Olá a todos, dessa vez demorei um pouquinho mais neh, pois é, eu ia postar na sexta feira, mas eu viajei pela empresa então acabei tendo que postar apenas hoje que tenho um tempinho mínimo... bom... quero muito agradecer os reviews que recebi...

Marcya: que bom que esta gostando da fic e me acompanhando ai, teremos muitas reviravoltas na história e espero que continue comigo... ah... o Lord odeia confiar em alguém e desconfiar que não deveria ter feito isso...

Tehru: Primeiro: como é que você some assim durante tanto tempo? Segundo: muito obrigada pelo review... hoje em dia é dificil achar uma fic boa mesmo, por isso tento ao maximo escrever o meu melhor e postar trabalho de qualidade, pois não quero que os leitores percam o brilho da leitura de Harry Potter... bjusss

Capítulo 32 - Uma visita a casa de Snape

Quando Snape pisou naquele terreno seus pelos se arrepiaram o deixando incomodado. O Lord estava muito irritado e isso não era nada interessante, muito pelo contrário, era completamente perigoso. Precisaria ter cuidado, muito cuidado, qualquer deslize seria fatal. Enquanto caminhava pelo gramado daquela mansão deixava sua mente fechar-se para qualquer mínimo fato que pudesse denunciá-lo. Fechou os olhos tentando se concentrar, a dor em seu braço ainda era lancinante. Devagar afastou o receio e controlou a respiração, precisava manter-se calmo, essa era a chave para toda a sua vida, calma e controle.

Devia sua vida a essas duas coisas.

Ainda de olhos fechados sentiu as barreiras mentais se erguerem para esconder o necessário, todos os sentimentos bons tiveram que ser ocultados, tudo que nascera recentemente fora camuflado por aqueles que só deixava florescer quando estava diante dele. Diante do mestre. Snape fechou as mãos em punho sentindo a mudança nítida em seu corpo. Seus músculos tencionaram-se, seus ombros chegaram a ficar duros. Um rosnado baixo prendeu-se atrás de seus dentes cerrados enquanto os frios sentimentos sobrepunham-se aos bons enchendo suas veias, preenchendo-o por completo. Eles subiram veloz por dentro de sua carne queimando- de dor até atingir o âmago de sua alma, fazendo Severus Snape ir embora e ficar apenas o comensal com olhos negros e vazios.

O comensal andou firme até a porta que se abriu sozinha. Viu alguns de seus "companheiros" aguardando na sala de estar. Suas feições eram de claro medo, assim como Snape eles sabiam o que os aguardava. Alguns tinham o rosto verde de enjoo, outros estavam curvados sobre seus próprios corpos, provavelmente pela dor que o Lord aos os fazia sentir.

Mas qual seria o motivo dessa cólera? Por que o Lord os chamara a todos naquele recinto? Era um mistério que queria e não queria descobrir. Seu mestre só chamava todos os seus servos quando estava muito raivoso por erros ou então quando estava muito feliz por algo que lhe dera mais poder. No entanto, vendo o rosto branco de Belatriz enquanto a mulher caminhava em sua direção, sabia que a notícia não era boa.

- Severus.

A voz sibilante chamou a atenção de Snape que afastou o olhar de Belatriz e caminhou esbarrando no ombro da mulher até a entrada do salão de jantar. Malfoy sempre fora muito ostentoso, sua mansão trazia em seu interior decorações milionárias que causava inveja em muitos bruxos, no entanto, não havia decoração bonita, elegante ou cara que afastasse a atenção dos olhos do mestre. Voldemort estava devidamente sentado na cadeira da ponta da grande mesa de madeira antiga, sua mão fina e esquelética descansava na madeira lustrosa. Os olhos vermelhos estavam guardados atrás das pálpebras e sua cabeça estava escorada no encosto da cadeira por onde Nagini subira para deitar a cabeça no ombro do mestre. Olhando daquele ângulo qualquer um juraria que o ser estava dormindo, mas Snape sabia que aquele era apenas um pequeno truque de seu mestre, um truque que ele mesmo conhecia.

Lord Voldemort era capaz de ler uma mente muito bem, mas também tinha completa capacidade para sentir as pessoas. Ele podia sentir os batimentos cardíacos, as mudanças no andar e até mesmo o oscilação nos níveis de magia. Mas Severus não seria um espião duplo por anos se não soubesse de tudo isso e não fosse capaz de enganar aquele homem.

- Chamou-me, milorde?

- Sim, Severus.

O homem abriu os olhos e as íris finas e vermelhas atingiram Snape com mais intensidade do que o habitual. Voldemort acariciou a cabeça de Nagini enquanto, ainda com os olhos presos em Snape, apontou para o chão com o dedo. O professor sabia o que aquilo significava e sem hesitar caminhou até perante o Lord, com os olhos presos aos dele, e então se ajoelhou ao chão e curvou-se até seu nariz quase encostar-se ao mármore gelado. Aquela era a posição de completa submissão que os comensais faziam quando o Lord mandava. Era assim que mostravam o quanto sua existência era patética e quanto aquele ser tinha poder sobre seus corpos, almas e vidas.

- Estou completamente desgostoso, meu caro Severus. Muito desgostoso. Sabe porque?

- Não, meu senhor.

- Hoje descobri que alguém que deveria ter morrido há muito tempo está vivo.

- Não entendo, meu senhor. - Disse Snape ainda ajoelhado sentindo as primeiras dores nas pernas.

- Não deveria realmente entender. - Disse Voldemort levantando-se e andando ao redor de Snape. - Tudo que aconteceu no passado não é conhecido por meus comensais. Ou pelo menos não era para ser.

Snape engoliu em seco, Voldemort parara atrás de si tendo uma vantagem sobre seu corpo tão grande que o deixava inquieto. Daquela posição era fácil ser atingido por um feitiço hostil e isso o deixava vulnerável e incomodado, se Voldemort fosse ataca-lo não daria tempo de se virar e pegar sua varinha a tempo de impedir que o feitiço tirasse sua alma.

- O importante. - Continuou o Lord. - É você saber que alguém dentro do meu próprio ciclo me traiu. - Sibilou o Lord andando de um lado para o outro fazendo Nagini chiar por atenção. Os joelhos de Snape protestavam, mas precisava continuar sentado de cabeça baixa. - Há muito tempo deixei um jovem bruxo ingressar como um comensal meu, porém não lhe dei a marca, ele não era tão forte e nem tinha poderes que fosse interessante para mim, ainda assim o deixei ficar.

Snape não se manifestou, não fez barulho ou movimento, mas pensava o quanto aquele jovem teve sorte em não ser marcado. Severus sabia muito bem como era receber a marca negra. Ao contrário do que muitos ignorantes pensavam e ainda pensam, não há festas regadas de bebidas e orgias, muito menos matanças. Era apenas um ritual assistido por poucos membros, os mais fieis e confiáveis do Lord. Atualmente Snape, acompanhado de Belatriz, Lucius e Yaxley eram os espectadores daquele espetáculo.

Quando fora marcado apenas Lucius e Belatriz lhe faziam companhia, Lucius trazia um olhar cumplice que lhe dizia "você está fazendo a escolha certa", Belatriz só sorria de canto. Lembrava-se nitidamente desse dia, o dia em que fora marcado a fogo no braço esquerdo condenando-se eternamente. Era jovem, um tolo, completamente ludibriado pelo poder que o Lord claramente lhe demonstrava. Ainda podia sentir o doce sabor das palavras lhe garantindo reconhecimento por seus feitos, aceitação, poder. Como poderia negar-se a entrar em um grupo desse que lhe abria os braços quando fora tão julgado e excluído por todos, inclusive por ela que escolhera Potter? Qualquer um que estivesse em seu lugar, que fosse como ele, que sofresse metade do que sofrera entenderia o poder da sedução de Voldemort naquela época.

Não era preciso medo, seus servos lhe serviam por prazer. Entregavam sua alma ao negror, sua vida a perdição. Estendiam-lhe o braço e sentiam a carne queimar com a formação da marca. E enquanto gritavam de dor, sentindo que poderiam desmaiar a qualquer momento, Voldemort os olhava com o sorriso torto de quem acabara de ganhar mais uma cabeça de gado para seu rebanho.

O Lord dera mais um passo para o lado, Snape não se moveu, nem falou, continuou ajoelhado apenas aguardando e se lembrando dos momentos cruéis que vinham após a marcação da pele. Talvez tivesse sido naquele momento que percebera a burrada que fizera. Sua carne queimava enquanto a marca reluzente dançava de um lado para o outro na pele pálida com suor brotando. Naquela época Voldemort era um homem bonito com olhos azuis intensos e penetrantes, aquele homem de outrora se aproximara de si tocando levemente em sua bochecha, o jovem Snape o encarou de volta pensando que estava tudo bem e que ele o tiraria dali, curaria seu braço e lhe daria o acalento que necessitava. Mas isso fora apenas ilusão. Voldemort apontou a varinha para seu rosto e nem ao menos hesitou antes de entrar na mente do menino. Até os cruciatus que vieram depois atacando seu jovem corpo para provar sua força ao Lord, eram mais brandos do que aquela invasão.

Por isso ele sabia, tinha pelo conhecimento das dores que Daniel, por sorte, não teve que sofrer. Dos gritos que não teve que segurar atrás dos dentes cerrados apenas para provar que era capaz de suportar um cruciatus inimigo. Se pudesse sentir alguma coisa naquele momento, sentiria compaixão por Daniel, pelo fato de ter tentado, inutilmente, destruir o Lord das Trevas e reestabelecer a paz no mundo. Mas não podia sentir quaisquer sentimentos, muito menos em relação a Daniel, pois pensar em Daniel era pensar em Vany e a segurança da mulher era primordial.

- Ele me causou muitos problemas, sabotou muitos de meus planos e isso é inadmissível. - Disse Voldemort voltando a se sentar. - Eu descobri sua traição e jurei sua morte, mas ele se escondeu muito bem. Continuei atrás dele, descobri que ele teve uma mulher e uma filha. Vany e Riley Smean. - Snape estremeceu ao ouvir o nome delas na voz sibilante do Lord, ainda assim permaneceu ajoelhado com a cabeça baixa. - Infelizmente ele soube esconder-se e a elas também. O dia fatídico na casa de Potter aconteceu antes que eu conseguisse matá-lo.

Nagini chiou e se aproximou de Snape devagar, o mestre de poções sabia que a cobra era traiçoeira, mas nem mesmo ligou para ela, seu cérebro estava completamente atento ao que o Lord falava. Vany e Riley estavam em perigo, sabia disso. O Lord não citaria nenhuma delas se não tivesse planos para destruí-las.

- Descobri que meus fieis comensais deram fim a Daniel Smean. Não foi de todo meu agrado, preferia eu mesmo tê-lo matado, mas ainda assim, ele está morto. Agora só falta a mulher e a filha que pensei jamais encontrar novamente.

- E encontrou, milorde? - Perguntou Snape esforçando-se para manter a fala controlada.

- Sim, por anos elas sumiram, mas Yaxley me trouxe uma lembrança muito interessante. Levante-se, Severus.

Snape quase agradeceu por isso, sentiu seu joelho arder, provavelmente estava vermelho e arranhado, mas lidaria com isso depois. Colocou as mãos nas costas e aguardou. Voldemort seguiu adiante até uma prateleira, pegou a antiga penseira dos Malfoy e a deixou flutuando diante de Snape.

- Veja. - Disse Voldemort apontando para a penseira.

Imediatamente obedeceu a seu mestre e mergulhou nas lembranças confusas de Yaxley. Quando seus pés tocaram o chão viu-se diante do mesmo mercado onde fora comprar produtos para a ceia de Natal. Era dia e estava sol, mas não muito calor, as pessoas andavam com uma blusa fina cobrindo-as, por isso não estranharam tanto os dois homens ao seu lado completamente vestidos de preto com sobretudo pesado. Era Yaxley e Amico.

- Que lugarzinho mais nojento. - Ouviu o resmungo de Amico. - Tem certeza que é aqui?

- Sim, o Lord disse que precisávamos interrogar um nascido trouxa que mora nessa região.

- Ainda não entendo o que um nascido trouxa que mora em um lugar tão medíocre pode ter de valor para o Lord.

- Parece que ele está procurando algo sobre Gregorovitch, não me pergunte o que é, não sou curioso, só cumpro as ordens de nosso mestre.

- Tá bom, mas vamos logo, estou com vontade de torturar esses trouxas e o Lord não gosta quando fazemos algo sem autorização.

Yaxley apenas balançou a cabeça e seguiu adiante dando ombradas em quem se metesse em seu caminho e olhando feio para aqueles que ousavam virar-se para o encarar. Snape o seguiu querendo saber o que aquela visão tinha haver com Vany. Não demorou muito para saber, pois nem mesmo dera dez passos e ouviu um barulho alto adiante. Ao olhar deparou-se com um carrinho de mercado correndo em alta velocidade com sacolas cheias de verduras dentro e uma menina loira em pé gritando de felicidade com os braços estendidos ao céu enquanto era empurrada pela mãe.

- Vany.

Snape agradeceu mentalmente por estar dentro de uma lembrança, pois o sussurro que saiu de sua boca não fora baixo. Ele dissera nitidamente o nome da mulher. Ela estava linda. Sua calça jeans contrastava com as botas e camisa preta. Seus cabelos loiros estavam presos em um rabo de cavalo alto e reluzente. Esta simplesmente perfeita. A mulher parou mais adiante ao lado de um carro e riu junto com a filha antes de tirá-la do carrinho.

- Ei Yaxley, o que foi? - Perguntou o outro comensal percebendo que o companheiro estava parado no meio do estacionamento olhando diretamente para a mulher.

- Eu a conheço. - Disse Yaxley dando um passo em direção a Vany. - Será que é ela? Depois de tanto tempo?

- Ela quem?

Yaxley não deu importância para a pergunta do comensal, apenas continuou olhando para ela. Snape rezou para que ele simplesmente esquecesse a mulher, achasse que era outra pessoa e fosse embora. Mas naquele exato momento Snape viu Vany terminar de guardar as compras e se virar para pegar as frutas. A mulher estacou no lugar olhando diretamente para os comensais. Havia medo e surpresa nos olhos dela. Sabia quem eram aqueles homens e o que eles fariam. Podia sentir o cérebro dela trabalhando, pensando nas possibilidades e nas consequências. Se conseguisse fugir teria que se mudar novamente. Mas isso era uma consequência, naquele momento tinha que fazer algo e a única coisa que tinha para fazer era correr. A viu entrar apressada no carro deixando as frutas para trás e dando a partida bruscamente. O carro morreu.

- Vamos logo, Yaxley, estou começando a ficar impaciente.

- Quieto Amico, tenho que ver uma coisa.

Snape queria dizer algo, queria mandar a bruxa sair logo dali, ir para bem longe. Fechou as mãos em punho e caminhou ao lado do comensal querendo ter a possibilidade de pará-lo antes de chegar ao carro. Estuporá-lo, mata-lo se necessário. Mas não podia fazer nada daquilo, por isso apenas continuou caminhando até que se encontrou do lado da janela do motorista e olhou atentamente para os olhos brilhantes e atentos da mulher. Era incrível como ela conseguia ser linda mesmo estando em pleno perigo.

- Sim, é você, sua vadia maldita. - Disse Yaxley erguendo a varinha, mas era tarde demais.

Snape percebera que a mulher ficara o tempo todo mexendo a boca e apontando a varinha para algo nas mãos da pequena Riley que tremia visivelmente. Era uma chave de portal que a mulher criava naquele momento. Quando Yaxley ia recitar o feitiço a chave brilhou. Vany e Riley seguraram o objeto com força e sumiram ao mesmo tempo que o feitiço do comensal bateu nos vidros do carro e lançaram diversos cacos de vidro na direção do comensal cortando seu rosto.

- Maldita! - Vociferou Yaxley vendo que as bruxas não estavam mais ali. Naquele local havia apenas um carro destruído pela fúria do comensal.

Snape sentiu a mão do Lord em seu ombro e soube que deveria voltar, mas antes de se erguer deixou-se fechar os olhos e agradecer pela grande bruxa que era Vany Smean.

- Você viu, caro Severus, meus servos encontrando a jovem senhora Smean e sua filha. Rostos lindos, descendente de veela. Muito poderosa. Não acha?

- A bruxa tem considerável poder visto que conseguiu conjurar uma chave de portal em um momento de tensão e em tão pouco tempo.

- Sim, sim. Lhe pergunto, meu caro servo, você já havia visto a tal bruxa antes?

Severus estreitou os olhos com essa pergunta, Voldemort não fazia perguntas levianamente, se ele perguntou foi por algum motivo especifico.

- Não me lembro de tê-la visto, senhor.

- Interessante me dizer isso. - Voldemort aproximou-se de Snape e lhe estendeu um envelope branco. - Enquanto vistoriava o carro Yaxley encontrou isso. Eu diria ser algo muito interessante.

Snape pegou o envelope e o virou nas mãos parecia um envelope simples que os trouxas recebiam em casa quando eram cobrados de algo. Tentava imaginar o motivo do Lord lhe mostrar aquilo, mas logo suas respostas foram dadas quando leu o endereço no envelope. Era uma rua próxima a sua casa, a rua que conseguia ver se olhasse pela janela de sua sala e a rua onde ficava a casa de Vany.

- Vou lhe dar uma chance de me explicar por qual motivo não me contou dessa mulher.

- Claro, milorde. - Apesar de nervoso pela situação, ao falar sua voz era calma e tranquila. - Peço perdão, milorde, por não responder-lhe satisfatoriamente, mas jamais vi tal mulher na minha vida. Mesmo ficando muito pouco em minha residência, conheço todas as pessoas e tenho certeza de que jamais vi ou ouvi falar dessa senhora.

- E como me explica o fato de ela ter uma carta endereçada a uma rua próxima a sua casa?

- Provavelmente um feitiço de proteção poderoso que oculta a residência e seus habitantes. - Disse Snape usando da verdade para se proteger contra as perguntas de seu mestre.

- Sim, eu já havia pensado nisso. - A proximidade de Voldemort incomodava Snape, era visível que o mestre desconfiava dele e isso não era bom, precisava manter sua posição perante o Lord. - Por isso o chamei aqui, Severus, e lhe contei a história de Vany Smean. Quero que venha comigo.

- Para onde vamos, milorde?

- Para sua casa.

Snape sentiu imediatamente o cheiro podre do rio ao lado de sua residência. A água suja corria velozmente devido o vento que açoitava seu rosto e bagunçava seu cabelo. Não havia nada mais além do completo silêncio e um cachorro vagabundo que apenas levantou a cabeça devagar e voltou a se deitar não dando atenção a aparição de Snape e Voldemort. O Lord não esperou pelo servo, apenas iniciou sua caminhada até a rua indicada no envelope. Ao se aproximar Snape temeu que a casa ficasse visível aos olhos vermelhos de Voldemort assim como ficava para ele, mas para sua completa surpresa não havia nada mais do que um terreno abandonado com mato alto e desleixado.

- Você disse que poderia ser um feitiço poderoso, correto?

- Sim, milorde. Como lhe disse, jamais vi tal mulher nesse lugar, mas se o que está no envelope está certo então a casa deverá estar oculta por esse terreno.

Voldemort apenas assentiu e ergueu a varinha apontando diretamente para o terreno abandonado. Snape deu um passo para trás quando o Lord começou a recitar feitiços antigos em hebraico, feitiços que não conhecia, mas conseguia sentir que eram poderosos. Não sabia como aquele feitiço que a velha bruxa lançara em Vany e Riley funcionava, nem o quão poderoso ele era, talvez nada acontecesse e o Lord jamais soubesse do paradeiro da mulher, ou talvez a casa aparecesse a sua vista e se mostrasse bela diante das fendas vermelhas do Lord. Não sabia qual seria o resultado, mas torcia internamente para que elas não estivessem ali dentro. No fundo não queria que algo acontecesse com Vany e nem com Riley. Na sua mente não havia a possibilidade de deixar que elas se machucassem, precisava protege-las.

Por fim, após alguns tensos minutos, o Lord abaixou a varinha e olhou novamente para o terreno. Nada havia mudado em sua composição, nenhuma casa aparecera e muito menos a mulher e sua filha.

- Intrigante. Não acha, Severus? - Perguntou o Lord olhando diretamente para o comensal um pouco atrás parado com as feições duras.

- Realmente, intrigante, mas tudo pode não ter passado apenas de um engano, milorde.

- Tem alguma coisa em mente, meu caro?

- Apenas algumas teorias que me vieram a cabeça enquanto aguardava o senhor finalizar os feitiços.

- Estou interessado em saber sobre suas teorias, Severus. Sua casa é aquela, correto? - Perguntou apontando para a pequena e velha casa espremida na esquina.

Snape apenas assentiu e caminhou atrás de seu mestre em direção a sua casa. Voldemort parecia o proprietário do imóvel, pois nem mesmo hesitou, apenas caminhou lentamente até se aproximar da porta com Snape as suas costas. Voldemort parou diante da maçaneta e aguardou Snape retirar os feitiços. O problema era que Severus havia percebido, talvez tarde demais, que algo estava diferente. Que os feitiços de proteção estavam mais fortes do que os que normalmente colocava, ainda assim conseguiu manipulá-los, retirá-los a ponto de permitir a entrada do Lord. Aquilo o intrigou, porém não mais do que quando adentrou a casa.

Já houvera em sua vida muitos momentos difíceis, momentos em que precisava aguentar dores, frio, entrar em lugares indesejáveis e duelar com bruxos competentes. Todos esses momentos faziam seu coração bater mais forte quase como se quisesse abrir seu peito e sair. Mas não se recordava de momento mais angustiante do que aquele. Voldemort entrara e sentara diretamente na poltrona olhando com falso interesse para os objetos pessoais do mestre de poções.

Porém o mestre estava completamente fora de si pelo que estava vendo. Devagar fechou a porta com o pé sem tirar os olhos para o canto da estante onde estavam visivelmente Vany e Riley. A mulher se encolhia entre a estante e a parede segurando Riley pelo braço enquanto tapava sua boca para a menina, branca de medo, não gritasse. Provavelmente Vany se escondera ali para fugir de quem a estivesse perseguindo, mas jamais imaginou que a pessoa iria diretamente para a casa onde teria maior segurança.

- Por favor, nos ajude.

Snape arregalou os olhos com o sussurro da mulher. Ela estava visível para o Lord que se sentara em uma poltrona que lhe dava total visão daquela aérea de sua casa. Mas não havia indicio em Voldemort que lhe mostrasse que ele via ou ouvia a mulher. Era como se elas só aparecessem para ele.

- Algum problema, Severus? - Perguntou Voldemort com a testa franzida.

- Não, milorde. - Respondeu Snape tentando se recompor. - Apenas receio não ter os requisitos apropriados para recebe-lo em minha casa.

- Não se preocupe com isso, não ficarei aqui por muito tempo. Ainda preciso saber quem foi o comensal que ajudou Daniel e Vany Smean a fugirem naquela época e quem a escondeu durante todo esse tempo, pois isso só pode ter sido obra de alguém que conhecia muito bem meus passos. Mas primeiro quero ouvir suas teorias.

- Na verdade, milorde. - Começou Snape andando e ficando de frente para o mestre tentando, mesmo que fosse inútil, a visão das Smean as suas costas. - Tenho apenas uma teoria pequena sobre o que ocorreu do outro lado da rua.

- Estou ouvindo.

- Acredito que essa Vany Smean seja realmente poderosa e que no momento em que fugiu usando a chave de portal deve ter deixado um chamariz, uma pista falsa que levasse o senhor e seus servos para a direção contrária a dela já que está fugindo do senhor a tanto tempo.

- Interessante, mas eu já havia chego a essa conclusão sozinho, só queria ouvir de sua boca. É realmente o mais plausível. Porém, meu intuito de lhe tirar da casa dos Malfoy não foi o de verificar o endereço da carta.

- Milorde?

- Eu lhe disse que estou desconfiado e você, meu caro, já me deu muitos motivos para desconfiar de ti.

- Perdoe-me, milorde. - Disse Snape sentindo o perigo se aproximando. Sabia que um dia chegaria o momento em que todas as desconfianças do Lord atingiriam seu ponto de ebulição. E esse momento parecia ser aquele minuto, na sala de sua casa com Vany e sua pequena filha assistindo. - Mas todas as vezes em que houve qualquer desconfiança eu provei minha total lealdade ao senhor. Demonstrei o quanto estou ao seu lado e sigo teus passos fielmente.

- Sim, Severus, você realmente fez isso, me provou diversas vezes que estava ao meu lado, mas não pode deixar de concordar que essas diversas vezes foram mais do que as de meus comensais juntos. Não sou conhecido por perdoar ou dar chances e, no entanto, você ainda está aqui.

- Milorde, por favor. - Pediu Severus sentindo o coração bater mais forte, sua mão inconscientemente aproximou-se da manga esquerda de seu sobretudo onde guardava a varinha. - Eu sou leal somente ao senhor.

- Isso é o que vamos provar agora. - Havia um brilho doentio nos olhos de Voldemort. - Não queria que meus outros comensais vissem isso, pois se você realmente está me falando a verdade voltará ao meu lado e não atrás de mim e ser torturado e subjugado não lhe dará o respeito que eles lhe devem. Agora se for mentira...

Snape viu a varinha do Lord ser erguida e a única coisa que conseguiu fazer foi pedir silenciosamente que a mulher não olhasse para ele.

- CRUCIO!