Quinn estava farta de fazer as malas. Perdeu as contas de quantas vezes precisou juntar as roupas que tinha e se deslocar. Verdade que a cada vez era por uma razão distinta, mesmo assim a sensação de que havia ainda muitas etapas a cumprir antes que pudesse voltar a fechar os olhos e se sentir segura, em paz. Desta vez, a mala era pequena, feita apenas para alguns dias foras. Ela e Rachel estavam de viagem marcada junto com o coral para as finais da competição que aconteceriam na capital do país. Quinn pensava ser um milagre que o coral ainda existisse apesar dos diversos níveis de racha que existia entre os integrantes. Por vezes, a paixão pelas artes proferia pequenos milagres.

"Quinn!" Rachel gritou do quarto dela para a namorada. "Está pronta?"

"Quase lá!" Quinn gritou de volta do próprio quarto.

Fechou o zíper da pequena maleta e foi ao encontro da ex-rival. Rachel trancava a janela do quarto e sua bagagem se encontrava perfeitamente posta ao pé da cama.

"Ansiosa?" Quinn perguntou enquanto abraçava Rachel.

"Um pouco." Rachel beijou Quinn nos lábios e quebrou o abraço para pegar a bagagem. Quinn a acompanhou para fora do quarto e, depois do pequeno apartamento.

"Você já fez inúmeros solos antes, babe."

"Não é com a competição que estou ansiosa... é mais o que ela representa."

"O que ela representa?"

"O fim!"

Quinn balançou a cabeça e sorriu com a dramaticidade da namorada enquanto as duas esperavam o ônibus coletivo em direção à escola. Agora que ela tinha encontrado o amor, Quinn se recusava de ver aquilo como fim, mas como uma separação temporária. Seria uma etapa dolorosa, de fato. O fato é que ela entendeu que Rachel era alguém por quem valia esperar e era o que pretendia fazer.

Estava grata de que todos se formariam dali a duas semanas e tinha certeza que não se sentiria nostálgica sobre a escola tanto quanto Rachel. E como poderia? Logo Quinn que julgava que tinha mais recordações ruins do que boas, sendo que quase todas as boas eram referentes ao coral, quando simplesmente podia ficar no fundo cantando lálálá enquanto as divas Rachel, Mercedes e Santana brigavam por um solo. Bom, pelo menos da parte de Santana a briga era muito mais para provocar Rachel do que por vaidade.

Rachel, por sua vez, não tinha a mesma percepção de Quinn. Ela se relutava em cortar as esperanças da namorada, mas sentia que sua saída era complicada e talvez os planos que elas faziam não se concretizariam. Sobre a escola, para Rachel, os momentos bons foram mais relevantes que os ruins graças aos botões. Ela podia sorrir ao se lembrar de como se divertiu fingindo ser namorada de Kurt na maior parte do tempo, ou das vezes em que, quando ela e Puck eram amigos, podiam reunir a turma para ganhar alguns trocados servindo nas festas dos ricos da cidade. Ela conseguia achar graça nos ataques verbais falsos de Santana ou na paixonite boba que nutriu por Finn por tanto tempo. Foi uma época romântica por fim e que ela sentiria saudades.

Rachel e Quinn saltaram do ônibus e andaram até a escola. De longe podiam avistar o pequeno movimento no estacionamento em volta do ônibus de excussão que as levariam junto com o grupo até a capital.

"Seria mais rápido se eu pudesse ir de moto!" Rachel disse mais para si mesma do que para Quinn.

"Você se habituou demais em viajar sozinha naquela coisa... e agora anda armada. Já disse o quanto detesto isso?"

"Algumas vezes nas últimas semanas."

"Ótimo!"

Rachel ignorou Quinn ao ver Kurt, Sam e Brittany. Abraçou primeiro Brittany e depois Sam, ao passo que Quinn chegava lentamente em direção a Kurt para beijá-lo os lábios como uma boa beard. Ao longe, Finn, Puck e Artie observavam a interação do casal de namorados e dos amigos, mas ninguém mais se importava com qualquer cara feia que pudesse ser direcionada. Com todos reunidos, o grupo entrou no ônibus fretado pela escola rumo a capital.

...

O Nova Direções estava já posicionado no centro do palco. Artie era o mais à frente com Finn, Puck, Sam, Kurt e Mike logo atrás enquanto o resto das garotas preenchia o espaço mais atrás. A luz concentrou-se no cadeirante, que estava de cabeça baixa. Silêncio na plateia. O baterista fez a contagem. Música e vocal começaram de uma vez.

"You went to school to learn girl/ Things you never knew before"

E Finn respondia se esforçando para dançar e cantar ao mesmo tempo:

"Like I "before E" except after C?"

Artie retomava os vocais já com a plateia aplaudindo:

"And why 2 plus 2 makes 4/ Now, now, now/ I'm gonna teach you, teach you, teach you/ All about love girl, all about Love"

Finn respondia novamente.

"Sit yourself down, take a seat/ All you gotta do is repeat after me"

O coral entrava forte:

"A B C, It's easy as 1 2 3.As simple as do re mi, A B C, 1 2 3, Baby you and me girl"

O grupo evoluiu junto com a canção dos Jackson Five até o momento que a música fazia a transição para o primeiro medley. Brittany, Quinn e Mercedes formaram um trio no canto do palco, como eram comuns no velho esquema da Motown. Tina, Rachel e Lauren ficaram no outro lado também como um velho trio de vozes femininas. Quinn, surpreendentemente, liderou os vocais de "You Keep Me Hangin On", canção que tanto amava. Outra rapidíssima transição, sem mudar o tempo, e Rachel entoava "Where Did Your Love Go?", as duas canções sucessos da Supremes.

"Baby, baby, baby don't leave me/ oh, please don't leave me all by myself/ i've got this burning, burning yearning feeling inside me/ oh, deep inside me and it hurts sob bad"

E vinha uma última transição. Os garotos retomavam à frente formando pares com as garotas. Kurt com Quinn, Puck com Lauren, Artie com Mercedes, Mike com Brittany, Tina com Finn e Sam pegou Rachel pela cintura. Ele começou a cantar para ela, liderando a última parte. De volta a Jackson Five.

"Oh baby give me one more chance (show you that I love you)/ Won't you please let me(back in your heart)/ Oh darlin' I was blind to let you go (let you go baby)/ But now since I see you in his arms (I want you back)/ Yes I do now (I want you back)/ Ooh ooh baby (I want you back) Ya ya ya ya (I want you back)"

Foi uma sensação. O público aplaudiu de pé e o coral foi o primeiro grupo ovacionado. Os integrantes saíram do palco eufóricos e nem pareciam formar uma equipe fracionada. Até Sam e Puck, apesar de todas as diferenças, se cumprimentaram. Finn deu um abraço carinhoso tanto em Rachel quanto em Quinn. Brittany deu um beijo no rosto de Artie e os ex-namorados Mike e Tina também se abraçaram. Havia apenas mais uma equipe para se apresentar antes do júri se recolher e publicar as equipes classificadas para a superfinal, como estava sendo chamada a apresentação dos finalistas para o dia seguinte.

"Foi uma apresentação formidável da equipe toda." Rachel surpreendeu-se no saguão do teatro com a presença de Thomaz, o líder do círculo que ela e Quinn conheceram na última visita à capital. Todos os integrantes estavam ali para prestigiarem a colega e os outros que nem conheciam. Mas eram botões.

"Por deus, não acredito que vocês vieram." Cumprimentou Thomaz e os outros.

Rachel aproveitou e chamou Quinn, Sam, Kurt e Brittany. Um encontro de dois círculos de cidades diferentes era algo para ser comemorado.

"Vocês são do círculo daqui?" Sam perguntou excitado em conhecer novos botões.

"Vocês estão completos?" Perguntou uma das garotas da capital.

"Infelizmente, não." Respondeu Kurt. "Três dos nossos ficaram em Lima e nossa líder original está no exílio."

"Exílio não." Rachel corrigiu. "Santana foi para o Leste numa missão de treinamento."

"Ouvi falar alguma coisa desse grupo. Parece ser coisa grande." Outro observou com certa animação. Ele se lembrava vagamente de Rachel ter contado na primeira vez em que se encontraram.

"Foi... inesperado para nós." Sam desconversou.

"Nós vamos sair para um bar daqui a pouco... se quiserem, porque não vêm conosco? O centro está sem toque de recolher e é sempre legal círculos conversarem."

"Bom..." Rachel pensou rapidamente. "Nós vamos ficar pelo menos até soubermos do resultado. Eu tenho o seu telefone e a gente se encontra." Kurt a cutucou e ela olhou para trás. Viu que o garoto tinha olhar suplicante. Aliás, todos pareciam com vontade de ir.

"De qualquer forma, tem um bar legal chamado Sweetwater Tavern que fica no centro, mais próximo à orla. O dono é um botão, sabe? A gente gosta de beber algumas ali e vislumbrar o quanto a liberdade está tão perto e tão distante ao mesmo tempo."

"Ok..." Rachel cumprimentou Thomaz mais uma vez. "A gente vi aparecer por lá tão logo acabar nossa obrigação aqui. Obrigada mesmo por terem nos apoiado!"

Os botões interinamente liderados por Rachel reuniram-se com os outros integrantes do coral e, ao que parecia, o simples ato de conversar com outras pessoas fez retornar a tensão. Perguntas de quem eram aquelas pessoas, o que queriam saiam da boca dos outros como interrogatórios policiais. Como se não fosse também permitido conhecer outras pessoas. Rachel e os demais lamentaram a falta de um pouco de maturidade. Por outro lado, só de implicância, ela iria confraternizar com o outro círculo.

Quinze minutos depois, cartazes com os finalistas foram anexados em diferentes pontos do teatro. O Nova Direções conseguiu classificar-se em segundo lugar. A comemoração foi mais fria do que a saída do palco.

"Vamos dar o fora daqui!" Kurt puxou Rachel e Quinn. "Sério, precisamos ir àquele bar!"

"Mas o senhor Schuester disse que todos vamos direto para o hotel..." Quinn ficou desanimada.

"Sim, nós vamos direto para o hotel depois do bar! Qual é gente? Todos nós somos maiores de 18, a Britt tem 19, e não temos que dar a menor satisfação para ele mais. E eu nunca conversei com outros círculos jovens antes. A gente fica restrito àquela velharia de Lima..."

"Uma horinha." Rachel disse firme. "A gente vai ao bar, toma uma cerveja e volta. Temos competição amanhã, Kurt. É um título em jogo."

Ele ia pular batendo palmas, mas lembrou-se do ambiente público e que deveria se controlar. Em vez disso, puxou Quinn pela cintura e a beijou nos lábios, mesmo sabendo que Rachel odiava testemunhar esse tipo de cena. Mercedes, próxima dali, brincou com os amigos, aprovando a "intimidade".

Escapar dos outros foi fácil. Enquanto os demais integrantes atravessavam a rua para chegar até o hotel onde boa parte dos grupos estava hospedada. Os cinco botões, sorrateiros, se dividiram em dois táxis e fizeram uma viagem curta da elegante Opera House para o pé-sujo Sweetwater. A característica sem luxo agradou ainda mais o grupo, que se sentiu bem em meio a pessoas ou tão jovens como eles ou um pouco mais velhas. O círculo de Thomaz estava numa mesa de canto. Era um bom lugar por causa da janela e pela boa visão que tinham do espaço interno. Os cinco botões de Lima trataram de abrir espaços e se enturmarem. E os assuntos mais diversos começaram a povoar a mesa.

"Vocês estão brincando? Os primeiros círculos são os mais promíscuos, nunca reparou?" Thomaz gargalhava. "Eu já namorei Alice." Referiu-se a garota ruiva sentada no colo de um garoto de cabelos negros enrolados. "E a ela, por sua vez, está com o Bill agora."

"Não antes de nós dois sairmos na porrada uma vez!" Bill franziu a testa. A confusão aconteceu três meses atrás e ainda não tinha sido totalmente superada.

"Enfim, Carl e Joyce também namoram e Alanis é beard para o Paul."

"Do nosso lado." Kurt estava empolgadíssimo com a interação. Era a primeira vez que ele conversava com outro círculo jovem, como o dele. "Rachel é a minha ex-beard. Quinn é minha atual. Eu já beijei Britt uma vez. Rachel e Quinn namoram, como vêem." Rachel estava sentada no colo de Quinn enquanto comia batata frita e bebia uma cerveja. "Santana namorou Britt e foi beard de Blaine, que é o meu namorado. Não lembro se teve algo mais..."

"Eu também beijei Rachel uma vez e sei que Matt era apaixonado por Santana!" Brittany bebeu a tequila. "O único santo o nosso círculo é Seban, mas eu posso mudar isso rapidinho."

"E... como vêem, Britt já bebeu demais!" Rachel franziu a testa.

"Vocês venceram!" Thomaz levantou as mãos. "Vocês são os mestres em relações intra-círculo!" Ele terminou de beber a cerveja dele e deixou dinheiro em cima da mesa. "Se vocês me dão licença, amanhã cedo eu tenho que ir para a faculdade, ao contrário desses outros vagabundos." Deu um tapa de leve na cabeça de um companheiro. "Botões de Lima, foi um prazer sem-igual. E Rachel Berry, de líder para líder, você está fazendo um grande trabalho!"

"Eu herdei um bom trabalho..." Levantou-se do colo da namorada e abraçou o botão da capital. "Manteremos contato."

O papo continuou e na medida em que os garotos eram mais levados pelo álcool, mais discutiam política.

"Por que tão longe tão perto?" Bill balançou a cabeça. "Porque o civil sem autorização que chega perto da margem do canal é preso ou é morto. Se consegue passar pelos agentes, tem as lanchas da guarda costeira que mata quem entrar na água. Se o sujeito passar da metade do canal, aí a água é canadense e o cara pode ser morto pela guarda deles que também mata porque o Canadá tem vigilância redobrada em toda extensão da fronteira com nosso país. E se o cara tiver a sorte de sair vivo de tudo isso e viver no grande país branco do norte, tem de se esconder direito porque a deportação é expressa. E quem é devolvido é morto pelo nosso governo. Só os caras mais famosos é que ficam presos, entende? Porque pegaria mal se fossem executados. Por isso é tão perto e tão longe."

Neste meio tempo, o dono do bar chegou até a mesa.

"Não é que eu não goste de ter vocês aqui, mas vocês estão começando a falar alto demais." O senhor de meia idade, que era o botão dono do bar, advertiu. "Tem camisas marrons ali no outro canto e eles começaram a olhar na direção de vocês aqui. Hora de ir para casa, ok? Eu já chamei os táxis."

O grupo juntou um monte de notas e colocou na mão do dono do bar. Nem sabiam quanto deviam ou que aquela quantidade de dinheiro não chegava nem perto da conta real. O dono do bar não se importou. Só queria os colegas botões longe dali antes que chamassem de vez a atenção dos camisas vermelhas. Botões tinham que cuidar de botões. Uma vez de pé começaram a trocar telefones a caminho dos táxis. Britt era a pior do lado de Lima. Precisou sair amparada por Sam. Kurt estava alegre e Quinn, a mais sóbria do grupo, fazia o melhor para conter os trejeitos do falso namorado. Rachel olhava para a namorada com um sorriso no rosto. Só pensava em ter uma noite de sexo com Quinn. Como ela ia conseguir era outra história. Isso se chegasse perto.

Chegaram ao hotel no início da madrugada e encontraram Schuester, Puck e Finn no saguão como se fossem da polícia.

"Seus irresponsáveis! Como podem ter saído para beber?" O professor bronqueou com toda razão. Apenas Quinn estava bem suficiente para discutir com racionalidade. Então ela tomou a frente do grupo antes de dar a chance de Rachel abrir a boca.

"Somos maiores de 18, Schuester. Legalmente, o senhor não tem o menor direito de nos cobrar nada. E como não cometemos violação pública, também não tem o direito de nos repreender."

"Só que da última vez que vocês responsáveis saíram, foram para uma passeata e quase estragaram tudo!" Finn apontou o dedo para a ex-namorada.

"A gente só foi se divertir, ok? Quem pode nos culpar em querer aproveitar um segundo de liberdade e se furtar da boa sensação que é não precisar sair das ruas as dez da noite?" Quinn contra-argumentou. "Vocês podem se sentir bem domesticados com este confinamento, mas há pessoas que ainda tem mais amor próprio. Agora se vocês não vão nos prender por sermos apenas adolescentes normais, dá para sair da frente?" Ela pegou Brittany e mandou que Rachel a seguisse. Quinn parecia uma leoa defendendo as crias naquele instante. Botões protegiam botões.

Por causa do preço do hotel, só foram alugados três quartos: dois masculinos e um feminino. Incomodar Tina, Mercedes e Lauren foi a parte chata da noite. Nada que não fosse contornável ou superável pelas meninas. O pior que aconteceu foi um sono atrapalhado por alguns minutos e nada mais. Até mesmo a frustração sexual de Rachel passou logo após que a água do chuveiro bateu contra a pele do corpo baixou e ela resolveu o problema sozinha. A adrenalina baixou em definitivo e a cabeça no travesseiro fez com que o sono chegasse rápido.

...

"Acorda!"

Rachel abriu os olhos devagar. A ressaca não era grande. Nada que uma aspirina não resolvesse. Resmungou e cobriu o rosto com o cobertor.

"Anda meu bem." A voz era insistente. "Já são meio dia e a gente tem que estar prontos até as três da tarde."

Rachel arregalou os olhos. Pelo bom deus, meio dia? Tirou a coberta do rosto e viu Mercedes sorrindo com todos os dentes brancos que tinha. Eram muitos.

"Isso, garota! Até Brittany está de pé. Aliás, ela está miserável, ainda bem que não vai fazer solos hoje!"

Imediatamente Rachel sentiu-se culpada por não ter controlado os outros e nem a si mesma. Aliás, pelo que ela se lembrava da noite anterior, Quinn foi a única capaz de conduzir uma conversa divertida quase sem beber. Ficou grata pela namorada intuitivamente ter decidido ser o amigo sóbrio da rodada.

"Vamos almoçar num restaurante aqui perto daqui a meia hora... ah, Quinn mandou você pegar uma aspirina no meio das coisas dela."

"Obrigada."

Rachel sabia onde a namorada colocava medicamentos. Foi até a pequena bolsa que ficava na lateral da sacola de viagem e pegou um comprimido. Guardou onde encontrou. Pegou roupas e tudo que precisava para se higienizar. Queria tomar um banho para despertar, mas seria incapaz de fazer tudo em meia hora pela lerdeza em que se encontrava. Não queria dar mais motivos para que a tensão no grupo voltasse com força total. Tomou a aspirina, vestiu-se, escovou os dentes, penteou o cabelo.

"Berry!" Ouviu Quinn bater à porta.

"Já estou saindo!" E murmurou para si mesma. "Caramba, dá um tempo..."

"Rachel... acabou de passar uma notícia na televisão..." O coração da líder saltou e abriu a porta do banheiro num segundo.

"Foi algo em Lima? Ai meus deus, caiu alguma bomba no Leste?"

"Disseram que houve um confronto na universidade hoje de manhã, que alguns alunos atacaram os agentes que estavam tentando fazer a segurança." Rachel balançou a cabeça procurando encontrar a conexão. Era trágico e ela tinha toda a simpatia pelos estudantes, mas o que aquilo tinha a ver com eles? Reconhecendo a confusão, Quinn elaborou melhor. "Eu ainda não sei dos detalhes e Kurt está tentando conseguir informações melhores com os contatos que a gente trocou ontem, mas até onde a gente sabe, Thomaz está morto."

Bum!

Por uma hora, Rachel esteve pendurada no telefone num trabalho de quebra-cabeças. Enquanto ficou confinada no quarto se alimentou apenas de um sanduíche e um copo de suco de laranja que Kurt providenciou. Seria muito mais simples se ela simplesmente fosse à base da capital parcialmente disfarçada de firma de advogados. Mas ela não podia sair de perto do coral ou levantaria suspeitas, além de irritar ainda mais o outro grupo. Outra razão é que não daria tempo de ela ir até lá, descobrir toda a história e voltar para as competições, que até onde ouvira, estavam de pé.

A versão apresentada pela televisão estritamente controlada pelo Governo disse que um grupo de estudantes começou a fazer um quebra-quebra dentro do prédio da Faculdade de Administração da Universidade de Wayne. Era onde Thomaz estudava. Ele pensava em se graduar em Administração antes de entrar para a Faculdade de Direito. Os agentes chegaram para dissipar o protesto, mas os alunos reagiram violentamente. Os agentes tentaram ainda conter os ânimos dos universitários pacificamente, mas foi impossível porque alguns dos alunos aturavam pedras, tijolos e todos os objetos que encontravam. Seis agentes e 11 alunos ficaram feridos, três alunos morreram no hospital devido aos ferimentos e 21 foram presos. A Universidade de Wayne emitiu uma nota oficial lamentando profundamente a morte dos alunos e todos os eventos trágicos que aconteceram naquela manhã. Ressaltou, no entanto, que o protesto foi um ato isolado e que vai iniciar uma campanha para que todas as reivindicações e reclamações dos alunos possam ser feitas de maneira organizada. Disse ainda que a Universidade de Wayne é uma instituição democrática e de excelência, considerada umas das cinco melhores de Ohio. E que ela não terá o seu nome manchado devido a ação de alguns poucos alunos que agiram irracionalmente porque não concordavam com o sistema de ouvidoria da Instituição.

A versão apurada por Rachel foi de que realmente houve um panelaço com a presença de quase 300 alunos em frente ao prédio da Administração que aconteceu porque os alunos estavam insatisfeitos com o diretor daquela faculdade. Os agentes chegaram para acabar com o protesto, mas não de uma maneira pacífica como foi divulgado. Chegaram truculentos, distribuindo bordoadas. Os alunos reagiram e confrontaram os policiais. Ninguém conseguiu confirmar se existiam alunos armados, mas a impressão era que não. E o que Thomaz teve com a história? Ele foi para a faculdade fazer uma prova, aconteceu o panelaço e os alunos estavam sendo retirados de sala de aula. A multidão não deixaria que teste algum fosse realizado naquele dia. Sem o que fazer, Thomaz desceu as escadarias junto com os demais. Segundo um colega, ele ia embora, simplesmente. Não estava disposto a participar dos protestos. Nas entrelinhas, aquela era uma recomendação dos botões. Os líderes dos círculos devem evitar eventos daquela natureza que não tenham sido articuladas pela organização. Mas a massa de estudantes foi surpreendida pela presença dos agentes dentro do saguão do prédio já a espera. O confronto foi violento desde o encontro. Thomaz morreu porque foi encurralado por dois agentes e foi espancado, levando vários golpes na cabeça no processo.

Quando Rachel contou o que conseguiu apurar aos demais botões, houve um silêncio profundo no canto reservado em que estavam. Era inacreditável que aquele jovem bonito que foi prestigiá-los na noite anterior, que bebeu com eles, no outro dia estava morto de graça, por causa de uma estupidez, e ainda ficou com fama de agitador marginal.

"Eu tenho um botão roxo." Rachel mostrou aos demais. "Nunca pensei que fosse usá-lo, mas... se vocês não tiverem, tudo bem, posso enviar o meu em nome de todos nós."

O botão roxo significava condolências.

"Quando vai fazer isso?" Quinn perguntou.

"Depois das finais, eu vou até a sede da capital. Então deixarei o meu botão lá em respeito ao círculo de Thomaz."

Kurt suspirou e procurou em sua carteira o saquinho em que depositava seus botões. Havia um roxo, assim como todas as outras cores usadas como códigos. Ele estendeu a mão e entregou o dele a Rachel. Não conhecia Thomaz, a não ser no breve encontro regrado a muita cerveja no bar, mas o fez em respeito também a Rachel, que conheceu o outro líder na ocasião em que esteve na capital e que, depois, manteve contato. Sam foi o próximo a entregar um botão roxo, seguido de Brittany e de uma hesitante Quinn, que ainda se atrapalhava com cores e códigos.

"Obrigada... Bom, vamos ao trabalho... temos uma competição agora."

Os cinco botões estavam tristes e aquela competição pareceu desimportante àquela altura: uma melancolia que foi interpretada pelos demais como ressaca. Os botões nem podiam irritar-se com as insinuações. Os outros não entendiam e nem poderiam entender. Para os demais, a verdade dos fatos estabelecidos pela imprensa oficial era a verdade, e os policiais fizeram mais que a obrigação em prender (e até matar) alguns arruaceiros que não fariam diferença alguma para a sociedade. Isso era o que boa parte da população pensava, mas não os botões. Eles concordavam com algumas correntes de que o problema não é um ou alguns indivíduos: era todo um processo de luta e construção entre poderes na qual um sobressaía devido a um sem número de fatores.

Nada se resolve matando o presidente, o estudante ou o vagabundo bandido. É por isso que os botões tentavam implodir o sistema de dentro do próprio sistema, usando suas próprias regras, e dali mesmo fazer um processo de desconstrução do velho para a construção de um novo pensamento mais social e democrático. Por isso o processo botão era mais lento e trabalhoso. Mas qual seria a alternativa mais rápida? Pegar em armas, assassinar pessoas e impor uma ideologia pela força e coerção. Para os botões, isso não era uma alternativa.

"Você parece angustiada." Finn se aproximou de Rachel.

"Eu fiquei muito triste com a notícia que um aluno da universidade morreu hoje. Você sabe, nós também seremos universitários em alguns meses."

"Se eu fosse você eu não ligaria tanto assim." Ele disse com a casualidade que lhe era característica. "Aposto que era só um vagabundo encrenqueiro. As vezes acho que nossos agentes são bonzinhos demais com esses marginais."

"Como você pode pensar assim, Finn?"

"Quem não deve, não teme. Só tem problemas com a polícia quem estar afim de confusão."

"É realmente o que você acha?"

"Bandido bom é bandido morto."

Rachel ficou desconcertada. Não foram palavras do raivoso Puck ou do amedrontado Mike. Aquilo saiu da boca de Finn Hudson. Apesar de tudo, era o cara ingênuo de bom coração que Rachel foi apaixonada por tanto tempo. Aonde aquele cara bem-intencionado foi parar? O que estava acontecendo com as pessoas e com aquele mundo? Será que os frutos de anos de repreensão do governo eram aquilo? Uma população bovina e não-pensante? Ainda havia esperança para aquela nação que se habituou a simplesmente aceitar?

O Novas Direções foi chamado ao palco. A primeira parte do show seria à capela. Ao som de estalos dos dedos, Rachel deveria cantar "My Girl" e depois o coral, coletivamente, faria um novo arranjo para "It's The Same Old Song". A luz focou em Rachel, em frente do palco. Ela não enxergava a plateia. O ambiente estava escuro. Tudo que ela sabia naquele momento é que não conseguiria cantar uma canção de amor, por melhor que fosse. Fechou os olhos, e respirou fundo. Ouviu os estalos dos dedos da equipe. Então começou a cantar com suavidade.

"Mother, mother/ There's too many of you crying/ Brother, brother, brother/ There's far too many of you dying/ You know we've got to find a way/ To bring some lovin' here today – Ya"

Parte do Novas Direções parou de estalar os dedos surpresos com a súbita mudança. Da plateia, aplausos de algumas pessoas que logo identificaram a canção. Rachel continuou a cantar à capela.

"Father, father/ We don't need to escalate/ You see, war is not the answer/ For only love can conquer hate/ You know we've got to find a way/ To bring some lovin' here today"

Os diretores do evento começaram a se agitar porque aquela não era só uma música não programada. Aquela canção não podia ter veiculação pública. Dentro do coral, apenas Kurt conhecia a canção proibida, além de Schuester. Sam, Quinn, Brittany e Kurt deram três passos para frente para ajudar nas vocalizações. E todos os botões mantiveram os estalos firmes.

"Picket lines and picket signs/ don't punish me with brutality/ talk to me, so you can see/ oh, what's going on."

Os diretores continuavam uma brutal discussão a respeito da apresentação e gesticulavam com veemência enquanto Rachel cantava lindamente com o apoio dos poucos amigos.

"Mother, mother, everybody thinks we're wrong/ oh, but Who are they to judge us/ simply because our hair is long/ oh, you know we're got to find a way/ to bring some understanding here today/ Picket lines and picket signs/ don't punish me with brutality/ talk to me, so you can see/ oh, what's going on."

As luzes se acenderam e a plateia estava dividida. Parte aplaudia de pé com entusiasmo. Gritavam palavras bonitas. Havia aqueles que cerravam os punhos e davam socos no ar. Eram os inconformados com a situação que tiveram um momento de insatisfação pública por tudo que viviam. A outra parte da plateia estava em silêncio. Ou por medo ou por ser pró-governo. Tanto fazia. A banda começou a tocar e o coral fez a última performance com a música programada. Nos bastidores, professor Schuester foi chamado para dar explicações e se ausentou da lateral do palco. Neste meio tempo, pessoas que estavam nos camarotes também se levantaram. O Nova Direções fez uma apresentação correta e saiu do palco sob aplausos tensos.

"O que foi aquilo?" Artie esbravejou para Rachel. "Por que você trocou de canção?"

"Porque foi preciso, não vê? Um aluno foi morto hoje, um cara que eu conheci, e as pessoas aplaudem truculência porque é o que marginais merecem, segundo dizem." Encarou Finn com raiva. "Isto está errado!"

"Mas nós vamos ser desclassificados por sua culpa!" Artie gritou.

"Rach." Sam puxou a amiga já se preparando para protegê-la o que fosse. "Acho melhor a gente dar o fora daqui." Falou ao pé do ouvido dela. Ele sabia que aquele era o tempo em que uma pessoa podia ser presa só por cantar uma música.

"Aonde vão?" Finn tentou segui-los, até que Quinn e Brittany se meteram no caminho.

"Deixa eles em paz, ok?" Brittany esbravejou.

"Sai da minha frente!" Finn as empurrou as duas garotas. Kurt respondeu a agressão com outro empurrão. Ele era muito menor e mais franzino que o irmão, mas ele era um botão. A briga foi generalizada e participantes dos outros corais tiveram de apartar. Enquanto isso, Sam e Rachel correram dali. O jovem estava apavorado e queria proteger não apenas a líder, mas principalmente a melhor amiga a qualquer custo. Ele queria sair do teatro, mas Rachel foi até os camarins da equipe primeiro pra pegar a pequena bolsa.

"A gente tem que ir embora..." Sam disse apavorado.

"Minha arma está aqui dentro. E meus botões." Não precisava de mais explicações. Os camarins davam acesso ao portão dos fundos. Sam e Rachel passaram por eles aproveitando a ignorância dos guardas que ainda não sabiam de nada. A porta lateral aberta ficava em frente a uma praça. Eles abriram a grade e ficaram em dúvidas para onde correr. Eles não tinham o mesmo instinto de fuga de Santana. Era início de noite e ainda havia bom movimento no centro. Correr poderia chamar a atenção, sobretudo por causa do vestido rosa de Rachel. Sam estava com um terno preto.

"Rachel Berry!" Um homem gritou da calçada. "Preciso falar contigo."

O jovem casal entrou em pânico e decidiram correr em direção à pequena praça.

"Pra onde a gente vai?" Ela estava sem fôlego e Sam estava perdido. Ele só queria garantir a segurança de Rachel.

O homem continuava atrás e o salto alto não ajudava no escape. Ela virou o pé ao pisar no gramado, o homem alcançou o casal. Sam o atacou. Deu um soco no rosto do cara na esperança de dar tempo da amiga correr. Mas ela não corria. E ele foi imobilizado.

"Solta ele." Rachel estava com a mão dentro da bolsa com o fundo apontado para o estranho. "Solta ele ou eu atiro!"

"Vai jogar uma bolsa em mim?" O homem olhou para os lados e percebeu que estavam chamando atenção. Não era bom para ninguém.

"Tem uma pistola dentro dessa bolsa, agora se você acredita ou não, é problema seu!"

"Escuta aqui mocinha, abaixa isso que a gente precisa sair daqui urgente, ok? Lester Goldman estava na plateia hoje... Bom, ele te chamou de criança estúpida quando você cantou a música e me mandou ficar em alerta." Rachel baixou a bolsa e o homem soltou Sam da imobilização. "Ótimo! Vejo que você ainda consegue pensar um pouco." Olhou para trás e viu que havia uma movimentação diferente em direção ao Opera House. As pessoas olhavam espantadas e havia dois agentes que se aproximavam curiosos. "Tira o sapato!" Ordenou. Rachel obedeceu e ficou só com a meia calça. "Venham!" Sam pegou a mão da amiga e seguiu o homem. "Precisamos de multidão... lamentável que não tenha jogo agora..." Se referia ao gigantesco estádio de futebol perto dali.

"Vocês... parem!" Um agente gritou.

Mas a ordem fez com que o trio apertasse o passo. Rachel estava com o sangue tão quente que nem sentia a dor no pé. Correram, mas não havia multidão e o vestido era um sinalizador.

"Eu vou cuidar desses caras e vocês se escondam entre os carros daquele estacionamento. E vê se dá um jeito de disfarçar a droga deste vestido!"

Os dois jovens obedeceram. O homem ficou para trás e ia lidar com os agentes que àquela altura já reportavam a anomalia. Não olharam para trás. Sam entrou agachado junto com Rachel entre os carros. Ele tirou o paletó do terno e a mandou vestir. Rachel retirou a faixa do cabelo. Mas ainda tinha a saia rosa do vestido. Era impossível arrancar aquilo às pressas.

"E se a gente arrumar um carro..." Sam queria tentar alguma coisa, qualquer coisa.

"Vamos para onde?"

"Para qualquer lugar longe daqui." Eles foram andando curvados na busca de um carro velho. Era do tipo em que Sam conseguia arrombar e fazer ligação direta.

Escolheram um velho Cadillac e Sam já procurava alguma coisa para quebrar o vidro.

"O que estão fazendo?" O homem reapareceu. Parecia ferido. "Vão arrombar um carro velho só para sermos alcançados até a esquina?" Com uma destreza de impressionar os dois adolescentes, o homem arrombou um carro melhor e sem fazer barulho.

"Preciso aprender esse truque!" Sam ficou impressionado.

"Você está sangrando!" Rachel arregalou os olhos enquanto se ajeitava no banco de trás.

"Não foi nada... só pegou de raspão." Ligou o carro e, em vez de sair arrancando o veículo, andou calmamente para evitar chamar atenção. Dessa forma, conseguiu desviar da barreira que se formava e guiou o carro para fora do centro da cidade.

"Para onde estamos indo?" Rachel perguntou ainda abaixada.

"Vocês arruinaram os meus planos e agora tenho de improvisar, ok?"

Uma patrulha resolveu dar ordem de parada, o que fez o capanga de Goldman acelerar o carro e a começar uma direção evasiva, com intuito de despistar a patrulha. Bateu em um carro, fez viradas bruscas e, no momento em que pensou ter despistado a polícia, parou bruscamente o carro e o abandonou no meio da via. Os três correram em direção a outra rua, onde tiveram acesso a alguns outros carros estacionados ao longo da via. O homem apontou para um carro de cor diferente ao roubado anteriormente e o arrombou novamente com máxima eficiência. Os três pularam para dentro e conseguiram seguir sem maiores problemas para fora do centro da cidade, que, àquela altura, estava confuso e perigoso.

"Goldman vai te matar!" O capanga esbravejou.

"Você precisa de um hospital." Sam estava preocupado com o sangramento.

"Eu terei um em breve se vocês calarem a boca e me deixarem concentrar."

"Nós vamos para a sede dos botões?" Rachel perguntou.

"Do que está falando, garota? Nós vamos para um lugar muito mais seguro."

Entraram na periferia da cidade, numa área da capital em que era sabido preponderar disputas de facções de traficantes e contrabandistas. Era um lugar de prostituição, de drogados, e gente miserável: um lixo da civilização em que até mesmo agentes de um regime totalitarista tinham receio de entrar: então era melhor fazer vistas grossas, até mesmo porque muitos políticos recebiam suas frações para manter aquele submundo exatamente como estava.

O capanga parou o carro num beco que dava para os fundos de um bar de stripers. Os três entraram no local, pela cozinha do estabelecimento.

"Você fiquem aqui mesmo." O homem ordenou.

Rachel e Sam estavam assustados demais para desobedecer. Havia alguns olhares sobre eles. As pessoas que trabalhavam ali pareciam ser bem normais, sem tatuagens grotescas, ornamentos no rosto ou aspecto sujo: eram simplesmente normais, cozinheiros normais fazendo frituras na chapa, montando pratos, concentrados nos pedidos que vinham do salão.

"Estão com fome?" Uma mulher negra se aproximou.

"Estamos bem." Rachel respondeu ainda abraçada ao amigo.

"Não é o que parece." A mulher voltou a bancada em que trabalhava antes, trabalhou rapidamente em dois pratos e mostrou a porção de batatas fritas e um x-burguer. "É melhor comerem. Sentem ali e comam. Minha intuição diz que essa será uma longa noite para os dois."

Sem querer fazer desfeita, Sam e Rachel aceitaram a comida e obedeceram a moça. Mal sabiam eles que aquela era Margot Pride, uma botão infiltrada naquela comunidade e uma das poucas pessoas que Lester Goldman realmente ouvia. Comeram as fritas e o hambúrguer (o que fez Rachel romper um processo de quatro meses de alimentação vegetariana). Margot juntou-se aos adolescentes com duas latas de refrigerante em mãos.

"Vocês botõezinhos, podem me contar o que aconteceu?"

Rachel arregalou os olhos. Em meio a tanta confusão, nunca pensou que fosse parar em meio a botões, especialmente num bar de strippers. Ela suspirou, fechou os olhos, e fez um resumo dos acontecimentos prévios. Ao final do relato, Margot apoiou o queixo nas mãos entrelaçadas.

"Então você é a famosa Rachel Berry." Margot sorriu. "Tenho certeza que teremos uma conversa interessante quando Goldman chegar."

Passaram meia hora quando o homem em questão apareceu e ordenou que os dois adolescentes o acompanhasse até o escritório. Dali, entre corredores do backstage em que garçonetes em roupas mínimas movimentavam para servir, algumas mulheres completamente nuas passavam e outras em trajes de fetiche se preparavam para apresentar, além dos seguranças atentos, Rachel e Sam andavam temerosos atrás de Goldman e Margot até um escritório discreto e vazio.

"Eu não sei se você foi muito corajosa ou muito estúpida na apresentação. Neste momento tendo a pensar mais da segunda opção." Goldman disse com estranha calma.

"Fico grata que assistiu." Rachel sorriu amarelo.

"O que te motivou? Simples protesto político?"

"Thomaz morreu de graça."

"Hummm." Goldman resmungou. "E você acha que eu posso ajudar a escapar dessa?"

"Se o senhor não quisesse, não teria mandado um homem seu atrás de nós."

"O meu homem provavelmente vai ficar fora da ativa por causa de vocês!" Rachel e Sam olharam para o chão.

"Eu sinto muito mesmo! Compreendo se não quiser mais ajudar." Rachel limpou uma lágrima.

"Você não é tudo o que dizem. É uma péssima líder, é emocional, impulsiva e fala demais... mas canta como ninguém e tem bons instintos. Esta é a sua sorte." Goldman cruzou as pernas e encarou a jovem. "Eu posso tirar os dois do país. Basta eu dar um sinal e atravessamos a ponte submersa para o Canadá. Mas há uma questão moral que me impede e a decisão será sua. Kurt Hummel, Quinn Fabray e Brittany Pierce estão detidos para esclarecimentos. Todo o seu coral pode ser indiciado pelo que você decidiu fazer unilateralmente. Alguém vai ter que pagar pelo seu ato de insubordinação. O que vai ser?"

Rachel olhou para os pés.