Olá pessoal, olha ai mais um capítulo...
Capítulo 27 – Quem é você?
Snape desaparatou na frente da mansão Malfoy e se dirigiu a passos apressados para dentro do recinto ignorando completamente a beleza do lugar, nem mesmo o pavão que abria suas penas para chamar atenção conseguiu desviar os olhos do mestre de poções de seu caminho. Snape apenas continuou caminhando até estar no hall de entrada onde parou por apenas um instante garantindo que todos os pensamentos perigosos que precisava esconder estavam devidamente guardados em sua mente atrás de um baú trancado e protegidos por fortes muros mentais. Não podia deixar que o Lord entrasse em sua mente e soubesse que ele estava guardando segredos, ainda mais agora que tinha Harry em uma de suas mãos e o mistério de Vany na outra.
Queria muito saber quem ela era, sabia que a mulher o havia enganado quando leu sua mente no dia em que fora lhe pedir remédio para a filha, naquele momento havia lido uma vida pacata de uma bruxa que deserdou de seu mundo para viver com um trouxa que morrera a pouco. Em nenhum momento visualizou alguma coisa que indicasse que a menina era significante para Voldemort. Fora enganado e aquilo o deixava raivoso, mas precisava se segurar, pois o Lord o esperava.
- Chamou-me milorde?
Lord Voldemort estava em pé na frente da lareira olhando o fogo crepitar ali dentro. A principio não deu atenção a Snape, ficou parado, apenas olhando as labaredas até que levantou a cabeça e se virou para encarar o comensal. Não houve uma única alteração na fisionomia de Snape, ele não se movera um único centímetro, apenas continuou encarando o homem e esperando seus dizeres.
- Sim, Severus. Quero saber se tem alguma novidade sobre Dumbledore e Harry Potter.
Essa era a pior parte de seus encontros com o Lord, sabia que precisava dar as informações necessárias para deixa-lo satisfeito, caso contrário sua cólera seria fortemente sentida.
- Dumbledore ainda está muito desconfiado de Draco, me mandou ficar de olho e continuar tentando persuadi-lo a me contar o que ele está fazendo. Ele tem esperanças de que eu consiga impedi-lo de cumprir sua tarefa seja ela qual for.
- Mas você não irá impedir, não é mesmo, Severus?
- Claro que não, milorde. – Respondeu Snape naturalmente. – Sabe que minha lealdade é somente ao senhor.
- Ótimo, e quanto à Harry Potter?
- Potter está aos meus cuidados e protegido pelos feitiços de Dumbledore. Nenhum comensal chegou perto do menino enquanto esteve comigo.
- Excelente, não posso tocá-lo ainda. Mesmo com o ritual feito ano retrasado a proteção daquela sangue ruim maldita foi muito forte, não posso suportar a dor quando tento machucá-lo.
- É uma pena, milorde.
- Mas tenho paciência, meu caro. Sei aguardar o momento certo para atacar.
- E será quando?
- Não seja tão impertinente, Severus.
- Peço perdão, milorde.
Snape baixou os olhos e encarou o chão. Voldemort se aproximou devagar e passou raspando suas vestes em seu braço deixando em seu corpo um mal estar horrível, como se alguém tivesse jogado um balde de gelo por sua garganta. A sensação desceu por seu corpo arrepiando seus pelos e o fez fraquejar as pernas e cair de joelhos no chão. Snape levou a mão até a garganta sentindo-a ser comprimida e a falta de ar lhe ocorrer.
- Sabe que não perdoo nem mesmo o menor dos acasos.
Sim, ele sabia disso. Sabia que fora completamente imprudente ao perguntar algo que o Lord não contaria de nenhuma forma. Deveria ter permanecido calado, agora sofria as consequências. Voldemort parou diante de si e apontou a varinha para sua cabeça. Snape sabia o que ele faria e se esforçou para guardar tudo corretamente mesmo enquanto a dor o afogava em desespero.
- Olhe para mim, Severus.
Snape ergueu o olhar e se deparou com a varinha do Lord a milímetros de seus olhos. Mais uma vez tentou respirar e então sentiu as garras o rasgando por dentro.
Quando desaparatou no beco perto de sua casa teve que se apoiar na parede para não cair. Seu corpo estava completamente cansado e esgotado. Sua mente fora rasgada e explorada. Lord Voldemort não perdoava e deixou isso muito bem claro enquanto cortava em tiras os pensamentos mais profundos em busca de algo que ele tivesse deixado escapar, algo que o incriminasse e lhe desse motivo para matá-lo.
Mas tudo estava a salvo. As paredes por pouco não foram rompidas, mas Snape foi forte, mesmo que a falta de ar lhe fizesse ver estrelas pipocando em seus olhos. Agora só faltava descobrir a razão de ter mentido e sofrido.
Ao abrir a porta encontrou a sala carregada em sombras, iluminada apenas pelas luzes da árvore ao canto e da lareira acesa. Harry estava na poltrona dormindo, no sofá esticada estava a menina e caminhando em sua direção vinha Vany.
- Demorou. – Disse a mulher. – Tivemos que cear sem você. Harry não gostou.
Snape não percebera que havia demorado tanto para voltar, franziu a testa lembrando-se de ter desmaiado após o terceiro cruciatus, mas de nenhuma forma se recordava de ter apagado por tanto tempo assim. Olhou o relógio na parede, já passava da uma da manhã. Baixou a cabeça suspirando, não virou a noite com Harry. Deveria ter passado, era sua obrigação permanecer ao seu lado principalmente em momentos como aquele onde o menino o abraçaria e desejaria Feliz Natal antes de sorrindo abrir o presente que deixaria embaixo da árvore. Era para ser um momento dos dois e, no entanto, foi um momento dele com Vany. As mãos de Snape fecharam-se em punho com a raiva. Tudo sempre dava errado em sua vida devido suas obrigações para com o Lord e mesmo quando é para dar tudo certo ele atrapalha.
Devagar foi até a sala e olhou para o menino que dormia pesadamente com a boca aberta deixando um filete de saliva descer pela bochecha. Snape achou engraçado, mas escondeu o sorriso que reservava somente para quando estava sozinho com o menino. Harry se mexeu lentamente em meio ao sono e se encolheu com frio. No mesmo momento Snape retirou a capa do corpo e cobriu o menino acariciando seus cabelos devagar.
- Você falou sobre Riley? - Sussurrou Vany às suas costas.
Snape passou o olhar de Harry para a menina que dormia no sofá coberta com o cobertor que Harry provavelmente lhe dera para se proteger do frio. Sua expressão era suave e seus cabelos loiros caiam suavemente em sua testa. Era linda e incrivelmente inocente, apenas uma pura criança. Uma menina que não significaria perigo a ninguém e que, no entanto, deveria ser escondida. Snape virou-se então e encarou a mulher com fúria em seus olhos, a mulher que conseguira enganá-lo. Os olhos dela apresentavam surpresa e medo. Franzindo a testa Snape agarrou o braço dela com força e a arrastou escada acima diretamente para seu quarto fechando a porta antes de empurrar Vany contra a madeira sólida e encará-la atentamente.
- Quem é você? - Perguntou Snape com a voz baixa e autoritária.
- Está me machucando. - Disse Vany tentando se soltar das garras de Snape que só faziam apertar mais seu braço. - Me larga.
- Não até que me diga quem é você e por que fui obrigado a mentir para o Lord das Trevas.
Vany sentia seu braço arder com o aperto da mão do homem e temia jamais conseguir esquecer seu olhar homicida. Sabia que precisaria contar, a vida de Riley dependia dele e a sua também.
- Eu vou contar, vou te dizer tudo que quiser saber, mas primeiro solte-me.
Demorou alguns segundos para que Snape se afastasse, mas enfim ele abriu os dedos e retirou a mão do braço da mulher dando um passo para trás sem, no entanto, parar de observá-la. Vany endireitou-se e esfregou os braços com a mão, estavam doloridos e ficariam marcados.
- Estou aguardando, mas preciso avisá-la que minha paciência é bem reduzida.
- Acho que pude perceber. - Disse Vany caminhando para longe e sentando na cama de Snape apoiando as costas na cabeceira e esticando as pernas. - Odeio conversar com alguém de pé, senta, por favor. - Pediu batendo a mão no colchão indicando que ele deveria se sentar ao seu lado.
Snape nada disse, apenas estreitou os olhos e pegou uma cadeira no canto colocando-a ao lado da cama onde se sentou cruzando pernas e braços. Após esperar alguns segundos Snape indicou que ela deveria começar a falar.
- Percebi que você não gosta de rodeios. - Snape concordou com a cabeça. - Ok. Estou me escondendo do Lord das Trevas porque meu marido, pai de Riley, era um comensal desertor ou traidor, o que preferir. Seu nome era Daniel.
- Não me recordo de nenhum Daniel.
- Provavelmente não, ele não era importante. Nem ao menos recebeu a marca. Mas era muito inteligente e depois que nos conhecemos ele usou a inteligência para derrotar o Lord. Aproveitando o fato de ser ignorado pelo Lord e também por ser um animago clandestino Daniel se infiltrava como abelha em muitas reuniões secretas e coletava as informações importantes para sabotar os planos dele. Daniel fez uma verdadeira bagunça em meados de 78.
- Ah, então foi seu falecido esposo o culpado pela cólera do Lord quando o atentado ao Ministério não deu certo.
- Imagino que deve ter sido castigado, peço desculpas, mas foi necessário, Daniel só queria fazer o bem. Claro que depois disso o Lord ficou desconfiado e Daniel precisou ter muito mais cautela, entretanto, toda cautela não foi suficiente, ele descobriu a traição dele e jurou sua morte. Meu marido fugiu comigo para outro país. Ficamos alguns anos fora e só voltamos bem depois que ele fora derrotado. Ainda assim não estávamos a salvo, Comensais da Morte perseguiram Daniel uma vez ainda o acusando de traição, parece que eles não haviam esquecido. Depois disso ele foi embora, desse que era muito perigoso ficar perto dele. Vivemos longe um do outro por anos, ele vinha me visitar sempre que podia. Alguns anos depois tive Riley e tudo parecia estar indo bem. Daniel voltou para casa para ficar comigo. Achamos que depois de tantos anos estaríamos seguros, mas estávamos enganados. Quando Riley tinha poucos anos de idade Daniel chegou em casa trazendo uma bruxa velha e aparentemente caduca. Disse que ela lhe parara na rua e recitara uma profecia, nela dizia que a vingança antiga ainda seria cumprida, mas somente após a partida do culpado e a volta do revoltado, e que toda a ira cairia em cima do inocente marcado com o sangue do traidor.
"Fiquei louca, gritei com a bruxa e a mandei embora, mas Daniel disse que havia mais, disse que havia alguém que me encontraria, seria aquele que protegeria Riley de seu destino e que ele seria o único capaz de me ver através do feitiço que colocariam em mim. Eu não queria acreditar, mas Daniel me convenceu disso. Segundo a bruxa o feitiço só nos encobriria do mundo após a morte dele o que ocorreu três anos depois. Riley tinha cinco anos na época. A bruxa apareceu na minha porta aquela noite, arrumou minhas coisas e me trouxe para o mundo dos trouxas me avisando de que deveria aguardar a chegada daquele que poderia me salvar. Foi então que vi você.
- E você achou que eu seria o tal salvador. - Não era uma pergunta.
- A princípio, não, você nunca estava em casa e quando estava me ignorava completamente, o que é difícil um homem fazer devido minha descendência veela. Cheguei a pensar que era gay. - Snape ergueu as sobrancelhas nesse momento. - Mas depois apenas desisti achando que você não era a pessoa certa.
- O que a fez mudar de ideia?
- A bruxa apareceu em minha casa em Julho e me disse que as coisas haviam mudado e que a pessoa agora não era somente a minha salvação, mas portaria aos seus cuidados o maior desejo do Lord e então me aparece Harry Potter na janela de sua casa me observando. Não havia mais duvidas, era você, tinha que ser. Por isso vim aqui pedindo remédio para Riley. Sabia que se não fosse você a porta nem se abriria, mas você abriu.
- Fico comovido com sua história. - Disse Snape descruzando os braços apenas para poder arrumar os cabelos. - Mas há alguns furos que não percebeu ao elaborá-la. Dumbledore também pode lhe ver.
- Olha. - Disse Vany jogando as pernas para fora da cama e olhando nos olhos de Snape. - Eu não sei como é esse feitiço que ela jogou em mim e em Riley, talvez seus aliados possam me ver ou pode ser pelo poder dele. Não importa, o que importa é que é você.
- Sabe que não acredito em uma palavra do que disse.
Vany baixou a cabeça derrotada, se ele não acreditava então não iria protegê-la. O tempo estava acabando, sabia disso, podia sentir dentro de si o perigo se aproximando de Riley. Aquele homem a sua frente seria sua única saída, somente embaixo de suas asas, sob sua proteção estaria segura. O desespero tomou-lhe a alma. E se ele a mandasse embora dizendo que não iria ajudar? O que faria? Não haveria o que fazer, ele era... ele era o dono do seu destino.
Respirando fundo levantou a cabeça e olhou para o homem com lágrimas escapando de seus olhos e rolando por sua bochecha.
- Por favor. - Sussurrou.
Snape desgrudou as penas e apoiou os cotovelos no joelho prendendo seu forte olhar nos frágeis olhos dela. Vany era bela, mas chorando ficava mais bela ainda e Snape odiava isso.
- Pare de chorar senhorita Vany. - Disse baixinho. - Lágrimas nunca me comoveram. Não acredito em uma palavra do que disse. - Vany baixou a cabeça derrotada. - No entanto posso confirmar sua história com um feitiço.
- Veritasserum?
- Não, algo mais poderoso e igualmente perigoso. Se estiver realmente querendo que eu acredite.
- Quero. - Exclamou a mulher ajoelhando-se diante do homem e postando suas mãos nos joelhos de Snape. - Por favor, preciso que me ajude. Faça o que quiser para que acredite.
Snape respirou fundo, retirou sua varinha trancando e silenciando o quarto antes de estender suas mãos postando-as na cabeça da mulher delicadamente. Devagar a puxou para si fazendo-a ficar no meio de suas pernas com as mãos agora em suas coxas. Seus rostos estavam a milímetros de distância e quando ele falou seu hálito quente atingiu seu rosto deixando-o corado.
- Olhe para mim e não se mexa.
Vany obedeceu e permaneceu quieta apenas o olhando ainda que seus joelhos estivessem protestando de dor. Snape mexeu as mãos enterrando-as nos longos, cacheados e macios cabelos loiros da mulher. Seu dedo postou-se no meio de sua bochecha deixando-a impossibilitada de mexer a cabeça e suas pernas fecharam-se em seu corpo prendendo-a fortemente. Vany se sentiu desconfortável com o olhar penetrante que o homem lhe deu e ainda mais com a força com que ele a prendia. O quarto estava silencioso, somente o tictac do relógio era ouvido além de sua rápida respiração. Seus olhos estavam presos nos tuneis profundos de Snape que de tão concentrado parecia não estar presente de alma.
- Severus? - Chamou baixinho.
O homem não respondeu, apenas apertou mais a perna agora começando a deixar a mulher com medo. Vany postou as mãos nas de Snape forçando-as a libertá-la, mas as mãos de Snape pareciam garras em sua cabeça. Seus olhos arregalaram e o medo arrepiou seus pelos. Com força empurrou as pernas do homem, mas nem mesmo com toda a força de seus braços as pernas dele se mexeram. Estava completamente presa a ele. Chamou seu nome, gritou por ele. Mas Snape continuou a olhando. O relógio continuou seu percurso rodando os segundos enquanto ela se esforçava para se libertar. Foi então que o ponteiro dos segundos passou pelo número doze exatamente no momento em que seus olhos prenderam-se com força nos dele.
O tempo parou, não havia mais quarto, não havia mais casa, nem qualquer outra coisa. Vany permaneceu presa por Snape, a sua volta viu todas as lembranças que tanto guardou. O início de tudo quando ainda nem ao menos sabia quem era Daniel. Viu as imagens passarem com rapidez nos olhos negros. Seu próprio rosto, o de Daniel, seus momentos até mesmo os íntimos. Tudo nos olhos de Snape. Então, depois do que pareceram horas de agonia sentindo e vendo sua vida pelos olhos dos outros o chão retornou para debaixo de seus pés. O ponteiro do relógio voltou a andar assim que respirou fundo sentindo o golpe gelado na garganta que a empurrou para longe do homem. Caiu no chão de madeira tossindo e tremendo.
- O que aconteceu? - Perguntou sentando e olhando para Snape que largou o corpo na cadeira jogando a cabeça para trás e respirando fundo. - Snape?
Vany se levantou com dificuldade sentindo o corpo amolecer a cada passo e se aproximou do homem devagar. Snape estava com os olhos fechados e respirava com dificuldade. Seu rosto tinha uma expressão de completo esgotamento e suor saia de sua testa escorrendo para seus cabelos.
- Snape? - Chamou sacudindo o homem e vendo seus olhos abrirem alguns milímetros. - O que houve?
- Lord... cruciatus. - Balbuciou o homem antes de se entregar ao inconsciente.
A soma dos cruciatus com o esforço para ler a mente de Vany fora tão grande que o esgotara completamente. Snape desmaiou e nem mesmo sentiu quando Vany o levitou diretamente para a cama o arrumando e cobrindo antes de largar a si mesma ao lado caindo em completa escuridão.
N/A:
Marcya: Desculpe a demora em postar, estava em um momento complicado da vida em que não há tempo para nada, mas estou me resolvendo aos pouquinhos e estou com pouco mais de tempo para postar minhas fics... espero que goste desse capítulo tb... eu adoro
Daniela Snape: Eu tb adoro ver a relação dos dois nesse nivel fraternal... é lindo neh
Gaia-Sama: A Vany realmente é muito legal e muito poderosa como vc verá depois...
Guest: que bom que esta gostando, fico mega feliz... bjus
