N/A:

GENTE O RASA BRILHA MUITO MEU DEUS

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Capítulo 6

O fim de semana foi divertido. No domingo o clima amanheceu ameno, então Gai e Lee puderam levar Metal para brincar lá fora, na neve. Como não costuma nevar muito forte por ali, deu para aproveitar bastante.

Gaara e Kakashi os observavam pela varanda e o ruivo constantemente ficava nervoso toda vez que jogavam Metal um pouco alto demais. Kakashi, divertido, pelo canto do olho, o estava assistindo tencionar levemente toda vez que aquilo acontecia e ria sozinho. Parecia realmente uma mãe.

À distancia, em meio as brincadeiras, Gai ainda estava inquirindo Lee a respeito do rapaz e sobre o que estava acontecendo entre eles. Até mesmo o provocou por terem compartilhado uma cama. Corando furiosamente, Lee continuava a dizer que não queria que Gaara se sentisse preso a um filho que nem mesmo era dele. Mas, mesmo conseguindo entender seu argumento, Gai não conseguia associar Gaara a esse tipo de preocupação. Ele parecia amar Metal tanto quanto seu filho.

Mais tarde, quando equiparam o carro para partir, os dois homens puxaram Lee em um canto para conversar enquanto Gaara prendia um bebê bastante cansado na sua cadeirinha no banco de trás. Ele deu-lhe uma mamadeira, mas a criança mal chegou na metade e adormeceu em 5 minutos, sem nem conseguir tirar da boca.

Gai e Kakashi continuaram a fazer perguntas sobre alguns detalhes. Eles foram tão prestativos em insistir em "emprestar" (entre aspas, pois não tinham nenhuma intenção de exigir retorno) algum dinheiro para Lee. Haviam perguntado a respeito de Lee voltar a morar com eles, mas entenderam, no segundo que ele virou-se para olhar o ruivo ao longe, que não havia a menor probabilidade disso.

Gaara ficou jogando um pouco em seu celular para dar-lhes privacidade, até que Lee terminasse de se despedir e se aproximasse do carro. Ele já havia dito um adeus formal, então desta vez apenas acenou antes de dar a partida.

A viagem foi bem confortável. Dessa vez, Kakashi e Gai haviam preparado alguns petiscos, mas Gaara não estava com fome e Lee permanecia muito avoado, pensando. Era muito estranho, ele quase nunca calava a boca, então era difícil simplesmente aceitar o silêncio. Durante todo o trajeto, eles apenas mantiveram os olhos na estrada.

Depois que estacionou em frente ao apartamento, Lee o convidou para entrar, mas teve que recusar.

- Eu realmente tenho que ir pra casa. Meu pai disse que precisava falar comigo.

Ele assentiu lentamente, e, com isso, Gaara o ajudou a levar a bagagem até o andar de cima. Mas, assim que fez menção a ir embora, sentiu os braços se envolverem ao seu redor, em um abraço apertado.

- Obrigado por tudo.

Ele sorriu suavemente. Havia pensado que Lee poderia ter se irritado com alguma coisa que havia feito, devido ao pouco que falou no caminho da volta.

- Não foi nada. – respondeu. Logo deu um beijo em Metal e saiu.

Lee se inclinou para pegar o filho e congelou no meio do caminho ao nota-lo erguer os bracinhos em sua direção. Aquilo foi maravilhoso. Mais do que tudo, desejou poder compartilhar esse momento com Gaara... Ultimamente esse andava sendo um sentimento bastante recorrente.


Quando Gaara entrou em casa, seu pai já o esperava sentado à mesa de jantar. Ele estava esfregando o rosto com frustração, o que levou ao pensamento imediato de 'droga, ele está de mau humor'.

- Gaara! Exatamente o garoto com quem eu queria conversar. Sim usei a palavra 'garoto' e não 'homem' porque você não tem idade suficiente para tomar decisões adultas. – Gaara olhou-o confuso e sentou-se na mesa à sua frente.

- Do que você está falando, pai? – perguntou finalmente, olhando Rasa como se tivesse crescido 3 cabeças em seus ombros.

- Só tenho algumas coisas sobre as quais eu preciso discutir com você. Número um, Bubble Guppies...

- Eu lhe disse que comprei isso pra mim...

- Sim sim, você disse. O que eu me forcei a acreditar. O que nos leva ao ponto dois, eu estava olhando as suas faturas do cartão de crédito...

- Que eu paguei com meu próprio dinheiro.

- É, você pagou. Mas eu achei curioso que havia um desconto de R$427 em uma loja... Ah, como é o nome? Carters! Sim, uma loja bem conhecida de roupas para bebês. – Gaara sabia a direção que isso estava tomando. Ele apenas revirou os olhos. – Não arraste os olhos para mim, jovenzinho. – Rasa realmente destacou a palavra. – Alguns extratos bancários depois, você também comprou algo na Babies-R-US? E agora eu estou recebendo ligações da escola sobre você lendo livros para pais... Quero dizer, Gaara. Você não pode ser tão estúpido. Eu te pedi uma coisa, uma única coisa, quando fui eleito prefeito e foi...

- Para não dar motivos para atenção indesejada ou escândalos. - eles disseram ao mesmo tempo.

- e aqui está você, fazendo de tudo ao seu alcance para criar o maior escândalo sobre eu não ser capaz sequer de manter meu filho caçula longe de atividades inapropriadas! Você tem 17 anos! Você é jovem demais para ser pai! – ele esfregou as têmporas, frustrado, e respirou lentamente. – Ok. Estou mais calmo. Gaara. Que porra. É. Essa.

- Posso falar agora? É minha vez? Vai permitir que a criança fale?

- Gaara, você realmente está me testando hoje.

- Bem, pai, o que posso dizer? Oh, que tal você lembrar que eu gosto de homens? Oh, desculpe, eu quis dizer meninos porque, aparentemente, eu tenho 5 anos. Eu sei que você sabe disso, porque você me ignorou por uma semana quando eu te contei. Quando diabos eu tive tempo para transar com uma garota? Eu nem mesmo transei com um cara ainda. – argumentou e Rasa fechou os olhos, tentando capturar um breve segundo de paciência.

- Então, você não é pai?

- Não.

- Oh, obrigado meu d...

- Eu sou mãe, na verdade. – ele não pôde deixar de adicionar, sorridente. Rasa levantou os olhos com uma expressão demarcada pela confusão e exasperação.

- Gaara, e o que isso significa? – quase gemeu, esfregando o rosto novamente.

- Isso significa que, embora eu não tenha filhos, eu sou amigo de alguém que tem um e eu o estou ajudando com o bebê. Metal não tem mãe e me chama de mama. É com ele que eu estou gastando dinheiro. – Rasa olhou para Gaara, mais confuso do que antes.

- Por que?

- Eu o amo. – Gaara disse simplesmente.

- O bebê ou o pai? – perguntou, com uma sobrancelha levantada. Gaara praticamente gaguejou diante a questão. Isso não ia acabar bem.

- O-o bebê. Metal.

- Quantos anos tem o pai? – Rasa continou, notando o filho estremecer.

- Ele acabou de completar 20. – disse calmamente, Rasa suspirou.

- Quantos anos tem o bebê?

- Um ano e 8 meses.

- Por que eu deveria deixar você ser amigo de alguém que faz escolhas terríveis como essa? Ele tinha, o quê? Dezessete, quando emprenhou a pobre menina? – os olhos de Gaara praticamente chisparam com o seu temperamento.

- 'a pobre menina'? Ela escondeu o bebê até decidir que não o queria mais, apareceu, jogou para o Lee e foi embora. Não se atreva a falar mal dele. Ele é a pessoa mais legal que eu já conheci na porra da minha vida.

- Olha a língua! – sibilou e o filho bateu as mãos na mesa.

- Não! Você não pode julgar os meus amigos como se fosse o todo-poderoso senhor da moral e dos bons costumes! Principalmente quando você se casou com a mamãe e 5 meses depois, Temari nasceu! Uau, eu me pergunto como isso aconteceu. – Rasa não precisava disso. Ele já estava irritado o suficiente.

- Isso foi diferente, pelo menos nos casamos.

- Isso como se a mãe do Metal tivesse dado a Lee alguma escolha. Eu sei, com toda a certeza do mundo, que ele teria casado com ela se soubesse. Ele teria se esforçado feito cachorro para fazer esse relacionamento funcionar, mesmo que ela o tenha tratado de forma tão horrível. Sabe por quê? Porque Lee é assim. E se você quer gritar comigo por conta disso ou daquilo, tudo bem, fique à vontade. Mas não se atreva dizer que Lee é uma pessoa ruim. – mesmo a ponto de explodir com tanto atrevimento, Rasa tinha que admitir que nunca havia visto o filho tão zangado antes. Esse pensamento o fez rir e balançar a cabeça – O que?

- Só é engraçado. Eu preocupado com você fazendo algo estúpido como usar drogas ou entrar pra alguma gangue, quando deveria ter cuidado era com a probabilidade de você se apaixonar por um cara mais velho com um filho a tiracolo. – a raiva evaporou do rosto de Gaara instantaneamente.

- Do que você está falando, pai? Eu não estou apaixonado por ele. – pela terceira vez, o pai esfregou o rosto.

- Só porque eu sou seu pai, não significa que eu sou burro, Gaara. Eu sei o que vejo... De qualquer forma, você está de castigo. Sem atividades depois da escola além de trabalhar. E você vem direto para casa. – a mandíbula de Gaara ficou tensa e Rasa sabia que ele queria reclamar, mas...

- Por quanto tempo? - Duas semanas. – Gaara assentiu, parecendo irritado. – Dê-me seu telefone.

- De castigo no meu aniversário. Parabéns, você conseguiu. Assim que você não precisa fazer nada pra mim. Como todos os outros anos. – ele levantou-se da mesa, batendo o telefone e disparou. Havia tanto Rasa queria dizer a esse garoto, mas sabia que ele não se ouviria.


Gaara invadiu o quarto de Temari e ela o olhou, surpresa.

- Você está be...

- Posso usar seu telefone? Papai pegou o meu. – a irmã assentiu com a cabeça e entregou-lhe o celular enquanto ele sentava-se na cama.

- Pizzaria da cidade...

- Ino.

- Gaara. Você nunca me interrompe. Aconteceu alguma coisa? Por que você está ligando do telefone de Temari?

- Meu pai me deixou de castigo por duas semanas. – resmungou e Temari ficou com uma expressão triste enquanto comia suas bolachas – Você pode avisar ao Lee? Eu não quero que ele pense que eu estou ignorando ele ou qualquer coisa do tipo... Eu não me lembro do número dele decorado.

- Cara! Eu não acredito que você vai estar de castigo no seu aniversário! Isso é tão brega! Sim, eu dizer. Espere aí. Você quer falar sobre qualquer outra coisa ou vai ficar rabujando em algum lugar sozinho?

- Eu tenho que terminar minha lição de casa...

- Rabujo sozinho. Saquei. Amo você, xuxu. Te vejo amanhã! Você quer que eu dê a Lee seus horários de trabalho?

- Por favor... – Gaara soava tão patético agora, era triste.

- Ok, baby. Amo você, tchau.

- Amo você também. Tchau. – ele desligou o telefone e jogou-o em algum lugar da cama da irmã, se debruçando sobre o colchão, em seguida.

- Você está bem? – Temari perguntou, rolando até a beira da cama, em sua cadeira de rodinhas. – Eu sei que o pai é um saco. O que você fez?

- Eu não sei se ele me cortou por xingar ou o que, mas é a minha vida, eu acho. – Temari bagunçou os cabelos do irmão.

- É um incentivo para você ir para a faculdade. Você é inteligente o suficiente, vai se formar um ano adiantado. Faça o pai pagar pelo dormitório e vá para alguma bem longe daqui.

- Como isso funcionou para você?

Temari franziu a testa.

- Só porque vivo aqui em casa, não significa nada. Os dormitórios da minha faculdade são um saco e odeio meu colega de quarto. Essa foi minha melhor opção. – Gaara apenas suspirou na cama. – Há algo mais incomodando você?

- Estávamos brigando por causa do Lee... Estou apenas pensando em algo que ele me disse, é tudo.

- Lee? Quem é Lee?

- O cara do apartamento que eu te pedi pra me levar no Natal. – disse e Temari sorriu.

- Ah, então, há um cara? E ele tem um apartamento? É sobre isso que o papai está se descabelando?

- Não. Lee tem um filho. Papai achou que era meu.

- Será que ele sabe que não se pode procriar com dois pênis? – Gaara encolheu os ombros, não querendo falar sobre isso. – O que ele falou que te fez pensar?

- Que eu amo o Lee.

Temari fez um barulho, pensativa.

- Bem... e você ama? – o irmão a olhou, por um minuto inteiro.

- Eu... acho que sim.

Ela sorriu.

- Aww, meu irmãozinho tem seu primeiro amor. Que grande momento. Você tem alguma foto? – Gaara sorriu por um instante, mas depois murchou. – Elas estão no seu celular, não estão? – ele gemeu e recostou-se na cama.

- Merda! O papai vai mexer em tudo.

- Há alguma que ele deveria evitar? – Temari perguntou e Gaara apenas suspirou.

- Nada inapropriado, mas...

- Privado?

Gaara assentiu.


Rasa sentou-se em seu escritório com o telefone alheio em suas mãos. O aparelho esteve desligado pela maior parte do tempo, mas ele não podia evitar de se sentir curioso. O garoto com certeza devia ter fotos desses tais Lee e Metal.

Ligando o celular, ficou surpreso que Gaara nem mesmo tivesse uma senha. O filho deveria se sentir seguro o suficiente. A primeira imagem que surgiu na tela foi a de Gaara com uma criança, e Rasa imaginou que este fosse Metal. Sinceramente não podia perceber como as tutoras chegaram a pensar que fosse filho dele, o máximo que havia de parecido eram os olhos um pouco puxados... disso até uma suposta paternidade havia um abismo de distância.

Quando deslizou para desbloquear, o plano de fundo era uma foto de Metal com Lee, provavelmente. A despeito da semelhança gritante, ambos estavam usando óculos escuros e o menino estava sorrindo, mostrando todos os poucos dentes.

Com um debate interno sobre passar pelas memórias pessoais de seu filho, os dedos de Rasa pairavam sobre o botão da galeria. Eventualmente ele acabou clicando.

Gaara tinha mais de 600 fotos. Na maioria de Metal. As mais recentes haviam duas pessoas brincando na neve com a criança, depois, imagens dele trajado em sua roupinha de inverno, parecendo um marshmallow azul... fotos de Metal com o que parecia ser o pai de Lee e Lee.

Tantas fotos. Metal em um colete e gravatinha, vídeos de Metal rindo histericamente, onde conseguia ouvir Gaara rir por trás da câmera. Rasa continuava passando pela galeria, querendo ver mais do rapaz que seu filho gostava. Ou amava.

Havia uma de Metal abraçando o pai e Lee parecendo tão feliz com isso. Lee lendo para Metal. Lee apenas sorrindo. Lee e Gaara sorridentes. Rasa nunca havia visto Gaara sorrir assim. O máximo que já havia chegado a presenciar fora um curvar de lábios de desdém, se tivesse sorte.

Desligou o telefone com um suspiro, jogando-o na gaveta da mesa. Se havia uma coisa que tinha que admitir, era que Lee não parecia uma pessoa ruim. E não ajudava em nada que ele não parecesse um mulherengo, no mínimo. Ele parecia mais um banana.

Rasa precisava conhecer esse rapaz.


No dia seguinte, Lee estava na cozinha preparando alguma coisa. Havia acabado de chegar em casa de seu turno matinal e estava morrendo de fome, Metal deveria estar também. Era maravilhoso que seu pai tenha lhe dado algum dinheiro, assim poderia se dar ao luxo de comer direito. Normalmente, ele apenas se certificava de que seu filho pudesse comer direito.

Metal estava correndo pelo cômodo em círculos por absolutamente nenhuma razão e Lee não podia deixar de se sentir triste. Ino mandou uma mensagem ontem à noite, avisando que Gaara havia entrado em discussão com seu pai e terminado de castigo. Cara, Lee nem sequer conseguia se lembrar de como é ficar de castigo.

Houve uma batida na porta e isso o surpreendeu completamente. Quem estaria em sua casa quando a única pessoa que o visita não tem como? Gaara conseguiu escapar? Lee tirou a panela do fogo, desligando o fogão, pegou Metal à caminhou da porta e a abriu.

Não era Gaara.

- P-Prefeito Kazekage? – balbuciou. O que o prefeito estava fazendo em sua casa?

- Você se importa se conversarmos?

Lee permitiu entrar e fechou a porta atrás de si. Ele o conduziu até a mesa da cozinha e o homem parecia distraído em todos os detalhes do pequeno apartamento.

Sentando-se a mesa com o filho, Metal bateu na madeira com excitação. Suas mãozinhas se voltaram em direção ao prefeito e Lee ficou vermelho. Colocando o menino no chão, Metal correu para o outro homem, o abraçando pelas pernas. Ele também pareceu surpreso, mas o pegou, de qualquer maneira.

- Eu... desculpe. Não sei por que ele está fazendo isso. Posso segurá-lo se quiser.

O prefeito sacudiu a cabeça.

- Eu estava pretendendo conhecê-lo de qualquer forma. Olá, Metal. – ele saudou e o estômago de Lee ficou gelado. Como o prefeito sabia o nome de Metal?

- Uh... C-como você sabe o nome do meu filho?

- Perdoe-me, Rock Lee. Meu nome é Rasa. Eu vim falar sobre meu filho.

Lee parecia confuso.

- Seu filho? – Foi então que Rasa percebeu que o rapaz não tinha a menor ideia de quem ele era, além de sua figura pública. Isso era bom. Significava, ao menos, que ele não andava em torno de Gaara por algum interesse político-financeiro.

- Gaara. Gaara é meu filho, Lee.

O rosto de Lee ficou branco, depois vermelho.

- Eu sinto muito, eu não sabia. É uma honra conhecê-lo, senhor! Você fez um trabalho maravilhoso criando o Gaara, ele é a melhor pessoa que já conheci. Eu não sei onde estaria se não fosse pela ajuda concedida pelo seu filho. – Rasa o encarou, ele falava engraçado. Ele sempre falava desse jeito? Parecia-lhe genuíno.

- Meu filho gosta de você, Lee. Ele gosta tanto de você, na verdade, que nós brigamos por conta disso.

O rosto de Lee caiu e ele ficou muito embaraçado.

- Eu sinto muito. Eu não gostaria de ser um problema entre você e Gaara. Ele me disse que o relacionamento entre filho e pai é muito importantes. Foi o que fez eu me reconciliar com meu próprio pai. O que estiver em meu alcance para ajudar a reparar o seu relacionamento, eu farei. – Rasa o encarava nos olhos. Ele não queria dar o gosto de admitir que seu filho teria razão. Que Lee realmente era um cara legal. Então, decidiu testá-lo.

- Mesmo se eu pedisse para ficar longe dele? – perguntou e viu a expressão do rapaz mudar instantaneamente. Lee não conseguia mascarar seus sentimentos muito bem, isso era bom. Significava que ele não era um bom mentiroso. A expressão passou pela surpresa, pela tristeza, até quase um olhar de resolução.

- Hum. Sim. É mais importante para Gaara ter um bom relacionamento do que você do que ser meu amigo. – disse honestamente, seus olhos estavam apenas tristes.

- O que você fará hoje noite?

Diante à pergunta repentina, ele o encarou.

- Nada, senhor. Apenas passar o tempo com meu filho. – Lee olhou para Metal e o menino estava olhando fixamente para Rasa. Agora podia ver porque ele parecia gostar tanto do prefeito, ele lembrava Gaara. Agora que sabia quem era, era inegável que os dois tinham características muito semelhantes... Lee só imaginava de quem Gaara havia herdado a bela cor dos olhos.

- Se importaria de se juntar a nós para jantar? – Lee piscou. – Em minha casa. Vou deixar o endereço. Não é muito longe daqui.

- Tudo bem. Se é isso que o senhor gostaria de fazer. – assentiu devagar e Rasa continuou a examiná-lo. Ele era um cara estranho, este Rock Lee.

- Sim. Eu gostaria de ver com meus próprios olhos o seu relacionamento com meu filho. – O rosto de Lee queimou. Rasa considerou aquilo uma vitória.

- Nosso relacionamento é platônico. – disse, honestamente, Rasa podia dizer que ele não estava mentindo. Era quase um bálsamo essa facilidade, todos os seus filhos eram os maiores mentirosos do mundo. Ele deveria conversar com o pai de Lee, qualquer dia desses, sobre os seus métodos de criação para resultar num menino tão verdadeiro sobre tudo.

- Eu sei. – levantou-se, entregando Metal de volta ao pai. – Mas está claro que você não gostaria que fosse. – Bom se havia algum momento em que Lee estivesse tão envergonhado que queria morrer por não conseguir encontrar uma boa resposta a algo assim, era aquele. Ele apenas engasgou e fez alguns barulhos estranhos, tentando protestar, mas Rasa sabia que não iria (ou não podia). O rapaz era honesto demais. – O jantar será às 18:30. Vejo você mais tarde, então, Rock Lee.


Lee vestiu-se com as roupas mais bonitas que tinha, o que realmente não queria dizer muita coisa. Escolheu um jeans preto e uma camisa de botão verde escuro, e então se encarou no espelho e gemeu. Ele não parecia nada bem. Decidiu arrumar Metal, em vez disso.

Calças pretas, uma camisa de frio branca, um cardigã verde de gola por cima, gravatinha borboleta cinza com suspensórios da mesma cor. Metal olhou para ele e Lee não conseguiu evitar segurá-lo e apertá-lo.

- Você é tão bonitinho...!

Ele tirou o telefone do bolso, mas depois franziu a testa. Não era como se pudesse enviar a foto a Gaara. Suspirando com o pensamento, vestiu o traje de neve do filho sobre suas roupas e pegou uma jaqueta grande para si mesmo. Esperava que conseguissem percorrer o caminho à tempo. Ele estava determinado a chegar lá em 20 minutos!

Gaara estava cansado. Ele só queria ter vistor Lee hoje. Estava esperando que eles o visitassem no trabalho, o que não aconteceu. Com um suspiro, estacionou o carro na garagem da casa e entrou.

- Gaara! – ouviu seu pai chamar e, automaticamente, fechou a cara. – Hora do jantar!

- Eu não estou com fome. – respondeu, começando a subir para seu quarto, porém parando em seu caminho quando ouviu a voz familiar:

- Mama?

Ele correu pelas escadas e entrou na sala de jantar. Ali estava toda sua família reunida... e Lee com Metal.

- Mama! – os olhos de Gaara estavam enormes, mas suas pupilas pareciam pequenas. Olhou ao redor da mesa, confuso. Seu cabelo era um desastre e ainda estava com o uniforme, mas todo mundo estava, pelo menos, bem vestido. Até Lee. Sentindo o próprio rosto ficar vermelho, voltou-se para seu pai.

- O que está tramando? – perguntou e os olhos de Lee aumentaram com a malícia em sua voz.

- O que quer dizer? – Rasa perguntou, inocentemente. – Eu só convidei aos seus meninos que se juntassem a nós para jantar. Isso é um problema?

- Mama. – Metal disse novamente, com os braços abertos em direção ao ruivo. Lee parecia tão envergonhado que desejava que o chão se abrisse e o engolisse, e Temari e Kankuro riam ao sobre o fato do irmão estar sendo chamado de mãe.

Sentando-se ao lado de Lee, Metal se agarrou a ele e beijou sua bochecha. Gaara sorriu.

- Olá, Metal. Obrigado pelo beijo. – ele olhou para cima e seus irmãos haviam começado a tirar fotos. – O que diabos vocês estão fazendo?

- Isso é simplesmente adorável. Apenas continue fazendo o que você já estava. – Temari disse com uma risadinha e Gaara revirou os olhos.

- Oi, Lee. Espero que meu pai não tenha te intimidado muito. – olhou para seu pai e Rasa levantou as mãos na defensiva.

- Eu não fiz nada, não é verdade Lee?

- Gaara, estou bem, eu prometo a você. Ele não me intimidou. – Gaara voltou-se para ele e Lee nunca se sentiu tão vulnerável.

A refeição foi bem estranha. Ninguém falava nada, exceto por Rasa fazer alguma pergunta aparentemente inocente que faria Lee parecer embaraçado. Gaara queria morrer. Qual era o sentido deste jantar?

Eventualmente, o pai recebeu uma ligação e se desculpou, se retirando da mesa. Ele agradeceu aos céus por isso. Metal ainda estava em seu colo comendo comida do seu prato.

- Você sabe por que o papai convidou Lee? – Gaara perguntou a Temari e ela encolheu os ombros.

- Não me disseram. – ela olhou para Lee. – Oi Lee, eu sou Temari, a propósito. A irmã mais velha de Gaara. Este é Kankuro. O irmão do meio. Nosso pai é um sociopata, desculpe.

- Não. Está tudo bem. Agradeço a oportunidade de provar a ele o que quer que ele queira que eu prove.

- Do que você está falando? – Gaara perguntou e Lee franziu a testa.

- Tenho a sensação de que ele está me testando. Ele continua me examinando. Talvez esteja se certificando de que valho a pena de ser seu amigo. – disse e Temari zombou.

- Lee, ele não faria isso com Ino. Ele está tentando ver se vocês estão bem juntos. Eu acho que o papai está submetendo o Lee ao "teste do namorado". – disse com um riso. Gaara e Lee se entreolharam, avermelhados – Que gracinha...!

- Oh, cara, ele com certeza está te atirando o "teste do namorado". – Kankuro riu. – Lembra do seu primeiro namorado, Tema? – a irmã suspirou com a memória.

- O pobre rapaz ficou traumatizado por meses. De qualquer forma, tenho certeza de que saberemos se ele aprova ou não.

- Mas... Nós não estamos namorando. – Lee disse calmamente e Temari sorriu para ele.

- Ainda. – ela se levantou da mesa. – Prazer em conhecê-lo, Lee. Tenho certeza de que vou te ver de novo. – e assim saiu, com o outro irmão no seu encalço, deixando os três na sala de jantar sozinhos.

- Me desculpe por eles. – Gaara pediu e Lee balançou a cabeça.

- Não. Tudo bem. O jantar foi ótimo. Obrigado por me receber.

Gaara assentiu, lentamente.

- Você quer que eu te leve para casa? Eu vi o carrinho, você deve ter caminhado até aqui.

- Sim. Não sei se seu pai permitirá que você me leve para casa. Está tudo bem, eu posso ir andando.

O ruivo franziu a testa e levantou-se.

- Eu não vou deixar você andar em casa nesse frio. Especialmente com o Metal. Espere um pouco. – e saiu em busca de seu pai. Quando o encontrou, ele ainda estava no telefone, em seu escritório. Esperou, então, na entrada até que finalizasse a chamada – Você se importa se eu levá-los para casa? Está frio lá fora.

- Gaara, sente-se. – Gaara queria revirar os olhos e soltar uma resposta, mas Metal estava em seus braços, e isso o acalmou. Ele obedeceu seu pai. – O que você gostaria que eu fizesse?

- Eu não sei o que você quer dizer.

- Com Lee e Metal. Eles parecem ser importantes para você, mas isso é uma grande responsabilidade. Estar com alguém com uma criança. É um trabalho árduo. As crianças são um trabalho árduo. Eu não quero que você jogue fora sua adolescência, cuidando de uma criança que não é sua. Dito isto, você adora Metal e ele claramente te adora. O que aconteceria se eu parasse isso? Você disse que a mãe dele o deixou, o que aconteceria se você o deixar também? Estou em uma posição em que eu simplesmente não sei o que fazer, Gaara. Diga-me, o que você quer?

- Eu... eu não sei o que eu quero. Mas eu sei que quero os dois na minha vida. – Rasa assentiu lentamente e sentou-se na cadeira.

- Lee é um bom garoto. – disse, calmamente. – Eu não queria que ele fosse, mas ele é. Ele deseja o melhor para você, assim como eu. O que você acha que é o melhor para você, Gaara?

- Eles são. – foi a primeira vez que Rasa viu um olhar no rosto do filho que era puramente honesto. – Eles me fazem ser melhor. Eles me deixam mais agradável. Eles me fazem feliz.

- Eu sei. – o pai assentiu lentamente. – Eu posso ver isso. E isso me assusta. Gaara, eu não quero que você cresça mais rápido do que você deveria. Você vai ter 18 anos em breve e você poderá, legalmente, fazer o que quiser. Eu simplesmente não quero que você fique preso em uma posição em que se resume em estar lá para Metal e só. Você nunca deveria ficar preso. Com o tanto que essa criança significa para você, não duvido que você ficasse com Lee por ele.

- Pai, eu não ficaria com o Lee pelo Metal. Eu ficaria com Lee porque eu me importo com ele.

- Sim, Gaara. Eu sei que sim.

- Então, qual é o veredicto? – Gaara perguntou e Rasa cruzou os braços e olhou para Metal por um momento, a criança sorria.

- ... eu aprovo.

Mesmo que Rasa não admitisse, foi muito bom ver o filho sorrir para ele uma vez.

xoxox

Notas Finais

UFA!