N/A:

Correndo com o vento eu to ansiosa pra postar cada vez mais e mais dessa história!

Então vamos lá!

xoxox

Capítulo 2

Tomar de conta dele estava sendo fácil. Metal realmente não exigia muito nem fazia muita coisa além de abraçá-lo aleatoriamente e tentar balbuciar palavras que não conseguia pronunciar. Gaara achou uma graça quando tentou cantar a canção-tema Bubble Guppies. A letra correta era "Bu-bu-bubble gup-gup-guppies", mas ele fazia "bub-llll. Bub-lll. Gup". O que era quase o certo e ele estava feliz em cantar.

Enquanto o menino estava fascinado com o show, aproveitou para ficar pesquisando no celular sobre como fazer pequenas tarefas sobre tomar conta de um bebê, como trocar as fraldas. OK. Parecia bastante fácil.

Também havia algumas perguntas que desejava ter feito a Lee antes dele adormecer, como o que fazer para Metal jantar. Ele decidiu, então, ligar para Ino para ver se ela sabia mais a respeito.

- Crematório da cidade. Seu defunto, nosso churrasco.

- Ino.

- Gaara.

- O que devo fazer de jantar para uma criança? - perguntou e ela ficou quieta.

- Espere... você está tomando conta do Metal?

- Sim. Eu mandei Lee para cama uma hora atrás e eu percebi que Metal ainda não jantou. O que crianças comem?

- Hum... Sopa de letrinhas? Não tenho ideia. O que tem na cozinha?

Gaara franziu a testa.

- Provavelmente cloreto de urânio, visto quão toxica está aquele lugar. - falou, secamente.

- Aw, ele deve estar tão cansado para limpar. Pobre rapaz. Você é um amor por ajudá-lo.

- Ino. O que... Crianças... Comem? - Gaara repetiu e a loira suspirou profundamente na outra linha.

- Me passe o endereço. Eu estou indo...

Meia hora depois houve uma batida na porta. Gaara atendeu com Metal apoiado na lateral de seu quadril e recebeu a sacola que Ino estendeu em sua direção, antes de entrar na casa. Ele pareceu confuso, mas não disse nada. Sentando juntos no sofá, colocou a criança entre os dois e abriu a sacola, percebendo alguns compartimentos de comida chinesa.

- Obrigado, Ino.

Ela sorriu, desembalando os recipientes. Gaara abriu o dele e ofereceu ao pequeno. Metal olhou para baixo, confuso, mas riu e agarrou o pedaço de brócolis, sugando por alguns minutos. Quando terminou, ele colocou o pedaço amassado e encharcado na mesa de café e olhou para cima com expectativa por outro.

- Metal. Você deveria comer o brócolis, não abusar dele. - a criança fez um bico e começou a tremer o lábio. Gaara suspirou e deu-lhe outro, sob a risada de Ino.

- Cara, o garoto te tem na palma da mão. - comentou alegremente e Metal virou-se para ela com um enorme pedaço de brócolis saindo de sua boca. Era impagável. Puxou o celular e tirou uma foto enquanto ria e Gaara também deu um pequeno sorriso. Especialmente porque a criança nem estava sugando dessa vez, ele simplesmente olhava ao redor da sala com um brócolis pendurado na boca.

Eventualmente, conseguiram alimentá-lo. Ele gostava da comida de Ino mais do que a de Gaara, então sentava mais perto dela e abria a boca de forma exagerada sempre que havia engolido sua parte e a avistava com um pedaço de frango com seus pauzinhos. Ela resmungava algo, então ria e daí cedia. Levando em conta como o menino a rejeitou anteriormente, estava estranhamente tocada com o quão perto ele estava, praticamente sentado em seu colo.

Quando terminaram de comer, Ino levantou-se e olhou em volta da sala de estar, percebendo que, apesar da bagunça em todos os outros lugares, Lee mantinha a área reservada a Metal sistematicamente limpa e bem organizada. Ao lado do berço portátil havia uma pequena cômoda, então ela abriu a gaveta e procurou pijamas para trocá-lo. Separando as peças, junto de uma fralda em cima do trocador, virou-se para a criança. com um sorriso.

- Hora do banho. - disse com alegria. O garoto estava absolutamente coberto de molho. Estava por toda parte, mesmo em seus cabelos e sobrancelhas.

- Nã. - Metal disse calmamente e Gaara franziu a testa.

- Hora do banho. - ele repetiu e o pequeno virou-se em sua direção, com um olhar confuso no rosto.

- Nã?

Gaara o pegou e caminhou até encontrar o banheiro, Ino o seguiu.

- Você já deu banho em uma criança antes? - perguntou à amiga, que zombou em resposta.

Ela empurrou a cortina do chuveiro para fora do caminho e ligou a água, testando a temperatura com o pulso antes de tapar o dreno da banheira. Assim que encheu o suficiente, desligou a água e tirou a roupa de Metal, que estava sendo surpreendentemente permissivo com tudo. Ino colocou-o na banheira e ele olhou para Gaara.

- Mama.

Ele sentou-se ao lado da amiga, apoiado na banheira, enquanto ela enxaguava o cabelo do pequeno do jeito mais cuidadoso que conseguia, e as reações de Metal fazia parecer que ela estava tentando afogá-lo.

- Drama queen. Incline para trás e você não vai molhar os olhos. - Ino disse e Gaara revirou os olhos ao fato de que ela estava dizendo a uma criança de 1 ano que ele era uma rainha do drama.

- Eu volto já.

Ino apenas assentiu em resposta enquanto esfregava o shampoo, e o ruivo saiu em direção à cozinha. Realmente aquele lugar parecia ter sido vítima de algum acidente nuclear. Gaara lavou os pratos, sem deixar de imaginar o quão doméstico era aquela situação, da parte deles. Não pôde deixar de rir sobre a ironia que havia sobre ele e Ino tomando de conta de um bebê juntos.

Quando Ino saiu do banheiro, Metal estava embrulhado em uma toalha como um burrito e ela ostentava um sorriso enorme.

- Ele não é um bolinho? - disse com uma risadinha e Gaara sacudiu a cabeça enquanto a amiga levava o pequeno para se vestir.

Assim que terminou, pretendeu se juntar a eles, mas uma rápida olhada para o relógio e já marcava 8:17. Lembrando que havia se programado para colocá-lo para dormir às oito, pegou a mamadeira que deixara no escorredor, encheu de leite e se dirigiu à sala.

Ele desligou a maioria das luzes do ambiente e Metal esfregou os olhos com cansaço. A falta de sono devia o estar atingindo também.

- Obrigado pela sua ajuda, Ino. - ela respondeu num balançar de cabeça e bagunçou seu cabelo.

- Eu nunca estive aqui. Bye. - sussurrou e beijou a bochecha de Metal. - Tchauzinho, garotão. Cuide do Gaara.

Sozinho, Gaara o embalou em seu braço enquanto Metal bebia sua mamadeira. Ele estava lutando contra o sono acumulado, chutando as pernas e chorando, mas, finalmente, por volta das 8:49, adormeceu. E quando adormeceu, foi nocauteado, sem conseguir nem manter a boca fechada.

O ruivo, então, o colocou em seu berço, o cobrindo com um cobertor.

Agora, decidiu, terminaria de limpar a cozinha.


Quando Lee acordou na manhã seguinte, sentia-se fantástico. Claro que ainda havia alguma exaustão acumulada do mês e sua alimentação não estava sendo tão correta quanto deveria, mas sentia-se como se realmente fosse capaz de fazer as coisas hoje.

Ele saiu do quarto, entrou na cozinha e fez uma pausa, olhando ao redor.

O lugar estava um brinco. Sem pratos. Sem lixo em todos os lugares. O chão estava brilhando. Os balcões estavam limpos. Lee cobriu a boca, segurando as lágrimas. Ele estava tão agradecido. Quando se acalmou, entrou na sala de estar. Assim como o outro, este ambiente havia sido arrumado. E o que mais surpreendia, seu filho ainda estava deitado no berço, espalhado e roncando baixinho. Seu sorriso não podia ser mais brilhante. Metal dormia exatamente como ele.

Silenciosamente, Lee abriu as gavetas para separar algum conjunto para a criança, fazendo uma nota mental de que precisava comprar mais alguns. Ele não tinha muitas roupas pra começar, mas Metal iria crescer rápido. Logo que tudo estava ajeitado, recolheu o filho de sua cama e percebeu o quão limpinho ele cheirava. Gaara deu-lhe um banho? Havia algo que esse cara não conseguia fazer?

Lee vestiu Metal lentamente, com todo o cuidado do mundo para não acordá-lo. Trocou sua fralda, colocou roupas novas, um casaco e o envolveu em um cobertor. Com o menino devidamente empacotado, vestiu a própria jaqueta e se dirigiu ao trabalho com Metal em seu carrinho.


Gaara estava sentado ao lado de Temari quando recebeu uma mensagem de Lee, no dia seguinte:

Muito obrigado por tudo. Eu não consigo agradecer o suficiente. Estou muito emocionado por ter alguém tão amável para me ajudar. Se houver algo que eu possa fazer por você, me avise. Eu vou fazê-lo imediatamente.

- Falando com Ino? - sua irmã perguntou, não prestando muita atenção. Gaara a olhou, ponderando sua resposta, e no final decidindo que era melhor se precaver.

- Sim.

Ela concordou com a cabeça, e então ele pegou seu telefone e subiu ao seu quarto. Enviou a Lee a foto de Metal com o brócolis saindo da boca com um sorriso. O rapaz o respondeu com emojis chorando.

Você conseguiu até que ele comesse brócolis ? O que você não consegue fazer?

Para ser justo, ele realmente não comeu tanto quanto deveria, apenas sugou até não querer mais.

Isso é mais do que ele já fez por mim! Obrigado Gaara! Você é realmente uma dádiva de Deus!

Deitado de bruços na cama, ele sorriu para a tela de seu celular. Era bom quando alguém reconhecia que estivesse fazendo coisas boas. Seu pai costumava dizer que nada de bom poderia vir dele. Não que não gostasse de seu pai, eles se aproximavam sempre que precisavam, o problema era a impressão que Rasa insistia a manter sobre si. Gaara não se importava muito com essas coisas, mas se seu pai preferia pensar que ele acabaria por se juntar a uma gangue, que fosse. Era só continuar a agradá-lo com notas altas e ele o deixaria em paz.

Escrevendo em sua cama, ele se perguntava quando será a próxima vez que Lee precisaria de sua ajuda e, curiosamente, sentindo-se quase... ansioso por isso.


Gostaria de agradecer devidamente por tudo o que você fez. Você gostaria de passar aqui para jantar?

Gaara deve ter encarado o texto por 10 minutos. Ele deveria? Fazia quase uma semana que havia os visto pela ultima vez e, então, se perguntou se isso poderia ser algum tipo de pedido de ajuda. Eventualmente, decidiu aceitar.

OK, claro. Quando você acha melhor?

Quando você quiser!

Como o Metal está? Você não tem precisado de mim há um tempo. Está tudo bem?

Gaara então recebeu uma foto de Lee mostrando o polegar para cima e Metal gritando atrás dele.

Tão bem quanto se esperaria dele.

Você não parece tão terrível. Conseguiu dormir um pouco?

As vezes. Eu percebi que é melhor aproveitar sempre que ele estiver dormindo, não importando o horário que seja.

Quer que eu vá agora?

Eu não gostaria de impor-lhe isso!

Estarei aí em 20 minutos.

Você ainda é uma dádiva de Deus.

Obrigado.

Gaara colocou o celular no bolso e carregou sua mochila com alguns cadernos. Ainda tinha alguma lição de casa sobrando, mesmo tendo feito a maioria delas. Teve o cuidado de deixar espaço o suficiente para levar alguns lanches da cozinha. Temari ainda estava escrevendo, provavelmente o dever também.

- Você está saindo?

- Sim. Não sei quando volto.

- Ok. Me avise se precisar que te busquem. - Ela sorriu com a encarada que recebeu.

- A última coisa possível na minha agenda é ficar bêbado em algum lugar, você sabe.

- Eu não sei. Ino tem uma forte influência sobre você.

Ele ficou confuso por um segundo com a menção de Ino, depois esclareceu.

- Sim, ela tem. Mas não hoje. Hoje eu tenho lição de casa. - e pegou algumas frutas aleatórias, enquanto a irmã o observava com uma sobrancelha levantada. - Ino não tem muitos alimentos de teor nutritivo em casa. É trágico.

- Uh-huh. - Temari disse, soando cética. - Você precisa de dinheiro para pizza ou algo assim?

- Creio que ainda tenho algum.

A moça tirou a carteira da bolsa, de qualquer jeito, e estendeu-lhe uma nota de 50.

- Obrigado?

- Não gaste em bebida.

Ele revirou os olhos diante a provocação.

- Eu nem mesmo tenho idade o suficiente pra isso. – e colocou o dinheiro em seu bolso, se virando para sair – Estou indo, Temari. Obrigado. – Ela acenou e continuou o que estava fazendo.


Gaara parou na vaga do apartamento de Lee, lembrando que o rapaz não tinha carro. Já podia ouvir Metal chorando mesmo da escada, ao alcançar o andar correto.

- Metal. Por favor, pare. Eu faço o que você quiser. Por favor, pare de chorar. – obviamente, isso não funcionou. – Gaara está vindo! Você não está feliz? – ainda chorando – Vamos, você sabe, Gaara... Mama? - Gaara riu do corredor, ouvindo Lee se referir a ele como mãe, principalmente quando conseguiu que o menino se acalmasse após isso. - Sim! Mama! Ele está vindo. Então, espere!

Gaara bateu na porta, atento à movimentação de pequenos passinhos apressados lá dentro.

- Mama! – ouviu Metal gritar com entusiasmo. A criança, então, começou a bater na porta até que Lee estivesse perto o suficiente para destrancá-la e deixá-lo entrar. – Mama! – ele agarrou em seus joelhos, fazendo esforço para olhar para cima, mesmo estando tão perto. Era realmente muito fofo, mas Gaara se sentiu mal que ele não fizesse isso por Lee.

- Olá, Metal. – se inclinou para pegá-lo.

O rosto do menino estava vermelho de tanto gritar e um pouco inchado. A quantidade de líquido que havia espalhado por seu rosto era absurda e os pequenos fios pretos estavam grudados na cabeça devido ao suor de seu esforço.

- Deixe-me pegar um guardanapo! – Lee saiu e voltou para limpar o nariz de Metal. Ele era surpreendentemente complacente nos braços de Gaara, não podia deixar de notar. Geralmente, ele ficaria bem zangado. – Olá Gaara! É bom ver você de novo!

O ruivo percebeu que Lee estava sorrindo de verdade. Ele deve ter conseguido recuperar mais sono do que havia pensado.

- Você parece estar em um dia bom. – observou, o notando assentir.

- Desde que você esteve aqui na última vez, eu tenho conseguido manter a casa em ordem, por isso não ficou mais suja. Muito obrigado por isso. E como a casa está limpa, eu não me preocupo mais sobre isso e a Metal finalmente gostou de algo na televisão que o mantém calmo por uma meia hora enquanto eu tiro uma soneca. Não é exatamente paternidade dos sonhos, mas eu aproveito do jeito que posso.

Gaara concordou com a cabeça e olhou, sério, para Metal.

- Você precisa ser bonzinho com seu papai. – o repreendeu e o menino tentou um biquinho. – Nada disso. Lágrimas não funcionam comigo. – disse simplesmente, entrando na sala e colocando a mochila no chão, enquanto sentava no sofá.

- Ah, me desculpe, você tem dever de casa? - perguntou e Gaara assentiu - Não pretendia ser inconv...

- Lee. - o interrompeu - Está tudo bem. Eu só preciso terminar um de matemática. Deve levar 20 minutos.

Menos preocupado, Lee sentou-se ao lado deles, olhou para Metal e sorriu.

- Oi, Metal. – o filho o encarou com seus grandes olhos escuros – Eu gosto mais de você quando você não está gritando.

- Mama.

Gaara sorriu.

- Sim. Sim. Eu sei. – ele o enviou outro olhar de desculpas, mas o ruivo realmente não se importava. O estômago de Lee reclamou alto, o envergonhando com isso. – Desculpe. Ainda não tive tempo de comer.

Olhando para o relógio, já passava das 18h.

- O dia todo? – diante o seu concordar embaraçado, Gaara balançou a cabeça em negativa, pegou seu telefone, digitando um número e entregando ao outro enquanto chamava. Lee pegou o objeto, confuso. – Peça o número três. Pode escolher o sabor.

Lee balbuciou alguma coisa, mas atenderam a ligação antes pudesse negar.

- Hum... Por favor, eu gostaria da opção 3?

- Sabor? - a voz perguntou, do outro lado da linha.

Lee o olhou em busca de ajuda e Gaara revirou os olhos.

- Que tipo de pizza você gosta? – sussurrou.

- Eu acho que meat lovers.

- Ok, uma meat lovers. Que tipo de molho para acompanhar?

O rapaz parecia muito envergonhado de estar no telefone agora.

- Hum... - Ele o olhou, novamente.

- Honey Barbecue. - Gaara disse e o viu repetir a resposta. - Diga que é uma entrega e dê o seu endereço. – instruiu e ele obedeceu. Assim que finalizou a ligação, balançou a cabeça – Você é pior do que eu no telefone.

- Eu não sabia o que eu devia dizer. Eu não queria pedir algo que você não gostasse. – comentou, embaraçado.

Gaara ergueu os olhos um pouco tocado e pegou o controle remoto da TV. Felizmente, tinha ali um PlayStation 3 que era meio velho e surrado, mas novo o suficiente para poder obter certos aplicativos. Ele baixou um de nome VUDU e Lee pareceu confuso a respeito.

- O que é VUDU?

- É tipo o iTunes, mas com filmes e programas de TV. Imaginei que podia fazer bom uso. Você disse que conseguia dormir quando o programa que ele gosta passa na TV, mas acho que não passa com tanta frequência e você não controle sob isso. – completou, digitando na barra de pesquisa 'Bubble Guppies'.

- Como você sabe que ele gosta desse show?

Gaara o olhou.

- Eu que mostrei pra ele.

Quando a imagem de Gil, um dos personagens, apareceu, Metal começou a se agitar em seu colo.

- Bub-llll. Bub-lll. Gup. – o menino murmurou, parecendo impressionado e depois sorriu para Gaara com todos os dentes a mostra. Ele tinha a maioria deles, mas estava faltando dois no fundo. Ele sorriu de volta.

Para a surpresa de Lee, cada temporada custava cerca de 15 dólares. Ele não tinha dinheiro para isso agora, mas como poderia dizer isso? Haviam 4 temporadas. Mas então viu o rapaz apertar o botão e comprar todas. Seus olhos se arregalaram.

- Gaara, não posso pagar isso. – disse e o outro o encarou, confuso.

- Por que você precisaria? Eu os comprei. – falou simplesmente e Lee começou a balbuciar.

- B-bem, você os comprou para Metal, então eu me sinto mal que não posso repor-lhe o dinheiro. Eu irei pagar, eventualmente, mas agora...

- Quem disse que são para o Metal? Eu gosto do personagem Nonny. O show é para mim.

Gaara não sabe porque disse isso, mas fez Lee rir, então não se importou demais. Além disso, agora tinha Metal no seu colo cantando 'bubba bubba bubba', então assumiu que era uma vitória.

Fora que não podia deixar de também rir para si mesmo ao se imaginar tendo que explicar para seu pai que aquelas 4 temporadas de um show infantil compradas na conta deles era pra si mesmo. Sinceramente não imaginava Rasa o questionando muito além disso e dando graças a Deus que ele estivesse em casa assistindo desenhos animados em vez de em becos usando drogas. Ou, talvez, ele pensasse que havia ficado tão dopado que comprou por engano? Quem sabe. Era engraçado de qualquer jeito.

Após o primeiro episódio, houve uma batida na porta e Gaara se levantou, deixando Metal no sofá. Lee também estava muito imerso no programa, então aproveitou para pagar a pizza antes que ele tivesse a oportunidade de choramingar sobre isso também.

Com sua volta para a sala, Lee pareceu finalmente ter percebido que ele pagou e parecia incrivelmente constrangido.

- Sinto muito. Quanto custou? Vou pagar de volta.

Gaara o encarou, repreensivo, e não disse mais nada. Colocou Metal entre eles e abriu a caixa de pizza, estendendo um pedaço de linguiça para o pequeno. Ele avaliou por um tempo, mas decidiu tentar e o agarrou para colocar na boca. Gaara então aguardou para se certificar de que engoliria e não cuspisse quando todo o sabor desaparecesse, o que era algo que ele gostava de fazer.

Quando Metal engoliu e estendeu a mão novamente, entregou-lhe outro pedaço. Lee apenas observava com leve admiração aquela troca e seu coração se encheu de emoções. Sem dúvida, Gaara foi o maior presente que já ganhou. Ele estava tão feliz por tê-lo ali e desejava poder compensar devidamente todas as coisas boas que fizera.


Foi um final de dia compensador, especialmente depois que Metal aceitou comida até da sua mão. Lee sorriu para Gaara, que sorriu de volta, achando graça do tamanho de sua felicidade. Foi tão maravilhoso! O único problema era que seu filho realmente parecia gostar daquela mistura de pizza e agora estava coberto com molho e gordura e precisava de um banho. Lee temia a hora do banho. Era sempre uma mistura de agitação com irritação que não tornava em nada aproveitador o momento.

- Hora do banho. - ouviu Gaara anunciar e se perguntou quando deixaria de se surpreender com tudo aquilo.

- Bano. – Metal repetiu, estendendo os braços para pegá-lo.

Gaara não evitou as mãozinhas sujas e o agarrou, levando-o ao banheiro. Lee o seguiu, completamente chocado com o fato de que o menino realmente estava permitindo que isso acontecesse. Normalmente, ele se jogava no chão e chorava sempre que o trazia para perto do banheiro, agora estava simplesmente sentado aguardando enquanto Gaara enchia a banheira. O ruivo tirou o suéter que vestia e deixou no chão. Estava coberto de molho. Quando a banho estava pronto, Lee o ajudou a tirar as roupas sujas de Metal e o pequeno estava rindo e se divertindo. Isso fazia seu coração tão feliz.

Ele o colocou sentado na banheira e Metal bateu os braços, espirrando água em seu rosto. Gaara franziu a testa molhada e a criança riu, espirrando novamente. Lee inclinou-se ao seu lado, ajudando a remover o molho dos cabelos do filho.

- Nunca vou entender porque ele é tão bom para você. – comentou, impressionado, quando terminaram e Metal estava limpo, vestido e pronto para a cama.

- Sinceramente, eu não faço ideia. Bebês geralmente não gostam de mim. – Gaara o respondeu enquanto organizava a sala de estar. Levou sua mochila para a cozinha e descarregou todas as frutas que trouxe de casa por fora da vista de Lee. A última coisa que precisava era ele se sentisse emocionado e chorasse novamente. Sabia que Lee era apenas 3 anos mais velho, mas, sério, ele chorava demais para um homem crescido.

Do mesmo jeito, era um tanto bonitinho perceber o quão facilmente emocionável era Lee. Imaginava se teria algo a ver com a privação do sono.

- Ok, Metal, hora de dormir – anunciou às 8:12 e Metal o encarou confuso. – Nanar.

- Na-na! – ele repetiu e Gaara assentiu, olhando para Lee que levantou-se para buscar a mamadeira.

Se inclinou para o colocar no berço e Metal choramingou até que o pai aparecesse com seu leite. Assim que botou na boca ele começou a beber tudo tão rápido que surpreendeu os dois que o observavam.

- Parece até que ele não acabou de comer.

- Drama queen. – Gaara murmurou, carinhosamente, sentando-se próximo. Lee seguiu seu exemplo e o notou apontar para a pequena pilha de livros. Ele pegou o último, seu favorito 'Te amo para sempre' – Leia para ele.

Lee parecia inseguro diante suas instruções, mas os olhos de Metal eram grandes e inocentes a olhar diretamente para ele, então assentiu.

- Ok... A mãe segurava o bebê e muito lentamente, e o balançava para frente e para trás, para trás e para frente, para trás e para frente. E ela cantava: Eu te amarei para sempre, Eu gostarei de você para sempre, Enquanto eu viver meu bebê você vai ser. – Enquanto lia o livro, Gaara percebeu que sua voz ficava cada vez mais embargada. A mãe envelheceu e ficou doente. Lee tomou um segundo antes de passar para a próxima página. – O filho foi até sua mãe. Ele a pegou e a balançou para frente e para trás, para trás e para frente, para trás e para frente. E ele cantou esta música: Eu te amarei para sempre, Eu gostarei de você para sempre, Enquanto eu viver minha mamãe você será. – ele fungou e mordeu o lábio antes de terminar a história. – Quando o filho chegou em casa naquela noite, ele ficou por um longo tempo no topo das escadas. Então ele foi para a sala onde sua filha bebê estava dormindo. Ele a pegou nos braços e a balançou lentamente para frente e para trás, para trás e para frente, para trás e para frente. E ele cantou: Eu te amarei para sempre, Eu gostarei de você para sempre, Enquanto eu viver meu bebê você vai ser.

Por um tempo, eles dois se mantiveram ao lado do berço com algo a preencher o ar. Não era ruim, de fato, era bom. Havia uma tristeza, sim, mas também amor. Gaara podia dizer que Lee amava seu filho, apesar de tudo o que eles passaram.

- Você está bem? – sussurrou para ele, que afirmou com a cabeça, agradecido que a única luz vinha de um abajur de tomada e Gaara não podia vê-lo chorar por um livro de criança.

No berço, Metal dormia com um sorriso no rosto.


Os próximos dias na escola foram interessantes. Gaara normalmente se mantinha longe das aulas de Economia Doméstica, mas ele tinha se descoberto um pouco atraído por isso, até com coragem o suficiente para falar com a professora. Já havia assistido algumas quando era mais novo e conhecia a mulher que ministrava as aulas. Ele raramente se manifestava durante as explicações, então nunca se aproximara muito. A srta. Shizune talvez não fosse a melhor pessoa para aconselhar-se, mas ele realmente não conhecia ninguém mais que pudesse ajudar, a esse ponto.

- Gaara! Como você está? Eu não tenho te visto há algum tempo. – Shizune o cumprimentou com um sorriso.

- Eu estive bem. – respondeu, completando, sem cerimônias – Eu estava pensando se você teria algumas dicas sobre cuidados com bebês.

A pergunta fez seu coração apertar. Gaara engravidou algém? Ele só tinha dezessete anos!

- Hum... Sim. Claro que sim. Você quer saber algo em específico? - ela perguntou calmamente, ainda que, em sua mente, estivesse gritando.

- Especificamente uma criança que não parece se dar bem com seu pai. Como você conserta isso?

- Bem... Por que a criança não se dá bem com o pai?

- Porque ele não sabia sobre o bebê até cerca de dois meses atrás. Acabaram de se conhecer. Como você formaria um vínculo a partir daí?

Shizune ficou surpresa. Se fosse do filho de Gaara que estavam falando, ele deveria ter 15 anos ou menos quando... fez o bebê.

- Eu tenho alguns livros sobre se conectar com seu bebê, você gostaria de pegá-los emprestado? – perguntou gentilmente. A última coisa que esse pobre menino precisava era que alguém o criticasse em um momento já difícil em sua vida. O melhor que podia fazer era ajudá-lo e orientá-lo a ser um excelente pai.

- Isso seria ótimo, eu adoraria lê-los. – ela não pôde deixar de sentir uma pontada de tristeza, e, então, de orgulho. Congratulações a este jovem se esforçando tanto onde a maioria dos meninos de sua idade não se importa. Mas se perguntou, também, se o pai dele saberia sobre isso e constatou que seria um escândalo se saísse dali. Ela só precisaria manter a boca fechada. Separou e entregou a Gaara os livros com um sorriso. – Obrigado. Vou devolver quando terminar.

Shizune balançou a cabeça sorrindo, enquanto ele saía da sala. Ela sentou e esfregou as têmporas. O que ela deveria fazer?


A próxima vez que viu Ino foi quando trabalharam juntos naquele dia. Ele estava no intervalo, lendo um dos livros que Shizune lhe deu, e ela não podia deixar essa chance escapar.

- Como está indo a vida de mãe? – perguntou e se sentou em frente a ele, desembalando seu lanche.

Gaara ergueu os ombros.

- Bem, eu acho.

A loira bufou, imaginando se o amigo havia ao menos prestado atenção na frase, ou simplesmente respondeu por obrigação.

- Quando foi a última vez que você viu Metal?

Finalmente ele piscou, fechando o livro e olhando para cima.

- Uh... Eu passei por lá antes de ontem. Lee parece estar melhor. Ele está dormindo mais. Ele até me disse que Metal o deixou dormir na noite passada o que foi bom de saber. – Ino sorriu – O que?

- Vocês dois deviam casar e ser uma família. Seria uma graça. – disse e Gaara a encarou estranhamente. – O quê? Você já é mãe. Poderia tranquilamente conseguir algo a mais disso.

- Ino. – ele repreendeu.

- O que? – perguntou, defensiva. – Eu só estou querendo o melhor para você, meu querido virgenzinho. – o rosto de Gaara avermelhou e ele chutou a cadeira dela. – Quanto estresse. Você sabe o que é bom pra isso?

- Ino, eu juro...

- Uma boa transa. – ela sorriu docemente sobre o gemido de impaciência q ele bufou. – Você não acha bonitinho?

- Quem? Metal?

- Não. É claro que você acha o Metal bonitinho. Você é a mãe. Você precisa achar. Estou falando sobre o Lee. – Ino disse e Gaara fez uma pausa. Ele não tinha certeza. Sinceramente não o tinha olhado com esses olhos. Lee era legal, e isso é tudo o que realmente tinha notado. – Você não reparou? – o amigo sacudiu a cabeça imaginando porque ele continuava dando atenção àquele papo – Quero dizer, eu não o acho lá essas coisas, mas talvez você ache.

- Você está dizendo que tenho mau gosto? – perguntou e ela assentiu com a cabeça. – Bom, eu sou seu amigo, não é? Talvez você tenha razão.

xoxox

Notas Finais

SIM INO, ELE É UM BOLINHO