Desculpem a demora... vou agradecer lá embaixo... me desculpem os erros...

Capítulo 26 – Uma ceia para quatro

Harry acordou com a luz branca que banhava sua janela, por mais embaçados que estivessem ainda eram capazes de captar a neve que se instalara nos vidros deixando-o embaçados. Abrindo um sorriso Harry se levantou da cama e correu para a janela passando a manga do pijama pelo vidro e vendo a neve cair pesadamente na rua. Havia milhões de flocos brancos se alojando na beira do rio que a essa hora estava quase congelado e na capota dos carros que ficaram estacionados na rua. Era véspera de Natal e o dia parecia estar perfeito.

Com o sentimento de felicidade instalando em seu peito voltou para sua cama e a arrumou perfeitamente antes de ir ao banheiro se lavar. Quando voltou seus dentes batiam um no outro, estava realmente muito frio, rapidamente colocou a roupa quente e saiu do quarto descendo as escadas para a sala. Snape estava na cozinha preparando o café, vestia uma simples calça preta e uma camisa de manga comprida. Harry olhou para seu casaco grosso e depois para Snape novamente.

– Como consegue? – Perguntou retirando o casaco e depois colocando-o de volta, estava muito frio.

– Consegue o que? - Perguntou o homem sem tirar os olhos da frigideira onde fazia os ovos mexidos do café.

– Ficar só com essa roupa, eu estou morrendo de frio.

– Depois de anos em minha profissão e habitando os lugares que habito o frio começa a não te atingir.

– Está falando de ficar o tempo todo nas masmorras ou de ser comensal?

– Os dois. – Respondeu Snape após parar de mexer a espumadeira por alguns segundos e pensar na melhor resposta.

– Você tem que ir a muitos lugares frios?

– Prefiro não falar sobre isso. Combinamos de deixar minha vida como comensal para lá. Não foi?

– Desculpe, não pude evitar.

– Eu sei. Como sempre, senhor Potter, é um bisbilhoteiro que vive metendo o nariz onde não deve.

Apesar da frase grosseira Harry não se importou, pois um sorriso torto nascia nos lábios de Snape. O relacionamento dos dois estava daquela forma desde que voltaram do laboratório de Snape. Simplesmente tentavam conviver como qualquer pai e filho, sem haver questionamentos ou julgamentos. A única coisa que Snape exigiu foi que Harry não tentasse descobrir ou se meter em seu trabalho como comensal, que aquela parte de sua vida não era acessível a ele e que não deveria fazer perguntas sobre isso.

– Você vai queimar os bacons dessa forma. – Disse Harry vendo Snape se atrapalhar com o café.

– Droga. – Xingou o homem desligando o fogo.

– Deixa que eu faço isso. – Disse Harry se levantando e ficando ao lado dele com a mão estendida esperando a espumadeira.

– Você não vai fazer o café da manhã, já conversamos sobre isso também, será que você tem problemas de memória?

– Não tenho problemas de memória, mas também não acho que fazer um café da manhã, ou tentar salvar o que temos seja me transformar em um escravo. Aliás, pelo que vejo, tenho muito mais experiência em fazer ovos com bacon do que você.

Desistindo Snape entregou o fogão na mão de Harry e se sentou na mesa enxugando as mãos no pano de prato.

– Como que um mestre de poções não consegue fazer esse tipo de coisa?

– Eu trabalho com coisas precisas e não com o dever de dar comida para os outros.

– Ah, é. Esqueci que você praticamente não come. Não sei como não fica doente.

Harry parou de falar depois que serviu o café para os dois e começou a comer. Seu apetite melhorou muito após as insistências de Snape de que estava comendo muito pouco e que estava ficando desnutrido. Provavelmente deve ter ganho uns cinco quilos a mais desde que saiu definitivamente da casa de seus tios.

– Hoje é Natal. – Comentou Harry com a boca cheia.

– Véspera. Por favor, não fale com a boca cheia.

– Desculpe. – Falou Harry após engolir a comida. - O que faremos?

– Como assim?

– Ora, é véspera de Natal, tem a ceia, a árvore, essas coisas. – Disse Harry como se fosse a coisa mais óbvia, mas logo em seguida viu Snape franzir a testa e remexer os ovos com o garfo. – Você não fez nada? Não pensou na ceia? Me diz que tem ao menos uma árvore.

– Não estou acostumado a passar esse feriado em casa, normalmente fico em Hogwarts, Harry, não tenho nada de Natal aqui.

– Bom, teremos que ir as compras então.

– Não.

– Como não? Não podemos passar o Natal sem nada.

– Definitivamente não vou para o Beco Diagonal hoje.

– Não precisamos ir ao Beco Diagonal. Estamos em uma vila trouxa, com vizinhos trouxas, podemos fazer um Natal trouxa e ir as compras em um shopping trouxa.

Snape olhou para Harry como se quisesse esmagá-lo, mas no fim estavam os dois colocando seus casacos e abrindo a porta da frente de casa para enfrentar o gelo até o shopping de Londres. Na verdade, apesar de odiar isso, Snape percebeu que cometera a pior gafe de todas, esquecera-se de comprar um presente para Harry e agora teria que acompanhar o adolescente para um local onde odiava pisar. Enquanto caminhavam em direção a um local apropriado para desaparatar sem serem vistos Snape pensou que era realmente melhor o fato de não ter que usar polissuco para acompanhar Harry a algum lugar, odiava ter que se disfarçar e usar o corpo de outra pessoa. Era desconfortável, preferia ser ele mesmo.

– Ei, senhor Snape. – Chamou uma voz feminina.

Ao se virar Snape encarou o rosto perfeito com o sorriso contagiante de Vany Smean, sua vizinha meio veela. Ela estava saindo de casa acompanhada de uma linda menina que não aparentava ter mais do que nove anos de idade, a menininha se escondia atrás da mãe e olhava curiosa para ele e Harry que parara ao seu lado e ficara encarando a mulher com a boca aberta.

– Ah, olá senhora Smean. – Cumprimentou vendo a mulher se aproximar. Harry ameaçou dar um passo adiante, mas a mão de Snape em seu ombro o lembrou de ficar em seu devido lugar.

– Quero apenas lhe agradecer pelas ervas que me deu aquela vez no verão. Me ajudaram muito com minha filha Riley. – Disse colocando a mão nos cabelos da menina e a acariciando.

– Não foi nada, não precisa agradecer. – Disse Snape apertando o ombro de Harry mais forte quando ele novamente tentou dar um passo a frente.

– Estão de saída?

– Sim. – Respondeu Harry antes que Snape tivesse tempo de dizer alguma coisa. – Vamos ao shopping de Londres, temos que comprar algumas coisas de Natal.

Snape rosnou baixinho e apertou novamente o ombro do menino, precisaria ensinar o menino a se controlar ou ele sairia falando tudo que lhe desse na telha e isso seria muito perigoso se por um acaso topassem com alguma comensal veela.

– Que coincidência, nós também estamos indo ao shopping. Tenho que comprar algumas coisas para a ceia, não tive tempo antes e preciso comprar algum presente para Riley. Que tal irmos juntos. Eu levo vocês. – Disse Vany abrindo um sorriso encantador e, para surpresa de Snape que lera rapidamente sua mente, verdadeiro.

– Agradecemos muito, mas...

– Vamos sim. – Disse Harry. – Vamos, Severus, por favor?

– Vamos, senhor Snape. Assim posso pagar pelo favor que me fizera antes. – Pediu a mulher novamente.

Snape teve que fazer um grande esforço para se segurar e não dar as costas para a mulher. Primeiro porque Harry não ficaria nada feliz com sua atitude, segundo porque se Harry viveria com ele deveria ter um bom convívio com os vizinhos, não era por ele ser anti-social que Harry deveria ser também, terceiro porque no fundo realmente queria aceitar a proposta.

– Está bem. – Disse por fim vendo o sorriso da mulher aumentar. – Agradecemos.

– Certo, então, crianças atrás e adultos na frente. - Vany abriu a porta de trás de seu carro e esperou a pequena Riley entrar para depois Harry se alojar no banco bem atrás de Snape que se sentou na frente. – Coloquem o cinto, crianças.

O caminho para o shopping de Londres não foi de todo desagradável. Riley era quieta e Harry ainda estava abobalhado com a mulher, Severus ficara reservado em seu canto apenas olhando a estrada enquanto o vento frio da mínima abertura da janela balançava seus cabelos negros e Vany era a mulher sorridente no volante que ouvia uma radio local baixinho e parava para deixar as senhorinhas atravessarem a rua. A mulher tentara puxar conversa com Snape, mas as respostas do homem ainda eram monossílabas e no fim ela entendeu e se calou apesar de não perder o bom humor.

A verdade era que Snape ainda não estava confortável por estar ao lado dela. Sabia que a mulher era uma inocente descendente de veela e que não tinha um único vínculo com qualquer comensal, mas não conseguiria ficar quieto até saber tudo sobre sua vida. A varinha estava devidamente guardada e pronta para ser sacada caso necessário.

– Chegamos. – Disse a mulher entrando no estacionamento e se aproximando de uma vaga tentadora na frente da entrada do shopping onde poderiam achar o carro facilmente sem ter que andar o estacionamento todo. Porém a vaga fora rapidamente tomada por um senhor de meia idade que desligara o carro e saíra de dentro com a chave na mão. – Hum, essa vaga é a melhor do shopping.

– Há outras vagas tão boas quanto essa. – Disse Snape entediado cruzando os braços em frente ao peito.

– Não, essa é a melhor. Eu não queria fazer isso, mas...

Para completa surpresa de Snape a senhora Smean baixou completamente seu vidro e chamou o homem que se aproximou rapidamente para ouvi-la. Ela falou baixo, mas Snape conseguiu ouvir cada palavra que ela dissera, mas mesmo que não ouvisse seria claro o pedido que ela fez, pois o homem imediatamente voltou para o carro e o retirou da vaga que agora era ocupado pelo carro da mulher. Ainda olhando-a surpreso Snape saiu do carro e esperou Harry sair também para arrastá-lo para perto de si enquanto iam para dentro do shopping fugindo do frio.

– Muito obrigado, senhora Smean, realmente não precisava. – Disse Snape parando na entrada e olhando para ela intensamente tentando decifrá-la.

Harry de repente voltou a realidade com o pensamente que tivera ao ver Snape olhando para a mulher. Será que seria tão impossível assim que Snape arranjasse alguém como a senhora Smean? Claro que se fosse pela conta de Snape ficaria sozinho para o resto da vida, mas e se ele ajudasse? Realmente não iria querer que seu pai ficasse sozinho, não depois de tudo que já sofrera. Talvez ele precise de alguém com ele, alguém atencioso e bonito, alguém como Vany Smean.

Com certeza Rony e Hermione o chamariam de louco, mas por que não tentar algo assim? Os pais deles já tinham seus pares, já tinham com quem compartilhar a vida, seus medos e inseguranças, alguém para deitar ao lado a noite e o abraçarem até que o sono o carregassem. Mas Snape não, Snape era solitário, sempre andara em uma estrada vazio. Por mais que o homem mostrasse estar satisfeito com a vida que tinha, Harry sabia que no fundo ele precisava de alguém, por mais que não quisesse, ele precisava.

– Senhora Smean? – Chamou Harry se aproximando. – Será que não quer passar a ceia de Natal conosco?

Snape virou-se para Harry com o típico olhar de quem está vendo uma segunda cabeça nascer no pescoço do menino. Harry deveria estar louco, onde ele queria chegar com aquilo?

– Acredito que a senhora Smean não queira ser incomodada na véspera de Natal, Harry. Já a incomodamos demais, vamos deixá-la em paz.

– Na verdade. – Disse a mulher. – Seria muito bom, se não fosse incomodar é claro, eu e Riley estamos sozinhas e ter uma companhia esse ano seria muito bom.

– Então está tudo certo. – Disse Harry animado.

– Calma, mocinho, quem tem que aceitar é seu pai.

Snape foi tomado de surpresa ao ouvir a mulher falar daquela forma sobre ele e Harry e era até mesmo gostoso ouvir alguém se dirigir a eles como pai e filho indicando claramente que aquilo que tentavam construir estava dando certo inclusive aos olhos dos outros.

– E então, pai, qual a sua resposta?

Com certeza estava ficando louco, mas odiava ver aquele brilho nos olhos de Harry e pensar que eles poderiam se apagar, então, no fim, só havia uma resposta a ser dada para a mulher.

– Eu ficaria encantado com sua presença, senhora Smean.

– Que ótimo, mas me chame de Vany apenas.

– Certo então, Vany.

– Ouviu filha, vamos ter um Natal diferente esse ano. – Disse a mulher para a menina que ficou pulando graciosamente no mesmo lugar. – Acho que temos então que nos apressar para comprar as coisas para a ceia.

O restante do tempo Snape usou apenas para observar a mulher, Harry e a menina conversando entre si. Vany era, sem dúvida nenhuma, graciosa e engraçada, pois Harry não parava de rir e Snape sabia que ele não estava mais sobre o encanto de seu charme. Enquanto a mulher fazia compras no mercado deixando Harry empurrar o carrinho com Riley dentro, ele apenas permaneceu alguns passos para trás andando silenciosamente pelos corredores pensando e balançando a cabeça algumas vezes quando Vany lhe perguntava alguma coisa.

– O que foi, Snape? Está tão calado.

Vany parou muito perto de si, perigosamente perto para seu próprio bem, ninguém nunca chegara assim tão perto e Snape se sentiu sufocado. Deu um passo para trás e balançou a cabeça negativamente.

– Tem certeza de que não tem problema passarmos o Natal com vocês?

– Não há problema, Vany. – Disse Snape olhando profundamente nos olhos claros da mulher.

Porque a estava olhando tão atentamente? Porque não se afastava? E de onde vinha aquele perfume floral e gostoso? Provavelmente dos cabelos loiros dela, tão claramente macios e ...

Qualquer pensamento quanto os cabelos da mulher foram interrompidos pelo barulho estrondoso de um carrinho caindo. Snape automaticamente levou a mão até o bolso onde colocara a varinha, mas o tirou logo em seguida, pois não havia comensais ou qualquer tipo de ameaça além da extrema burrice de Harry que neste momento agonizava embaixo de um carrinho de mercado.

– Seu moleque idiota. – Disse Snape correndo em sua direção e tirando o carrinho de cima dele com raiva.

– Riley! – Gritou Vany correndo em direção a menina que estava parada ao lado de Harry. – Está tudo bem, meu amor?

– Sim, mamãe, está tudo bem.

– Que bom. E você, Harry? – Perguntou abaixando-se ao lado do menino. – Parece feio.

O braço de Harry estava cortado desde o cotovelo até o pulso, o menino gemia baixinho segurando-o com a outra mão e evitava o olhar de Snape que permanecia em pé olhando-o com aquele olhar que odiava sentir.

– Acho que precisa ir para o hospital.

– Não será necessário. – Disse Snape erguendo Harry com uma mão. – Cuido disso quando chegar em casa.

– Snape! Ele precisa ir para o hospital. Agora! – Disse a mulher olhando-o com força colocando as mãos nos quadris e enfrentando o olhar homicida de Snape como se não fosse nada mais do que apenas um olhar irritado.

Como para confirmar o que ela disse Harry amolecera em seus braços desmaiando e o forçando a segurá-lo.

– Chamei uma ambulância. – Disse alguém no meio da multidão.

– Ele deve ter batido a cabeça, deite-o novamente. – Disse outro.

Snape rosnou e deixou Harry no chão imobilizado, tudo que queria era levar Harry até algum lugar e desaparatar diretamente para sua casa onde poderia cuidar dele sem os olhares dos outros e sem a necessidade de levá-lo para um hospital trouxa onde não poderiam cuidar dele devidamente.

A ambulância chegou em alguns minutos e carregou Harry para o hospital local. Vany levou Snape e Riley em seu carro. Ao chegar ao hospital Snape preencheu a ficha de Harry e discretamente confundiu a enfermeira para que ela pensasse que ele tivesse o convênio que cobriria os cuidados do menino.

– Onde ele está? – Perguntou Snape olhando para a enfermeira.

– Está indo para a sala de emergência, temos que fazer alguns raio x para ver se houve algum problema na cabeça devido o impacto.

– Quero vê-lo, agora. – Disse Snape dando um passo a frente e encarando a mulher com ferocidade, ela deu um passo para trás.

– Tenho certeza que ele está em boas mãos, Snape. – Disse Vany se aproximando e postando a mão em seu ombro. – Vamos apenas esperar.

Snape não se mexeu, suas mãos prenderam-se na beirada do balcão e ele olhou novamente para a mulher com ódio. Como que ela poderia dizer a ele que não teria permissão de ver Harry, de saber como ele estava? Ela tinha alguma noção de que ele era um comensal? De que se quisesse ela morreria sem nem mesmo saber que fora ele o autor do assassinato. Sua mão formigou e devagar se movimentou em direção ao bolso onde estava sua varinha, mas antes que pudesse tocá-la e recitar mentalmente o feitiço, dedos de fecharam em sua mão apertando-a com força. Ao olhar surpreso viu que dedos finos e delicados com unhas perfeitamente bem feitas se fechavam na sua. Seu olhar acompanhou o braço fino até o ombro feminino que se seguiu até o rosto belo e encantador de Vany Smean.

– Não faça isso. – Disse a mulher baixinho para somente ele ouvir. – Vai ficar tudo bem, Snape.

Snape engoliu em seco e olhou mais uma vez para a enfermeira que novamente se encolheu, e então virou-lhe as costas e encaminhou-se para a sala de espera sentando-se em uma cadeira dura e fria para aguardar o médico. Vany se sentou ao seu lado e somente naquele momento percebeu que ainda estava de mãos dadas com a mulher. Devagar liberou-a dela e cruzou seus dedos embaixo do queixo permanecendo imóvel até que o médico apareceu minutos mais tarde.

– Senhor Snape? – Chamou o homem.

– Sim. – Disse Snape se levantando.

– Boas notícias. Harry está bem, teve apenas uma leve concussão que já passou e um corte no braço que precisou de alguns pontos, de resto está ótimo.

– Posso levá-lo?

– Pode sim.

– Ótimo.

Sem nem mesmo esperar o médico dizer alguma outra coisa Snape seguiu em diante e entrou no quarto de Harry que tentava colocar a blusa com uma única mão. Sem se importar se aproximou do menino e pegou sua blusa abrindo-a esperando-o colocar o braço para depois ajudá-lo a por o outro que estava enrolado em bandagens.

– Está doendo? – Perguntou para o menino.

– Não, só incomoda.

– Quando chegarmos em casa vamos sarar isso com uma poção e você ficará bom rápido.

– Obrigado.

Snape fechou o casaco de Harry e arrumou seus cabelos. Havia em seus olhos a mesma preocupação que tivera no dia do Beco Diagonal quando a sorveteria explodiu com o atentado comensal, mas ele apenas machucou o braço e bateu a cabeça levemente, não havia o que se preocupar. Ao se virar Harry viu que paradas no batente da porta estavam Vany e Riley olhando-os, assim que se viram um sorriso nasceu no rosto de Vany e ela se aproximou.

– Tudo bem então, Harry?

– Tudo sim.

– Então, acho que vamos voltar para fazer nossa ceia?

– Senhora Smean, acho que devido as circunstância, é melhor cancelarmos tudo. Preciso levar Harry para casa. Agradeço por tudo.

– Acho que combinamos que deveria me chamar de Vany. – Disse a mulher rindo. – Acredito que com um menino machucado será muito difícil preparar uma ceia e montar uma árvore.

Snape estava prestes a negar novamente, mas Harry foi apressado e aceitou o convite em seu lugar fazendo-o apenas concordar e novamente entrar no carro de Vany para poderem terminar as compras e irem para casa. Riley ficou impressionada com as bandagens no braço de Harry e grudou no menino como um carrapatinho fofo enquanto Snape ainda tentava compreender como saíra de seu habitual ritmo de vida tão quieto e sozinho para entrar nesse turbilhão que era a presença da mulher ao seu lado.

Ainda sem respostas ele chegou em sua casa e permitiu que todos entrassem antes de fechar a porta e discretamente lançar feitiços de proteção mais poderosos do que os comuns. Vany foi para a cozinha junto com Riley começar a arrumar as coisas para a ceia enquanto Snape colocava a árvore no canto da sala junto com Harry que na verdade apenas ficou olhando.

– Está bravo? – Perguntou Harry olhando para a carranca de Snape. – Pai?

– Não estou bravo. – Respondeu Snape olhando para o menino. – Mas não me agrada em nada você contestar minhas ordens.

– Eu não contestei suas ordens, só não queria que passássemos esse Natal sozinhos.

– Estou acostumado a passar essa data sozinho, estava satisfeito apenas com a sua presença. Tem alguma noção de que me contestando pode acabar arranjando problemas com comensais disfarçados?

– Não pensei nisso.

– Eu sei e por isso sempre te peço para não me contestar. Poderia ter colocado todos nós em risco.

– Desculpe. – Pediu Harry baixando a cabeça. – Queria apenas ter um bom Natal.

Harry não ouviu uma resposta do homem e por isso virou-se para sair da sala, mas assim que virou-lhe as costas o homem o pegou pelos ombros e o trouxe para perto abraçando-lhe com força e ao mesmo tempo cuidado para não machucar seu braço.

– Desculpe. – Pediu o homem. – Não estou acostumado com isso tudo e isso me assusta, não sei o que esperar, mas não quero estragar seu Natal. Então vamos apenas montar essa árvore e ceiar em paz.

– Está bem.

– Mas teremos que esperar elas saírem para podermos curar esse braço.

– Na verdade não precisam.

Snape soltou Harry no mesmo momento e sem o menino nem mesmo ver sacou a varinha e apontou para a mulher que estava parada no batente da porta da cozinha.

– Quem é você?

– Sou Vany Smean, sua vizinha, descendente de veela e conhecedora do mundo bruxo. – Disse sem se incomodar com a varinha apontada para seu peito. – Agradeceria se abaixasse sua varinha Snape. Se eu fosse uma ameaça você saberia e teria me impedido há muito tempo.

– Por que não disse antes que sabia que somos bruxos?

– Porque não achei conveniente. – Respondeu. – Porém estamos na véspera de Natal e logo logo iremos ceiar juntos, a verdade deve sempre prevalecer e além do mais, não deixarei que Harry fique desconfortável com essas bandagens só porque eu não queria me revelar. Sabendo que sei você poderá dar-lhe uma poção que o deixará bem e assim ele poderá curtir melhor o feriado.

Snape permaneceu com a varinha estendida para a mulher e não tinha a intensão de baixa-la, porém Vany não tinha medo de seus olhos negros e homicidas, nem de seu rosto talhado em ferro e emoldurado por seus cabelos pretos. Ela deu dois passos a frente evidenciando a diferença de altura. Snape não se mexeu, apenas forçou mais os dedos na varinha, Vany se aproximou outro passo até que a ponta da varinha encostou-se em sua blusa azul.

– Vamos, Snape. Você sabe que eu não sou um perigo. Você já sentiu isso.

Vany encostou sua mão na mão de Snape forçando-a levemente para baixo fazendo-o baixar a varinha e permanecer olhando-a intensamente, tão intensamente que Harry saiu da sala sem que eles tivessem percebido. Os dois ficaram em silêncio apenas se olhando até que Vany riu e baixou o olhar.

– Não vai conseguir ler muito mais do que isso, Snape. Toda a minha vida já passou diante de seus olhos, eu não tenho nada mais para te mostrar.

– Todos temos segredos. – Disse o homem baixinho.

– Eu sei, mas eu não tenho o que esconder. – Disse Vany olhando-o novamente. – Vamos apenas curtir o feriado.

A mulher deu-lhe as costas e foi para a cozinha onde Riley separava os ingredientes que a mãe usaria junto com Harry.

– Meu amor, porque você não começa a arrumar a árvore enquanto Snape trata do Harry?

– Sim mamãe.

Snape olhou mais uma vez para a mulher que já estava colocando um avental antes de pedir para Harry se sentar e depois ir para seu laboratório onde pegou uma poção e voltou para a cozinha. Após alguns minutos em que Harry tomou a poção o efeito pode ser visto claramente em sua pele. Os pontos soltaram-se e o corte cicatrizou rapidamente deixando Harry apenas com uma leve coceira onde antes estaria o corte. Não havia mais dor e nem incomodo, agora estava tudo bem.

– Harry, vai ajudar a Riley. Acredito que eu e Vany temos algumas coisas para conversar.

– Sim, pai.

Vany sorriu para Harry e depois voltou-se para o fogão onde colocou algumas panelas em cima e depois foi para a pia começar a cortar alguns legumes para temperar a carne.

– O que quer saber?

– Por que vive em um mundo trouxa?

– Vivo no mundo trouxa há muitos anos, nunca tive tanto contato com o mundo bruxo, para falar a verdade prefiro muito mais as dificuldade dos trouxas e não senti nenhuma vontade de me mudar após meu marido morrer. Resumindo estou muito bem aqui.

Snape abriu a boca para dizer mais alguma coisa, porém nesse exato momento sentiu a ardência em seu braço e teve que se esforçar para esconder isso da mulher que prestava bastante atenção em si.

– Aconteceu alguma coisa?

– Não. – Disse Snape apertando o braço inconscientemente. A dor aumentou, por algum motivo o Lord o queria imediatamente. – Acredito em você, Vany e preciso te pedir um favor.

– O que quiser.

– Tenho que sair rapidamente, por favor cuide de Harry e não saia daqui.

– Aconteceu alguma coisa não foi?

– Por favor, só fique aqui até eu voltar.

– Está bem.

– Vou sair pelos fundos para que Harry não se preocupe, diga que tive que sair e volto logo.

– Ok.

Snape balançou a cabeça rapidamente e depois se dirigiu a saída. A tarde estava fria e nevava, mas isso não o incomodou e nem parou seus passos até chegar ao portão da cerca onde poderia sair para a rua e desaparatar para o ponto de encontro com o Lord.

– Snape!

O grito fez Snape se virar e ver a mulher correndo pelo jardim com seu vestido voando ao vento e sua pele arrepiando-se com o frio. Ele não se moveu, apenas a aguardou se aproximar e nem mesmo reagiu quando os braços dela envolveram seus ombros em um abraço apertado.

– Tome cuidado e não deixe o Lord saber de Riley. – Pediu a mulher baixinho em seu ouvido antes de beijar-lhe a face e correr de volta para a casa.

Snape iria gritar de volta, correr atrás dela e pegá-la pelos braços fazendo-a o olhar e a obrigaria a dizer a verdade, mas na hora que ia se mexer o braço ardeu de novo dizendo que não haveria um novo chamado e se não fosse agora as consequências seriam desastrosas

N/A:

NathiHolmes : Muito obrigada pelo seu review, fico mega feliz que esteja gostando tanto... eu gostei de começar a escrever essa fic justamente pela amizade que nasce entre Snape e Harry acho que é uma coisa que cresce aos poucos enquanto um entra na vida do outro e isso é maravilhoso de ser explorado... bjusss

Daniela Snape : Grande leitora, sempre junto comigo... bjusssss

dels76: fico mega feliz de ver que tenho leitoras fieis mesmo com minha grande demora...que bom que está gostando... bjusss

Liv Stoker : fico mega feliz que tenha gostado... bjussssssss