Rachel achava um martírio estudar História. Odiava a matéria, o professor e, para piorar, não conseguia acreditar em uma vírgula do que os livros didáticos diziam sobre o momento que o país se desintegrou em sete outros após a grande crise. A princípio existia a tendência de uma conduta política de centro-direita. As fronteiras eram abertas e havia grande fluxo migratório. Foi quando houve uma grande crise econômica e a posterior recessão. As divergências políticas dividiram o país, que um dia foi um só, em sete novas federações independentes.
Os livros não explicavam como isso proporcionou a tomada do parlamento da Federação do Norte por um grupo fascista na virada do século. Eles culparam todos os outros que fossem opositores pelas mazelas da economia e crise social. Desde que assumiram o poder, trabalharam em dez anos de endurecimento progressivo. As manifestações populares foram, pouco a pouco, sendo reprimidas, a imprensa livre foi proibida e levada a clandestinidade (os meios de comunicação eram controlados por estatais). Autores e obras começaram a serem censurados ou retirados de circulação. De repente, certas religiões tiveram de ser controladas por registros oficiais, a população não podia mais sair do país sem autorização do governo, a homossexualidade deixou de ser aceitável, muitos dos direitos civis foram estrangulados. Dez anos de repressão progressiva. O governo fascista cozinhou a população em banho-maria até dominá-la por completo.
Rachel tinha plena consciência de que a história oficial não é jornalística: ela não se preocupa em saber das razões de diferentes lados. É apenas um mero reflexo do pensamento do poder. É como em certos países dominados pela religião árabe que excluíram dos livros o grande holocausto. Há quem negue com fervor que isso não passou de ficção. Isso porque a história lhe foi apresentada dessa forma, e se é isto que está nos livros é porque deve ser verdade. O mesmo acontece em Israel em relação ao controle dos territórios palestinos: não é permitido livros de história que façam reconhecimento do Estado Palestino nas escolas na Faixa de Gaza. O controle de entrada e saída de produtos é feito pelo Estado judaico. China e Japão são inimigos históricos e a culpa dos períodos de turbulência sempre recai no outro. A história do Tibet é reprimida correndo o risco de ser esquecida com o passar do tempo.
Às vezes um período histórico é distorcido apenas para reforçar uma determinada ideologia. Rachel tinha acesso a outras visões sobre o "raxa" que originou as sete federações independentes, e também sobre os acontecimentos que levaram ao estado fascista. De um lado, diz que a crise econômica abriu margem para uma sucessão de golpes de estado. A versão oficial diz que o governo fez uma revolução em vias democráticas para salvar o país de uma fragmentação ainda maior. Há razões e razões, mas a síntese resultante disso tudo que poderia aproximar-se mais dos fatos reais nunca é feita e nunca é desprovida de interesses.
O professor falava das famosas passeatas que aconteceram uma década antes. Um movimento violento e no qual Hiram e Leroy foram presos e depois executados pelo estado. Rachel nunca participou de uma passeata: nem autorizada e muito menos de uma irregular, apesar de saber que havia círculos de botões responsáveis em organizar e administrar as manifestações populares, especialmente na capital. Ela se lembrava de algumas que Hiram falava a respeito. A mais emblemática foi quando um pequeno grupo resolveu se juntar a outros tantos espalhados pelo país e viajar a capital para protestar contra o projeto de lei de Russell Fabray: a única coisa aprovada com a autoria dele na única vez em que conseguiu eleger-se para o parlamento nacional como representante de condado. Os pais de Rachel fizeram cartazes e faixas. Ela mesma ajudou em alguns. Só tinha nove anos e pouco compreendia sobre política e direitos do cidadão. Os pais se preocupavam em poupá-la de "assuntos desagradáveis". Era apenas uma menina com infância feliz e grandes sonhos. Queriam que Rachel permanecesse desta forma o máximo possível.
"Rachel!" Ela levou um susto ao ser despertada do mundo dos sonhos por Puck. Estava em casa, em cima dos livros, tentando estudar para uma prova. Nem mesmo percebeu a aproximação do amigo. "Sonhando acordada?"
"Acho que sim." Olhou direito para o amigo e levou um susto, desses em que a pessoa arregala os olhos. "Você raspou o moicano?" Levou a mão ao peito como se tivesse visto um fantasma.
"Isso?" Puck passou a mão na cabeça raspada em máquina um. "Estava na hora de ir."
"Mas você adorava o moicano. Era a sua marca registrada!"
"Minha marca registrada não pode ser um corte de cabelo." Disse quase grosseiro, mesmo que tivesse certa razão. "Essa prova deve ser muito importante mesmo para fazer você estar em casa antes das sete."
Puck tinha lá alguma razão. Não é que a prova tivesse alguma importância, uma vez que as notas dela eram boas na matéria, mas Rachel de fato começou a passar o máximo de tempo que podia fora de casa. Os Botões ainda estavam em regime de silêncio, ação que se estendeu aos demais círculos em Lima por alguma razão que Rachel não entendia, mas desconfiava que tinha a ver com o acidente que Santana se envolveu. Paralelo a isso, Puck e alguns garotos do time de futebol estavam com atitudes cada vez mais fascistas. Vestiam-se com blusas vermelhas, tinham um cumprimento específico, falavam mais e mais em ideias nacionalistas e pregavam disciplina e cooperação como formas de se criar uma juventude qualificada e, assim, ajudar a mudar o país para melhor.
Rachel não via problemas com uma postura política mais conservadora. Sabia que havia períodos na democracia em que o conservadorismo se fazia necessário. Se as políticas de esquerda tendiam a valorizar ações que promoviam transformação social e conseguiam fazer o campo das ideias e dos direitos avançar com mais de facilidade, as políticas de direita tendiam a valorizar economia e ordem social e estabelecem freios que podem ser salutares para o desenvolvimento. A democracia saudável é como um pêndulo sem muita amplitude, que se movimenta continuamente um pouco para a direita e um pouco para esquerda.
O problema morava quando alguém forçava o pêndulo para os extremos, tanto para um lado quanto para outro, e o fixava ali. Em ambos os casos as consequências eram o estrangulamento social e a obsessão pelo controle total: a imprensa só existe para fazer propaganda do governo, a informação é manipulada grotescamente, a economia é conduzida ao deus dará, a burocracia eclode, e os direitos civis e humanos são negados, os diferentes são combatidos com bala e prisões caso seja necessário. Os silenciamentos da censura podem ser ensurdecedores.
Rachel leu alguns pensadores políticos proibidos uma vez na biblioteca dos botões porque foi obrigada por Santana. Apesar de ela priorizar o material sobre arte e cultura, ficou grata por ter contato com o texto de tais pensadores e pesquisadores que a fizeram refletir. Por isso que a alternância no poder era salutar. Ela entendia que era bom valorizar a própria cultura, a bandeira, e ter amor à pátria. Ser bom cidadão era uma forma de se amar ao país. Lutar e exigir melhores condições de vida, por uma boa educação também.
Outra coisa era ser ultranacionalista e desenvolver conceitos xenófobos, racistas e preconceituosos. Noutro dia, Puck criticou Rachel por não ir mais à igreja. Depois por não se importar com a família, no caso os Puckerman, porque não mais ficava presente. Rachel sentiu vontade de rir alto. No dia anterior reclamou porque ela nunca defendia um artista nacional para ser interpretado no coral. Que culpa tinha se preferia os artistas do Leste?
O fato é que ela queria evitar ouvir as pregações de Puck e os sermões que contra Sam. Como se não bastasse, Puck começou também a pegar no pé de Santana por causa das atitudes que ele taxava como individualistas. Sim, Rachel sabia melhor do que ninguém o quanto Santana era fechada e individualista para muitas coisas, mas era só uma característica. A pequena diva também não suportava mais ouvir as queixas de Anna sobre falta de dinheiro, e Rachel havia arrumado mais cinco aulas particulares para dar e um trabalho de babá, coisa que não fazia há muito tempo. E tinham os botões, seus amigos: ela não era de ferro e gostava de sair para se divertir com eles, ou passar algum tempo na casa de Santana, que costumava ser muito relaxante.
"Eu não posso sair de casa todos os dias, e tenho tarefas de casa demais." Rachel respondeu balançando os ombros. "E provas para estudar."
"Tenho uma festa para servir neste fim de semana. Está dentro?"
"Dinheiro é sempre bom. De quem é?"
"Karofsky."
"Perfeito. Estou dentro!"
"Mas tem uma condição."
"Qual?"
"Sam está fora." O sangue de Rachel ferveu.
"Sam sempre esteve no nosso esquema, é competente e ele precisa do dinheiro tanto quanto nós. Não é justo você o excluir só porque está de birra."
"Eu sou o contato de Karofsky, não você. Isso quer dizer que eu formo o meu time, e eu não acho que Sam deveria continuar no nosso esquema."
"O que ele fez para você agora ter tanta raiva dele? Vocês eram amigos. Não é possível que uma discussão boba tenha causado isso."
"Sam me desrespeitou ao dizer que sou uma marionete porque quero me alistar depois da escola. Ele tem pensamentos e atitudes que podem causar encrenca e se eu fosse você não ficaria perto dele, ou ele pode te arrastar também."
"Então ele não gosta do governo. E daí? É a opinião dele."
"É uma opinião perigosa. Você deveria saber disso melhor que ninguém."
"Triste de nós que não podemos mais ter opiniões!" Rachel levantou a voz. Estava cansada daquilo tudo. Estava cansada de ver aquele que era quase um irmão se tornar um camisa marrom e ela não poder dizer nada a respeito. "Sam não é o cara que se mete em confusão, Puck. Ele não faz nada de errado. Ele só trabalha e tem uma opinião que você discorda. Se o crime dele é ter uma opinião, não acha que há algo de muito errado acontecendo?"
"Não estamos num mundo perfeito, mas vivemos em paz."
"Paz sem voz é medo!" Rachel desabafou e imediatamente entendeu que cometeu um erro.
Ela não estava mais discutindo com aquele que considerava um irmão. Aquela discussão era com um sujeito que estava completamente incorporado ao esquema e que tinha perdido a capacidade de questionar. Puck acreditava no governo, acreditava naquele esquema fascista. Aceitava e gostava. Tornou-se um cego militante de uma causa excludente.
"Olha aqui..." Puck sentou-se ao lado da amiga e falou calmo. "Você vive nesta casa a uns quatro anos, certo?" O rosto dele estava a um palmo, mas Rachel não se mexeu. "Eu te considero mais que uma amiga. Você é a minha outra irmãzinha, por isso eu te dou este sábio conselho: há certas coisas que é melhor guardar para si."
Rachel suspirou. Por mais que Puck tivesse sofrido lavagem cerebral, o que ele disse era válido: tinha de fechar a boca também dentro de casa. Foi até a cozinha e bebeu um copo de água natural. Evitava água gelada para poder preservar a voz. Difícil foi voltar a se concentrar nos deveres de casa. Tentou ler dois, três parágrafos do texto de História. Estava no estágio que os olhos passavam pelas letras, mas a mente não assimilava. Fechou o livro. De repente, lhe bateu um desespero, uma impressão ruim, um peso no estômago.
Foi até o quarto no porão e começou a recolher algumas coisas das prateleiras, basicamente os livros de capas trocadas, dois cadernos e alguns discos de artistas visados. Fez alguns telefonemas, mas não conseguiu falar com quem queria. Então pensou em alguém que ela sabia que poderia lhe ajudar. Colocou tudo na mochila e saiu. Pegou o ônibus e foi para a casa da pessoa que menos tinha contato do círculo. Desceu no comércio de um conjunto residencial de pessoas com algum dinheiro. Leu novamente o endereço na caderneta de endereços e andou mais duas ruas até chegar a uma casa bonita de dois pavimentos pintada de amarelo claro. Tocou a campainha e esperou a porta abrir.
"Oi Seban." Rachel sorriu forçado.
"Rachel!?" O menino a convidou a entrar. "Não é que não aprecie a sua visita, mas... não estamos em código vermelho?"
"Não posso visitar um amigo?"
"É que... eu te conheço há uns três anos e você nunca fez uma visita social. Aliás, nem a negócios."
"E por isso não vou poder entrar?"
"Oh claro!" Seban bateu na própria testa pelo sinal de descortesia. "Entre por favor."
Rachel entrou na sala de uma casa confortável e bem arrumada. Seban era o hacker do círculo, o gêniozinho da informática que Santana recrutou pouco depois de Rachel e Matt. Pelas habilidades do garoto, era óbvio porque Santana o quis no time, mesmo que ele seja o mais novo do grupo.
"Está sozinho?"
"Sim... meus pais trabalham fora e eu sou filho único como sabe..."
Rachel não sabia muitas coisas a respeito de Seban, a não ser das habilidades para tecnologia, que ele era sim filho único e que tinha uma boa família. Seban tinha o botão que dava acesso a sede do subsolo dos Botões e tinha muita proximidade com a líder, em especial quando ela planejava algumas missões em que precisava de auxílio. Mas quais eram as preferências dele, de que música gostava, comida favorita, cor favorita, tiques, hábitos ruins... Rachel não conhecia Seban nesse sentido, o que era uma pena, pois o garoto era legal: ele era um botão.
"Aceita chá, café gelado, refrigerante?" Seban ofereceu.
"Aceito água."
"Claro!" Correu até a cozinha e voltou com um copo bonito em cima de uma pequena bandeja. Rachel ergueu uma sobrancelha com a formalidade. Seban esperou que ela bebesse antes de voltar a falar. "O que a traz aqui? Negócios? Santana te enviou para alguma coisa e me esqueceu de avisar?"
"Eu não vim aqui por ordem de Santana. Na verdade, eu preciso de um favor, mas é coisa mais simples. Eu levaria para a sede, mas estamos em regime de silêncio, então..." Abriu a mochila. "Preciso de um lugar seguro para colocar esses livros e discos. Eu não posso mais manter na minha casa. Além disso, não pediria isso a Santana ou Sam porque eles estão visados na escola e eu tenho medo de que isso possa complicá-los em caso de alguma batida. Quinn é nova no grupo e ela vive em um quarto de hotel hoje em dia. Não consigo falar com Matt e nem com Kurt... e se eu pedir qualquer coisa dessa natureza para Brittany, Santana me mataria."
"Ei, Rachel! Entendi." Seban sorriu com gentileza. "É para isso que serve os botões, certo? Na verdade, tenho até um lugar perfeito."
O garoto pediu para que Rachel o seguir até o quintal da casa. Passaram pela grande cozinha e entraram num quintal de gramado verdinho e vem aparado, apesar da aproximação do inverno. Havia uma espécie de casa secundária com espaço para churrasco e lazer. Neste espaço semi-pavimentado havia um alçapão. Seban o abriu e os dois desceram as escadas.
"É o abrigo para tornados, mas tem uma estrutura quase para suportar ataques aéreos. Papai é engenheiro e bolou esse espaço. Tem acesso pelo porão também, mas eu acho mais legal entrar por aqui."
Rachel estava impressionada. Ela não sabia nada a respeito da família de Seban, nunca teve a curiosidade de perguntar, mas o pai dele parecia ser um profissional talentoso. O abrigo era espaçoso, bem decorado. Havia um beliche estilizado, um sofá de dois lugares, prateleiras com livros, discos, um pequeno guarda-roupa que na verdade era uma despensa, e um espaço que parecia ser uma cozinha ultracompacta.
"Abrigo? Isso aqui é extraordinário! Parece um apartamento pequeno e funcional. Eu moraria aqui!
"Minha mãe é decoradora." Balançou os ombros com se isso não fosse grande coisa. "Posso ver os livros?"
Rachel abriu mais uma vez a mochila, mas desta vez colocou o conteúdo em cima de uma mesinha no recinto. Seban ficou intrigado de como livros banais e até lidos nas escolas poderiam conter conteúdo perigoso. Os discos realmente eram de pessoas controversas aos olhos da censura do governo.
"As capas são trocadas." Rachel explicou, mas Seban prestava mais atenção nos discos.
"Não sabia que gostava de punk rock!? Que eu saiba, você não é fã de teatro musical?"
"Meu pai Leroy gostava. Confesso que não sou tão fã. Foi uma das poucas coisas que consegui guardar antes de tomarem a minha casa com quase tudo dentro."
"O meu pai também é fã. E eu adoro."
"Ele..."
"Ele não é um botão, mas poderia." Seban falava com certo orgulho. "Ele trabalha para uma das poucas multinacionais que tem licença para atuar aqui. Ele sempre diz como as coisas são diferentes no ambiente de trabalho, como se ele atravessasse a fronteira quase todos os dias. É lá que ele consegue algumas coisas, alguns contrabandos. Alguns discos e livros. Ninguém vem aqui, a não ser eu e minha mãe quando quer pegar alguma coisa na despensa."
"Então eu vim no lugar certo."
"Os botões se ajudam."
"Sempre!"
Foi um final de noite agradável. Rachel conheceu os pais de Seban, que ficaram felizes pelo filho apresentar uma nova amiga. Mesmo que às vezes estranhassem a razão de ele andar sempre com algumas garotas mais velhas, se referindo a Santana, que costumava passar por ali. Santana tinha em Seban uma base segura e competente para certos trabalhos que pedia. Além disso, o garoto sabia guardar segredos.
Rachel ficou para o jantar: comida chinesa entregue em casa. Após a noite agradável em que Rachel pôde discutir abertamente com um adulto não-botão sobre certas peças musicais, uma linguagem que parecia ser fácil de falar entre as pessoas, talvez pelo senso de proximidade que uma canção podia trazer. Era mesmo um poder muito especial para algo que nem sempre poderia ser taxado de obra de arte.
O pai de Seban também tinha conhecimento de vários filmes proibidos pelo governo, mas que eram extremamente populares ao redor do mundo democrático. Como a internet era um veículo inseguro para uma boa parte da população, certas piratarias eram bem-vindas. Aliás, era admirável a quantidade de produtos piratas que circulavam naquela cidade, vendidos por homens que se comportavam como traficantes de droga: dai-me seu dinheiro, tome o produto e suma daqui. Mal sabia o pai de Seban que o filho tinha acesso àquilo tudo e de uma forma muito mais conveniente, sem precisar pagar.
A família ofereceu uma sessão de cinema para Rachel. Achavam que aquela amiga de Seban fosse como a outra mais morena que de vez em quando ficava para assistir a um filme e comer pipoca, mesmo que ela fosse um tanto quanto mal-humorada. Rachel, mesmo com a tentação em ficar e passar mais tempo com aquelas pessoas simpáticas, prometeu voltar outro dia. No entanto, ela não recusou a carona e nem o pedaço de bolo de laranja para levar para casa.
Quando chegou ao velho bairro de operários, encontrou a guardiã assistindo uma novela e Natalie brincava no carpete com uma amiga que passaria a noite. Cumprimentou os presentes e desceu para o porão. Levou um susto quando viu Puck olhando as coisas dela.
"Perdeu alguma coisa?" Cruzou os braços e fechou o rosto.
"Queria ver se você tinha um livro da escola. Como não estava aqui, decidi em mesmo dar uma olhada." Pegou um qualquer na prateleira. Era um clássico da nova safra de escritores local utilizado na escola e cobrado nas provas de seleção para a faculdade. "Não pude deixar de notar que você tem esboços de poemas interessantes." Rachel gelou quando viu o caderno que ela gostava de rabiscar e anotar alguns versos. Era óbvio que Puck leu. Ali tinha alguns pensamentos honestos em forma de versos, mas Rachel sempre foi prudente suficiente para não fazer nenhuma menção sobre suas atividades subversivas. "Agora entendo porque você defende tanto Sam."
"Você não tinha direito de mexer em minhas coisas." Rachel estava zangada e, ao mesmo tempo, aliviada por ter tido a intuição de se esconder de tudo que poderia comprometê-la a sério.
"Você não tem o direito de colocar coisas subversivas dentro da minha casa."
"O que é subversivo? Uma letra de música que nem existe?"
"Você está prestes a completar 18 anos, certo?"
"Sim."
"Espero que você tenha um lugar para morar após o seu aniversário."
"Claro. Depois que fizer 18, me torno maior de idade, a sua mãe deixa de receber a mesada do governo, e eu deixo de ser útil. Entendi o seu recado, Puck. Agora se você puder me dar licença."
Fechou a porta e respirou aliviada. O sexto sentido havia lhe servido bem desta vez. Não acreditava que Puck fosse capaz de identificar os livros proibidos ou ligar para os discos. Mas havia outras anotações que poderiam comprometê-la à sério: alguns desabafos mais literais, telefones, alguns códigos dos botões. Ao menos tudo estava seguro na casa de Seban. Lutou contra a vontade de ligar para Santana. Ficou paranoica. E se Puck estivesse à porta escutando a conversa dela? E se ele tivesse grampeado o telefone? Ele seria capaz? Ele teria recursos para tal? Ela procurou respirar fundo, se acalmar. Um banho ajudaria. Água correndo pelo corpo sempre ajudava. A água tinha uma poderosa propriedade em tirar males e recarregar energia. Pelo menos era isso que Brittany costumava dizer e Rachel aprendeu a nunca duvidar da amiga de sabedoria peculiar.
