Disclaimer: Sakura Cardcaptor e seus personagens pertencem ao CLAMP

Ps: Muito cuidado com o que vocês desejam... :3


O Último Reino Antes do Fim

Escrito por: Cherry_hi

Revisado por: Yoruki Hiiragizawa

Ato 8 - A Hime e a cidade dos estudantes

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Estava outra vez na beira do Abismo do Fim. Ventava como nunca e Hime tinha que lutar para conseguir enxergar. Outra vez, do outro lado, haviam duas figuras em pé no abismo envoltas pela névoa branca…

"Encontre-nos…"

Era de novo uma sensação.

- Onde?! - A Hime gritou de volta - Como faço para chegar onde vocês estão?!

"O Espelho… onde as almas… O Espelho…"

- Que espelho? Do que vocês estão falando?

Mas tão rápido como surgiram, as figuras desvaneceram e ela voltou a mergulhar na escuridão…

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- AH, MAS NEM PENSAR!

A Hime acordou num pulo, levando a mão imediatamente a Sword. Levou alguns segundos para conseguir se orientar e lembrar-se onde estava. O céu acima das árvores secas estava desbotado, muito claro, revelando que estava ainda muito cedo. Levantou-se, esfregando os olhos e viu Tomoyo ao seu lado, já sentada e parecendo meio exasperada. Assim que viu que a Hime havia acordado, suspirou e apontou para um ponto mais adiante.

Previsivelmente, Watery e Flower discutiam. Essas briguinhas aumentavam de intensidade e frequência à medida que elas se aproximavam de Seitomura, a Cidade dos Estudantes. Tudo porque Watery exigia que Flower ficasse na forma de uma flor enquanto estivessem por lá, assim como ela ficara como água em Taiyohama.

- Mas Watery-chan-chan…

- NÃO ME CHAMA DISSO!

- Querida, eu já cumpri minha promessa em Penginki…

- PENGINKI NÃO VALEU! A GENTE FICOU MENOS DE UMA HORA NA CIDADE!

Era verdade. Mal viram as famosas árvores com troncos esculpidos em forma de penguins, pois a Hime foi reconhecida e ovacionada pelos seus habitantes, o que chamou a atenção de alguns soldados de Phobos que faziam patrulha por perto. Eles derrotaram os soldados sem problemas, mas tiveram que sair correndo da cidade. E depois de mais uns dias avançando com extrema cautela, finalmente haviam chegado às portas da cidade. Watery estava irredutível e Flower, a seu modo, também, por isso as brigas.

- Elas podiam discutir coisas mais relevantes. - resmungou Tomoyo, enquanto se levantava.

- Tipo o quê? - Glow, que até então também observava as duas, voltou seus grandes olhos claros para a morena.

- Tipo o que vamos fazer efetivamente quando chegarmos na cidade. O ideal seria nos misturarmos à multidão, mas me preocupo com a possibilidade de Hanako-chan ser reconhecida outra vez.

- Embora a Hime-sama não seja uma pessoa extraordinariamente diferente do resto, é compreensível que seja reconhecida. - argumentou Kero, comendo os restos de pão que haviam comprado em um vilarejo alguns dias antes.

- O que você quer dizer com isso, Kero-chan? - Perguntou a Hime, achando que havia um duplo significado naquelas palavras.

- Oras, você não se destaca do resto das pessoas normais.

- Eu não diria isso, Kero-chan. A Hime é linda, muito meiga e fofa. Com certeza todo mundo repara isso! - Tomoyo falou com suavidade e sinceridade. a Hime corou.

- Se Illusion estivesse conosco, ia ser bem fácil mudar a aparência da Hime. - Comentou Glow, com uma expressão pensativa. - Ele só precisaria fazer um campo de ilusão ao redor da Hime e mostrar outra pessoa.

- Mas não Illusion-san não está conosco e temos que improvisar - Tomoyo olhou criticamente para Hime, que sentiu as bochechas ficarem quentes outra vez - Talvez se colocássemos um par de óculos pra disfarçar os olhos verdes.

- Que tal cortar os cabelos da Hime? - Sugeriu Kero, que levou imediatamente um olhar muito torto da garota.

- Não mesmo!

- E se pintássemos… de preto? - Sugeriu Glow.

- Ficaria com cara de pintado, Glow-chan. - Tomoyo descartou a ideia, pensativa. - Mas é uma boa ideia. Talvez uma peruca resolva o problema…

E continuaram a sugerir métodos de disfarce cada vez mais absurdos, que deixavam a Hime aborrecida e, ao mesmo tempo, constrangida por ser o centro das atenções. Quando Kero sugeriu que ela usasse uma monocelha, ela achou que já tinham ido longe demais! Levantou-se num rompante e foi até Watery e Flower que ainda discutiam.

- Vocês duas, já chega! - Ela disse, meio brusca. - Pelo o que já ouvi falar, Seitomura é uma cidade suficientemente grande para todo mundo se esconder sem problemas. Estava pensando aqui e acho que devemos nos disfarçar de estudantes! - Na verdade, acabara de ter a ideia, mas era boa de qualquer maneira. - Eu e Tomoyo-chan podemos ser alunas do colegial. Já Glow-chan poderia ser facilmente uma aluna do primário. Watery, como é capaz de transformar sua aparência, pode ser aluna do que quiser…

- Na verdade, não acho uma boa ideia me transformar em algo diferente do que sou… já que ainda não estou 100% recuperada do incidente da praia. - Ela admitiu com dificuldade - Acho que consigo me passar por uma estudante secundarista fácil.

- Então está resolvido.

- Mas e Flower-san? - Perguntou Tomoyo.

- Ah, com certeza posso ser uma linda estudante de faculdade! - Ela respondeu, contente.

- Ah, mas não mesmo! - Cortou Watery, ainda amuada com a discussão de antes. - Com essa cara de tiazona ninguém vai acreditar!

- Hunf! Watery-chan-chan é muito malvada às vezes.

- NÃO ME CHAMA DISSO!

- Olha, Tachibana-san… vou ter que concordar com a Watery. - A Hime falou meio sem jeito e apressou-se em am acrescentar ao ver a cara de tristeza e desamparo que Flower fez pra ela. - Não que você tenha cara de tiazona, mas obviamente é mais velha do que nós.

- Então eu poderia ser uma professora. Linda e que vai deixar muitos corações juvenis partidos.

- Aff…

- Ou você simplesmente pode morar na cidade, como uma pessoa comum…

Todos olharam para a Hime.

- Seitomura é diferente das outras cidades, Hanako-chan! - Tomoyo esclareceu - Só moram lá professores, funcionários e alunos.

- Todas as cidades mandam suas crianças para Seitomura, a partir dos seis anos. Lá fazem os anos obrigatórios de estudo e, se quiserem, o ensino médio, a faculdade ou o ensino técnico. Existem diversas escolas na cidade, que selecionam os alunos por notas e habilidades. - A voz de Watery ficou temperada com uma dose de cinismo. - Claro que, aqueles que conseguem pagar, preferem contratar professores particulares.

- Se é assim… então… eu também fui ensinada… por professores particulares? - A Hime perguntou, hesitante.

- Sim, mas apenas porque achamos que seria mais seguro pra você, embora Vossa alteza tenha sempre desejado ter aulas como todo mundo. - Respondeu Glow, sorridente.

- Então vai ser a minha chance ter uma vida escolar. Tomoyo-chan, você não deveria estar em Seitomura?

A morena sorriu, um tanto tristemente.

- Mamãe insistiu que eu não precisava do ensino facultativo e tive que ajudá-la nos negócios da família.

Havia uma mágoa tão marcante em seu rosto que a Hime se sentiu impelida a afastar aqueles pensamentos tristes.

- Bom… eu acho que vai ser muito divertido ir pra escola com você, Tomoyo-chan!

Ela sorriu mais genuinamente.

- Também acho… Hanako-chan!

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Já no fim da tarde, eles avistaram os primeiros prédios da cidade. Mais alguns minutos de caminhada, após saírem de uma floresta mais densa e eles se viram no topo de um declive, onde tinham uma vista sensacional da cidade.

Seitomura era construída ao redor de uma colina circular rochosa, onde no seu topo erguia-se um maravilhoso castelo de pedra, com uma torre mais alta que as outras onde, mesmo daquela distância, podia-se ver grandes sinos e um relógio. Ao seu redor, prédios menores, mas não menos suntuosos, amontoavam-se ao redor prédio principal, decrescendo em tamanho até o sopé do morro, onde grandes muros circundavam a cidade. Era simplesmente maravilhoso!

- Que lindo! Nem parece uma cidade!

- Verdade, Hime-sama! - Kero também estava encantado.

- Não acho prudente entrarmos na cidade hoje, do jeito que estamos. - Flower falou, pensativa. - Como estamos no fim de semana, muitos alunos terão permissão para visitar seus pais em cidades próximas e voltarão amanhã à noite. Aproveitaremos para entrarmos junto com os outros estudantes.

- Mas ainda assim, não vai ser fácil. - Retrucou Tomoyo - Lembro-me na época que estudei que o controle de estudantes era muito rígido. Além do mais, muitos iriam estranhar se quatro alunos e uma professora nova brotassem do nada.

- Você tem razão, Tomoyo-chan.

- Bom, poderíamos ser alunos transferidos de outras escolas. - Sugeriu Watery. - Talvez… estudantes de outro Continente.

- É uma boa ideia. - Aprovou Kero, comendo uma outra maçã que ninguém quis saber de onde ele havia pego. - Usamos esse truque em Tokei e o pessoal acreditou.

- Sim, tem razão. Mas ainda precisaremos de algum documento que comprove isso e nos permita entrar na escola. - Falou Tomoyo.

- E temos que pensar no disfarce da Hime também.

- Acho que já sei como podemos resolver isso. - Flower parecia feliz. - Provavelmente, muitos alunos sairão ainda hoje para as visitas de fim de semana e a cidade estará mais vazia. Glow e Watery, que são as que melhor se disfarçam, poderão entrar, sorrateiramente, e conseguir os documentos que precisaremos. O que acham?

- É uma boa ideia. - Glow respondeu, animada.

- E vocês podem procurar algo para a Hime também. - Tomoyo franziu a testa, como se pensasse. - Já sei! Os clubes de teatro! Todas as escolas os têm e existe uma grande variedade de apetrechos para os atores, inclusive, perucas.

- Tomoyo-chan, você é um gênio! - Exclamou Flower, batendo as mãos. - Assim mataremos dois coelhos numa cajadada só! Inclusive, vocês podem procurar algo pra mim também, já que não posso mudar minha aparência.

- Ótimo! Vou pegar umas verrugas falsas para você pôr no seu nariz! - Watery falou, sarcástica. Ao que parecia, ainda estava chateada com Flower.

- Não fala assim, Watery-chan-chan!

- JÁ DISSE PRA NÃO ME CHAMAR DISSO…!

- Você ficou calada a discussão inteira. Está preocupada com algo?- Tomoyo havia se aproximado da Hime e sentou-se ao seu lado, enquanto as conselheiras discutiam e Glow tentava acalmar Watery.

- Ah, não. Apenas pensando que odeio não lembrar das coisas. - Ela olhou para Seitomura, cujas janelas refletiam a luminosidade do dia e pareciam pedras lapidadas incrustadas numa joia. - Olha como a cidade é bonita. É até um crime não lembrar de nada disso!

- Hime-sama, tenho certeza que um dia vamos lembrar de tudo. - Kero, veio voando e se sentou no ombro dela. - Mas, no momento, precisamos nos focar em achar os outros conselheiros e descobrirmos o máximo que podemos sobre Phobos.

- Sei bem disso, Kero. - Ela fez uma caretinha. - E eu agradeceria muito se você se sentasse no meu outro ombro. Você está fazendo a ferida doer.

- Ah! Desculpa, Hime-sama! - O pequeno guardião saiu voando imediatamente, parecendo embaraçado e preocupado.

- Está doendo? Quer que eu afrouxe um pouco o curativo? - Perguntou a morena, também preocupada.

- Não se preocupem. Só que Kero não é nenhum pedacinho de algodão e o peso dele fez a ferida doer um pouquinho…

Embora estivesse cicatrizando muito bem, o corte que a Hime levou no braço na batalha de Taiyohama ainda incomodava. Felizmente, a ferida não fora no braço que usava a espada, mas, ainda assim, Watery, Flower e Glow ficaram horrorizadas quando o viram e a encheram de mimos e recomendações. Felizmente, elas estavam muito entretidas discutindo ou no mínimo mandariam que ela colocasse o braço numa tipoia, coisa que a Hime estava evitando com todas as suas forças. Para disfarçar o momento e tirar o foco de Kero e Tomoyo, retomou o assunto:

- Tomoyo-chan, as bibliotecas da escola são boas?

- Sim, são. Principalmente as das Primeiras Escolas.

- Primeiras Escolas? - Repetiu Kero, franzindo o cenho.

- Sim. Para cada grau educacional, isto é, fundamental, ginásio, colegial e faculdade, existem quatro escolas diferentes, onde os alunos são alocados de acordo com suas notas. As instituições Um são as melhores, mas também as mais puxadas, enquanto que as escolas Quatro tem foco em melhorar o desempenho dos alunos de acordo com cada necessidade.

- Que legal!

- Sim. Como o ensino das escolas Um é mais complexo, as bibliotecas costumam ter uma gama maior de livros para ajudar no desempenho escolar.

- Uau! Aposto que a Tomoyo-chan estudava na Escola Um! - Kero falou e a morena corou um pouquinho ao concordar com a cabeça.

- Mas para que você quer saber das bibliotecas, Hanako-chan?

- Quero saber tudo sobre a história do Reino. Talvez algo me ajude a encontrar minhas memórias perdidas.

- É uma ideia…

- Hime-sama! - Glow se aproximou, parecendo transtornada. - Por favor, separe Watery e Flower ou uma das duas vai morrer em breve!

Suspirando, a Hime se levantou e correu para apartar a discussão.

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- Hime-sama, precisamos falar sobre Taiyohama.

Flower, do outro lado da fogueira, parecia menos sorridente que o costume, embora seu semblante estivesse calmo. Tomoyo levantou os olhos do bloco de papel em que rabiscava o croqui de um vestido e Kero até parou de comer. Ambos olharam a Hime que, embora ligeiramente apreensiva, devolvia o olhar sereno para a Conselheira ruiva.

Watery e Glow haviam partido há algum tempo para Seitomura atrás dos documentos, enquanto o resto do grupo esperava no acampamento improvisado, perto da cidade. Por um instante, a Hime hesitou, pois tinha uma boa ideia do que iria ouvir. Mas até aquele momento nunca havia mostrado falta de coragem e não seria agora o momento:

- Muito bem.

Flower respirou fundo antes de dizer:

- Eu me lembro muito bem que havia dito para que você fugisse enquanto eu tentava segurar Thunder… e você não só me desobedeceu como se arriscou desnecessariamente! Se tal situação acontecer outra vez, é necessário que você fuja e se esconda.

- Flower, eu sei que você ficou zangada, mas eu não podia deixar vocês para trás…

- Não se trata de nós, Hime-sama! Nós estamos aqui para protegê-la e zelar pela sua segurança. De nada adiantaria o sacrifício que fazemos se você jogá-lo fora, arriscando-se desnecessariamente.

- Não foi desnecessário. - Embora estivesse um tanto irritada, a Hime se esforçou para manter a voz e o semblante controlados. Levantou-se do tronco onde estava sentada. - Eu estava ferida e fraca da luta contra os soldados de Phobos. Mesmo se eu fugisse, não demoraria muito para que eles me encontrassem. Também, se eu ficasse na cidade, escondida em algum lugar, tenho certeza que mais soldados chegariam e me procurariam de casa em casa, podendo até machucar meus súditos no processo. Eu não tinha muita escolha.

Flower pareceu considerar aquele argumento por um instante, mas logo rebateu:

- Você poderia ter se escondido na caverna.

- Seria apenas uma questão de tempo até eles me encontrarem lá. Se bem me lembro, enquanto eu me recuperava, você, Glow e Watery ficavam se revezando para vigiar a caverna e, por duas vezes, precisaram atrair os soldados para longe quando eles se aproximaram demais. Sozinha eu seria facilmente encontrada.

- Mas…

- Eu sei que vocês se preocupam comigo e não hesitariam em colocar suas vidas em risco por mim. - A voz da Hime estava muito suave. - Contudo, quando estou junto de vocês, eu sou muito mais forte.

Flower ficou sem palavras. Tomoyo sorriu para si e voltou a trabalhar em seu desenho. E Kero ficou de boca aberta.

- Eu… não tinha… pensado assim… - Finalmente Flower encontrou palavras. Ela respirou fundo mais uma vez. - Continuo preocupada com Vossa Alteza, mas entendo seus argumentos. - E finalmente ela sorriu. - Obrigada por me dizer isso! Eu fico muito contente que nos considere tanto assim.

- Claro que considero.

- Tenho certeza que Glow, Watery e todos os outros Conselheiros que ainda não encontramos concordariam comigo quando digo que faremos o nosso melhor!

A Hime sorriu junto. Repentinamente, ela sentiu um calor no peito e viu suas vestes se iluminarem. Ela puxou o cordão da chave rapidamente e viu a pedra rosa brilhar intensamente.

- Está brilhando outra vez! - Mal dissera aquelas palavras, o brilho se apagou. - Estranho…

- Isso me lembra, Hime-sama… Naquela noite, quando você estava lutando contra Thunder… o seu círculo mágico apareceu!

- Hã?! - A Hime ficou confusa por um instante, mas então lembrou-se do clarão que vira ao seu redor naquela noite. - Você está falando das luzes que surgiram no chão?

- Sim! Se você tivesse olhado para baixo, teria visto o círculo mágico de concentração. - A Hime olhou curiosa para Flower, que explicou, pacientemente. - Quando Vossa Alteza usa a chave, cria um círculo ao seu redor, que concentra a sua magia e a canaliza para seus objetivos. Sem ele, a energia acaba se dissipando e as consequências podem ser fatais.

- Uau! Eu nem sabia que podia fazer isso!

- O que eu não sabia… - Continuou Flower, dessa vez franzindo o cenho. - Era que você podia usar o círculo mágico sem abrir a chave. Embora ela tenha brilhado como louca no cordão que você carrega.

A Hime forçou um pouco as lembranças para se recordar daquela noite. Agora lembrava-se nitidamente como havia sentido algo fluir por dentro de si, como uma energia quente e intensa.

- Senti… - Ela finalmente falou, devagar. - Como se uma força, que até então eu desconhecia, estivesse forçando as barreiras do meu corpo. Minha… pele era como um balão que se estica a cada lufada de ar, até que explodiu… como um milhão de estrelas…

- Acho que deve ter sido isso! - A Conselheira começou a andar ao redor da fogueira, pensativa. - Isso deve ter sido sua magia, que você forçou além dos limites e conseguiu usar sem o báculo, que é o seu catalisador. - Ela subitamente sorriu. - Realmente, eu nunca devia ter duvidado de vossa alteza! Você é incrível!

A Hime corou, desejando que Tomoyo e Kero olhassem para outro lugar senão seu rosto.

- E tem mais uma coisa… assim que o círculo mágico surgiu… eu senti uma grande lufada de energia dentro de mim. Watery deve ter sentido o mesmo porque acordou e se colocou de pé imediatamente.

- Nossa… eu não vi nada disso!

- Vossa Alteza estava muito concentrada lutando contra Thunder… E, além de tudo isso, eu… senti… Vossa Alteza me chamar.

A exclamação de espanto da Hime foi encoberta pela de Kero, que se levantou e voou para perto delas, parecendo aturdido.

- Espera um pouco… eu também senti isso! Ouvi nitidamente, dentro do meu coração, a Hime-sama me chamando!

- Glow e Watery também ouviram. - Flower retrucou, olhando fixamente para a Hime. - A Hime fez uma Convocação Real.

- O que seria isso? - Tomoyo perguntou, curiosa.

- Quando a Hime precisa de nós, por algum motivo, ela nos chama através de sua magia. E, não importa onde estivermos, nós escutamos e vamos atender o seu chamado.

- Espera… então, se ela fizer isso… - Kero raciocinou, ficando animado. - pode conseguir reunir todos os Conselheiros que faltam!

- O problema, Kero-chan, é que, com isso, com certeza os conselheiros traidores também vão escutar… e saberão onde estamos. - Tomoyo argumentou, olhando para Flower como se esperasse que confirmasse seu raciocínio.

- Exato! E assim como eu, Glow e Watery sentimos a energia fluir sobre nós, tenho certeza que Thunder também sentiu. Os poderes da Hime, embora muito fortes, estão sem controle algum.

- Mas você não disse que o círculo mágico era justamente para concentrar a minha magia? - ela perguntou, confusa.

- Sim, para que ela não se espalhe em criaturas não mágicas e cause danos físicos. Mas nós, como seus conselheiros e, no caso do Kerberus, guardião, somos seres mágicos que estamos aptos a receber e usar magia. Pense em nós como… moinhos!

- Er… certo...

- Você é capaz de produzir vento. As outras pessoas e seres, conseguem sentir o vento, mas nós, como moinhos, pegamos e transformamos essa energia em nossa. No momento, você é capaz de produzir e espalhar esse vento por todas as direções e qualquer moinho pode captar.

- Então… talvez… se eu conseguir direcionar o meu vento… isto é… minha energia, talvez só quem eu queira possa usufruir minha magia? - A Hime arriscou, bastante hesitante.

- Eu tenho plena certeza que é possível… mas não vai ser fácil.

- Por quê?

- Porque o instrumento que naturalmente faz isso está trancado. O seu báculo. - Flower completou, quando ela continuou a lhe lançar um olhar confuso. - O Cetro Real podia canalizar a energia para quem você quisesse com muita facilidade. Mas você nunca usou sua energia sem ele. Então você vai ter que se acostumar a fazer isso.

- Como?

- Com muita paciência e treino. Meio que você vai ter que reaprender a utilizar a sua magia.

- Bom… para mim, vai ser como aprender a usar a magia, já que não lembro de nada. - A Hime falou, com bastante bom humor.

- Estou pensando na melhor maneira de fazermos isso…

- Bom… eu lembro de alguns livros na biblioteca sobre história e teoria sobre magia. - Tomoyo falou. - Eram bem básicos, mas podem ajudar.

- Talvez. Bem. Vou falar com Watery e Glow e vamos pensar em algo. Vamos começar o treinamento Assim que entrarmos em Seitomura.

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- Que tal estou? A Hime perguntou. Quando todos se viraram para ela, apressaram-se em esconder os risinhos com as mãos.

A Hime estava usando o bonito uniforme do colegial 2, em vermelho escuro e preto, mas usava também uma peruca de cabelos pretos lisos até os ombros, com uma generosa franja, e enormes óculos de lentes quadradas. Estava praticamente irreconhecível. E, para falar a verdade, um tanto ridícula. Kero foi o primeiro a não conseguir segurar o riso, soltando uma risada quase histérica.

- Kero-chan! - A Hime exclamou, arrancando a peruca, com o rosto muito vermelho. - Para de rir!

Ele bem que tentou, mas não conseguiu.

- Bom, você vai ter que se acostumar, Hime-sama. - Flower falou, também experimentando um par de óculos. - Embora não seja uma aparência muito digna de Vossa Alteza, é perfeito. Está muito diferente do que você é e ninguém diria que você é… bem… a princesa.

Nesse instante Tomoyo também apareceu, vinda de detrás das árvores onde estava se trocando. Ao contrário da Hime, o uniforme lhe caía perfeitamente bem e realçava a sua beleza estonteante.

- Uau! A Tomoyo-chan está linda!

- Obrigada. - Ela agradeceu a Glow, com um sorriso.

- Acho que vai ser perfeito! - Watery falou, já um pouco menos risonha. - As duas vão ser da mesma sala e todo mundo vai ter olhos para a Tomoyo-chan, quase se esquecendo da Hime.

- Isso não é muito elogioso… - A Hime suspirou, recolocando a peruca. - Mas creio que vai servir para o seu propósito…

Interrompeu-se quando Kero soltou outra gargalhada e, dessa vez, Watery também não conseguiu se segurar.

- Ah, Hime-sama… - Tomoyo era a única parecia estar chateada com a situação, olhando mortificada para a peruca. - É tão triste que você tenha que usar algo tão horroroso, mas é para o seu próprio bem.

- Hunf!

- Foi a única peruca que encontramos! - Glow falou, à guisa de desculpa.

- Isso porque vocês entraram no clube de teatro do Fundamental 4. Se tivessem procurado nos almoxarifados do Colegial 1 ou Ginasial 1, teriam mais variedade.

- Bom… aprendemos a lição. - Falou Watery, finalmente se controlando. - Certamente, precisaremos de mais disfarces para a Hime, então podemos usar algumas noites para procurar mais perucas ou outras coisas que sirvam de disfarce.

- Bom… já que não tem jeito… vou aguentar com coragem o papel ridículo a que vou me sujeitar. - a Hime falou, tentando convencer a si própria. - E vocês? Estão prontas?

Glow estava muito meiga no uniforme do Fundamental 3, de um azul que combinava com seus olhos. Para completar, usava trancinhas nos cabelos lisos e finos. Já Watery havia mudado ligeiramente a aparência. Escureceu a cor da pele, tornou os cabelos bem cacheados e clareou seus olhos. Decidiu que iria para o Ginasial 1. Por fim, Flower prendeu os cabelos num coque bem firme, vestiu roupas bem mais austeras que o normal e colocou também um par de óculos. Tentaria se passar por professora.

- Os documentos já foram preenchidos?

- Sim, Hime-sama. Meu nome agora é Haruki Hotaru. - disse Glow, animada.

- O meu é Ishikawa Mizuho. - Watery também falou.

- E eu sou Tachibana Hanae. - Flower complementou. - Agora, você Hime-sama, não se esqueça que se chama Nakano Hanako. E Tomoyo-chan se chama Kamei Tomoyo.

- Vou lembrar disso. - Disse a Hime, enquanto Tomoyo apenas confirmava com a cabeça.

Resolveram mudar de sobrenome já que "Maki Hanako" já ficara conhecido em Taiyohama. Só não mudaram o nome também porque "Hanako" era um nome bastante comum.

- E eu continuo como um bichinho de pelúcia. - resmungou Kero.

- No dia em que bichinhos voadores amarelos forem comuns e admitidos nas escolas, você vai ser o primeiro a ir, Kerberus. - Watery retrucou, sarcástica.

- Os alunos começaram a chegar. - Tomoyo espiou por entre as árvores - Se me lembro bem, o horário de pico de chegada é umas oito e meia da noite, um pouco antes do fechamento dos portões.

De fato, um grande número de jovens começaram a chegar das várias estradas que levavam a Seitomura, andando apressados, carregando bolsas ou pequenas malas.

- Lembrem-se de apresentar os documentos para o senhorio dos alojamentos. E que vamos nos encontrar amanhã depois das aulas no telhado do Colegial 2. - reiterou Flower antes que Glow e Watery se misturassem com os alunos de suas respectivas escolas. Depois virou-se para Tomoyo e a Hime. - Quanto a vocês duas, fiquem sempre juntas. Se precisarem de mim, apenas puxe as pétalas da flor, Hime-sama.

Para evitar o que acontecera em Taiyohama, Flower agora colocaram uma pequena flor firmemente enroscada por pequenas vinhas na chave da princesa. Ela deu mais um aceno e desapareceu entre a multidão. A Hime agarrou no braço de Tomoyo, sentindo-se subitamente desamparada.

- "Zettai Daijoubu Dayo", Hanako-chan! - A morena falou, sorrindo.

- Eu espero que sim.

Passaram pelos bonitos jardins de entrada e seguiram por uma rua muito larga, que subia. Pequenas placas de metal prateado espalhadas aqui e ali indicavam os endereços dos prédios.

Havia duas avenidas principais: a Norte e a Sul. Ladeando a Norte, estavam as Escolas 1 e 3. Às margens da Rua Sul, estava 4. E havia quatro ruas transversais, que separavam a graduação das escolas. As escolas fundamentais, que ficavam mais abaixo, constituíam de prédios mais baixos, de apenas um andar, enquanto que as Universidades estavam em prédios com muitas torres. As diretorias e Reitorias ficavam no Prédio Central, no topo da cidade, que na realidade era uma enorme torre. Eram arquiteturas completamente diferentes, mas que se complementavam.

- Sempre admirei a disposição das construções da cidade. - Tomoyo comentou, tentando distrair a Hime. - Seitomura é única.

- Eu percebi… - ela respondeu, sem prestar muito atenção. Tomoyo suspirou.

Como Tomoyo previamente explicara, cada escola tinha seus próprios alojamentos, separados por gênero dos alunos. Tomoyo e a Hime seguiram um grupinho de alunas com o mesmo uniforme que elas até um prédio de quatro andares, de pedra branca e grandes janelas. À frente da porta principal, uma mulher alta e curvilínea parava aluna por aluna e checava seus nomes em uma grande lista que segurava nas mãos.

- Alunas transferidas?! - ela perguntou quando chegou a vez das duas, tão surpresa que as sobrancelhas finas sumiram por debaixo da franja curta que usava. Ela folheou febrilmente os papéis que segurava - Não fui informada disso!

- Somos do Continente vizinho a esse Reino. - Mentiu Tomoyo com muita naturalidade, enquanto sentia as mãos trêmulas da Hime apertarem levemente seu braço. - Nossa delegação chegou hoje e já havíamos mandado toda a documentação pelos correios.

- Eu realmente não fui informada! - os papéis eram folheados a uma velocidade impressionante. - Vou ter que consultar o Superintendente e o Diretor do Colégio!

- Isso quer dizer que não poderemos nos acomodar? - Perguntou a morena, num tom muito humilde e preocupado.

Com certeza a beleza e a sinceridade de Tomoyo comoveram a mulher porque ela falou logo em seguida:

- Ora, é claro que poderão! Nossa Escola jamais negou abrigo para um potencial aluno! Deixe-me ver… poderão ficar no dormitório 2S, que está vazio… pedirei para que alguém as guie até lá… Watsuji-chan!

Uma menina de longos cabelos castanho escuro e pele bronzeada voltou-se para a mulher, sorrindo:

- Boa noite, Kurokawa-sensei.

- Boa noite, querida. Você poderia levar essas duas moças para o dormitório 2S? São alunas transferidas. - A mocinha sorriu para Tomoyo e a Hime, que sorriram de volta. - Se precisarem de algo, é só me comunicar. Meu escritório fica no térreo. Meu nome é Kurokawa Tsuru.

- Obrigada, Kurokawa-sensei.

Feitas as devidas apresentações, Tomoyo e a Hime seguiram Watsuji-chan por um lance de escadas e por um longo corredor em que havia grandes portas com pequenas inscrições de prata. Algumas delas estavam abertas e as garotas viram adolescentes arrumando seus quartos ou mesmo conversando nas portas. Algumas olharam curiosas para as duas novatas.

- Não é todo dia que temos alunas transferidas assim, no meio do ano. - Explicou Watsuji-chan. - Então é normal que elas fiquem curiosas, mas todas são muito boazinhas. As alunas deste andar são do primeiro ano. As do segundo andar, segundo ano. E Finalmente o terceiro piso é destinado às veteranas. No térreo, temos o refeitório e o salão comunal.

Subiram mais um lance de escada e chegaram ao segundo andar, que não era muito diferente do primeiro. Ali, também, muitos olhos curiosos acompanharam as três, até uma porta de madeira escura onde na placa prateada se lia "2S". Watsuji-chan abriu a porta e elas viram um quarto muito simples, mas bonito. Havia três camas, guarda-roupas e escrivaninhas, além de um cabideiro e alguns quadros de flores. Da janela, elas podiam ver os gramados onde, com certeza, os alunos deviam passar alguns minutinhos do seu tempo livre deitados aproveitando a brisa.

- É perfeito, Watsuji-chan! Obrigada!

- Ah, não precisa ser tão formal assim. Pode me chamar de Yusa.

- Se é assim, me chame de Tomoyo!

- E eu de Hanako. - Era a primeira vez que a Hime falava e Watsuji a olhou, ligeiramente surpresa.

- Oh, mas você fala! - Então percebeu o que havia dito e corou. - Er… desculpe… Hanako-chan! É que você estava calada o tempo todo e eu pensei...

- Ah… tudo bem… - A Hime voltou, completamente sem graça e se calou.

- Bom… que bom que vocês gostaram do quarto.

- Sim, claro! Ninguém vai se incomodar por nossa causa, não é?

- Não. Na verdade... - Seu semblante entristeceu um pouco - As três meninas que usavam este quarto estão presas na Capital. É bem provável que percam esse ano… letivo.

A Hime sentiu seu coração pesar, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Yusa sacudiu a cabeça ligeiramente e voltou a sorrir.

- Tenho certeza que elas iam adorar dividir com vocês o quarto. As… as aulas começam às 8 da manhã e a nossa professora não gosta de atrasos. Seria legal se vocês ficassem na mesma turma que eu.

- Qual é a sua?

- Eu estou na turma dois, da Escola 2 do segundo colegial. - Deu uma risadinha. - É bom que fica fácil de memorizar. 222.

Tomoyo e a Hime apenas sorriram e então Watsuji falou:

- Vou deixar vocês a vontade. O café é servido a partir das seis e meia. Se precisarem de alguma coisa, o meu quarto é o 2H. Até amanhã, Tomoyo-chan e Hanako-chan!

- Até amanhã, Yusa-chan. - A duas responderam.

Assim que a porta se fechou, Kero, que, surpreendentemente, havia ficado até então quieto, saiu de dentro da bolsa da Hime respirando ruidosamente.

- Finalmente! Achei que ia morrer sufocado!

- Fala baixo, Kero-chan! - Tomoyo pediu.

- Essa é a frase que mais me falam, sabia? - Ele então olhou para a Hime. - Você está bem?

A Hime tirou os óculos e a peruca, com uma expressão feroz no rosto e não respondeu, virando-se para a janela. A cada dia que passava, escutando os relatos e vendo o sofrimento do seu povo, ficava cada vez mais decidida a tomar o seu Reino de volta.

'

Estava numa caverna muito familiar. Das paredes, pingava água que ecoava no chão de pedra. Ela estava parada, em frente a ponte sobre o lago, vendo o fogo lamber a madeira e destruir o único meio de chegar até o pequeno altar no centro. Quando percebeu, estava chorando.

Ouviu passos atrás de si e quase derrubou um menino que vinha correndo em sua direção. Ele parecia ter quase a sua idade, embora tivesse uma expressão de seriedade que o tornava muito maduro. Seus olhos eram muito penetrantes e se fixaram nela com preocupação…

"O que aconteceu?" Ele perguntou e ela reconheceu aquela voz imediatamente.

"elas… minhas… sumiram" Sua voz foi falhando. Ela mexia a boca, mas o som não saia. O rosto do menino foi sumindo numa névoa branca que, de repente, tomou conta da caverna, encobrindo o fogo, a água do lago e as paredes de pedra. O vento começou a soprar, tão forte que ela fechou os olhos por um instante. Quando voltou a abri-los, estava de novo a beira do Abismo do Fim. E as duas silhuetas de sempre do outro lado do abismo…

"O EspelhoEncontre-nosOnde as almas... "

- ONDE FICA ESSE LUGAR?! - Ela gritou de volta, com toda força que podia, mas então caiu na escuridão…

'

Ela acordou, de repente, como se alguém tivesse lhe sacudido. Desnorteada, olhou ao redor e reconheceu o dormitório da escola. O relógio de parede marcava cinco minutos antes das seis da manhã. Acordara muito cedo. Ainda tinha um tempinho se quisesse voltar a dormir, mas depois de alguns minutos se revirando na cama, desistiu e se levantou, indo na ponta nos pés até a janela. Ficou observando o céu passar do roxo escuro para um lilás rosado, sem exatamente fixar o olhar em algum lugar.

- Hime-sama?

Kero levantou-se da cama, esfregando os olhos e veio voando pelo quarto, sentando-se no beiral da janela.

- Caiu da cama?

- Não literalmente. - Ela respondeu, pensativa. - Só acordei cedo demais.

- Isso é bem atípico.

- Kero-chan!

- Ué! Você só perde para Flower em matéria de dormir muito…

- Hunf!

- Mas aconteceu alguma coisa pra você acordar cedo assim?

A Hime franziu a testa para a janela.

- Eu sonhei com aquilo de novo.

- O abismo e os vultos?

- Isso.

- E estavam falando a mesma coisa?

- Sim… "Espelho" e "Almas".

- Isso é tão estranho… esses sonhos estão se tornando muito frequente.

- Só que… antes disso… acho que eu estava sonhando… com outra coisa.

- O que era?

- Não… lembro direito. - Ela forçou a memória. - Tinha uma caverna, fogo… e alguém… uma criança…

- Uma criança? E o que ela estava fazendo?!

- Não sei! Não lembro! É tão frustrante. Mas…

- Mas o quê?

A Hime olhou pela janela

- Sinto como se esse sonho fosse algo familiar.

Kero ficou esperando uma explicação mais detalhada, que ela não deu, limitando-se a olhar o gramado lá fora. Ela não sabia porque se sentia assim, mas achava que aquele sonho era importante e que, por alguma razão, o outro sonho, o do abismo, sobrepôs-se ao primeiro. Quando expôs isso para Kero, ele pareceu confuso.

- Mas por que aconteceria algo assim? Não faz sentido nenhum!

- Você tem razão, só que é assim que eu sinto.

- Hanako-chan?

Tomoyo havia se sentado na cama, bocejando.

- Eu te acordei, Tomoyo-chan?

- Não. Acordei sozinha. Que horas são?

- Cedo ainda.

- A Hime acordou muito cedo. - Kero explicou.

- Mas por quê?

A Hime contou para Tomoyo sobre o sonho e a moça de olhos azuis assumiu uma expressão pensativa:

- Bom… talvez isso tenha relação com o fato do seu círculo mágico ter aparecido. É possível que seus poderes estejam se manifestando mais e, por isso, seus sonhos premonitórios estejam se tornando frequentes.

- É uma possibilidade. - Kero concordou.

A discussão foi subitamente interrompida por um som melodioso, porém alto o suficiente para acordar qualquer um que estivesse dormindo.

- Os sinos! - Tomoyo exclamou. - Já são sete da manhã?!

Depois disso, não houve mais tempo para conversas. As garotas se trocaram e Tomoyo ajudou a Hime a prender seus cabelos rente a cabeça e depois colocar a peruca. Logo em seguida, seguiram um grupo grande de garotas que se dirigiam ao refeitório, onde várias mesas estavam dispersas pelo grande salão amplamente iluminado pelas enormes janelas. Havia uma grande variedade de comidas para o café. Yusa-chan acenou alegremente para elas e as convidou a sentar à sua mesa, apresentando-as para um grupo de meninas do mesmo ano que elas.

Quando perguntaram por que a HIme não estava comendo, ela inventou uma desculpa, dizendo que estava nervosa demais para sentir fome e ficou calada, ouvindo a conversa. Aquele papel de garota tímida e nervosa caía perfeitamente para ela, pois, embora todos fossem educados, não a forçavam a conversar e ela conseguia passar despercebida.

'

- Muito bem, turma! - O professor falou energicamente, abrindo a porta da sala de aula e as conversas animadas pararam imediatamente. - Bom dia!

- Bom dia, Shinohara-Sensei! - A turma respondeu num coro perfeito.

- Antes de começarmos as aulas, gostaria de apresentar duas novas alunas que passarão um tempo conosco.

Tomoyo e a Hime, que estiveram esperando aquele tempo do lado de fora, entraram na sala. Imediatamente os murmúrios se espalharam na sala, enquanto Tomoyo, mais linda do que nunca, se colocava ao lado mesa do professor e sorria gentilmente para os colegas encantados.

- Estas são Kamei Tomoyo e Nakano Hanako. - A Hime percebeu que os colegas mal olharam para ela. - Elas são intercambistas e irão estudar alguns dias na escola para aprender sobre nosso Reino. Sejam gentis com elas. Agora, vejamos… Kamei-san pode se sentar ali na quinta fileira e Nakano-san na carteira vazia ao seu lado. - Só quando estava já sentada em seu lugar que a Hime percebeu que Yusa-chan era sua outra vizinha de carteira e sorriu timidamente para ela.

Até a hora do almoço, tudo transcorreu bem. A Hime achava as aulas fascinantes e absorvia cada detalhe (até mesmo das aulas de matemática, das quais não gostara muito). Quando o sino bateu encerrando as aulas matutinas, praticamente a turma inteira convergiu para o lugar onde as novatas se sentavam. Os garotos estavam completamente fisgados pela beleza de Tomoyo e as meninas, encantadas por sua simpatia. Falavam educadamente com a Hime e até sentiam curiosidade sobre ela, mas não faziam perguntas nem se sentiam encorajados a conversar em razão das respostas monossilábicas daquela garota de cabelo esquisito.

Era estranho que uma garota tão popular como Tomoyo fosse tão amiga de uma moça tão tímida e apagada, fazendo questão de arrastá-la para onde quer que fosse. Por isso, quando os alunos se reuniram para comerem no grande refeitório do colegial, foi com certa má vontade que uma mesa de alunos (a maioria rapazes) cedeu lugar para a Hime sentar ao lado da morena.

- De onde vocês são? - Perguntou uma garota de olhos azuis e cabelos vermelhos.

- De outro continente, bem longe daqui. - Respondeu Tomoyo.

- Foi difícil chegar aqui? - Perguntou um rapaz alto e magro, visivelmente encantado por ela.

- Hahaha… não. Viemos de navio e aportamos em Taiyohama…

No momento em que ela falou o nome da cidade, imediatamente as pessoas se mostraram muito mais interessadas.

- Taiyohama? Você esteve em Taiyohama recentemente?!

- Você deve ter visto a Hime-sama então!

- Ela lutou contra os soldados daquele usurpador e fugiu…!

- Você a viu?

Muitos alunos perguntavam isso ao mesmo tempo e, até que todos silenciaram para ouvir Tomoyo, ela teve tempo para pensar.

- Infelizmente, não a vimos. Chegamos há duas semanas neste maravilhoso Reino e demos uma passada em Hanamura primeiro, porque queríamos ver a grande Cerejeira.

Era visível o desapontamento no rosto dos outros alunos e a Hime deu um suspiro baixinho de alívio.

- Que pena…

- Dizem que ela é muito bonita! - Comentou um garoto, olhando para Tomoyo, completamente encantado. - Mas aposto que não é tão bonita como você, Kamei-can.

- Imagine. - Ela respondeu, rindo com naturalidade. - Eu tenho certeza que a Hime é a pessoa mais linda do Reino.

A Hime corou e abaixou a cabeça para que ninguém notasse seu embaraço.

- Ela é corajosa também! Enfrentou aqueles soldados e Thunder! - Afirmou uma garota, animadamente. - E a gente achando que ela havia fugido e se escondido…

- Tenho certeza que ela está tentando achar alguma maneira de tirar aquele usurpador da Capital! - Completou outra.

- Ou vai ver teve que lutar porque foi descoberta… quem garante que ela se importa com a gente? - uma menina baixinha e gordinha argumentou, azeda.

Repentinamente, Tomoyo bateu com o punho fechado na mesa.

- Duvido! - Ela percebeu que a reação dela foi muito intensa e se controlou, voltando a falar normalmente. - Pelo que ouvi falar desde que chegamos aqui, a Hime não teve muita escolha, não é? Aqueles soldados não estão de brincadeira. Eles não querem prender a Hime, eles querem matá-la! Então é normal que ela precise se esconder. Mas eu tenho certeza que ela está tentando encontrar uma solução para esse problema. Então, tenham fé!

Houve um repentino silêncio depois desse discurso e Tomoyo olhou brevemente para a Hime, que sorria, agradecida.

- Duvido muito. - A garota emburrada voltou a resmungar

- Belo discurso, Kamei-san! - O garoto apaixonado de antes falou, ainda babando pela moça. - Você parece uma princesa. Será que não é a Hime disfarçada?

- Hahahaha… fico lisonjeada pela comparação, mas estou muito longe de ser uma princesa. - Ela respondeu calmamente e a Hime se perguntou como ela conseguia agir assim tão naturalmente.

Felizmente, o sinal tocou, o que impediu mais perguntas indiscretas e todos foram para suas respectivas salas.

'

- Caramba, nós esquecemos de combinar nossas histórias! - Watery falou, assim que a Hime e Tomoyo contaram o que havia acontecido na hora do almoço.

Estavam as duas, mais Kero, a Conselheira da água e Flower no telhado do Colegial 2, conforme combinado. O dia lentamente acabava e a luz batia alaranjada no piso de pedra, enquanto uma brisa morna balançava suavemente os cabelos das garotas.

- O que você falou quando te perguntaram sobre a sua vinda, Watery? - Perguntou Flower.

- Disse apenas que havia chegado alguns dias antes. Mas devo dizer que eles são muito quietos e se mostraram mais interessados na minha antiga escola e nas minhas notas que nas minhas origens. Tive que inventar um monte de coisas.

- E você, Flower-san? - Tomoyo olhou para a ruiva, que neste momento soltava os cabelos cacheados do coque apertado.

- Foi bem sossegado. Achei que teria mais dificuldades em relação aos outros professores, mas todos são muito bonzinhos. Estou ensinando culinária.

- Achei que você ensinaria ciências naturais ou botânica.

- Hehehe… até poderia, Tomoyo-chan, mas minha especialidade é flores e quase não sei nada sobre os outros tipos de vegetais. Isso aí quem sabe é a Woods. Achei melhor ensinar culinária. Gostei bastante, inclusive. Meus alunos são ótimos.

- Você pegou que turma? - Kero perguntou.

- A princípio, três turmas do Ginasial 4. Contudo é provável que aumentem minhas turmas.

- Que legal.

- E eles perguntaram algo sobre o lugar de onde você veio? - A Hime questionou.

- Sim… eu inventei que vim do Sul e foi isso. Mas agora vamos combinar nossas histórias. Temos que falar o mesmo que Tomoyo-chan e a Hime-sama.

- Melhor esperarmos Glow-san chegar.

- Falando nisso, por onde anda aquela menina? - Watery perguntou impaciente. Nesse instante o relógio da torre principal badalou oito vezes. - Já está muito tarde e nada dela chegar.

Quinze minutos depois, quando já estavam ficando realmente preocupados, a garota surgiu escancarando a porta de acesso, completamente esbaforida.

- Desculpa, gente. É que as atividades do clube de literatura só acabaram agora!

- Espera um pouco… você está há um dia na escola e já entrou em um clube? - Perguntou Kero, aturdido.

- Na verdade, entrei em dois! - Ela falou, toda sorridente. - Também estou no clube de poesias!

- Glow, lembre-se que vamos ficar aqui pouco tempo… não vá querer tomar um monte de responsabilidades agora… - Watery recomendou.

- Eu sei, mas… eu sempre quis estudar e participar da vida escolar… - Ela voltou seus enormes olhos azuis para a outra. - Prometo que vou conseguir dar conta de todas as minhas responsabilidades, tanto como aluna quanto Conselheira.

Era impossível negar qualquer coisa àqueles olhos e àquela carinha meiga.

- Só tente não se atrasar quando marcarmos essas reuniões, ok? Daqui a pouco o toque de recolher vai soar e teremos que voar para nossos alojamentos.

- Sim! - Ela respondeu, toda feliz.

Contaram a ela rapidamente os eventos daquela tarde e combinaram as histórias. Então Tomoyo e Kero se afastaram, indo se sentar encostados no parapeito do telhado. A Hime transformou Sword em espada e a fincou no chão. Watery, Flower e Glow voltaram às suas formas verdadeiras e se posicionaram ao redor da princesa.

- Muito bem, Hime-sama. - Watery disse - Vamos tentar invocar o círculo mágico primeiro. Concentre-se na sua magia e naquilo que você deseja.

A Hime fechou os olhos. Respirou fundo, como havia feito em Taiyohama e concentrou-se no mantra Real.

"Zettai daijoubu dayo"

Não havia nada na escuridão. Ouvia o vento soprando. Ouvia os sons distantes dos últimos alunos indo embora para os dormitórios. Sentia o calor morno da luz do dia que morria no horizonte em sua pele.

"Zettai daijoubu dayo"

Ela sentiu algo quente brotar em seu peito. Mesmo através do olhos fechados, ela sabia que era uma luz, cálida, tímida, que pulsava em seu interior. A mesma luz que brilhava toda vez que ela precisava se superar.

"Zettai daijoubu dayo"

Ela forçou aquela luz a se espalhar pelo seu corpo, descendo pelo seu tronco, subindo pelo seus braços, envolvendo o seu rosto.

"Zettai daijoubu dayo"

Ela sentia que a luz pulsante e quente podia ir muito mais além, mas algo a limitava. O que era? Ah, sim… sua pele.

"Zettai daijoubu dayo"

Ela forçou a luz para que rompesse aquela barreira, que se expandisse muito além dos limites do seu corpo. A sua testa estava franzida e suas unhas apertavam a carne de suas próprias mãos. Fora muito fácil na noite da luta contra Thunder, mas ali, sem o sentimento de urgência e desespero, era quase impossível.

"Zettai daijoubu dayo"

- Hime-sama… relaxe… - A voz de Flower parecia vir de muito longe. - É a sua primeira tentativa, então…

"Zettai daijoubu dayo"

As palavras finais da Conselheira foram perdidas em sua própria concentração. Pensou no poder das palavras e no poder que sabia que estava dentro de si. Poder! Essa era a palavra certa! Porque não era só o poder mágico em si…

...era a certeza de ser capaz de fazer!

"Zettai…"

Fez com que a luz dentro de si aumentasse e circulasse mais rápido em seu interior…

"...daijoubu…"

Ela mal conseguiu sentir que o vento lá fora começou a circular à sua volta com força, vindo de cima para baixo…

"DAYO!"

A luz ultrapassou o limite e irradiou com ferocidade ao seu redor, por alguns segundos. Ela abriu os olhos a tempo de ver uma luz irradiando no chão e formando um círculo ao seu redor, com vários símbolos e formas. Então tudo desapareceu e ela sentiu suas pernas fraquejarem.

- Hime-sama! - Gritaram Glow e Watery ao mesmo tempo, quando ela se ajoelhou fraca no chão.

- Eu… estou bem... Só é muito... cansativo.

- Eu disse para que não se forçasse muito. - Flower a repreendeu, mas parecia impressionada. Olhou para as próprias mãos. - Por um momento, senti-me muito mais forte do que normalmente sou.

- Eu também. - Glow voou até perto da Hime.

- Mas eu também senti que a Magia estava incontrolável. Todos os conselheiros devem ter sentido o mesmo. - Watery deu com os ombros. - Mas ao menos, ela não chamou ninguém desta vez.

- Hanako-chan, você está bem? - Tomoyo chegou perto da amiga, com a expressão preocupada.

- Sim. Só estou cansada. Fique tranq…

Ela parou de falar. Todos escutaram passos pesados que iam se tornando mais altos, vindo da porta de acesso ao telhado. Tomoyo ficou mais branca que o normal. Kero colocou as mãozinhas na boca para não falar nada. Só deu tempo de tirar Sword do chão e se agruparem antes que Watery fizesse a sua parede de água ilusória, bem na hora que a porta se abria.

- Quem está aí? - Uma voz masculina forte e jovem ecoou pelo telhado. A Hime não conseguia ver quem era pois Flower e Tomoyo estavam na sua frente. - Eu ouvi gritos vindo daqui e o toque de recolher vai ser dado em cinco minutos! É melhor sair!

Eles mal atreviam a respirar. A Hime ouviu os passos se aproximando, sentindo-se tremer ligeiramente.

- Kurōkami-senpai! - Mais passos vieram pela porta. Agora parecia ser uma garota. - Tanuki-sensei já vai fechar a escola. Precisamos ir.

- Eu tenho certeza que escutei um grito vindo do telhado.

- Grito? - A segunda voz repetiu, parecendo surpresa. Depois de um momento, completou. - Não estou vendo ninguém. Deve ter sido impressão sua.

- Talvez. Na verdade, pensei que podia ser a Yanagisawa de novo.

- Ah, não. Ela está cumprindo a suspensão.

- Entendi.

- Então vamos logo. Não gosto de ficar até tarde. A escola à noite me dá arrepios.

Ela não esperou resposta e saiu do telhado. O garoto ainda ficou parado por alguns segundos antes de também voltar pela porta e fechá-la. Eles ouviram o clique da porta sendo trancada e passos se afastando. Só então Watery desfez a parede de água e eles puderam relaxar.

- Você está bem, Watery? - Perguntou Kero, preocupado.

- Sim. Imagino que esteja mais forte por causa do poder da Hime-sama.

- Vamos precisar tomar cuidado da próxima vez. - Flower atalhou. - Precisamos encontrar um lugar seguro para treinarmos.

- Podemos discutir isso em outro lugar? - Tomoyo perguntou. - Já estão fechando a escola e eles são muito rígidos em relação a estar fora dos alojamentos à noite.

- Sim… vamos só dar um tempinho para eles irem embora.

Esperaram mais quinze minutos antes de, finalmente, passarem pela escola deserta (Watery foi abrindo todas as portas trancadas) e atravessarem a cidade deserta rumo a seus respectivos dormitórios.

'

A Hime foi acordada no dia seguinte pelo sino da escola. Bocejou enquanto trocava de roupa e bocejou no caminho para o refeitório. No terceiro bocejo sentada à mesa, enquanto Tomoyo comia um pêssego, esta perguntou:

- Você não dormiu bem? Teve algum daqueles sonhos?

- Na verdade, eu dormi bem demais. Sem sonhos estranhos. Só que ainda estou muito cansada, como naquela vez em Taiyohama.

- Deve demorar para o seu corpo se acostumar. Como fazer exercícios físicos.

- Talvez…

Eles foram interrompidos quando vários admiradores vieram cumprimentar Tomoyo e a Hime teve certeza que deve ter cochilado porque, quando se deu conta, o refeitório já estava meio vazio. Ainda pensou em cabular aula, mas sua amiga não recomendou essa atitude. Foi quase se arrastando que chegou à classe, alguns segundos antes do sinal tocar.

Durante a manhã, felizmente, ela foi se sentindo menos sonolenta (embora a aula de matemática tenha se provado um verdadeiro desafio). Quando faltavam uns vinte minutos para o fim do período matutino, bateram na porta frontal da classe. Shinohara-sensei parou a aula e foi atender. De onde estavam, a Hime e Tomoyo não puderam ver quem era, mas imediatamente, um burburinho excitado começou lá na primeira fileira e foi se espalhando até chegar onde as meninas se sentavam.

- Kurōkami-senpai! - uma menina a frente da carteira da Hime exclamou, excitadíssima.

A Hime imediatamente se lembrou do nome que havia escutado na noite anterior, no telhado. Ela se entreolhou com Tomoyo, que parecia igualmente surpresa.

- Quem é Kurōkami? - Ela perguntou, mais para si mesma, mas Yusa-chan escutou.

- Kurōkami Chiisa-senpai. É o presidente do Conselho Estudantil. - Ela suspirou. - É lindo, inteligente, maduro… e solteiro!

- O que será que o presidente do Conselho Estudantil viria fazer aqui, interrompendo as aulas? - Tomoyo perguntou, olhando signitivamente para a Hime mais uma vez.

Nesse momento o professor voltou para a sala acompanhado de um garoto alto de cabelos castanhos fartos e bagunçados. Embora fosse magro, tinha o físico saudável de um atleta e seus ombros largos se assentavam perfeitamente no uniforme escolar do terceiro ano do colegial. Tinha um rosto bonito, sério, com olhos muito penetrantes, nariz afilado e boca de lábios bem feitos. A Hime entendeu imediatamente porque as meninas ficaram todas alvoroçadas quando ele entrou, sentindo seu próprio coração bater um pouquinho mais depressa.

- Silêncio, classe! - Shinohara-sensei exclamou com energia. - Kurōkami-san precisa dar alguns avisos.

- Bom dia, turma 2-2-2. - Ele começou, com sua voz agradável e profunda. - Ontem à noite, durante uma vistoria no último andar da escola, ouvi um barulho vindo do telhado. - A Hime voltou seus olhos para Tomoyo, que, por sua vez, fixava os seus calmamente no rapaz. - Escutei relatos também de alguns alunos que viram uma luz muito intensa no mesmo lugar, o que confirma minha teoria de que alguém estava naquele lugar, há poucos minutos do toque de recolher.

Ele fez uma pausa, olhando diretamente nos olhos dos estudantes. A Hime teve uma súbita sensação de que o já vira antes...

- Todos aqui sabem que é uma violação do código escolar estar fora dos perímetros permitidos durante o toque de recolher, passível de penalidade. Inclusive, há três dias, uma colega de vocês foi pega por infração semelhante e está suspensa das aulas. Peço para que todos tomem cuidado para que esse procedimento não se repita, pois os maiores prejudicados são os próprios alunos.

Quando terminou, o silêncio perdurou por vários segundos. Ele conseguia muito facilmente controlar a atenção das pessoas e mantê-la para si.

- Por fim, gostaria de desejar as boas vindas às duas alunas estrangeiras. - Sua voz estava um pouquinho mais descontraída quando falou. - Espero que gostem de nossa cidade e aproveitem sua estadia aqui.

Nisso, os cochichos recomeçaram, enquanto Kurōkami-senpai perscrutava entre os alunos para achar as novatas e finalmente seu olhar recaiu sobre Tomoyo e a Hime. Mas, para a completa surpresa da princesa, em vez de se fixarem e se encantarem pela beleza de Tomoyo, os olhos azuis profundos do rapaz caíram nela e se fixaram por um tempo desconfortavelmente longo nos cabelos pretos da peruca e em seus óculos quadrados. E ela sentiu como se ele estivesse lendo sua alma e descobrindo todos os seus segredos…

(continua)


Bom… não tenho muito a dizer sobre esse capítulo, mas acho que vocês tem muito a dizer dele pra mim, não é? ):3

Algumas coisinhas importantes: inesperadamente, estou conseguindo encaixar minha criatividade literária nas horas de almoço do meu trabalho e, com isso, estou conseguido produzir bastante. O capítulo 9 já tá pronto e o 10 a caminho, então daqui a um mês já vai ter capítulo novo na área.

Esse arco dessa cidade originalmente tinha apenas 2 partes, mas devido a eu escrever demais, vai ter ao menos 4. Então acostumem-se com certos personagens de olhos azuis que vão aparecer bastante no futuro.

Por fim, quero deixar um enorme beijo às pessoas que estão acompanhando a fic. Por favor, tenham paciência comigo e lembrando que as reviews estão aí para cobranças e sugestões. Um beijo especial para a Minhoquinha-chan (que está usando um nick complicadíssimo aqui no FF e estou com preguiça de copiar e colar aqui) pela review.

Muitos beijos a todos e até mais

By Cherry_hi