Kacchan
Quando finalmente saímos da estação, já estamos no nosso bairro. A situação foi meio constrangedora durante todo o trajeto. Eu estava todo molhado e com frio, tentando não olhar para ele, para que não percebe-se que estava envergonhado. Eu queria pedir desculpas, mas não tinha essa coragem. Não sei a quanto tempo queria fazer aquilo, mas me pareceu certo e necessário. O que será que ele pensa disso? Eu não tenho ideia de como agir agora e isso tá me deixando irritado, ele deve me achar um fraco.
Quando já estamos subindo as escadas para o apartamento dele, sinto meu estômago da voltas. E agora, o que eu faço? Acho melhor inventar uma desculpa e ir para casa, mas não quero e ainda tá chovendo. O som da chuva abafado dentro daquelas paredes me faz relaxar.
"Chegamos!". Diz ele, mas dá para sentir que ele também está nervoso e o fato de saber ele está nervoso me deixa menos nervoso.
Ele abre a porta e me deparo com apartamento pequeno, mas me sinto bem naquele ambiente. Os cômodos são pequenos, mas bem cuidados e tudo parece ter um valor emocional.
Ele me guia pela sala, até onde acredito que seja a porta do quarto dele.
"Espera só um minuto". Diz ele em um tom meio nervoso.
Então ele entra no quarto, ouço alguns barulhos e depois de alguns segundos ele abre a porta um pouco ofegante e entro. O quarto dele é exatamente como imaginava, com vários pôsteres de super heróis, o que dá um visual meio geek. Nas paredes os posters cobrem quase tudo com uma precisão cirúrgica, mas as roupas dele e cama estão meio bagunçadas.
Fico parado no meio do quarto sem saber muito bem o que fazer. Será que devo me sentar na cama dele?
"Ah! Espera só um minuto". Diz ele de repente.
Vejo ele pegar uma toalha e um conjunto de moletom para mim no seu guarda roupa. Ele me entrega e me indica o banheiro, que é no quarto mesmo e me dirigo a ele.
Acho que ele também está nervoso, já que não fala nada e só gesticula. Eu entro, estou feliz por está aqui.
Deku
Quando ele finalmente ele entra no banheiro, me deito na cama e me do um tempo para respirar, pensar e tentar entender o que tá acontecendo.
O que vai acontecer agora? O que o beijo significou para ele? O que o beijo significou para mim? Eu posso confiar nele? O que vamos fazer agora?
Me dou conta de que ele ainda não comeu nada, eu também não. É melhor fazer algo quente para nós dois. Me levanto e vou para cozinha. Pego duas tigelas de sopa instantânea na geladeira, coloco no microondas, o ligo e escuto a porta do banheiro sendo aberta. Pouco depois o Kacchan surge na cozinha, com os cabelos molhados e com as roupas que dei para ele.
"É a sua vez". Diz ele não me olhando diretamente.
Fico meio confuso de início, mas me dou conta de que ainda estou com o uniforme.
"Kacchan...eh...comida... microondas..." Digo meio nervoso. Ele está bem melhor e quero olhar mais para ele, mas tenho que me controlar.
Ele acena com a cabeça confirmando que entendeu e é o suficiente para mim. Passo por ele, tentando não pensar muito e vou para o meu quarto, pego algumas roupas, também um conjunto de moletom e entro no banheiro. Tomo banho mais rápido possível, me visto, mas quando saio do banheiro, o Kacchan está comendo em cima da minha cama com um minha tigela de sopa do seu lado, ele me olha com um pedido mudo para que sente do seu lado. Me sento meio sem jeito e começou a comer a sopa que ainda está um pouco quente . Ele termina primeiro que eu e fica me observando comer, é meio constrangedor, mas gosto que ele esteja perto de mim. Quando termino ele pega a tigela das minhas mãos.
"Já volto". Fala ele, surpreendentemente calmo.
Alguns segundos depois ele volta e se senta do meu lado. Por alguns minutos, que demoram a passar, nenhum de nós fala nada.
"Cadê sua mãe?". Pergunta ele, para tentar quebrar o gelo.
Eu não quero falar sobre isso. Não agora que estou superando. Não suportaria. Sinto uma mão sobre a minha e o encaro. E sinto algo molhar meu rosto.
"Não precisa falar se não quiser, desculpa, não queria fazer vc chorar, eu não queria..." Diz ele.
Eu aceno a cabeça para dizer que estava tudo bem.
Kacchan
Depois de alguns minutos ele se acalma e quero reconfortar-lo, mas não sei como. Minha mão ainda está sobre a dele, não quero tirar, a sensação é boa.
Eu quero melhorar, quero ser o tipo de pessoa que sabe o que fazer nessas horas.
"Deku...". Ele já não está chorando tanto. "Me desculpa, eu não sei o que dizer e..."
"Tudo bem...". Ele diz com a voz um pouco rouca. "O que importa é que você tá aqui". Ele diz e sorri para mim.
Eu não mereço esse sorriso, eu era que deveria está consolando, que patético que eu sou.
"Por que é tão gentil comigo? Eu não mereço!". Digo me exaltando um pouco.
Sinto que vou começar a chorar de novo, que droga. Agora é ele que segura minha mão, tentando me passar segurança.
"Kacchan, o que está acontecendo? Pode confiar em mim". Ele diz, com aqueles olhos gentis sobre mim.
Devo ter começado a chorar porque ele fica ainda mais preocupado e vira o corpo totalmente para mim.
"É que...". Eu tento dizer mas começo a soluçar.
"Você pode me contar. Confia em mim, por favor". Ele começa a dizer, entrelaçando suas mãos nas minhas. "Eu estou aqui por você, não vou te julgar. Juro".
"Eu não aguento mais...". Tento continuar mas começo a soluçar. Ele me espera continuar. "Eu não aguento mais ficar naquela casa".
"O que está acontecendo?". Ele me perguntou, preocupado, apertando um pouca minhas mãos.
"Eu não aguento mais meus pais me usado como ferramenta para atingir um ao outro, não aguento mais as discussões, de me culpar por estarem se separando, de ter que escolher um lado, eu sou patético". E começo a soluçar mais forte.
"Você não é patético, é o cara mais incrível que conheço e seus pais não tem o direito de fazer isso com você." Ele diz calmo, me abraçando e consequentemente me acalmando. Gosto do seu toque.
Eu devo está com uma cara de derrotado, sinto meus olhos inchados, e meu nariz escorrendo. Me sinto derrotado, patético, merda, não queria está assim.
Mas apesar disso tudo ele me beija. Ainda abraçados, ele começa a aprofundar o beijo. É um beija calmo, gosto de sentir o gosto dele, ele está cheiroso porque acabou de tomar banho, quando paramos de nós beijar a respiração dele está pesada e a minha também. Eu quero poder me sentir assim mais vezes, vivo. Quero poder fazer isso todos os dias. Eu poderia? Ele quer o mesmo? Oque somos agora?
"Dorme aqui, por favor". Ele me pede meio corado.
