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Desculpa não ter respondido todos os comentários, estou correndo com isso, mas achei mais importante postar o novo capítulo. Saibam, no entanto, que eu estou verdadeiramente feliz com tanta gente acompanhando essa historinha por aqui :3
boa leitura

xoxox

Capítulo 4

- Eu mal consigo acreditar que você foi até lá para cuidar dele e do Metal. Isso foi a coisa mais linda que eu já ouvi! - Ino jorrou, animada, continuando diante ao revirar de olhos do amigo – Você não se ficou com medo de adoecer também?

- Na verdade eu acho que já estou. Minha garganta ficou dolorida o dia inteiro. – ele tossiu um pouco, esfregando-a como se pudesse sentir por fora – Pelo menos o Metal está melhor, e é o que importa. Ele ficou miserável por dois dias inteiros.

Ino guizou com o pensamento.

- Pobre bebê... Bom, você quer ir às compras antes ou depois de ficar completamente inútil? - ela perguntou, voltando ao assunto. Gaara encolheu os ombros.

- Pode ser agora.

A loira sorriu.

- Eu sabia que devia ter algum motivo para que eu ame você.


Ela o arrastou pelas ruas movimentadas do centro comercial, diretamente para dentro de uma enorme loja de roupas especializada em crianças. Eles entraram pela seção feminina e Gaara franziu a testa aos gritinhos que Ino soltava para as roupinhas rodadas cheias de firula e babado.

- Ino, Metal é um menino. - lembrou-a quando ela lhe chegou com um parzinho de botas com glitter rosa, em êxtase.

- Mas isso é tão bonitinho!

Sim, era bonitinho, mas ainda assim.

Ignorando alguns protestos, Gaara caminhou até a seção de meninos e começou a procurar. Ino agarrou várias roupas pomposas e absurdamente fofinhas. Um conjunto tinha até colete e uma gravata borboleta. Ele estava em busca do que era mais simples e útil para o dia a dia, como calças e camisetas mais básicas, mas com uma atenção especial a frases bonitinhas. Nem sequer prestaram atenção sobre a quantidade que estavam colocando na cesta... Era como se não importasse quanto dinheiro gastariam.

- Oh, Gaara! - Ino mostrou-lhe uma camisa que dizia: 'Ain't no MAMA like the one I got!' e ele sorriu, balançando a cabeça enquanto a peça era colocada na cesta. - Estou levando e você não pode me convencer do contrário.

Ela escolheu mais roupas que mencionavam 'mãe', preferindo pelas frases em inglês que possuíam alguma referência à 'mama', como 'Mama's boy' e 'Mama is my bestie'. Gaara disse-lhe que precisava parar com isso e então entraram em uma discussão sobre quantos conjuntinhos com gravatas Metal necessariamente precisava, com Ino argumentando que esta poderia ser sua única chance de vestir um bebê. Todos na loja encavaram o casal de um modo engraçado, mas mais atentos à Ino, provavelmente pensando se tratar de uma mãe emotiva e Gaara, o pai. Ficou realmente estranho, bem depressa.

Enquanto a amiga estava preocupada com sapatos, ele queria encontrar algumas camisas bonitas que mencionassem 'papai' também porque Lee era mais importante na vida de Metal. Acabou achando algumas realmente bonitinhas e selecionou, mesmo que ficasse um tanto vermelho no processo: 'Se você me acha fofo, devia ver o meu papai', 'versão mais bonita do pai', 'Eu amo meu papai', 'parceiro de exercícios do papai'. Ino também comprou um pequeno kigurumi de Papai Noel, já que o natal se aproximando, e um gorro.

- Bom, nós devíamos ir embora, antes de torrarmos todas as economias – ela olhou para a cesta de compras e sim, provavelmente gastariam mais do que pensaram, inicialmente. Separou, então, as peças que escolheu e Gaara ainda pegou alguns pares de meias e um chapéu antes de pagarem por tudo e saírem.

- Nada mal, eu gastei uns R$245!

- Sortuda. Eu torrei R$437. Tive que tirar no crédito porque esqueci o cartão de débito em casa. - suspirou. – Eu tenho o dinheiro para pagar, mas só espero que meu pai não veja a fatura.

- Primeiro Bubble Guppies, agora R$437 em uma loja de bebês... Eu ainda acho que você consegue se safar fácil com 'Desculpe, pai, era o único lugar que tinha o meu tamanho.'

Gaara a encarou.

- Eu não sou tão baixo. - discutiu e ela o lançou um olhar do tipo 'ah, claro' e continuou caminhando. - Eu tenho 166cm! Não terminei de crescer ainda! – argumentou e Ino riu dele. Era uma graça que realmente não achasse que 166cm fosse tão baixo. Ele era um amor.

Depois que o ruivo começou a dirigir, Ino pegou o telefone dele.

- O que você está fazendo?

- Eu preciso saber se Lee está em casa para que possamos entregar as roupas. - disse simplesmente e Gaara levantou a sobrancelha.

- E se ele estiver ocupado e você o estiver incomodando com isso?

- Oh querido, eu não acho que ele esteja tão ocupado pra você... oi Lee! Aqui é Ino. Você está em casa?... Sim, estou com Gaara, por isso liguei do telefone dele... sim, só temos algo para Metal... Não, não foi um problema! Nós nos divertimos comprando. Tenho certeza que você vai gostar... Ok, vejo você em breve! – finalizou a ligação e devolveu o aparelho para o lugar onde pegou – Tudo bem, ele está em casa, só tem que ir trabalhar daqui a uma hora.

- Ele vai trabalhar sempre em horários tão estranhos... – Gaara murmurou. Lee tinha o calendário mais sem sentido da face da terra, e ficava ainda pior porque frequentava dois empregos. Parecia que nenhum dos chefes estavam se importando muito que ele se matasse por conta disso.

Estacionando na frente do prédio, Gaara retirou o recibo das sacolas enquanto a amiga as empunhava. Não havia dúvida de que não precisavam que Lee ficasse todo choroso com o quanto acabaram de gastar. Subindo os degraus até o apartamento, já conseguiam ouvir Metal. Ele não estava chorando, mas gritando. Apenas para fazer barulho. Lee estava pedindo que parasse, mas, obviamente, ele não obedecia. Assim que bateu na porta, o menino silenciou instantaneamente, correndo em direção à entrada e batendo de volta com a mãozinha aberta.

- Olá Metal. - sorriu assim que Lee destrancou do outro lado.

- Mama! - ele gritou excitadamente, se agarrando às suas pernas assim que entrou à vista. Gaara entregou suas sacolas para Ino, para pegá-lo, enquanto ela ria daquele momento.

- O que vocês compraram? - Lee perguntou com grandes olhos, vendo as quatro sacolas lotadas de coisas.

- Nada demais. - a loira disse, de forma simples, entrando atrás do amigo – Apenas algumas coisinhas para o Metal.

- Desculpe, não consegui impedi-la de comprar todo o estoque de coletes e gravatas da loja.

Ino colocou as mãos na cintura.

- Eles eram uma gracinha, não me julgue.

Com isso, começaram a ordenar todas as roupas por cima do sofá e Lee apenas observava a quantidade com uma expressão bastante perplexa.

- Q-Quanto vocês gastaram? - perguntou, nervoso, a loira apenas sorriu.

- Não foi lá essas coisas. Era queima!

Gaara assentiu.

- Sim. Queima total. - concordou.

Lee pareceu aceitar, ainda que lentamente. Ainda aparentava um pouco contrariado, mas começou olhar pelos detalhes das peças.

- Vocês compraram tudo isso...? - estava profundamente tocado com a qualidade do material. Ele não podia pagar nada que não fosse de uma loja de segunda mão. – Como eu poderia retribuir?

- Eu não lembro de ter pedido algum reembolso, lembro, Gaara? – Ino perguntou e Gaara sacudiu a cabeça.

- Não me lembro de fazer isso também.

Lee sorriu, coçando a parte de trás do pescoço. Era realmente bem fácil fazê-lo ficar sem graça.

- Vocês dois tem sido tão gentis e atenciosos, eu não sei como agradecer.

- Ouça, amigo, se o Gaara aqui é a mãe, então eu sou a titia Ino e eu amo bebês. Além disso, sempre que eu abusar do Metal eu posso devolver. É perfeito para mim. – com isso, estalou os dedos e virou de lado – Gaara, querido, eu tenho que ir. Você vai ficar?

- Hum... Lee disse que precisava trabalhar, então provavelmente não. – Lee queria falar, queria oferecê-lo alguma carona para casa ou algo assim, mas não tinha carro. Queria passar mais tempo perto dele ele. Vê-lo por alguns minutos lhe parecia tristemente insuficiente. – Vejo você depois, divirta-se no trabalho e você, na creche. – Gaara beijou a bochecha de Metal e colocou-o no chão.

Assim que partiram, Lee ficou parado na sala de estar, encarando a madeira da porta e se sentindo estranhamente sozinho.


Depois daquilo, não havia o encontrado novamente fazia quatro dias já, o que, inclusive, foi a única razão que encontrou para que precisasse ir ao supermercado. Quando o avistou empilhando frutas na seção de leguminosas, foi como se um sol se acendesse em seu interior. O ruivo parecia bastante entediado.

- Oi, Gaara. – assim que o saudou, o viu sorrir suavemente quando se virou e se deparou com os dois. Ele se aproximou e os braços de Metal subiram, então Gaara o pegou do carrinho.

- Hey, como têm passado? Você experimentou todas as roupas? O que achou?

Lee desvirou os olhos para o carrinho, um pouco envergonhado.

- Sim. Havia algumas bem legais. Outras eu não entendi muito bem porque vocês escolheram. – o ruivo assumiu automaticamente que estava se referindo às camisas 'mama' que Ino comprou, então faz menção a rir. – Uma dizia que eu era fofo e... – mas então franziu a testa para isso.

- Porque você é. - disse diretamente, sem enrolar sobre.

- Você que pegou aquela? - perguntou e o outro assentiu.

- Eu comprei todas as de 'papai' e ela as de 'mama'.

Lee ficou vermelho.

- Vocês dois são muito gentis... Eu nunca... Nunca cumpri o convite para o jantar. - ele não sabia porque estava tão nervoso.

- Não, você não cumpriu. – respondeu com facilidade, o olhando. Lee encontrou com seus olhos, meio incerto. Desde que havia os percebido na noite do corredor, não podia deixar de encará-los um pouco demais sempre que Gaara o olhava. – Quando você gostaria?

- Eu... hum... – balbuciou, suas mãos suadas agarravam no carrinho um pouco forte demais. Por que estava assim? – Que tal amanhã…?

- Ok. – concordou. – Eu trabalho até 18h. Qualquer hora após isso, está bom pra mim.

O rapaz sorriu.

- Fantástico! Tudo bem! Uh... Bem, o que você gostaria de comer?

Gaara considerou, por uns segundos.

- Eu gosto de peixe. Eu também gosto de frango. Carne é legal também... Eu realmente não sou muito exigente. – ponderou por um instante – Por favor, não me faça couve. – Lee gargalhou, era um som bonito.

- Tudo bem. Eu não vou fazer couve, eu prometo a você.

- Parece que alguém estava muito bem comportado quando você chegou.

Ele sorriu.

- Sim! Ele está agindo bem melhor desde que começou a ver você.

Gaara olhou para os grandes olhos negros de Metal que estavam sobre si e sorriu.

- Acho que o mesmo vale para mim.


- Ino! - Lee sussurrou com urgência, sobre o balcão. A loira olhou para cima, surpresa ao vê-lo – Preciso da sua ajuda!

- E aí? - ela acenou para Metal em sua cadeirinha e a criança acenou de volta, timidamente, fazendo-a sorrir.

- Hum... Existe alguma flor ou algo do tipo que Gaara goste? - Ino notou como o rosto de Lee ficou vermelho enquanto perguntava. Era encantador.

- Não. Ele não gosta de flores. - Lee pareceu-lhe murchar – Mas gosta de suculentas. Você poderia conseguir um desses.

- Onde posso conseguir uma suculenta? - ela anotou um endereço e lhe entregou, o rapaz recuperou o ânimo tão rápido quanto perdera – Muito obrigado!

- Ei, você vai preparar um jantar esta noite, certo? – Lee assentiu com as bochechas em brasa. – Você tem um 'crush' nele?

- Um o quê?

- Um 'crush'. Você gosta do Gaara?

- Claro, ele é uma pessoa muito boa.

- Como uma paixão, Lee. Uma paquera. Você se sente apaixonado pelo Gaara? – disse, com uma leve exasperação. Valeu a pena ver o olhar de surpresa no rosto do outro.

- Eu... eu não... Eu só... Eu gostaria de fazer o jantar porque ele me ajudou tanto e... e eu ...

Ino apenas sorriu para ele.

- Tudo bem. É só o que eu precisava saber.

Lee torcia para que pudesse disfarçar bem o suficiente. Mas não contava muito com isso.


Tropeçar por toda a cozinha tentando preparar tudo a tempo enquanto Metal corria por aí tocando tudo e qualquer coisa que não deveria, provavelmente era a situação mais frustrante que Lee já teve que lidar até agora. Ele só queria ter um jantar razoável. Também seria natal daqui a três dias e havia dado o seu melhor para economizar o suficiente e comprar algo para o presentear, mesmo que fosse bem simples.

Às 18h22, Metal correu para a porta da frente ao som de uma batida leve e Lee soltou um gemido, tentando desligar o fogão de modo que nada queimasse enquanto iria atender. Ele realmente tinha que lembrar de a deixar destrancada quando soubesse que Gaara estaria chegando.

Girando a chave na fechadura, ele apenas cumprimentou-lhe com um sorriso antes de correr de volta para a cozinha. Gaara ergueu uma sobrancelha, mas pegou Metal e fechou a porta atrás dele, caminhando mais adiante no apartamento a observar a pequena confusão no outro cômodo.

- O jantar ficará pronto num instante. Desculpe, o Metal estava sendo difícil de controlar. – Lee riu e Gaara encolheu os ombros.

- Está tudo bem. Eu só vou me trocar. Não quero usar meu uniforme. – colocando o menino ao chão, entrou no banheiro para ser seguido – Metal. Eu tenho que me trocar. – o pequeno apenas olhou para ele e Gaara franziu o cenho, suspirando. Tanto faz. Deixou a porta aberta em uma pequena fenda e começou a se mudar em roupas mais confortáveis.

Quando terminou, ajeitou seus cabelos pelo espelho e entrou na cozinha com Metal puxando a barra de suas calças. De fato, quando o olhou bem, foi que notou que a criança estava vestindo um dos conjuntos bufantes que Ino havia escolhido, uma camisa branca de botão e calças caquis. No pescoço havia uma gravata borboleta vinho e, sobre os ombrinhos suspensórios combinando com as calças. Ele parecia adorável.

Gaara sentou-se ao chão e passou a tirar uma quantidade estupenda de fotos. Do fogão, Lee o observava com carinho, sem que notasse. Estava feliz que Gaara amasse seu filho tanto quanto ele.

- Quando é seu aniversário? – perguntou aleatoriamente enquanto agitava a panela.

- 19 de janeiro. Por quê? – retornou, ainda tirando as fotos.

- Nossa, tão próximo assim? Sem motivo especial, apenas curioso. O meu foi mês passado.

Gaara encarou suas costas quieto, ao relembrar de como a situação havia começado. Que aniversário de merda ele deve ter tido. Não poderia ter sido pior.

- Bom, da próxima vez vamos celebrar.

E ele o retornou com um sorriso tão bonito que teve de morder a bochecha por dentro, para não se exagerar em seu próprio.

Logo que o jantar ficou pronto, Gaara acomodou Metal em sua cadeirinha e o prendeu bem firme, pelo menino ter uma tendência a se agitar para os lados. Enquanto isso, Lee deixou o cômodo, mas rapidamente retornou, depositando uma planta em cima da mesa e a oferecendo com um sorriso tímido.

- Impatiens walleriana. – Gaara murmurou, surpreso, aceitando o vaso. Lee pareceu confuso. – Também conhecida como Beijo-Turco.

- Oh, bom, pensei tinham escrito errado na etiqueta. Espero que você goste. Eu achei bonita. – coçou a parte de trás do pescoço e o ruivo sorriu, assentindo com a cabeça.

- Sim, eu adorei. Obrigado.

Ao fim do jantar, Gaara levantou e começou a recolher os pratos, apesar de ter passado alguns minutos ouvindo que não precisava, porém ignorando com sucesso. Metal ainda estava comendo, o que era uma coisa boa, então Lee apenas ficou ao seu lado na pia, secando a louça lavada.

- Obrigado pelo jantar. Estava ótimo.

As bochechas dele coloriram de novo, enquanto assentia vigorosamente com um sorriso.

- Estou feliz que tenha gostado! – Por que ele era sempre tão frenético?

- Você sempre foi assim? – Gaara perguntou e as sobrancelhas de Lee se juntaram, em confusão. –Excitável? Feliz?

- Sim. – ele riu – Era uma das razões pelas quais pegavam no meu pé. Eu também era bem mais barulhento antes. Não há muito o que consiga fazer a respeito. Espero que não te incomode.

- Oh, não. Eu adoro isso sobre você. – disse simplesmente e Lee congelou por um segundo, voltando rapidamente a secar a louça com um rosto ainda mais vermelho. Não conseguia descobrir porque Gaara o fazia agir de modo tão estranho. – Não mude, Lee. Você é incrível.

- Obrigado Gaara. Você também é incrível. – quando terminaram, o ruivo encostou na pia, de costas, e cruzou os braços, o encarando. – O que?

- Eu realmente acho que você devia ligar para o seu pai. – com isso, o notou baixar os ombros e desviar o olhar. – Lee, sério. Como ele é?

- Ele é maravilhoso! A melhor pessoa que já conheci. Ele instilou tanta sabedoria em mim e sempre me disse que não deveria desperdiçar minha juventude. Meu pai sempre esteve lá quando eu precisei... o que é a razão pela qual eu tenho muita vergonha de admitir que eu... interrompi os planos que deveria ter para a minha juventude por causa de um erro que cometi. Não acho que o Metal é um erro! Longe disso. Eu o amo! É só... É difícil de explicar... – suspirou.

- Se o seu pai é tão maravilhoso como você descreve, você deveria, seriamente, falar com ele sobre isso. Eu acho que ele pode te surpreender. – Lee assentiu lentamente, Gaara sabia que ele não aceitaria o conselho, o que era frustrante, mas não havia muito o que pudesse fazer sobre isso. O máximo que estava em seu poder era fazê-lo refletir a respeito.

- E o seu pai? Como ele é?

Ele riu diante a pergunta.

- Ele é... ele. Isso com certeza. É normal. Quero dizer... nos damos bem. Ele só é difícil, às vezes. E, por alguma razão, ele acredita que eu vou me tornar algum viciado, ou algo assim, ele é bastante específico sobre o que faço.

Lee pareceu surpreso.

- Mas você é um cara tão legal, porque ele acha que isso aconteceria?

- As drogas não evitam caras legais, Lee. Qualquer um poderia começar a usá-las. Eu sinceramente não sei porque ele decidiu sobre isso. Nunca lhe dei uma razão para acreditar que sim, mas, você sabe, os pais são estranhos. – o outro concordou com a cabeça. – Isso significaria que você também é estranho, Lee.

- Oh, eu já sabia disso. – ele sorriu. – Ainda assim, vai ser bem divertido criar o Metal.

- Eu tenho certeza que ele ficará estupefato. – Lee ficou quieto por um minuto. – O que foi?

- E se... E se eu não for um bom pai e o Metal não me amar? – para alguém tão serelepe como ele, até que sabia como cortar o clima depressa.

- Não diga isso, Lee. Por que você pensaria uma coisa dessas?

Ele deu de ombros, tristemente, e desviou o olhar para o filho na cadeirinha.

- A mãe dele não gostava, nem muitas pessoas, na verdade. Eu acho que não poderia suportar se Metal não gostasse de mim também.

- Crianças são pequenos babacas. Claro que, eventualmente você vai acabar tendo que lidar com um adolescente histérico, isso acontece, mas eu não acho que você precisa se preocupar sobre ele não te amar. Eu nem entendo como ninguém fez isso antes. Você é uma ótima pessoa, Lee. Quem não puder perceber isso é um idiota, e você não precisa desse tipo de gente, de qualquer maneira.

- Obrigado, Gaara. Eu agradeço. – o ruivo assentiu e Metal jogou o prato no chão. – Parece que alguém acabou de comer...


Depois de colocar o pequeno na cama, Gaara foi embora. Sentado no sofá, Lee observava, quieto, o filho dormindo. Ele colocou a mão sob o próprio peito. Seu corpo estava estranho, como se estivesse dormente, ou algo assim. Mas, ainda sim se sentia tão bem.

Enviou uma mensagem para Ino, agradecendo pela ideia da planta, e então continuou a trabalhar mais um pouco no presente antes de ir dormir.

O que mais o frustrava quando estava acordado, era que sua cabeça sempre retornava ao mesmo ponto ruivo. E o que mais frustrava em seu sono, era que nem ali recebia alguma folga também.


A partir dali, Gaara só os conseguiu visitar no natal, e Lee estava tão feliz em vê-lo. Ele abriu a porta e, quando seus olhos pousaram sobre si, seu rosto praticamente se iluminou.

- Gaara. Como você está? – ele o conduziu até dentro e Metal correu em sua direção, chiando.

- Oi, Lee. Eu só queria deixar alguns presentes. – disse, colocando sua bolsa na mesa de café e puxando algumas caixas enfeitadas.

- Você não precisava nos trazer nada. Você já fez demais.

Gaara o encarou e Lee podia jurar que seu coração deu um salto.

- Que tipo de mãe eu seria se não trouxesse presentes para o Metal? – ele perguntou, rindo levemente, deixando-o corado. – Eu não posso ficar muito tempo. Apenas alguns minutos. Eu realmente queria ver vocês dois. Como ele tem estado?

- Ótimo! Fantástico!

- Você ligou para o seu pai? – a expressão de Lee caiu e ele olhou para os pés. – Lee, você realmente deveria ligar, ele deve estar preocupado.

- Eu sei que está... Eu tenho evitado seus telefonemas...

Gaara franziu o cenho e o conduziu para sentar no sofá.

- Ouça, Lee, eu sei que é difícil, mas você não está se fazendo nenhum bem. Por favor, ligue para seu pai.

- ...Ok. Eu... Gaara, você... Não importa. – Lee desviou o olhar, sem jeito.

- 'Eu' o que?

- Não é importante. Você disse que tinha que ir. Vejo você depois?

Gaara o encarou de maneira insistente.

- O que você ia dizer?

Os ombros de Lee caíram.

- É bobagem. Eu estava apenas... pensando... se você iria comigo caso eu visitasse meu pai algum dia. – estremecendo sob o quão estúpido isso tinha soado, rapidamente acrescentou – Eu não gostaria que o Metal se sentisse desconfortável e ele se sente melhor com você, eu entendo se você não poder ir ou mesmo não querer ir, foi uma pergunta realmente estranha de se fazer e eu sei...

- Eu irei. Só me avise quando. – Gaara disse, efetivamente o cortando, para receber um sorriso desajeitado.

- Obrigado. – o ruivo assentiu. – Oh! Eu esqueci! Eu tenho algo para você também! - ele saltou e correu para a minúscula árvore de natal no canto, pegando um pacote. Parecia envergonhado quando o entregou. – Desculpe não ser nada especial. Eu só queria ter certeza de ter algo para você e...

- Lee. Pare de se remendar. Obrigado. Não importa o que seja, tenho certeza de que vou adorar. – Lee acenou com a cabeça rapidamente – Sinto muito, mas eu tenho que ir agora, minha irmã está esperando por mim lá embaixo.

- Sim. Claro. Obrigado por passar aqui.

Gaara fechou a bolsa e permaneceu em sua frente por um segundo, com uma expressão insegura no rosto. E, então, abriu levemente os braços. Ele estava oferecendo um abraço?

- Te vejo depois?

Lee sorriu, fechando os braços ao seu redor, com entusiasmo.

- Sim! – se ele exagerou na força, o outro não deixou transparecer. É só que estava tão feliz. – Te vejo em breve! Obrigado por tudo, Gaara!

Gaara foi embora rindo, mas estremecendo sob a altura em que Lee se despedia em suas palavras.

Observando a porta, Lee e mordeu o lábio e suspirou, se desviando rapidamente para seu celular. Conferindo as horas, estava em tempo da soneca de Metal, então o colocou para dormir com alguma dificuldade e entrou no quarto. Quando sentou a cama, o contato do pai já estava visível na tela.

Assim que, finalmente, conseguiu encontrar coragem para discar, seu coração estava batendo tão rápido que não conseguia respirar direito. Do outro lado da linha, o homem atendeu logo na segunda chamada.

- Lee? É você? Você está bem? – o som daquela voz pareceu ser-lhe o suficiente para arder os olhos. Ele fechou as pálpebras com força, muito engasgado para responder. – Lee?

- Sim, pai. Estou aqui. – sua respiração estava agitada e ele mordeu o polegar, não conseguindo reter as lágrimas.

- Lee, o que aconteceu? Onde você está? Eu não tive notícias suas por dois meses. Você está bem?

Seu pai parecia tão afetado, Gaara estava certo em fazê-lo ligar. Lee sentiu-se terrível, mas também não sabia o que dizer.

- Muita coisa mudou desde que... Eu falei com você na última... Eu não quero falar com você por telefone, pai, eu acho que é algo que eu deveria contar pessoalmente. Tudo bem assim?

- Tudo bem. Claro que está bem! Eu sinto tanto a sua falta, Lee! Este foi o maior tempo que já passamos sem nos falar! Eu estava tão preocupado!

- Eu sei, pai. Me desculpe.

- Lee, não chore. Está tudo bem. Eu estou bem. Falaremos sobre isso. Quando você pode vir? – a pergunta o fez chorar ainda forte. Ele nem sequer tinha um carro. – O que há de errado?

- Me desculpe. Eu sinto tanto, pai. – Lee soluçou e cobriu a boca, não conseguindo evitar-se de desabar.

Mas seu pai o ouviu com atenção e tentou acalmá-lo.


Gaara não veria Lee até alguns dias após o natal. Não que esperasse o encontrar tão cedo, mas ainda era triste pensar nesses termos. Sentia sua falta. Os dois trocavam mensagens frequentemente, mas não acontecia nada em especial para ser convidado à sua casa, nos últimos dias ele parecia sempre ocupado.

Num dia, recebeu uma foto de Metal em seu kigurumi e gorro de natal e, instantaneamente, se tornou o plano de fundo do seu celular (mesmo que não fosse admitir isso tão fácil). E também havia os presentes de Lee.

Ele enquadrou a impressão de mão e pegada Metal em sua mesa, com um sorriso – e escreveu a data atrás, porque Lee havia esquecido disso. No pacote que havia ganhado da ultima vez que esteve por lá, curiosamente, havia um panda de pelúcia. Junto com o presente havia uma nota que dizia:

Eu queria comprar algo, mas não tinha dinheiro o suficiente. Sinto muito. A primeira vez que te vi, você me lembrou um panda, então eu te costurei um! Espero que não esteja tão ruim! Eu não costuro a um tempo...

E, droga, se não era o panda de pelúcia mais bonitinho que Gaara já viu na vida. O fato de Lee ter feito com suas próprias mãos só o tornava mais especial. E, bom, se alguém em sua casa notou que agora tinha um panda de pelúcia sobre sua cama, foram gentis o suficiente para não dizerem nada.

Para Metal, Gaara comprou alguns brinquedos e um conjunto de mantas para o seu berço portátil. Assim que viu, Lee percebeu que era muito caro, mas agradeceu que alguém gastasse tanto dinheiro com seu filho. Já para ele, roupas, o que era estranho. Ele deve ter notado que não tinha muitas peças quentes para vestir... Ganhou um suéter, calças de moletom e um pijama bem legal.

Em sua caixa, por baixo de tudo, havia uma foto emoldurada. Gaara deve ter tirado sem que percebesse. Foi quando Metal ficou tão excitado por ter abraçado seu papai e ele estava sorrindo tão abertamente. Lee foi, facilmente, levado às lágrimas por ter aquele momento capturado.

Ultimamente estava trabalhando muito mais do que era normal próximo aos feriados. Quando o ano novo se aproximou, estava completamente drenado. Precisava dormir. Felizmente, Metal já não estava mais gritando o tempo todo. Seu filho estava mais confortável na casa, ainda que não se comportasse da maneira adequada. E Lee tentava. Tentava muito. Ele, muitas vezes, começava a brincar com o Metal, mas ele não respondia. O máximo que conseguia fazer era acessar o VUDU e assistir Bubble Guppies juntos.

Lee poderia jurar que poderia recitar cada episódio de cor, neste momento. Ele tinha criado o hábito de enviar pequenos clipes aleatórios para Gaara sobre o almoço de Nonny e isso o resultava em trocar várias mensagens com ele, próximo ao meio dia 'Que horas são?', 'É hora do almoço!', 'É hora do almoço!', 'Ei, o que tem para o almoço?!'.

Nenhum deles entendia bem porque se apegaram tanto nesse desenho, mas era tarde demais para se perguntar agora.

Quando você está pretendendo visitar o seu pai?

Não tenho certeza. Eu realmente não consigo decidir, considerando que não tenho um carro.

Eu pensava ter sido por isso que você me pediu para ir com você. Eu ia dirigir.

É um passeio bem longo. São 3 horas de estrada.

Não perguntei a distância. Perguntei quando você quer ir.

Você sempre foi tão atrevido assim?

Me disseram que é um dom. E então? Gostaria de ir em breve? Podemos ir no próximo fim de semana. Posso trocar o turno que me agendaram no domingo à noite. A menos que você não possa sair do trabalho...

Eu posso tentar. Caso contrário, podemos tentar no fim de semana depois, se não se importar.

Claro que não. De qualquer forma, o que você está pretendendo fazer para o Ano Novo?

Nada. Ficarei sentado em casa a noite inteira.

Quer que eu dê uma passada?

Por favor?

Eu estarei aí.

xoxox

Notas Finais

Sassy-gay-Gaara deveria ser uma religião.