*Naruto POV*
Estando assim, com nossos corpos nus e suados colados um ao outro, com a pele ainda arrepiada e sensível por tudo o que acabara de acontecer, eu finalmente estava em paz. Fazer amor com Sasuke, seja o preenchendo, seja sendo preenchido por ele, foi a experiência mais arrebatadora pra mim. E olha que eu já tive situações extremamente impactantes. Mas depois de tantos anos de desejos sufocados, o encontro do corpo com a alma, a sensação de completude que me dominou me fazia querer gritar pro mundo e ao mesmo tempo me esconder com ele nessa cabana pra não precisar passar um minuto que fosse longe desse moreno convencido.
— Naruto
Ele me tirou de meus devaneios
— Hã?
— Precisamos de um banho.
— Certo
E assim foi. Tomamos banho juntos, conhecendo o corpo um do outro apenas com olhares, beijos e toques suaves dessa vez. Analisei cada cantinho da pele alva maculada por ferimentos de luta e marcas de amor e me deixei ser analisado pelos olhos poderosos de Sasuke. Passeei com minha mão limpando e acariciando aquele corpo, buscando descobrir os pontos sensíveis ao toque mais sutil e deixei que meu corpo fosse explorado da mesma forma. Não faço ideia de quanto tempo ficamos fazendo amor, só sei que começamos quando ainda era dia e agora o céu já estava escuro há tempos. Depois de limpos, rumamos para a cama mais uma vez, ambos sorrindo pela lembrança do que acabara de acontecer ali.
Dessa vez foi Sasuke que se aconchegou a mim e quando acordei com o sol forte batendo no meu rosto era ele que dormia no meu peito. Lindo. Sasuke sempre foi lindo, mesmo antes de entender tudo o que sentia por ele eu era obrigado a admitir isso. Mas agora, agora que pertencíamos um ao outro de todas as maneiras que se pode pertencer a alguém, sua beleza era ainda maior aos meus olhos. Estava me deixando apreciar a beleza estonteante do homem adormecido em meus braços quando senti um chakra se aproximando. Fiquei imediatamente em alerta e Sasuke acordou com a sensação e eu pude sentir seu rinnegan analisando os arredores imediatamente. Ativei o modo Sennin rapidamente e logo ambos relaxamos quando identificamos a quem o chakra pertencia.
A clone de Sakura surgiu na janela, e logo ficou extremamente corada. Só quando Sasuke riu é que fiquei consciente da nossa nudez e cocei a nuca um pouco envergonhado. Então a rosada falou
— Ai, deveria mesmo ter deixado o Kakashi-sensei vir, que vergonha
— Hm, vergonha mas não para de encarar né?
— Sasuke, não seja cruel
Eu disse me movimentando para levantar, mas sendo impedido pelo abraço possessivo do outro em minha cintura. Notando que de fato os olhos de Sakura não se desviavam de nós – principalmente de Sasuke – me estiquei para pegar o lençol e cobrir pelo menos a parte inferior de nossos corpos.
—Ohayo Sakura-chan, desculpe por isso
— Olá Naruto-kun. Já está um pouco tarde para um bom-dia. Eu que me desculpo, mas vocês não chegavam, tive que vir procura-los.
— Nós perdemos um pouco a noção do tempo por aqui, acho que você pode imaginar o porquê
Apesar da provocação Sasuke tinha um pequeno sorriso divertido nos lábios.
— Aliás, Sakura, a quanto tempo estamos aqui?
— Cinco dias. A Hokage compreendeu quando eu e Kakashi-sensei explicamos que vocês precisavam de um tempo a sós, mas os outros Kages estão impacientes.
Eu sabia que essa hora ia chegar. Não muito tempo atrás eu estava ansioso pra voltar pra vila. Mas agora, a perspectiva do que iria acontecer com Sasuke me deixava apreensivo com nosso retorno.
— Eu vim avisá-los que, apesar da Tsunade-sensei estar fazendo de tudo pra adiar as buscas por vocês até o fim das homenagens de amanhã, há rumores de que os outros kages querem enviar alguém a sua procura ainda hoje.
Suspirei. Era inevitável.
— Sakura-chan, por favor, diga aos Kages que eu mesmo levarei Sasuke pra vila ao anoitecer. Peça a eles pra confiarem em mim mais uma vez. Até porque, não quero perder a cerimônia, preciso prestar minhas homenagens.
Neste momento não pude deixar de sentir uma pontada tristeza ao lembrar de todos que pereceram na guerra, principalmente de Neji. Imediatamente senti os dedos de Sasuke me fazendo uma carícia suave então o olhei e sorri pelo gesto.
O olhar de Sakura também se voltou para Sasuke, sua expressão era de indecisão.
— Eu não vou fugir Sakura. Mesmo que pudesse não o faria.
A seriedade das palavras e o olhar penetrante de Sasuke foram mais que suficientes para convencê-la de que ele falava a verdade.
— Certo. Vou passar o recado.
E assim o clone se desfez.
— Naruto, por que só ao anoitecer? Não era você que queria voltar logo e que estava todo confiante?
— Você mesmo disse Sasuke, cometeu muitos crimes e se fosse apenas pela obaa-chan talvez as coisas fossem mais fáceis, mas não serão tão simples com a Aliança Shinobi e o conselho.
— Mas não adianta tentar adiar o inevitável, Dobe. Eu já aceitei que serei punido.
— Sim. Mas nós podemos criar mais algumas boas lembranças antes disso...
*Sasuke POV*
Eu sabia exatamente o que Naruto queria dizer com novas lembranças e nem pensei em questionar. Logo estávamos nos livrando do lençol que nos cobria para apreciarmos novamente nossa nudez. Mas, impressionante como o mesmo ato com a mesma pessoa poderia ser tão diferente. Se na noite anterior tudo tinha uma aura de competição e nossos toques haviam sido curiosos, afobados, fortes e por vezes quase violentos, dessa vez não podia ser mais diferente.
Os toques estavam mais certeiros, nossas mãos e bocas já conhecendo melhor o corpo alheio, porém bem mais suaves. O ritmo, bem mais lento, embora nossos corações estivessem mais desesperados. Mas cada carinho, cada beijo molhado sobre a pele, cada leve arranhão ou mordida, tudo transmitia nossos mais profundos sentimentos.
Assim, foi de maneira lenta que me enterrei em Naruto. A baixa velocidade não diminuiu a intensidade, pelo contrário. Estava consciente de cada mínimo detalhe de Naruto. Suas pernas enroscadas em meu quadril, ora me apertando e me puxando mais para si, ora afrouxando o aperto com um leve tremor. Sua mão, que vez ou outra me tocava de maneira tão suave e ainda assim transmitia uma eletricidade por meu corpo. Seu rosto corado não por vergonha, mas por prazer. Seus olhos que tão logo se fechavam se rendendo às sensações voltavam a abrir como se fosse um crime não olhar, me fazendo desejar me afundar naquele azul. Sua boca, vermelha e molhada, que se revezava entre ficar entreaberta deixando escapar suspiros e gemidos e presa entre os dentes. Seu interior, palpitando levemente ao meu redor, quente, úmido e apertado, me fazendo delirar a cada movimento. Tudo me parecia extremamente lindo e sensual no meu loiro.
Meu. A constatação de que Naruto é meu aumentou ainda mais meu prazer e passei a estocar com um pouco mais de intensidade. Me inclinei sobre seu corpo, aprofundando mais o alcance de meu membro em si, buscando beijá-lo. Um beijo lento, ofegante, que abafou um gemido mais alto dele. Quando nos separamos e novamente me perdi no azul de seus olhos ele sussurrou, quase sem fôlego
— Eu te amo... tanto...
E foi demais pra mim. Suas palavras e sua voz me levaram além do limite e me desfiz dentro de Naruto, olhando em seus olhos, respondendo sua declaração com o olhar enquanto sentia meu corpo se arrepiar e ter espasmos, deixando apenas aquele azul em minha mente.
Não queria desfazer o contato mas reuni toda minha força pra sair de dentro dele e não ser um egoísta. Naruto ainda não tinha gozado. Assim, me deitei de bruços, com o quadril levemente empinado e puxei sua mão até o meio de minhas nádegas, indicando que poderíamos continuar.
Naruto me preparou com cuidado. Me beijava e lambia as costas, as pernas, o pescoço, enquanto fazia o vai-e-vem com seus dedos.
— Você é lindo Sasuke. Sabia que eu fiquei bem orgulhoso em ver o jeito que a Sakura-chan te olhou?
— Orgulhoso?
— Sim. Por saber que você é meu.
— Conven...aah...cido
Mas essa era uma verdade que eu não podia e nem queria negar.
*Naruto POV*
— Mas é verdade não é? Me diz que você é meu Sasuke...
Eu já sabia, mas queria ouvir. Não era uma provocação nem uma competição, era só um desejo profundo de ouvi-lo declarar essa verdade. Ele pareceu perceber isso em meu tom, porque respondeu de maneira arrebatadoramente sincera
— Sim, Dobe, você é meu e eu sou seu. Sempre.
A felicidade que irradiou em meu peito só não foi mais intensa do que a necessidade urgente de me conectar a ele mais uma vez. Assim, tirei meus dedos do interior de Sasuke, o beijei rapidamente e o virei de lado, me posicionando atrás dele e colando nossos corpos. Meu rosto em sua nuca. Meu peito em suas costas. Minha mão, logo após posicionar meu membro em sua entrada pra que eu começasse a penetrá-lo, o apertando firmemente contra mim. Quando entrei totalmente escutei um gemido sôfrego vindo dele e suspirei próximo ao seu ouvido, fazendo-o se arrepiar. Me movimentava devagar, sentindo cada sensação, revirando os olhos quando Sasuke se empinava e rebolava contra mim. Não demorou até que eu chegasse ao meu ápice, gozando dentro dele que, apesar não ter atingido um novo orgasmo, gemeu com a sensação.
E o tempo foi passando sem que ousássemos nos levantar. Tínhamos forças apenas para as nossas trocas de olhares, carícias, beijos, poucas palavras, muitas promessas mudas. Foi tempo suficiente para nossos corpos nus esquentarem outras vez, pra Sasuke sentar em minhas coxas e começar a nos masturbar simultaneamente, primeiro devagar, depois com mais urgência. Pra minha mão passear por seu quadril, sua bunda, seu abdômen enquanto a dele trabalhava em nós dois juntos, nossos membros roçando um no outro deliciosamente. Pra eu quase perder a sanidade ao observar as expressões de prazer do meu moreno, ora mordendo os lábios, ora jogando a cabeça pra trás, ora me olhando de maneira intensa.
Quando senti que nos aproximávamos do fim, entrelacei minha mão à dele, ajudando nos movimentos e pedi
— Me beija
E foi assim que chegamos ao orgasmo, juntos pela primeira vez, em meio a um beijo cheio de sentimentos que engoliu nossos arfares de prazer.
*Sasuke POV*
— Precisamos ir
— Eu sei
Mesmo assim nenhum de nós se mexia. Uma parte de mim queria ficar nessa cabana pra sempre, sem nunca mais me separar de Naruto. Outra sabia que isso não seria justo com ele e que eu tinha coisas a acertar pra de fato merecê-lo. Foi muito lentamente que nos beijamos pela última vez naquela cama e nos levantamos. De maneira estúpida, apenas limpamos nossos corpos dos fluídos que liberamos, sem tomar um banho de fato, não querendo que o cheiro do outro deixasse nossos corpos por agora.
Quando saímos da cabana e me virei em direção ao caminho que levaria à Konoha, fui impedido por Naruto.
— Ainda não Sasuke
— O que está fazendo Dobe? O sol já está se pondo...
— Não vamos demorar
Querendo ficar um pouco que fosse mais ao seu lado, me deixei levar e não posso dizer que fiquei exatamente surpreso quando percebi para onde estávamos indo. Ao chegarmos no Vale do Fim, um sentimento de culpa me abateu. As coisas que fiz a Naruto, não só aqui e não só uma vez. Como pude machucar tanto a quem mais amo? Eu estava realmente cego. Não importa quão poderosos meus olhos sempre foram, eu enxergava o mundo através de um véu horrível de ódio, rancor e confusão. E longe de Naruto, de sua luz, tudo ficou ainda mais distorcido, a ponto de o véu me cegar. Não consigo nem imaginar como seria viver se de fato tivesse matado o meu melhor amigo, meu amor, meu irmão de alma, minha alma gêmea. Minha face devia estar deixando claro a natureza de meus pensamentos, pois Naruto logo chamou minha atenção
— Oe, Teme, tá tudo bem.
— Hm
— Eu vim aqui muitas vezes ver o pôr-do-sol... E eu sempre pensava em você. Agora eu estou muito feliz de poder compartilhar esse momento contigo.
Não dava pra negar. A visão era mesmo estonteante. E a mão de Naruto segurando a minha de modo firme só melhorava o quadro. Mas não pude deixar de provocar...
— Você parece uma menininha apaixonada falando assim Usuratonkachi.
— Você sabe bem que não nenhuma menininha Sasuke-Teme.
Abaixei a cabeça pra não deixar ele ver o sorriso que brincava em meus lábios e avistei, ao longe, próximo do local aonde alguns dias antes tínhamos caído exaustos e confessado nossos sentimentos mais perto da morte que da vida, as mãos decepadas das estátuas de Madara e Hashirama, os dedos unidos, em sinal de paz. E não pude deixar de contemplar a ironia de que tivesse sido justamente num lugar chamado Vale do Fim o Início da minha verdadeira paz, de uma vida nova, de meu novo olhar.
