N/A:
SEGUE O BONDE
xoxox
Capítulo 7
Uma semana depois, Rasa lhe devolveu o celular. Gaara ficou confuso de início, mas murmurou um obrigado e, imediatamente, enviou uma mensagem para avisar Ino e Lee que tinha seu telefone novamente.
Logo após isso, foi bombardeado por todas as fotos de Metal que havia perdido durante a semana e franziu a testa. Sentia-se triste ao perceber ter perdido tantos dias com o menino. Havia o visto duas vezes quando Lee o levou ao supermercado, mas não era a mesma coisa. Ele queria muito passar mais tempo com eles.
Gaara deve ter trocado mensagens sobre Metal por uma hora direto antes que fosse a hora de ir para a cama. Seu aniversário seria em quatro dias e ainda estaria de castigo por outros seis, e isso sabia com toda a certeza do mundo, pois Lee havia o convidado para aparecer quando estivesse livre e ele estava contando os dias para isso.
Ele ouviu o telefone vibrar na mesa de cabeceira e suspirou. Já havia se despedido de Lee. Quando agarrou o celular, a mensagem havia vindo de outro remetente.
Meu beem! Graças a DEUS você voltou. Preciso de que me socorra com esse boy!
Do que precisa?
Seu aval sobre essa foto.
Gaara abaixou o telefone e esfregou o rosto com cansaço. Por que Ino tinha que precisar de opiniões sobre uma foto beirando meia-noite? Sobre o que ela estava conversando com esse tal cara? Quando vibrou novamente, ele pegou e abriu a mensagem.
Para se deparar com uma imagem extremamente imprópria de Ino.
Então? Você acha que está bom?
Entre o tempo que levou você a me enviar e o tempo que me levou para ver essa foto, foi o único momento em que Deus se preocupou em me proteger.
Gaara! Me ajuda! Estou tentando um sexting aqui! Eu quero que esta foto seja perfeita!
Ughhh.
OK.
Antes de tudo, limpe seu espelho porque é a única coisa em que consigo reparar. Sério. Se você deseja tirar imagens espelhadas, certifique-se de que seu espelho não está parecendo uma vitrine de uma loja para crianças.
Em segundo lugar, essa postura fez com que seus peitos parecerem separados e flácidos.
Em terceiro lugar, tenho certeza de que consigo ver o seu mamilo. E eu não criei uma rapariga de quinta.
OKay! Nossa. Obrigado mãe. Deixa eu limpar meu espelho...
Gaara recebeu cerca de 5 minutos de paz e silêncio antes que ela lhe enviasse outra foto. Ele se preparou e abriu. E suspirou.
Ino, por que sua calcinha não combina com seu sutiã? Isso é sério? Você podia fingir alguma classe por 3 minutos? Por favor.
Não pensei que os caras realmente prestassem atenção a isso. Ponto para você.
Deixe seu cabelo solto também. Parece que você fez uma audição para Jennie é um Gênio e foi rejeitada.
Em primeiro lugar, por que eu seria rejeitada? Em segundo lugar, se eu não soubesse que você era gay, eu saberia agora. Sério, quem conhece esse seriado o suficiente para fazer uma referência dessas?
Em primeiro lugar, porque ninguém poderia ser Jeannie além da Barbara Eden, em segundo lugar, se eu não soubesse que eu era gay, eu saberia agora, olhando suas fotos.
Isso doeu.
Apenas apresse-se e envie o produto final para que eu possa dormir
Demorou cerca de 6 minutos, mas finalmente o telefone de Gaara disparou. Ele examinou cuidadosamente a imagem. Seus cabelos estavam soltos e sobre seus ombros, ela usava um conjunto de lingerie combinando, não mostrava demais.
Bom. Você pode enviar essa.
Obrigado pela sua ajuda, babaca.
Não tem de quê. Da próxima vez, consiga algumas amigas para isso. Boa noite.
Você é minha amiga : 3 Boa noite, amore. Te amo.
Gaara tinha que admitir, o rumo de seus pensamentos havia mudado drasticamente desde que se deu conta gostar de Lee. Podia ficar divagando sobre ele durante boa parte do seu dia e isso sem nem se importar em saber o porquê. Ele sentia falta de seu rosto, sorriso, abraços, risada... E isso não necessariamente significava que fosse uma coisa boa.
Às vezes, quando estava em aula, sua mente simplesmente vagava para suas memórias sobre Lee. A maneira como seu cabelo brilhava na luz do sol por ser tão escuro e liso, como seus olhos se iluminavam quando acontecia algo excitante, a maneira como falava quando estava feliz, o cheiro que tinha, o calor de seus braços...
Gaara queria suspirar. Ainda faltava três dias até seu aniversário e mais cinco até sair do castigo. Esperava que fosse capaz de passar tranquilamente por isso.
Felizmente, só tinha mais ou menos quatro meses e meio de ano letivo, até se formar. Nenhum pensamento poderia tirá-lo da sala de aula mais facilmente do que esse.
Lee tinha certeza de que era assim que se sentia sobre sofrer. Ele só havia visto Gaara no supermercado e, mesmo assim, não podia abraça-lo ou nada parecido, porque estava no trabalho. Sentia falta de passar um tempo com ele e não tinha muita certeza se visita-lo nesses termos estava ajudando ou não.
No aniversário de Gaara, decidiu que já havia tido o suficiente. Queria mostrar que pensava nele, que aquela data era importante, então comprou dois cartões. Um para ele e para Metal. Ele tirou uma foto do filho segurando seu cartão e vestido na camisa que dizia "Ain't no MAMA like the one I got " com um grande sorriso.
Lee imprimiu a foto e colou-a do lado de dentro, colocando a impressão da mãozinha da criança no outro lado. Ele deixou o cartão de lado, para secar, enquanto escrevia seu próprio e Metal assistia TV.
Assim que estava tudo pronto, começou a decorar o bolo que havia assado. Não era lá muito especial, tinha decidido por uma mistura de sabores. Ele havia inventado uma cobertura, porque Gaara havia dito gostar de morango, enquanto ele próprio preferia cream cheese. Por sorte, a cobertura de cheesecake era bem fácil de fazer. Por azar, a calda de morango não se espalhou muito bem e o bolo parecia uma bagunça. Lee acabou por cobri-lo com granulado colorido e confeitou "Feliz Aniversário Gaara" em branco.
Ele estava aliviado por ter lembrado de pedir ao confeiteiro da loja onde comprou os ingredientes uma caixa, para que pudesse transportar o bolo. Assim, conseguiu colocá-lo na cestinha do carrinho de passeio de Metal sem maiores problemas.
Lee guardou os cartões em seus envelopes, colocou-os junto com o bolo e separou o presente de Gaara. Ele vestiu Metal em roupas quentes e pouco tempo depois, já estavam a caminho.
Eles ficaram conversando por mensagem o dia inteiro, então sabia que Gaara estava em casa hoje. E também Rasa. Parece que ninguém realmente fez muito sobre o aniversário dele, já que estava de castigo e isso fez Lee se sentir triste. Mas também o fez se sentir apreensivo. Ele deveria aparecer por lá, hoje?
Eventualmente, acabou por decidir que valia mais a pena provocar a provável ira de Rasa por sua visita inesperada, do que deixar Gaara sozinho em um dia que deveria ser especial.
Chegando à residência, ele parou diante o portão. Era muito mais impressionante quando podia olhar por completo. Da última vez que havia estado ali estava escuro e não podia ver muitos detalhes, mas agora eram 3:30h da tarde. Lee olhou para baixo e Metal parecia bastante satisfeito em seu traje de neve estufado. Ele parecia adorável, então não pôde deixar de sorrir. O olhar do filho encontrou com o seu e a criança começou a dar pulinhos em seu assento, rindo. Aquele era um sentimento maravilhoso.
Assim que bateu à porta, Lee instantaneamente sentiu suas mãos suarem. Ele realmente esperava que não estivesse forçando a barra com tudo aquilo. Muito para seu desespero, foi Rasa quem atendeu.
- Olá senhor. Eu sei que Gaara não pode receber visitas, mas eu queria deixar algumas coisas para ele, já que é seu aniversário... – inclinou-se para pegar as coisas debaixo do carrinho e estendeu-as para o homem, de uma maneira bastante travada – Significaria muito se você pudesse dar isso a ele por mim. – Rasa apenas tirou as coisas de suas e o olhou, calado. – Hum, muito obrigado.
O rosto de Lee estava vermelho de vergonha. Rasa o fazia se sentir tão pequeno. Era surpreendente alguém tão baixo quanto Gaara ter um pai tão alto e imponente. (Sinceramente, Rasa era apenas uns 3 centímetros mais alto do que ele, mas ainda era super imponente.)
- Rock Lee. – o chamou, quando começou a se afastar. Lee virou-se para encará-lo e Rasa suspirou. – Por que você não entra e entrega você mesmo? – ele pareceu surpreso, o que era bom. Isso dizia a Rasa que ele não havia vindo aqui pensando que iria chegar tão longe.
- Hum... Você tem certeza? Eu... eu não gostaria de ir contra seus desejos nem nada.
Rasa assentiu.
- Sim, é o aniversário dele, afinal.
Lee sorriu calorosamente para ele.
- Muito obrigado, senhor. – Rasa não sabia se preferia que o óbvio futuro namorado de seu filho o continuasse chamando de 'Prefeito' ou 'senhor', mas neste momento, ele realmente não se importou. Ultrapassariam esse nível mais tarde.
Ele abriu a porta o suficiente para que o rapaz pudesse passar com o carrinho e gesticulou para receber os casacos. Lee tirou o seu e o de Metal, juntamente com os sapatos, depositando-os ao lado da porta. Ele apoiou o filho em seu quadril e Rasa apontou com a cabeça na direção certa.
- Por aqui. – começou a subir as escadas com o outro andando nervosamente atrás de si. Agora que podia observar melhor a casa, Lee estava começando a perceber porque Gaara havia lhe dito que dinheiro não era problema quando tentou pagar sua gasolina. Rasa bateu levemente na porta. – Gaara. Posso entrar?
- Você vai, de qualquer maneira. – a voz áspera respondeu lá de dentro e Rasa viu pelo canto de seus olhos o sorriso que Lee formou quando ouviu Gaara. Ele abriu a porta e entrou.
- Você tem visita. – disse, colocando os presentes num móvel próximo. Lee entrou logo depois e Gaara praticamente deu um pulo da cama, surpreso – Feliz Aniversário, filho.
Assim que o pai se retirou, Gaara apenas olhou para Lee, em silêncio. Ele não havia percebido que estava tão absorto em reparar no tamanho daquele quarto. Era provavelmente do tamanho de seu apartamento.
- O que você está fazendo aqui? – o ouviu perguntar, uma vez que o choque inicial passou.
- É seu aniversário. Eu tinha que te ver. – falou, com um sorriso e o ruivo não teve como responder a isso. Lee colocou Metal no chão e ele correu para Gaara gritando alegremente. Antes que pudesse se abraçar nas pernas, como normalmente fazia, Gaara o pegou e o apertou, beijando sua bochecha.
- Obrigado. Meu aniversário acaba de ficar bem melhor. – Gaara sentou-se na cama com Metal inclinado sobre seu peito. Lee havia sentido tanta falta dessa cena. Ele se sentou junto a eles, mas a uma distância que julgou apropriada, não querendo dar a Rasa nenhum motivo para se arrepender de sua decisão de deixa-lo ficar.
Por um tempo, ficou assistindo Gaara brincar com seu filho, com um sorriso. Ele jamais se cansaria de vê-los juntos, mas havia um pequeno problema naquilo: perceber o quão profundamente estava se apaixonando. De repente, o outro também estava olhando em sua direção.
- Você está bem? – Gaara perguntou e Lee lhe deu um sorriso melancólico.
- Estou agora. – disse honestamente e o sorriso do ruivo se alargou. Deus, como gostava daquele sorriso.
Gaara caminhou até onde seu pai colocou as coisas que trouxe e o olhou. Ele pegou o primeiro cartão onde havia escrito "MAMA" e sorriu, Lee sorriu de volta. Quando abriu, com Metal em seu colo, ele puxou o ar de maneira exagerada.
- Oh Metal! É você! – disse, apontando para a imagem. O menino apontou para a própria foto e fez um barulhinho agudo. – Sim você! – Metal riu novamente e desta vez, Gaara leu o cartão. Na frente dizia "Feliz aniversário à melhor mamãe coruja" ele riu e beijou a testa da criança. – Obrigado, Metal.
Ele abriu o próximo, onde estava escrito 'Gaara' na letra de Lee. A capa era apenas um 'feliz aniversário!', então Gaara abriu para ler o interior.
Gaara,
Dificilmente eu consigo explicar
O quanto você nos faz completar
Em nossa família, não somos apenas dois
E não posso mais deixar para depois
Antes do mês passado, não pensei que 19 de janeiro seria uma data tão importante na minha vida, mas agora que eu sei que continuará a ser um dos melhores dias, porque é o dia em que você nasceu e não poderia ser mais agradecido por isso. Obrigado por tudo o que você tem feito por mim e pelo Metal. Você sempre será especial para nós. Espero que você tenha um feliz aniversário.
Com amor,
Rock Lee
- Obrigado, Lee. – Gaara disse suavemente. Ele colocou Metal na cama entre eles e o abraçou. Lee havia sentido tanta falta disso, que sentiu que o apertou com um pouco mais de força do que deveria. Assim que se afastaram, Gaara virou-se para a criança, com um sorriso. – Seu papai é tão legal, não é?
Metal olhou para Lee e sorriu.
- Papai!
Os olhos dos dois se arregalaram e Lee fez um barulho de pura alegria. Ele estava sorrindo tão amplamente e, quando se virou para Gaara, viu que estava sorrindo também. Lee não saberia dizer o que o levou a fazer aquilo, talvez estivesse tão atrapalhado pela emoção do momento, ou apenas feliz demais para se dar conta de seus atos... O fato é que ele agarrou o rosto de Gaara e o beijou.
Não demorou para que percebesse o que estava fazendo e ele se afastou rapidamente, corando em níveis absurdos.
- Eu...eu sinto muito. – Gaara olhou para ele com uma expressão que não conseguiu distinguir. – R-realmente, Gaara, eu não queria... - mas então, mãos o agarraram pela camisa e o puxaram.
Sua ansiedade derreteu feito gelo em um dia de calor ao sentir os lábios de encontro aos seus. Tudo o que sabia, tudo o que podia perceber era que Gaara o estava beijando. Seu coração poderia explodir a qualquer momento. Ele não sabia o que fazer. Colocou as duas mãos atrás do pescoço dele e sentiu o aperto em sua camisa se intensificar.
O beijo foi interrompido por Metal subindo no colo do pai e começando a choramingar. Eles se afastaram e o menino se inclinou em direção à Gaara, que sorriu e o pegou. A respiração de Lee era pesada e ele ficou aliviado pela interrupção, porque não sabia o que teria feito se Metal não os tivesse feito parar.
- Por que você me beijou? – Lee perguntou alguns minutos depois, olhando-o com uma leve surpresa. Gaara riu.
- Porque eu quis. Por que você me beijou?
Lee riu nervosamente.
- Porque eu quis. – levantou-se da cama e abraçou os dois. – Este é um dia muito bom. – Gaara não pôde deixar de concordar.
Eles desceram as escadas com o bolo e sentaram-se na mesa da sala de jantar. Temari estava na cozinha e os viu sentando.
- Eu não sabia que Lee estava aqui. Oi, meninos. – ela cumprimentou, entrando na sala de jantar. – O que vocês têm aí? – Lee ficou vermelho.
- Uma tentativa falha de um bolo de aniversário. – admitiu com uma risada nervosa e Gaara abriu a caixa, sorrindo.
- É perfeito, obrigado. Qual o sabor? – perguntou.
- Morango, você disse que era seu favorito. E eu fiz uma cobertura de cream cheese porque você disse que gostava também. Espero que tenha casado bem. – Lee disse, um pouco tímido. Ele ficava realmente nervoso em torno da família de Gaara.
- Isso é muito prestativo, obrigado. Vou pegar alguns pratos.
Temari o deteve.
- Nem pensar. Ainda não cantamos o 'parabéns'. Deixe-me pegar as velas primeiro. – ela correu para a cozinha, enviando uma mensagem à Kankuro para descer as escadas. Separou alguns pratos e garfos enquanto estava por ali, voltando para colocar uma vela no formato de um 5 sobre o bolo – Desculpe, é o que temos pra hoje. – e riu da careta de Gaara.
O irmão deles apareceu, aparentemente do nada, socando o caçula no braço.
- Ow! Para que foi isso?
Kankuro sorriu.
- Socos de aniversário, fedelho. Só faltam mais 18.
- Mas acabei de completar 18 anos e você já me socou uma vez.
- Um a mais para dar sorte. – disse e socou-lhe novamente no braço. Gaara apenas piscou, mas não impediu suas pancadas. Enquanto o irmão o batia, Metal parecia cada vez menos feliz. Quando Kankuro terminou, se virou para ele.
- Aguarde seu aniversário, irmão. – ameaçou e ficou assustado ao perceber Metal chorando forte, com lágrimas cheias escorrendo pelo rosto.
- Metal, está tudo bem! – Lee disse, tentando acalmar seu filho.
- Sim, Metal. Kankuro soca como uma vad... – Gaara se evitou no meio da palavra e Kankuro riu dele. Ele pegou Metal dos braços de Lee, que fez uma cara amuada, e começou a balança-lo quando, de repente, Rasa apareceu de pé sob a porta.
- Por que Metal está chorando?
- Kankuro foi abusivo e machucou a mamãe do Metal. – Temari forneceu e Rasa deu uma olhada severa ao filho. O rapaz levantou as mãos na defensiva.
- Pai, eram socos de aniversário. – disse, como se fizesse diferença. A essa altura, Rasa ficava mais surpreso com Gaara balançando e acalmando um bebê do que com a perspectiva de seus filhos se estapeando por bobagem. Pelo menos aquilo era algo bom de se ver. Lee levantou-se para entrar na cozinha.
Metal se acalmou o suficiente para parar de chorar, mas seu rosto estava vermelho e ainda havia lágrimas a mingo escorrendo por seu enquanto fungava forte. Gaara beijou sua cabeça e o menino se inclinou em seu peito, acalmando a respiração. Lee saiu da cozinha com um lenço umedecido e limpou o filho, por cima dos choramingos. Assim que Metal ficou mais apresentável, saiu para jogar o lenço fora e Gaara sentou-se à mesa enquanto Temari se sobrepunha em direção ao bolo, com o fósforo na mão.
- Gostaria de se juntar a nós, senhor? – Lee perguntou-lhe educadamente e Rasa olhou para ele com um olhar calculista.
- Me chame de 'Rasa'. – disse, depois de um momento, sob um sorriso de resposta, enquanto se sentava ao lado de Kankuro.
Temari acendeu a vela e começaram a cantar. Metal batia palmas e Lee riu enquanto cantava. Assim que terminaram, Gaara encarou o pequeno fogo, sem conseguir pensar em uma única coisa que desejasse. Ele sorriu para o bolo confeitado todo errado e com a terrível caligrafia de Lee no topo, coberto por uma quantidade duvidável de granulado colorido. Foi o melhor bolo que já tinha ganhado, era seu favorito.
Por fim, ele apagou as velas com um pensamento recheado de esperança de que pudesse passar mais aniversários com Rock Lee.
Eram quase 20 horas quando Lee insistiu que tinha que ir para casa. Estava próximo da hora de dormir de Metal e ele não queria atrapalhar isso de modo algum. Rasa deu permissão a Gaara para leva-los até em casa, mas que fosse melhor voltar antes das 21h. O ruivo sorriu para seu pai, pegando o carrinho, o dobrando e levando até o carro.
Lee sentia-se aquecido todas as vezes que via que Gaara manteve a cadeirinha de criança no carro, afivelada, em vez de tirá-la. Ele prendeu Metal e sentou-se no assento do passageiro enquanto o outro colocava o carrinho no porta-malas.
Chegando ao apartamento, Metal já estava começando a ficar enjoadinho. Ele estava cansado. Apoiando-o no sofá, Lee começou a tirar suas roupas enquanto Gaara procurava na cômoda por seu pijama e uma fralda. Ele os entregou a Lee e foi até a cozinha onde a mamadeira descansava, lavada, no escorredor.
Metal já estava no berço quando voltou com seu leite, e o pegou e tomou com tanto desespero que os dois riram dele. Hoje não precisou sequer de uma história, em poucos segundos o menino adormeceu pesadamente.
- Você tem que ir embora? – sussurrou.
- Em breve. Meu pai me deu uma hora. – e notou Lee sorrir feliz para a perspectiva de passar mais tempo ao seu lado. – Vamos, não quero acordar o Metal. – Gaara levantou-se e caminhou até a cozinha, sendo seguido.
Eles sentaram-se na mesa e Lee apenas o encarava, em silêncio, com um ar meio bobo.
- O que? – o ruivo perguntou e, em choque, ele desviou o olhar, corando.
- É só que... – começou, afundando em sua cadeira. – Você é... bom de se olhar.
- Bom de se olhar? – Gaara questionou, confuso. – Como? – Lee olhou para ele.
- Como não? Você já se viu no espelho? – sentou-se um pouco mais reto. – Você é muito bonito.
- Oh, você acha? – perguntou, com uma sobrancelha erguida.
- Não. Eu sei. – disse em gracejo e Gaara riu. – Uh, Gaara. Eu queria saber se poderíamos ... falar sobre o... o beijo? – ele parecia tão embaraçado, era uma graça.
- O que tem isso? – respondeu, simples, e o coração de Lee se revirou na mera lembrança de tê-lo beijado.
- Só... O que significou? – perguntou e Gaara encolheu os ombros. Lee sentiu-se um pouco desapontado com a reação dele, será que estaria exagerando em torno disso?
- O que você quer que signifique? – diante o questionamento, os nervos de Lee sentiram-se fraquejar. Não conseguia evitar que suas mãos tremessem, então as escondeu debaixo da mesa. – Por que você está tão nervoso?
- Como você não está? – Lee perguntou em retaliação e Gaara sorriu.
- Estou nervoso. Só sou melhor em esconder isso do que você.
Lee franziu a testa.
- Seria muito mais fácil para mim se você não fosse. – murmurou e sua perna começou a balançar. Isso, sinceramente, era surpreendente para Gaara. Ele nunca nem imaginou Lee como algo próximo à uma pilha de nervos, especialmente ao seu redor. Lee nunca havia ficado assim.
- Lee não fique tão nervoso. Sou só eu.
- É precisamente por isso que estou nervoso. É você, Gaara. – foi a vez de Gaara franzir a testa.
- Mas por quê? Você me conhece. Não há motivo para ficar assim perto de mim.
Lee juntou as sobrancelhas e mordeu o lábio.
- Eu gosto de você, Gaara.
- Eu também gosto de você, Lee.
- Não. Eu gosto de você. Muito. – seu rosto ficou vermelho na admissão e ele suspirou. –Eu não tenho a intenção de te deixar desconfortável ou algo do tipo, então eu não pretendia dizer nada, mas aqui estou eu, lhe dizendo agora, e lamento se você não sente... – e foi quando Gaara efetivamente o calou cobrindo-lhe os lábios com os seus. Lee piscou em surpresa, mas a pele contra a sua parecia queimar, então agarrou-se a ele.
Gaara sentou-se em seu colo, com as pernas ao seu redor e abraçando forte em seu pescoço. Lee fez um barulho que pareceu embaraçoso, como um choramingo, e envolveu os braços ao redor de sua cintura, espalmando por suas costas.
Seu corpo parecia adormecer com o frio que se concentrava na base de seu estômago. O simples pensamento sobre pararem chegava a ser fisicamente doloroso para Lee, assim, ele desligou sua mente e se concentrou no caminho em que a boca de Gaara fazia, deslizando contra a sua.
A língua dele lambeu seu lábio e, desta vez, Lee gemeu. Quando havia dormido com a mãe de Metal, não se lembrava de muita coisa. De nada, para falar a verdade. Então, Gaara estava sendo seu primeiro beijo. Ao menos, o primeiro beijo consciente... isso era embaraçoso? Se sim, se não, Lee não se importava.
Ele estava suando quando se separaram, Gaara fazia seu corpo sentir como se estivesse em ebulição. Os dois estavam respirando mais pesado do que o normal e o ruivo se afastou o suficiente para olhar em seu rosto. Diante aqueles belos olhos abertos em sua direção, Lee não conseguiu se parar em puxa-lo de volta para outro beijo. Aquilo era o paraíso, estava certo disso.
Com as mãos, agora, apoiadas no peito dele, Gaara conseguia sentir seus batimentos cardíacos erráticos sob a ponta dos dedos. Ele sorriu contra os lábios.
Na próxima vez que se afastou, o deixou respirar. Ele agora parecia ter mais controle sobre si mesmo, mas Gaara ainda parecia frustrantemente bonito demais sentado ali. Lee adorava seus cabelos. Como o cabelo de alguém podia brilhar desse jeito?
- Isso responde a sua pergunta?
Céus, ouvir a voz dele após beijá-lo era quase demais. Lee piscou para ele.
- Não me lembro do que estávamos falando. – disse, sem ar, e um sorriso se espalhou pelo rosto de Gaara. Lee não pôde deixar de sorrir de volta.
- Eu também gosto de você, Lee. Muito. – admitiu. Sua mão ainda repousava no rosto, fazendo uma carícia leve com o polegar em sua bochecha.
- Você gosta? – ele pareceu surpreso.
- Sim. Eu tenho gostado já tem um tempo.
Lee assentiu.
- Bom. Isso é. Muito bom. – Gaara quase riu daquela resposta estranha. – Mas... Se eu puder perguntar, por quê?
- Por que? – Lee assentiu. – Por que eu gosto de você? – Um outro aceno de cabeça. – Bem, eu não sou realmente bom com esse tipo de coisa, mas acho que porque você é você? Eu não sei. Eu gosto do seu rosto, seu cheiro, seus cabelos, como você se veste, o quanto você se importa, o quão legal você é, o pai maravilhoso que você é. E só que você é uma ótima pessoa e eu sempre soube disso.
- Estou muito grato por você pensar isso sobre mim.
Gaara sorriu.
- Outra coisa é que eu adoro o jeito como você fala. É tão formal. É bonitinho.
- Como é bonitinho? Eu não entendo.
Ele riu de novo.
- É bonitinho. Confie em mim. Agora eu tenho que me mexer, minhas pernas estão adormecidas, não consigo tocar o chão. – Lee olhou para baixo e sorriu quando viu as pernas penduradas no ar. Ele era tão pequeno. Gaara ficou de pé e verificou seu telefone – Eu só tenho mais 10 minutos.
Lee franziu a testa. Ele não percebeu que tinham se demorado tanto.
- Mal posso esperar para passar mais tempo com você. – disse, calmamente, e Gaara assentiu com a cabeça.
- Eu sinto o mesmo. Eu passarei aqui assim que o castigo terminar.
- Estou feliz por ter te visto hoje. – admitiu.
- Eu também. Mais do que imagina.
Lee balançou a cabeça.
- Tenho certeza de que imagino. – levantou-se, reparando que era cerca de 7 centímetros mais alto do que Gaara. Ele o puxou para um abraço apertado. – Obrigado por fazer parte da minha vida, e da de Metal. – e o sentiu concordar contra seu colarinho.
- Obrigado por fazer parte da minha. Eu tenho que ir. – eles romperam o contato e Lee sentiu-se vazio desde já. – Eu te vejo novamente em breve. Você vai me visitar no trabalho amanhã?
- Estou certo de que posso pensar em coisas que precisava comprar e que me esqueci. – disse com uma leve risada.
- Isso é chamado de 'cabeça de mãe', sabia?
Lee encolheu os ombros.
- Bem, talvez um dia você tenha. – Gaara levantou uma sobrancelha e o outro corou com a própria implicação. – Não... o que eu quis dizer...
- Sim, tudo bem. – o provocou e Lee ficou mais vermelho.
- Como você é mais tranquilo do que eu? – perguntou e Gaara o encarou confuso. – Você tem 18 e eu tenho 20, ainda assim você parece muito mais maduro. Você dificilmente fica nervoso. Não é justo.
- Eu só sou um melhor mentiroso, Lee. Nada contra, é só que eu consigo mascarar meus sentimentos melhor do que você. – o outro franziu o cenho. – Está tudo bem. Vai tudo melhorar quando você finalmente conseguir me deixar embaraçado.
Lee deu um passo mais próximo e beijou-o nos lábios gentilmente, dando um sorriso terno.
- Sim. – Gaara assentiu, Lee percebeu o olhar encantado que tinha. – Tipo isso.
- Te vejo amanhã, Gaara.
- Até amanhã, Lee.
Ele o acompanhou até a porta da frente e ficaram ali parados por um minuto, sem saber, ao certo, em como se despedir naquele momento. Realmente não tinham falado sobre o que o beijo significava. Gaara abriu a porta e deu alguns passos para fora. Quando se virou, Lee estava encostado no batente com um sorriso doce brincando em seu rosto.
E Gaara mordeu os lábios, com a certeza de que Lee seria a razão pela qual chegaria atrasado.
Ele virou-se para dar um último beijo antes de sair. Quando percebeu que já havia se estendido o suficiente, foi embora sem olhar para trás, porque sabia que, se olhasse, nunca chegaria em casa a tempo.
xoxox
Notas Finais
BADABIN BADABUM ACONTECEU VIADO
