Para terminar bem a semana, mais um capítulo. Espero que gostem!
Capítulo 23 – Adolescentes em casa e susto à vista
"Papai, eu quero ovo".
"Ovo?".
"Ovo de galinha". Era Jordan aos seis anos.
"Por que uma menina quer um ovo?".
"Pra jogar".
"Jogar onde?".
"Na cabeça de Rachel". House riu e Cuddy se aproximou.
"O que foi?".
"Mamãe, eu quero um ovo de galinha".
"Por quê?". Ela se surpreendeu.
"Pra jogar na cabeça de Rachel".
House ria mais alto e Cuddy arregalou os olhos. "Você não pode jogar um ovo na cabeça da sua irmã".
"Por que não?".
"Porque você não sai jogando ovos nas pessoas".
"Galinha automática, faria sucesso essa arma". House falou divertido.
Cuddy deu o olhar para o marido que se calou.
"Rachel disse que ovo era bom para o cabelo". A menina se justificou.
Jordan era divertida, House morria de rir com a menina. "Ok, acho um bom argumento. Ela só quer ajudar com a hidratação do cabelo da irmã".
Cuddy olhou pra ele indignada. Tal pai, tal filha, ela pensou. Nesse momento Joy se aproximou.
"Não pode jogar ovinho. Tem bebê da galinha no ovinho".
"Oh meu Deus, tinha que ser a santa Joy". House falou irônico.
O fato é que a menina não queria comer carne desde que soube que era de origem animal, quando ela descobriu que o bife que comia havia sido um boi algum dia, ela chorou por um dia inteiro.
"Ninguém vai jogar ovo em ninguém". Cuddy disse.
"Joy é chata!". Jojo reagiu.
"Jordan!". Cuddy chamou a atenção da filha.
"O que houve?". Rachel desceu a escada da casa da família, ela estava com sua roupa de dança e com os fones de ouvido pendurados no pescoço, a menina estava obcecada por dança atualmente e ensaiava grande parte do dia.
"Nada de mais, coisas banais do dia a dia. Jojo queria um ovo pra jogar em você".
"Não... eu ia jogar na sua cabeça!". Jordan esclareceu.
"Isso". House disse.
Cuddy balançou a cabeça, aquela menina só podia ter o gene de House mesmo. Mas era a sua família e ela os amava de todo o coração.
Seis anos depois...
"Eu vou à casa da Becca queira você ou não!".
"Jordan não ouse falar assim comigo!".
"Você acha que controla toda a minha vida só porque é minha mãe?".
"A maioria sim, já que você só tem doze anos e vive sob meu teto".
"Metade do teto é do meu pai também".
"Ei, Bob está no telefone, querem parar de gritar?". Rachel apareceu no corredor.
"Só porque você namora agora o mundo tem que parar?". Jordan insistia.
Bob era o namorado de Rachel, primeiro namorado. A garota já estava com dezesseis anos. House encarou bem o fato da filha mais velha estar com um namorado, Cuddy... nem tanto. Rachel se tornou uma bela adolescente. Mais alta do que a mãe, mas ainda assim não tão alta. Olhos azuis acinzentados e longos cabelos castanhos lisos. Mas apesar de namorar ela era muito caseira, geralmente os encontros com Bob eram na sala de sua casa, talvez por isso House encarou bem, ele ficava sempre a espreita.
"Não é namorado dela, é um amigo".
"Ah mãe, acorda!". Jordan dizia.
Jojo e Cuddy estavam lidando com dificuldades no relacionamento desde que a garota completou onze anos. Cuddy não podia lidar com ela, tão autoritária, segura de si, independente e cheia de ideias mirabolantes.
"O que está acontecendo?".
"Não é nada com você". Jordan respondeu para Joy.
"Mamãe, você está bem?".
"Lá vai a defensora da mamãe". Jordan se trancou no quarto.
Cuddy pegou na mão da filha. "Joy, está tudo bem".
"Tem certeza?".
"Sim, obrigada filha". Ela beijou o rosto da menina que já estava maior que ela. Aliás, as duas gêmeas eram altas para a idade, puxaram o pai certamente. Jordan tinha o cabelo longo e ondulado de um tom de castanho claro. Grandes olhos azuis. Joy não era muito diferente, já que eram gêmeas idênticas, mas o cabelo da menina era mais curto do que o da irmã. Ambas eram lindas e chamavam atenção por onde passavam. House nunca foi ciumento, mas recentemente começou a ter crises de ciúme com Jordan principalmente, com quem era muito ligado. Talvez pelo fato de Joy ainda ser bastante menina, mas Jordan já se vestia como adolescente, já agia como adolescente. Ela havia dado seu primeiro beijo meses atrás, já tinha interesse em garotos e eles estavam muito interessados nela. Até Rachel era mais contida, mas Jordan... Adora jeans rasgados, decotes ousados e shorts curtos.
Cuddy caminhou até o porão e encontrou House por lá.
"O que houve?".
"House... Eu não sei mais o que fazer".
"Sobre o quê?". Ele estranhou.
"Jordan".
House sorriu.
"Não sorria, isso é sério".
"Cuddy, ela está em uma fase difícil".
"Que pode durar a adolescência toda. Como vou me comunicar com minha própria filha pelos próximos seis anos?".
"Jordan tem personalidade".
"Personalidade difícil".
"Como a sua. Como a minha".
"Eu não era assim".
"Até parece Cuddy. Eu ouço histórias suas e sei bem a quem Jordan puxou".
Ela respirou fundo.
"Temos Rachel e Joy que são tranquilas, Jordan é a típica pré-adolescente".
"Vá falar com ela, por favor. Ela quer ir pra casa daquela Becca, eu não gosto dela".
"Ok, eu vou. Mas se anime, pois isso vai passar".
Ele foi e Cuddy deixou-se jogar no sofá que House mantinha no porão.
"Ei filha, sou eu".
"Ela te mandou?".
"Não exatamente".
A porta se abriu.
"Explique-se!".
House sorriu, aquela menina era muito geniosa e ele gostava disso.
"Explique-se? Isso é maneira de falar com o seu velho pai?". Ele perguntou tentando parecer sério.
"Você disse 'não exatamente', como uma pergunta simples que deveria ser respondida com sim ou não pode ter uma alternativa?".
House não aguentou e riu.
"Não é engraçado!".
"Você realmente me lembra de alguém".
"Satã?".
"Não!". Ele respondeu rapidamente e ainda rindo. "Você me lembra de sua mãe".
A menina fechou a cara.
"E me lembra a mim mesmo também, um mix perturbador. Você vai sofrer muito nessa vida, sinto dizer".
"Meus dias de sofrimento já começaram".
"Que dramática!".
"É verdade". A menina sentou-se na cama e House sentou-se ao lado.
"Você não sabe o que diz. Tem uma vida maravilhosa".
"Talvez para uma velha". A menina provocou.
"Sua mãe é uma mulher muito especial".
"Ninguém está negando isso, mas pega muito no meu pé".
"Talvez porque você seja tão geniosa, como ela". A menina ia respondendo, mas House a interrompeu. "E isso não é ruim".
Esse argumento final surpreendeu a filha.
"Eu sou genioso, me casei com uma mulher geniosa. Eu devo gostar dessa coisa".
Agora a menina riu.
"Suas irmãs são mais tranquilas, você há de concordar".
A menina não respondeu.
"Rachel está namorando, mas está sempre aqui. Sua mãe nega que Bob seja namorado dela, mas também, eu já tive uma conversa séria com ele, sei que ele vai respeitá-la".
"Você praticamente fez uma castração psicológica nele".
"Muito engraçada... Mas foi mais ou menos isso".
"Você é simplesmente louco".
"A recíproca é verdadeira".
A menina riu.
"Tirando isso Rachel só gosta de dançar, assistir séries de televisão e comprar maquiagens e mais maquiagens".
"Ela é um tanto obcecada".
"Muito obcecada você quer dizer. Já Joy, ela é...".
"Infantil? Imatura?".
"Uma garotinha doce".
"Oh pai, essas palavras não combinam com você".
"Eu não posso elogiar minha filha?".
"Ok, mas que é estranho é".
"O que você espera que eu diga?".
"Sei lá, pra quem passou a vida toda nos chamando de macacas, pirralhas, piolho de cavalo...".
"Era brincadeira".
"Eu sei!". Ela respondeu divertida.
"Já você... Você cresceu muito rápido".
"Eu já tenho doze anos".
"Parece que tem dezoito. Age como se tivesse dezoito. E isso nos assusta. Assusta a sua mãe. Você até ontem era a bebê dela".
Jordan fez cara de pânico. "Nunca mais fale isso".
"O quê?".
"Que eu era a bebê dela".
"Mas você era. A bebê dela, a minha bebê".
"Para pai! Por favor!".
"Agora você anda por aí vestida como uma adulta, maquiada... É perturbador para nós. Até ontem eu estava te levando para o Zoológico".
"Pai, eu cresci!".
"Eu sei, mas isso... meio que dói".
A menina respirou fundo.
"E nós somos os seus pais, você ainda é menor de idade".
"E eu não posso ir à casa de Becca?".
"Becca não é uma boa companhia".
"Por favor, pai, você não confia em mim?".
"Eu confio em você, mas você ainda está em formação... E eu já fui adolescente um dia".
"E porque você fez bobagens eu também farei? Isso é genético por acaso?".
"Todo adolescente faz bobagem, seja filho de Dalai Lama ou de Gregory House. Você terá dezoito anos logo, vai pra faculdade e deixará essa casa, mas tudo a seu tempo".
"Até lá serei prisioneira?".
"Jojo, ninguém te faz prisioneira. Deixa de drama".
"Mamãe quer saber sempre aonde vou, reclama das minhas roupas, não me dá dinheiro para sair com meus amigos".
"Ela cuida de você, isso devia ser algo bom".
"Mas não é".
"Ok, eu vou conversar com a sua mãe e tentar convencê-la a deixa-la ir à casa de Becca hoje".
"Pai, você é demais!".
"Vou tentar, mas se eu descobrir que você fez bobagem, você perderá minha confiança".
"Eu não farei isso".
Ele se levantou e desceu.
"Falou com ela?".
"Sim".
"O quê?".
"Vamos deixa-la ir à casa de Becca, eu a levo...".
"NÃO! House! Você foi lá e me desautorizou?".
"Não, eu não fiz isso. Eu disse que conversaria com você".
"E você vai simplesmente fazer o que ela quer?".
"Cuddy, nós já fomos adolescentes e entendemos o que significa estar com amigos, sentir-se parte de um grupo".
"Bons amigos, não Becca".
"Nossa filha precisa ter discernimento para fazer o que é certo, proibi-la não será o caminho".
"Oh e você sabe disso porque leu todos os livros de educação adolescente?". Cuddy perguntou sarcástica e irritada.
"Não, eu fui um adolescente com um pai controlador".
Ela respirou fundo.
"Vamos mostrar que confiamos nela e estar por perto, ela sabe que se ferir nossa confiança não terá mais facilidades e liberdade".
"Eu só espero que não seja tarde demais".
"Confie na educação que demos para as nossas filhas".
"Ok, ok... Eu não quero sempre ser a chata aqui".
Ele sorriu. "Você é uma chata linda!". E a beijou.
Cuddy não pode deixar de sorrir também. Anos e anos de relacionamento e o amor só aumentou.
House subiu e avisou a filha que se jogou sobre ele. "Obrigada papai, você é o melhor pai do mundo!".
"Como naquela camiseta que me deu quando você tinha sete anos?".
"Melhor!".
"Sua mãe também concordou, ela confia em você. Nós confiamos. Eu vou leva-la e vou busca-la às oito horas".
"Pai...".
"Não tem discussão sobre isso".
"Tudo bem". A menina se conformou.
"Se vista e... cuidado com o que vai vestir".
"Vocês são caretas mesmo".
Quando a menina desceu sua mãe estava na sala. "Vamos pai?".
"Sim". Ele pegou a chave.
"Obrigada mãe".
"Juízo filha".
A menina não respondeu, só saiu acompanhada de seu pai.
"Mãe... Você está triste?".
"Não Joy, eu estou bem".
"Jordan só está nessa fase, mas ela é uma boa pessoa".
Cuddy riu. "Eu sei que ela é".
"Ela te ama também, só... Isso vai passar".
"Filha, eu entendo Jordan, eu meio que era assim como ela".
"Sério?".
"Sim. Acho que por isso é tão difícil pra mim. Eu me afastei de minha mãe e tenho medo que aconteça o mesmo com a sua irmã e comigo...".
"Mas não precisa ser igual".
Cuddy sorriu. "Você é uma menina cheia de luz, sabia Joy?".
"Eu só sou eu mesma".
"Não sei se as garras da adolescência vão te dominar algum dia, o que seria normal... Mas eu preciso aproveitar enquanto isso não acontece". E ela deitou a cabeça no colo da filha.
"Rachel você não tem nem dezoito anos ainda".
"Mamãe, ele me deu como símbolo de um compromisso amoroso, não tem a ver com idade ou casamento".
"Isso é um absurdo!".
Rachel havia ganho um anel de seu namorado e isso tirou Cuddy do prumo.
"House, fale alguma coisa!".
"Eu acho que foi mais um presente sem a conotação de algo tão sério".
"Isso...". Rachel concordou.
"House, você sempre atenuando e protegendo as meninas". Cuddy reprovou a atitude dele.
"O que você quer que eu diga? Não acho que foi nada demais... Além disso, se valer alguma coisa ela pode vender... Caso terminem o relacionamento...".
"Papai!".
Jordan riu.
"O que foi? Essas coisas acontecem todos os dias". Ele se justificou.
"Não aconteceu com você e mamãe". Joy falou.
"Mas nós levamos anos pra chegar nisso...". House explicou.
"Eu sou muito paciente, por isso ainda estou com o pai de vocês".
House riu.
"Você o ama, admita!". Rachel falou.
"Sua mãe é tão geniosa quanto uma mula empacada. Eu tenho meu mérito também". House disse.
"Você está me comparando a uma mula?". Cuddy perguntou divertida.
"Uma mula sexy...".
"Oh pelo amor de Deus! Parem vocês dois!". Jordan falou.
"Os dois se amam!". Joy respondeu romântica.
"E por que eu não posso ter isso com Bob?". Rachel argumentou.
"Por quê?". Cuddy perguntou voltando a se irritar. "Será porque você é uma adolescente?".
"Adolescentes também amam". Rachel justificou.
"Adolescentes se apaixonam loucamente, é diferente". House disse.
"Finalmente concordou comigo". Cuddy falou.
De repente foram interrompidos por uma batida na porta.
"A pizza chegou!". Rachel correu para atender.
"Nada como uma pizza para nos salvar. Hein?". House falou para a esposa.
"Nada como Rachel louca por comida". Jojo disse.
"Você tem que admitir que ela ama mais pizzas do que Bob". House falou para a esposa.
"Graças a Deus!". Cuddy respondeu.
Naquela manhã Jordan se preparava para a final do campeonato de futebol. Ela era a atacante principal do time. A menina era muito atlética e energética, sempre estava fazendo algo. Já Joy era mais dada a leituras, estudo, música. Ela tocava violino como poucas garotas de sua idade, arranhava alguma coisa de violoncelo e era razoável no piano. Já Rachel gostava de televisão e dança, ok, ela também gostava de Bob, mas não tanto quando ele gostava dela.
"Vamos nos atrasar!". Jordan estava ansiosa.
"Tenha calma, filha. Você sabe como são as mulheres para se vestirem". House falou.
De repente Wilson bateu à porta.
"Tio Jimmy, você irá ao meu jogo?".
"Claro que sim".
"Ei...". Ele cumprimentou House.
"Ei...".
"Onde estão todas?".
"Wilson, eu vivo em uma casa cheia de mulheres, o que você espera? Estão se maquiando, se vestindo, surtando...".
Wilson riu. Ele havia se divorciado de Mia há um ano, ela descobriu um affair dele e não o perdoou. Nunca tiveram filhos.
"Eu devia ter tido um garoto pra me ajudar no meio desse mundo cor de rosa".
"Bom... Você é o único homem da casa".
"Bob também anda por aqui atualmente".
"Bob, o namorado de Rachel?".
"Esse mesmo, mas não o mencione perto de Cuddy".
"Ela ainda está com essa implicância? É só um namoro juvenil".
"Ela já visualiza Rachel grávida".
"Existe essa possibilidade?".
"Onde há um pênis e uma vagina existe essa possibilidade, não te ensinaram?".
"Mas... Vocês falam sobre... sobre... ? Você sabe...".
"Sexo?".
Wilson corou. "Fale baixo!".
"Eu já falei, mas elas não quiseram me ouvir. Acho que Cuddy conversa com as meninas frequentemente. Mas são adolescentes. Você sabe como é...".
Alguns meses atrás...
"Você me cobra tanto pra falar com elas sobre sexo, porque não fala você?".
"Porque eu sou o pai. Eu sou homem...".
"Oh que machismo! Você é médico também, esqueceu?".
"Desde que Chase é responsável pelo departamento de diagnóstico...".
"Você é consultor de luxo agora, continua sendo médico".
"Mas não trabalho mais no hospital diariamente... Tenho esquecido as práticas...".
"Você mesmo quis isso e cito suas palavras: Ficar em casa, ter qualidade de vida, cuidar da minha perna, ter mais tempo para exercícios, no mais qualquer macaco pode ir ao hospital e fazer o trabalho". Cuddy imitou a voz dele. "No mais você disse que era o cara do cérebro e cérebro funciona...".
"Você é implacável!".
"Por isso você me ama!". Ela deu um selinho nele. "Fale com as meninas".
E saiu para o trabalho. Todas estariam em casa naquele dia, afinal, estavam de férias e a família só viajaria após o natal.
Minutos depois House as encontrou juntas na sala assistindo a televisão, o que era raro.
"Ei garotas".
"Ei pai!".
"Já que estão todas aqui... Eu queria falar sobre...".
Elas o ignoravam e mantinham o foco na televisão.
"Sexo".
Todas o olharam com olhos arregalados.
"Sexo é parte da vida adulta, como sabem".
"Pai, não precisamos falar sobre isso". Jordan disse corando.
"Claro que sim. Afinal, eu sou seu pai e um médico".
"Pai sabemos que sexo é o que gera bebês". Joy falou com simplicidade e isso assustou House.
"Você só sabe isso? Mais nada sobre sexo?".
"Pai, desnecessária essa conversa". Jordan insistia.
"Ok, sexo é muito bom. Ele trás coisas além de gerar bebês".
"Não!". Jordan fechou os ouvidos com as duas mãos.
"E justamente para não gerar bebês ou contrair uma doença infecciosa, devemos tomar alguns cuidados...".
"Nós sabemos. Usar preservativos e não sair por aí como se tivéssemos encontrado nossas hoo hoo no lixo". Rachel falou surpreendendo House.
"Quem te disse isso?".
"Mamãe fala sempre".
"E como você sabe sobre o termo hoo hoo?".
"Pai, você sempre fala que está em uma casa com hoo hoo demais". Jordan disse e House corou.
"Pensei que vocês não sabiam...".
"Não somos mais crianças". Jordan disse. "Exceto, Joy".
"Ei, eu também sou uma pré-adolescente". Joy contestou.
"Ok, que bom que já sabem de tudo. Quer dizer... espero que não de tudo. Foi ótima a conversa, podem voltar a assistir a televisão". E ele saiu rapidamente de lá. Apesar de tudo o que viveu, aquele momento estava na lista dos mais aterrorizantes da vida dele.
De volta aos tempos atuais...
"Eu não consigo imaginar você conversando com suas filhas sobre esse assunto. Você usou metáforas?".
"Eu não quero me lembrar desse momento traumático".
Wilson riu.
"MAMÃE! RACHEL! JOY!". Jordan gritou da sala.
"Tenho que dizer que sua filha tem personalidade".
"Não me diga! Sério?". House perguntou sarcástico.
"Vamos!". Cuddy desceu acompanhada das filhas.
"Graças a Deus! Pensei que tinham sido engolidas". Jordan disse irritada pela demora.
Wilson riu. Aquela casa era uma loucura e aquela garota era todinha House e Cuddy no seu melhor (ou pior).
O jogo estava chato, o time de Jordan ganhava fácil. House parecia um pai babão e gritava pela filha a cada jogada. Cuddy ria. Wilson estava envergonhado pelo amigo, pois todos os pais olhavam pra eles o recriminando, House nem ligava. Joy estava mais interessada em sua leitura, sim a menina levou um livro para a arquibancada do estádio. Rachel... Bom... Ela trocava mensagens com Bob no celular. De repente Jordan caiu no chão sozinha, não houve nenhum impacto, nada.
House queria sair correndo, mas não podia por conta da perna, Cuddy foi com Wilson no lugar dele. Poucas vezes House havia se sentido tão inútil, talvez quando suas filhas nasceram e aconteceu tudo o que aconteceu...
"O que houve filha?". Cuddy falou ofegante assim que chegou à garota.
"Eu estou fraca, me sinto sem forças".
"De repente?". Wilson perguntou.
"Não... Ela já estava sentindo-se fraca semana passada. Pensei que era pela má alimentação, ela se alimenta como o pai...".
"Eu te disse que comi, mãe". A menina se irritou.
"E ela emagreceu". Cuddy falou.
"Não é nada, foi só o sol forte. Preciso voltar...".
"Não filha, você precisa ir ao hospital".
Ela riu. "Que exagero!".
"Jojo, você realmente precisa ir ao hospital". Wilson confirmou.
"Essa neurose que vocês médicos têm. Eu vou voltar, já estou bem". A menina era teimosa.
"Não você não vai voltar". House disse quando conseguiu chegar perto da filha.
"Pai...".
"O que é essa mancha na sua perna?".
"É uma batida só...".
"Ontem você teve sangramento nasal enquanto jogávamos videogame".
"Não foi nada...".
"E você teve febre dois dias na semana passada sem justificativa".
"Desculpe, eu preciso continuar o jogo". O juiz veio pedir para que eles se retirassem de campo.
"Ok, seu grosseiro". House respondeu irritado e saíram.
"Precisamos ir para o hospital agora". House disse.
"Sim, ela fará alguns exames". Cuddy disse nervosa.
"Ela fará exame para leucemia". House disse.
"O quê?". Cuddy e Jordan perguntaram ao mesmo tempo.
"Wilson, você faz isso?". House perguntou.
"Claro, mas...".
"Vamos!".
Eles caminharam até o carro.
"Você não devia ter dito aquilo para assustá-la. Nem para me assustar". Cuddy falou para o marido enquanto entrava no carro.
"Acredite em mim, ninguém está mais assustado do que eu com um eventual caso de leucemia aguda".
"Pai, você estava brincando, certo?". Jordan perguntou. "Tenho a festa do time pra ir hoje".
"Jordan, você não irá a festa alguma antes dos exames, sinto muito".
"O que ela tem?". Rachel perguntou alheia ao que acontecia.
"Rachel quantas vezes vou ter que pedir pra você largar o celular de vez em quando?".
"E o que eu faria sem o celular?".
"Assistir ao jogo da sua irmã?".
"Joy estava lendo...". Rachel contestou.
"Leitura não frita o cérebro como o celular". Joy respondeu.
"Querem parar, por favor!". House pediu enquanto dirigia.
Todos estranharam, não era normal House falar assim com as filhas.
"Está tudo bem?". Joy estranhou.
"Vai ficar tudo bem". Cuddy disse tentando acalmar as filhas.
Assim que chegaram Wilson coletou sangue da garota para alguns exames iniciais. Pediu prioridade e o resultado saiu muito rapidamente.
"Hemoglobina 9g/dl, plaquetas 75.000/mm3 e 25% de blastos".
"O que temos que fazer agora?". House pareceu tenso perguntando, pelo menos para Jordan.
"O que eu tenho? É grave?".
"Filha, temos que fazer mais exames". Cuddy tentou acalmá-la.
"Parece ser Leucemia Aguda". House explicou.
Cuddy e Wilson olharam chocados para ele.
"Não vou mentir pra minha filha". Ele se justificou.
"Leucemia é grave, não é?". Jordan perguntou preocupada.
"Vamos fazer mais exames para ter certeza e ver o melhor tratamento. Você vai ficar aqui por alguns dias e eu prometo que vamos te curar". Wilson disse e House sorriu tentando acalmar a filha. Mas pareceu um sorriso forçado. Era um sorriso forçado.
Cuddy se segurou para não desmoronar.
"Pai, eu estou com medo". E ela o abraçou.
"Jojo, eu e sua mãe estamos aqui. E o hospital inteiro, que é da sua mãe, está a nossa disposição".
"Sim filha". Cuddy só conseguiu dizer isso sem cair no choro.
Quando Jordan foi levada por Wilson para novos exames Cuddy finalmente se deu o direito de jogar no peito do marido. "Eu briguei com ela nos últimos meses, muito...".
"Você fez o seu papel de mãe".
"Se eu soubesse...".
"Ninguém poderia imaginar, eu falhei no diagnóstico de minha própria filha".
"Você percebeu os sinais, eu nem isso".
"Eu juntei as coisas só hoje, podia ter feito isso antes... Devia ter feito isso antes".
"Eu nem soube que ela estava com febre".
"Ela me pediu uma Dipirona".
"Minha própria filha e eu não sei nada sobre ela".
"Não exagere Cuddy, ela está nessa fase. E isso há quanto tempo? Um ano? Não é como se fosse a vida toda...".
Cuddy chorava. "Minha filha com leucemia".
"Ela vai ficar boa, seja o que for". House tentava se convencer.
"Você não tem como saber isso. Nem Wilson".
Ele só fez abraça-la e deixa-la chorar.
Continua...
