Os personagens dessa fanfic são obra da autora JK. Os não citados na obra de Harry Potter são de minha autoria.

Capítulo 02

Beco Diagonal

Lílian foi retirada da lareira com muita brutalidade. Sua boca estava tapada pelas mãos de um comensal demasiado grande e bruto. A preocupação da ruiva era com sua amiga desacordada.

- O mestre irá ficar muito satisfeito - falou a voz enguiçada de uma mulher que segurava os cabelos de Helene -Potter e uma sangue ruim. Pergunto-me qual das duas vai morrer primeiro – uma risada longa e fina fez os cabelos da nuca de Lílian arrepiarem. Ela estava em completo desespero: suas mãos estavam presas nas suas costas e sua melhor amiga desacordada. A morte era algo inevitável.

Os outros quatro comensais, os que não seguravam ninguém, foram se aproximando da garota. O olhar desesperado de Lilian foi atraído para o teto, ela estava suplicando aos céus por ajuda. A resposta veio de imediato: Lílian viu três figuras andando agachados pelas quinas horizontais do teto: James, Remo e Sirius estavam para socorre-la.

- Deixe a sangue ruim comigo- falou a voz abafada de um dos comensais dirigindo-se ao brutamontes que segurava a ruiva. O comensal tapou a boca da garota, mas, quando foi prender suas mãos, Lilian o mordeu

- Sua miserável! – gritou o comensal contraindo-se de dor. Lílian estuporou o grandão e os três marotos pularam para o combate. James correu em direção à comensal que segurava sua prima soltando-a com um feitiço, em seguida colocou-a nos braços e correu em direção à Lilian.

- Vamos, deixe eles com Sirius e Remo - o garoto correu para as escadas e começou a subir com Lílian o seguindo. No final do corredor, abriu a porta usando suas costas. Eles entraram em um quarto amplo onde não existiam janelas. James colocou Helene na cama e pegou seu punho. Lílian percebeu o quão preocupado o garoto estava, porém sua expressão foi suavizando.

-Você está bem? – perguntou enquanto examinava o rosto pálido da ruiva.

- Estou, Potter – falou Lilian piscando rápido - Helene está...

- Desacordada. Bateram na cabeça dela. Não se preocupe, ela vai ficar bem.

Aproximando a varinha do nariz da prima, James falou

- Odore

Uma fumaça verde musgo saiu da ponta da varinha do garoto e foi aspirada por Helene. Instantaneamente, ela acordou tossindo bastante.

- Oi para você também - falou Helene rouca tentando sentar-se.

- Vá com calma – James impediu-a de se levantar - Vocês ficam aqui, quando a barra estiver limpa eu venho busca-las.

- O que você quer dizer com... - Lilian mal terminou de falar e James fechara a porta trancando por magia. Irritada, Lilian começou a bater na porta de madeira.

- IDIOTA! – gritou, por fim. Parando de socar inutilmente a madeira

- Relaxa, ruiva – Helene levantou-se cambaleando e foi até uma das caixas no fundo do quarto. Usando sua varinha, explodiu uma e pegou duas pequenas barras de chocolate

- Como posso ficar calma com aqueles três duelando lá em baixo? - Lílian pegou o chocolate oferecido por Helene – eles podem morrer - falou histérica

- Não vão. Nós vamos ajudar. Por onde eles entraram?

- Pelo teto

Helene olhou para o teto e focou na quina que estava acima da porta

- Lily, me ajuda aqui por favor – enfiou o último pedaço de chocolate na boca e foi até a mesa que estava no meio da sala. As duas amigas levantaram-na até perto da cama. Helene subiu e ajudou Lilian a fazer o mesmo

- Eu e James conhecemos o teto do caldeirão furado como ninguém – agora ela estava escalando uma das quinas do teto- são três andares: o bar, o hotel e este sotão que tem a lareira de Flú – estavam andando a gatinhas até a parte que estava acima da porta de entrada. Lílian agora observou que existia uma portinhola na parede.

- Nós vivíamos aqui para roubar chocolate. Depois nos pagávamos ao Tom, lógico- a morena começou a bater na portinhola com os ombros- Droga! Está emperrada

- Emperrada?!- falou Lilian incrédula- você por acaso esqueceu que é uma bruxa?!- falou fazendo a amiga se afastar- vai para o lado, BOMBARDA MAXIMA!

Um estrondo levou parte da parede superior ao chão. As duas pularam e começaram a correr escada a baixo. O andar estava tomado por azarações. Remo tinha o nariz fraturado, as pontas dos cabelos de Sirius estavam queimadas e James, só Merlin sabe como, estava lutando sem óculos. Lílian sentiu falta de um comensal que apareceu as suas costas tentando enforcá-la. Helene foi mais rápida e empregou-lhe um murro que rachou sua máscara.

- AI! Minha mão - falou choramingando

- Estupefaça – gritou Lílian para o comensal- mande um patrono para seus pais. Nós não temos chance!

-Expecto Patronoum- uma raposa apareceu e desapareceu agilmente

-Sectumsempra!- gritou um comensal em direção a James

-Protego!- Lílian foi mais rápida e a azaração por pouco não atingiu o maroto. Por alguns segundos, a garota ficou olhando o comensal que tentara azarar James: era o mesmo que ela tinha mordido a mão. Só uma pessoa usava aquele feitiço: Severo Snape

- Expeliarmus – Gritou James que recuperara os óculos- Lily, saia daí!

Com muita relutância, Lilian voltou ao presente e começou a gritar

- De todas as pessoas do mundo, como VOCÊ pôde fazer uma coisa dessas?

James teve de segurar a ruiva pela cintura e ficou entre Lilian e Snape, a esta altura, James não tinha mais certeza de nada que poderia acontecer ali.

- Você vai se arrepender de ter dito isto. Vai se arrepender- não era preciso ver o rosto de Severo para saber que ele estava em cólera

- Não a ameace, ranhoso – disse James- Você está em desvantagem

- É mesmo, Potter?

Um grito agudo de Helene ecoou pela sala. O comensal da máscara rachada fora acordado e agora estava torturando a garota

- Crucio... Crucio!- falou mais de seis vezes rindo de satisfação

- Lene! – gritaram James e Lílian ao mesmo tempo, mas nada puderam fazer porque Sirius adiantara-se dando uma paulada no comensal com uma tora de madeira

- Crucio! - gritou a mulher comensal em direção a Lílian

- Nela não!- gritou Severo Snape, mas, James jogou-se na frente da ruiva. Ele não gritou de dor.

Seis estalos sucessivos fizeram os comensais começarem a se retirar. Ajudando os companheiros desacordados, eles aparataram e sumiram pela lareira. Seis figuras estavam na sala: quatro aurores, o ministro da magia e o diretor da escola de magia e bruxaria de Hogwarts, Alvo Dumbledore.

- Chegamos tarde, é uma pena- falou o ministro analisando a situação- espero que ninguém esteja machucado – disse com um sorriso amarelo sem graça.

- Não, senhor. Não estamos machucados- falou James ajoelhando e sentindo dificuldade para respirar- Só temos nariz quebrado, maldição cruciatus e minha prima desacordada ali atrás. Ainda estamos no lucro – James respirava profundamente como se o ar do mundo fosse acabar.

Lílian agora conseguia analisar o ambiente em que estava: James ajoelhado a seus pés sem conseguir se manter consciente, Helene desacordada nos braços de um Sirius muito preocupado e Remo, com o nariz quebrado, não sabia se ajudava Sirius ou James então resolveu ficar no centro da sala olhando para os dois lados.

-Lene! – gritaram duas aurores e foram em direção a garota. Uma delas era a cópia mais velha de Helene usando óculos retangulares de armação fina: era sua mãe, Angela Martinson. A outra era uma mulher ruiva de olhos verdes que Lílian não conhecia.

- Espero que o ministro esteja satisfeito com o "pouco estrago"- falou um senhor que Lilian conhecia por Nathaniel Martinson, o pai de Helene.

- Venhamos e convenhamos Nathaniel, você responderia a um patrono desconhecido? Ainda mais sendo uma raposa! Você sabe que são bichinhos muito enganadores- falou o ministro girando um chapéu coco roxo em suas mãos – Além do mais, o que nosso esplendoroso garoto Potter estava fazendo aqui com sua inseparável trupe? – perguntou o ministro apontando para James que tossia sem parar. Remo, finalmente, decidiu que era melhor ajudar James, seu olhar continuava incrédulo no ministro.

- O que o senhor está querendo insinuar do meu filho, ministro? - perguntou um homem que era a cópia de James.

Helene deu um gemido de dor alto, indicando sua saída do desmaio. Sirius respirou aliviado e colocou a garota sentada gentilmente. Por incrível que pareça, Helene estava mais pálida que costume. A mulher ruiva levantou- se e foi até o ministro.

- Durante anos nossas famílias serviram como aurores para o ministério da magia. O senhor tem a audácia de acusar meu filho de fazer artes das trevas sem nem mesmo conhecê-las? - falou a ruiva ficando mais perto do ministro amedrontado- mas, o senhor não tem a coragem de colocar em Azkabam as famílias que são responsáveis por ataques como este!

Dumbledore, que ainda não pronunciara uma palavra, observava o ministro atentamente.

- Sarah, você não pode estar falando sério, não é? Eu simplesmente não posso mandar as mais antigas famílias mágicas para a prisão sem provas! - falou em tom de censura.

- O engraçado é que coincidentemente são as mesmas famílias que ajudam financeiramente o ministério, não é? - Falou o homem que parecia com James.

Um patrono em forma de pato apareceu na sala e entregou um recado pedindo o retorno do ministro ao seu gabinete.

-Bem... não há mais nada por aqui, então já vou indo- falou botando o chapéu coco na cabeça.

- O senhor não confia em uma raposa mas confia em um pato- falou Sirius levantando-se.

- Senhor Black, a reputação das raposas não e muito boa se é que me entende...- disse em tom de desculpa

-Era uma raposa do ártico! - falou Sirius com um olhar mortal no rosto.

-Lógico!- antecipou-se Dumbledore- são bichinhos muito confiáveis de verdade, creio que não mais que as fênixes- disse olhando para Helene- um patrono excelente, senhorita Martinson ... fiquei encantado.

A presença do professor Dumbledore consegue amenizar qualquer tipo de ambiente, era realmente sorte ele estar lá.

- Bom...estou atrasado, até algum dia- com um estalo, o ministro desapareceu.

-Potter, você está bem? - perguntou Lílian abaixando-se para encarar James. Um sorriso exagerado apareceu no rosto do garoto.

- Agora que você está ao meu lado, ruivinha, eu estou bem melhor. Mas, ainda preciso de cuidados- falou sorrindo maroto.

- Ótimo. Você não precisa de mais nada- falou levantando-se e deixando James frustrado- Remo, deixe-me cuidar do seu nariz

- Dão precisa, Didy...- falou Remo Lupim no momento em que a garota tentou ajeitar seu nariz- AI!...-por reflexo levou as duas mãos ao nariz- Obrigado. Ficou ótimo.

Remo John Lupim é um grande amigo de Lilian. Juntos, eles eram os monitores chefes da Grifinória. Eles tentavam manter a casa em ordem, porém ficavam só na tentativa.

- Não vai nos apresentar à sua amiga? - falou o homem que parecia com James. A mulher ruiva foi juntar-se ao grupo.

-Tem razão... esqueci- James levantou-se com um salto, perdeu o equilíbrio mas foi amparado por Remo

-Lily, estes são meus pais Julian e Sarah Potter. Mãe e Pai esta é a minha futura noiva- Lílian ficou muito vermelha e com uma vontade interna de matar James, mas conseguiu sorrir gentilmente

- Mãe, é sério, eu estou bem- falou Helene irritada tentando fugir dos braços da mãe.

Os Potters riam abertamente da tentativa frustrada de Angela examinar sua chegou a uma conclusão: aparência é carga genética dominante para os Potter! O pai de James é irmão gêmeo da mãe de Helene. A única herança que o pai de Helene passou para ela foi o fato de não ser míope.

-Eu adoraria saber o que os senhores - apontou para James, Remo e Sirius- estavam fazendo aqui – Quem fez a pergunta foi Nathanael Martinson.

O pai de Helene é loiro de olhos verdes. Seus cabelos salpicados de fios brancos, estavam presos em um rabo de cavalo que ia até os ombros.

- Queríamos dar as boas-vindas para Lene e minha ruivinha- falou James. Lílian estava apertando suas mãos para não bater nele- ai percebemos que algo estava errado porque a porta de entrada estava trancada e alguém enfeitiçou com abaffiato, ai resolvemos entrar por um caminho alternativo.

Risadas não, gargalhadas do pai de James e da mãe de Helen ecoaram pela sala. James e Sirius sorriam satisfeitos e Remo estava entre o riso e a seriedade. Ele era monitor chefe tinha de dar exemplo.

-Professor Dumbledore – falou Lílian encabulada –Severo Snape era um dos comensais que nos atacaram.

-Ah, eu devia ter imaginado – falou Dumbledore andando- Mas não podemos fazer nada a não ser observar ... Não vocês- falou apontando para os cinco garotos- mas sim os professores. Até lá, espero que nossos monitores chefes cuidem de seus amigos.

Lílian e Remo sorriam um para o outro. Manter James e Sirius fora de encrenca era uma tarefa muito difícil.

Depois de um exame físico minucioso, feito pelos corretos Nathanael e Sarah, os garotos saíram para fazer as compras de material. No meio da tarde, com tudo comprado e embalado, os Potters e os Martinson foram embora para avisar aos pais de Lílian que a garota iria passar o resto das férias na casa de Helene, por medida de segurança porque os Evans não precisavam saber do ataque.

As duas garotas esperavam os marotos sentados em um banco perto do carrinho de sorvete, eles ainda não tinham terminado o horário de trabalho.

-Eu vi seu grande esforço para se dar bem com o meu primo- falou Helene irônica

- Pensei que estivesse desacordada- falou Lilian em tom de brincadeira mas percebeu que, pela primeira vez na vida, sua amiga estava falando sério, então resolveu assumir uma postura defensiva – você queria que eu me acostumasse com as exibições dele e ainda mais chamasse pelo primeiro nome de uma hora para outra?

- Tentar, de boa vontade, seria muito bom - as duas agora se encaravam

Vozes altas masculinas indicavam a vinda dos marotos em direção das garotas.

Lílian ficou observando a chegada dos garotos. Não era por acaso que os três eram considerados os mais bonitos de Hogwarts: Remo tinha o jeito de ser mais comportado, puro engano, e seus cabelos loiros curtos davam-lhe uma impressão angelical, mas era só impressão. James era desleixado: Lílian nunca vira seus cabelos arrumados. Sirius era o mais alto dos três: cabelos pretos cacheados sem volume, até os ombros.

- Lily - falou Helene em tom cansado- procure coisas boas nele... só para ser amigo- Lílian assentiu com a cabeça e as duas sorriam para os marotos.

- Está se sentindo melhor? - perguntou Sirius a Helene sentando-se no murinho atrás da garota.

- Estou sim falou com um sorriso mas sem olhar para o garoto- eu te devo minha vida.

Helene virou-se e os dois ficaram com olhar fixo sorrindo. Lílian ergueu uma sobrancelha. Ela sabia que os dois se gostavam mas não entendia o motivo de não estarem juntos. Sirius podia sair com mais da metade das garotas de Hogwarts mas não saia com a mulher que ele amava de verdade!

James olhou para os dois com tristeza e suspirou. Ele foi sentar-se no murinho atrás de Lílian. Helene saiu de seu mundo particular e abriu espaço para um Remo desconfiado sentar-se entre ela e sua amiga.

-Lily, a que horas você vai para a casa do doce mal presságio da minha prima? - perguntou James brincando com uma mecha de cabelos da ruiva de modo discreto. Sirius lhe deu uma tapa na nuca pelo comentário sobre Helene.

- Não sei... porque a pergunta? - Lilian virou-se para encarar o garoto que sorria abertamente.

- Porque está quase na hora do nosso show.

Eram quatro horas da tarde e o beco diagonal estava cheio. A maioria dos presentes eram crianças. Lílian ficou olhando incrédula para o sorridente garoto na sua frente e perguntava-se que tipo de show seria. Mas, para aflorar o instinto assassino de Helene, o comentário da ruiva foi outro.

-Potter, me chame de Evans

-Mas é muito formal- James fez cara de criança contrariada

-Nós não temos intimidade – se olhar matasse, Lilian já estaria morta e Helene presa em Azkabam

- Pontas, tá na hora- falou Remo para evitar uma briga.

Apesar do comentário mal educado de Lilian, James não se abalou.

- Prestem atenção. Vai ser divertido – James falou sorrindo

Os três garotos levantaram-se e caminharam para o centro da praça. Helene voltou a sentar-se junto da amiga e resolveu castigá-la com um doloroso beliscão nas costelas. Lílian engoliu a dor porque sabia que merecia tal punição.

Os três garotos estavam no centro da praça, de costas um para o outro, com as varinhas erguidas. Três patronos saíram da ponta de suas varinhas sem a emissão de um único som. Os animais eram um cervo, um cão e um lobo. Os três estavam sorrindo abertamente e liberaram os animais inquietos que começaram a flutuar pelo beco diagonal. Crianças sorriam e corriam atrás dos patronos. Jovens e adultos pararam suas atividades e em segundos um grande círculo foi formado com três adolescentes ao centro. Sem consegui enxergar direito, Helene e Lílian subiram numa árvore perto do local em que estavam sentadas para poder assistir o que se passava. Remo estava retirando uma bola do tamanho de um pomo de ouro de seu bolso. Sirius e James sacudiram as varinhas fazendo aparecer um bastão de luz, aparentemente solido, da ponta. Os patronos estavam pulando freneticamente, era cômico ver um lobo fazer isto. Remo bateu, delicadamente, na bola e ela saiu voando.

Crianças começaram a gritar de alegria, James bateu na bola, de forma teatral, e ela se dividiu em quatro pássaros. O patrono de Sirius tentou engolir um deles, mas, ele transpassou o cachorro e se transformou em uma borboleta. Lílian estava encantada com a brincadeira: cada vez que os pedaços da bola entravam em contato com os patronos ou o bastão, aumentavam um pouco de tamanho e se transformavam em animais, além de, algumas vezes, multiplicarem-se. O beco diagonal estava tomado por animais feitos de fumaça dourada que flutuavam entre expectadores admirados pela beleza da magia de três adolescentes. Helene e Lílian resolveram conjurar seus patronos, corça e raposa. Era divertido vê-los pular sobre cabeças que possuíam sorrisos bobos.

Lílian viu Sirius e James irem até o carrinho de sorvetes e tocarem a varinha nos diversos sabores que estavam no carrinho. Recebendo um sinal de James, Remo fez sua varinha descrever um arco no ar e os patronos começaram a juntar os fragmentos-animais da antiga bola. Uma grande esfera de luz dourada pairava acima da cabeça de Remo. Sirius e James apontaram suas varinhas para a esfera que brilhou furiosamente. Os patronos fizeram a bola de luz explodir com uma colisão de fumaça. Um brilho dourado tomou conta do ambiente. Aplausos começaram a nascer mas o show ainda não terminara: a explosão fez cair um leve brilho dourado do céu que se transformou em uma luzinha flutuante na frente de cada presente. Lílian percebeu que alguns colocaram a pequena luz na boca. Incentivadas pelas palavras de Remo, as duas amigas fizeram o mesmo.

- Comam- falou o garoto

- Cada um deles irá formar o sabor do seu doce favorito- falou James observando o público obedecer ao incentivo de Remo. Lílian achou a sensação de mastigar algo que não fosse sólido engraçada mas ela não podia negar que foi prazeroso.

-Vocês podem encontrar estes sabores em forma de sorvete – Sirius começou a falar - mas só em um lugar - o garoto apontou para o sorveteiro no fundo da praça.

Foi uma cena rápida: uma imensa fila começou a se formar no sorveteiro sorridente com a venda muito satisfatória do dia. Os marotos estavam retornando muito satisfeitos ao local em que as garotas estavam.

-E então? - Perguntou Remo sentando no murinho.

Sirius esticou a mão para ajudar Helene a descer, o cavalheirismo ainda existia entre os marotos, James foi fazer o mesmo com Lilian. O sorriso da ruiva foi morrendo quando viu a mão da pessoa que ela menos aturava esticada a sua frente. A garota olhou desconfiada para a mão estendida e o sorriso de James foi tomando um ar de tristeza.

- Só quero te ajudar a descer, nada de mais

Lílian, encabulada, aceitou a ajuda do garoto. Um lampejo de vida passou pelo sorriso de James. Era fácil agradar o garoto, pequenos atos de confiança faziam o dia de James mais colorido, Lilian ainda não percebera isto.

O toque da mão de James era suave e quente. No momento em que Lílian segurou-a um frio na barriga apoderou-se da garota.

- Foi realmente muito bonita a mágica de vocês- Lílian falou diretamente a James que triplicou o seu sorriso.

Os marotos passaram alguns minutos contando como fizeram a mágica, só foram interrompidos pelo chamado do sorveteiro que estava contando seu lucro muito satisfeito. Os três marotos levantaram-se indo até o sorveteiro e voltaram com cinco grandes sorvetes.

- Chocolate com abóbora para você- Falou James entregando uma casquinha enorme para Lilian

- Como você sabe que eu gosto? - perguntou Lilian comendo o sorvete.

- Você sempre come a mesma sobremesa em Hogwarts- James estava sorrindo.

Lílian ficou atordoada. Ela não fazia ideia que James Potter ficava observando o que ela comia. Ela estava tão impressionada que não escutou que os sorvetes eram o pagamento que recebiam do sorveteiro, então eles passaram todos os dias das férias almoçando sorvete.

- Potter...- começou Lilian encabulada- pode me chamar de Lilian

O garoto de um sorriso exagerado

- Pode ser Lily?- falou da maneira que uma criança pidona faria

- Lílian. Vamos dar um passo de cada vez

- Então me chame pelo primeiro nome. Quando puder te chamar de Lily você me chama de pontas, certo? - falou piscando para a garota. Os anos de convivência com a ruiva, de gritos para ser mais especifico, fizeram James aprender, com uma ajuda de Remo, claro, que é melhor concordar e não contrariar. As ruivas podem ter instintos assassinos.

-Tudo bem, Potter, que dizer, James – Disse Lílian encabulada.

No final da tarde, as garotas foram para a casa dos Martinson e os marotos para a casa dos Potter, escoltados por uma preocupada Sarah. Depois de uma reforçado jantar, a mãe de James descobriu que o almoço deles se resumia a sorvete, tomaram banho e foram para o quarto de James.

Apesar de pertencer a uma família inteiramente mágica, seu quarto tinha muitos apetrechos trouxas. Quando Remo e Sirius começaram a vir passar as férias na casa, os pais de Peter não permitiam que ele ficasse fora de casa por tanto tempo, o quarto fora magicamente aumentado. Três camas cabiam folgadamente dentro do quarto e uma bandeira da Grifinória estava presa no teto. Atrás da porta de entrada estava outra bandeira só que com um cervo, cachorro, lobo e rato contornando um grande M, era o símbolo dos marotos.

-Pela primeira vez o nosso trabalho não foi tedioso- Falou Sirius jogando-se na cama ao lado da janela.

-Até que os comensais da morte podem fazer o dia de alguém feliz- falou James enquanto Remo sentandava-se em uma mesinha e encantando o tabuleiro bruxo para mais uma sangrenta batalha contra Sirius.

James foi até a estante, que ocupava uma parede inteira do chão ao teto e pegou um livro. Sim, James Potter adorava ler mas este era um segredo de marotos já que ele não queria ser conhecido como intelectual.

- Eu adoraria que existisse um manual de como fazer Lilian Evans se apaixonar por mim- disse olhando tristemente para a capa do seu livro e indo sentar-se no chão perto dos amigos.

- Já pensou em fingir que desistiu dela e tentar ser amigo? Ai, quem sabe, você conquista a garota- falou Sirius olhando para James.

O garoto fechou seu livro e ficou observando a tentativa frustrada de Remo em vencer Sirius no xadrez bruxo.

- Aluado, você vai perder- falou James- continue, almofadinhas

Remo perdeu o bispo e soltou um palavrão

-Você fica amigo dela, desmancha sua imagem de maníaco e conquista a ruiva- falou Sirius como se fosse a coisa mais fácil do mundo- você é bom em enrolar,pontas

- Não é fácil fazer isso com ela, almofadinhas – disse James com um suspiro de cansaço.

-Eu concordo com almofadinhas- falou Remo para o amigo- vence esta partida para mim que eu te ajudo com a ruiva.

James e Sirius travavam uma batalha acirrada no xadrez. Pouco a pouco as peças iam diminuindo até a vitória e James e a frustração completa de Sirius

-Pronto, aluado, seja um lobo feliz e aprenda a jogar xadrez com o mestre aqui.

Remo podia ser o mais estudioso dos marotos mas, em termos de xadrez, perdia feio para James e Sirius.

-Pontas, não sei o que faria sem você- disse enquanto juntava as peças do jogo

- Aluado, sua vez de ajudar nosso amiguinho equino- falou Sirius sentando-se na cama

- Eu já falei que é cervo- falou com um olhar servero para o amigo que ria abertamente.

Remo foi até seu armário e entrou nele. Os marotos viviam de invenções, por isso, guarda-roupas foram aumentados magicamente para caber todas as ideias perigosas e a enorme quantidade de pertences, principalmente de quadribol, dos garotos. Barulho de objetos caindo emanavam do armário de Remo. Depois de alguns minutos, o garoto finalmente encerrou sua procura misteriosa, na saída tropeçou em uma vassoura. Recompondo-se da vergonhosa queda, ele foi até os amigos e jogou um objeto preto em forma de paralelepípedo no chão. James não entendeu e arqueou uma sobrancelha. Remo bateu no objeto e este se dividiu em dois.

-Aluado, você e um gênio! - falou Sirius rindo abertamente.