Olá pessoal, quero agradecer muito os reviews que recebi, fiquei mega feliz que vocês estão gostando tanto da fic, peço até desculpas pela demora em postar, mas sabem como é, tempo curto é Florida... rsrsrsrsrs
Marcya: A tortura dele é um pouco tensa, mas nem tanto... espero que goste...Eu aviso quando estiver no penúltimo capítulo sim... eu já escrevo dois livros, só que tenho aquela dificuldade de quem não tem tempo sabe. Por mais que falem que não tem aquela coisa de inspiração, tem sim. Não da para eu escrever um capítulo da hora se não posso tirar um dia ou pelo menos algumas horas completas para me dedicar unicamente a isso... Muitos escritores não trabalham então conseguem publicar seus livros em alguns anos, eu estou há mais de 3 anos escrevendo meu livro e até agora não consegui finalizar, mas tenho fé que conseguirei em breve. Muito obrigada por desejar isso, quer dizer que escrevo bem... fico mega feliz... um grande beijo...
Tehru: Fico mega feliz que você voltou... senti saudades de vc... estar empacada nas fics é normal, a minha "O coração nunca esquece" ficou parada um tempo enorme, só voltei a escrever depois de dois anos e consegui terminar com sucesso...sei que você - se quiser é claro – vai conseguir terminar sua fic... e alias eu espero que termine... rsrsrs... um grande beijo querida...
Guest ( coloca o nome para eu mandar o agradecimento diretamente a você...) – que bom que gostou, já estou postando o capítulo e espero que goste muito... um grande beijo.
Daniela Snape – aqui está o próximo. Espero que goste muito e mais uma vez obrigada por acompanhar todas as minhas fics... um grande beijo
Capítulo 33 - Ou Voldemort ou eu
Ele pediu para ela não olhar, praticamente implorou que virasse o rosto e fugisse daquela cena asquerosa. Ela era inteligente e poderosa, conseguia entender seus sinais, tanto que não se moveu para ajudá-lo, mas porque ela ainda o olhava. Por quê? Snape não tinha como responder àquelas perguntas que ele mesmo fazia, não havia como conseguir pensar em muitas coisas naquele momento, com o corpo contraindo-se de dor devido o feitiço que Voldemort lançara sobre seu corpo. Havia um pouco de racionalidade em si, o suficiente para manter a mente concentrada em não deixar vazar nenhuma informação importante, mas isso lhe custava toda a força que tinha.
- Crucio.
Riley gritou, mas nada saiu de sua garganta, Vany a enfeitiçara com um abafiato para que não fosse descoberta, ainda que ela mesma estivesse prestes a revelar-se. Com certeza se mostrar e tentar duelar com um ser como Voldemort era algo que somente grandes bruxos como Dumbledore poderiam fazer, mas ficar parada apenas assistindo a tortura que se seguia era pior do que por sua vida em risco diante dos olhos vermelhos. Respirando fundo ergueu a mão com a varinha e apontou para Voldemort que sorria em meio aos atos maléficos, porém antes que conseguisse fazer qualquer coisa ouviu a voz quebrada lhe ordenar.
- Não.
Surpreendida pela força que aquele homem tinha olhou para Snape e seus olhos encheram-se de lágrimas. O homem estava deitado de costas sobre o tapete velho da casa, seus cabelos espalhavam-se pelo chão e o suor encharcava lhe o rosto contraído em uma careta cruel com olhos apertados e dentes cerrados. O corpo do homem arqueou quando Voldemort meneou a varinha, depois bateu no chão com força expelindo todo o ar dos pulmões. Riley abraçou as pernas de Vany e escondeu o rosto em sua roupa. Vany queria fazer o mesmo, mas não conseguia, seus olhos estavam presos em Snape no chão, arfando desesperado em busca de ar.
- Você sempre foi o meu servo mais forte Severus. Sempre o mais leal.
- Ainda sou, meu senhor. - Disse Snape com grande dificuldade sentindo o corpo tremer.
Maldita hora em que saiu de seus aposentos sem tomar a poção que minimizava os efeitos do cruciatus, sabia que o Lord estava furioso com alguma coisa e que sempre acabava descontando neles. Deveria ter tomado mais cuidado, mas também não era sua culpa, era de Harry, fora Harry quem se intrometera na sua frente e que não saiu quando mandou, fora Harry que...
- Deus. - Sussurrou baixinho lembrando-se do que fizera ao menino. O deixara quase inconsciente no chão. Precisava voltar para Hogwarts, ver como ele estava. Pedir perdão pelo que fizera.
- Deus? - Zombou Voldemort se aproximando e se abaixando perto do rosto de Snape. - Deus não está aqui Severus, ele não pode te ajudar. Sabe muito bem que aqui somos somente nós dois até eu terminar.
Quanto tempo isso duraria? Uma hora, duas, um dia todo? Snape não sabia responder. Voldemort não era previsível, ele fazia o que queria, como queria e pelo tempo que queria. Se tivesse sorte o mestre iria apenas invadir sua mente e depois iria deixá-lo lá com diversos ferimentos para que desse um jeito de ir para casa sozinho. Voldemort não tinha piedade, de ninguém.
- Agora sim, Severus, que baixei suas defesas e te deixei vulnerável, vamos ver quais são seus pensamentos e lembranças. Confirmar que sua lealdade serve somente a mim ou se se bandeou para o outro lado. O lado daqueles que perdem. Isso não será rápido e nem indolor.
Ele sabia disso, sabia que o pior sempre vinha no final, a hora em que o Lord rasgava sua mente em tiras infiltrando-se em cada canto escuro em busca de um deslize, uma mentira ou qualquer coisa que estivesse fora do lugar. Era pesado como lama negra e se estendia devagar grudando em sua mente, porém era afiado como navalha. Voldemort poderia enlouquecê-lo se quisesse, mas ele não faria isso, então precisava apenas se concentrar com mais força, tudo daria certo, como sempre deu.
Porém, tudo estava pronto para dar errado, começando pelo Lord não ter dito em voz alta o nome do encanto e sim apenas o lançado em sua mente antes de estar pronto para aguentá-lo. O grito escapou por seus dentes, seus olhos arregalaram-se a ponto de sair de seu crâneo e o corpo convulsionou. A pressão de fazer tudo certo fora tão grande que não conseguiu segurar as paredes que guardavam seus segredos. As paredes ruíram, tudo veio abaixo e as imagens preciosas esvaíram-se de sua mente diretamente para a sala como se ele fosse uma enorme penseira viva. O desespero o afogou quando viu sua própria imagem refletida nos olhos vermelhos e surpresos de Voldemort.
- O que é isso? - Perguntou Riley baixinho olhando para as imagens brilhantes no ar.
- São, as lembranças dele. - Respondeu Vany em um sussurro baixo. - Não!
Os olhos da loira oscilavam entre o desespero e o medo. Olhava para o rosto de Voldemort e o via se transformar aos poucos, ele estava embaraçado vendo a imagem de Snape e Dumbledore conversando sobre como o derrubar. Logo Harry apareceria e depois ela e Riley. Precisava fazer alguma coisa para impedir. Ele descobriria sobre a traição de Snape, sobre o amor que o homem nutria por Harry e depois sobre Riley e ela mesma.
- Meu amor. - Chamou baixinho pegando um enfeite feito de uma serpente na estante de livros. - Preciso que segure isso com muita firmeza, quando ela brilhar você irá diretamente para uma floresta que fica perto de Hogwarts. Quando chegar lá fique onde estiver, apenas se esconda e me aguarde.
- Mas mamãe, você não vem comigo?
- Não, meu amor, mamãe tem que ajudar o senhor Snape. Ele está muito machucado, preciso ajuda-lo.
- Estou com medo.
- Eu sei, meu amor, mas você consegue. Você é forte igual seu pai.
- Papai morreu para ajudar seus amigos não foi?
- Foi sim.
- Então eu vou ajudar também.
- Sim, mas por enquanto precisa ir embora.
- Está bem.
- Ótimo. - Disse Vany tocando o enfeite com a varinha, já conseguia ouvir os primeiros rosnados de Voldemort. Ele descobrira sobre Snape e Harry. - Agora, lembre-se de se esconder e me esperar.
A menina apenas assentiu e se agarrou firmemente ao objeto que logo brilhou e a levou embora. Não havia mais Riley no recinto, a criança inocente fora embora e agora restava apenas Snape já quase sem vida no chão, Voldemort furioso ao seu lado tendo em suas mãos a varinha branca e poderosa, e ela, Vany Smean, descendente de uma das veelas mais poderosas do mundo e completamente raivosa. Sempre soube que a raiva era um potencial mágico em si, ele dobrava o poder de sua magia, a fazia fazer coisas incríveis que normalmente jamais faria. Por isso ajoelhou-se diante da cabeça de Snape, tocou-lhe o ombro com força indicando que estava ao lado dele e rezou para que o estranho feitiço que a protegia permanecesse só mais alguns segundos.
- Vou levá-lo embora.
Snape queria balançar a cabeça e indicar que ela deveria ir embora e deixá-lo, que ele já estava perdido e chegara seu fim, mas Vany não deu ouvidos aos seus lábios abrindo e fechando fracamente. Apenas concentrou-se em Voldemort percebendo que enquanto ele assistia as lembranças de Snape com ela na época de Natal alguma coisa acontecia em seu corpo, era como se uma camada invisível saísse aos poucos como se fosse uma segunda pele que estivesse trocando.
Foi somente quando Voldemort virou os olhos em sua direção e grudou as íris vermelhas em seu rosto que entendeu que o feitiço da velha havia terminado. Nada mais protegia-a de Voldemort. Não havia nada que a escondesse. Voldemort estreitou os olhos e quase quebrou a varinha que agora apontava para si. Sem pensar, sem nem mesmo saber o que iria fazer Vany agarrou-se ao corpo de Snape e desaparatou do local. Por um momento podia jurar que vira o brilho verde de um feitiço raspar sua cabeça acompanhado por um grito medonho, mas no instante seguinte os dois bateram os corpos contra o chão duro e cheio de raiz.
Vany agarrou-se com mais força ao corpo de Snape deixando a cabeça deitada sobre seu peito enquanto ouvia o coração do homem bater. Ele estava vivo. Abriu os olhos que deixara fechado e olhou para o rosto dele. Os olhos negros estavam quase fechados, havia gotas de suor encharcando o rosto e cabelos grudados. Com cuidado afastou os cabelos dele da testa e o viu abrir e fechar os olhos devagar.
- Mamãe. - Gritou Riley correndo em sua direção e se jogando em seus braços. - Fiquei com tanto medo.
- Eu também meu amor, eu também. - Respondeu Vany abraçando a menina e beijando seu rosto até que ela se acalmasse.
- O que aconteceu com o senhor Snape? - Perguntou Riley rodeando o corpo do homem e parando do outro lado de sua cabeça. - Ele vai morrer?
- Não, ele não vai morrer. - Disse Vany abrindo a capa de Snape e começando a desabotoar o sobretudo com cuidado, precisava examinar os ferimentos. - Não vou deixar que nada aconteça com ele. Nada.
Havia mais verdade naquelas palavras do que ela sequer imaginava. Não iria deixa-lo morrer, cuidaria dele pessoalmente se fosse necessário. Ele não iria morrer, não em suas mãos, não depois de fazê-la sentir aquelas coisas novamente. Tudo aquilo que estava adormecido desde a morte de Daniel. Snape não iria morrer.
- Mamãe?
- O que?
- O que é isso?
Vany parou de desabotoar o sobretudo de Snape e olhou para onde Riley estava apontando. Ao olhar viu que havia uma poça no chão diante dos joelhos de Riley e embaixo de Snape. Tocou os dedos no liquido e o levantou diante dos olhos observando o liquido rubro sujar sua pele.
- Droga! - Exclamou rasgando os botões que voaram em todas as direções e retirando a roupa do homem até que seu torço ficou nu. - Droga.
Havia, além dos machucados que um cruciatus poderoso como os de Voldemort causavam em um corpo, como cortes e hematomas, um galho fino que entrara em suas costelas devido a desaparatação sem conhecimento do terreno. Com cuidado quebrou a ponta do galho e segurou a ponta com força puxando-a até sair do corpo do homem. Snape não tinha mais forças nem mesmo para gritar.
- Vou ter que curar a ferida dele. - Disse olhando para Riley como se ela entendesse o que queria dizer, e entendia.
- Não, da ultima vez você ficou inconsciente por duas horas.
- Eu preciso fechar esse ferimento, caso contrário ele perderá muito sangue e não temos tempo para chegar até a escola.
- Mas mamãe.
- Riley, preciso que confie em mim e me ajude. Pode fazer isso?
- Mas...
- Pode fazer isso, Riley?
- Sim.
- Ótimo. Agora coloque a cabeça dele em cima de suas pernas e esse graveto na boca dele, faça-o morder. Isso vai doer.
- Não tem como ajuda-lo com um feitiço?
- Não, o ferimento foi fundo e ele está muito fraco, se não fizer isso agora ele pode morrer.
Riley começou a chorar, mas fez o que a mãe pediu, levantou a cabeça de Snape e colocou em seu colo, depois pegou um graveto no chão e colocou entre os dentes do professor. Acariciou os cabelos negros e suados e observou os cortes no peito dele. Davam medo. Vany esfregou as mãos uma na outra com força e velocidade até que ambas emitiram um fogo azul esverdeado, então ela postou as mãos em cima do ferimento de Snape e fechou os olhos recitando um encantamento.
Snape arqueou o corpo e mordeu com força o graveto. Riley chorou e começou a falar que tudo ficaria bem, Vany forçou as mãos no ferimento mantendo o corpo do homem no chão. Sua testa estava franzida pela concentração e suas mãos agora tremiam pelo poder que emitiam. Demorou mais alguns minutos, mas finalmente o ferimento se fechou e curou. Vany sentou-se no chão exausta, sua cabeça doía e sentia-se enjoada, virou para o lado e vomitou. Riley viu Snape respirar com força tentando regular a entrada de oxigênio nos pulmões, ele abriu os olhos e focalizou sua imagem de criança assustada. Devagar retirou o graveto de sua boca e tentou levantar. A menina o ajudou a se sentar, quando viu que ele estava bem correu em direção a mãe que ainda vomitava.
- Por que fez isso? - Questionou a voz quebrada de Snape.
Vany limpou a boca na manga da blusa e olhou para Snape. Seus olhos traziam o alivio de vê-lo vivo e quase bem e a raiva pela pergunta idiota que acabara de fazer.
- Não deveria ter feito isso. - Continuou Snape. - Foi burrice.
- Um obrigado somente iria muito bem.
- Não vou agradecer por ter destruído meu disfarce.
- Eu não fiz nada. - Disse Vany indignada olhando para o homem furiosamente. - Você se esgotou e mostrou suas lembranças para ele, ele soube de tudo por você mesmo, eu apenas fiz o possível para te tirar de lá porque ele iria mata-lo.
- Deveria ter me deixado lá. Eu não sirvo para mais nada. Não sou ninguém sem meu disfarce.
Apesar da raiva pelas idiotices que o homem falava não tinha como não se compadecer dele ao ouvir aquilo. Ele vivia para ser quem os outros precisassem que ele fosse. Sem essa função o que ele faria? Como seria sua vida dali em diante? O que poderia fazer para proteger aqueles que amava?
- Riley. - Chamou Vany. - Vou conjurar um Patrono, ele te levará até os portões da escola. Fique lá que o Patrono vai buscar alguém para nos ajudar, ai você trás eles aqui. Ok?
- Tudo bem.
- Leve Riley até o portão da escola. - Disse para o Patrono em forma de lobo que apareceu a sua frente. - Depois vá até a escola e ache um funcionário diga que o professor Snape precisa de ajuda na Floresta Proibida.
O Patrono assentiu e caminhou a frente da menina levando-a diretamente para os portões do castelo. Quando nem Riley e nem o Patrono eram vistos Vany olhou para Snape e o encontrou escorado na arvore com os olhos fechados, apenas respirando. Devagar aproximou-se dele e tocou em seu rosto. Snape abriu os olhos e se deparou com a mulher o olhando com tristeza, nem mesmo ligou para seu estado seminu, apenas observou as lágrimas nos olhos dela e sentiu-se mal por isso.
- Nunca mais fale algo assim. - Disse Vany. - Você vale muito e ainda tem muita coisa para fazer. - Snape não demonstrou reações as palavras da mulher, sua face ainda era fechada e dura, mas as palavras derretiam-se dentro de seu peito. Ela era linda até mesmo chorando. - Pense em Harry, aquele menino precisa de você, do pai dele. Severus, por favor, não desista.
Não houve mais palavras. Ambos estavam exaustos. Vany aproximou-se devagar e beijou a bochecha quente do professor antes de se inclinar e apoiar a cabeça no peito nu dele ouvindo seu coração. Snape não teve reação a nenhum dos toques dela, estava cansado e confuso. Tudo havia desmoronado. Seu disfarce, seu posto de comensal fiel. Tudo fora por agua abaixo. Vany mexeu-se um pouco e enlaçou a cintura de Snape com os braços deixando o corpo tremer após finalmente se deixar entender que quase morrera naquele dia.
Demorou um pouco para que Riley voltasse. Mas então ouviram vozes entre as arvores. Vany se levantou e ajudou Snape a se erguer com cuidado e a colocar o casaco para cobrir o corpo seminu. Riley apareceu entre as arvores e correu em sua direção abraçando a mãe pela cintura e sorrindo para Snape que ainda não conseguia esboçar qualquer tipo de sentimento ou reação. A professora Minerva veio logo atrás e Hagrid fechou o cerco com seu arco nos ombros e Canino nos tornozelos.
- Mas o que foi que aconteceu? Quem é a senhora? - Perguntou Minerva olhando atentamente para Snape que mal sustentava o peso do corpo e depois para Vany toda suja e visivelmente cansada.
- Creio que posso explicar depois que levarmos Severus para dentro da escola. Ele perdeu muito sangue, precisa de repouso.
- Não preciso da ajuda de ninguém. - Resmungou Snape se desvencilhando de Vany e caminhando em direção ao castelo. Parecia que tudo estava bem, mas alguns passos depois seu corpo cambaleou para o lado quase caindo ao chão. Hagrid rapidamente segurou o homem pelo braço e o ajudou a caminhar já que ele se recusava terminantemente a ser carregado.
- Ora essa, professor. Todo mundo uma hora precisa de ajuda, até mesmo o senhor.
- Eu não.
- Está parecendo até o Harry falando dessa forma.
Harry, esquecera-se completamente do menino. Precisava vê-lo, imediatamente.
- Não. - Disse parando a caminhada em direção a ala hospitalar. - Preciso ir aos meus aposentos.
- O senhor precisa é ir para a ala hospitalar. Madame Pomfrey precisa verificar seu estado.
- Me larga seu idiota. Eu vou para meus aposentos.
Sem dar atenção as exclamações dos outros escorou-se no corrimão e desceu as escadas devagar continuando o caminho pelas paredes das masmorras até que finalmente chegou aos seus aposentos. Abriu a porta e encontrou sua sala exatamente como deixara. Estava tecnicamente arrumada, exceto por um ponto perto da parede onde o corpo do jovem grifinório batera com força e caíra no chão. Olhou para o corpo que ainda permanecia da mesma força e se amaldiçoou. Respirou fundo quando ao se inclinar em direção a Harry uma pontada o fez sentir uma ardência no peito.
- Harry? - Chamou virando o menino em seu colo. - Harry, acorda.
Harry respirava devagar e parecia estar inconsciente. Snape o colocou no chão novamente e pegou a varinha nas mãos trêmulas apontando para o peito do menino, mas Vany o impediu explicando que ele estava fraco demais e que isso poderia colocar a vida de Harry em risco, então ela mesma apontou a varinha para o menino.
- Ennervate.
Harry arqueou o corpo e tossiu loucamente olhando assustado para todos os lados até seus olhos verdes focalizarem o rosto cansado e maltratado de Snape ao seu lado.
- Pai?
- Oi Harry.
- Você voltou. - Sorriu abraçando-o rapidamente, para surpresa de alguns presentes, e depois afastando-se para olhá-lo com atenção. - Você está péssimo.
- Isso não importa. Harry, você está bem? Eu não devia ter te acertado, eu estava...
- Meio comensal, eu sei. Não se preocupe com isso, estou só um pouco esquisito, mas nada dói. Mas você está péssimo. Ele te maltratou de novo não foi? Eu disse para você não ir, disse para ficar. Por que não ficou?
- Não vou discutir com você. - Disse Snape se levantando.
- Melhor assim mesmo. - Interviu Vany quando Harry se levantou também e já ia começar a falar. - Olá Harry.
- Vany? Como veio parar aqui? E Riley?
- É uma longa história, Riley está lá fora, vai adorar te ver, mas agora precisamos ir para a enfermaria.
Hagrid não precisou levar Snape dessa vez. Harry e Vany se prontificaram de não deixar Snape cair. Durante todo o caminho os olhos de Snape não afastavam-se de Harry. O remorso o corroia mais do que a dor dos ferimentos. Ele prometera protegê-lo, jamais deixar que algo ou alguém o machucasse, no entanto ele mesmo quebrara a promessa. Harry não o deixou falar, nem mesmo se desculpar, disse que entendia o que aconteceu, mas isso não era suficiente para Snape. Jamais gostara de falar, mas naquele momento precisava do perdão de Harry. Ele era a pessoa mais importante de sua vida.
- Me deixem sozinho com Harry. - Pediu assim que foi colocado na maca.
- Mas que história é essa. - Disse Pomfrey já colocando as luvas. - Tenho que examiná-lo.
- Ou me deixam sozinho com ele ou eu saio dessa enfermaria.
- Como é teimoso.
- Por favor, madame Pomfrey. - Disse Harry. - Será só por alguns minutos.
- Está bem, te dou cinco minutos apenas, Severus, nada mais do que isso.
- O que quer? - Perguntou Harry assim que a porta se fechou.
- Me desculpe.
- De novo? Severus, já lhe disse que não tenho o que te perdoar, aconteceu.
- Não deveria ter acontecido. - Disse Snape arrumando-se na cama e sentindo dor no torço. - Eu não deveria ter me descontrolado com você.
- Severus, eu deixaria você me jogar em mil paredes, me amaldiçoar com cruciatus ou me obrigar a andar feito um macaco pela escola com o Impedimenta se isso o fizesse ficar.
- Não vamos voltar a esse assunto.
- Vamos sim, eu te desculpo, eu te perdoo. No entanto que você jamais volte para aquele monstro.
- Se eu pudesse, Harry. Mas não posso, tenho que voltar e consertar o que está errado. Tenho que garantir meu lugar no ciclo, te proteger.
- Se quiser me proteger, então fique ao meu lado.
- Você é um tolo, Harry. Acha que as coisas são fáceis, que é só colocar uma armadura e sair atrás dos outros, matando ou prendendo quem é mal. A vida não é assim, há coisas que devem ser feitas, sacrificadas para se ter uma vantagem.
- Se para ter uma vantagem contra Voldemort eu tiver que perder você então prefiro lutar as cegas. Por favor, Severus. Me promete que não vai voltar. - Pediu Harry segurando a mão de Snape com força e sentindo os olhos marejados. - Promete para mim que jamais vai novamente ao encontro dele.
- Desculpe Harry, não posso.
Harry assentiu e largou a mão de Snape levantando-se da maca. O menino andou de um lado para o outro mexendo nos cabelos bagunçados. Snape apenas revirava os olhos como se tal desespero fosse completo exagero. Nada aconteceria com ele, jamais aconteceu, voltaria para o Lord com uma história fantasiada e tentaria seu cargo novamente. Harry sabia que isso não daria certo que só o levaria para a morte. Sentiu o peso dentro de seu coração. Estava prestes a fazer com que o homem tomasse uma escolha que seria talvez a mais difícil na vida e que poderia destruir a si mesmo.
- Ok, então você deverá escolher. - Snape franziu a testa ao ver o menino virar com determinação no olhar e raiva na voz. Havia manchas no rosto dele, manchas de lágrimas, mas todas foram secadas pela manga de sua camiseta. - Ou Voldemort ou seu filho.
