Capítulo 38

Os Ratos De Sangue E Lama

Com os problemas do falso Aegon resolvidos e a execução de Jon Connington, uma ameaça estava resolvida, mas, havia uma principal entre tantas outras, a horda Dothraki que estava vindo em sua direção; em direção a Qarth, e tinha a intenção de matar, saquear, pilhar, estuprar e principalmente chegar até ela e a fazê-la cumprir os costumes do povo ao qual ela não estava cumprindo e tinha a total intenção de não cumprir e para isso uma guerra teria que ser travada, não basta ser inimigo da Baía De Escravos, mas, agora teria que enfrentar uma horda de milhares de homens e mulheres a cavalo dispostos a bater de frente até o último cair; aqui, Daenerys teria que ter uma estratégia que desse certo, mas, com a adição da Companhia Dourada e da experiência deles com as guerras e dos inúmeros confrontos com os Dothraki, tornou as coisa menos complicadas.

Daenerys estava sozinha olhando para os planos, mais uma vez depois da reunião em que o comando da Companhia Dourada foi introduzido aos planos, inicialmente Daenerys não queria, mas, ela não podia se dar ao luxo de testar a lealdade da companhia, os Dothraki estavam vindos e cada dia estava se aproximando; agora que ela se livrou do falso Aegon, ela tinha que lidar com os inimigos de fora e inimigos de dentro; quanto aos inimigos de dentro, ela já estava trabalhando com os imaculados patrulhando e descobrindo novos esconderijos dos seus inimigos ao ponto que já se podia falar que estavam cercando eles e adicionamento das forças da Companhia Dourada tornava tudo mais difícil para os seus inimigos, eles estavam cercados dentro da própria cidade e logo eles notariam que não haveria nenhuma escapatória.

De fato, poucos dias depois, ela havia recebido notícias de que havia com sucesso acabado com os seus inimigos, os Verdadeiros Cidadãos como se auto intitulavam que com o financiamento da Baía Dos Escravos tinham a intenção e conseguiram por um bom tempo instalar o caos e o terror dentro da Cidade De Qarth, Daenerys não deixou e junto ao seu governo combateu com dureza cada ação nefasta e torcida que eles praticavam até que finalmente a notícia de que eles foram derrotados veio; sua liderança morta ou presa, e eles serviriam de carne para os seus filhos, apoiadores internos mortos e apoiadores externos tendo a necessidade de elaborar um novo plano; gananciosos que chegaram ao ponto de ficarem confortáveis com o que tinham, mas, sempre a necessidade de terem mais e como ela havia tirado uma boa parte dos ouros deles, eles queriam de volta, claro que desde que ela soube dos planos deles de inseminarem o caos dentro de sua cidade, ela resolveu devolver na mesma moeda e financiar grupos de libertação dos escravos em cada cidade da Baía Dos Escravos; o dela é claro estava dando certo e colhendo frutos.

Todos os recursos das cidades da Baía Dos Escravos estavam sendo desviados para conter as insurreições, mantimentos básicos estavam entrando no estado de escassos, a infraestrutura estava sendo destruída aos poucos e isso estava afetando outras cidades que compravam escravos, sem a fonte usual no qual eles recorriam, tinham se voltado para eles mesmos produzirem os seus escravos, revoltas pela libertação e proibição de escravos estavam acontecendo nessas cidades com a afirmação que esses recursos podiam ser usados para melhorar a cidade e que as funções que os escravos faziam podem ser feitas por pessoas livres em troca do salário ou de pessoas que cumprem penas por seus crimes e a Baía Dos Escravos estava cada vez mais pobre e muitas dessas cidades tinham os seus olhares em Daenerys querendo copiar o seu exemplo de cidade que prospera sem o uso da escravidão; o único impedimento para mandarem representantes para aprender com a sua cidade é o fato de um ataque dos Dothraki.

Inevitavelmente o ataque iria acontecer; isso ela não podia mudar, mas, parecia que os Dothraki tinham levado o seu tempo para chagar a Qarth; pareciam apreciar o caos que a região estava enfrentando, pareciam que estavam esperando que algo enfraquecesse de vez todas as cidades da região para atacar e saquear, cada vez mais os seus planos tinham que ser revisados, nada podia ficar de fora, cada detalhe teria que ser visto e revisto; Daenerys não negaria o seu medo do que estava vindo, fato, ela não tem os números do Dothraki, ainda, mas, ela agora tinha a Companhia Dourada ao seu serviço e essa batalha iria provar que eles são leais a ela e seu sobrinho; eles fariam parte de seus planos; parte da defesa da cidade. Esse foi um dia que ela não queria que chegasse, mas, é importante mesmo assim, para ela começar e terminar essa nuvem escura que paira na cidade com o nome de Dothraki, eles estavam chegando, seus batedores foram mandados a frente para contar; cem mil pessoas vinham para Qarth, escravos em boa parte, sessenta mil dothraki homens e mulheres a cavalo prontos para lutar, com uma sede de sangue avassalador, um desejo de carnificina em seus olhos; os seus planos foram postos em movimento, estava na hora de começar.

Daenerys vestiu a sua armadura calmamente enquanto o plano estava passando em sua mente; parte dele envolvia colocar os cidadãos nos navios e leva-los para longe e deixar a cidade queimar caso ela fosse derrotada e não tivesse nenhum exército para segurar a defesa, os Imaculados, pelo menos parte deles seria na linha de frente com ela segurando escudos retangulares e que chegassem somente até a altura que deve cobrir dos pés até o pescoço prontos para segurarem o avanço dos dothraki enquanto o exército de Qarth e os outros imaculados atacariam pelos lados, mas, nesse caso Daenerys não queria deixar nenhum deles para levantarem outro exército para atacar novamente, por isso fecharia os dothraki em uma armadilha de escudos e lanças contra eles; fechar a traseira exigiria muita força e disciplina, por isso, Daenerys deixou que a Companhia Dourada fosse responsável, veria se eles estavam sendo sérios na questão de lealdade. Fato um exército menor que atacaria o acampamento deles; em comum acordo, libertariam os escravos, saqueariam as posses do dothraki e parte desse saque seria dada aos escravos libertos para que pudessem começar a vida em qualquer lugar de sua escolha.

Para a batalha que estava se aproximando, ela resolveu cortar o cabelo, curto, mas, ainda grande para fazer uma trança, ela montou em seu cavalo branco e colocou o seu elmo em forma de cabeça de dragão e incitou o cavalo a andar em direção aos portões da cidade, os mesmos portões em que ela entrou; que ela saiu para enfrentar os mercenários contratados pelos senhores das cidades escravas e agora ela estaria saindo para enfrentar a maior, se não a maior de todas as ondas dothraki; cavalgando calmamente, passando pelas pessoas, sem escolta, ela não precisava, não dentro da cidade, ela confia totalmente na segurança que ajudou a reestabelecer há pouco tempo; claro que as pessoas ainda tinha tempo de pagar atenção para ela quando estava arrumando tudo o que teria de valor sentimental e se preparando para sair da cidade caso a ordem fosse dada. Daenerys desmontou de seu cavalo e seguiu atravessando os portões e indo para a coluna da frente enquanto os Imaculados fechavam o espaço em que ela estava passando; Verme Cinzento e Ser Jorah Mormont a estavam esperando:

- Notícias? – perguntou Daenerys:

- Tudo está pronto, Khaleesi! – respondeu Verme Cinzento:

- Os números dos inimigos foram atualizados! – respondeu Ser Jorah:

- Quantos? – perguntou Daenerys:

- Duzentos mil dothraki dispostos a vir por você Khaleesi! – respondeu Ser Jorah – Posso dizer que cento e quarenta para lutar, deixar um bom número protegendo o acampamento deles e que possivelmente pode estar faltando comida e agua!

- Como sabe? – perguntou Daenerys

- Eu não sei Khaleesi! – respondeu Ser Jorah – Mas, quando eles perceberem a derrota e ainda continuarem a atacar, eu vou saber!

Daenerys tinha sentimentos mistos quanto à resposta de Ser Jorah, mas, fato que os números não iriam alterar os seus planos, mas, apenas deixa-la mais preocupada; um exército desse tamanho vindo em sua direção com o propósito de pilhar, saquear, estuprar, escravizar; Daenerys não mentiria se dissesse que não estava com medo, nesse momento ela tinha completo medo em seu corpo, quantas vidas perdidas para satisfazer a ambição de poucos, foi isso o que aconteceu quando os Mestres enviaram um exército mercenário contra ela e é isso o que estava acontecendo agora; ela tinha que ganhar, mais do que nunca e novamente tinha pessoas dependendo dela e ela não os desapontaria, não agora e não pelo resto de sua vida e isso a encheu de maior determinação; necessário, pois a horda dothraki estava vindo, ao longe ela podia ver a poeira levantada pelos milhares de cavalos cobrindo o seu avanço; uma tempestade de poeira vinha em sua direção; enorme, avassaladora:

- Então é isso! – disse Daenerys – Está acontecendo!

- Estamos preparados Khaleesi! – disse Ser Jorah:

- Mande ordens! – disse Daenerys – Fiquem todos de atenção e esperem o meu sinal!

Ser Jorah apenas acenou a cabeça e chamou o mensageiro; todos sabiam o que fazer, todos estavam preparados e agora eles iriam deixar nas mãos dos deuses e torcer pelo bom humor deles. A tempestade de poeira estava se aproximando cada vez mais e então os gritos começaram a ser ouvidos, os gritos humanos misturados com os relinchar dos cavalos e então a cada aproximação a figura selvagem deles ficou mais nítidas, eles estavam se aproximando, homens e mulheres gritando e empunhando as suas armas, prontos para matar e saquear:

- Preparem-se! – gritou Daenerys. Os homens gritaram para se preparar, os escudos à frente fecharam mais apertados, os Imaculados, treinados a não mostrarem sentimentos de nervosismos na batalha permaneciam estoicos, mas, estavam prontos.

Os Dothrakis estavam se aproximando cada vez mais rápido, Daenerys os via, sem nenhuma coordenação ou plano, eles estavam carregando na sua direção sem nenhum medo da morte:

- Agora! – disse Daenerys e um dos imaculados acenou uma bandeira preta e então os soldados atrás da barreira de escudos pesados se abaixaram e cada um deles puxou uma corda, esse momento em que a poucos metros debaixo da terra foram revelados estacas de madeira que se levantaram e formaram uma barreira contra a horda Dothraki e que eles não podiam fazer nada, estava muito perto para conseguirem parar e de fato, foi isso o que aconteceu quando a horda bateu nas estacas, as estacas quebraram, mas, não antes de perfurarem cavalos que caíram derrubando os seus cavaleiros e os que vieram atrás começaram a cair também formando uma massa de cavalos mortos e feridos, homens e mulheres esmagados gritando de dor, a poeira se levantou cobrindo tudo, mas, os sons que vinham dos choques enchiam o ar.

Então da poeira eles saíram, homens e mulheres ensanguentados cobertos de poeira vindos com as suas armas em mãos cobrando na direção deles, alguns ainda com os seus cavalos; Daenerys deu mais um sinal e uma bandeira amarela foi agitada e do muro da cidade as flechas começaram a ser disparadas e a cair em cima dos Dothraki que gritavam em desesperos e caíam mortos ou feridos, mais de seus gritos para encher o ar, mais de seu sangue para encharcar o solo em que estavam; a chuva de flechas caia impiedosamente sobre a horda Dothraki e eles não paravam de vir, vinham em ondas para cima e Daenerys pode perceber que os sinais de que não pararia então ela deu outro sinal, uma bandeira marrom foi agitada e as catapultas foram acionadas lançando projéteis em cima da horda que vinha, eles não paravam com isso e ela não pararia; eles seriam destruídos e ela garantiria isso e então fez mais um sinal e uma bandeira azul foi agitada parando tudo, trombetas foram escutadas por todo o campo e Daenerys tirou a sua espada e a ergueu para o alto:

- Avançar! – gritou Daenerys e a linha de frente ergueu os seus escudos e avançaram contra os dothraki, a linha de frente começou a cortar os dothraki que haviam sobrevivido a saraivada de flechas e as catapultas e eles caiam no chão aos gritos de dor e surpresa, alguns conseguiam dar o combate, mas, apenas batiam nos escudos para morrer, avançando sobre os mortos, eles chegaram à massa de corpos de cavalos, homens e mulheres que se chocaram contra as estacas, e os imaculados junto com Daenerys começaram a subir sobre eles, aqui não podiam manter a formação e com cuidado para escorregar subiam, mas, alguns estavam enfrentando dothrakis que subiam para atacar com os seus gritos de guerra para serem cortados pela linha de frente.

Eles chegaram à cima onde se posicionaram enquanto havia mais homens e mulheres a pé, os cavalos haviam recuado incapazes de subir a pilha que estava enorme, lentamente começaram a descer tentando ao máximo manter a formação, os dothraki vinham a batiam nos escudos e caiam ou eram empalados pelas lanças dos imaculados, então a linha da frente chegou ao chão encharcado de sangue e conseguiram manter a formação enquanto as outras linhas começaram a chegar; os dothraki chegaram gritando se chocando contra a parede de escudos e começaram a ser mortos, mas, eles estavam em grande número e estavam empurrando a parede para trás; ela fez o sinal e as flechas voltaram a chover sobre os dothrakis e as catapultas voltaram a lançar projéteis:

- Firmes! – gritou Daenerys que havia chegado. A segunda linha estava apoiando a primeira e logo veio à terceira, a quarta e finalmente conseguiram segurar à onda dothraki, as lanças começaram o trabalho de matá-los, mas, este conseguiam pular em cima da barreira de escudos e começaram atacar as outras linhas quebrando a unidade, com a sua espada na mão Daenerys avançou com um grito cortando um dothraki abrindo o seu peito, o próximo veio, uma mulher gritando, Daenerys aparou o golpe e girando com a espada abriu um corte em seu peito e passou para o próximo aplicando um golpe de cima para baixo em outro dothraki e rapidamente Daenerys atravessou a sua espada no peito de outro dothraki e com um chute desprendeu a espada e continuo a atacar, com outro balanço de sua espada separou a cabeça do corpo de outro dothraki de cima para baixou decepou a perna de outro dothraki, mulher, e então enterrou a sua espada em seu corpo, rapidamente Daenerys tirou a espada e avançou mais uma vez.

Os corpos começaram a acumular no chão, a terra estava se transformando em lama de sangue, os gritos enchiam o ar e Daenerys pode ver que a primeira linha ainda se mantinha firme, mas, ele não sabia por quanto tempo, mais do que nunca é a hora de colocar em movimento a proxima parte do seu plano, ela iria dar a ordem quando os chifres foram tocados mais uma vez e ela viu os cavalos dothraki avançando na sua direção e ela sabia que a linha quebraria nesse momento; eles vieram com força e poder se chocando diretamente contra as linhas de seus soldados e eles quebraram:

- A linha quebrou, lutem! – gritou Daenerys e ela deu a ordem e em meio ao caos uma bandeira verde foi agitada e chifres soaram quando a sua cavalaria e seu exército desceram a colina dos dois lados indo diretamente contra a horda dothraki e o choque aconteceu; o choque de aço e corpos dos soldados, os gritos aumentaram e os corpos aumentaram também, eles agora tinham um rio de sangue em seus pés; Daenerys balançou a sua espada tirando um soldado de seu cavalo e deu uma gira sobre si própria para aplicar um golpe cortando a perna de outro cavalo o derrubando junto com o seu cavaleiro e aparou um golpe de uma dothraki mulher e trocou mais dois golpes com ela para então desarmá-la e atravessara a sua espada no peito dela, suor, sangue e sujeira cobriam todo o corpo de Daenerys, o cansaço estava cobrando sobre o seu corpo, mas, ela não podia parar, precisava continuar; a horda dothraki não parava de vir e eles estavam sendo mortos rapidamente, mas, ela sabia que essa guerra iria durar muito tempo.

Não havia mais arqueiros disparando flechas, os soldados estavam misturados no campo em uma questão de sobreviver ao caos que tomou conta de tudo; tolos aqueles que criaram estratégias de batalha para serem organizadas, não são organizados em uma batalha e sim o caos em sua maior pureza, não havia cor da pele quando todos estavam cobertos de sujeira e sangue, a lama feita de sangue daqueles que caiam; o odor de ferro do sangue, o cheiro da morte, apenas estava lá; Daenerys desviando das lâminas que a matariam e aplicando golpes matando todos que via a sua frente, graças a qualquer deus que ela ainda podia dizer a diferença de amigo e inimigo; ela tinha avançado com a infantaria leve e pesada por três direções e ainda sim havia mais de seu plano a ser posto em prática; a corneta foi ouvida dos muros e entre as lutas dentro do campo, entre o sangue espirrado e membros voando por todos os lados ela viu a cavalaria vinda à direção traseira da horda dothraki; isso quer dizer que o acampamento dothraki foi massacrado; a Companhia Dourada havia provado o seu valor nesse plano e se juntou a cavalaria nesse ataque:

- Lutem homens e mulheres de Qarth, lutem; o último impulso! – gritou Daenerys continuando a desferir golpes de sua espada matando tantos inimigos que podia, a cavalaria havia atingindo a parte traseira da horda e a batalha estava se definindo, fato, que parecia que os comandantes dothraki não tinha nenhuma reserva a pareciam ter trazido todos os seus guerreiros, os gritos de morte e enchiam mais o ar e os corpos estavam acumulando no chão chegando ao ponto que formava uma pilha imensa obrigando aqueles que sobreviviam a lutar em cima dos inimigos e amigos caídos, o sol estava caindo quando Daenerys, cansada com dores sobre todo o seu corpo olhou envolta, uma pilha imensa de corpos, soldados ainda lutando dothraki ainda queriam continuar mesmo que agora estava mostrando que eles haviam perdido; os cavalos sobreviventes estavam abandonados, os gritos haviam diminuído no decorrer da luta, mas, ainda se mantinha presentes por homens e mulheres feridos pedindo misericórdia, muitos ali estavam dispostos a dar essa misericórdia e então o último dothraki caiu morto e o que se podia ouvir é o grito dos feridos, a batalha havia terminado, eles venceram, ela sabia que havia perdido muitos soldados leais, muitos bons soldados leais:

- Khaleesi! – chamou uma voz que Daenerys estava aliviada em ouvir:

- Você conseguiu Ser Jorah! – disse Daenerys o vendo que não estava muito diferente dela:

- Sim, Minha Rainha! – disse Ser Jorah – O comando da Companhia Dourada também!

- Onde estão eles? – perguntou Daenerys:

- Olhando para os seus próprios! – respondeu Ser Jorah:

- Então devemos fazer o mesmo! – disse Daenerys – Comece a contar os feridos e mortos, temos muito trabalho pela frente, temos que limpar esse campo e enterrar os nossos mortos!

- Será feito Khaleesi! – disse Ser Jorah.

Não houve comemorações, muitos estavam chorando por aqueles que morreram, os pássaros carniceiros vieram para se banquetear dos mortos antes que pudessem ser removidos do campo de batalha, um trabalho que demorou dias e o cheiro de morte e podridão tomou conta da cidade, Daenerys acha que é sorte que os escravos libertos do dothraki não se importavam em ajudar, especialmente se eles tinham a chance de cuspir ou mijar dos corpos daqueles que lhe fizeram tanto mal; Daenerys sabia que havia dothraki que sobreviveram, homens, mulheres e crianças, eles haviam fugido, sem suprimentos, alguns morreriam, mas, eles iriam sobreviver e voltariam mais fortes do que nunca, mas, não seria até depois da sua morte que teríamos notícias dos dothraki novamente.

Os dias seguiram e Daenerys não ouviu notícias das outras cidades em Essos, talvez pelo fato de que ela havia livrado por um bom par de anos da praga que os dothraki representavam; talvez isso seja bom, eles a deixariam sozinha ou talvez estivessem planejando se aproveitar da fraqueza dela, mas, eles ainda não a viram usar os dragões e isso seria um espetáculo surpreendente, mas, nesse dia ela não estava com pensamentos de paranoia sobre os seus inimigos, hoje, especialmente ela estava assistindo fogueiras serem acessas queimando os mortos, aqueles que morreram por ela e por Qarth e os dothraki, Daenerys não conseguiria lamentar com todas as famílias prestando pesares a eles, nisso ela lamentaria por eles, por todos aqueles que deram as vidas por suas famílias.

A enorme mancha de sangue na frente dos portões principais da cidade podia ser vista dos lugares altos da cidade, mas, já havia trabalhos para se livrar da grande mancha de sangue assim evitar as doenças dos animais e insetos que esse sangue atrairia, a vida dentro das paredes de Qarth estava voltando ao normal; tão normal quanto poderia dado a perda imensa que eles sofreram para repelir uma horda dothraki, a maior que já foi vista, mas, eles conseguiram, Daenerys sabia que isso atrairia novos problemas para ela, mas, por enquanto ela aproveitaria esse tempo de calmaria até a próxima tempestade e olharia para o seu sobrinho; Jon Targaryen; estava na hora de fazer o que seu coração dizia sempre; voltar para Westeros.

Daenerys dentro de seu palácio, descansada e voltando a rotina depois da batalha, os dias seguintes foram de reconstrução, retomar do luto de continuar com a vida dentro da cidade, suas forças estavam se recuperando bem, novos recrutas estavam treinando para substituir aqueles que caíram, mas, então, dando uma pausa sem eu trabalho, Daenerys foi para uma varando de seu palácio com a vista para o mar e para a sua surpresa viu a aproximação de uma frota de navios; não é uma simples frota comercial e sim uma frota de invasão; Daenerys sabia que os Mestres das Cidades Escravos não passariam a oportunidade de um ataque com as suas forças fracas:

- Minha senhora! – disse Ser Jorah entrando respirando pesadamente, ele havia corrido até seu solar:

- Eu estou vendo Ser Jorah! – disse Daenerys com os olhos fixos na frota invasora. Ela não quis esperar, deu o alarme e a população foi evacuada para proteção, o porto foi fechado, o exército posicionado esperando a próxima ordem, Daenerys não queria atacar, queria ver o que fariam agora, ela sabia que eles estavam atrás da oportunidade do enfraquecimento dela depois de uma grande batalha, mas, o fato que ela foi para a batalha sem os seus dragões deveria ter passado na cabeça deles, se não; ela veria isso acontecer e remediaria os erros deles.

Os barcos não atracaram no porto, apenas abaixaram a âncora e se posicionaram e então os projéteis começaram a serem lançados atingindo vários pontos da cidade, projéteis incendiários:

- Prepare os grupos para combater o fogo! – ordenou Daenerys, o mensageiro presente assentiu com a cabeça e saiu com pressa enquanto Daenerys virara o seu rosto para os Bons Mestres que estavam atirando. Logo se notou que no primeiro dia eles estavam disparando os projéteis para impressionar, um dia inteira e uma noite inteira sem que Daenerys ou qualquer outro pudesse dormir, mas, nos próximos três dias houve disparos em intervalos irregulares de tempo, mas, Daenerys estava pronta para jogar tudo para o lato e usar os seus dragões e queimar essa frota inteira, mas, também sabia que é arriscado para ela e seus dragões serem atingidos e mortos, por isso precisava impressionar, assim como eles fizeram; ele percebeu que precisava mostrar que não tinha medo de usar os dragões.

Para isso ela chamou as negociações, três representantes, Yunkai, Meereen e Astapor, essas três cidades escravas tinham mandado os seus representantes, Astapor queria reparações pelo que Daenerys fez com eles ao retirar os seus Imaculados deixando a cidade sem nenhum poder, certamente a cidade ainda deve estar reconstruindo a sua estrutura de poder, mas, eles estavam aqui em cima de um monte com vista para o mar onde as frotas combinadas das três cidades estavam assediando Qarth:

- Muito bem, Rainha Daenerys, aqui, estamos presentes! – falou o representante de Meereen:

- Vamos ouvir a sua palavra! – disse o representante de Yunkai:

- Estamos aqui para negociar! – disse Daenerys – Mas, quero saber o porquê estão atacando a minha cidade e o meu povo?

- Não é sua cidade! – disse o representante de Astapor – Você pode ter sangue real, mas, não tem direito de ser rainha dessa cidade quando usurpou dos verdadeiros governantes!

- Onde estavam vocês quando Robert Baratheon tomou o trono de minha família? – perguntou Daenerys revelando a hipocrisia deles:

- Os assuntos do oeste não nos interessam! – respondeu o representante de Meereen – Viemos falar sobre o que terá que fazer para compensar os estragos que causou!

- Que estragos? – perguntou Daenerys se fingindo de inocente:

- Estragos que você causou majestade ao tomar a cidade de Qarth e acabar com a escravidão! – respondeu o representante de Yunkai visivelmente irritado – Ao abolir a escravidão da cidade e da região que controla, causou prejuízos aos nossos negócios!

- Então é isso que se trata? – perguntou Daenerys – A perda de ouro? Mas, parece para mim que não afetou a vida de vocês, pelos menos não afetou o estilo de vida dos Bons Mestres!

- Nunca afetou a eles minha rainha, mas, sem mais ouro não podem alimentar os seus escravos que certamente estão morrendo! – disse Daros Naviry, o Governante De Qarth:

- E quem é você que interfere quando seus superiores falam? – perguntou o representante de Meereen:

- Alguém que sabe o que é trabalho! – respondeu Daros:

- Vocês vieram aqui por ouro e escravos! – disse Missandei – O quão diferentes são dos dothrakis?

- Melhores do que aqueles selvagens sua puta! – respondeu o representante de Astapor – Tenho a certeza de incluí-la no acordo!

- Não vai acontecer! – disse Daenerys imediatamente:

- Então chegamos a um impasse! – respondeu o representante de Yunkai – Não temos nenhum acordo, então podemos continuar a assediar a cidade!

- Nós chegamos a um acordo! – disse Daenerys – O meu acordo!

Então um rugido ecoou por todos os lados pegando os três representantes e suas escoltas de surpresa e então atrás da comitiva de Daenerys três dragões surgiram, Drogon veio e pousou perto de Daenerys e ela imediatamente montou e o grande dragão negro saiu voando rapidamente sendo acompanhado pelos outros dois; voando diretamente para a costa por cima dos navios assustando os marinheiros que não esperavam tão cedo para ver dragões; Daenerys logo viu o carro chefe da frota e ficou em cima dele com os outros dois dragões a acompanhando, ela não hesitou:

- Dracarys! – disse Daenerys.

Logo os três dragões estavam cuspindo fogo em cima do navio queimando os marinheiros presentes em instantes, mas, seus gritos de dor e terror puderam ser ouvidos por todos os navios da frota e aquele navio específico ficou reduzido a escombros queimados que logo afundou com os mortos; quando acabou, Daenerys junto com os seus dragões começaram a dar voltas no ar por cima da frota os ameaçando para serem os próximos e isso estava realmente assustando os marinheiros. Os representantes estavam atônitos, surpresos e parados sem conseguir reagir ao que viram:

- O que viram somente foi uma demonstração! – disse Daros – Uma demonstração do poder verdadeiro da Rainha Daenerys ao qual, acho que não vão mais subestimar! De qualquer forma, esses são os termos que concordaram!

- Notem em que cada cidade que apoia e incentiva a escravidão, está caiando cada vez mais! – disse Missandei – Claro que sabem disso! Sabem também que há revoltas em todos os lugares contra a escravidão, ouvi que algumas cidades estão abolindo essa prática e adotando o pagamento a funcionários para fazerem os mesmos trabalhos que um escravo faz! Notei também que aqueles que apoiam a escravidão estão morrendo ou sendo tirados do poder! Não tentem impedir, já está em curso, aprendam a se adaptar ou morram!

- Ela tem razão! – disse Daros – Deixem a Rainha Daenerys em paz e ela não vai usar os dragões em suas cidades!

- Sim! – murmurou o representante de Meereen:

- A rainha também disse que precisa de um representante para transmitir o acordo! – disse Daros – Quem vai fazer isso, são vocês quem decidem!

O desespero tomou conta dos três representantes, mas, então os dois empurram o representante de Astapor para o chão:

- Ele! – gritou o representante de Yunkai:

- Ele foi um escravo antes de ser um mestre! – disse o representante de Meereen.

Verme Cinzento se aproximou decidido enquanto o representante de Astapor chorava copiosamente:

- Por favor, misericórdia! – murmurou o representante de Astapor. Verme Cinzento agiu com um movimento tirando a sua faca e cortando as gargantas dos representantes de Meereen e Yunkai que surpresos segurando as suas gargantas caíram no chão para morrerem afogados em seus próprios sangues, surpreso, o representante de Astapor apenas ficou olhando, então Daros se aproximou:

- Volte para os outros mestres e diga o que está acontecendo é inevitável! – disse Daros – Nada do que fizerem agora ou depois vai mudar isso; a Rainha Daenerys começou um movimento que tem vida própria e ele não vai parar!

O representante de Astapor apenas balançou a cabeça assentindo:

- Um conselho! – disse Missandei – Se já foi um escravo como esses mestres disseram, aconselho a pegar tudo o que pode e fugir, por que certamente quando os Mestres caírem, muitos virão atrás de vingança e especialmente você que já foi um irmão!

Mais uma vez o representante de Astapor assentiu com a cabeça e tropeçando se juntou a sua guarda e se dirigiu o mais rápido possível para os navios, ao entardecer não havia mais navios inimigos cercando Qarth e isso permitiu o povo sair para comemorar sob o rugido dos dragões.

Depois de uma guerra exaustiva; Robb Stark voltou para casa, para o Norte com o exército, seus senhores e sua família, homens e mulheres voltaram para suas casas e garantir as provisões e tudo mais que é necessário para esse que talvez seja um longo inverno; seu primo Jon Targaryen estava sentado no Trono De Ferro depois de finalmente conseguir a justiça que tanto queria para a execução de seu pai e as acusações falsas que colocaram sobre ele, portando Gelo mais uma vez depois de recuperar, Robb Stark finalmente chegou a casa; Winterfell, atravessando as suas paredes e desmontando e seu cavalo para finalmente ganhar mais uma vez o sentimento de casa; Robb estava feliz por ter voltado. Nos dias que se seguiram, Robb se atualizou da situação do Norte, não havia sofrido tanto nessa guerra como os outros reinos, por isso não precisava de qualquer reconstrução ou ouro para consertar qualquer coisa, a situação do Norte correu normalmente, mesmo com a guerra pairando sobre o reino, o ouro estava em fluxo para reparos de estradas e castelos, melhorar as defesas e aumentar à marinha, assim como enriquecer o povo.

Uma vida de paz parecia estar voltando ao normal para o Norte, tão normal o quanto possível, todos poderiam dizer; especialmente Robb sentindo o tempo cada vez mais frio, parecia cada vez mais implacável esse sentimento de urgência de todos em acumular suprimentos para comer, mais madeira para fogo, mais material para cobrir qualquer buraco em suas casas e a necessidade de mais e mais para garantir que pudessem ter a chance de sobreviver ao inverno. Em meio a isso tudo, Robb tinha que decidir com quem se casar, Jon poderia sugerir algum casamento do sul, mas, depois de uma longa conversa, tanto ele quanto Robb concordaram que um casamento dentro do Norte cimentaria o poder da Casa Stark, ele havia escolhido Dacey Mormont para ser a sua esposa, uma verdadeira mulher do Norte ao quais as casas senhoriais o aprovariam, quantos aos outros, bem, isso ficaria para discutir depois.

Foi nesse momento em seu solar que Robb recebeu uma carta da Patrulha Da Noite que colocaria mais uma vez, uma nuvem escura sobre todo o Norte, mas, para ele, infelizmente perceberia mais tarde que essa nuvem escura é maior do que se pensava:

- Uma carta da Patrulha Da Noite, meu senhor! - disse o Meistre Luwin entregando a carta para ele; Robb a abriu e ele começou a ler, seus olhos tinham um frio gélido no que viu escrito nessas palavras, ele nunca esperava ter que lidar com isso logo depois de ter voltado de uma guerra longa e dispendiosa e com essas palavras tinha outra a vista:

- Meu senhor? - perguntou o Meistre Luwin preocupado vendo a face dura e gélida de Robb Stark:

- Há um grande exército de selvagens no Muro em torno de cem mil prontos para atacar a Parede, vencer e invadir o Norte! - disse Robb Stark:

- Cem mil invasores! - disse Meistre Luwin - Nunca tivemos esse tipo de números invadindo o Norte!

- Não! - disse Robb - Mas, sempre achamos que isso poderia acontecer um dia! A Patrulha impediu a primeira leva de invasores, mas, esse Rei Para Lá Da Muralha, Mance Ryder somente empregou uma pequena força, certamente para testar a força da Patrulha Da Noite, eles conseguiram resistir, mas, agora tem a presença dos cem mil selvagens em cima deles e Mance Ryder chama para negociar!

- O que acha que eles querem? - perguntou Luwin:

- Alguma coisa que está fora de meu poder para conceber! - respondeu Robb que suspirou em seguida - Teremos que chamar o rei!

- Mandarei o corvo imediatamente! - disse o Meistre Luwin que saiu da sala deixando Robb com os seus pensamentos.

O corvo foi mandado para o rei e em poucos dias a sua futura Lady Stark de Winterfell, Dacey Mormont havia chegado, ele a deixou a par do que estava acontecendo e o que Robb faria, depois de mais alguns dias, Robb estava pronto para montar para a Parede:

- Você tem que ir? – perguntou Arya – Eu quero ir com você!

- Eu também! – disse Brandon:

- Primeiramente! – disse Robb – Isso é simplesmente para ir a uma negociação e averiguar o estado da Patrulha Da Noite, não estou levando um exército! Sim, já mandei corvos aos senhores do Norte para ficarem de prontidão para responder ao chamado de armas quando for necessário, mas, no momento, estou indo para negociar e vocês tem a necessidade de ficarem em Winterfell para realizarem as suas funções, as quais não terão na Parede!

Podia-se ver a raiva nos olhos de sua irmã e uma raiva resignada de seu irmão Brandon, mas, no momento são como as coisas estavam funcionando, sabia que eles tinham a vontade de ir para a guerra, mas, sinceramente ele esperava não ir para mais uma guerra em tão pouco tempo depois de acabar com a última; ele abraçou a sua mãe fortemente e foi para o seu irmão Rickon:

- Por que você tem que ir? – perguntou Rickon com beicinho:

- Como o senhor reinante do Norte, é meu dever sair sempre para resolver problemas, especialmente quando é na parede! – respondeu Robb – Eu voltei e prometo mais uma vez que vou voltar!

Robb abraçou seu irmão Rickon e montou em seu cavalo e partiu com uma escolta em direção ao Norte, para a Parede, em direção ao encontro de Mance Ryder.

Mance Ryder, o Rei Para Lá Da Muralha, ele já foi um membro da Patrulha Da Noite, mas, ele traiu a eles, os deixou, por que, simplesmente pelo que ele viu; enquanto como Patrulheiro e em missão, ele viu algo que hoje é considerado lendas e mitos, mas, lá estava na sua frente, ao vivo, andando e matando, o frio da morte os seguia e tudo não mais interessava a eles, apenas matar e levantar a morte contra os vivos em uma nova guerra que Mance não sabia que não estavam prontos, como eles estariam se esqueceram de há muito tempo, mas, mesmo diante de tudo isso, Mance abandonou o preto e passou boa parte de sua vida reunindo o Povo Livre sob a sua bandeira para marcharem para o muro, atravessá-lo e então se virarem e combater esse mal; Os Outros, os Caminhantes Brancos juntos ao seu exército de Wights haviam voltado de seja lá onde estiveram e estavam matando cada povo livre com as chances que tinham aumentando os números de seu exército e agora marchavam para acabar de vez com o mundo dos vivos.

A vantagem de Mance é o tempo, eles certamente tiveram muito tempo para planejar essa guerra, cada passo dela e eles a estavam executando de forma bastante precisa; eles estavam cercando a todos e esperando o momento certo para atacar, especialmente com Mance reunindo todos os povos e tribos sob a sua bandeira e agora estavam acampados na borda a Floresta Sombria de olho para a Parede:

- Espero que isso dê certo Mance! – disse uma voz que estava sentada ao seu lado; Tormund havia se tornado um conselheiro fiel a Mance Ryder, ele não se deixava levar por preconceitos, mas, ao mesmo tempo ele estava sempre desconfiando, paranoica, mas, quantas vezes essa paranoia salvou Mance de problemas com aqueles que não estavam muitos dispostos a seguir os seus comandos:

- Vai dar certo Tormund! – disse Mance – O Stark acabou de sair de uma guerra e não importa onde esteja; guerras custam caro e se não for um doido que só vive de guerra, vai fazer todo o possível para evitar!

- Talvez! – disse Tormund – Mas, quem garante que ele não vai usar essa chance de atacar e acabar com nós?

- Por que ele precisa de nós para a grande guerra que se aproxima! – disse Val que estava sentada dentro da tenda de Mance Ryder:

- De fato, essa é uma guerra que ele não vai ter escolha a não ser para lutar ao nosso lado! – disse Mance – Especialmente com a prova que vai ser trazida a ele!

- Ele vai se borrar de medo quando vir isso! – disse Dalla:

- Tem razão minha querida, mas, é o único meio que temos que dará vantagem nessa negociação com Robb Stark! – disse Mance – Especialmente quando estamos ficando sem tempo!

- Os muros não estão dando certo? – perguntou Val:

- Estamos tentando construir um muro de madeira igual ao muro de gelo a nossa frente como uma forma de atrasar os mortos que estão vindo! – disse Mance – Leva tempo e isso é o que não temos muito!

Foi uma ideia desesperada quando se percebeu que os Wights e os Outros estavam perto; desespero quando se decidiu construir um muro de madeira extenso e alto e forte o mais rápido que pudesse, mas, o fato que é uma grande área de terra para cobrir em pouco tempo e o fato de não ter um gargalo natural para fechar com o muro torna o trabalho quase impossível se tivessem anos para esse trabalho; de fato, impossível com a morte caminhando para cima deles a cada dia, mas, com tudo isso, eles estavam colecionando madeira e frutas, esses teriam muitos recursos a oferecer a Robb Stark quando a negociação começasse; recursos simples, mas, importantes para o que estava por vir.

De fato, ele tinha medo, todos tinham medo do verdadeiro inimigo, eles eram ratos na lama e no sangue e a prova é que esse medo levou a construir um muro de madeira que certamente não adiantaria muito, mas, aqui estavam eles colocando energia para que esse maldito muro fosse construído; quem disse que um povo não seria contaminado pela mesma idiotice; bem, pelo menos não estavam demonstrando impaciência pela demora, talvez Mance tirasse um tempo para agradecer aos deuses por essa pequena dádiva; Mance sempre podia contar com um tempo de paz quando não desafiado pela liderança ou por pensamentos de saquear o outro lado do muro, ele faria bom proveito disso, mas, enquanto construíam um muro de madeira, havia vigias olhando mais fundo na floresta esperando o inimigo vir.

Eles eram inteligentes e certamente sabiam que Robb Stark estaria vindo; certamente Mance sabia que escolheriam esse momento para tirar uma liderança comprovada em batalha, Mance tinha uma ou duas coisas a dizer sobre isso, ratos eles podiam ser, mas, se transformavam em leões quando fosse a maior necessidade.