Rachel estava nervosa para o jantar com os Lopez. Havia cinco minutos que ela estava parada em frente à porta ensaiando uma forma de dizer que ela e a filha fazem parte de uma sociedade secreta, a mesma que colocou Santana para fora do país por causa de um projeto especial que Rachel ainda não tinha noção do que se tratava. Por mais que Juan fosse um oposicionista e por mais que Marta não ligasse para política, eles iam surtar. Respirou fundo, colocou o sorriso teatral no rosto e tocou a campainha.
"Achei que não fosse nunca encostar o dedo nessa coisa." Juan sorriu para a convidada (quase) semanal assim que abriu a porta e deu espaço para que ela entrasse. Matreiro, ele tinha observado que Rachel havia chegado há mais tempo, mas preferiu observar a garota. "Sinal de que aconteceu alguma coisa..." Franziu a testa, preocupado.
"Eu posso falar depois do jantar?"
"Maribel fez um dos seus favoritos..."
Ela não podia fazer nada quanto a este pedido: estava morta de fome e foi pragmática. Caso entregasse a carta de Santana primeiro, ela poderia correr o risco de ficar sem a janta. A vida fora da casa dos Puckerman lhe ensinara muita coisa, inclusive a aproveitar todas as bocas livres que poderia. Mas brincadeiras (com fundo de verdade) à parte, Rachel frequentava a casa dos Lopez há muito tempo e sabia que se tratava de pessoas que podiam ter reações imprevisíveis. Por isso a cautela era necessária para que todas as informações pudessem ser entregues da maneira mais suave possível. Seguindo as leis da imprevisibilidade, o jantar foi silencioso apesar do ótimo cardápio.
"Agora você vai desembuchar?" Juan cobrou enquanto Rachel ajudava Maribel a retirar a mesa.
"O que está falando, homem?" A mulher resmungou brava.
"Bom..." Rachel colocou os pratos dentro da pia. "Maribel, você poderia sentar de novo à mesa?" A mulher começou a ficar nervosa com o jeito estranho da jovem, mas atendeu o pedido. Rachel apanhou a mochila e tirou a carta. Então voltou a sentar-se no lugar original, entregando o envelope para o casal.
Juan e Maribel analisaram o conteúdo. A mulher levou as mãos à boca. Pegou a carta e saiu da mesa, subindo as escadas em seguida. Juan permaneceu para cobrar explicações. Rachel achou melhor: era mais fácil lidar com ele.
"Você está querendo fazer uma brincadeira de mau gosto com a gente, menina?" Esbravejou. "O que é aquilo?"
"Você leu. Carta de Santana. A letra é dela!" Rachel procurou manter o controle das emoções.
"E por que ela manda uma carta por você e não diretamente da casa dela?"
"Isso eu posso responder se você tiver a paciência de ouvir uma breve história."
"Se você vai mesmo me dar uma boa explicação, sou todo ouvidos!" Sentou-se na poltrona e cruzou os braços a espera de uma boa justificativa.
"Lembra de quando o senhor me questionou sobre quem era Santana?" Juan acenou positivo. "E o senhor já ouviu falar dos maçons, certo? Eles são públicos e secretos ao mesmo tempo..."
"Sim, eu sei o que são os maçons..." Interrompeu. "O mundo inteiro sabe quem são, e a maçonaria é proibida neste país. E daí?"
"Bom..." Rachel suspirou. "Eu falei dos maçons porque eles são uma organização fechada. Só quem é um membro sabe realmente do que se trata..."
"Rachel, e daí? Isso não responde sobre a carta."
"O que estou tentando dizer é que assim como existem maçons, existem também inúmeras outras organizações fechadas. Algumas delas funcionam num sistema ainda mais fechado e operam abaixo do radar do governo. São organizações que têm muito dinheiro, uma agenda muito específica e membros poderosos estão infiltrados no governo."
"Isso é mais uma daquelas teorias da conspiração?" Juan começou a ficar irritado de verdade.
"O que eu quero dizer é que Santana e eu pertencemos a uma dessas sociedades secretas."
"O quê?" Juan deu um salto da poltrona. "Que absurdo é esse?"
Rachel arregalou os olhos e seu coração disparou. Mas ela procurou manter a calma: afinal, ela era um botão e precisava se portar da forma correta diante de situações como aquela.
"Se o senhor se acalmar..." Rachel procurou manter o tom de voz firme. "Eu vou poder explicar."
"Acalmar? Você chega na minha casa com uma carta da minha filha e justifica com uma piada!"
"Não é piada!" Rachel disse firme. "Não é piada, Juan. Não é piada! Por que você acha que o advogado pessoal do parlamentar Pierce presta assistência para pirralhos como eu? Como o senhor acha que Santana comprou a moto? Ou aquele dinheiro que entreguei a vocês? Pense em todas as coisas estranha e desculpas esfarrapadas que ela deu a vocês."
Juan ameaçou levantar-se e mostrar à garota quem era o adulto naquela casa e quem estava no comando. Mas, apesar de seu nervosismo, a parte racional dele falou mais alto. Vendo as coisas por outro ângulo, Santana sempre foi diferente. Passava pouco tempo em casa, nunca pediu dinheiro, tinha um refinamento no andar e no agir que destoava do resto da família. Mesmo contrariado, resmungou e deixou que Rachel prosseguisse com as explicações que ele tanto almejava.
"Senhor Lopez, saiba que o que vou revelar pode custar a vida de muita gente, inclusive a minha e da sua filha, caso o senhor não guarde a informação para si. O senhor entende essa parte?"
"Eu não direi nada a ninguém, Rachel. Eu só quero entender."
"Muito bem... como eu disse, nós fazemos parte de uma organização que funciona abaixo dos radares do governo. Não somos os terroristas que atacam os prédios públicos, como aparece na televisão, pode acreditar, mas é um grupo muito organizado e poderoso que trabalha dentro do próprio sistema no intuito de mudá-lo por dentro. Queremos a redemocratização e o fim do regime totalitarista."
"Ok... pelo menos fico aliviado que não são vocês que ficam soltando bombas por aí... apesar de eu não gostar nada desse uso de adolescentes..."
"Não só de adolescentes, senhor Lopez. É difícil explicar assim, mas vamos dizer que alguns de nós são convidados ainda no início da adolescência, em especial quando se identifica alguém com certos talentos, como Santana. Ela entrou nessa organização muito jovem, acho que com 12 ou 13 anos, e foi justo sua filha quem me convocou. Ela foi a minha superiora dentro da célula a qual pertencemos."
"Você seguia ordens de Santana?"
"Boa parte do tempo, sim."
"E por que ela realmente foi embora?"
"Tudo que sei é que Santana faz parte de um grupo de elite que está sendo treinado no Leste. Não sei para qual propósito. O que posso dizer é que nossa organização tem esquemas que identificam falhas no sistema do governo e trabalha em cima delas. Correspondência segura, como essa carta, é um desses serviços. Foi por meio dele que Santana pôde mandar notícias a vocês. É por isso que o senhor precisa manter segredo. Se o senhor ou Maribel começarem a fazer perguntas por aí, é provável que as notícias parem e que haja consequências."
"Isso é uma ameaça, garota?"
"Não... é só a realidade. Não somos terroristas e posso dizer que somos os mocinhos da história. Mas isso não quer dizer que existam pessoas lá dentro com a função de garantir que o segredo permaneça assim. Tenho certeza que o senhor entende a gravidade da situação e suas implicações."
"Talvez eu entenda." Juan passou a mão nos cabelos, levantou-se da poltrona e andou um pouco pela sala. "Como é que vocês foram se meter nisso?" Disse inconformado.
"Alguém tem que fazer alguma coisa e esse trabalho não é de um só."
"As viagens regulares que ela fazia... aquele dinheiro que você nos entregou... tudo isso tinha a ver com essa tal sociedade secreta, certo?" Rachel confirmou. "E a minha casa foi revistada por causa desta sociedade secreta?"
"Não senhor. O que contei sobre o caso foi verdade. Colegas da nossa escola nos denunciaram por participar da passeata. Não teve nada a ver com a Sociedade..."
"Ok, eu lembro..."
"Estou dizendo a verdade!"
"Eu acredito." Juan estava ficando mais calmo.
Maribel desceu as escadas em lágrimas, mas com um sorriso no rosto. Mostrou todo o conteúdo que estava no envelope ao marido e beijou-lhe a cabeça. Seja lá o que Santana estivesse escrito, fez um grande bem. Tinha uma foto dela em frente ao Monumento de Washington. Rachel deu uma olhada na imagem e a achou com boa aparência. O cabelo estava num comprimento menor, mas o resto? Era a velha San.
"Obrigada Rachel!" Maribel beijou a cabeça da menina enquanto Juan lia a carta. "Eu não sei como, mas obrigada por trazer este presente. Minha San está bem! Imagine? Ela está no Leste."
"A Casa Branca deve estar de pernas para o ar!" Rachel sorriu e observou Juan enquanto ainda lia a carta. Parecia que estava tentando conter as lágrimas. "Eu falei com o senhor Lopez e repito: vocês podem respondê-la se quiserem. Os mesmos meios que fizeram esta carta chegar até as suas mãos podem fazer o caminho inverso."
"Como? Através de você?"
"Por enquanto... sim."
"Precisa ser agora?"
"Não. Leve o tempo que for necessário, então ligue no meu celular que eu virei buscar a carta."
"Obrigada, Rachel, muito obrigada. Minha filha está bem e isso é tudo que me importa!"
"Acho que está na hora de ir... isso é, se o senhor Lopez não quiser saber de mais alguma coisa..."
"Não, Rachel!" O médico enxugou os olhos. "Eu te acompanho até o portão."
Juan, sentindo-se mais aliviado com a carta e com a reação da esposa, acompanhou a jovem até a moto que um dia foi de Santana.
"Obrigada pelo jantar e desculpe qualquer coisa."
"Acredite, Rachel, apesar de nossa conversa ter sido... diferente... agora, mais do que nunca, eu quero você aqui nesta casa para nossos jantares semanais."
Rachel acenou e sorriu, mas antes de colocar o capacete, franziu a testa. A conversa que tivera com Lester Goldman não saía de sua cabeça e ela precisava perguntar algo para Juan.
"Senhor Lopez... posso te fazer uma pergunta muito pessoal?" Disse com receio.
"Você pode perguntar, Rachel. Não quer dizer que poderei responder, já que é muito pessoal." Rachel deu um sorriso fraco ao médico: era justo.
"O senhor disse que conheceu os meus pais... Que falou com eles em uma ocasião ou duas... que foi bem casual."
"Sim, e daí?"
"Fico pensando... o senhor também chegou a conhecer a minha mãe biológica? Shelby Corcoran?"
"Shelby..." Juan encostou-se no portão e puxou pela memória. "Sim... eu me lembro dela. Era uma garota que se parecia muito contigo. Eu me lembro dela sim da época em que Maribel, eu as crianças morávamos próximos ao campus da universidade. Santana nem era nascida ainda... ou você."
"Então o senhor falou com ela?"
"Sim... por quê?"
"Nada não... só curiosidade."
...
O círculo todo voltou a se reunir por completo no dia seguinte por convocação de Rachel. Quinn achou engraçado receber o botão branco com bordas douradas, que identificava Rachel, para um evento oficial sendo que as duas moravam no mesmo teto e poderiam se comunicar naturalmente. De qualquer forma, assim mandava a tradição e era uma das mais charmosas dos botões.
"Vamos?" Rachel disse a botão raso.
"Depois de você."
Como Quinn não tinha o botão eletrônico, ela dividiu o elevador com a namorada para descer até a sede dos Botões: até mesmo alguém cínica e cética como ela, ficava admirada com o acesso, que era mais legal do que o que havia visto na capital. Ela se sentia como se estivesse dentro de um filme de espionagem. Quando a porta do elevador se abriu, ficou encantada por ter contato com aquele ambiente: adorou ver os livros banidos que a namorada lhe trazia, os discos proibidos, as correspondências que ficavam ali para que os botões buscassem e Rachel explicou a relação daquilo com o botão rosa. Aquela sede era fascinante para um botão raso de Lima. Rachel tinha uma ideia mais prática do lugar, um pouco nostálgica talvez pelo que passou a conhecer e entender das outras sedes. Até mesmo pela sede 2 de Lima em que estivera numa única ocasião. Era um mundo enorme cheio de ideias, ideologias, utopias e poderes. Aquela sede? Era um pontinho. Mas suficiente para botões como Kurt, Blaine, Sam, Brittany, Seban e, naquele momento, também passou a ser de Quinn, uma vez que ela estava com os dias contados no país: pensamento, aliás, que corroía o estômago de Rachel.
Porque também havia outras pessoas além daquele círculo, decidiram ocupar a sala de reuniões. Acomodaram-se entre as cadeiras e Rachel, na cabeceira da mesa, finalmente abriu o envelope, tirou a carta da líder original, e começou a ler em voz alta.
"Meu círculo primeiro,
Imagino que deva ter sido uma loucura por aí quando saí às presas do país. Acreditem que também não foi fácil ser forçada a sair de casa de uma hora para outra, a deixar o país num jato cheio de velhos e alguns jovens como eu que mal conhecia. De repente, depois de descobrir o que era um aeroporto de verdade, os Botões daqui nos colocaram numa van e nos dirigiram direto para um alojamento que ficava numa cidade gigantesca como é Washington.
No início foi confuso. Eu passei quase um mês morando no mesmo quartinho em que fui despejada sem saber direito qual seria o meu destino porque, como disse, fui tirada do país antes do tempo previsto e as coisas por aqui não estavam definidas ainda. Num dia me disseram que seria Filadélfia, noutro que eu iria para Boston, e chegaram a cogitar Nova York, o que me fez gargalhar. Imagine eu morando na cidade que Berry sempre sonhou? Ela ia ter um troço! Só sei que foi o natal e o ano novo mais assustadores da minha vida. Passei dias chorando sozinha antes de dormir com saudades da minha família e de vocês todos.
Por fim, foi determinado que eu deveria ficar mesmo em Washington. Fui apresentada ao meu "novo círculo". É o meu terceiro e seremos 20 no total.
Os botões alugaram para mim um apartamento pequeno em um bairro chamado Fairlawn e vou andando todos os dias para a minha nova escola, que fica próximo. É um mundo completamente diferente daí. Aqui sou invisível: não sou cheerio, não participo do coral. Não quero mesmo chamar atenção. Os professores não parecem toupeiras como os daí, preciso me esforçar muito mais para acompanhar as turmas pela manhã e fazer o meu treinamento. Pode parecer estranho, mas o meu líder de círculo quer que eu tenha a experiência da escola, que faça um ano ou dois na faculdade porque é preciso ter esse gosto e esse conhecimento para que as coisas também aconteçam aí.
Coisas engraçadas aconteceram nessa escola. Vocês não imaginam o choque que eu levei quando vi um casal de garotas andando pela escola de mãos dadas e depois este mesmo casal trocando beijos no pátio da escola. Comentei com um colega e ele fez pouco caso. Ainda disse que as garotas estavam juntas desde o ano passado, que ninguém ligava mais. Fiquei morrendo de inveja. Não pelo casal, mas pela liberdade que existe aqui e de que nós somos privados aí.
Uma vez eu cheguei a comentar que as festas da escola aconteciam ao meio dia quando o toque de recolher era ativado. Os garotos ficaram horrorizados e depois riram do absurdo. Eles não têm muito interesse em saber o se passa além das fronteiras, do que enfrentamos. Acham que nós somos um bando de caipiras religiosos e alienados que vivem sob um governo ditatorial totalitarista porque fomos coniventes. Porque não tivemos peito para enfrentar o premier. Sei que é ignorância pela falta de informação e não os culpo.
Não fiz muitas amizades na escola. Só o suficiente para não ficar tão sozinha. Meu líder faz visitas uma vez por semana e me leva para conhecer lugares legais da cidade. Ele diz que é bom aproveitar as férias agora porque logo iniciaremos o verdadeiro trabalho duro. No mais, gosto de ir até a sede Botão de Washington. Acreditem, é a mais incrível entre todas as outras que tive o prazer em visitar. Isso porque me disseram que a que fica em Boston é a maior e mais bonita entre todas. Então deve ser um espetáculo. Aqui não é preciso ter porões ou portas codificadas de pizzarias.
A sede é um andar inteiro de um prédio muito bonito. Eu tenho um novo botão eletrônico para passar pela catraca da portaria do saguão. Então me sento numa cadeira confortável e posso estudar em paz. Lá perto tem uma praça onde se pode ficar nos bancos e olhar o movimento sem preocupar se o guarda ao lado está de cara feia. No início, carregava todo ranço do nosso país e temia qualquer pessoa em uniforme oficial. Demorou um pouco para relaxar e entender que não era a mesma coisa.
Vocês devem pensar que fiquei acomodada aqui. Longe disso. O meu desejo de lutar pela liberdade só se tornou mais voraz. Não quero a cultura deles, a liberdade deles, os bens deles. Só quero que a gente reconquiste o que é nosso: nossa cultura, nossa liberdade, nossos bens e nossos direitos. Por isso, meu círculo, fique firme porque a nossa causa é justa.
Rachel, chegou aos meus ouvidos que você andou fazendo algum barulho. Fiquei orgulhosa e digo o seguinte: não esmoreça e seja paciente. Tenho certeza que a sua hora vai chegar e que você vai brilhar no palco que te merece. Matt, meu irmão mais velho, espero que esteja cuidando bem dos garotos. Sei o quanto é difícil administrar situações que fogem ao seu controle, mas confio na sua capacidade. Sei que Rachel está aí, atuando ao seu lado, para ajudar no que for preciso. Se ela não estiver, por favor, dê um cascudo na cabeça dela por mim.
Quanto aos demais, espero cooperação e dedicação. Não é porque estou longe que deixei de pertencer ao círculo. Eu só passei o bastão da liderança por razões óbvias. Independente do que aconteça, se vocês integrarão ou não outros grupos, o círculo original é o da família e da fraternidade primeira. Quer dizer que seremos irmãos e irmãs para sempre. Por isso vocês sempre serão a minha prioridade e vocês também precisam ser uns dos outros. Nunca se esqueçam disso.
Amo todos vocês,
Santana."
Rachel limpou a garganta e secou as lágrimas no rosto. Algumas pessoas estavam fazendo o mesmo, como Brittany, Kurt e Quinn. Os outros eram menos emotivos, mas estavam de cabeça baixa, como se refletissem sobre aquelas palavras que Rachel acabara de ler.
"Britt..." Rachel chamou a atenção e entregou uma segunda folha para a dançarina. "San escreveu esta outra carta só para você."
"Obrigada, Rach!" Ela pegou o papel e foi saiu da sala para ler com mais privacidade.
Rachel jogou por cima da mesa uma foto que Santana mandou. Ela estava sentada "casualmente" em frente ao JFK Memorial Center of Performing Arts. Era um recado subliminar particular?
Aos poucos, todos foram debandando. Kurt e Blaine correram para ocupar um quarto. Todos eles iriam dormir ali de qualquer maneira porque já havia sido acionado o toque de recolher. Rachel ficou por ali olhando a foto de Santana em frente ao lindo edifício.
"A gente dorme nesses quartos mesmo?" Quinn ainda estava com os olhos vermelhos, estranhando as acomodações em beliches dos quartos que mais pareciam cubículos.
"Sim. Quando não tem vaga por algum motivo, a gente se arruma naquele sofá lá da frente. Acho que eu, você e Britt podemos dividir um quarto."
"Não podemos fica sozinhas como Kurt e Blaine?"
"Blaine e Kurt já ocuparam um dos três quartinhos até porque aqui é um dos poucos lugares que eles podem namorar sem problemas, então... A não ser que você queria encarar o sofá... eu já dormi nele incontáveis vezes e não morri. Só tive dores nas costas."
"O colchão não parece ruim." Quinn sentou-se para testar mais uma vez a espuma.
"Com certeza é melhor do que o sofá."
"Ela... ela parece que está bem, não é mesmo?"
"É, parece sim."
"Acha que vão me mandar para Washington?"
"Você gostaria de ir para lá?"
"Eu não queria ir sem você."
"A gente vai se encontrar. Prometo."
Quinn e Rachel se beijaram rapidamente. As duas engatinharam até o outro lado da cama e procuraram se acomodar. Não pôde tão cedo. Brittany entrou no quarto chorando e atirou-se na cama para o susto tanto de Rachel quanto de Quinn.
"Ela terminou comigo!" Brittany disse com a cabeça enterrada entre os braços enquanto Quinn se apressava em consolá-la.
Rachel pegou o pedaço de papel amassado deixado pela amiga. Sabia que era uma invasão, mas que diabos, ela estava curiosa. Brittany entendeu corretamente: Santana estava terminando tudo com ela em uma das cartas de amor mais bonitas que já leu. Na prática, o relacionamento havia se rompido desde o dia em que Santana partiu para o exílio e, depois, quanto Brittany começou a sair com o professor da academia. A ex-líder não sabia das ações da ex-namorada, claro, então, preocupada, achou por bem deixar isso claro e dar reticências no relacionamento, como escreveu no texto. Explicou que cada uma deveria viver a vida sem amarras, mas se um dia elas se encontrarem e o destino colocar a mão sobre os ombros das duas, então quem sabe...
