Olá Pessoal,

peço desculpas pela demora em postar, mas esse é o unico site que não consigo abrir no meu trabalho e estou sem net em casa, pelo menos até hoje... quero agradecer aos reviews de Countess of Slytherin, Daniela Snape, dels76, Marcya, Renata

Muito obrigada pelos reviews, adorei todos eles e fico muito feliz que estejam gostando da fic... desculpem os possíveis erros.

Bjussss

Capítulo 16 – Hora de compartilhar os segredos

Harry sentiu uma forte dor quando caiu no chão, seu braço ardia e sua cabeça latejava, ainda assim ele não conseguia tirar os olhos da sorveteria que agora estava pelos ares. Muitos bruxos corriam para se proteger, mas outros apenas olhavam embasbacados os pedaços de madeira voarem para longe com o fogo ainda comendo suas bases. Os comensais que ali estiveram já não eram mais vistos em lugar algum e finalmente depois de alguns segundos os bruxos envolta se mexeram para apagar o fogo.

- Harry!

Rony corria pela rua em sua direção e Harry franziu a testa. O que Rony estava fazendo ali fora?

- Rony? – Perguntou Harry quando o amigo o ajudou a se levantar. – Você não estava... – Apontou para a sorveteria.

- Não. Nós nos atrasamos um pouco na loja dos gêmeos e acabamos de chegar aqui quando tudo foi pelos ares.

- Harry, Harry! Oh, Meu Deus. Você está bem? – Perguntou a senhora Weasley com a mão no coração enquanto seus olhos passeavam pelo menino vendo se não faltava nenhum pedaço. – Não aconteceu nada com você?

- Não, eu estou bem.

Rapidamente Harry se desvencilhou das mãos da senhora Weasley e se aproximou da sorveteria. Ouviu muitas pessoas falarem ao mesmo tempo, mas só quem lhe interessou foi o proprietário da loja que disse que alguém lá dentro vira os comensais e lançou uma proteção sobre as pessoas que estavam lá dentro, assim ninguém foi atingido, mas que não sabia quem era. A pessoa havia sumido logo em seguida.

Harry tinha certeza de que era Snape, mas onde ele estava? Não havia vestígio dele em parte alguma. Simplesmente sumira. O menino engoliu em seco e continuou andando pelos escombros tentando encontrar algum indicio de que Snape estava por ali, mas não encontrava nada.

- Ei garoto, saia dai, é perigoso. – Gritou o proprietário. – Meu Merlin! É Harry Potter. Senhor Potter que surpresa vê-lo por aqui e ainda mais em um momento como esse.

- O senhor viu um homem alto de cabelos negros até os ombros? – Perguntou de uma vez o menino olhando seriamente para o homem enquanto ele pensava. Rony se aproximou e o olhou estranhamente, mas não disse nada. – Não. – Respondeu o homem. – Não lembro de ninguém assim.

- Obrigado.

- O que está procurando, Harry?

- Sev...o professor Snape sumiu.

- O morcegão? – Perguntou Rony surpreso. – Que ótimo, talvez ele não volte para dar aulas. – Harry o olhou com raiva fazendo-o se assustar com sua reação. – Que foi?

- Não teve graça alguma, preciso encontrá-lo.

- Por que? Snape é um babaca e muito me admiraria se ele não estivesse envolvido nisso tudo aqui, a aparição dos comensais e a explosão da sorveteria.

Harry olhou para os lados para ver se alguém estava vendo, mas todos estavam muito preocupado em fofocar o acontecido para prestar atenção nos dois. O menino sentia uma grande raiva se apoderar de si, estava com a cabeça rachando de dor e o braço doendo, fora a preocupação com Snape para ainda ter que aturar Rony e suas implicâncias sem fundamento.

- Ele não está metido em nada disso.

- Como sabe?

Harry se virou para responder, mas nesse momento Hermione os puxou para um canto quando outra explosão foi ouvida no final da rua. Todos se viraram para ver o que acontecia e viram uma multidão correndo de um lado para o outro, inclusive para cima deles.

- Briguem depois, vamos sair daqui.

- Molly, leve as crianças daqui. – Gritou o senhor Weasley sacando a varinha. – Agora.

A senhora Weasley teve uma grande dificuldade para empurrar todos eles, mas no fim Rony e Hermione conseguiram arrastar Harry enquanto Gina era levada pela mãe. Eles voltaram para o caldeirão furado e lá pegaram uma fila para usar a lareira.

Ao chegar na Toca ninguém disse uma única palavra. Estavam todos assustados, cansados e famintos. A senhora Weasley tratou de preparar uma refeição reforçada e tratou de obrigar Harry a comer apesar de não ser sua vontade. Estava deveras preocupado para comer alguma coisa. Com a barriga cheia o menino se sentou na poltrona da sala e ficou quieto para que a senhora Weasley curasse seus ferimentos. Sua cabeça já estava ótima e sem dor, mas quando a mulher ia começar a curar seu braço a lareira se esverdeou e de lá vieram o senhor Weasley, os gêmeos e por último Snape com as vestes negras sujas de fuligem.

Imediatamente Harry se levantou com uma grande vontade de se jogar nos braços de Snape e apertá-lo com força sentindo que estava tudo bem e que ele estava ali. Mas se segurou no ultimo instante. Ninguém da Toca sabia sobre o vínculo de sangue entre eles, nem mesmo Hermione ou Rony.

- O que aconteceu? – Perguntou não aguentando mais ficar calado e apesar de ser o senhor Weasley quem respondeu, seus olhos não se desgrudavam do homem de negro.

- Os comensais estavam querendo se mostrar um pouco. Sabiam que hoje estaria cheio de gente nas ruas devido a volta as aulas então ficaram excitados demais com isso.

- Teve alguma baixa, Arthur? – Perguntou a senhora Weasley retirando a capa de viagem do marido antes dele se largar na poltrona da sala.

- Por sorte não, só algumas pessoas machucadas.

- Imagino. Harry também se machucou. Aliás, venha aqui querido, me deixa terminar de te curar.

- Estou bem, não se preocupe. – Disse Harry rapidamente, mas os olhos de Snape já estavam em cima de seus machucados.

- Ora que bobagem, está todo ralado. Sente-se.

- Já disse que estou bem. – Protestou Harry novamente ainda em pé.

- Será que é incapaz de obedecer uma ordem mesmo que seja para seu bem, Potter? – Perguntou Snape olhando-o furioso. – Sente-se.

Harry não gostou daquele tom de voz de Snape, mas obedeceu e se sentou deixando que a senhora Weasley terminasse de lhe curar. Assim que terminou virou-se para Snape e percebeu que o homem tinha um grande corte na perna esquerda.

- Severus, você está sangrando – Disse apontando. – Se quiser posso cuidar disso para você rapidinho.

- Obrigado, Molly, mas não é necessário. Potter, me acompanhe para pegar seus materiais.

Harry levantou-se e se dirigiu até a cozinha que agora estava vazia. Snape tirou os pequenos pacotes do bolso interno da capa e depositou na mesa, balançou a varinha e os materiais do menino estavam todos devidamente colocados em uma pilha impecável.

- Você ficará o restante dos dias aqui com os Weasley.

- O que? Não, quero ficar com você.

- Não pode.

- Por quê? E o vínculo de sangue, a proteção?

- O vínculo não vai acabar só porque você estará aqui. Será que não entendeu ainda como funciona o vínculo?

- Não entendo direito.

- Como se era de imaginar o seu cérebro não consegue processar nem mesmo as coisas mais simples.

- Ei, não me insulte. – Disse Harry raivoso.

- Então pare de ser idiota. Você vai ficar aqui, pois estarei ocupado esses dias e não poderei cuidar de você.

- Eu sei me cuidar sozinho. Posso muito bem ficar na sua casa.

- Eu disse não. – Disse Snape severamente olhando para Harry com determinação. - Você ficará aqui, seu malão será encaminhado em breve com suas coisas. Os Weasley vão levá-lo para o trem de Hogwarts.

- Mas, pensei que você é que iria me levar. Você é meu pai. – Disse baixinho sentindo a confusão atacar seu peito com força. – Os pais levam seus filhos até a escola.

- Eu estarei na escola.

- Não é a mesma coisa.

- Escute, não poderia fazer nada disso. Você fica aqui onde pode estar protegido. Mando suas coisas em breve.

Snape se virou para ir embora, mas quando chegou perto do corredor ouviu o nítido barulho de choro que vinha do menino. Harry estava de costas para si e estava claro que tentava segurar o choro até que tivesse certeza de que o homem tinha ido embora. Mas Snape não foi, ficou ali parado olhando-o de costas com a cabeça baixa e por um momento se lembrou da preocupação que sentiu quando viu os comensais na rua e mais ainda quando voltou para dentro da loja em que o havia deixado e não o encontrou. Jamais em sua vida odiara tanto os comensais como naquele momento em que não fazia a menor ideia de onde o menino estava.

Harry esperou um pouco e depois se virou limpando as lágrimas do rosto. Pensava que depois de tantos minutos o professor já teria ido embora, porém o encontrara bem na sua frente olhando-o com grandes olhos negros e preocupados.

- Por que está chorando? – Perguntou baixinho.

- Não é nada.

- Não sabia que você era tão sensível.

- Eu não sou sensível! – Disse Harry indignado.

Snape deu um sorriso torto vendo-o se zangar com o que havia dito. Sim, Harry era sensível a coisas paternas como levar a estação de trem ou passar o restante das férias juntos. Não podia culpá-lo, a criação com os tios fora deveras cruel e o privara das gostosas sensações que o amor fraterno dava, depois só podia ver isso acontecendo com os outros, inclusive com seu amigo Rony, mesmo que aquela família fosse o mais perto que ele teria de família. Sentir o poder de um amor fraterno torna qualquer um sensível ao fato de sentir falta.

- Você continua chorando, o que foi?

- Eu já disse que não foi nada. Você precisa ir embora, é melhor ir logo.

Harry se desviou de Snape e se aproximou de suas coisas separando as sacolas e pegando os livros na mão, mas assim que os ergueu para levar ao quarto do Rony sentiu que eram imediatamente retirados de seus braços. Snape os depositara novamente na mesa e agora o olhava como se tentasse descobrir o que deveria falar. O homem preferiu não tentar pensar no que deveria dizer, só falou.

- Filho. O que está acontecendo?

O som daquela palavra atingiu Harry de uma forma devastadora e finalmente ele conseguira confessar o que estava instalado na garganta.

- Pensei que você tinha desistido de mim. – Confessou baixinho.

- E por que pensou isso? – Questionou Snape levantando o rosto do menino que estava naquele momento completamente inseguro e vulnerável.

- Porque todo mundo sempre vai embora. Mortos ou não, todos se vão uma hora e eu fico sempre sozinho. Meus pais morreram, Lupin foi embora, Sirius também se foi e eu fiquei aqui. Sozinho.

- Você não está sozinho.

As palavras saíram tão mansas e baixas de seus lábios que Snape jamais imaginou que um dia fosse capaz de dizê-las. Mas jamais seria capaz de falar mais alto com ele naquele momento, não com Harry. Inconscientemente balançou a cabeça lembrando-se dos momentos em que reclamara do menino para Dumbledore e o velho lhe dizia que ele via somente o que queria ver e no fundo era verdade. Se quisesse mesmo conhecê-lo perceberia que ele não era só impertinente, arrogante, idiota, burro e egocêntrico. Ele era muito mais do que isso.

- Eu estou aqui. Não vou te deixar, Harry.

Harry engoliu o nó que ardia em sua garganta e sem nem ao menos pensar jogara-se contra o homem abraçando sua cintura com força e escondendo o rosto em seu peito.

- Pensei que você tinha morrido. – Disse Harry baixinho.

- Será preciso muito mais do que um pequeno bando de comensais idiotas para me matar.

Snape abraçou Harry sentindo-o relaxar em seus braços. Fechou os olhos apoiando o queixo na cabeça do menino e acarinhou seus cabelos devagar até que finalmente Harry se acalmou.

- Pai?

- Sim, filho.

- Vou precisar mesmo ficar aqui com os Weasley? – Perguntou Harry abrindo os olhos, mas não se desgrudando do homem. O calor do corpo de Snape era acalentador e o fazia se acalmar.

- Pensei que você gostasse deles. Pode ficar esses últimos dias com seus amigos.

- Eu gosto. Mas queria ficar com você. Talvez fazer algo meio pai e filho.

- Não sei o que é isso.

- Eu te ensino.

- Dumbledore iria gostar de ouvir isso. Harry Potter tem algo a ensinar para Severus Snape.

Harry riu e ainda abraçado ao homem levantou a cabeça e sorriu.

- Que tal um filho tem algo para ensinar ao pai.

- PAI?! Mas que loucura é essa?

Harry se soltou imediatamente de Snape e olhou para trás do professor. Rony estava ali com um pote vazio onde antes estiveram vários biscoitos crocantes e que provavelmente acabaram fazendo com que o menino fosse até a cozinha para abastecê-lo.

- O que está fazendo abraçado com ele? – Perguntou indignado soltando o pote e erguendo a varinha.

- Rony, não é nada disso.

- É melhor abaixar sua varinha, senhor Weasley. Além de ser menor de idade jamais conseguiria me atingir.

- Então vamos ver.

- Rony! O que está fazendo? – Perguntou Hermione olhando da varinha do menino para Snape que se mantinha parado com Harry ao seu lado. – Está apontando a varinha para um professor.

- Ele estava agarrando o Harry, provavelmente queria sequestrá-lo.

- É realmente impressionando a sua capacidade de dedução. – Zombou Snape cruzando os braços firmemente.

- Rony, não é nada disso, eu explico, mas abaixa essa varinha. – Disse Harry.

- Ronald Weasley! Como você se atreve a levantar sua varinha para um professor e ainda mais embaixo do meu teto?! – Gritou a senhora Weasley olhando-o com tanta raiva que Harry teria abaixado a cabeça na mesma hora.

- Mas mãe... – Tentou protestar Rony.

- Nem um único pio a mais. Abaixe essa varinha agora e peça desculpas imediatamente.

Era visível o esforço que o menino fazia para abaixar a varinha, quando finalmente o artefato estava devidamente guardado em seu bolso o ruivo olhou com raiva para Snape e sibilou entre os dentes.

- Desculpe-me, professor.

- Isso mesmo. – Disse a senhora Weasley. – É assim que se faz, mesmo que você não tenha o menor merecimento de desculpas.

- Ainda assim, quero entender o que está acontecendo.

- Seja lá o que for não é da sua conta. Estou ficando muito aborrecida com você mocinho. Vá direto para seu quarto. Agora!

Rony rosnou e bateu os pés, mas no fim obedeceu a mãe e foi para seu quarto irritado. Hermione demorou-se um pouquinho e depois subiu também. Os outros Weasley se sentiram um pouco deslocados ali, mas ainda assim permaneceram no mesmo lugar. No fundo queriam garantir que Snape não seqüestrasse Harry de verdade.

- Acho que vou deixá-lo com a missão de contar a eles. – Disse Snape postando a mão nos ombros do menino.

- Eu posso?

- Acredito que não terá nenhum problema com os Weasley, mas não saia fazendo alarde. Sei como gosta de atenção.

- Eu não sou assim.

- É sim. Vou indo. Até a escola então.

- Até.

Harry viu Snape se despedir dos Weasley e entrar na lareira. Quando o homem não era mais visto o menino se virou e se deparou com todos os cabelos de fogo o olhando, menos Rony que o esperava no quarto.

- Então? – Disse Jorge.

Harry soltou um respiro longo e se sentou começando a explicar sobre a troca de vínculos que acontecera para sua própria proteção. Não mencionou o tratamento dos Dursley e nem o que estava sentindo pelo Snape, apenas resumiu a verdade nos pontos mais importantes. No fim, todos eles aceitaram, apesar de a senhora Weasley parecer chateada com o fato de que o vínculo não foi passado para ela. Depois de alguns minutos Harry subiu as escadas que rangiam e entrou no quarto de Rony encontrando o amigo em pé com os braços cruzados no peito e andando de um lado para o outro. Hermione estava deitada em sua cama de armar.

- Será que você pode me dar uma explicação agora?

- Rony! – Indignou-se Hermione. – Harry vai dizer alguma coisa quando quiser dizer. – Ela dissera aquilo com uma voz tranqüila, mas era visível a sua curiosidade.

Respirando fundo Harry se sentou na cama e começou a contar desde a sua criação com os Dursley até aquele exato momento na cozinha da Toca. Hermione, como sempre, levou as mãos a boca e abafou um gritinho. Rony, por outro lado, fazia diversas caretas.

- Mas pensei que nossa família era boa para você.

- E é sim. Mas seu pai já tem os filhos dele e por mais que gostem de mim e me protejam, não é a mesma coisa. Esses dias com Severus foram bons, nós nos conhecemos um pouco mais e confidenciamos algumas coisas. Eu realmente sinto que estamos indo muito bem.

- Ainda acho que ele está tramando alguma coisa.

- Como pode pensar isso, Rony? – Disse Hermione. – Foi o Dumbledore que falou para o Harry ficar com Snape.

- Está bem, está bem. – Disse Rony derrotado. – Mas não me peça para me acostumar a ouvi-lo chamar Snape de pai. É estranho demais imaginar o seboso como pai de alguém, muito mais de você.

Hermione se despediu e foi para o quarto da Gina. Rony se atirou em sua cama e Harry se apossou da cama de armar. Quando se deitou percebeu que estava realmente cansado. Aos poucos sentiu seus olhos fechar, mas não antes de ouvir o último comentário de Rony.

- Espero que pelo menos ele pare de te tirar pontos.

Harry duvidava disso, mas não deu para responder, já estava ferrado no sono.