N/A:
Eu havia dito que só ia postar amanhã, mas vou deixar logo aqui porque quero deixar tudo pronto, caso não tenha tempo!
Sitam como um desejo de boa segunda-feira para todos com bastante fluffyness do bebê metal :3
xoxox
Capítulo 3
- Então, você acha que ele tem um filho?
Shizune estremeceu à indagação da diretora.
- Eu não sei o que fazer, senhora Tsunade! E se a notícia se espalhar? Isso é ruim! – choramingou – Ainda não houve escândalo. Não sei se o prefeito Kazekage sabe. O que devemos fazer?
- Não devemos nos precipitar até que tenhamos certeza. Você tem alguma prova?
Ela ponderou, por um momento.
- Prova?
- Sim. Como uma foto do garoto ou algo do tipo. Você disse que ele não comentou ser o pai, então não podemos assumir isso até que tenhamos visto a criança. – explicou enquanto se resolvia com uma papelada de última hora – E se o garoto nem ao menos se parecer com Gaara e nós atazanarmos o prefeito sem motivo?
Shizune franziu o cenho para esta hipótese.
- A senhora tem razão.
- Se você conseguir alguma evidência que me faça ter o que me preocupar traga e eu assumirei daqui. – seu tom era final.
A professora assentiu com a cabeça e se despediu, saindo do escritório.
- Metal! Por favor! Coma suas cenouras! – Lee implorou e gemeu em frustração quando o filho pegou sua tigela de comida e jogou no chão, o encarando com birra no olhar – Você é inacreditável. Por que você não me escuta como à mama? – perguntou, tentando ignorar o quanto se sentiu bobo por referir-se ao pobre rapaz como 'mama'. Mesmo assim, ganhou a atenção da criança.
- Mama! Mama! – ele balançava a cadeira alta, batendo sobre o chão enquanto saltava para cima e para baixo. Lee suspirou. Sem querer, agora havia iniciado um problema novo.
- Não. Não posso continuar pedindo que Gaara venha até aqui para que você me escute. Você tem que fazer isso sozinho! – reclamou, tentando impor algum respeito e Metal apenas o olhou. Olhou quieto. Olhou fixamente. E então explodiu em lágrimas. – Não! Metal! Por favor, não chore!
Vencido, Lee olhou para o próprio celular e percebeu que já passava das 19h. Será que Gaara estaria no trabalho?
Hey, eu sei que você está muito ocupado, mas será que é possível entrar em uma chamada de vídeo? Metal não quer comer por mim...
Sim, espere um segundo...
O alívio que lhe atingiu foi tão palpável que Lee pôde sentir seu corpo relaxar no longo suspiro que soltou, mesmo com Metal gritando. O telefone começou a vibrar e ele atendeu com um sorriso, apesar do barulho de fundo. A primeira coisa que notou foi que o rapaz estava trajado em seu uniforme.
- Sinto muito por incomodar você no trabalho! – ele se desculpou, sentindo-se terrivelmente envergonhado. Ino, de repente, apareceu na imagem.
- Olá! Onde está o meu pequeno galã? – ela perguntou e Lee virou a tela para Metal, mas ele estava muito ocupado chorando para prestar atenção. O menino estava dramaticamente arqueando as costas contra sua cadeira, a única coisa que o mantinha preso em seu lugar era o cinto de segurança – Metal!
- Metal. – A voz rouca de Gaara fez a criança congelar em seu assento. Ele parou de chorar e começou a procurar a fonte do som – Metal. – ele repetiu e os grandes olhos negros se fixaram na tela do celular.
O menino começou a tentar agarrar o objeto e Lee suspirou, entregando-lhe com cuidado. Metal segurou com força o aparelho e o manteve muito perto de seu rosto, então segurou como as pessoas normalmente falavam no telefone.
- Lô? – disse em uma voz aguda.
- Alô, Metal. - Gaara cumprimentou e a criança afastou o celular da orelha, o distanciando à sua frente e tentando cutucar o ruivo através da tela.
- Mama? - ele começou a apertar um pouco mais forte e rápido, quase finalizando a chamada.
- Metal. Você precisa comer. – Gaara repreendeu e o pequeno juntou as sobrancelhas, confuso. – Você precisa comer sua comida, Metal. Pare de ser um mal menino para o seu papai.
- Paa? – foi o mais próximo que já chegara ao tentar dizer 'papai' e Lee instantaneamente se dissolveu em um sorriso.
- Sim. Seu papai. Seja bonzinho com ele. Coma sua comida. – Ino cobriu a boca para conter o riso sobre a óbvia mãe que seu melhor amigo era.
- Mama. – ele disse, em tom de reclamação e Gaara assentiu.
- Sim. Seja legal com o papai. Mama disse. – a loira teve que se afastar em uma gargalhada. – Ino. Eu vou matar você.
- Isso não é jeito de falar na frente do seu bebê! - ela provocou e ele revirou os olhos para isso, vlntando-se para a tela. Metal parecia adorável. Seu cabelo era uma total bagunça e havia mais comida em suas roupas do que perto da boca, mas seus grandes olhos atentos a tudo o deixavam uma gracinha.
- Lee. – o chamou, por fim e ele lutou um pouco para recuperar o telefone das mãozinhas cheias de cenoura do filho. Ele precisaria limpar o aparelho depois.
- Sim?
Gaara suspirou.
- Se você não conseguir que o Metal coma, avise-me. Eu vou passar aí.
O rosto de Lee ficou vermelho.
- N-não, Gaara. Está tudo bem. Você já fez tanto...
- Isso não foi um pedido. Eu só estava informando o que eu vou fazer. – disse sem rodeios e Lee não conseguiu evitar sorrir.
- OK.
Lee ficou pensando se Gaara poderia ser o melhor amigo que já teve em sua vida, e isso graças à malcriação de Metal. Olhou para o filho com carinho e finalizou a ligação, ele tinha um trabalho a fazer, depois de tudo.
Mesmo sem ter enviado mensagens de texto sobre o resultado do jantar, Gaara ainda apareceu em sua casa às 20:08. Lee estranhou o som de uma batida em sua porta e correu para atender, os passinhos de Metal ecoando no assoalho atrás dos dele.
- Gaara! Você não precisava vir! Metal está se comportando desde a ligação. Ele deve ter gostado de ouvir você no telefone. – Lee disparou à medida que o menino se abraçava ás pernas do ruivo.
- Mama. – A ação o fez se sentir aquecido, então se curvou para pegá-lo no colo.
- Eu posso ir embora, se você quiser.
Lee balançou a cabeça em negativa, com força.
- Não!... Desculpe, isso soou... exagerado. Eu gosto da sua companhia. Eu só não queria que você se sentisse obrigado a vir.
Gaara assentiu e entrou no apartamento. Lee ficou imaginando em que momento havia ficado tão familiarizado com tudo isso. E gostou.
- Bubble Guppies? – ele perguntou e Metal gritou.
- Bub-gup!
Gaara sorriu, suavemente.
- Quase. – ele sentou-se no sofá com o menino no colo e Lee ficou parado ao lado deles, sem saber muito o que fazer, então o olhou. – Se você precisa fazer alguma coisa, faça agora. – disse, e ele sorriu timidamente.
- Sim. Preciso tomar banho, se você não se importar. – o ruivo balançou a cabeça, concordando - Muito obrigado, Gaara.
Parado ali, por um momento, Gaara o examinou. Ino estava certa, ele não era tão bonito, mas havia algo... que gostou. Claro que ele era agradável, muito agradável. Até irritante às vezes. (Honestamente, as pessoas costumam ser tão legais assim? Especialmente quando jogadas violentamente em uma paternidade desse jeito?) Isso não era o que havia gostado sobre ele, entretanto. Ainda não conseguia delimitar o que era direito.
Lee saiu para o banheiro, então continuou prestando atenção à T.V e sorrindo cada vez que o Metal ria de alguma coisa.
Gaara recebeu um texto de Ino perguntando onde estava e decidiu engraçá-la com uma foto. Ele tirou uma foto de si mesmo e o pequeno em seu colo tinha um dedo na boca e um enorme sorriso, seu rosto erguia em direção à TV, mas seus olhos estavam voltados para a câmera. Uma preciosidade em forma de registro.
Oh meu Deus, vocês são dois preciosos. Eu não aguento. Precisamos ir ao shopping para comprar roupinhas novas. O Lee é horrível nas escolhas dessa pobre criança.
Provavelmente é tudo o que ele pode pagar. Ele não é rico, Ino.
Isso me deixa triste. Então está certo, eu e você estamos indo à uma jornada às compras. Estou tão animada para vestir o meu sobrinho.
Como diabos ele virou seu sobrinho?
Gaara, não se atreva a tirar isso de mim. Eu vou brigar com você.
Ele revirou os olhos para a mensagem e esperou que Lee terminasse o banho.
Quando o viu retornar, pronto e vestido, sentaram-se ao lado do berço com outro livro escolhido para ler enquanto Metal tomava sua mamadeira. Dessa vez, escolheram A Árvore Generosa. O menino havia adormecido antes mesmo de chegar ao fim e Gaara permaneceu encostado à beira da divisória, ouvindo Lee terminar a história. Ele tinha uma boa voz para leitura. Era muito doce e formal. Era relaxante.
- Muito bom. – comentou, assim que o livro foi finalizado. Lee sorriu.
Eles levantaram-se e se dirigiram para a cozinha. Lee o ofereceu algo para beber, então se acomodaram à mesa com copos nas mãos. Estava quieto, mas isso nunca foi estranho entre eles. Após pensar um pouco a respeito, Gaara finalmente tomou coragem para fazer uma pergunta que o estava remoendo a um tempo.
- Lee, se você estava passando dificuldades, por que você não ligou para seus amigos ou familiares pedindo ajuda? – perguntou e a vergonha era facilmente identificável no rosto do outro. – Está tudo bem, não vou julgar você.
- É que... é tão embaraçoso. Não tenho certeza se deveria conversar com alguém tão jovem sobre isso.
Gaara franziu o cenho.
- Você tem 20 anos, eu tenho 17. Em que sentido você se sente tão mais velho do que eu? –declarou e o viu sorrir meio de lado. Ele não gostava dessas expressões em Lee, o fazia lembrar muito o pai esgotado que ele era a algumas semanas atrás. – Tudo bem se você quiser falar sobre isso. Eu sou todo a ouvidos.
- Bom... eu acho... Tudo bem... – respirou profundamente. – Começou no ensino médio, eu acho. Eu não era muito popular com... ninguém, na verdade, em todos os sentidos. Eu tinha dois amigos e só, mas não me importava tanto com isso. Me provocavam o tempo inteiro por ser virgem e eu ignorava na maior parte, mas algumas coisas meus que os meus colegas de classe diziam eram bem cruéis e eu não gostava deles. Eles diziam que ninguém jamais me acharia atraente e me provocavam muito sobre a minha aparência, eu estava acostumado, mas, por alguma razão, isso me incomodava cada vez mais. Eu tinha quase 18 anos quando fui convidado para uma festa e estava lá com meus dois amigos. Eu não consigo lidar muito bem com álcool, apenas um gole me deixa bêbado, então eu nunca bebo porque eu fico bem tosco e não queria dar mais motivos para se divertirem às minhas custas. Havia uma garota lá, e ela parecia gentil, eu não consigo me lembrar ao certo. Eu sei que meu amigo, Neji, não gostou de jeito nenhum. Mas ela foi legal comigo e ela... me chamou a atenção e foi legal... – Lee se endireitou na cadeira e respirou, antes de desviar o olhar da mesa, parecendo perdido.
- Vocês dormiram juntos, obviamente. – Gaara forneceu e ele assentiu, seu rosto estava muito vermelho. Parecia a ponto de chorar. – Você está bem? – Lee acenou com a cabeça e esfregou o rosto, fungando.
- Sim. Estou. Desculpe... Continuando: Nós dormimos juntos. Uma vez. E, aparentemente, eu fui terrível, eu não sabia o que estava fazendo. Eu estava um pouco bêbado, admito. Eu não sabia como a noite terminaria se eu não tivesse bebido nada. No dia seguinte havia um rumor na escola, que eu não era só um perdedor feio, mas também um companheiro terrível na cama e foi tão humilhante. De qualquer forma, não a vi nunca mais depois daquilo. Era como se ela tivesse entrado na minha vida só por isso. Apenas para tornar meu último ano ainda pior. Neji foi gentil o suficiente para não falar 'eu te disse' e Tenten ficou muito brava com ela por fazer isso comigo. Eu não acho que meu pai tenha descoberto o que aconteceu. Eu decidi que iria para a faculdade, então eu não teria que ficar perto das pessoas que fizeram minha vida tão difícil. Eu me mudei para cá, eu consegui um emprego para ajudar com o meu aluguel e eu tinha um carro, e eu estava indo para a faculdade e estava feliz. Durante dois anos, eu estava tranquilo por aqui até que... cerca de dois meses atrás, houve uma batida na porta. Era ela. Eu nunca vou esquecer seu rosto. – Lee apertou pressionou os lábios. Gaara podia perceber que ele precisava de um minuto.
- Desculpe. Mais uma vez. Ok. Hum... Ela estava na porta e eu me senti como se tivesse sido atingido por um trem só de ver seu rosto. Achei que eu iria esquecê-la, mas lá estava ela, e segurando um bebê. Eu vi o bebê, calculei em minha cabeça e eu soube, no instante em que pus os olhos nele, que era meu filho... – Gaara exibiu um pequeno sorriso de compreensão. Não tinha mesmo como negar. – Ela entrou e me disse que o teve um ano antes e ele nasceu em junho, então tinha um ano e meio. Eu perguntei-lhe porque não me disse e ela falou que era porque não me queria em sua vida. Quando perguntei por que, novamente, ela não respondeu. Em vez disso, perguntou se eu gostaria de estar na vida dele e eu disse 'claro, eu sou o pai dele' e ela disse 'ok'. A deixei passar a noite e no dia seguinte eu acordei com o choro do Metal e, quando eu saí para vê-lo, ele estava sozinho. Ela havia ido embora. Ela simplesmente deixou ele lá. – Lee começou a lacrimejar e cobriu o rosto. – Me perdoe...
- Não se desculpe. Eu sinto muito pelo que aconteceu com você. Isso não me soa como algo que você tenha merecido.
Lee olhou para ele.
- Como você sabe? – perguntou e Gaara franziu a testa.
- Eu não conheço você a muito tempo, é verdade. Sou mais novo do que você, isso também é verdade. Mas não significa que eu seja estúpido. Você sabe com que frequência acontece de uma garota fica grávida e um homem a abandonar? Você não precisava ficar com Metal, não precisava querer estar na vida dele, mas você fez. E quando ela foi embora, você poderia ter empurrado a responsabilidade para outra pessoa, você poderia ter desistido e o ter mandado para adoção. Mas não. Você tentou ser o melhor pai possível, mesmo com pouca experiência e sem preparo financeiro. Isso é impressionante e tenho certeza de que qualquer pessoa que soubesse disso iria achar o mesmo. O que leva à pergunta que eu fiz no início: Por que você não pediu ajuda?
- Porque eu cometi tantos erros e não queria que meu pai soubesse o que eu me tornei. Eu sei que Neji não me disse 'eu te disse', mas e se ele fizer desta vez? Não sei se posso suportar.
Gaara sacudiu a cabeça.
- Você está olhando tudo de maneira errada, Lee. Eu sei que isso é difícil, mas se seu pai se preocupa com você, eu tenho certeza que ele ficará emocionado por ter um neto. Se seus amigos se importam com você, eles não te provocarão quando você está pra baixo, eles te apoiarão. Mas se eles não fizerem isso, Ino e eu sempre ajudaremos.
Lee murmurou novamente.
- Eu sou tão grato por vocês, Gaara. De verdade. – disse calmamente e Gaara lhe deu um pequeno sorriso. – Eu apenas me sinto tão mal, não retribuí em nada por sua ajuda. Quando receber dinheiro que eu prometo...
- Lee. Pare. Não. Eu não estou fazendo isso por dinheiro. Eu não quero dinheiro. Eu tenho dinheiro suficiente. – Lee pareceu confuso. Como alguém de 17 anos de idade tem dinheiro o suficiente? – Estou fazendo isso para maneirar a barra de alguém que precisa de ajuda. Não preciso de dinheiro para te ajudar. Além disso, eu realmente gosto do Metal. – Lee sorriu para isso.
- Sim, eu também. Mesmo que ele ainda não goste de mim.
- Ele está chegando lá. – Lee acenou com um sorriso, lembrando o 'paa' de antes.
- Gaara, prometa-me que você não fará nada tão estúpido como eu fiz. – ele disse de repente e Gaara sorriu.
- Sem preocupações de minha parte. Eu não gosto de garotas. – Lee piscou e o ruivo se perguntou se ele teria alguma coisa contra homossexuais. Mas teve que admitir que seria bastante estranho Lee não ir com a cara de alguma pessoa.
- Oh. Desculpe, não percebi.
Gaara inclinou a cabeça.
- Isso faz você se sentir desconfortável? – perguntou, seguido de um balançar de cabeça em negativa.
- Não. Na verdade, eu mesmo já cheguei a achar alguns caras bem atraentes. – Lee se amaldiçoou mentalmente, que coisa estranha para se dizer. Por que ele era assim?
- Então, você também gosta de garotos? – sob o tom da pergunta, ele abriu a boca para dizer algo, mas nada saiu. Então fechou e franziu a testa. – Você não sabe? – o viu balançar a cabeça lentamente. – Você vai descobrir, eventualmente. De qualquer forma, eu tenho que voltar pra casa. Eu falo com você mais tarde. Você pode me enviar uma mensagem caso precise de mim.
Gaara se levantou e foi conduzido até a porta da frente. Lee pretendia se despedir, mas foi então que notou algo estranho. Quando o ruivo caminhou por baixo da porta, as luzes do corredor estavam acesas e o brilho amarelado refletia em pequenos pontos que ressalva o verde da íris dele. Ou era o azul. Não conseguia dizer a cor, ao certo, porque parecia que mudava sempre que piscava os olhos e recebia luminosidade de outro ângulo. Mas era bonito.
E nunca havia percebido.
Gaara virou-se para ir embora, depois parou e voltou.
- Sim? – perguntou a ele, quando lhe pareceu confuso. – Você está bem?
- Estou bem. É só que... Você não é feio, Lee. Na verdade, quanto mais eu te conheço, mais atraente você fica. – e então se afastou, como se não tivesse dito nada.
Lee o observou ir embora, seu rosto ardendo. Ele não sabia o que dizer. Uma coisa era certa, esse foi o maior elogio que já havia recebido na vida.
- Necrotério da Cidade, você mata, a gente empacota.
- Ino.
- Gaara.
- Eu disse a Lee que ele era atraente. – ela ficou quieta do outro lado da linha – Ino?
- Desculpa, o que?
- Você me ouviu.
- Essa é a coisa mais linda e pura que já ouvi e desculpe, não esperava que algo assim provesse de você.
- Não seja idiota. Me dê um conselho.
- Conselho sobre o que? A melhor posição sexual para perder sua virgindade quando você e Lee...
- Ino! – a moça riu do tom escandalizado de Gaara. – Não tem graça. Estou pedindo ajuda. Pare de piorar a situação.
- É pra isso que servem os melhores amigos. De qualquer forma, o que você gostaria que eu fizesse?
- Na verdade eu não tenho certeza de que conselho eu estava procurando. Especialmente de você.
- Ah-ha. Você deve secretamente estar desejando tirar o atraso se você veio até mim para obter conselhos.
Gaara revirou os olhos.
- Vou desligar.
- Amo você!
- Obrigado Sra. Shizune. Eu já acabei com eles. – Gaara colocou os 4 livros empilhados sobre a mesa e ela piscou. Ele terminou todos os livros em apenas 5 dias. Impressionante.
- Eles foram úteis? – perguntou e ele encolheu os ombros.
- Acho que vamos descobrir.
Shizune sorriu.
- Então, essa criança, você tem uma foto dele? – o rosto de Gaara se iluminou e aquilo foi lindo de se ver. Parecia que ele realmente se importava muito com ela. O ruivo tirou o celular do bolso e selecionou a foto que enviara para Ino noite passada. Exibiu o aparelho para Shizune com um sorriso.
- Seu nome é Metal. – os olhos da professora se arregalaram para a imagem. Eles tinham o mesmo formato olho. Não tinha muita certeza quanto a aparência geral, mas o menino poderia parecer um Gaara pequeno, só que de cabelos escuros e sobrancelhas grandes. Ele era adorável.
- Ele é um docinho. – comentou sorrindo, devolvendo o telefone. Gaara assentiu.
- Sim, ele é. De qualquer forma, obrigado novamente.
Quando ele saiu da sala, Shizune esfregou as têmporas. Ela precisava falar com Tsunade agora.
- Eles se parecem? – a diretora inquiriu e a professora concordou, preocupada.
- Posso dizer que sim. Eles têm o mesmo formato de olho, ele até parece ter a mesma área escura ao redor dos olhos, como Gaara. Eu não tenho ideia de quem a mãe possa ser, mas ela deve ter as maiores sobrancelhas imagináveis, porque tão fofo quanto aquele bebê consegue ser, ele também tem alguma coisa maciça naquelas sobrancelhas.
Tsunade suspirou.
- Parece que teremos que pensar bem no que dizer ao prefeito...
- Gaara. – Ele franziu o cenho ao ouvir a voz de seu pai. Saiu do sofá onde estava fazendo a lição de casa e caminhou até a cozinha, onde Rasa estava fazendo um smoothie. – Eu tenho uma pergunta para você. – e o aguardou assentir, antes de continuar. – Eu já perguntei a Temari e Kankuro, e nenhum deles parece ter ideia do que estou falando. Talvez você tenha. Existe alguma particular razão pelo porquê... de haver US$ 60 de Bubble Guppies na conta VUDU?
Gaara encolheu os ombros.
- É um desenho divertido.
Rasa assentiu, lentamente.
- Uh-huh... Então você, naturalmente, teve que comprar todas as 4 temporadas de... um show para crianças?
- Nonny é um ótimo personagem. Me lembra a mim. – respondeu facilmente. O pai piscou algumas vezes e balançou a cabeça. – Era isso ou Game of Thrones...
- Você pode assistir quanto Bubble Guppies quiser, filho. – ele decidiu.
Diante a isso, Gaara sorriu e, então, deixou a cozinha. Sabia que o ódio gratuito de Rasa sobre Game of Thrones seria útil um dia.
Uma semana depois, recebeu um texto de Lee.
É melhor você não aparecer, por um tempo. Metal e eu estamos doentes. :(
Gaara olhou para a mensagem por um tempo, lembrando de quando Lee disse que ficaria louco se Metal ficasse doente, porque não saberia o que fazer. Ele se sentiu mal, nada era pior do que precisar cuidar de um bebê doente quando você também está doente.
O que vocês têm?
Apenas um resfriado. Isso deve terminar em uns dois dias, mas eu queria deixar você saber.
Como o Metal está indo?
Ele não para de chorar e não tem muito o que eu possa fazer para ajudá-lo. Ele não quer tomar seus remédios e eu desisti de tentar.
Estarei aí em um instante.
Ele ignorou a conversa depois disso, provavelmente Lee estaria repetindo para não ir, mas algo nele não permitiria que isso acontecesse. Era uma coisa boa que já fosse sexta-feira, então não precisava lidar com a escola no dia seguinte, logo seriam as férias de inverno o que era emocionante. Seu aniversário seria um pouco depois disso.
Gaara embalou algumas roupas extras caso Metal vomitasse sobre ele ou o presenteasse com mãozinhas de molho por toda parte. Isso não tinha graça. Depois, desceu as escadas e carregou a mochila com frutas e sopa enlatada.
- O que diabos está fazendo? – Kankuro perguntou, entrando na cozinha. Gaara amaldiçoou mentalmente. Por que seu irmão sempre era tão curioso?
- Vou sair esta noite.
Kankuro assentiu.
- Ino? Se você precisa de uma carona da casa dela...
- Eu não vou ficar bêbado!
- Bem, todos sabemos o que acontece quando Ino está envolvida. Muitas escolhas ruins. – E não é essa a maldita realidade?
- Eu não vou ficar bêbado. – repetiu. – Vejo você depois.
Após alguns segundos de espera, Lee abriu a porta. Seu cabelo estava uma bagunça, seu nariz em um vermelho forte, seus olhos estavam caídos e ele parecia bem dolorido.
- Onde dói? – perguntou e o viu franziu a testa em desespero.
- Tudo. Minha pele coça. Eu não gostaria de nada me tocando agora, mas Metal está tão dengoso por conta da gripe.
Gaara assentiu.
- Ok. Vá tomar um banho. – disse enquanto pendurava sua jaqueta no corredor e levava seu livro para a sala de estar. Metal estava deitado no sofá, tão molinho que dava dó. Ele o viu e nem sequer pulou.
- Mama.
Comovido pelo som fraquinho, Gaara o levantou e segurou no colo. O menino se enrolou todo, agarrado em seu peito.
- Quando foi a última vez que você comeu? – perguntou e Lee encolheu os ombros lentamente. – Você conseguiu que ele tomasse seus remédios? – um movimento negativo de cabeça – Você pode buscar pra mim? – um aceno.
Lee só podia estar doente para não estar falando nada. Geralmente ele nunca calava a boca.
Quando voltou para a sala, ele segurava uma seringa cheia de remédio e Gaara a esvaziou na mamadeira de leite e deu para Metal que começou a beber. Lee olhou para o gesto e piscou algumas vezes, envergonhado de não ter pensado em algo tão simples quanto isso.
- Tome um banho. – repetiu e o viu assentir devagar, arrastando os pés em direção ao banheiro.
Quando saiu, Lee abriu a porta e avistou Gaara de costas, preparando algo no balcão enquanto segurava Metal com um dos braços. No fogão, alguma coisa aquecia e, embora não conseguisse dizer o que era por não estar sentindo cheiros, sorriu. Era um bom cenário, e, em seu estágio delirante, ele não pôde deixar de pensar em como era bonito. Gaara era tão bonito. Era algo tão simples, mas ainda algo que sempre quis ter em sua vida. Ele só não contava que a mãe de seu filho fosse ser um rapaz de 17 anos que conheceu no supermercado.
Lee se arrastou até o quarto e vestiu suas calças de pijama. Sem cueca, sem camisa. Tudo incomodava na sua pele. Até mesmo o cabelo. Ele puxou-o para traz na amarração mais ridícula que já viu na vida, e então decidiu ir ver como Gaara estava se virando.
O ruivo estava sentado à mesa com Metal no colo e a colher na mão, o alimentando com algo que parecia uma sopa de brócolis e frango. O menino realmente gostava de brócolis, por isso era a melhor escolha. Lee sentou-se próximo e Gaara empurrou-lhe uma tigela cheia, próximo a ele também havia um prato com sanduiches.
- Alguns de queijos, outros de atum. – explicou enquanto continuava servir Metal, que parecia absolutamente patético, mas a febre estava abaixando, o que era bom. Lee nem estava com fome, mas agradecia de coração. Fora que ainda estava de estômago vazio e precisava recuperar suas forças, então, com prazer, comeu a sopa e alguns sanduíches de atum.
Assim que Metal se encheu, ele recusou a colher, um gesto entendido por Gaara. Ele levantou com o menino para o banheiro e deu-lhe um banho rápido. Lee não poderia estar mais aliviado do que quando o avistou sair segurando em seus braços um bebê quase adormecido. Ele o vestiu, e o embalou e Metal foi praticamente nocauteado. O remédio foi capaz de pesar-lhe o suficiente para que adormecesse rápido, o que foi ótimo.
O problema era que o relógio já marcava meia noite e, pela primeira vez na vida, Gaara sentiu-se cansado. Ele colocou a criança no berço e sentou-se. Disse a Lee para ir dormir e, quando ele se retirou, desmaiou no sofá.
Ele não conseguiu dormir muito antes de Metal começar a chorar. Gaara acordou em um pulo e pegou o menino, começando a embalá-lo. Lee correu para a sala tão rápido que o assustou. Ele parecia confuso que ainda estivesse ali, ainda mais quando o viu bocejar.
- Por que você está dormindo no sofá? – ele perguntou e Gaara pareceu envergonhado. – Eu teria dado a minha cama se soubesse que você iria ficar.
- Não. Vá para a cama, você está doente. O metal só quer ser segurado.
Mas nada seria tão fácil assim, e já estava muito tarde, e ele estava bem cansado. Então, sem muitas forças para discutir mais, Gaara encontrou-se sentado na cama, com Metal berrando nos braços. Lee estava ao seu lado, esfregando as costas do filho e sussurrando palavras suaves. Eventualmente, isso acabou sendo o suficiente para Metal adormecer.
Quando acordou pela manhã, ainda estava na cama ao lado de Lee, com Metal deitado em seu peito dormindo tão profundamente que não conseguia manter a boca fechada. Ambos estavam, na verdade. Como alguém podia dormir assim nessas condições?
Gaara colocou o menino na cama, próximo ao pai, e formou uma barricada de travesseiros do outro lado, saindo para tomar um banho. Metal havia suado na noite passada. Muito. E ele sentia-se pegajoso.
Quando terminou, foi até a cozinha para arrumar a bagunça da noite passada e preparar algo para o café da manhã. Ainda tinha algumas horas até o horário de serviço, então queria garantir que Lee e Metal realmente comessem. Mas ele, simplesmente, não sabia o que devia fazer. Procurou na geladeira e percebeu que não haviam muitas opções, de qualquer jeito. Bom, ainda bem que trouxe várias frutas de casa. Ele cortou todas e transformou-as em uma salada, depois torrou uns pães e fez ovos. Nada extravagante, mas a questão era que não sabia cozinhar muito bem, e também era tudo o que tinha à disposição.
Lee acordou pouco depois que a comida ficou pronta e estava espantado, ou maravilhado, com a perspectiva de acordar com um café da manhã. Gaara estava sentado à mesa, tomando uma xícara de café, ao telefone.
- Bom Dia.
Lee sorriu calorosamente ao cumprimento, apesar de ainda se sentir meio morto.
- Bom Dia. – respondeu, porque era um bom dia. E Lee estava começando a perceber que qualquer dia com Gaara seria um bom dia. E quando se deu conta disso, se surpreendeu.
Em que ponto seus sentimentos começaram a tomar essa forma?
xoxox
Notas Finais
Sim, porque o Lee, meu menino precioso, é um príncipe e merece ser protegido, guardado e amado.
E eu vou sentar uma ripa cheia de pregos e arames farpados, repetidamente, na fuça de qualquer embuste que ouse falar duas gramas que seja do meu filho!
