Olá pessoal, quero agradecer os reviews que recebi... muito obrigada Countess of Slytherin, Marcya, Messing Around You e Daniela Snape...

Desculpem a demora em postar, eu estava cobrindo as férias de uma menina e acabei tendo mais trabalho então ficou difícil de conseguir escrever, revisar e postar... mas aqui estou eu novamente.

Bjussssssss

Capítulo 20 – A penseira

Harry apertava a cadeira com força, seus dedos logo perderiam a sensibilidade, podia imaginá-los brancos de tanta força, mas só imaginá-los, pois seus olhos estavam presos nos negros de Snape que ardiam de desapontamento fazendo o coração de Harry doer. Jamais sentira algo assim, nem mesmo com Sirius ou Lupin ou Dumbledore. Com eles era diferente, não era tão intenso, mas com Snape era como se o mundo despejasse o caos aos seus pés, desmoronasse pedra por pedra e destruísse qualquer possibilidade de carinho.

- Pai... – Começou Harry baixinho.

- Cale-se. – Vociferou Snape entre os dentes fazendo Harry recuar na cadeira. – Eu disse para você ficar longe do Malfoy e, no entanto, você se acha acima de qualquer ordem.

- Não é isso, eu... – Tentou explicar Harry.

- Disse para ficar calado. – Rosnou Snape entre os dentes. - Será que é incapaz de obedecer até mesmo as ordens mais simples?

Agora havia algo mais dançando nos olhos negros a sua frente, havia algo como raiva, muito menor do que já vira antes, mas ainda assim era raiva e isso o deixava inquieto. Harry se calou, mas dentro de seu peito algo ardia e o arranhava informando que estava prestes a despertar.

- Foi um acidente. – Disse Harry entre dentes.

- Não tente me fazer de idiota, Potter. Apesar dos meus avisos você deliberadamente socou Malfoy. Você me desobedeceu.

Harry respirou fundo, a raiva crescia dentro de si, mas apesar disso permaneceu quieto apenas ouvindo as injurias lançadas aos seus ouvidos

- Mas não adianta falar nada para você não é mesmo? – Disse Snape aproximando-se devagar do menino e olhando tão profundamente nos olhos de Harry que chegava a arder. – Por mais que eu odeie, você realmente é igual a James. Arrogante que não se importa com nada além de a si próprio.

Agora a raiva não fervia, ela borbulhava enlouquecida enquanto encarava Snape, nem ao menos reparara que havia se levantado e que suas mãos estavam fechadas com força que chegaria a cortar sua carne se deixasse.

- Está em detenção por uma semana.

Mas Harry não queria saber da detenção, não queria saber se teria que se sentar em uma carteira velha e organizar fichas ou então limpar o armário de estoque. Faria isso e muito mais, pois a glória de ter parado Malfoy era o que brilhava em seus olhos antes de abrir a boca.

- Eu não podia permitir que ele continuasse a falar da minha mãe.

Snape ficou completamente aturdido ao ver o menino zangado daquela forma, havia uma aura tão intensa ao seu redor que era possível sentir de longe. Harry estava completamente raivoso e Snape sentia dentro de si que poderia sentir a mesma coisa. Odiava quando tocavam no nome de Lilian.

- Não me interessa o que aconteceu, você está errado.

- Não estou não.

- Está sim. – Rebateu Snape. – Nunca lhe ensinaram que regras devem ser obedecidas e há o certo e o errado que vão além do que você acha. Mas eu vou lhe ensinar nem que seja a força.

- Então faça. – Gritou Harry. – Eu não estou nem ai, socarei Malfoy quantas vezes for necessário para que não toque no nome da minha mãe. Você não sabe como foi ouvir ele falando que ela era suja por ser nascida trouxa. Você não sabe porque você não ama!

Naquele momento, apesar da raiva cega, Harry percebera, talvez um pouco tarde, que atingira o limite de Snape, afetara algo no professor, pois os olhos negros ficaram desfocados e perdidos como se não conseguissem ver a sala nem o menino, somente algo que estava em suas memórias e alma. Harry respirou fundo e a cada minuto que passava sentia a raiva recuar dentro de si e se esconder novamente. Quando conseguiu abrir as mãos e piscar com calma olhando para o professor viu que ele continuava parado olhando para algo que estava além do entendimento de Harry.

- Severus? – Chamou Harry.

Snape não respondeu, apenas o olhou e seus olhos estavam tão repletos de tristeza que a única coisa que Harry queria fazer naquele momento era abraçá-lo com força e tirar aquela tristeza dele, transferi-la para seu próprio corpo.

- Eu não amo? – Sussurrou baixinho Snape franzindo a testa, para horror de Harry os olhos negros marejaram. – Você não sabe de nada. – Disse piscando forte e aumentando a voz. – Saia da minha sala.

- Mas, Severus, eu...

- Saia da minha sala. – Disse o homem mais alto fechando suas mãos em punho como fizera Harry. A tristeza nos olhos do homem era tamanha que assustou Harry. – Saia da minha sala, AGORA!

Harry olhou novamente para o homem descontrolado e lívido. Teve medo, por um momento viu os olhos do tio, mas Snape não estava raivoso, estava mergulhado em plena escuridão e angustia e tudo era culpa sua. Apesar de desejar continuar ali e de alguma forma chegar até ele, Harry pegou sua vassoura e foi embora. O corredor estava vazio, o que era sorte, pois os sonserinos não ficariam nada felizes em vê-lo em seu território. Rapidamente saiu das masmorras e foi para a Sala Comunal da Grifinória que naquele momento estava repleta de alunos vestindo vermelho e festejando a vitória da Grifinória. Harry deu alguns sorrisos e apertou a mão de outros alunos. Rony e Hermione lhe perguntaram o que aconteceu e Harry lhe respondeu que estava em detenção. Porém guardou para si as duvidas que cresciam em sua mente.

- Vou tomar um banho. – Disse para poder se desvencilhar dos colegas e subir sozinho para a sala comunal.

Quando já estava no banho sua mente fugiu da espuma rosa para o rosto totalmente mortificado e destruído de Snape quando lhe afirmara que ele não sabia amar. Havia algo ali, algo que o homem não havia lhe contado, alguma coisa tão profunda e antiga que ainda remoia-se dentro do peito dele. Harry iria descobrir o que era e se possível ajudar Severus a entender e esquecer. A preocupação retirou de cima de si a raiva e ódio pela detenção e palavras ferinas de Snape.

Nos dias que se seguiram Snape não falou com Harry mais do que os insultos habituais na sala de aula. Harry até mesmo tentou falar com o homem nos intervalos ou após as aulas, mas o professor, apesar de tratá-lo normalmente, o dispensava sem maiores o bilhete da detenção chegou Harry achou que talvez fosse a oportunidade perfeita, não haveria como Snape permanecer com ele na mesma sala por horas e não falar com ele. Por isso largou sua mochila no dormitório e desceu até as masmorras indo diretamente para o escritório do professor. Bateu três vezes e esperou. Depois de alguns segundos ouviu a porta abrir e entrou encontrando Snape curvado sobre diversos papéis em completa concentração que nem ao menos deu atenção a sua chegada.

- Severus? – Chamou Harry receoso.

Demorou alguns segundos para que Snape finalmente levantasse a cabeça e desse devida atenção ao menino, seus olhos ainda estavam vazios e isso o incomodava. Estava com raiva do professor ainda por ter falado tantas coisas ruins dele, dito e o julgado de forma que ele não era, mas sabia que no meio de sua fúria dissera algo que atingira o homem de forma cruel e profunda obrigando-o a se fechar novamente justo quando estavam se dando tão bem.

- Enquanto estiver de detenção deverá me tratar como um professor, Potter.

- Desculpe-me, professor. – Dissera Harry sentindo o amargor em sua garganta. Snape indicou uma carteira onde Harry se sentou de prontidão permanecendo em silêncio esperando que o homem dissesse algo.

- O senhor vai catalogar as fichas do Senhor Filch, passá-las a limpo e depois guardar em ordem alfabética. Pode começar.

Harry assentiu e começou a arrumar a primeira pilha por onde deveria começar. Passaram-se vários minutos em que Harry volta e meia encarava o professor, mas o mesmo continuava inclinado para os papéis como se nem visse o menino logo a sua frente.

- Marque a ficha em que estava e volte amanhã para continuar. – Disse Snape depois de duas horas.

Harry marcou a ficha devidamente e se levantou, caminhou devagar até a porta, mas virou-se antes de encostar na maçaneta.

- Já pode ir, senhor Potter. – Disse Snape sem olhá-lo.

- Severus, vamos conversar? – Pediu Harry. – Eu não queria te magoar, eu estava com raiva porque você não acreditava em mim e porque Malfoy insultou minha mãe.

Novamente Harry não reparou em seus movimentos e agora se via diante da escrivaninha do professor que havia largado a pena e olhava atentamente para o menino.

- Eu não pensei direito antes de falar. – Defendeu-se Harry.

- Não, Potter, você pensou sim. – Disse Snape levantando-se e recolhendo os papéis. – Você disse exatamente o que pensava. Está dispensado.

Harry nem mesmo teve o que falar, Snape passou ao seu lado rapidamente e saiu porta afora. Harry xingou baixinho mesmo estando sozinho e se virou saindo da sala devagar.

No dia seguinte, ao entrar na sala, Snape estava novamente de cabeça baixa olhando para seus diversos papéis e nem ao menos se deu ao trabalho de olhar para Harry até que o menino terminou tudo e novamente tentou contato com o homem, mas Snape estava mais surdo do que uma porta para suas desculpas. Foi só no quarto dia que Harry finalmente se cansou daquilo e bateu a caixa de fichas com força em cima da carteira derrubando as fichas que se espalharam.

- Potter, o que pensa que está fazendo? – Perguntou Snape finalmente olhando do menino para as fichas no chão com a testa franzida

- Estou tentando chamar sua atenção, senhor. – Enfatizou a última palavra. – Precisamos conversar.

- Não tenho o que conversar, saia do meu escritório.

- Não. – Disse Harry cruzando os braços diante do peito e olhando desafiadoramente para Snape que agora exibia impaciência e irritabilidade.

- É melhor sair daqui, senhor Potter, não estou brincando. – Rosnou Snape.

- Eu também não estou e agora você vai me ouvir. Estou de saco cheio disso tudo, você está me tratando como um lixo ou pior do que isso por algo que eu fiz e nem ao menos sei o que foi. Quer ficar com raiva de mim e não falar mais comigo? Tudo bem. – Gritou Harry aproximando-se da mesa onde Snape se encontrava olhando-o perigosamente. – Mas ao menos me conta o motivo para que eu possa saber se você está certo ou se é apenas uma frescura.

- Está mais do que passando dos limites, senhor Potter...

- Para de me chamar de Potter! – Gritou Harry agora batendo a mão na mesa de Snape que adiantou-se em torno dela e agarrou o colarinho de Harry com força.

- Já chega, não vou aturar suas impertinências, você não está falando com um de seus amigos idiotas, você está falando com...

- Com o idiota do homem que me fez chamá-lo de pai, aprender a gostar e sentir que é alguém importante para mim e vê se me solta!

Harry se desvencilhou das mãos de Snape e recuou olhando para o homem com ódio, sua boca estava cerrada e suas mãos tremiam.

- Ou será que se esqueceu disso, Severus? – Perguntou Harry com raiva embora em tom mais baixo. – Será que se esqueceu que foi você quem me fez confiar e aceitá-lo? E agora você me repele por algo que nem mesmo entendo.

- Mas é claro que não entende. – Sibilou Snape. – Sua arrogância é tamanha que qualquer coisa causada aos outros não é nada para o menino de ouro.

- Ah, Severus! Estou tão cansado disso tudo. – Disse Harry respirando fundo. – De suas injurias e julgamentos idiotas baseado em uma rixa tão antiga com meu pai. Eu não sou ele, Severus. Será que não consegue perceber isso?

- Malfoy não diria a mesma coisa. – Disse Snape agora mais baixo. – Seu querido e perfeito papai teria adorado. Ver que seu filhinho é igualzinho a ele.

- Eu não sou igual, jamais faria algo a alguém só por diversão como ele e Sirius fizeram com você. – Disse Harry lembrando-se do que vira seu pai fazer a Snape no quinto ano. – Jamais contei a ninguém por que não me orgulho do que eles fizeram, foi errado. Mas eu jamais faria aquilo a uma pessoa. Pensei que você soubesse, pensei que você me conhecesse. Acertei Malfoy, pois eu não aguentei ficar ouvindo-o falar daquela forma sobre minha mãe. Eu a amo e dói saber que alguém está sendo insultado. Talvez você não saiba o que é isso, pois você...

- Não sabe amar. – Sussurrou Snape olhando mais uma vez com uma tristeza grandiosa. –Imaginei que diria isso. – Disse Snape virando-se e indo pegar a capa que colocou no corpo antes de sair porta afora sem sequer dirigir uma palavra ao menino.

Harry xingou baixinho e se largou na cadeira sabendo que Snape não voltaria. Por um momento desejou ouvir da boca dele as antigas humilhações, pois assim saberia que ele havia voltado ao seu normal, mas vê-lo sem reação, tomado de uma tristeza tamanha que o mortificava ao ponto de se tornar vulnerável deixava Harry completamente desnorteado. Sabia que a aproximação dos dois também fora a causa disso tudo, pois ouvir algo ruim de alguém próximo machuca muito mais do que se falado por boca desconhecida.

Cansado, Harry esfregou o rosto com as mãos apertando os olhos tão fortemente que quando os abriu viu luzinhas piscarem a sua frente que aos poucos foi se dissipando e deixando-o novamente com a visão do escritório de Snape, porém havia uma luz insistente que o incomodava. Piscou mais algumas vezes até que se deu conta que a luz vinha do armário e não de seus olhos. Pé ante pé foi até lá e abriu a porta de madeira que estava apenas encostada, ali dentro havia uma bacia de pedra, a penseira de Dumbledore. Harry mordeu o lábio inferior com força. Com certeza ali dentro encontraria a resposta para finalmente entender o que acontecia com Snape, porém a lembrança do que acontecera da última vez em que se aventurara pelas lembranças de Snape refreavam o impulso de mergulhar de cabeça naquelas lembranças.

Mais uma vez olhou para a porta e novamente para a bacia. Era um risco, mas era um que valia a pena. Rapidamente se postou na frente da penseira e inclinou o corpo entrando na mais profunda verdade de Snape.