Quando Rachel recebeu o recado de Santana que as aulas de defesa pessoal teriam início, a primeira coisa que veio a mente quando soube do endereço é que a líder havia perdido a cabeça. Esperava ir a uma sede dos botões, à casa de alguém ou até mesmo a algum lugar obscuro em que ninguém pudesse testemunhar. Mas em uma das academias mais exclusivas da cidade situada em uma das áreas nobres? Como aprendera a confiar a vida em Santana, decidiu cumprir o compromisso apesar daquela academia ser um local assustador para uma garota como ela, que não pertencia àquele lugar. Pegou um ônibus e desceu na parada mais próxima do local. Não havia uma linha de ônibus que circulasse por todo bairro nobre porque, aparentemente, ricos não andavam de transporte público. Ainda bem que a academia ficava em um centro comercial no quarteirão seguinte à descida mais próxima. O caminho em si não era desconhecido. Rachel já havia o feito várias vezes para trabalhar nas festas de famílias como a dos Fabray, e nas vezes que foi à casa dos Pierce.

Olhou a fachada usual da academia. Paredes externas brancas e verdes, grandes vidros, a visão do amplo espaço da sala de aparelhos que fica nítida para quem está do lado de fora. As pessoas que entravam e saiam com roupas apropriadas e toalhinhas. Rachel olhou para si: ela só tinha o uniforme de educação física da escola: o mesmo que ela usava nos treinamentos de atletismo. A julgar pelo olhar de desprezo de uma das garotas que ela cruzou, o uniforme não era uma rouba que iria causar uma boa impressão. Não que ela ligasse, mas havia momentos em que os olhares de julgamento pesavam, em especial aqueles que denunciavam as distâncias sociais. Na igreja as pessoas diziam que todos são iguais perante Deus, mas do lado de fora da porta do templo a coisa era bem diferente.

"Gostaria de falar com Santana Lopez, por favor. Nós marcamos um horário..." Disse tímida a recepcionista: uma garota negra e magricela muito bem vestida com as roupas da própria academia. Dessas em que o logo fica bem estampado, como de uma marca famosa.

"Seu nome?

"Rachel Berry." A moça conferiu num bilhete escrito a mão.

"San deixou o recado de que você viria. Pode entrar." A moça disse com um sorriso, mostrando simplicidade de quem não pertencia àquele mundo. Só trabalhava nele. Era um sentimento que Rachel conhecia muito bem. "Meu nome é Bianca." A moça sorriu enquanto pediu para que Rachel a acompanhasse no interior do estabelecimento. "Pode gritar por mim se Santana for má contigo. Ela é má com muita gente. Mesmo com quem não merece."

Rachel conhecia esse lado muito bem para saber que era a mais pura verdade. Subiram as escadas onde a academia se dividia em algumas salas. Havia uma sessão de pilates em andamento em uma delas. Noutra, um pequeno grupo de quatro alunas mais o professor faziam alguma dessas atividades aeróbicas da moda. E ainda tinha a sala de musculação que não estava cheia. Talvez fosse pelo horário de trabalho. Santana estava na sala que tinha um tatame, vestida numa camisa de malha preta e calça branca de artes marciais. Bianca deu dois toques na porta antes de abrir sem cerimônia acompanhada de uma impressionada Rachel.

"Sua encomenda, San. Ela parece ser uma boa garota... não a maltrate."

"Eu sou uma lady!" Santana respondeu com falsa surpresa pela insinuação. "A bitch deste lugar é você."

"Vai nessa!" Bianca sorriu antes de virar as costas e sair.

Rachel encarou Santana como se ela fosse uma alienígena, ainda com os pés grudados no espaço ao lado da porta, impressionada demais para conseguir se mexer.

"Eu sei que o que você faz na parte do tempo em que não está na escola ou conosco é um mistério para nós... ou para mim em particular... mas eu nunca imaginei que você pudesse freqüentar um lugar desses, considerando que a sua residência fica exatamente no lado oposto da cidade onde mora pessoas que só sonham em ter um pouco do poder aquisitivo dos freqüentadores desta mesmíssima academia."

"Quer respirar, anã?" Santana levou as mãos à cintura.

"Até aqui serei anã?!" Disse com falsa indignação. Santana seria capaz de chamá-la de qualquer apelido degradante até mesmo num evento oficial. Ou isso ou Berry.

"No dia em que você crescer cinco centímetros, eu paro de te chamar de anã." Santana sorriu discretamente. Sabia que suas implicâncias por vezes eram engraçadas. Ela se aproximou da comandada, cumprimentando o tatame no processo, antes de ir até Rachel. "Quero que saiba que nada disso aqui tem a ver oficialmente com botões. Ok? Aqui é entre eu e você e isso precisa ficar bem claro." Rachel acenou positivo. "Eu vou te treinar por você ser você. Simples assim. Não quero te ver apanhando na rua."

"Quanto a isso, eu sou grata. Só não entendi até agora porque aqui? Eu nem sabia que você frequentava essa academia. Não que isso seja ruim, mas é que estou surpresa... é isso."

"Acho que posso contar uma historinha antes de trabalhar." Santana sorriu. "Quando eu era criança, eu fiz parte de um projeto social do mestre Marcus, que é um dos sócios desse lugar. Ele dava aulas de taekwondo para a molecada do meu bairro. Eu tinha uns sete anos quando comecei a fazer as aulas. Meu pai achou que era uma ótima opção para me fazer gastar um pouco de energia: eu era pequena e magrela, mas podia escalar a casa e ainda pular no telhado do vizinho. Minha mãe ficava louca, bom, você a conhece. Então eu comecei a fazer as aulas e logo me destaquei. Acontece que o mestre Marcus é um botão..."

"Foi assim que você entrou?"

"Basicamente. Mestre Marcus viu potencial e eu passei a treinar mais coisas do que taekwondo... mas isso é outra história. Bom, o projeto social foi encerrado lá no meu bairro, mas ele continua aqui até hoje. Uma vez por semana a molecada dessas áreas mais pobres vem aqui e se diverte, sabe? E sou eu quem dá as aulas na maioria das vezes."

"Isso é um trabalho botão?"

"Não. Quer dizer, ideologicamente pode-se dizer que sim, mas não é algo oficial, entende? Isso não é uma peneira para recrutamento. É algo para ajudar, para dar uma atividade para essa gurizada. A molecada se diverte aqui e eu me divirto com eles. É esse o propósito."

"Por que nunca disse nada?"

"Nunca me ocorreu."

"Seus pais também nunca comentaram."

"Acho que também nunca ocorreu a eles. De qualquer forma, não que seja um segredo, mas isso não é uma informação muito sexy, especialmente na escola."

"Simples assim?" Perguntou admirada em como uma informação assim possa passar batido.

"Simples assim!" Santana pegou a sacola de Rachel e a jogou contra o peito da colega sem muita gentileza. "Vou te mostrar onde é o vestiário. Não temos muito tempo de sobra."

"E você pode ensinar outras pessoas aqui?"

"Eu nunca fiz isso antes, além das crianças, claro. Mas tenho certeza que não há problema algum. Nós vamos trabalhar num horário em que essa sala vai estar vazia e Marcus não vai me negar dar um passe livre a outra pessoa. Especialmente alguém que conversa com botões."

"Quer dizer que você além de tudo ainda será a minha mestre?" Rachel deu um sorrisinho.

"Tecnicamente só posso ser chamada de instrutora. É o que meu grau Dan significa."

"Você é cheia de surpresas, San."

"Estamos perdendo tempo com tantas perguntas. Daqui a 45 minutos a turma de garotos vai chegar."

Rachel trocou-se rapidamente. A hora já avançada não permitiu que Santana se dedicasse melhor a comandada e tudo que fez foi ensinar alguns exercícios de queda e de rolamento. A cantora tentou reclamar, achando que aquilo era menos do que ela poderia assimilar. Afinal, ela já treinava queda no colchão no atletismo três vezes por semana. Mas Rachel ainda não entendia certos preceitos das artes, que antes de dar um soco que fosse, era preciso saber cair. A garotada chegou. Quatro meninas e seis garotos entre sete e onze anos. Todos com muita energia para gastar. Dois já tinham faixa amarela e um na verde, o que indicava que estavam no projeto há algum tempo. Enquanto Rachel ficou num canto do tatame treinando quedas e rolamentos, ficou vermelha em constrangimento quando o garoto da faixa verde, o mais velho da turminha, começou a corrigi-la com paciência e polidez. Não era uma desonra. Nas artes marciais, o que conta é o grau e não a idade. Rachel não tinha sequer um dobok, o uniforme do taekwondo, o que significava que ela estava abaixo de um faixa-branca.

No final da aula, os meninos tinham uma pequena recreação. De 15 minutos a meia hora que era o tempo da turma dos garotos que pagavam a mensalidade começarem a aparecer, assim como o professor responsável. Rachel ficou admirada em ver Santana brincando com a molecada com um sorriso largo e fácil no rosto. Um que era raro de se ver. Achava que só Brittany fosse capaz de arrancar um daqueles da líder. O coração de Rachel quase derreteu ao ver a cena, então ela sacudiu a cabeça quando se pegou admirando demais. Ter uma queda por Santana seria estranho e complicado em vários sentidos. Era melhor sequer pensar nisso.

"Vamos?" Santana disse após trocar de roupa no vestiário. Estava de volta ao normal figurino de adolescente sexy e chique que ela vestia sempre quando não estava de uniforme de cheerio. Colocou a jaqueta de couro e ofereceu um capacete a Rachel.

"Você vai me dar carona? Na sua moto?"

"Qual o problema?"

"Como eu vou explicar isso em casa? Puck pensa que se você chegar a menos de um metro de distância de mim, você seria capaz de arrancar a minha cabeça e fazer churrasquinho das minhas partes macias. Ele pode desconfiar."

"Isso não é tão importante."

"Desde quando? Logo você que instituiu a política de que os botões não podem andar todos num mesmo grupo na escola?"

"Isso já não é mais tão importante, é o que quero dizer. Não é que você seja uma completa estranha para mim aos olhos de outras pessoas. Estamos juntas no coral e podemos ser aliadas de vez em quando."

"Então você vai me deixar em casa?"

"Ou eu posso te deixar na entrada da sua rua e seguir o meu caminho com um desvio a menos." Santana piscou e jogou um capacete para Rachel.

Claro que com Santana nada era tão simples. Rachel Precisou carregar nas costas a mochila da líder e ainda segurar as próprias coisas com um braço enquanto com o outro ela agarrava a cintura de Santana como se a vida dela dependesse disso. Não é que ela tivesse medo de motos, mas as que ela estava habituada a pegar carona de vez em quando, leia-se a mobilete de Sam, era bem mais devagar, sobretudo com duas pessoas.

Santana deixou Rachel na entrada da rua em que morava. A líder decidiu que era melhor evitar questionamentos e um camisa marrom em desenvolvimento. Entregou a mochila e devolveu o capacete, que Santana logo prendeu no lugar apropriado. Ela acenou e arrancou com a moto.

Rachel estava ainda admirada por conhecer um pouco mais da história da líder. Santana era tão fechada, mesmo para os aliados, que Rachel julgava ser impossível arrancar qualquer informação, mesmo que não fosse um segredo. Isso aguçava ainda mais a curiosidade que sentia. Queria saber por que Santana decidiu treiná-la só depois que ela apanhou de Quinn e mesmo se algum outro integrante conhecia este outro lado. Tinha desejo de saber tantas outras coisas a respeito dos botões, do grupo, da líder. Entendia, por outro lado, que tinha de ter paciência ou ficaria com nada.

Entrou em casa. Natalie correu para abraçá-la animada por ter sido escolhida a atriz principal de uma peça infantil que faria na escola. Ficou feliz pela menina, do qual era simpática.

"Senhora Spencer deixou um recado para você." Anna informou. "Parece que ela quer te pagar por aulas de reforço."

"Ótimo!" Rachel agradeceu. "Aulas particulares dão os melhores trocados."

"Faz umas três semanas que você arruma nada." Anna disse áspera.

"Quase isso." Rachel procurou controlar o tom de voz diante da sutil cobrança da tutora. "Nem sempre a gente consegue trabalhos seguidos."

"Ainda assim, você vive chegando tarde em casa, ou nem dorme aqui."

"É que fiquei um pouco mais tempo com Kurt e meus amigos..."

"Você sabe que eu não me importo de você passar as noites com esse seu namoradinho, Rachel. Mas tudo tem um limite. Não vai dar certo se você só se divertir e não ajudar com as coisas daqui de casa."

"Eu não deixo de fazer as coisas aqui, e sempre contribuo quando posso." Rachel disse firme, ainda que num tom baixo e respeitoso. A vontade era de jogar na cara de Anna que o dinheiro a mais no orçamento que ela recebia do governo era único e exclusivamente por causa dela. Era a compensação pelo ato de 'altruísta' em receber órfãos em casa.

"Não gosto disso... algo me diz que você está se metendo em encrenca."

"Eu nunca trouxe um problema que fosse para cá, Anna. Nem reclamações de escola, nada!" Rachel ensaiou uma reação mais forte.

"É só um aviso, Rachel. Sei que é responsável o suficiente e te dou toda liberdade que precisa. Só não traga confusão para dentro desta casa..." Ao ver o rosto firme da menina, Anna ponderou. "Desculpe... as coisas estão ficando cada vez mais difíceis, o dinheiro está cada vez mais curto e para piorar, Noah está com essa ideia de se alistar."

"Você não gostaria que ele entrasse para as forças de segurança?"

"Eu não gostaria que ele se machucasse. É só isso."

Rachel entendeu o que estava por trás do súbito ataque de preocupação da matriarca e relaxou o corpo. Ela se ofereceu para ajudar na limpeza, mas não antes de retornar a ligação e marcar a aula particular que lhe renderia um bom trocado. O saldo do dia foi positivo, até inspirador, mas o cansaço tomou conta do corpo. Ela só precisava de um banho e cama.

...

Santana e Rachel se conheceram aos 12 anos. Foi o então senador Pierce, pai de Brittany, quem as apresentou. Rachel se tornou um botão alguns meses depois. Mas os primeiros que viriam a se tornar botões que Rachel conheceu foram Matt e Kurt, isso bem antes de Santana. Os pais de Rachel frequentavam a cafeteria dos Ruttherford e Matt sempre estava por ali. Os dois nunca foram exatamente amigos, mas eram simpáticos um ao outro. Ela conheceu Kurt aos nove anos quando os dois estudaram canto com a mesma professora, Mrs. Blanche, numa época que o líder comunitário Burt Hummel sequer sonhava em conhecer Carole Hudson.

Quanto aos demais, eles se conheceram na escola. Rachel e Sam não se falavam, até o dia em que ele, já no time de futebol, foi a casa dos Puckerman para fazer um trabalho de escola. Mas como Puck não era um interessado academicamente falando, a parceria do projeto recebeu uma terceira pessoa que teve o nome ocultado: Rachel Berry. Foi quando Sam e Rachel se tornaram amigos: fazendo um trabalho de geografia juntos, mesmo que ela tivesse nada a ver com aquilo.

Tina Chang, boa observadora que era, dizia que Rachel e Sam tinham boa química. Ninguém deu importância. Pudera: Rachel nunca disfarçou a paixonite por Finn Hudson, além disso, ela passou a atuar como namorada de Kurt Hummel. Sam Evans ficou de lado nessa história. Não que ele pensasse de Rachel de forma romântica. Sempre a considerou uma grande amiga, o que realmente ela era. A entrada de Sam para os Botões fez com que eles se aproximassem mais.

Na escola, a primeira coisa que Sam fez ao ver Rachel foi dar um abraço de bom dia, que ela correspondeu prontamente nos primeiros cinco segundos, até perceber os olhares desconfiados de Finn e Puck. Foi quando caiu em si: ela ainda era namorada de alguém e as pessoas poderiam começar a falar. Isso a fez quebrar o abraço e empurrar Sam de uma forma deliberada.

"O que foi?" Sam ficou confuso.

"Converso contigo mais tarde..." Foi em direção a Kurt e o beijou com um pouco mais de entusiasmo do que eles costumavam encenar na escola.

"Isso tem a ver com o abraço que você recebeu de alguém que não é seu namorado?" Kurt sorriu e Rachel franziu a testa. "Mercedes me ligou duas vezes ontem para me dizer uma mensagem enigmática de que eu deveria abrir os olhos contigo. Aparentemente ela viu você e Sam andando juntos pelo parque enquanto comiam um saco de pipoca."

"Desculpe por essa..." Rachel disse baixinho enquanto os dois andavam de mãos dadas pelos corredores.

"O que é um namoro sem alguma crise pública para entreter as outras pessoas? E depois..." Sussurrou no ouvido da amiga. "Acho que a nossa relação precisa de uma pitada de drama. Está muito sem-graça."

Neste meio tempo, as cheerios passam pelo falso casal e Brittany pisca para os dois. Santana, mais atrás, olha para Rachel e Kurt e depois direciona o olhar para Sam e balança a cabeça negativamente. Rachel sabia que, ao contrário de Kurt, Santana odiava ceninhas na escola porque era contra chamar atenção dos outros para os botões. Por isso se escondia como coadjuvante de Quinn Fabray, mesmo sabendo que era uma líder natural. Um triângulo amoroso, mesmo que falso, não era algo que aprovaria.

Rachel e Kurt, por sua vez, pareciam se divertir com a possibilidade de representar um drama na escola: logo os dois que ambicionavam ser atores. Mas os sorrisos cessaram quando Quinn apareceu no corredor da escola em direção ao armário em que guardava os livros. A pesada maquiagem mal disfarçava o hematoma no rosto, e a echarpe era um acessório estranho para um dia de calor. Quinn, sabendo que os olhos repousavam sobre ela, decidiu se controlar e agir como realiza que sabia que era: pelo menos naquele mundinho escolar. Pegou os livros no armário e passou pelos colegas de coral com o nariz empinado, como se eles não existissem.

"Ficou sabendo de algo sobre Quinn?" Rachel perguntou discretamente a Kurt.

"Santana não soltou uma vírgula a respeito, mas eu tenho outras fontes. Tina disse, que Mercedes disse, que Brittany disse, que uma cheerio disse, que Quinn está de caso com um homem mais velho de mão muito pesada."

"Será?"

"Não duvido de nada neste mundo. Eu ouvi, assim pelos corredores lá de casa, que Finn vai terminar com ela."

"Por quê?"

"Isso é uma pergunta, Rach? As fofocas circulam e Finn não é surdo, nem tão ingênuo quanto aparenta."

"Eu sei, é que..." Rachel fez uma pequena pausa ao ver Quinn ao longe. "Estou mesmo com pena dela. Ninguém merece passar por isso."

"Vai lá consolar ela, então!" Kurt desafiou.

"Eu até que estaria disposta a dar uma palavra amiga a Quinn, mas receio que ela não receberia isso muito bem."

"Ainda mais se Finn terminar com ela hoje, como vinha prometendo."

"Se os boatos forem mesmo verdade, acho que esse é o menor dos problemas dela."

"Verdade... bom, hora de ir a aula, amor."

Kurt deu um beijo de leve no rosto da pseudo-namorada e entrou para assistir a primeira classe. A sala de Rachel ficava duas portas adiante. Mas ela parou no corredor por um instante. Finn conversava alguma coisa com Puck na porta de uma sala de aula, Mercedes passou pela diva e a chamou para entrar logo em classe junto com Artie, Mike e Tina. Os alunos já se acomodavam e por último entrou Quinn que se sentou no fundo da sala. Rachel evitou olhar para a garota, até porque se tentasse, sabia que Quinn estaria pronta para dizer qualquer insulto. Algo que, diferente dos xingamentos vazios de Santana, seriam ditos para tentar ferir de verdade. Rachel havia chegado a conclusão de que, seja lá qual fosse a razão, Quinn era só uma pobre garota que precisava desesperadamente de ajuda. Mas ela não sabia como poderia se aproximar de uma pessoa que, aparentemente, a desprezava. Achou, por fim, que prestar atenção na aula e não pensar em Quinn era o melhor negócio. Uma pena, para a própria Rachel, que, no decorrer das explicações entediantes do professor, ela não conseguia evitar olhar discretamente para trás para conferir se a colega de coral estava bem.