Ada era um vilarejo, um subúrbio isolado dos grandes centros urbanos que tinha a feira agropecuária como o único corpo dinâmico que mantinha a cidadela viva. Ainda assim, a vida era sazonal: toda vez que havia entressafra, metade dos quase seis mil habitantes ia embora. A outra metade era constituída basicamente pelos próprios fazendeiros e suas respectivas famílias. A estação ferroviária cortava a pequena Ada e era fácil para essas pessoas escoar a produção que abastecia a região e também as maiores cidades do país. Se a pequeneza dos 78 mil habitantes de Lima por vezes deixava Rachel deprimida com as poucas perspectivas proporcionadas, imagine uma jovem como ela que residisse em Ada? Rachel tinha certeza que surtaria se morasse num vilarejo agrário como aquele. De qualquer forma, mesmo entre toda aquela pequeneza pobre, havia um botão. E este botão era o destinatário das outras correspondências que Rachel ficou encarregada de entregar nas pequenas cidades e vilarejos da região: não ficou muito feliz com isso, mas eis que essa era a função designada a ela pelo novo círculo botão a qual passou a pertencer.
Colocou o pacote maior na caixa de bagagem preso na garupa da moto que foi de Santana e o restante dentro da mochila. A pistola estava bem presa e escondida na própria moto (boa coisa que Santana já tinha feito todas essas adaptações). A recomendação era que Rachel só poderia levá-la junto a si, escondida debaixo da jaqueta, caso fosse extremamente necessário.
"Procure não ficar presa na casa de ninguém." Susan Jameson também se preparava para o mesmo trabalho, mas na direção contrário do que Rachel estava indo. "Alguns vão ver que você é nova e podem ficar desconfiados. Outros, por esse mesmo motivo, vão querer te prender o máximo de tempo possível para saber algumas coisas ao seu respeito enquanto você toma um café com biscoitos. Apesar de que, dependendo da hora, você pode aceitar para economizar a grana da comida."
"Você nunca tem uma refeição apropriada enquanto faz isso?"
"Depende do roteiro. O meu de hoje é Van Wert, Decatur, Celina e St. Marys. O rango fiado bom está em Celina. No seu caso..." Espichou o olho para olhar a lista de Rachel. "Guarde a fome para Bellefonteine. Você vai chegar lá mais tarde, mas a senhora Piccadilly já conhece mais ou menos o processo e sempre oferece um lance qualquer. Na verdade, ela já vai estar te esperando com um preparado. Só cuide do horário."
"Eu achei que Bellefonteine fosse responsabilidade do outro núcleo Botão."
"Não conte com isso porque os Botões das cidades maiores agem como se tivessem o rei na barriga. Acham que essa comunidade de vilarejos é responsabilidade nossa e acabou."
"Então você já entrou em contato com eles? Com os Botões da capital?"
"Algumas vezes. O suficiente para entender que o um lugar é aqui."
"Tão ruim assim?"
"Não é porque pertencemos a mesma organização que isso nos obriga a gostarmos uns dos outros. Só precisamos nos manter coerentes uns com os outros... ou nos tolerar."
"Verdade." Rachel acenou para a colega. "Obrigada pelas dicas." E desejou boa sorte antes de apertar o play e ajustar os fones de ouvido antes de colocar o capacete.
Na saída da cidade, pegou Ada Road e fez uma pequena viagem por entre fazendas até o pequeno vilarejo. A paisagem branca era monótona. A música em um dos ouvidos era a coisa mais interessante do trajeto. E quando a música deixaria de ser interessante para Rachel? Nunca! Sorriu largo quando o modo de seleção aleatório começou a tocar "Good People", uma das músicas favoritas de Sam. Ou pelo menos era o que ele adorava cantar e tocar quando achava que ninguém estava olhando. Jack Johnson não era um artista proibido, mas isso não queria dizer que ele não tinha letras provocativas.
"Sitting around feeling far away/ so far away but i can feel the debris, can you feel it?/ you interrupt me from a friendly conversation/ to tell me how great this all going to be/ you might notice some hesitation/ because its important to you, it's not important to me/ but way down by the edge of your reason/ it's beginning to show and all i really wanna know is?"
E começou a cantarolar junto enquanto tinha os olhos firmes na estrada.
"Where'd all the good people gone?/I've been changing channels i don't see them on the TV shows/ where'd all the good people gone?/ we heaps and heaps of what we saw."
Sorriu ao lembrar-se do amigo cantando esse tipo de canção, que era o estilo favorito dele. Rachel tinha certeza que o lugar no mundo para Sam seria uma praia paradisíaca em que ele poderia viver como dono de uma lanchonete num vilarejo, em que trabalharia um período, tocaria violão e, quem sabe, surfaria. Sorriu sozinha ao imaginar o quão grande seria ver Sam surfando, como ele dizia morrer de vontade de aprender, em uma daquelas praias deslumbrantes que via pelas fotos na internet. Então ele tocaria violão ao entardecer junto com um grupo de amigos para depois voltar para casa. Rachel chegou a suspirar. Ela gostava de imaginar finais felizes para todos os amigos, inclusive Puck.
Imaginava Kurt e Blaine juntos morando numa casa bonita. Enquanto Blaine cuidava da papelada do trabalho, Kurt podia cantarolar pela casa enquanto planejava cenários e figurinos teatrais. Santana e Brittany também terminariam juntas. Santana seria, claro, uma agente especial que depois de uma missão arriscada, voltaria para os braços de Brittany. Matt seria um chef de sucesso com restaurante próprio, Seban seria um grande professor de engenharia mecatrônica. Finn seria um professor de educação física e estaria casado com alguma mulher que gostasse da vida doméstica. Puck? Talvez ele terminasse feliz trabalhando como mecânico e com suas amantes.
Imaginou um final feliz para Quinn no Leste. Curiosa e perspicaz como era, certamente completaria a faculdade e seria uma intelectual, fazendo muitas palestras e congressos. Mas sempre que tivesse um momento de quietude, Rachel imaginava Quinn em um bom restaurante tomando vinho com ela enquanto jogavam conversa fora. Estariam juntas? Rachel não podia negar que essa era uma fantasia que passou a nutrir desde que se aproximou de Quinn, em especial quando começaram a morar juntas.
Quando chegou em Ada, Rachel sorriu ao imaginar que se acelerasse mais um pouco sairia da cidade em menos de cinco minutos. Passado o cruzamento com as duas principais avenidas, entrou na rua indicada e procurou a casa de John Parker. Tudo era muito fácil de achar naquele lugar. Perder-se naquela vila seria o fim: um atestado de incompetência. Desceu da moto, pegou a correspondência e bateu à porta. Atendeu um senhor calvo que parecia ter quase 70 anos e Rachel entendeu imediatamente porque algumas pessoas eram incapazes de viajar até Lima para pegar as correspondências.
"Correspondência a John Parker." Estava com um envelope gordinho de papel pardo em mãos.
"Sou eu!" O idoso sorriu e conferiu a correspondência. "Já faz um tempo... e você é nova?"
"Não sou uma botão nova, mas sim, comecei hoje a trabalhar com as entregas."
"É um trabalho importante!"
"É..." Rachel fechou a mochila. "Até a próxima."
"Vá com cuidado... oh." Chamou a atenção da colega botão. "Pra onde vai agora?"
"Kenton."
"Se for ver Louis, diga que mandei recomendações."
"Ok. Eu direi."
Subiu na moto, e pegou a rodovia 235 antes de virar na 309 para descer para a próxima cidade, onde deixaria duas correspondências. Uma delas era a caixa menor. Kenton era uma cidade um pouco maior do que o vilarejo de Ada, com a vantagem de não haver população sazonal por causa das safras. Basicamente os pouco mais de oito mil habitantes permaneciam constantes. Rachel entrou pelo centro da cidade e franziu a testa com o aspecto velho e decadente que ela tinha. O tempo nublado também não ajudava. Comparado com aquilo, Lima era uma metrópole. Consultou as referências. Entregar o pacote de Carlos Grant e depois a carta de Louis Buckler seria o trajeto mais econômico.
A primeira casa, do senhor Grant, era uma casa enorme, de dois andares, mas com aspecto velho, de que precisava urgente de uma pintura. Estacionou a moto embaixo da árvore em frente e seguiu até a varanda da frente. Tocou a campainha. Atendeu uma menina adorável vestida de Branca de Neve que não devia ter mais de seis anos. Ela tinha cabelos castanhos claros e grandes olhos verdes. Rachel logo se sentiu enamorada.
"Oi mocinha! Por um acaso Carlos Grant se encontra?"
A menininha piscou umas duas vezes para a botão antes de gritar dali mesmo.
"Vovô! É pro senhor!"
Rachel começou a rir da doçura que era a menina. Logo veio uma mulher à porta preocupada com a desobediência da filhote em não atender a porta porque nunca se sabe quem pode ser.
"Correspondência para Carlos Grant." Rachel repetiu para a mulher que devia ter uns 30 anos e era bonita.
"Vou chamá-lo, se não se importar em esperar." Disse com educação.
Rachel acenou e esperou do lado de fora. Atendeu um senhor de idade, parecia mais jovem e bem mais disposto do que John Parker.
"Olá mocinha." Disse numa voz grave, parecia locutor antigo de rádio.
"Senhor Grant, chegou correspondência para o senhor." Rachel entregou o pacote com um botão fixado no papelão com fita adesiva.
"Fico feliz que aquele problema não chegou aqui." Grant recebeu a encomenda. "Fiquei preocupado quando soube... achei que a minha correspondência também tivesse ido pelos ares."
Rachel franziu a testa e pensou que talvez ele estivesse se referindo a invasão do centro de correspondências. O evento em que Santana escapou viva e, de quebra, salvou a correspondência endereçada a Rachel.
"Receio que este é uma encomenda que está atrasada, senhor. Ela chegou por Lexington..."
"Ouvi algo nesse sentido. Parece que foi algo que envolveu aquela Lopez arrogante... enfim... fico feliz por isso ter atrasado então." Sacudiu a caixa.
"Bom, já vou andando..."
"Obrigado e boa sorte, menina."
Pegou a moto a seguiu para o bairro residencial que ficava próximo a escola da cidade. A casa de Louis Buckler era menor, de apenas um andar, mas tinha um aspecto muito melhor do que a de Grant. Era marrom, com a frente arrumada com uma cerca viva bem cuidada mesmo no inverno. Era possível ver que a garagem ficava no quintal e tudo tinha o aspecto de ser muito limpo. Rachel bateu à porta e atendeu uma adorável senhora de bochecha rosada.
"Correspondência para Louis Buckler."
"Oh, vou chamar o meu marido. Só um instante."
Não demorou dois minutos e apareceu um senhor negro. Rachel franziu a testa e achou gozado ver um casal quase ancião inter-racial morando uma cidade pequena como aquela. Era algo que se esperava encontrar, ainda assim não muito, nos grandes centros urbanos.
"Sou Louis Buckler..." Viu o envelope com o botão fixado. "Oh, nunca te vi antes... é nova?"
"Neste trabalho sim." O homem estendeu a mão para cumprimentá-la.
"Qual é o seu nome, mocinha?"
"Rachel Berry."
"Berry? Berry de Hiram Berry?" Rachel acenou e ganhou um sorriso de volta. "Nunca pensei em conhecer a filha daquele bastardo maluco! Não quer entrar?"
"Na verdade eu gostaria de um copo de água, se não for demais."
"Entre... cinco minutos!"
A sala dos Buckler era aconchegante e Rachel logo pensou que eles deveriam ser os avós dos sonhos ao ver os móveis confortáveis, o piano cheio de fotos da família e a lareira. Ela sentou-se no sofá e esperou pelo copo de água.
"Quer dizer que o senhor conheceu meu pai?"
"Ele foi o meu aluno na faculdade. Um dos melhores que tive. Vivia fazendo protesto pra tudo: ia contra desde o cardápio do refeitório até a política do reitor. Hiram era cômico!" E a expressão caiu enquanto a senhora Buckler servia a água. "Vivia dizendo para Hiram namorar uma menininha de família, mas ele só tinha olhos para aquele Leroy... E quando os dois se juntavam com a sua mãe, viravam um trio infernal." O tom era saudoso. "Como era engraçado... o dia em que eles foram executados, eu tomei um porre. Foi o último que tomei na vida."
"Meu pai foi um botão? Quer dizer, eu sabia que ele estava envolvido em atividades contra o governo, mas nunca ninguém me afirmou nada nesse sentido."
"Ele não foi um de nós. Poderia ter sido... não foi porque não era uma pessoa ponderada em suas próprias motivações." Rachel sorriu. Realmente Hiram não era uma pessoa que falava baixo ou guardava opiniões para si. "Os botões cuidavam dele à distância, sabe? Eu gostava muito dele e pedi para que meus colegas ficassem de olho nos três patetas quando eles se formaram na faculdade. Shelby já tinha tido você e depois fez um casamento assexuado com aqueles dois, sabe? Era assim que eu via a relação deles, pelo menos. Quando soube que ela tinha cruzado a fronteira e que você tinha ficado com Hiram e Leroy, bom, pensei que aqueles dois iriam precisar de um pouco mais de ajuda e eu fiz tudo que estava ao meu alcance. Mas eu também tenho a minha própria família, eu também tenho a minha própria vida."
"Eu entendo." Rachel forçou um sorriso simpático.
"De qualquer forma, feliz por você fazer parte do time, Rachel Berry. Estou um pouco por fora do que se passa nos círculos mais internos porque me aposentei dessa vida, sabe? Os botões também se aposentam..."
"Claro! O descanso é merecido."
"Não está com fome?" Senhora Buckler perguntou. "O almoço está quase à mesa. Teremos carne assada."
"Seria ótimo, mas ainda preciso ir a Bellefontaine."
"Então me deixe preparar uns sanduíches para você comer no caminho. Não demoro mais do que dez minutos."
Sem-jeito, Rachel concedeu.
"Mas só se a senhora me deixar ajudá-la!"
Sim, aqueles eram os avós que Rachel desejaria ter convivido. Enquanto ajudava a senhora Buckler a montar dois sanduíches fartos com alface, tomate, queijo (ela dispensou o presunto por ser judia) e pasta de azeitona, Louis contava histórias rápidas de Hiram. Coisas engraçadas do pai como os pequenos trotes que aplicava nos amigos e nos professores. Rachel saiu de lá com um pacote de sanduíches embalados em filme plástico e grata pelo presente inesperado. Quase se esqueceu de dar o recado amigável de John Parker. Abasteceu a moto e seguiu caminho pela rodovia número 68. O trajeto foi o mais longo. Percebeu que foi boa coisa resistir à tentação de ficar para almoçar. Bellefontaine era uma cidade maior de quase 14 mil habitantes. Fisicamente era muito mais agradável que as duas anteriores. Rachel tratou de fazer as entregas rapidamente até chegar à casa da senhora Margareth Piccadilly.
Era uma casa pequena pintada de verde pálido num tom claro e agradável. Tinha um andar e um mezanino como a fachada já denunciava. Havia um sofá na varanda e a garagem ficava no quintal, como uma boa parte das casas de Ohio. Nada incomum. Pelo aviso da colega botão ainda em Lima, Rachel esperava encontrar uma velha simpática que já fosse a esperar com uma lancheira em mãos. A Margareth Piccadilly real era outra história. Não era velha, mas a expressão e as marcas no rosto denunciavam uma vida difícil.
"O que quer aqui?" Rachel podia jurar que tinha uma espingarda ao lado da porta.
"Correspondência!" Estendeu o envelope com o botão fixado em fita adesiva.
A mulher pegou o que lhe era devido, agradeceu friamente e fechou a porta praticamente no rosto de Rachel, que ficou atônita. Depois balançou a cabeça em descrença. Deixar Piccadilly por último? Belo trote aplicado por Susan. Passou num mercadinho de conveniência para comprar um refrigerante. Ali mesmo, sentada num banco público, devorou os dois sanduíches preparados pela senhora Buckler. Se não fosse por aquele bendito lanche, teria de gastar mais um pouco do dinheiro que estava disposta em economizar. Enfrentou mais duas horas e meia de estrada de volta para casa num trajeto monótono feito na maior parte nas rodovias secundárias e precárias que usou para cortar caminho.
Era início da noite quando chegou em casa. Estava exausta. Ainda assim passou na sede para dar baixa em tudo que entregou. Uma pequena burocracia que existia só para se ter o mínimo de controle. Alguns colegas de círculo estavam por lá. Ayala com Reynolds sobre coisas que provavelmente interessariam Rachel, mas ela só pensava em deitar a cabeça no travesseiro. Seguiu para casa. Encontrou um bilhete de Quinn preso ao ímã da geladeira. Disse que havia saído com Brittany e que tinha comida na geladeira. Rachel não se fez de rogada e esquentou a porção no micro-ondas. Devorou a refeição. Tomou o merecido banho e despencou na cama.
...
"Berry!" Rachel acordou assustada com Quinn a sacudindo de leve.
"Que horas são?" Passou a mão no rosto.
"Nove horas."
"Da noite?" bocejou
"Da manhã! Quando cheguei em casa ontem, você já estava morta para o mundo!"
"Hummm."
"Tem café na garrafa térmica, fiz um pouco de torradas, e isso estava na nossa caixa de correspondência."
Quinn entregou um envelope lacrado identificando apenas o destinatário: Rachel Berry. Era perceptível um botão dentro, assim como um bilhete. Ela olhou para Quinn que parecia ansiosa. Demorou para a colega entender que a líder precisava de espaço.
"Por que eu não posso saber?" Quinn reclamou.
"Porque é um assunto particular e você ainda tem restrições de botão raso."
"Essa hierarquia é um saco."
"Eu passei anos reclamando da mesma coisa." Rachel sorriu com as lembranças das inúmeras vezes que implorava coisas para Santana e recebia incontáveis botões pretos. "Fecha a porta, por favor?"
"Você não tem senso de diversão, Berry." Saiu do quarto batendo a porta de leve.
Rachel abriu o envelope e não reconheceu de imediato de quem era aquele botão amarelo. Não era de ninguém dos dois círculos em que atuava. O bilhete estava codificado. Essa parte era fácil de resolver. Pegou um caderno e transcreveu a mensagem.
"Goldman estará no país na terça e permanecerá até o fim de semana. Vá até a capital na quinta-feira, entre em contato com Richard Brian na sede geral e diga que Pierce a mandou. Ele já vai estar à par do caso."
Rachel presumiu que o botão fosse do próprio parlamentar Pierce. O problema é que ela não tinha ideia onde era a sede geral em Detroit. Reynolds provavelmente sabia, mas ela só gostaria de procurá-lo em último caso.
"Quinn!" Saiu do quarto e encontrou a colega no próprio quarto lendo uma revista.
"O que foi?"
"Me empresta o computador?"
"Você vai me dizer do que o bilhete trata?"
"Não!" Rachel iniciou um jogo de olhares que era difícil ganhar da colega
"Ok" Cedeu.
Rachel pegou o HD de Santana e procurou por possíveis endereços de sedes. Havia 17 conhecidas na região e nas outras cidades principais, mas nenhuma catalogada da capital. Pensou em quem mais poderia ter o endereço da sede da capital que não fosse Reynolds ou o próprio senhor Pierce. Então lembrou-se de uma pessoa. Escondeu o HD, devolveu o computador de Quinn.
"Onde vai?" Quinn ficou curiosa ao ver Rachel se vestindo apressadamente.
"Visitar um conhecido."
"Assunto botão?" Quinn estava entediada.
"Sim... vou procurar voltar cedo."
"Ok..."
Pegou a moto e foi em direção à casa da pessoa que ajudou ela e Sam num desagradável encontro com agentes poucos meses atrás. Bateu à porta de George Peterson.
"Oi jovem..." Apertou os olhos como se quisesse lembrar. "Rachel Berry, certo?" Abriu um sorriso. "Como está aquele seu amigo?"
"Sam está ótimo, graças a deus."
"Que bom..." A olhou esperando saber a razão da jovem estar diante da porta dele.
"Senhor Peterson, eu não sei até onde vai o conhecimento do senhor em relação ao sistema dos círculos internos dos botões, mas eu realmente preciso de ajuda e não quero usar certos canais por razões particulares."
"O que procura?" A permitiu entrar. Rachel respirou fundo.
"O senhor sabe onde é a sede geral de capital?"
"O que quer com os velhos radicais?"
"Se eu te disser que a minha chance de ser feliz depende de saber este endereço."
"Eu vou te dizer para sentar aí no sofá e contar primeiro a sua história até onde pode revelar."
Rachel achou justa a proposta e contou a saga. No final da manhã, soube que tinha um novo aliado.
