Olá pessoal, como podem ver dessa vez não demorei muito para postar não é mesmo? É que quero ficar em dia com essa fic, ela já está bem adiantada, mas aqui está só no 16... por isso já estou postando...

Countess of Slytherin : A relação de Severus e Harry é única, muito diferente de várias outras de pai e filho, devido ai aos traumas que ambos sofreram na infância com suas famílias. É muito frágil e intensa... você vai perceber isso mais para frente, mas ela vai se aprofundar cada vez mais...

Renata: que bom que gostou, espero que goste nesse também... Harry está começando a perceber que Snape é mais para ele, que já tomou um lugar em sua vida como um pai de verdade... isso é muito bom... Rony é muito boca aberta, ele fala sem perceber que deveria ficar calado, acho que por isso ele dá certo com a Mione, eles se completam. Não demorei muito para postar não é?

Dels76: verdade, Snape é uma persona tão fechada, tão sombria que quando escrevemos algo mais sentimental nos assustamos. Eu as vezes fico assustada, mas sempre me lembro que ele também é humano, tem os mesmos sentimentos que todo mundo tem, só não sabe usá-los, percebe-los... ai quando ele consegue usa-los fica nessa fofura toda. bjusss

Capítulo 17 – Voltando para Hogwarts

Os dias que se seguiram foram de certa forma, interessantes. Apesar de no começo ter ficado chateado porque não estaria com Snape e sim com os Weasley, logo isso foi deixado para lá. Não havia como alguém ficar chateado por estar com aquela família. Rony sempre estava junto consigo jogando xadrez, snapexplosivo ou simplesmente conversando no jardim sobre um monte de coisas. Os Weasley, por serem uma família bruxa tradicional, não tinham televisões e nem computadores – apesar de o senhor Weasley ter peças assim em seu barraco de ferramentas – então havia muito tempo livre para fazerem o que quiserem nos poucos dias que faltavam para que fossem para a escola.

Pela primeira vez Harry visitou o condado que ficava próximo a casa do amigo e se encantou com o bosque que havia ali. Teve um momento em particular que com certeza não sairia mais da cabeça de Harry. Ele e Hermione alugaram três bicicletas na entrada do bosque e tentaram ensinar Rony a andar.

- Harry, eu vou cair desse troço, por que ele não fica parado?

- Porque não é uma vassoura. Acho que devia ter pego uma de rodinhas.

- O que são essas rodinhas?

- Nada não, Rony. – Disse Hermione rindo. – Você é capaz de andar, eu te ajudo.

Harry teve que admitir que os amigos eram o casal perfeito, mas que ainda não tinham percebido isso. Rony não parava de gritar quando Hermione soltava suas mãos da bicicleta. Alguns tombos, risadas e xingamentos depois, os três entraram pela porta da cozinha da Toca.

- Mas o que aconteceu com você? – Perguntou a senhora Weasley deixando a panela no fogo com a colher mexendo sozinha.

Rony sorriu de lado e deu de ombros olhando para seus jeans rasgados nos joelhos que estavam ralados e sangrando iguais suas mãos e cotovelos.

- Estava aprendendo a andar de bicleci, bicecli, alguma coisa assim.

- Bicicleta. – Disse Hermione.

- E como foi? – Perguntou o senhor Weasley que estava sentado a mesa e agora parecia muito excitado para ouvir.

Derrotada e percebendo que estava tudo bem com o menino, a senhora Weasley se calou e puxou a varinha para curar os machucados de Rony antes de ele se sentar e explicar para o pai como que era andar em cima de um metal e duas rodas que não ficavam parados. Houve risadas e muitas perguntas até o momento em que foram mandados para cima para que pudessem se lavar e descer para jantar.

- Suas roupas estão arrumadas e em cima de sua cama querido. – Disse a senhora Weasley se dirigindo a Harry. – Arrume seu malão antes de dormir, porque amanhã vamos acordar bem cedo.

Apesar dos avisos da matriarca, no dia seguinte havia uma bagunça na casa. Era uma correria de um lado para o outro e muitos encontros na escada. Rony não quisera acordar cedo e agora eles estavam atrasados. Harry havia acabado de sair do banheiro enxugando o cabelo quando estacou na porta do quarto. A cena com certeza era muito cômica. Sentado como uma estátua na cama estava Rony com o rosto muito vermelho enquanto segurava a camiseta que ainda nem vestira e agora tentava esconder seu peito nu com ela e no outro canto perto da janela estava Snape parado e olhando para a porta onde estava.

- Pai? – Exclamou Harry. – O que está fazendo aqui?

- Vim levá-lo para a estação.

- Mas, pensei que você estaria ocupado.

- E estou. – Respondeu Snape secamente.

Harry percebeu que não deveria perguntar o motivo de ele estar ali se estava tão ocupado. O que importava era que ele estava ali naquele momento. O menino teve que se segurar no lugar para não se aproximar e abraçá-lo. Rony estava ali e acabaria enfartando se fizesse isso.

- Molly disse que você estava aqui, mas acho que ela se esqueceu de dizer que não estava apresentável e que o Weasley estaria aqui também. Vou deixá-los terminar de se arrumar. Estarei lá embaixo, não demorem.

Snape passou pelos meninos e desceu. Harry se encaminhou para a cama de armar e pegou a roupa que estava dobrada em cima da cama. Um sorriso se abriu no rosto do menino enquanto se arrumava. Snape estava ali e o levaria para a estação como queria, como um pai faria.

- Quer parar de sorrir, por favor. – Disse a voz de Rony que ainda estava paralisado em sua cama tentando esquecer a visão de Snape em seu quarto. Harry só fez sorrir mais.

As dez horas todos estavam com os malões prontos e arrumados na frente de casa aguardando os carros do ministério chegar para que pudessem ir para a estação de King's Cross. Quando os carros chegaram todos se arrumaram devidamente. O senhor e a senhora Weasley iriam em um carro junto com Rony e Gina. Harry e Hermione iriam no outro com Snape. Não houve muita conversa no caminho, Snape era um passageiro muito calado e Hermione estava muito nervosa por estar no mesmo carro com ele que nem abriu a boca. Em certo momento Harry encostou a cabeça no banco e fechou os olhos enquanto acariciava os pelos do bichento que se enroscou em seu colo, no outro sentia uma mão pesada lhe balançando. Ao abrir os olhos percebeu que escorregara no banco e escorara a cabeça nos braços do professor para tirar um cochilo. Rapidamente se arrumou e ajeitou os óculos no rosto.

- Desculpe. – Pediu olhando-o de forma muito envergonhada.

Snape nada respondeu, apenas abriu a porta do carro e saiu deixando-a aberta para que o menino saísse. O professor ajudou o motorista com as malas e entregou a de Harry para o menino. O dia estava ensolarado e a estação apinhada de gente que andava de um lado para o outro. Todos caminharam até a parede que divisava as plataformas nove e dez e aos poucos a atravessaram. Harry sentiu a mão de Snape pesar em seu ombro e o reter enquanto os outros passavam.

- Severus?

- Pode ir Arthur, quero dar uma palavrinha com o senhor Potter.

- Não demorem, o trem já vai sair. – Disse o senhor Weasley dando uma olhada estranha para os dois como se receasse deixar Harry com Snape, mas no fim ele atravessou a parede e deixou o menino com o professor.

- Vamos nos sentar um pouco.

Harry acompanhou o homem até um banco próximo onde se sentaram. O menino arrumou a gaiola de Edwiges para que não caísse e esperou, mas Snape apenas encostou os dedos das mãos uns nos outros e ficou olhando o movimento.

- O que foi? – Perguntou enfim não aguentando mais aguardar que o homem resolvesse falar.

- Harry, eu sei que estamos nos dando muito melhor do que sequer pude imaginar antes e que você tem necessidades fraternais que quero muito supri-las. – Harry ouvia com atenção. – Mas estamos indo para Hogwarts e...

- E lá terá que ser diferente. – Concluiu Harry largando-se no banco e baixando a cabeça. Seus lábios estavam contraídos com clara raiva.

- Exatamente. Sabe que esse vínculo deve ser escondido e eu tenho um papel a seguir. Não poderemos sair por ai conversando como fizemos nas suas férias.

- Eu sei, tá. – Disse Harry olhando intensamente para o homem. – Eu sei disso. Mas não me peça para achar interessante ouvi-lo me humilhar ou humilhar um dos meus amigos e ficar quieto. Principalmente sabendo que aquilo não é você.

- Na verdade é, mas você jamais irá entender. Só queria te dizer isso. Cuidado com suas atitudes na escola.

- Está bem, será que podemos ir, não quero perder o trem.

O tom de voz de Harry era tão seco e distante que Snape queria abraçá-lo naquele exato momento e fazê-lo entender que o fato de não poderem dizer e agir abertamente como queriam não queria dizer que não se gostassem, apenas que não podiam. Mas reprimiu esse desejo e apenas se levantou e o guiou pela barreira. Quando emergiram do outro lado, o trem vermelho estava parado e imponente esperando o embarque dos alunos.

- Eu fico por aqui.

- Pensei que me levaria na cabine. – Disse Harry surpreso. – Ah, tá. Alunos olhando. Sei, tudo bem. Nos vemos depois.

Antes mesmo que o homem pudesse dizer alguma coisa, Harry já havia se misturado as outras pessoas e se dirigido até o aglomerado de pessoas ruivas no outro lado da estação.

- Ei, Harry! Aqui, já pegamos uma cabine. – Gritou Rony.

Ao se despedir dos Weasley, Harry sentiu que deveria ter feito a mesma coisa com Snape. Era horrível ter que fingir não gostar dele e ser privado de coisas como uma despedida, mesmo que fosse irracional, pois se veriam em seis horas.

Enfim, o trem saiu soltando fumaça e logo estavam a caminho da escola. Hogwarts apareceu no horizonte mais ou menos cinco horas depois que foram muito bem gastas conversando e jogando. Rony comia os doces que Harry havia comprado. Quando finalmente chegaram a estação de Hogsmead, Harry, Rony e Hermione viram Hagrid levando os primeiranistas para os barquinhos enquanto todos os outros pegavam as carruagens. O trio se juntou a Neville, Gina e Luna. Logo todo o calor convidativo de Hogwarts dava boas vindas a eles e então Harry sorriu verdadeiramente e sem rancor, estava novamente em casa.

O salão principal estava lotado de alunos excitados que conversavam entre si contando as novidades de suas férias. Harry estava sentado entre Rony e Hermione quando olhou para a mesa principal e não viu Snape lá. Estranho, ele deveria estar bem ao lado de Dumbledore que conversava animadamente com McGonagall. Inconscientemente Harry olhou para os outros lados do salão e seus olhos se depararam com a mesa da sonserina. Crabbe e Goyle estavam devidamente sentados e no meio deles estava vago um lugar que era claramente de Malfoy. Mas onde estava o menino?

- Já volto. – Disse para os amigos e se levantou.

- Ei, mas a cerimônia já vai começar. – Disse Hermione.

- Já volto. – Disse Harry novamente antes de sair.

Os corredores agora estavam vazios, todos estavam no salão principal. Era ridículo sair por ai procurando coisas, mas algo dizia a Harry que ele deveria olhar nos corredores próximos. Foi no terceiro corredor, na segunda porta a esquerda que Harry encontrou o que não queria achar.

- Você tem que ser forte, Draco. – Disse a voz de Snape de uma forma estranhamente familiar.

- Mas padrinho, ele está preso e agora vão me castigar por isso. – A voz de Draco estava baixa e quebrada como se o menino estivesse chorando.

- Ninguém vai te castigar, Draco.

- Estou com medo.

- Eu sei. Mas não se preocupe, não vou deixar que ninguém te machuque, vai ficar tudo bem. Agora volte para o salão antes que percebam que não está lá.

Harry saiu dali mais do que depressa. Sua cabeça fervilhava. Snape era padrinho de Draco e estava claramente lhe dando conselhos e apoio no mesmo tom de voz que usara consigo quando teve um pesadelo com Tio Valter.

Ao se sentar teve que escutar o tom de voz preocupado de Hermione, com certeza seu rosto estava demonstrando que algo estava errado, mas como poderia explicar para a menina ou para o amigo que o que estava errado era o fato de que pensara e chegara fielmente a acreditar que era o único importante na vida de Snape?

Eles nunca entenderiam.

- Nada, não aconteceu nada. – Disse Harry olhando da menina para o professor que acabara de sentar na mesa dos professores e de lá para seu prato vazio. Não podia olhar para Severus, naquele momento doía demais olhar para seu pai.