Olá pessoal, desculpem a demora... aqui está mais um capítulo, espero realmente que gostem:

Marcya: os capítulos tendem a ser bem emocionantes mesmo, que bom que consegui te emocionar...adoro isso... Severus tem mesmo uma família e está aprendendo a aceitar isso aos poucos... Draco e Dumbledore tem muita história pela frente ainda, aguarde...a relação deles ficará um pouco mais exposta, mas nem tanto... espero que goste, bjus...

Daniela Snape... adoro saber que continua me acompanhando e que continua gostando das minhas fics... um beijo...

Asuen: muito obrigada pelo comentário... espero que goste do cap, um grande beijo

Capítulo 35 – Conversas, acordos e beijos.

- Parece que ele vai ficar assim por um tempo, dormindo. – Disse Madame Pomfrey ao terminar de examinar Severus que fora posto em uma maca. – Apesar de todos os exames indicarem que ele está bem, a mente dele passou por muita coisa assim como o corpo, então é possível que ele só acorde daqui a alguns dias.

- Ele está em coma? – Perguntou Harry.

- Não, senhor Potter, apenas precisará de tempo para se recompor de tudo que passou. Bom, me dêem licença, preciso examinar o senhor Malfoy.

Dumbledore fez um aceno com a cabeça e viu a enfermeira se afastar, depois voltou sua atenção para Severus que fora devidamente banhado e trocado, parecia estar apenas dormindo. Suas feições eram leves, não havia mais linhas que marcassem seu rosto denunciando suas preocupações. O velho postou a mão em seu ombro e suspirou alto.

- Você está livre meu filho, finalmente livre.

Sem mais palavras Dumbledore se virou e encontrou os claros e bonitos olhos de Vany. A mulher estava com o rosto marcado pelas recentes lágrimas, seus loiros cabelos estavam despenteados e sua roupa suja. Ela passava a mão pelas costas de Riley que permanecia agarrada a sua perna. Ao seu lado estava Harry igualmente abalado e aos pés de Harry, sentado sobre as patas, estava Almofadinhas que entendera a necessidade de ficar quieto e talvez por isso Madame Pomfrey não o tenha expulsado da ala hospitalar.

- Hagrid. – Chamou o diretor fazendo o meio gigante se aproximar. – Apreciaria muito se levasse a senhorita Riley para tomar uma boa xícara de chocolate quente e alguns biscoitos.

- Claro diretor. – Respondeu Hagrid sorrindo para a menina.

Riley teve que esticar todo seu pescoço para conseguir ver o rosto de Hagrid, apesar do rosto bondoso, o tamanho e a cabeleira avantajada junto com a barba assustaram a menina que se encolheu mais perto da mãe. Harry sorriu para a menina e lhe disse que podia confiar no homem. Foi só depois da garantia de Harry de que Hagrid não iria devorá-la que ela se juntou ao meio gigante.

- Ah, Hagrid, peça para Dobby depois levá-la para os antigos aposentos do professor Lupin. Ele é grande o suficiente para que as duas possam se hospedar. – Hagrid assentiu e saiu com Riley ao seu lado. – Quanto a vocês, peço que me acompanhem, precisamos conversar.

Vany assentiu rapidamente com a cabeça e acompanhou Dumbledore e McGonagall, Harry estava ao seu lado e era seguido por Almofadinhas. Não houve palavras trocadas durante o caminho até o gabinete do diretor, mas eram visíveis os olhares atravessados que McGonagall lhe lançava sobre os ombros. Ao chegar ao gabinete do diretor, McGonagall se sentou na cadeira em frente a de Dumbledore e Vany na cadeira ao lado, Harry permaneceu em pé.

- Bom, acredito que devemos fazer as devidas apresentações. Acredito que não se recorde dela Minerva, mas a senhorita Smean foi sua aluna na época em que frequentou Hogwarts há anos atrás.

- Desculpe, não me lembro. – Disse McGonagall analisando a veela de cima abaixo.

- Não tem problema, professora. – Respondeu Vany voltando sua atenção para o diretor. – Creio que o senhor tenha muitas perguntas e não me negarei em responder, só peço que seja breve. Estou esgotada e quero ficar com minha filha, passamos por muitas coisas essa noite.

- Claro, compreendo e serei o mais breve possível. – Sorriu-lhe Dumbledore. – Severus me contou um pouco de sua história, sobre Daniel e a traição, assim como também da bruxa que a enfeitiçou. Sabe quem ela é?

- Não senhor, eu a vi duas vezes, ela veio até mim e depois sumiu. Jamais voltei a vê-la. Antes que pergunte eu não sei que feitiço ela usou e nem como ele funciona, a única coisa que sei é que ele funcionou muito bem até o dia em que Severus começou a me ver, depois disso o feitiço foi enfraquecendo, talvez pela nossa proximidade, e com isso os outros bruxos também começaram a poder me ver.

- Desculpem. – Pediu McGonagall. – Mas não estou entendendo o que se passa.

- Perdoe-me Minerva, mas lhe contarei a história completa depois, em suma a senhora Smean é viúva de Daniel Smean, um comensal da morte não marcado que voltara ao juízo e sabotara grandes planos do Lord na primeira guerra. Voldemort jurou sua morte. Daniel se escondeu com a esposa e a filha durante muito tempo. Uma feiticeira os visitara um dia lhe dizendo que a vingança aconteceria após a morte de Daniel e cairia sobre a filha deles, mas que alguém a encontraria e as protegeria. Após a morte de Daniel, a senhora Smean permaneceu escondida com a filha no mundo trouxa até encontrarem Severus e Harry.

- Um belo resumo. – Disse McGonagall. – Sinto muito pelo que está passando.

- Obrigada.

- Senhora Vany, não vou me estender muito mais. Está mais do que claro que estão em perigo e o mais seguro é que fiquem aqui no castelo por enquanto até arranjarmos um lugar em que possam ficar.

- Não posso ficar no castelo, podem me reconhecer, eu os colocaria em perigo.

- Duvido que algum aluno saiba quem você seja, vão achar apenas que é uma visitante. E depois quando anunciarmos que Severus está vivo ambos precisarão de proteção e aqui é o lugar mais protegido, mesmo para uma veela tão poderosa como você.

- Não sei, é arriscar demais.

- A profecia diz que uma pessoa chegaria em sua vida para protegê-la. Precisa ficar ao lado dele. Pense no assunto e voltamos a conversar amanhã. Quanto a você Harry, por mais que Voldemort saiba de sua relação fraternal com Severus, peço que mantenha descrição, há muitos filhos de comensais que vão adorar uma noticia dessas.

- Sim senhor.

- Acha mesmo que pode nos proteger? – Perguntou Vany se inclinando sobre a mesa.

Dumbledore sorriu e olhou intensamente para o rosto perfeito dela antes de também se inclinar sobre a mesa postando a mão sobre a dela e a apertando de leve.

- Tenho toda a certeza.

- Então tudo bem, eu aceito, por enquanto.

- Que ótimo, fico mais tranqüilo assim e aposto que Severus ficará muito feliz em lhe ver quando acordar. – Dumbledore sorriu um pouco mais e deu uma puxada cúmplice para Harry antes de oferecer um drops de limão para a mulher e a dispensar junto de Harry e Almofadinhas.

- Não entendi.

- Isso me deixa surpreso, minha cara Minerva.

- Já tive conversas casuais muito mais conclusivas do que essa. Vocês não fizeram nada mais do que concordarem com fatos já ocorridos.

- O que esperava que ocorresse?

- Não sei, talvez uma de suas idéias, não tem nenhuma teoria?

- Muitas, mas nenhuma que deva ser apresentada no momento, o mais importante era conhecê-la, observá-la.

- Você tem um plano. – Afirmou Minerva franzindo os olhos para o homem. – E de alguma forma envolve aquela mulher.

- Vany Smean é descendente da mais poderosa veela que já existiu. Somente ela carrega o gene dessa veela. Aquela mulher tem um poder interessante e que será muito útil daqui a um tempo.

- E que poder é esse?

- O poder da cura.

- Se é isso então Papoula também é a senhora dos poderes.

- Ah, isso ela com certeza é. Confio em Papoula muito mais do que ela sequer imagina, mas a senhora Smean é única. – Dumbledore calou-se e apenas ficou pensando enquanto olhava para a mão enegrecida. – Precisarei dela antes do fim.

- Acho que está enlouquecendo, mas não posso fazer muito sobre isso. Com sua licença, vou me retirar.

Alguns corredores abaixo Almofadinhas corria feliz pelo corredor fazendo alguns quadros resmungarem indignados. Harry nem ligava, adorava ver Almofadinhas correndo com o rabinho, balançando a orelha em pé e a língua de fora. Lhe lembrava Sirius e era gostoso se lembrar dele daquela forma.

- Ele está com quantos meses? – Perguntou Vany ao seu lado.

- Não sei ao certo. Não sei quanto tempo ele tinha quando Severus o pegou, acho que era um mês, um mês e meio. Então deve ter uns três, quatro agora.

- Fico contente que ele te faça feliz. Eu sinto falta de ter um bichinho. Eu tinha uma coruja na época em que Daniel era vivo, mas depois a dei, não podia me comunicar com ninguém. Seria crueldade permanecer com a coruja.

- Não deve ter sido fácil ficar escondida, praticamente sozinha. – Disse Harry olhando para a mulher. – Sei como é não poder ser você mesma.

- Como assim?

- Meus tios não gostam de magia então consequentemente eles não gostam de mim.

- Não consigo imaginar alguém que possa não gostar de você. Você é adorável.

Harry agradeceu e continuou caminhando em silencio até pararem em frente aos aposentos que Lupin ocupara quando fora professor em Hogwarts. Após sua saída ninguém mais ocupou aqueles aposentos. Hagrid estava parado na porta e sorriu para os dois.

- Olá Harry, senhora Smean. – Cumprimentou o meio gigante.

- Pode me chamar de Vany.

- Vany? Esse nome não me é estranho.

- Estudei pouco tempo aqui em Hogwarts, fui transferida de Beuxbatons nos últimos anos.

- Verdade, você era a veela que mexia com a cabeça dos meninos. Nunca mais ouvi falar da senhora.

- É, eu sumi por um tempo, mas aqui estou eu. – Disse Vany gentilmente evitando qualquer possibilidade de ter que contar sua história. – Riley está ai dentro?

- Sim, ela comeu alguns biscoitos com chocolate, ai enquanto eu falava com um dos elfos ela adormeceu, eu a coloquei na cama, espero que não se importe.

- Não Hagrid, muito obrigada. Se me dão licença preciso de um banho e uma boa noite de sono.

- Claro, vou levar Harry para seu dormitório. Até mais Vany.

- Até mais Hagrid, Harry.

- Tchau.

A mulher observou os dois caminharem pelo corredor. Hagrid lhe dizia que adoraria levar Almofadinhas para conhecer Canino e fazer companhia quando fosse a Floresta Negra. Por algum motivo Harry fez cara de desespero e pegou Almofadinhas no colo dizendo que não era uma boa idéia. Vany riu e entrou nos aposentos fechando a porta. Ergueu as sobrancelhas ao se ver em um lugar tão simples, não que quisesse ostentação, mas devido ter visto o tamanho dos aposentos de Snape pensava que todos fossem iguais, mas aquele em que estava era bem menor. Não havia muita coisa, apenas uma lareira, um sofá e uma pequena mesa de refeição. Viu que tinha duas portas, a primeira era um banheiro, a segunda era um quarto modesto com uma cama grande e um guarda roupas, havia outra porta que devia ser outro banheiro.

Ao fechar a porta do quarto Vany respirou fundo e passou a mão pelo rosto algumas vezes antes de se aproximar da menina esparramada na cama. Riley tinha os cabelos bagunçados e o rosto sujo de chocolate, mas dormia tão pesado que não teve coragem de acordá-la para ir se lavar. Sentou-se ao seu lado e retirou os tênis e a calça jeans que vestia deixando-a apenas com a camiseta e calcinha. Riley se mexeu um pouco bagunçando mais os cabelos. Vany sorriu e deu um beijo na menina antes de ir para o banheiro. Precisava de um banho demorado.

A água quente da banheira serviu ao seu propósito, seu corpo foi lavado e relaxado, mas nem mesmo os sais de banho, água quente e conforto daquela banheira deram a ela a exclusão da dor. Somente ela conhecia as conseqüências de ser a descendente de Mary Sant, a veela mais poderosa que já existiu. As veelas sempre foram conhecidas por sua beleza, mas normalmente não eram dotadas de grande poder mágico, exceto Mary que nasceu com um poder tão forte que fora alvo de atentados homicidas, tanto de bruxos que queriam seu poder como de outras veelas invejosas. Mary se distanciou do mundo, isolou-se em uma cidadezinha distante onde não a conheciam, pois todos eram trouxas, exceto um bruxo nascido trouxa que se tornara seu marido e pai de seus filhos.

Vany nascera muitas gerações depois, Mary já era quase uma lenda, até que a pequena Vany demonstrara a seus pais um nível de poder grande demais para uma criança, a princípio pensara que ela era apenas uma menina prodígio. Mas Vany fez algo que até aquele momento só ouviram nas lendas de Mary Sant. Ela salvara a vida de seu gato que estava severamente doente. Vany não sabia o que estava fazendo, apenas abraçou o gatinho e desejou que ele vivesse, segundo sua mãe palavras foram cantadas por si e uma luz emitiu-se de seu corpo. Após isso o gatinho estava completamente curado. Vany não se importou com isso, mas seus pais a fizeram jurar que jamais contaria para alguém.

Foi só depois de muito tempo que descobriu que esse dom era algo único, valioso e invejado por aqueles que não sabiam o preço que pagava cada vez que o usava. Um preço que sentia em seu corpo como naquele momento em que amolecia alertando-a que deveria sair da banheira. Rapidamente, ou o mais rápido que suas pernas bambas permitiam, saiu do banheiro e se sentou na beirada da cama. Seu corpo nu ainda escorria água quando pegou o caderninho que sempre carregava consigo na bolsa, abriu na última página onde escreveu uma frase e um número. Seus dedos tremiam, seus olhos entravam e saiam de foco toda hora. Quando terminou de escrever olhou para a página e leu o que estava escrito.

Perna quebrada da Riley = menos 1 mês e 3 dias

Corte na testa de Riley = menos 4 dias e 7 horas

Doença do papai = menos 3 anos e 2 meses

Ferimento do Snape = menos 1 ano e 1 semana

Total = 72 anos, 4 meses, 15 dias e 12 horas

- Setenta e dois anos. Não é muito tempo. – Disse Vany guardando o livro novamente na bolsa. – Tenho que ter cuidado. – Se alertou enquanto vestia uma roupa leve e deitava ao lado de Riley que ressonava tranquilamente. – Preciso guardar para você. – Suspirou beijando a bochecha da menina. Deitou-se de costas e olhou para o teto sabendo que deveria dormir por horas para repor a força vital que quase levou a 0 lá na floresta, quase um milagre não ter desmaiado. Mas não podia simplesmente ficar de braços cruzados vendo Snape ferido daquela forma. Há ferimentos que feitiços não curam e poções surtem efeito lento, ele morreria ali se não fizesse algo. Não podia deixá-lo morrer. Snape não era mais um estranho, era um amigo, não era?

Vany fechou os olhos entregando-se ao cansaço e as dúvidas sobre o que Snape era para si.

Quando o pesadelo estranho terminou e seus sentidos começaram a voltar, seus olhos forçaram-se a abrir. A princípio não fazia a menor idéia de onde estava e nem mesmo como chegara ali. Fechou os olhos novamente, sua cabeça começou a latejar. Soltou um gemido baixo de dor levando a mão a testa. Seu corpo estava mole e dolorido, sua garganta seca. Será que poderia pedir água? Após a primeira tentativa percebeu que não, a única coisa que conseguiu fazer foi grasnar algo impossível de entender.

- Madame Pomfrey, ele acordou.

O som da outra voz o alertou de que não estava sozinho. Abriu os olhos novamente e tentou enxergar alguma coisa, mas a cama onde repousava estava envolta de cortinas. Tentou se levantar, mas a dor no corpo o fez desistir e simplesmente esperar a dona dos passos se aproximar. De repente a cortina se abriu fazendo-o reclamar pela luz que invadia seus olhos.

- Deus, quer me matar, mulher? – Reclamou alto piscando para se acostumar com a luz.

- Ora essa, deixe de reclamar, senhor Malfoy.

- O que estou fazendo aqui?

- O senhor desmaiou e bateu a cabeça com a queda. Ficou desacordado por dois dias.

- Dois dias? – Exclamou Malfoy jogando as cobertas para o lado e tentando se levantar, mas a dor no corpo o fez cair de volta na cama. – O que está acontecendo?

Madame Pomfrey ignorou a pergunta e apenas retirou a coberta da cama passando a varinha sobre o corpo do menino examinando-o. Draco reclamava e exigia uma resposta que a enfermeira lhe negou. Após alguns minutos percebeu que havia algo mais do que apenas dor. Uma força maior o impedia de sair dali. Tentou se levantar por diversas vezes, mas só conseguiu dor e broncas da enfermeira. Quando finalmente se deu por vencido percebeu que não estava sozinho.

No fim da ala hospitalar, sentado em uma cadeira velha e com olhos cansados estava Harry Potter ao lado de Snape que parecia estar morto na cama onde repousava. Harry segurava sua mão e o observava atentamente. Draco franziu o cenho com aquela imagem, mas apenas afastou o olhar e aguardou.

- Bom, senhor Malfoy. Eu diria que você está bem, mas o nível de magia ainda está afetado, você vai ter que ficar aqui para repousar pelo menos mais um dia.

- Mais? Eu fiquei dois dias dormindo. Não posso ficar aqui.

- Mas terá que ficar.

- Ora sua enfermeirazinha insolente, me solta dessa maldita maca agora ou eu juro que...

- Suas ameaças não me assustam e não posso te soltar. Isso é magia de Dumbledore. O diretor vai querer falar com o senhor agora que acordou. Vou buscá-lo.

- Sem mais a mulher saiu do local deixando-o aborrecido e xingando.

- Quando eu sair daqui você não perde por esperar, sua mulherzinha insolente.

Do outro lado da ala hospitalar Harry permanecia em silêncio apenas ouvindo as reclamações do loiro. Passou muito tempo pensando em como seriam os dias seguintes agora que Snape não era mais um comensal. Talvez finalmente o homem aquietasse e pudesse ter a paz familiar que queriam. Não haveria mais preocupações quanto aos chamados do Lord e nem se a vida do homem estaria em risco ou não. Agora tudo seria melhor ou não, pois realmente era importante saber o que Voldemort iria fazer a seguir, saber de seus planos antes de serem executados era sempre estar um passo a frente na luta entre o bem e o mal. Agora não havia mais esse passo. Estavam em desvantagem. A não ser que...

Harry olhou novamente para o menino do outro lado da ala, Draco continuava a praguejar, mas Harry não estava prestando atenção aos xingamentos e sim na marca negra dançando na pele pálida do braço esquerdo do menino. Não podia negar que era puro egoísmo o que pensava em propor ao menino, mas era tão preciso que subjugou o nojo de si mesmo. Sabia que Draco negaria, o chamaria de louco e posaria de poderoso, mas não conseguiria enganar Harry quanto as suas intenções, não depois do que presenciara na noite anterior.

Acabava de passar da meia noite quando entrou sorrateiramente na ala hospitalar escondido pela capa de invisibilidade. Madame Pomfrey o expulsara dali quando o horário de estar na cama chegou, mas Harry não conseguia dormir, nem mesmo após jogar muito snap explosivo com Rony ou adiantar os trabalhos igual Mione, por isso apenas rumou até a ala hospitalar e se sentou ao lado de Snape novamente.

Estava tudo em silêncio e o menino estava prestes a adormecer quando ouviu uma voz ao longe, parecia um lamento, um pedido de socorro. Franzindo a testa Harry se levantou e foi até o outro lado seguindo os resmungos que ouvia. Olhou duas vezes para o escritório da enfermeira, mas não havia sinais de que a mulher estava acordada. Ao chegar próximo a cortina que escondia a maca de Draco percebeu que o som vinha dali, que era Draco que o fazia. Revirando os olhos puxou a cortina com força pronto para ralhar com o menino por perturbar a noite. Mas não houve palavras para o que via.

Draco estava deitado em posição fetal, seus braços abraçavam o corpo com força, sua pele estava molhada de suor e seus olhos permaneciam fechados com força. Ele dormia e parecia ter pesadelos horríveis ou lembranças. Harry não sabia dizer ao certo, só sabia que seja lá o que ele sonhava era ruim, pois o loiro balbuciava pedindo ajuda.

"Eu não quero, por favor, eu não quero fazer isso. Ele me obrigou, ele me obrigou."

- Obrigou o que? – Perguntou-se Harry em voz alta surpreendendo-se por receber uma resposta.

"Matar, me obrigou a matar, eu não quero matar."

Harry se abaixou ao lado do menino procurando algum indicio de que estava acordado, mas não havia. Draco o respondera enquanto dormia. Munido de ansiedade Harry sussurrou ao lado da cabeça de Draco.

- Quem você tem que matar?

"Dumbledore" respondeu o loiro após alguns minutos em silêncio. Harry levantou-se afastando-se dois passos. Então aquela era a tarefa de Draco. Matar Dumbledore.

"Eu não quero, por favor, eu não quero."

- Draco. – Chamou Harry baixinho. – Por que você não quer? Você é um comensal, é mal, é cruel igual seu mestre.

"Não, não, não sou igual." O menino balançava na cama com desespero segurando a cabeça com as duas mãos. Harry temeu que ele fosse acordar, mas Draco apenas se balançou mais um pouco até finalmente apenas balbuciar preguiçosamente até entrar em um sono profundo sem sonhos. Harry fechou a cortina de sua cama e voltou para a cadeira em que estivera antes pensando nas ultimas palavras que o loiro dissera antes de voltar a dormir.

"Eu não quero ser mau, não me deixe ser mau, por favor, não deixe."

Agora era difícil imaginar aquela fragilidade enquanto olhava Draco praguejar e xingar amaldiçoando meio mundo, mas sabia que aquele menino estava ali, escondido embaixo de hostilidade e arrogancia, mas estava ali, só precisava dar um jeito de chegar até ele.

- Se continuar só vai se machucar. – Disse alto o suficiente para chamar a atenção do outro.

- Mas quem... ah, é você Potter. – Disse Draco cuspindo o nome do menino. – Acredito que eu não tenha pedido sua opinião.

- Realmente não pediu, mas eu a dei mesmo assim. – Harry se levantou caminhando até o loiro displicentemente com as mãos nos bolso. – Até agora pouco estava reclamando de dor e agora não para de se mexer.

- E o que isso te interessa cabeça rachada? – Perguntou Draco olhado com raiva para Harry e encontrando um olhar estranho no menino, era um olhar calculista, concentrado.

Realmente Harry tentava se concentrar o máximo que conseguia para obter o que precisava de Draco, tinha tudo esquematizado em sua mente, só precisava por em ação, porém Draco não era qualquer um, ele era astuto. Era preciso cautela ao pisar em um terreno como aquele. Pensou em Severus e fez o possível para se lembrar do que o mestre de poções sempre tentava lhe ensinar. Concentração e foco.

- Vai ficar ai me encarando? – Perguntou Draco chamando atenção do Grifinório com sua voz rouca. – Então pelo menos faça alguma coisa e me tira dessa maldita cama.

- Não posso. – Disse Harry dando de ombros e se virando para pegar um copo d'água na mesinha ao lado, sua mente trabalhando. – Foi o próprio Dumbledore que te enfeitiçou, nem se eu quisesse conseguiria te soltar. Toma, sua voz está horrível.

Draco olhou de soslaio para o copo que o menino lhe oferecia. Pensava em negá-lo, talvez jogá-lo na cara do moreno, mas estava com muita sede mesmo, então simplesmente pegou o copo sem agradecer e o devolveu vazio sem tão pouco dizer palavras. Bufou batendo a cabeça no travesseiro e se arrependendo, ainda estava com dor no corpo e principalmente na cabeça. Querendo fugir da visão de Harry o observando fugiu sua visão para o restante da ala encontrando a maca de Snape onde o homem repousava.

- Como ele está? – Perguntou voltando para Harry.

- Vivo. – Respondeu Harry simplesmente.

- Então ele sobreviveu, um feito e tanto. – Disse Draco voltando a observar o homem. Harry pensou ter visto algum ponto de preocupação nos cinzentos olhos de Malfoy. – Pensei que iriam escondê-lo agora que ele está vivo e não é mais um comensal.

- Dumbledore diz que por enquanto não tem muito com o que se preocupar, tudo vai depender do que você vai dizer ao diretor.

- O que quer dizer com isso?

- Pense Draco. – Disso Harry se aproximando e baixando a voz, colocando todo o peso que conseguia sobre elas, rezando para que os anos em que vira Snape fazendo o mesmo fossem suficientes para imitá-lo. – Severus era o braço direito de Voldemort. – Draco estremeceu com o nome, Harry ignorou. – De repente ele o traiu, virou a pessoa mais odiada por ele. – A boca de Harry enchia de água conforme as palavras se montavam em sua língua. – Voldemort perdeu seu espião, seu braço direito. Está em desvantagem.

- E como isso pode ser bom a ponto de estar sorrindo feito uma hiena?

- Pense, Draco. Dumbledore não o deixará ir embora, você viu demais, sabe demais, provavelmente será preso por ser um comensal.

- Azkaban está nos domínios do Lord seu idiota.

- Eu não disse que seria em Azkaban, Dumbledore tem muitos meios de prender uma pessoa. – Ao ver o medo tomar os olhos de Draco, Harry percebeu que estava quase conseguindo, mas tinha pouco tempo. Dumbledore apareceria a qualquer momento. – Você quer ser preso?

- Tudo o que você diz é besteira. – Gritou Draco querendo se mostrar forte, mas falhando com a voz quebrada. – Sai fora.

- Tudo bem. Dumbledore deve estar chegando. Você teve sua oportunidade Draco poderia fazer algo realmente bom, mas a escolha foi sua. – Harry deu de ombros se virando e jogando a última cartada que tinha. – Só não sei o que sua mãe irá pensar ao descobrir que você não voltará para casa.

- Está bem, volte aqui.

Harry se reservou em dar apenas um aperto forte de olhos para comemorar a vitória antes de se virar e voltar para perto de Draco. Tinha que confessar que jamais imaginou ter pena de Draco Malfoy, mas naquele momento ele estava, pois o loiro não estava somente com medo, ele suplicava ajuda.

- O que você propõe?

- Tome o lugar de Severus como espião.

- Tá maluco Potter? O rasgo na sua testa danificou o seu cérebro? O Lord jamais aceitará isso ainda mais após a traição do professor Snape.

- Vai sim. Voldemort sabe que está em desvantagem por perder um espião. Você o convencerá de que é fiel e que pode ser o novo espião.

- E como, em sua suprema inteligência, acha que conseguirei mentir para o mestre?

- Tenho tudo arquitetado em minha mente. – O que não era mentira, quanto mais pensava mais arquitetava. – Dumbledore não irá esconder Snape como se ele jamais fosse existir novamente, então antes de saberem que ele está vivo você vai voltar para o Lord e dirá que tem novidades e contará sobre Severus. Voldemort ficará contente por saber isso e ai você indica que quer ser o espião para vingar a traição que Snape cometeu.

- Eu não sei muita oclumência para fingir algo assim, o Lord vai tentar descobrir se é verdade ou não e só sei o que tia Bela me ensinou.

- Dumbledore poderá te ensinar.

- Isso é loucura, é tudo besteira. Não vou aceitar isso. – Gritou Draco se remexendo novamente e tentando inutilmente sair daquela cama, era possível ouvir seu desespero na voz, ele estava por um fio. – Você não está falando de meros sonserinos, está falando do Lord das Trevas, você não sabe do que ele é capaz, não sabe o que ele pode fazer. Ele me matará, matará minha família.

- Ele matará de qualquer jeito, Draco. – Respondeu Harry segurando os braços de Draco e o olhando intensamente. – Não há escapatória, você não é nada para ele, quando não tiver mais serventia você será jogado fora. Use o que você tem para ganhar tempo. Pense. – Draco cerrou os dentes e vociferou as piores injurias para Harry, mas Harry sabia que aquilo era medo, o mesmo medo que sentia quando ele mesmo tentava se convencer de que precisava enfrentar Tio Valter. Era o medo de estar sozinho. – Eu vou te ajudar. – Draco parou de se mexer e olhou incrédulo para Harry. – Estarei com você no que for preciso, não vou te abandonar. Eu prometo. – Alguns barulhos foram ouvidos no corredor. Dumbledore se aproximava. – Proponha um acordo. Tome o lugar de Snape e peça proteção do diretor. Eu não vou te trair Draco, independente do filho da puta que você for.

Harry voltou para seu lugar ao lado de Snape e apenas observou Dumbledore entrar com Madame Pomfrey e a professora McGonagall atrás. Os três se aproximaram de Draco e Dumbledore desfez o feitiço possibilitando que Malfoy se levantasse e andasse um pouco para esticar as pernas. Harry achou que Draco sairia correndo, mas o loiro o surpreendeu se sentando na cama e abrindo a boca antes de alguém falar qualquer coisa.

- Proponho um acordo.

Harry sorriu de canto e apertou a mão de Severus com força.

- Muita coisa vai acontecer, pai. Você nem vai acreditar.

Cinco dias se passaram desde o dia em que chegara ao castelo junto com Vany e Riley e depois passara pela prova de traição de Voldemort. Durante todo esse tempo permanecera dormindo. Apesar do receio de Harry, Madame Pomfrey garantira que Snape estava se recuperando muito bem e que o motivo de não acordar era porque seu corpo precisava daquele tempo para se recuperar da tortura que passara. No fim cinco dias foram suficientes para que acordasse, por isso quando o sol se pôs e os alunos já estavam devidamente em seus dormitórios os negros olhos se abriram. Não houve surpresa em se ver na ala hospitalar, muitas vezes visitara a enfermeira da escola em busca dos cuidados de Papoula. A surpresa na verdade estava no fato de não se lembrar o motivo de estar ali.

Respirando fundo ergueu o corpo até se sentar na cama, procurou por alguém, mas não havia ninguém. Pela janela conseguia ver que já era muito tarde, o céu estava escuro e a lua alta, talvez algo entre meia noite e uma da manhã. Pensou em chamar Papoula em seu escritório, mas o bolo em sua garganta como cola evidenciava que fazia tempo que não abria a boca. Devia estar desacordado por dias. Mesmo com as pernas bambas e fracas pelo tempo deitado, o homem forçou-se a andar usando feitiços simples para evitar cair. Independentemente de seu estado, se negava a ir ao banheiro com a ajuda de alguém. Sua intimidade era particular demais.

Ao se olhar no espelho encontrou apenas seu espectro. Seu rosto estava magro e com olheiras fundas. Seus cabelos estavam tão oleosos que grudavam no rosto. Sua boca tinha lábios brancos e secos. Parecia que havia acabado de sair de um campo de concentração. Precisava de um banho. Mesmo com ajuda de feitiços foi difícil tomar um banho descente, primeiro porque seu corpo ainda estava cansado querendo levá-lo para o inconsciente, segundo porque a imagem de seu braço esquerdo liso sem uma mínima sombra da marca negra ainda era surreal para si.

As imagens montavam-se aos poucos em sua memória o ajudando a recordar de cada pedacinho dos acontecimentos. A raiva do Lord, a desconfiança, a tortura, a comprovação de sua traição e depois a punição. A punição foi pior que qualquer tortura que já aguentara. Era horrível, horrível, terrivelmente horrível. Os olhos de Snape se fecharam, sua mão relaxou e o corpo deslizou na banheira adentrando completamente na água. Esquecera do feitiço ante afogamento.

O engraçado de se afogar é que após sua mente se desligar, o corpo ainda vive, ele se enche de água enquanto luta contra a invasão e só voltamos a sentir algo dessa luta quando a água é expulsa com força pelos pulmões ardentes. Foi isso que Snape sentiu quando cuspiu o liquido, sentiu a queimação em seus pulmões, a dor de tossir para botar tudo para fora, o gelo do chão no corpo nu e mais ainda a estranha sensação nos lábios como se o mais quente vulcão tivesse expelido sua lava ali.

- Você está bem?

A voz que ouviu chamou sua atenção, pois era a voz que estivera pensando quando se lembrou da imagem em que se prendeu para não desistir da vida, a imagem da loira mulher junto com sua bela filha e Harry, a imagem de uma família. A imagem de Vany Smean, tão bela como estava agora toda molhada, com os cabelos pingando água e os olhos assustados.

- Você é louco? – Ela perguntou usando as mãos para afastar os cabelos negros de sua testa. – Se eu não tivesse chego aqui você teria morrido, por que não colocou o feitiço anti-afogamento?

Snape não respondeu, apenas tossiu novamente e tentou se levantar sendo ajudado pela mulher que o segurou com firmeza até que os dois estivessem em pé, molhados e colados um no outro. Snape respirou fundo sentindo o perfume dela, era perfeito. Vany mantinha um de seus braços em torno da cintura do homem e a outra mão espalmada em seu peito sentindo o bater desesperado do coração. Os olhos negros permaneceram postados nos claros olhos da mulher antes de sua mão tocar delicadamente seu rosto afastando os loiros cabelos de sua bochecha. Vany abriu os lábios e suspirou com aquele toque. A mão de Severus era fria, mas queimava seu rosto. Snape baixou a cabeça até seus lábios tocarem de leve o lóbulo da orelha dela arrepiando-a a ponto de suas unhas arranharem o peito do homem.

- Preciso de uma toalha. – Disse Snape baixinho afastando os cabelos dela e beijando a junção do pescoço com o ombro.

Vany respirou fundo com aquele beijo e o sentiu se afastar aos poucos voltando seu olhar para o dela. Nem mesmo se lembrava de que ele estava nu em pelo. Sem jeito e com o rosto corado Vany pegou uma toalha em um armário perto levando até o homem sem desviar seu olhar do dele. Não queria que ele pensasse que ela era uma tarada, apesar de coisas desse tipo terem passado por sua cabeça. Snape se secou rapidamente e conjurou roupas novas que vestiu após pedir um pouco de privacidade para a mulher. Vany apenas se virou de costas, mas garantiu que não sairia de perto dele, não com a ameaça dele se matar na primeira oportunidade sozinho.

Depois de fazer toda sua higiene e se sentir um pouco melhor Snape voltou para a cama e se sentou sério fechando os olhos. Vany se aproximou e sentou-se ao seu lado na ponta da maca.

- O que está fazendo?

- Avaliando os danos no meu corpo.

- Madame Pomfrey já fez isso. Ela diz que os ossos quebrados foram curados e que os cortes se fecharam.

- Mas ainda há alguns músculos inflamados e hematomas que só saem com o tempo.

- Você é forte. – Disse Vany dando um leve soco no ombro de Snape o fazendo abrir os olhos. – Vai se curar rapidamente. – Snape ficou em silêncio apenas olhando para a mulher. Vany ainda trazia um sorriso nos lábios e continuava molhada, e bela. – O que está pensando?

- Sobre o que aconteceu.

- Você foi muito corajoso. Resistir à um feitiço antigo como aquele requer muita força de vontade, segundo Dumbledore. – Snape piscou e desviou o olhar. Vany se sentou um pouco mais perto e postou sua mão na de Snape. Seus rostos estavam tão perto que o homem se sentia inebriado pelo perfume que exalava dela. – No que você pensou naquele momento?

Snape não queria dizer à ela, era piegas demais lhe dizer que pensara nela, em Riley e em Harry como sua família, ela como sua mulher, sempre ao seu lado, lhe amando e desejando. Não poderia, não saberia como, mas era aquilo que queria. Sabia disso há muito tempo, mas somente naquele momento estava pronto para confessar a si mesmo que queria aquela mulher somente para si. Queria poder amá-la, fazê-la a mulher mais feliz do mundo, queria proporcionar a ela o que jamais pode dar para Lilian. Queria dar para Vany a sua melhor parte, os sentimentos que reservara para cultivar a imagem póstuma de sua antiga amiga.

- Mil galeões pelos seus pensamentos. – Disse a mulher.

Snape reservou um sorriso de canto enquanto o dedo de Vany acariciava sua mão esquentando-a. Sem pensar pegou aquela mão e levou aos seus lábios beijando-a suavemente. A pele dela era macia e tinha gosto de pêssego. Vany suspirou fechando os olhos. Snape deixou sua mão cair e olhou para seu rosto apaixonado por seus perfeitos traços. Sua mão delineou o pescoço, a mandíbula, o queixo, se enterrou nos cabelos loiros arrepiando-a.

- Severus. – Sussurrou a mulher se inclinando para frente deixando suas mãos apoiarem no peito do homem.

- Não precisa pagar pelos meus pensamentos. Eu te mostro.

O mestre de poções puxou a mulher para si colando seus lábios. A sensação daquele beijo fora mais intensa do que qualquer outra que já sentira em sua vida. Os lábios dela pareciam doce, derretiam em sua boca, a língua era como morango silvestre, adequadamente atrevida. Vany respondeu ao beijo com igual entusiasmo, enlaçou o ombro do homem e subiu na maca sentando-se no quadril de Snape com uma perna de cada lado. Severus gemeu ao sentir seu lábio ser mordido, suas grandes mãos abandonaram os cabelos loiros e passearam pelas costas perfeitas descendo até sua coxa e subindo novamente, explorando aquele corpo.

Seus lábios passearam pelo queixo dela indo parar em seu lóbulo da orelha e depois voltando aos lábios. Não queria que o beijo acabasse, era perfeito, era gostoso e trazia ao seu corpo sensações que jamais sentira antes. Mas o ar era necessário e assim ambos se separaram o mínimo possível. Vany respirava rapidamente, seus braços envoltos do ombro de Snape e esse mantinha um braço na cintura dela e o outro em sua coxa sentindo a textura macia e desejosa. Vany abriu os olhos que mantinha fechados e olhou para Snape, o homem tinha o rosto corado e os olhos queimando de desejo.

- Não sou bom com palavras. – Disse Snape colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.

- Não precisa dizer nada.

Vany o beijou novamente antes de sair de cima dele e se deitar ao seu lado puxando-o para lhe fazer companhia. Snape se deitou achando estranha a sensação de ficar daquela forma com outra pessoa.

- Não estou acostumado com isso.

- Eu faço você se acostumar. – Disse Vany se aconchegando ao homem e descansando a cabeça em seu peito.

Snape respirou fundo e deitou-se de costas sentindo Vany enganchada ao seu corpo com o braço envolvendo sua cintura e a perna enrolada na sua. Era uma situação que jamais pensaria em passar, mas que naquele momento era a que jamais queria que acabasse. Talvez Dumbledore tivesse razão, deveria dar uma chance àquilo que estava acontecendo entre os dois. Talvez realmente se acostumasse com aquilo.

- Talvez. – Sussurrou antes de fechar os olhos e voltar a dormir, dessa vez acompanhado pelo doce perfume de Vany Smean.