com o olhar entre as inúmeras barraquinhas por algum comerciante de máscaras, tentou se lembrar se vira alguma quando estava com Watery. Nada. Por fim, perguntou para algumas pessoas. Dois comerciantes não souberam responder, mas o terceiro lhe falou de uma lojinha de fantasias, indicando-lhe o caminho.

Não era à toa que não encontrara: a tal loja ficava bem no fim da praça, onde o movimento era menor. Havia um pequeno lago com carpas bem gordas e alguns bancos, onde pessoas mais velhas estavam sentadas conversando calmamente. A Hime sorriu de orelha a orelha ao ver que ali, com certeza, encontraria o que estava procurando. Porém, deu apenas dois passos em direção a entrada e parou.

Havia sensação estranha no ar. Não sabia como explicar, mas achava que havia ouvido seu nome, seu verdadeiro nome, ser chamado. No entanto… nem seu nome verdadeiro ela sabia. Achou que devia ser coisa da sua imaginação, mas, quando colocou a mão na maçaneta da porta, teve aquela sensação outra vez. Olhou ao redor, procurando. Seus olhos pararam em um pequeno caminho que adentrava em um pequeno bosque, ao lado oposto da loja. Tinha certeza que era dali que vinha. A sensação, repentinamente, passou. A Hime sacudiu a cabeça e entrou na loja.

Havia várias fantasias e máscaras no lugar. Auxiliada pela dona, uma senhora de idade muito simpática, a Hime escolheu uma máscara branca com desenhos azuis que lembravam água. Pagou e saiu, toda feliz, pronta para entregar a Watery seu presente. Parou mais uma vez para observar o caminho do bosque, de onde algumas pessoas saíam. Definitivamente, havia alguma coisa ali que chamara sua atenção, mas não tinha tempo para divagar e, muito menos, para investigar o que seria. Precisava entregar a máscara e voltar para o trabalho logo em seguida.

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A Hime voltou para a loja após deixar Watery se preparando para se apresentar na pracinha. Encontrou Hanae-san ainda dormindo profundamente. Teve pena de acordá-la, mas precisavam abrir a doceria para a tarde. Levou alguns minutos para finalmente conseguir fazer com que a outra abrisse os olhos sonolentos. Mas, quando finalmente despertou, ficou mortificada ao entender que dormira sua hora de almoço inteira.

- Eu queria tanto comer a marmita que trouxe de casa. - Lamentou

- Foi alguém que fez pra você?

- Não. Eu mesma fiz. Moro sozinha, sabe.

A Hime ficou olhando para Hanae, que apressava-se em colocar o avental, pensando no que Watery havia dito mais cedo… que Flower cozinhava muito bem. A cidade também estava sofrendo com os efeitos da dissolução do Conselho, pois estava com alguns poços secos. No entanto, todas as árvores estavam floridas até demais. E, para a Hime, não teria lugar melhor para Flower se esconder (embora fosse bastante óbvio). Será que…?

- O que foi, Maki-chan? Tem alguma coisa no meu rosto? - Hanae perguntou ao perceber que a mocinha lhe observava.

- Ah, não, não! Só estava pensando… que é uma pena que não vai poder comer sua marmita… - respondeu, embaraçada.

- Bom, vou tentar comer enquanto faço a leva de pães para a tarde. Você pode abrir a loja para mim?

- Claro.

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A Hime não teve tempo de pensar em mais nada até fecharem a loja para valer, lá pelas cinco da tarde. Se possível, o movimento foi ainda maior que o da manhã e ela estava aliviada por, finalmente, poder sentar na poltrona depois de tanto tempo em pé.

- Estou tão feliz! A doceria lucrou bastante e quase não sobrou coisas na prateleira. Acho que hoje seu amigo vai ficar chateado porque você vai levar menos coisas para ele. - Hanae-san brincou.

- Ele fica feliz com qualquer quantidade de comida. Ainda mais doces.

- Que bom, então.

A Hime pegou a vassoura para começar a limpeza, mas a doceira pegou o objeto de suas mãos. Diante do olhar espantado da moça, Hanae-san explicou:

- Pode deixar a limpeza comigo! Por que não vai dar uma passeada na feira agora? Só peço que você passe aqui lá pelas oito. Pensei que seria bom se desse uma olhada nas coisas com um pouco mais de calma. Afinal, você me disse que vai embora amanhã e sabe-se lá quando terá essa oportunidade outra vez.

- Tem certeza?

- Claro!

A mocinha sorriu, feliz.

- Obrigada!

A Hime passou rapidamente na estalagem apenas para pegar sua bolsinha de dinheiro. E viu Kero sentando na cama, parecendo cabisbaixo.

- O que houve, Kero-chan?

- Ainda estou com dificuldades de processar o fato que tenho 140 anos. - ele respondeu, com a voz melancólica.

- Veja pelo lado bom. Você é mais novo que Watery! - Mas isso pareceu deixá-lo mais desanimado. Por isso, sem pensar muito, ela perguntou - Você não quer dar uma volta comigo pela pracinha?

- Mas eu não posso aparecer ou as pessoas desconfiarão de você, Hime-sama.

- Você pode ficar dentro da cesta. Vou fazer furinhos maiores no vime para que você veja as coisas. E posso comprar algumas comidinhas...

A perspectiva de comer coisas gostosas deu uma animada em Kero. A Hime trabalhou na cesta e fez um furo de bom tamanho, que o guardião aprovou. E então saíram.

Havia muito o que ver e a moça gostaria de parar em cada barraca e loja para olhar e conversar com as pessoas. Infelizmente, o tempo passa mais rápido quando estamos nos divertindo. Mesmo assim, foram algumas horas bem proveitosas, onde a Hime comprou algumas coisas para a viagem (como uma mochila maior, um relógio de bolso e uma bússola), além de um vestido novo e botas bem confortáveis de viagem. Conforme prometera, comprou alguns salgados e doces para Kero, que se deleitou, todo feliz.

Mas, com certeza, a hora mais divertida foi quando resolveram ver como Watery estava se saindo. Escutaram risadas alegres de crianças antes mesmo de dobrarem a curva onde a Hime deixara a Conselheira. Depararam-se como Watery, usando sua máscara e roupas coloridas, brincando com taças de água, enquanto perguntava para as crianças o que queriam que ela fizesse. Uma menininha de cabelos bem negros respondeu que queria ver o arco-íris outra vez.

- O seu pedido é uma ordem. - Ela fingiu beber um gole de uma das taças e jogo-a no ar, em direção das crianças.

Elas gritaram, achando que iam se molhar, mas Watery fez um movimento e transformou a água e a própria taça em partículas de água tão finas que evaporaram antes que as molhassem. A luz do dia, ainda intensa naquele horário, criou um pequeno arco-íris que pairou durante alguns segundos acima da plateia. Todos aplaudiram imensamente, até os adultos, bem impressionados.

- Parece que ela está fazendo bastante sucesso. - comentou Kero, que arriscou colocar a cabeça pra fora da cesta.

- Isso é muito bom. Watery estava bastante desanimada porque achava que não conseguia fazer nada.

Mas então um outro grupo de risadas alegres chamou a atenção deles. Estavam tão concentrados na pequena Conselheira que nem repararam que, a pouquíssimos metros dela, a palhacinha de antes fazia seus truques de mágica. Pelo que parecia, ela acabara de fazer aparecer pétalas das cores do arco-íris bem pequeninas em uma taça de cristal. E jogara tudo por cima da sua audiência. Parecia ser claramente uma provocação ao truque de Watery que, a Hime reparou, estava com as mãos em punho, tremendo.

- Foi muito errado da parte de Watery fazer o show dela perto de outra pessoa, fazendo a mesma coisa. - comentou Kero.

- Mas ela escolheu este lugar justamente porque estava bem longe de outras atrações. - a Hime franziu a testa.

Eles observaram Watery escolher uma das crianças para participar de um truque. Ela pegou um balão cheio de água e começou a brincar com a menininha. Previsivelmente, o balão estourou e molhou todo o vestido da garota. A mãe da menina fez menção de pegar a garota para secá-la, mas Watery, com um gesto, pediu para esperar. Pegou o braço da menininha e fez ela girar, enquanto, com a outra mão, fazia um floreio. O vestido secou completamente. Todos aplaudiram.

- Eu queria aprender esse truque aí! - brincou uma das mães

A palhacinha não quis ficar para trás. Escolheu uma das meninas e a girou-a pelo braço. Fazendo o mesmíssimo floreio que Watery fizera com a mão livre, fez aparecer uma linda coroa de flores na cabeça da menina. Mais aplausos.

- Elas duas são muito boas! - comentou um senhor perto da Hime.

- Sim! Elas estão fazendo isso a tarde inteira e não me canso de ver! - retrucou outro, maravilhado.

- Nossa… a tarde inteira… Watery deve estar furiosa. - murmurou a Hime, consternada.

Ela e Kero viram Watery ficar parada por alguns segundos, sem saber se ela estava tentando controlar a raiva ou se estava pensando em um truque novo. Por fim, ela mesma girou várias vezes, cada vez mais rápido. Suas roupas se transformaram em um borrão colorido. Quando finalmente parou, ela estava usando roupas completamente azuis, que explodiram com gotículas de água que brilhavam à luz do dia. A multidão foi a loucura. Quando finalmente os aplausos cessaram, todos olharam para a palhacinha, em expectativa. Ela fez um movimento que indicava que estava pensando e coçou a cabeça. Então gesticulou como se tivesse uma ideia. Então girou, muito graciosamente, apenas uma vez. Seu vestido, antes amarelo, ficou rosa, de vários tons, cheio de babados e bastante armado. Era lindo! Mais aplausos entusiásticos vieram.

- Uau… eu não vou querer estar acordado quando Watery chegar em casa. - falou Kero, que viu a menina bater um pé no chão de raiva - Vamos olhar as outras coisas?

Depois de mais uma hora, o dia começou a esvaecer na escuridão da noite. A Hime olhou olhou no seu relógio novo e viu que já eram oito horas.

- Hanae-san pediu-me que passasse lá na doceria para pegar meu pagamento.

- OBA! - Kero gritou, bem alto, de dentro da cesta e várias pessoas olharam para a Hime, confusas.

- Kero-chan! - Ela repreendeu, baixinho, corando fortemente, enquanto se encaminhava rapidamente para a estalagem. Quando chegou no quarto, falou, brava - Você quase colocou tudo a perder lá na praça!

- Desculpe! Não consigo me controlar quando se fala em doces.

Ela depositou as compras na sua cama.

- Por isso mesmo acho que você deveria ficar…

- Nããããããão… - o guardião gemeu, voando até a altura do rosto da Hime, com os olhos brilhando - Deixa eu ir junto, Hime-sama! Prometo que vou me comportar! Mas preciso ver quem faz doces tão maravilhosos! Vou ficar quietinho na cesta… Pooooor favooooooor…

- Tá bom! Mas se eu ouvir um piozinho vindo de dentro da cesta, vai ser a primeira e última vez que o levo numa doceria.

- Oba!

- Agora vamos antes que eu me arrependa.

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- Hanae-san! - A Hime chamou, ao abrir a porta da doceria. A primeira coisa que sentiu foi o cheiro de comida e estranhou. O que a doceira estava fazendo?

- Estou na cozinha, Maki-chan!

Quando entrou no aposento, soltou uma exclamação de surpresa: em cima da mesa, havia uma grande cesta de comida.

- O que é isso, Hanae-san?

- Sei que você vai viajar amanhã e eu queria lhe agradecer por ter me salvado nesses dois dias. Achei que seria bom cozinhar algumas coisas para o começo da viagem, pelo menos. Olha só. - Ela falou, animada, tirando o pano de cima, revelando uma torta imensa - Essa é de frango. Embaixo tem de carne e outra de frutos do mar. Fiz alguns bolinhos de arroz, crepes, sanduíches frios… sei que a próxima cidade fica a cinco dias daqui, então… resolvi preparar essas coisas para você.

- Hanae...san… - A Hime não sabia o que falar. Depois de algum tempo, finalmente encontrou voz - Não… precisava…

- Você foi muito boa para mim e trabalhou bastante. Esta é minha forma de agradecer.

- Então… então… desconte… do pagamento…

- Também não. Você vai precisar de cada centavinho que você ganhou aqui. Falando nisso. - ela puxou um saco de moedas do bolso - Aqui está. Nem tente dizer que é muito, porque você mereceu.

- Mas…

- Maki-chan, se você tentar me dissuadir, vou ficar zangada. Você é uma moça muito boa, por isso merece o que estou lhe dando.

A Hime então sorriu, um tanto encabulada.

- Posso ao menos agradecê-la pela gentileza?

- Isso dá pra fazer. - inesperadamente Hanae-san lhe abraçou, fazendo a Hime se tornar ainda mais vermelha - Você é uma moça muito especial… Maki-chan.

Algo no jeito que ela dissera aquelas palavras e o olhar que a doceira lhe lançou fizeram-na achar que Hanae-san sabia quem ela era. Seria ela, afinal, Flower?

- Você já está carregando uma cesta. Está muito pesada?

- Não, mas está cheia. - Agora mesmo que não podia arriscar mostrar Kero

- Então vou levar essa aqui. Vocês estão na estalagem do Ueda-san, certo?

- Sim.

A doceira pegou a outra cesta, fechou a loja e desceram a rua. Não era muito longe, mas o silêncio estava incomodando a Hime.

- Você sempre morou aqui, Hanae-san?

- Não. Morei na Capital por muito tempo e só muito recentemente vim para essa cidade.

- Ah…

- E você?

A Hime engoliu em seco.

- Vim de outro país. Achei que… estava fugindo de uma revolução e mergulhei de cara em outra.

- Entendo…

O jeito que ela falou não pareceu estar convencida. Estava tentada a perguntar se ela era Flower, mas poderia se trair. De qualquer forma… se fosse realmente Flower… por que ela não falou nada?

Foi polpada de mais conjecturas ao chegar na estalagem. Ao abrirem a porta do quarto, viram que Watery já estava de volta, sentada numa das camas, parecendo cansada e ligeiramente mal humorada. A Hime tratou de prestar atenção nas duas para ver suas reações. Hanae-san pareceu se surpreender ligeiramente, mas Watery não demonstrou nenhuma reação. Disse apenas:

- Já estava me perguntando por onde você andava.

- Essa é Hanae-san. - apressou-se a apresentá-las - Foi ela quem me deu emprego. E também preparou algumas coisas maravilhosas para nós comermos na viagem. E essa é Mizuho-chan.

- Puxa, obrigada. - Watery chegou a sorrir um pouquinho, enquanto a cumprimentava. - Vai nos ajudar bastante. São cinco dias para a próxima cidade.

- Vocês podem comprar comida e abrigo nas fazendas que existem ao longo da estrada. Não são muitas, mas se vocês se programarem, não passarão fome. Acho que existe uma estalagem a três dias de viagem também.

- Muito bom saber disso. Obrigada, Hanae-san.

Ela colocou a cesta em cima da cômoda e virou-se para abraçar a Hime.

- Boa sorte, querida. Tenho certeza que coisas boas a aguardam em seu futuro. - e sussurrou no seu ouvido - Também tenho certeza que vai conseguir muitos aliados em seu caminho. "Zettai daijoubu dayo".

A Hime se desvencilhou do abraço e ficou olhando perplexa para a mulher, que cumprimentou Watery mais uma vez e saiu. O que ela queria dizer com isso?

- Moça simpática…

- Tem alguma chance dela ser um dos Conselheiros? - a Hime perguntou, bruscamente.

- Hã?!

- Ela poderia estar disfarçando a aparência para não se reconhecida. Poderia ser Flower! A cidade está florida demais e ela poderia estar fazendo isso…!

- Calma aí, Hime-sama!

- ME TIRA DAQUI! - gritou uma terceira voz, abafada e desesperada.

A Hime abriu a cesta em que Kero estava. O pequeno guardião saiu voando em fúria e foi direto para a cesta de quitutes. Mas Watery, rápida, usou seu poder de água para trazer a cesta pra ela.

- Larga de ser chata, Watery! - Kero exclamou, parecendo frustrado - A Hime sabe que me comportei, fui até a loja de doces e quase tive um ataque com o cheiro de coisas incrivelmente gostosas, mas consegui me comportar! Eu MEREÇO um docinho…

- Isso é para a viagem, Kerberus. - Disse ela. Depois, virou-se para a Hime - Flower não pode disfarçar a aparência. Só quem pode fazer isso sou eu, Windy, Mirror, Shadow e Illusion. Até concordo que a cidade está florida demais, mas, pelo que você sempre falava, sempre foi assim. E outra coisa… não acha que Flower se manifestaria assim que nos visse?

- Não se ela achou que abandonei o meu Reino… - disse a Hime, deprimida.

- Pra mim, não há ninguém nessa cidade. - De repente, ela bufou e colocou a cesta na cama, ao seu lado, franzindo a testa - Aliás, quanto mais cedo sairmos daqui, melhor!

- Ué, por que?

- Aquela palhaça me dá nos nervos! Ficou me provocando a tarde inteira! Se eu a vir mais uma vez, juro que vou afogá-la!

- Calma, Watery! Foi tão ruim assim?

- Não vai me dizer que ela roubou toda a atenção e você não conseguiu nenhum dinheiro? - perguntou Kero.

Em vez de responder, a garota foi até a cômoda e tirou de lá um saco grande e pesado, que tintilou alto quando ela depositou na cama.

- Uau!

- Isso é muito mais que eu ganhei em Tokei e Hanamura juntas!

- É… mas a que preço? - Watery perguntou, dramaticamente. - Tudo o que eu fazia, ela me imitava e as pessoas riam da minha raiva! Foi uma droga!

- Não fica assim, Watery.

- Vou sobreviver… - Ela se levantou e caminhou até a porta, com as costas curvadas - Vou jantar e dormir. Amanhã vamos acordar muito cedo por isso sugiro que vocês façam o mesmo.

- Na verdade, eu preciso dar uma saída.

- Vai aonde?

- Hã…

Nem ela sabia exatamente. Mas instantes antes, ela havia se lembrado da estranha sensação que tivera mais cedo aquela manhã, perto da loja de fantasias. Aquela seria sua última chance de investigar antes de partirem.

- Você quer que eu vá junto? - Ela perguntou, ante a hesitação da Hime em responder.

- Não precisa. É algo na cidade que eu queria olhar. Não vai ser perigoso. Você tá cansada e merece um bom jantar.

- Tem certeza?

- Claro.

- Então, tá bom. - Ela deu um enorme bocejo e saiu.

- Você vai comigo, kero-chan!

- Ué? Por quê?!

- Seu auto-controle foi todo usado na ida a doceria. Se ficar aqui sozinho com a cesta, com certeza, vai comer tudo!

Kero abriu a boca para reclamar, mas pareceu pensar melhor, olhando pra cesta de comida. Ele suspirou, resignado, enquanto a Hime sorria de canto de boca.

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A noite estava fresca e tranquila. Na praça, trabalhadores desmontavam as barracas e limpavam a sujeira da feira. A Hime passou por eles e passou também pelo laguinho de carpas. O caminho para o bosque estava vazio agora, mas iluminado por lanternas.

- Engraçado… estou tendo uma sensação esquisita... - Kero falou, colocando a cabeça pra fora da cesta.

- Eu senti pela manhã.

- É uma presença extremamente poderosa. Tem alguém, ou algo, com muito poder aí.

- Será que é algum aliado de Phobos?! - A Hime deu automaticamente um passo para trás.

- Acho que não. A energia que sinto é pacífica. Não consegue sentir?

A moça se concentrou, fechando os olhos. Aquela sensação de antes havia voltado. O vento soprava levemente as folhas e ela quase podia escutar sussurros que vinham por trás das árvores.

- Alguém… Está me chamando… - Ela murmurou, mesmerizada.

- Mas não há ninguém aqui. - Comentou o Guardião.

Mas a Hime não o ouviu. Sem hesitar, ela adentrou pelo pequeno caminho do bosque.

- Hime-sama, não sei se é uma boa ideia. - Kero falou, mas ela parecia não escutar. Ele saiu de dentro da cesta e voou até ficar na altura dos olhos dela - Hime-sama?

Ela continuou em silêncio, enquanto avançava pelo estreito caminho. O guardião voou ao seu lado, ligeiramente preocupado. Felizmente, o caminho não era muito longo e eles logo entraram em uma pequena clareira, muito iluminada. Bem no meio, havia uma árvore espetacular.

Era enorme, com um tronco grosso e robusto, que se dividia em milhares de galhos e raminhos finos. Não havia folhas, mas cada galhinho estava enfeitado com milhares de flores cor-de-rosa, cujas pétalas coalhavam o chão ao redor. Embora o local fosse bem iluminado, a própria árvore parecia brilhar ligeiramente. E havia um perfume muito suave no ar, que não parecia vir das flores, mas do chão. Era… Espetacular.

Conforme se aproximava, os sussurros que ouvia iam aumentando de intensidade, como se milhares de vozes invisíveis falassem ao mesmo tempo. Mas, assim que tocou na árvore, tudo se silenciou.

- Uau! - Exclamou, baixinho, parecendo acordar de um transe.

- Essa árvore é incrível. - Falou Kero, também tocando com sua patinha fofa o tronco. Seu corpo inteiro brilhou em um amarelo intenso por alguns segundos. Depois, ele se afastou. - Existe muita magia fluindo por ela. Mas…

- Mas o quê?

Kero franziu a testa.

- Acho que isto é muito mais do que uma árvore.

- Como assim? - Foi a vez da Hime franzir a testa.

- Tem algo que ressoa dentro dela. Algo que vem das raízes a alimenta e dá poder. Parece vir do solo, mas também parece vir do ar e do céu.

- Que confuso.

- Eu sei. Não é fácil explicar.

Antes que a Hime pudesse falar qualquer outra coisa, eles ouviram um barulho de um galho se partindo. Viraram-se depressa e viram a mesmíssima palhacinha que implicara com Watery entrar na clareira. Estava até usando a máscara ainda. Ela parou de chofre ao vê-los.

- Ora, não sabia que a Cerejeira tinha visitas tão ilustres essa noite. - A voz abafada que saia da máscara era alegre e jovial.

Só então a Hime se deu conta que Kero estava ali, em plena vista. Não havia dúvidas que havia sido reconhecida. Quase automaticamente, ela levou a mão ao broche da espada, um pouco tensa.

A palhacinha se aproximou calmamente e parou quase ao lado da moça, sem reparar no seu estado de espírito. Ela era mais alta que a Hime e o vestido que usava agora era rosa do mesmo tom da flores.

- É linda, não é? É a árvore que eu mais gosto no Reino inteiro. Não canso de admirá-la.

- Acho que eu também não me cansaria.

- Ué, como assim?! - Ela parecia estar espantada. - Todos os anos, Vossa Alteza vem para o Hanami!

Então ela realmente havia sido reconhecida.

- Eu perdi a memória. Então pra mim é como se estivesse vendo essa árvore pela primeira vez. A árvore, a cidade… Tudo.

- Perdeu… A memória? - O tom que ela usara era estranho. Parecia surpresa e… aliviada?!

- É. Acordamos na beira do Abismo do Fim alguns dias atrás. - Explicou Kero.

- Entendo… Isso explica porque você está nessa forma. Você a detesta. E explica muitas outras coisas também… - Ela, murmurou, parecendo pensar em algo. Então perguntou. - Watery também perdeu a memória?

- Não. Você conhece a Watery? - Hime perguntou, ligeiramente surpresa.

- Claro que sim! É que eu… Trabalhei no palácio algum tempo.

- Então foi por isso que me reconheceu? - De alguma forma, a Hime ficou aliviada.

- Sim. Nunca esqueceria o rosto bondoso da nossa querida Hime.

O rosto da Hime ficou vermelho. De repente, a palhacinha riu.

- Acho que Watery ficou um pouco chateada com a minha performance hoje à tarde.

- Ah, sim! Furiosa seria a palavra certa para se usar. - respondeu Kero.

- Não foi minha intenção deixá-la enfurecida, só queria brincar com ela. Mas a nossa interação rendeu um bom dinheiro. Amanhã vou comprar um monte de doces!

- Você é uma das minhas! - Kero sorriu - Fui na doceria da Hanae-san hoje. Lá é incrível!

- Eu sei. É a melhor doceria do mundo! Por que não vamos lá juntos amanhã?

- Infelizmente, Kero-chan está escondido. Na cidade anterior, fomos reconhecidos, em parte, por causa dele. E, de qualquer forma, iremos embora amanhã, pela manhã.

- Nossa, mas tão cedo?

- Não posso ficar muito tempo. Phobos pode nos atacar e não quero que ninguém dessa cidade se machuque por minha causa.

- Entendo…

Eles ficaram um bom tempo em silêncio. A Hime voltou a olhar para a árvore. Uma brisa leve balançou as inúmeras flores e uma delas se desprendeu de um galho e caiu bem aos pés da moça, que a pegou. Tinha cinco pétalas delicadas e levemente fendidas nas pontas.

- Provavelmente você não se lembra, mas essa é sua flor favorita. - A palhaça falou, com suavidade.

Ela desamarrou a máscara e a tirou do rosto. Ao suave brilho das lanternas, a Hime viu um rosto bonito oval, com grandes olhos claros, nariz arrebitado e cheio de sardas. Ela sorriu e duas covinhas se abriram em suas bochechas. Tocou na árvore.

- Esta cerejeira está aqui há muitos anos. É o marco desta cidade. Algumas lendas dizem que o Reino começou a partir desta árvore e que ela nutre todas as coisas vivas.

Em seguida, ela se abaixou e limpou as muitas pétalas de flores do pé da árvore. Havia uma pequena plaquinha de prata em que se lia o Mantra Real "Zettai daijoubu dayo". E, bem embaixo, havia um buraquinho redondo, no centro da placa. A Hime se abaixou e passou o dedo.

- O que é isso?

- Huuum… eu não sei. - A palhaça respondeu, conçando a cabeça. - Em todos os marcos de cidade existe uma placa igual a essa, com esse mesmo buraco.

- Entendo…

Hisakawa-san lhe falara do Mantra Real e da tal placa em Tokei, mas acabara se esquecendo de averiguar.

- Na verdade… só você sabia pra que servia isso. Mas… como você perdeu a memória...

A Hime deu um muxoxo

- É, mais uma das coisas inconvenientes com as quais tenho que lidar por causa dessa amnésia. Suponho que você também não saiba meu nome, não é?

A palhaça fez que não com a cabeça. E, em seguida, sorriu.

- Imagino que não será um empecilho pra você. Desde que a conheci, sempre se mostrou muito corajosa e determinada. Você irá reclamar seu trono de volta?

- Sim. Estou tentando reunir os Conselheiros que conseguiram fugir e vou expulsar Phobos. De alguma maneira.

O sorriso da moça mais velha aumentou ainda mais.

- Essa é a nossa Hime! Tenho certeza que vai conseguir!

A Hime sorriu, meio encabulada.

- Obrigada!

- Hime-sama… já é tarde… - Falou Kero, repentinamente - Temos que ir.

- Verdade! Bom… foi um prazer conhecê-la… nossa, nem sei seu nome!

- Meu nome é Tachibana. É um prazer vê-la novamente, Hime-sama.

- Por favor, não diga a ninguém que me viu! - Ela pediu, com fervor - Aqui e em todos os lugares estou usando o nome de Maki Hanako.

- Está bem, Maki-chan! Gostaria de me despedir de vocês amanhã. A que horas partem?

- Provavelmente antes das sete. Mas não aconselho você a aparecer por lá. Watery, ou melhor, Mizuho-chan, vai querer afogá-la. Ela disse isso!

- Hahahahaha! Watery sempre foi meio esquentadinha! Bem, se é assim. - Ela se curvou, muito graciosamente - Tenho a impressão que nos veremos novamente. Esperarei ansiosa por isso.

- Também espero vê-la de novo, Tachibana-san.

A Hime e Kero voltaram pelo pequeno caminho que os conduziriam de volta a praça. Mas, antes de ir, a moça se viou uma última vez. Viu Tachibana-san parada em frente a árvore, sorrindo e acenando para ela. Sorriu de volta e continuou o seu caminho.

'

- AQUELA PALHAÇA FALOU COM VOCÊS ONTEM?! - Gritou Watery assim que a Hime contou-lhe os acontecimentos da noite anterior, na mesa do café.

- Sim. Ela disse que não o fez por mal. - A Hime falou, enquanto discretamente colocava todos os seus pães dentro da bolsa, onde Kero estava escondido - Não queria deixá-la brava.

- Ah, se eu encontro ela agora! - A garotinha vociferou, esmagando com as mãos um bolinho - Você devia ter dito pra ela aparecer agora de manhã SIM!

- Hehehehe… acho que foi uma boa ideia ter dito pra ela não aparecer MESMO! - Falou a Hime, ligeiramente assustada.

- Ela falou que trabalhou no palácio? - Ela perguntou, franzindo a testa.

- Sim. Isso é estranho?

- Na verdade, não. Muitas pessoas trabalhavam lá. Só estou tentando lembrar de alguma arrumadeira ou dama de companhia que tenha me provocado antes assim! Afff! - Ela tomou todo o suco em uma golada só e colocou o copo com tanta força na mesa que os talheres balançaram.

- Vamos deixar isso pra lá? Temos que nos concentrar na viagem agora.

Watery concordou com a cabeça, mas ainda ficou resmungando palavras indecifráveis até se levantar da mesa. Logo que terminaram, foram falar com o Ueda-san, para lhes devolver a chave.

- Pena que você ficou tão pouco tempo. Falei com Hanae-san ontem e ela me contou que você é uma excelente ajudante. E posso dizer que também foram excelentes hóspedes.

- Obrigada, Ueda-san, Foi muito bom ficar aqui. Espero que um dia nos reencontremos.

Após cumprimentar o senhor, a Hime e Watery foram falar com seus filhos. Kaede-chan timidamente lhes ofereceu um quadrinho bem pequeno onde estava pintada, sem dúvida alguma, a grande árvore de cerejeira da cidade. A Hime agradeceu muito, colocando o presente na mochila. Depois foi a vez de Ichirou que, corando violentamente, ofereceu-lhe, uma pequena cesta toda enfeitada com flores.

- E-eu sei que… Hanae-san já lhes deu uma grande cesta de comida… mas g-gostaria que aceitasse isso… f-fui eu q-quem fez…. pra vocês c-comerem durante a vi-viagem…

a Hime tirou o pano cuidadosamente de cima e viu uma bonita torta doce. Ela sorriu lindamente para o rapaz.

- Obrigada, Ichirou-kun.

O rapaz corou ainda mais. Watery deu uma risadinha que disfarçou com uma tosse.

- E-espero… vê-la… de n-no-vo… - Ele falou. Então, como se toda sua coragem tivesse se esvaído, ele completou, muito rápido - Preciso ir trabalhar! - E saiu correndo.

- Parece que alguém conquistou o coração daquele pobre rapazinho… - Provocou Watery, quando finalmente se dirigiram para a estrada.

- O quê?! Para com isso, Watery! - Ela falou, envergonhada - Ele estava só tentando ser gentil.

- Claaaro… nada melhor que demonstrar isso com uma torta doce e um cesto cheio de flores…

- Watery!

- Hahahahaha…

A Hime ficou constrangida. Porém, teve de novo a sensação de conhecer o garoto de algum lugar. Ficou tentada a perguntar a Watery, mas sabia que isso só faria com que a garota a provocasse ainda mais. Em vez disso, mudou de assunto, abrindo o mapa.

- Bem… Taiyohama fica a cinco dias de viagem, indo para o sul.

Kero saiu de dentro da bolsa, já que não havia ninguém por ali

- Hisakawa-san me disse que é uma praia muito bonita, cheia de turistas. - Ele esfregou a barriguinha - Devem ter comidas maravilhosas por lá.

- Kerberus e seu buraco negro chamado "estômago". Você não se cansa de comer não?

- Falou a pessoa que comeu dez pães hoje de manhã. - Resmungou o guardião.

- É, mas ao menos eu tenho desculpa pra isso, já que acordei bem cedinho para checar os poços e programar uma chuva para daqui a cinco dias. Você só consegue ser inútil.

E eles foram discutindo. A Hime riu, enquanto voltava a guardar o mapa e começava mais uma etapa da sua aventura.

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(continua)


E mais um capítulo entregue pra vocês. Atrasei um diazinho, mas espero ter compensado. Outra vez, um capítulo mais tranquilo. Na verdade, era para que o capítul fossem um só, mas ia ficar enorme e estou com uma política de fazer capítulos menores, até para não cansar na hora de ler. Com isso, a estimativa de Atos pula para 17.

Gostaria de deixar meus inúmeros agradecimentos a todos que estão lendo. Notei que a taxa de views está bem baixa e entendo isso, afinal, faz tempo que não escrevo e CCS agora que está voltando aos holofotes com o novo arco, mas ainda assim é meio triste ver que está tendo tão poucos views. Por isso mesmo meu sincero "obrigada" a você que dedica uma horinha a cada quinze dias para ler o que eu escrevo. Em especial para Mary3009 e Flor de Cerejeira pelas reviews. Fico sempre muito feliz ao ver o feedback de quem lê! Qualquer crítica, sugestão e elogios podem deixar nos reviews. Eu não mordo. :)

Encontro vocês no próximo capítulo. Um grande beijo

By Cherry_hi