Olá pessoal, segue mais dois capítulos da fic, espero que gostem bastante, quero agradecer a Marcya e Daniela Snape pelos reviews... vcs me deixam muito feliz... bjussss
Capítulo 30 - Os conselhos de Dumbledore
Harry colocou as últimas peças de roupa dentro do malão e o fechou deixando-o em cima da cama, não era tão pesado quanto o que levava no inicio do ano letivo, pois seus materiais estavam no dormitório em Hogwarts, mas tinha um peso considerável já que tinha que levar suas coisas e as de Almofadinhas que no momento estava tentando morder seu tênis. Sabia que ele não era uma criatura mágica, por isso necessitava levar pacotes de ração para poder alimentá-lo descentemente. Harry riu e tirou o tênis da boca do cachorro que por ser muito filhote não conseguia nem mesmo arranhar o sapato, o cachorro o olhou como se fosse um ser maligno que acabara de arrancar seu brinquedo favorito, mas logo abanou o rabinho e correu para seu lado.
- Vamos embora Almofadinhas. - Disse pegando o cachorro nas mãos.
Snape aguardava na sala, lia um livro de sua coleção pessoal. Nada novo, provavelmente algum titulo que já lera diversas vezes e que só pegara para tentar encher sua cabeça com algo que não fosse a vizinha loira. Harry não era burro, talvez um pouco obtuso em algumas poucas coisas e principalmente em paquera, mas sabia muito bem que o motivo do homem não ter dormido a noite e ficar olhando pela janela o tempo todo era porque Vany não aparecera. Isso também não deixava Harry feliz. Gostava da mulher. Sabia que duas semanas era pouco tempo, mas já conseguia sentir um carinho especial pela mulher e principalmente por Riley que fizera nascer em si um sentimento novo e esquisito, o sentimento de proteção. Não sabia dizer quando começou a sentir aquilo, talvez tenha sido na primeira vez que a viu, mas sabia que agora havia em si uma necessidade tamanha de protege-la de tudo e deixa-la feliz, exatamente como... como um irmão mais velho.
Aproximou-se devagar da janela e olhou para a casa mais bonita do bairro, viu a menininha no quintal mexendo nas rosas que sua mãe plantara recentemente e protegera do frio com um feitiço. Almofadinhas bocejou em sua mão no exato momento em que lembrou-se de Rony e Hermione. Claro que tinha os dois como irmãos e sentia um apresso enorme por eles, mas era diferente, daria a vida por qualquer um deles sem pensar duas vezes, isso era uma certeza. Só que ambos eram da mesma idade e sabiam o que era certo e errado, o que podia machucar e o que não. Já Riley era uma menininha fofa de nove anos que não tinha ninguém mais além da mãe e por isso grudara em si como chiclete admirando-o e seguindo seus passos. Esperava não demorar muito tempo para vê-la novamente.
Quando a pequenina entrou na casa e só o que via era o quintal cheio de neve, Harry voltou-se para Snape que continuava lendo seu livro.
- Quando vamos? - Perguntou se sentando no sofá.
- Assim que eu receber o aviso de que é seguro ir.
- E como será dado esse aviso?
Como se para responder sua pergunta, Harry ouviu o barulho de asas batendo fortemente e em seguida Edwiges entrou na sala indo pousar no braço recém estendido de Snape. O homem retirou um pequeno bilhete de seu bico e leu enquanto a ave pousava nas pernas de Harry recebendo um afago de seu dono e olhando torto para a bolinha de pelo negro que dormia na outra mão de Harry.
- Vou pegar seu malão. - Disse Snape levantando-se. - Prenda muito bem esses animais nas gaiolas.
Harry torceu o nariz para a forma como Snape falara, mas logo deixou isso de lado, aquele era o jeito dele fingir que não se importava, mas Harry sabia que ele se importava, ele só não gostava que os outros soubessem. Com cuidado colocou Almofadinhas na cestinha de viagem e tentou colocar Edwiges na gaiola, mas ganhou muitas bicadas antes que conseguissem sequer tocar na ave, foi somente após muito explicar que não a abandonaria que a ave parou de bica-lo e o deixou prendê-la.
- Onde está o malão? - Perguntou vendo o homem descendo com as mãos vazias.
- Em meu bolso. - Snape passou direto por Harry e pegou o pote de pó de flú. - Arthur está nos esperando. Vamos logo.
O pó foi jogado na lareira fazendo irromper chamas tão verdes quanto os olhos do menino que adentrava o local com a gaiola de Edwiges na mão. Harry sentiu as chamas geladas lamberem seu corpo antes de dizer em alto e bom som o destino. "A Toca". Mais uma vez poderia confirmar que viagem com pó de flú não era uma de suas favoritas. Quando aterrissou na sala dos Weasley sentiu-se tonto e deu graças a Deus por ser puxado para os braços da senhora Weasley, pois ou ele cairia ou seria amassado por Snape que chegou alguns segundos depois.
- Oh, Harry, que bom vê-lo. - Disse a senhora Weasley o afastando alguns centímetros para inspecioná-lo como sempre fazia, pelo canto do olho Harry viu Snape entregar a cestinha de Almofadinhas para um abobalhado Rony e olhar para a mulher com uma carranca. - Quem diria, você está muito bem Harry. Se alimentou direito?
- É claro que se alimentou. - A voz ferina de Snape fez com que todos olhassem para o homem. - Ele estava aos meus cuidados.
- Não se ofenda, Severus. - Disse a senhora Weasley sem se importar com o comentário do homem e continuando a revista no garoto. Harry não se importava já se acostumara, mas Snape não estava gostando nada daquilo. - Sei que cuidou muito bem dele, afinal, Dumbledore confia em você.
- Eu também confio. - Harry tentou ser muito gentil com a matriarca dos Weasley ao se desvencilhar das mãos dela, não queria magoá-la, mas sabia que ela não era a fã número um de Severus e ficara muito magoada por não passar o Natal na Toca. - Vamos nos atrasar.
- Tem razão querido, tem razão. Gina, já pegou seu malão?
Quando a senhora Weasley se afastou Snape se aproximou devagar e quase inconscientemente arrumou o colarinho de sua camisa que estava torto enquanto avisava que estaria esperando no carro. Harry entregou a gaiola de Edwiges para o homem que logo em seguida pegou a cestinha do cachorro das mãos de Rony que o olhava com mais cara de abobalhado ainda. Harry sabia muito bem que Snape não disse nada sobre a boca aberta do ruivo por que estava ali e não gostaria de ouvir ofendas direcionadas a um amigo seu.
- Não acredito. - Sussurrou o ruivo. - Aquele é realmente o Snape? - Harry assentiu. - O nosso professor? - Harry assentiu novamente começando a achar graça. - Tem certeza que você não jogou um Império nele? Ele te comprou um cachorro!
Agora Harry jogou a cabeça para trás e gargalhou. Definitivamente aquela história demoraria muito para conseguir se fixar em sua cabeça. Ainda rindo Harry saiu da casa encontrando um carro do Ministério aguardando-os. Snape sentou-se no banco do passageiro na frente e Harry se espremeu atrás com a senhora e o senhor Weasley, Rony e Gina que lhe deixava a par de tudo que acontecera nas férias de Natal. Harry queria muito contar sobre sua estadia na casa de Snape, mas sabia que isso resultaria em falar sobre Vany e Riley, além de não saber se podia contar sobre a existência delas, provavelmente o pai não gostaria de ouvir sobre elas. Snape era orgulhoso demais para admitir, mas sabia que ele sentia falta delas, principalmente de Vany. Apesar do pouco convívio, aquele tempo juntos foi o suficiente para fazer com que o homem começasse a sentir alguma coisa e se dependesse de Harry seu pai não ficaria sozinho.
- E então Harry. - Disse Gina chamando sua atenção. - O que você fez nesse feriado?
- Eu... hã...
Antes que pudesse arrumar uma desculpa ou armar uma história qualquer o carro parou diante da estação de King's Cross e todos saíram. Snape entregou o malão e a gaiola de Edwiges para Harry, Gina se encarregou de pegar a cestinha do cachorro.
- Então nos vemos na escola. - Disse Snape sabendo que mesmo tendo permissão do Lord para acompanhar Harry em alguns lugares como uma guarda da Ordem da Fênix, aparecer para o mundo bruxo ao lado dele na volta do feriado era abusar demais da sorte. - Não apronte nada ou te deixarei de detenção. - Finalizou cruzando os braços em frente ao peito.
- Não te prometo nada. Mas tentarei.
Com um sorriso torto Snape caminhou sentido contrário da estação e sumiu por uma viela onde poderia aparatar sem ser visto e Harry correu para poder pegar o trem que estava prestes a sair. Quando chegou a Hogwarts Snape foi direto falar com o diretor. Ainda faltava muito tempo para a chegada dos alunos e suas aulas já estavam devidamente arrumadas. Então não havia a necessidade de se preocupar com isso, podia usufruir de seu tempo para tirar algumas duvidas que martelavam sua cabeça.
Ao chegar diante da gárgula de Fênix citou a senha, mas ao invés da gárgula mostrar a escada em espiral e permitir sua entrada ela emitiu um recado em sua voz irritantemente doce dizendo que o diretor estava na Orla da Floresta. Sem agradecer pela explicação deu as costas e caminhou para fora do castelo dando grandes passadas no gelo até chegar a Orla onde encontrou Dumbledore conversando com Hagrid sobre um ser da floresta que estava machucado.
- Acredito que dará certo, Hagrid. - Disse Dumbledore entregando algo que sumiu entre as mãozonas do meio gigante. - É só não deixá-lo ir para a Floresta até que se cure.
- Pode deixar diretor, ele ficará em casa com Canino. Vou levá-lo agora, com licença.
Hagrid deu meia volta e saiu em direção a sua cabana deixando grandes marcas de pegadas no tapete branco que se estendia por toda região. Snape parara a uma distância e apenas aguardava até que Dumbledore se virou, o viu e sorriu caminhando em sua direção.
- Severus, meu caro, não esperava vê-lo antes do jantar.
- Precisava conversar com o senhor.
- Pois queira me acompanhar enquanto pego algumas ervas no interior da Floresta. - Disse Dumbledore já caminhando para dentro da floresta. - Diga-me como foi o feriado. Acredito que Harry deva ter gostado.
- Sim, senhor, Harry ficou muito bem no feriado, mas na verdade é sobre outra coisa que eu queria falar.
- Pois diga.
Dumbledore o olhou com aqueles globos azuis intensos que era claramente capaz de deixá-lo desconcertado. Snape sentiu uma grande vontade de dar meia volta e ir direto para as masmorras. Não devia ter tido essa ideia ridícula de falar com o diretor, o conhecia muito bem para saber que teria que aguentar olhadas, sorrisos e insinuações por parte do velho, mas também sabia que por mais maluca que fosse a teoria que sairia da boca dele, precisava ouvir. Sendo assim apenas começou a lhe contar a história desde o inicio, a partir do momento em que a mulher bateu em sua porta pedindo uma suposta erva para ajudar sua filha doente e posteriormente o encontro a caminho do mercado, as compras, o hospital, as mãos dadas, até mesmo o episódio da cama. Ao final da narrativa apenas respirou fundo e olhou para Dumbledore esperando que o velho dissesse algo.
- Interessante. - Disse o diretor com um sorriso travesso.
- Interessante? Só isso que me diz? Se soubesse nem teria procurado o senhor. Foi perda de tempo. Com licença.
- Severus! - Chamou Dumbledore quando o homem lhe deu as costas. - Volte aqui.
Snape cerrou os dentes e contraiu os lábios ao mesmo tempo em que mexia compulsivamente sua mão. Queria sair correndo dali e se enterrar em suas masmorras desaparecendo até que a vergonha parasse de fazer seu rosto corar. Falar sobre algo tão pessoal assim era difícil para ele. Tirando as vezes que conversaram sobre Harry a última vez que falara sobre sentimentos fora no dia da morte de Lily, quando entregou-se ao luto e pesar deixando-se ser abraçado pelo ancião. Depois disso fechou-se completamente para qualquer sentir mais forte, ergueu seus muros e se protegeu atrás deles.
Soltando a respiração Snape se virou aos poucos encarando Dumbledore que não trazia julgamentos em seu olhar. Ainda queria ir embora, mas a verdade era que aquelas coisas o tiravam o sono e só podia confiar em Dumbledore para isso. Além de seu amigo, o diretor era o homem que mais entendia desses assuntos. Somente ele poderia entender o que se passava consigo e lhe dar uma resposta. Ele sempre tinha uma resposta.
- Me perdoe, Severus, eu deveria entender seu nível de preocupação.
- Não estou preocupado. - Disse Snape mal abrindo os lábios.
- Claro que não. - Dumbledore se sentou no tronco de árvore no chão e aguardou alguns segundos, um Snape resignado girou nos calcanhares e se sentou ao lado do homem, porém não olhou para seus olhos, apenas admirou a árvore em frente. - Vany Smean, eu a conheço.
- Está para nascer uma pessoa que o senhor não conheça.
- Isso não é verdade. - Riu-se Dumbledore baixinho. - Eu lembro dela na época em que Voldemort começava a ganhar poder. Era muito dedicada e inteligente além de excepcionalmente bonita, mas vivia preocupada com Daniel. Pelo que me conta ela continua linda como da última vez que a vi em Londres, provavelmente antes da bruxa fazer a profecia e a proteger com o feitiço. Você sabe que ela descende de uma veela, certo? E que possivelmente isso ajudou a sentir o que te incomoda tanto.
- Veelas nunca me atingiram e ela não é uma exceção.
- Você nunca deu oportunidade, Severus. Desde que Lilian morreu você se fechou completamente corroendo a culpa e se prendendo a um amor platônico. Seus olhos se fecharam completamente. Eu assisti ano após ano os muros se erguerem cada vez mais. Eu tive medo de que você jamais tivesse alguém e que se deixasse ser sozinho até o fim.
- Não tenho motivos para querer algo mais. - As palavras de Dumbledore cutucava-lhe a alma e por mais que odiasse, sabia que era verdade.
- Para ser amado e amar não precisa de motivos.
- Eu não a amo.
- Eu não disse que a ama. O que você está sentindo "ainda" não é amor. É um carinho intenso e um desejo incandescente que podemos resumir em paixão. - Dumbledore viu que o homem estava prestes a falar algo, mas levantou a mão e Snape se calou imediatamente. - Sei que vai dizer que não está apaixonado, mas isso não é o que dizem todos aqueles que se apaixonam?
- Foram apenas alguns dias. - Disse Snape indicando claramente que o que o velho dizia era loucura.
- As vezes não é preciso nem mesmo um dia. Não há como prever essas coisas, meu menino, apenas acontece e percebemos quando já é muito tarde para reverter alguma coisa. Você, que sempre foi fechado, teve que se abrir quando Harry entrou em sua vida, ficou mais receptivo ao próximo, aos sentimentos familiares como carinho, amor, afeto, preocupação, dedicação. Quando começou a fazer coisas comuns como ir ao mercado com ela, aguardar em um hospital com ela ao seu lado segurando sua mão e dormir na mesma cama, você sentiu o que era ter uma família, uma esposa e filhos.
- Mesmo que isso tudo fosse verdade. Do que adianta? - Perguntou Snape franzindo a testa olhando para suas próprias mãos. - O Lord está atrás dela, eu só a deixarei em perigo.
- Talvez sim, talvez não e há perigo pelo qual vale a pena passar.
O silêncio tomou conta dos dois enquanto Dumbledore ficava olhando sonhadoramente para a copa das arvores e Snape apenas pensava nas palavras piegas, irritantes e sabeis do diretor.
- Vou deixá-lo pensar, tenho que voltar ao escritório para me preparar para o jantar. - Dumbledore se levantou e arrumou as vestes tortas. - Só se lembre de uma coisa, meu filho. - Snape sentiu a mão enrugada levantar seu queixo como tantas outras vezes fizera para obrigá-lo a olhar dentro de seus insuportáveis e intensos olhos azuis. - A vida te deu uma oportunidade que muitos imploram, ter um menino maravilhoso como Harry como filho. Agora ela está abrindo portas para outra oportunidade, não deixe sua teimosia fechá-las. Você merece ser feliz, Severus.
Não havia palavras para serem ditas naquele momento. Dumbledore foi embora e deixou Snape sentado naquele tronco com suas palavras reverberando pela cabeça deixando-o confuso como um adolescente. Estava tão vulnerável naquele momento em que nada era racional. A razão era mais fácil de entender, não havia tantos balanços em estruturas, ela era linear e fácil de lidar, mas o irracional, a parte emocional era uma estrada com obstáculos, desafios e emoções, uma estrada que Snape passara uma vez e que prometera jamais pisar novamente. Porém agora via-se diante de uma linha que marcava o inicio dela. Teria coragem de dar o passo seguinte?
A tarde passou rápido e logo veio a noite que trouxe contigo a barulheira dos alunos que conversavam alto sem se importar se incomodavam ou não alguma pessoa como Snape que estava devidamente sentado em sua cadeira ao lado do diretor. Sua carranca era visível, odiava aqueles jantares, preferia a calma de seus aposentos, mas o cargo de mestre de poções da escola, e mais ainda Dumbledore, o obrigava a ficar ali sentado. Para os alunos seus olhos esquadrinhando a entrada de cada um era um pouco estranho, mas como as feições de mau-humor disfarçavam, ninguém ligou ou ficou reparando em Snape que estava na verdade procurando Harry em meio a multidão. Mas Harry não entrou na escola junto aos alunos e isso o deixou muito intrigado.
- Com licença. - Pediu Snape para o diretor e saiu caminhando firme pelo salão ignorando os questionamentos dos alunos. - Senhorita Granger, senhor Weasley. - Chamou os dois que tinham acabado de entrar na escola. - Onde está Potter? - Perguntou vendo que Hermione estava com a gaiola de Edwiges na mão e Rony com a cestinha de Almofadinhas, prontos para deixá-los junto com os outros pertences dos alunos recém chegados.
- Não sabemos, professor. - Disse Rony engolindo em seco com o olhar de Snape. - Ele veio na nossa frente.
- Ele correu atrás de Malfoy. - Disse Hermione levando um beliscão de Rony que mandava ela ficar quieta. - Ele precisa saber, Rony, e para de me beliscar. Harry e Malfoy tiveram uma discussão no trem e Harry quer tirar satisfação, ele correu naquela direção atrás de Malfoy.
Snape não se importou com os resmungos de Rony, apenas virou-lhe as costas e caminhou na direção em que a menina apontou. Demorou um pouco para que o achasse, já começava a pensar em qual besteira o grifinório estava se metendo agora, mas todos os pensamentos de que ele e Malfoy estavam se engalfinhando em um duelo foram por água abaixo quando virou um corredor e viu Harry esgueirado na parede olhando para um ponto dentro de uma sala vazia. Ao se aproximar da sala ouviu o choro nítido de alguém que tentava se controlar, mas falhava miseravelmente. Seus passos silenciosos o levaram até perto de Harry que estava absorto demais prestando atenção ao loiro que chorava encolhido em um canto da sala para perceber sua presença.
Sabia muito bem porque Draco estava chorando daquela forma. A missão que o Lord passara era dificílima e sua falha resultaria em sua morte. Não sabia como fora o feriado de seu afilhado, não aparecera na mansão Malfoy como sempre fazia. Só podia imaginar como os dias foram "bons" para Draco tendo a pressão do Lord e de Belatriz sempre lhe lembrando de sua tarefa. Não havia mais momentos sem pensar, não havia a rara paz que tinha quando ia para casa. Por isso não condenava Malfoy, pelo contrário, o entendia muito bem. Quantas vezes ele mesmo desmoronara querendo desistir de tudo? E foi por entender o rapaz que segurou firmemente o braço de Harry assustando-o e o levou para uma sala distante.
- O que pensa que está fazendo? - Perguntou soltando-o e fechando a porta.
- Não estou fazendo nada. - Disse Harry massageando o braço.
- Por que estava vigiando Malfoy?
- Não estava vigiando ninguém, eu apenas estava...
- Tirando satisfação pelo que ocorreu no trem...
- Como você... ah, Hermione. - Bateu a mão na testa como se fosse óbvio. - Ele começou, insultou meus pais.
- Não me interessa quem Malfoy insultou, controle-se e o esqueça. Não vou brigar novamente com você sobre esse mesmo assunto. Me obedeça.
Harry abriu a boca para retrucar, mas se calou e apenas assentiu assim que viu os olhos ferinos de Snape. Sabia que continuar naquele caminho só faria com que brigassem e a última coisa que queria era ficar mal com Severus. Por esse motivo levou a conversa para outro rumo.
- Por que Malfoy estava chorando? - Perguntou encostando-se em uma carteira e esperando uma resposta, ver o sonserino naquele estado realmente o deixou intrigado.
- Apesar de achar o contrário, isso não é da sua conta, agora volte para o salão principal e não conte a ninguém o que viu naquela sala, nem mesmo para seus amiguinhos.
Snape estava com o dedo apontado para o grifinório e só baixou quando o menino assentiu devagar com a cabeça. Porém Harry não iria desistir tão fácil.
- Era por causa do que ele tem que fazer?
A mão de Snape parou no meio do caminho até a maçaneta e se fechou em punho, Harry engoliu em seco vendo-o se aproximar pé ante pé até estar diante de si. Odiava quando ele fazia isso, sabia que não lhe machucaria, mas era terrível olhar para seus olhos. Antes mesmo que o professor fizesse a pergunta Harry lhe contou que viu Draco conversando com ele no inicio do ano letivo e que desde esse dia soube que o sonserino estava com uma missão passada pelo Voldemort.
- Ele virou um comensal? - Perguntou por fim.
Snape ergueu a mão em direção ao colarinho do menino apertando-o por um instante, deixando a raiva erguer-se em seu interior. Odiava a curiosidade e intromissão do menino, a irritante mania de se enfiar em assuntos que não eram seus. Mas antes que deixasse a raiva fechar sua mão entorno do pescoço jovem, respirou fundo vendo que o medo começava a tomar as esmeraldas daquele rosto. Devagar abriu a mão arrumando o colarinho da camisa e afastando seus dedos. Prometeu a si mesmo que não seria igual ao monstro que era Tio Valter.
- Não vou te castigar, dessa vez. Mas preste bem atenção no que vou dizer. Fique longe de Malfoy e do que ele tem que fazer. Isso não é da sua conta. Se eu souber que você tocou nesse assunto de novo ou importunou Draco, juro que vou fazê-lo esquecer ser próprio nome nem que eu me arrependa depois. Entendeu?
- Sim, senhor.
Harry continuou parado onde estava apenas vendo o homem rodar sobre os calcanhares e sair da sala. Não podia negar que ficara assustado com Snape e não duvidava que ele lhe castigasse da próxima vez. Devagar saiu da sala bem no momento em que Snape saia acompanhado de Malfoy da sala onde o sonserino estava. Draco parecia tão absorto em seus pensamentos que nem viu Harry ali perto, mas assim que Snape o avistou tratou de apertar o ombro do afilhado e o levar embora. Harry cruzou os braços em frente ao peito e caminhou na direção oposta pensando que precisava saber o que Malfoy estava fazendo e que pelo que parecia só tinha um jeito. Teria que se aproximar de Malfoy.
