Olá, quero me desculpar pela demora, sei que muitos me dirão que não tenho que me justificar, mas como meus leitores, me sinto mais do que na obrigação de lhes contar o que houve para esse grande sumiço meu.

Eu tive grandes problemas em minha vida nesses últimos meses. O trabalho está consumindo minha vida, eu não tenho tempo e nem forças para fazer nada mais do que as tarefas de casa (comida, louça, roupa, essas coisas) e ir trabalhar. Eu estou em tratamento endocrinológico por ter obesidade, mas infelizmente engordei, por não ter tempo de fazer meus exercícios direito. Fiquei doente diversas vezes nesse período. Eu tentava sentar para postar os capítulos que eu tinha pronto e não conseguia e quando eu tinha tempo a fic ficava em terceiro, quarto lugar na minha mente, pq eu queria relaxar ao máximo nas poucas horas que eu tinha livre em um final de semana por exemplo. Quem faz fic sabe o quanto é trabalhoso, escrever, ler, reler, arrumar, escrever mais coisas, deixar tudo certo e o mais perfeito possível para vocês que são nossos maiores motivadores, nossos amigos e queridos amados que merecem o respeito de um capítulo bem escrito, pois também gastam seu tempo lendo nossas palavras. Então eu não conseguia nem mesmo corrigir os capítulos. A minha mente precisava de descanso.

Por isso hoje, de férias há uma semana e já mais descansada e com tempo estou aqui para postar dois capítulos para vocês. Tenho até o capítulo 48 escrito e revisado, mas hoje postarei apenas dois, os outros três postarei de três em três dias, assim da tempo de lerem e quererem mais, iso é, se meus leitores ainda continuarem aqui...

Adoro muito cada um de vocês e agradeço por estarem sempre aqui comigo, cada palavra em um review é uma muleta que me segura, e agradeço imensamente por isso...

Vocês são demais...

Espero que me perdoem pela demora e por erros no capítulo, não sei se minha revisão ficou boa.

Capítulo 44 – Acontecimentos Parte 2

A sexta feira chegou mais rápido do que Draco queria. A noite anterior fora mais do que perfeita e deixara em seu corpo e alma uma marca que ninguém nunca conseguiria retirar de si, nem mesmo sob tortura, nem mesmo o próprio Lord conseguiria retirar aquilo dele, era uma marca sólida e profunda, a marca da possibilidade. A possibilidade de uma vida diferente. Draco respirou fundo e caminhou até o colchão onde o menino estava deitado de bruços e dormindo com o corpo descoberto a mostra de seus olhos. Afastou a capa negra de sua veste de comensal e se ajoelhou ao lado dele passando a mão por seu corpo mantendo alguns centímetros de distância para não acordá-lo. Não se acorda um anjo que dorme.

- Adeus, Harry.

Harry acordou quando o eco dos passos de Draco já havia sumido. O jovem comensal estava a uma distância que não poderia alcançar. Ele estava perdido.

- Você está tenso, Severus. Daqui a pouco fico tonta com o tanto que você anda de um lado para o outro.

- É por que eu sei que algo vai acontecer, não sei o que é, não consegui arrancar a informação de Draco, ele aprendeu a guardar suas memórias e pensamentos muito melhor do que eu esperava e não adianta perguntar nada para Dumbledore.

- Nada vai acontecer, meu amor, está tudo bem, ficará tudo bem. – Disse Vany afastando o olhar do homem em frente a lareira para esconder a mentira clara em seu rosto. Ela sabia que nada ficaria bem. Dumbledore jogou isso em sua cara nesse mesmo dia mais cedo.

" - Senhora Smean, lhe chamei aqui tão cedo, pois tenho que garantir que nosso acordo está de pé. – Disse Dumbledore sentado a sua mesa lhe oferecendo um doce que foi claramente negado.

- O senhor não tem me deixado muito mais opções. – A voz da mulher era dura e firme. – Me manipulou de forma excepcional.

- Não diria manipular, minha cara, eu te dei uma escolha e apenas lhe ditei claramente suas chances quanto a sua filha caso tudo ocorra de forma ruim.

- Em resumo, me manipulou. O senhor jogou na minha cara que não tenho chances de salvar minha filha caso não o ajude durante essa missão idiota.

- São suas palavras, minha jovem, não minhas. – O sorriso fraco e presunçoso nos lábios rachados do diretor a irritava. – Espero que esteja preparada para quando eu a chamar hoje à noite. Eu já conversei com Draco e ele está preparado. Está tudo preparado, só falta confirmar sua parte no acordo.

Vany, que estava com a cabeça abaixada, olhou diretamente nos olhos azuis do diretor e sentiu que se não tivesse visto e descoberto esse lado cruel e manipulador do diretor poderia muito bem ter se afogado em seu oceano de aparente bondade. Mas agora tudo que via era um oceano fundo e perigoso, com águas que poderiam cobrir-lhe o corpo e arrastá-la para o mais profundo fim. Ela via a verdadeira faceta do homem a sua frente. Não poderia negar que Dumbledore fizera grandes coisas para o mundo bruxo e muito mais para Severus em um âmbito fraternal, e por isso era muito bem agradecida, mas quando algo atingiria o velho pessoalmente então ele lançava suas cordas de marionete e as prendia nos próximos bonecos a agirem conforme seus gostos. Vany não seria uma dessas bonecas, nenhuma corda seria presa em si.

- É claro que pode confirmar. – Respondeu calmamente esforçando-se para plantar uma barreira superficial, porém poderosa, em sua mente para que Dumbledore não lesse quais eram suas reais intenções. – Agora se me dá licença, diretor, preciso ir ver como Riley está.

- É claro, pode ir. Riley precisa da mãe, não é mesmo?

Achando melhor ignorar a provocação do diretor a mulher saiu do escritório e descendo direto para seus aposentos onde Snape já se levantara para arrumar suas coisas antes das aulas.

- Onde esteve? – Perguntou o homem dando um beijo de bom dia na mulher.

- Fui andar um pouco, estava precisando espairecer por um tempo. Vou dormir mais um pouco.

- Tudo bem, eu vou indo para minha sala. – Mais um beijo. – Até daqui a pouco."

O elfo apareceu com o almoço dos dois e o deixou na mesa, Vany estava realmente com fome e levantou-se de imediato para atacar as bandejas, mas Severus, assim como sempre fazia quando estava nervoso com algo, permaneceu no mesmo lugar, continuava a pensar.

- Severus, vem almoçar. – Chamou Vany mordendo um pedaço de batata.

Severus olhou para a bandeja e não sentiu nenhum agrado por ela. Seu nariz franziu como se Vany tivesse dito algum desaforo ao lhe chamar novamente. A verdade era que estava irritado e isso o deixava sem fome.

- Não estou com fome, pode comer minha parte se quiser.

- Ainda vai me amar quando eu ficar gorda, inchada e com uma barriga parecida com as aboboras que Hagrid planta?

Ele apenas deu um sorriso torto e voltou a pensar em tudo que provavelmente aconteceria naquele dia. Sabia que era naquele dia que o plano de Dumbledore seria executado, ele daria um jeito de se livrar da maldição do anel que o matava aos poucos. Só não sabia o quão desastroso isso seria.

A tarde ocorreu tranquilamente, ou quase. Snape estava mais desagradável e indigesto com seus alunos do que normalmente, principalmente com a Grifinória. Harry perdera quase trinta pontos, Hermione mais vinte e Rony fez o possível para não abrir a boca. Ao final da aula Harry acabava de guardar o material e colocar a mochila nas costas quando uma menina apareceu lhe chamando na porta.

- Ei, Potter! – Chamou a menina. – Professor Dumbledore pediu para lhe entregar isso.

- Obrigado. – Disse Harry pegando o pergaminho que a menina lhe estendia e abrindo.

- Bom, já vou indo. – A voz da menina estava engasgada e ela deu passos vacilantes para trás até gritar uma despedida e sair correndo.

- O que deu nela? – Questionou Rony, Hermione deu de ombros e Harry riu.

- Meu pai está atrás de mim.

Ainda que não conseguisse aceitar Harry chamar Snape de pai, ao se virar viu o professor parado como um tronco olhando para a nuca de Harry.

- Acho que vamos indo Harry, nos falamos depois. – Despediu-se Hermione saindo da sala junto com Rony.

- Eles já deveriam ter se acostumado com você e parado com esses medos e caretas.

- Não me interessa seus amigos. O que é isso? – Apontou para o pergaminho.

- Recado de Dumbledore, ele quer me ver.

- Professor Dumbledore, Harry. – Corrigiu Snape fechando a porta. – Do que se trata essa reunião tão alegre?

- Não sei, ele pediu para encontrá-lo após o jantar. Desculpa, não posso dizer mais nada, prometi a ele. Vou indo.

- Harry! – Chamou quando ele já estava na porta. – Tome cuidado.

- Ok, mas estará tudo bem, estarei com Dumbledore.

- Professor Dumbledore. – Sussurrou Snape após a porta se fechar.

A segurança de Harry quanto a Alvo era notória, ele ainda trazia a inocência dos que acreditam no ancião? Não podia culpá-lo, Harry nada sabia da verdade, para ele só havia o poderoso Dumbledore com sua grande magia e olhos bondosos. O menino desconhecia o outro lado do diretor. O lado manipulador, frio, calculista de quem joga com dois mestres. Dumbledore não mediria esforços para conseguir o que quisesse. Em certos aspectos. Snape pensava que Voldemort e Dumbledore não eram de fato tão diferentes, a diferença era que Voldemort deixava bem claro as suas intenções e propósitos e mais claro ainda as consequências de possíveis falhas. Dumbledore brincava com as palavras, igual uma aranha em sua teia.

Não podia negar, claro, que o ancião lutava contra essa parte de si e em troca presenteava o mundo bruxo com conhecimentos que só ele poderia ter. Torcia para que conseguisse um dia se livrar das algemas que o ligava ao ancião, só não imaginava que esse dia chegaria tão cedo.

A noite chegou rápido demais para seu gosto, estivera o tempo todo sentado apenas olhando para aquele armário, apenas esperando a hora certa chegar. Olhou o relógio de prata que repousava em seu pulso e desejou que os ponteiros parassem de se mexer, mas logo chegaram onde ele não queria. O relógio da escola deu suas badaladas no mesmo instante que as portas do armário começaram a abrir.

Eram dez horas. O show iria começar.

- Estão todos aqui?

- Sim.

- Certo. Escutem bem. Antes de sair, Harry nos deu claras instruções, ele sabia que algo iria acontecer hoje e nos pediu para ajudá-lo.

Rony suava frio, nunca estivera naquela posição antes, era sempre Harry ou Hermione quem ditava o que deviam fazer, não ele. No entanto, naquele momento era preciso tomar as decisões certas, por isso chamara os amigos para uma conversa antes do toque de recolher. Olhou para os rostos ansiosos de Hermione, Gina, Neville e Luna e lhes deu as instruções.

- Todo mundo vai tomar um gole de Felix Felicis, isso vai nos dar sorte nas próximas horas até Harry retornar com Dumbledore. Precisamos vigiar a sala Precisa, Draco está fazendo alguma coisa ruim e provavelmente fará hoje porque Dumbledore não está aqui e nem Harry. Então faremos o seguinte, Gina, eu e Neville vamos para o corredor da Sala Precisa. Hermione e Luna vão para o escritório do professor Snape vigiá-lo.

- O que? – Exclamou Hermione. – Que história é essa?

- Sei que você acha que o Snape está do nosso lado, Hermione, por causa da adoção do Harry e tal, mas eu ainda estou com um pé atrás, ainda acho que ele quer alguma coisa com essa aproximação. Não é natural.

- Você está enlouquecendo.

- Hermione, não temos tempo para isso.

- Está bem, eu vou. – Disse Hermione apontando o dedo para o rosto do ruivo de uma maneira assustadora. – Mas quando o Harry ficar sabendo disso eu juro que vou ajudá-lo a matar você.

Hermione deu as costas para o amigo e caminhou pisando firme a caminho do escritório do professor Snape que ficava no terceiro andar, atrás de si vinha Luna que cantarolava uma canção desconhecida. Após ficar plantada na porta de Snape, Hermione se perguntava o que estava acontecendo, já se passara vários minutos após as dez da noite e nada acontecia, tudo permanecia calmo. Como que para contrariar seus pensamentos o professor Flitwick apareceu no fim do corredor correndo esbaforido em seus curtos passinhos. O professor pareceu nem ao menos vê-las, pois entrou direto no escritório de Snape.

- O que será que aconteceu? – Perguntou Luna.

- Não sei, mas acho que descobriremos em breve e receio que não seja nada bom.

Dentro da sala Snape se surpreendia pela entrada repentina de Flitwick.

- Severus! Severus precisamos de sua ajuda. Comensais... alunos... lá em cima...

- Filius! – Chamou Snape grossamente levantando-se de sua cadeira, apoiando as mãos na mesa e se debruçando ameaçadoramente em direção ao professor. – Eu não tenho tempo para decifrar a rude linguagem dos anões. Concentre-se e diga de uma vez porque me atrapalhou no meio de uma pesquisa importante.

- Eu não sou anão! – Exclamou Flitwick ficando vermelho. – Há um ataque de comensal no castelo. Estão no sétimo andar, estamos tentando contê-los, mas precisamos de sua ajuda imediatamente.

Flitwick lhe deu as costas e caminhou em direção a porta, por esse motivo e também por confiar em Snape que não percebeu o feitiço lançado em suas costas fazendo-o cair no chão. Snape caminhou até ele e verificou se estava tudo bem, pelo que viu Flitwick machucara o nariz ao cair, mas estava bem no geral, não dava para fazer um exame mais detalhado ou deixá-lo confortável, tinha coisas mais importantes para pensar. Com a varinha em punho saiu do escritório e se deparou com Granger e Lovegood. Poderia humilhá-las, tirar pontos de suas casas, mas no momento havia coisas muito mais importantes do que seu prazer pessoal.

- Onde está Potter?

- Não sabemos. – Mentiu Hermione e se arrependeu por isso.

- Legilimens!

A menina gritou com a fúria com que Snape adentrou sua mente buscando os últimos momentos que tivera com Harry. Snape o viu dizer que iria sair com Dumbledore e amaldiçoou-se por confiar nele a ponto de não questionar quando disse que dormiria na torre da Grifinória aquela noite e não em seu quarto como prometido. Hermione caiu no chão de joelhos quando saiu de sua mente, Luna foi para seu lado lhe ajudar.

- Cuidem de Flitwick.

Seus passos apressaram-se pelo corredor e sumiram antes mesmo que Hermione conseguisse se levantar. Correu como um fantasma e desceu para as masmorras ignorando os sonserinos fora da cama. Sentiu os feitiços de proteção o reconhecer antes de passar pela porta. Seus aposentos estavam iguais a sempre, ninguém chegara até ali, pelo menos não ainda. Vany estava sentada em sua poltrona com uma mão em seu ventre ainda liso e a outra segurando uma revista. Riley estava estirada no chão lendo um dos vários livros que Hagrid lhe dera.

- Severus, o que houve? – Perguntou Vany se levantando.

- Não tenho tempo de explicar, preciso tirar vocês daqui. – Respondeu rapidamente pegando Riley do chão e a colocando em seus braços sabendo que a menina não era muito boa em correr.

Ao sair de seus aposentos sentiu a atmosfera diferente, os alunos não estavam mais no corredor, estava tudo deserto. Cauteloso como sempre Snape entregou Riley para a mãe e caminhou lentamente na frente, passo a passo, sentindo o ar ao redor, as mudanças do vento, o calor de qualquer outro corpo além dos deles, o nível de magia, a respiração. Sua mente processava cada um desses detalhes e trabalhava rápido. Sem dizer uma única palavra indicou um canto escuro na parede onde sabia que ficariam protegidos de qualquer pessoa que passasse por ali. Quando estavam devidamente escondidos Riley agarrou-se à sua mãe e olhou para Snape vendo-o sinalizar para que ficasse em silêncio, a varinha estava firme em suas mãos. Não demorou muito para que passos rápidos e vozes roucas fossem ouvidas.

- Não acredito que temos que fazer isso. – Disse o primeiro comensal.

- O Lord mandou procurá-la e levá-la para ele. Então é exatamente isso que faremos. – Disse o segundo.

- Droga Yaxley, não quero ir atrás dessa loira desgraçada, quero estar lá em cima quando tudo terminar.

- Controle-se Thorfinn, você deve obedecer ao Lord cegamente, não interessa o que você quer e sim o que o mestre quer e se ele quer que cacemos essa mestiça imunda enquanto Malfoy mostra o quanto é fraco, então é isso mesmo que faremos.

- Calma, só estava comentando, nada mais.

- Vamos terminar logo com isso.

Snape aguardou enquanto eles passavam e só quando estavam alguns passos a frente que ele apontou a varinha para as costas de Yaxley e recitou mentalmente o feitiço de estuporamento deixando o comensal inconsciente no chão.

- Acho que você não está acostumado a isso, não é mesmo, Rowle Thorfinn?

O comensal olhou em direção a voz e se deparou com uma sombra no escuro, não era possível ver muito mais do que as mãos, ainda assim sabia que a pessoa era difícil e mais ainda perigosa. Rowle apontou sua varinha em direção a ele e aguardou, estava nervoso, imaginava quem era, mas não podia acreditar que estivesse frente a frente com ele. Sempre fora um comensal mediano e por isso ficava fora das principais missões do Lord, chegou a se surpreender com o pedido para que acompanhasse Yaxley para achar essa mulher, porém agora, enquanto o homem saia das sombras e se mostrava, ele entendia o propósito de sua presença. Viu Snape caminhar lentamente para a luz e seu rosto pálido ser iluminado revelando o que sempre ouviu falarem, pois nunca ficara frente a frente com ele, Snape era a própria sombra e negror.

- Por que acha que o Lord mandou você aqui embaixo junto com Yaxley? – Perguntou Snape olhando-o de cima, observando cada movimento.

- Porque sou necessário.

- Porque você é descartável. O Lord sabe que quem você tem que buscar está devidamente protegida por mim e sabe que eu não mataria Yaxley, tenho uma divida de vida com ele, mas você...

- Acha que não me defenderei? Você não é tudo que pensa Snape. Tanto que quem você quer esconder está bem a minha vista. – Snape viu pelo canto do olho Vany aparecer com Riley grudada em si. – E eu vou pegá-las. Tenho uma entrega a fazer.

- Deveria ter dado mais atenção ao que lhe diziam Rowle. – Sussurrou Snape dando um passo a frente. – Jamais deveria ter ameaçado aquela mulher, porque ela é minha. Se tivesse prestado atenção no que os outros comensais dizem de mim saberia que jamais deveria ter pisado nessa escola.

- Por que? Vai me matar? – Perguntou zombando do ex comensal. – Estou morrendo de medo.

- Deveria mesmo. – Respondeu Snape fazendo o sorriso presunçoso sumir do rosto de Rowle quando o ar gelou arrepiando seus pelos da nuca. Um vulto denso passou pelos olhos de Snape prendendo a atenção do comensal que diminuía a cada recuada. – Eu não vou matá-lo, não tão rápido. Eu vou fazê-lo pedir clemencia, vou te causar tanta dor e aflição que vai desejar que te mate, que acabe com seu sofrimento, então nesse momento eu vou assistir sua mente se despedaçar como uma pedra que vira pó. Você será um nada. – A sobrancelha de Snape se ergueu e seus olhos afiados cortaram Rowle como lâminas, um sorriso torto se fez nascer em seu rosto. – Quem sabe eu não tenha pena de você e te mate de vez. Realmente deveria ter escutado o que falavam de mim.

Rowle rosnou e lançou a maldição na direção de Snape, mas o comensal não contava que mesmo não tendo mais a marca Snape ainda era o comensal que aprendera a ser para sobreviver à culpa pela morte de Lilian, ainda carregava dentro de si todo o negror que lhe domara há anos e todo o poder adquirido ao lado daquele que lhe sugava a alma. O feitiço de Rowle foi anulado sem que Snape se mexesse e da mesma forma a maldição atacou o corpo de Rowle deixando-o sem ar. O comensal largou a varinha e arregalou os olhos levando a mão até o pescoço. Sua vista embaçava, sua boca abria, mas não saia nenhuma palavra, viu através das lágrimas que se acumulavam o vulto rir de si. O feitiço o lançou contra a parede e sentiu como se as próprias mãos de ferro de Snape apertassem seu pescoço com toda a ira que o homem conseguia expor em seus negros olhos. Antes que sua traqueia quebrasse Snape se adiantou e ajoelhou ao lado do homem agonizante, olhou em seus olhos castanhos e viu o vermelho do sangue e o brilho das lágrimas. Viu também o medo e o desespero espreitando pelos cantos, o rasgando aos poucos e adentrando em seu corpo trêmulo. Sentiu dentro de si a satisfação da pré morte e deixou-se ser preenchido com a adrenalina de ser o algoz daquele que lhe implorava a vida. A baba esbranquiçada vazou pelo canto dos lábios dele no mesmo instante que os olhos de Yaxley abriam devagar para presenciar a cena mórbida.

- Severus, por favor, não. – Sussurrou Vany atrás de si.

Severus não deu ouvidos para sua mulher, seus olhos estavam grudados em Yaxley e seu sorriso maligno abria-se nos lábios, Vany fechou os próprios olhos e se afastou devagar com Riley. Snape não iria parar e nem pediria desculpa depois, ela teria que entender, compreender e aceitar que Snape jamais seria perfeito ou comum, era um homem quebrado que carregava o peso de um passado cheio de espinhos e sangue. Não dá para se mudar um homem assim.

- Leve esse recado ao seu mestre, Yaxley. – Disse Snape colocando a mão firme no pescoço de Rowle que mantinha uma mínima consciência gasta para implorar por sua vida. – Ninguém ameaça minha família.

A mão de ferro se fechou com força ao mesmo tempo que o feitiço foi finalizado quebrando sua traqueia. Rowle agonizou uma última vez e depois mais nada. Yaxley tentou pegar sua varinha, mas Snape a jogou longe. Sem dizer uma única palavra deu as costas para o comensal e caminhou pelo corredor atrás de Vany e Riley até que não fosse mais possível vê-los.

Caminharam em silêncio por mais um tempo e enfim chegaram a um corredor isolado que os alunos pouco usavam, pois era sem saída.

- Por que paramos aqui?

- Aqui. – Snape se adiantou para um quadro de tamanho real e o abriu com o menear da varinha. – Entrem.

- Onde isso vai nos levar?

- Direto para o escritório do diretor. Dumbledore fez esse acesso para mim, devido as reuniões urgentes. Vão e fiquem lá até eu dizer que é seguro.

- Mas e você?

- Não se preocupe comigo, eu sei me cuidar, encontrarei vocês daqui a pouco.

Vany sorriu triste.

- Eu sei que você sabe se cuidar. – Disse passando a mão em seu rosto e o sentindo relaxar com o toque. – Ainda assim me preocupo. Eu te amo Severus, não suportarei te ver machucado ou te perder.

Snape ficou calado, apenas puxou a mulher para si e selou seus lábios em um beijo simples, apenas lábios encostados, mas que transmitiam mais do que qualquer outro beijo já dado. O momento foi interrompido pela exclamação de nojo de Riley que como sempre era a única capaz de arrancar um riso do rosto de Snape. O homem acariciou a bochecha da mulher, desceu a mão até seu ventre fazendo um pequeno afago, beijou a cabeça de Riley e virou as costas caminhando pesadamente enquanto o quadro se fechava no fim do corredor.

Harry sentia-se um idiota por estar paralisado e embaixo daquela capa, como poderia ajudar estando imobilizado daquela forma? Via pelo tecido da capa Dumbledore fraco por causa da ida a ilha de Voldemort e a sua frente, apontando a varinha para o ancião e dizendo palavras idiotas estava Draco, o menino que conquistou seu coração estava agora tentando matar um dos bruxos que mais admirava. O que Draco estava fazendo? Por que estava fazendo aquilo? Tentou olhar em seus olhos cinzentos e descobrir a verdade, mas não conseguia, o loiro tinha os olhos vidrados em Dumbledore que conversava com o menino com a mesma calma com que falava com os alunos no banquete da escola. Mas aquele momento não era nem de longe um alegre banquete, era o prelúdio de sua morte.

- Draco. – Harry ouviu Dumbledore chamar. – Dará tudo certo. Acredite em mim.

- Como pode ter certeza? O senhor não sabe.

- Eu sei, Draco, eu sei. – A voz do ancião era leve e deixou até mesmo Harry mais calmo como se pudesse acreditar que tudo realmente daria certo. – Você precisa fazer o que lhe disse Draco.

O que ele havia dito? Perguntou-se Harry amaldiçoando-se por não ter se concentrado na conversa dos dois desde o inicio e sim em sua chance de se soltar do feitiço paralisante. Deveria ser para largar a varinha, era o mais óbvio. Harry só não sabia que nada em Dumbledore era óbvio.

- Não posso fazer isso. – Disse Draco e Harry gritaria se sua raiva pelo loiro o deixasse ver a dor que ele sentia em sua alma. – Não consigo.

- É a única chance Draco. Você sabe disso. Sua família está segura como lhe prometi, agora tem que fazer isso por mim.

De repente tudo só piorou. Draco estava baixando a varinha devagar, centímetro por centímetro quando o barulho alto foi ouvido na escada. Os comensais apareceram forçando Draco a erguer a varinha novamente e olhar com mais fúria para Dumbledore como se o fato dos comensais aparecerem fosse sua culpa. Harry não quis ouvir o bla bla bla que Dumbledore trocava com aqueles vermes, sua atenção estava em Draco e o no ódio que se erguia em seus olhos. Rezou para que alguém aparecesse naquele momento e parasse com tudo aquilo, acabasse com aquele circo monstruoso. Por mais idiota que fosse querer aquilo, desejou que seu pai aparecesse, desejou que Snape estivesse ali, pois assim saberia que tudo acabaria bem, tudo estaria certo, sentiria a segurança dele e sabia que aquela meia dúzia de comensais não seria páreo para ele. Ele era seu pai, ele era Severus Snape. Porém Severus Snape não apareceu, nem qualquer outra pessoa. O tempo continuou a passar como jamais imaginaria que aconteceria em um momento como aquele. Os comensais continuaram zombando do diretor até que a voz aguda e irritante de Belatrix foi ouvida sobre todas as outras, aquele som rasgou o ar, abalou as estruturas da escola e fez o coração de Harry se apertar.

- Mate-o!

Foi então que Draco dez o que Harry jamais imaginou ser possível. Ergueu a varinha, olhou dentro dos olhos do diretor e recitou o feitiço.

- Avada Kedavra.

A luz verde iluminou o céu escuro, vagou pelo ar atingindo Dumbledore no meio do peito. O velho soltou um som estranho quando voou pela balaustra e sumiu no negro da noite, o mesmo negro opressor que tomou Harry em um desespero inquieto. O desespero da morte.

N/A: só para não perder o costume e nem os bons modos quero agradecer o review deixado no capítulo passado pelas lindas Daniela Snape e Pandora Maria... muito obrigada mesmo... bjusssss