Olá pessoal, desculpem a demora em postar um novo capítulo, mas aqui está ele.

Countess of Slytherin, muito obrigada pelo review, que bom que está gostando cada vez mais da fic... bjusss

Daniela Snape: desculpe te fazer esperar tanto, mas aqui está mais um cap, bjussss

Marcya: Não tem problema não flor, as vezes eu Tb demoro para ler os cap de outras fics que acompanham por falta de tempo... Harry é muito temperamental e é dificil passar por tudo que ele está passando... vc verá a reação dele ai embaixo...

Espero mais reviews... bjusss

Capítulo 22 – A capa de Quadribol

Antes de abrir os olhos Harry sentiu a dor em seu rosto, parecia um ardor cortante na altura de seu nariz, era como se tivesse caído da vassoura de cara no chão, até respirar era doloroso. E então veio o tapa que fez a dor passar para o restante do corpo.

- Harry? Acorda Harry.

Outro tapa o obrigou a cerrar os dentes, agora além de seu rosto suas costas ardiam também como se uma lança em brasa fosse lentamente enfiada ali.

- Ei, Harry, você está acordado?

- Estou. Pare de me bater! – Disse Harry abrindo os olhos e encontrando o rosto ansioso de Rony em cima de si. – Sai de cima de mim. Deus, que dor, o que você fez?

- Você estava enlouquecendo e então eu resolvi te parar.

- Não podia ter usado um feitiço paralisante? Acho que quebrou meu nariz.

- Eu não pensei na hora.

- Percebi. Você me chutou também? Minhas costas estão doloridas.

- Ah, não. Isso foi você caindo por cima do seu malão.

Harry sentou na cama e olhou em volta, o quarto estava uma zona. Seu malão estava revirado completamente e suas roupas descansavam bagunçadas no chão. Fechou os olhos lembrando do momento em que fizera aquilo tudo. Nem parecia ser ele.

- Cadê a Hermione?

- Estou aqui. – Respondeu a voz da amiga vindo da escada. Hermione entrou no quarto carregando uma bacia com um liquido espesso que parecia lama. – E então, está melhor ou vai surtar de novo? – Perguntou a amiga sentando-se ao seu lado.

- Estou bem, só dolorido. – Respondeu o menino. – Desculpa por te assustar.

- Tudo bem, Harry. Não precisa pedir desculpas, mas me conte o que o deixou daquele jeito. Nunca te vi tão transtornado.

- Eu. – Começou Harry com um suspiro enquanto Hermione passava o remédio em seu rosto. – Eu entrei na penseira de Snape, vi as lembranças dele.

- E eram ruins? – Perguntou Rony sentando na cama de fronte ao amigo.

- No começo não. Eu vi minha mãe, eles eram amigos. – Um sorriso bobo apareceu no rosto dele e seus olhos brilharam. – Ela era linda e cativante, ela era a única amiga dele. Ele me contou uma vez que houvera uma menina que o apoiava quando ele era maltratado pelos pais, mas nunca imaginei que era ela. Eles foram para Hogwarts juntos, lá conheceram meu pai e Sirius.

Hermione pediu que Harry se deitasse para curar o ferimento das costas, ele deitou e descansou a cabeça no travesseiro, seu nariz não doía mais. Fechou os olhos e continuou a recitar as imagens que viu.

- Eles não gostaram do meu pai e de Sirius, na verdade eu também não, eles me lembraramMlafoy. Com o tempo Snape se apaixonou pela minha mãe, mas ela não gostava dele assim. Ele se juntou aos comensais de morte após uma implicância de meu pai e Sirius diante da escola toda. Minha mãe se afastou dele, mas ele ainda era apaixonado. Em uma noite a professora Trelowneyfez a profecia e ele ouviu e contou tudo que ouviu para Voldemort. Quando ele descobriu contou para Dumbledore e pediu que os protegesse. Não adiantou. Ele então prometeu me proteger. Eu o vi me observando de longe na casa de meus tios e na escola. Após entrar em Hogwarts ele continuou me protegendo até depois que Voldemort voltou, ele mentiu e correu riscos para evitar que eu fosse para as mãos de Voldemort. Mas era tudo apenas por obrigação, nada mais do que isso. Era culpa. Mas então eu fui morar com ele e descobri... – Harry parou de falar, sua garganta encolhera com o nó do choro que se revelava em seus olhos.

- O que você descobriu, Harry? – Perguntou Hermione acariciando seus cabelos bagunçados.

- Que ele não queria no começo, mas que depois gostou na minha companhia e me protegeu por que quis e não a mando de uma promessa antiga. Ele se importava, Hermione, ele me ama como um filho que ele jamais teve e que acha que jamais terá. E eu... eu também.

Harry escondeu o rosto no travesseiro e chorou copiosamente soluçando fortemente. Rony foi até a porta e a trancou evitando que qualquer aluno visse seu amigo naquele estado. Hermione inclinou-se e abraçou Harry sentindo-o tremer.

- Chora, Harry, chora.

Rony sentou-se novamente na cama e apenas observou Harry chorar até se cansar e cair no sono. Hermione pegou um cobertor e cobriu o amigo antes de lhe dar um beijo na cabeça e sair fechando a cortina ao redor da cama.

- Nossa. – Exclamou Rony sentando em um sofá afastado na sala comunal. – Não entendo por que Harry está chorando tanto. Snape é um babaca. Ele vai ficar melhor longe dele. É exagero demais.

- Você as vezes me impressiona com sua insensibilidade. – Disse Hermione baixinho para não chamar atenção, mas firme o bastante para Rony arregalar os olhos. – Harry está mais do que confuso com tudo isso. Pense como deve ser você não gostar de uma pessoa e depois se apegar a ela tão fortemente como ele. Harry cresceu sem pais e com tios que o maltratavam. Nunca houve alguém que suprisse as necessidades emocionais dele, proteção, carinho, amor. E então ele achou tudo isso em Snape. Apesar da inimizade dos dois antes, Snape se tornou a única pessoa mais próxima de um pai para ele e agora ele descobriu que Snape foi quem causou a morte de seus pais. É devastador e ainda mais se tratando de Harry, ele é sensível a esses novos sentimentos.

- É que eu fiquei surpreso, nunca vi Harry chorando daquele jeito.

- É por que ele evita fazer isso na sua frente. – Disse a menina olhando-o firme. – Todas as vezes em que ele precisou ficar sozinho ou chorar ele se escondeu de você. Harry acha que você vai condená-lo por isso como se ele chorar fosse um pecado só porque ele é um menino como você já comentou de outros alunos da escola.

- Eu nunca faria isso com Harry! – Disse Rony horrorizado

- É bom que não faça mesmo, Ronald Weasley ou vai se arrepender amargamente.

- Está bem, Mione. Foi só um comentário besta.

- Pois guarde seus comentários bestas para você. Eu vou andando. – Disse Mione pegando uma sacola em um canto e indo para a saída sem dar tempo de Rony sequer pensar.

Hermione desceu as escadas diretamente para as masmorras sem se importar com a possibilidade de encontrar um sonserino fora da cama, só tomou cuidado com Filch e aquela gata horrenda. Por sorte ninguém atrapalhou seus passos e ela conseguiu chegar até o escritório de Snape. O ambiente estava escuro, iluminado apenas por algumas velas que jogavam sombras contra o homem que olhava para a janela vendo a água do lago negro bater no vidro quando algum peixe se mexia.

- Não atendo alunos a essa hora, senhorita Granger, cinco pontos para a Grifinória por estar fora da cama, vá embora. – Disse Snape sem se virar.

Hermione sabia que deveria voltar para a sala comunal, mas quando percebeu que os braços de Snape abraçavam o próprio corpo como se a solidão causasse frio simplesmente não pode ir.

- Eu sei, professor, mas eu queria trazer isso aqui para o senhor.

A menina depositou o embrulho em cima da mesa ao lado da penseria que continuava ali, deu um passo para trás e aguardou. Aos poucos o homem se virou e olhou para o embrulho e Hermione quase chorou quando os dedos longos tocaram o pano vermelho da capa de Quadribol e uma dor quente feito brasa ardeu nos olhos de Snape queimando, machucando o homem. Snape cerrou os lábios e fechou os olhos apertando fortemente o pano nas mãos. Quando voltou a abrir os negros olhos não havia ali espaço para nada mais do que a angustia do homem. Hermione sentiu vontade de chorar.

- Ele não quis mais. – Disse Snape baixinho. – Por isso devolveu.

- Na verdade ele estava muito nervoso e eu resolvi que era melhor trazê-la para que guardasse. – Disse a menina se aproximando um passo e mordendo os lábios. – Sei que ele perceberá que foi idiota e vai querer de volta.

- Claro. – Concordou Snape respirando fundo. – É uma bela capa.

- Eu não estava falando da capa, professor.

Snape ergueu a sobrancelha e olhou para Hermione, mas a menina não conseguiu manter o contato visual. A dor naqueles olhos era tão grande que Hermione preferia curar ferimentos de socos do que continuar olhando-o. Snape permaneceu calado apenas olhando a menina, depois de um tempo embrulhou a capa de novo e a segurou com as duas mãos contra o peito.

- Agradeço, mas ainda está fora da cama. – Disse Snape com um pouco mais da sua acidez natural. – Mais cinco pontos da Grifinória, vá embora.

- Com licença. – Pediu Hermione virando-se para ir embora. Mas quando colocou a mão na maçaneta ouviu de longe o pedido feito baixinho por um Snape de costas abraçado com a capa vermelha de seu filho.

- Cuide dele, senhorita Granger.

- Sim senhor.