Olá olá olá, desculpem a demora. mas estou aqui para finalizar essa maravilhosa fic após quase dois anos...
Capitulo 48 – O nascimento de um novo Harry
Ao abrir os olhos, mergulhou diretamente no prazer doentio do homem, na excitação conturbada causada pela dominação do seu ser. Sentiu-se preso em seu medo, não mais se debatia, apenas aceitava. As mãos ainda apertavam seu pescoço, o ar lhe faltava, podia desmaiar a qualquer momento, talvez devesse se debater mais para que ele simplesmente quebrasse seu pescoço privando-o da vida. Porém, ao abrir os olhos, ficara a mercê dele e de sua ira. Suas mãos soltaram-se daqueles pulsos grossos e caíram molemente ao lado.
- Isso mesmo, moleque, você sabe que é melhor não resistir. Eu vou acabar com você pelo que fez.
O corpo jovem caiu no chão com um baque seco, a tosse rasgou sua garganta, seu peito queimou com o esforço de bombear o ar que entrara de uma vez. Devagar esforçou-se para ficar em pé, o mais velho não o ajudou, talvez até o chutaria se demorasse demais. Finalmente em pé o assistiu abrir o cinto e o ajeitar nas mãos. Por mais inútil que fosse, tentou um último pedido.
- Por favor, Tio Valter, eu não falei com eles, não tive culpa com o incidente com o Duda, não sei como criaturas do meu mundo vieram parar aqui.
- Não me interessa, eles são sua culpa! Duda está babando em um hospital por sua causa e desse mundo retardado de onde você veio. Eu lhe disse, moleque, que mais alguma coisa e seria a gota d'água. Tire a camisa e se ajoelhe.
- Tio...
- Cale-se, você vai me obedecer e nem pense em tentar entrar em contato com alguém de lá ou eu juro que mato você.
O menino se virou e tirou a camiseta, seu peito nu trazia algumas marcas de cicatrizes antigas, a maioria já curada, mas algumas ainda se recuperando. Deixando as lágrimas caírem ajoelhou-se devagar e aguardou, aguardou e aguardou, temendo o momento que acontecesse e então aconteceu. O som do estralo do cinto em sua carne não fez jus a dor, parecia que seu tio estava cortando suas costas, tirando pedaço por pedaço.
Um
Dois
Três
...
Quinze.
- Uma cintada por ano de vida para pagar a desgraça que é, a aberração que seus pais deixaram para nós cuidarmos e mais uma. – O sangue escorreu pelo ombro. – Pelo que fez com o Duda.
O menino caiu no chão, suas costas nem doíam mais, já estavam dormentes de tantos machucados, o sangue escorria pela pele e sujava o chão, teria que esfregar depois. O homem passou por cima de si esmagando seus dedos ao pisar em sua mão, não havia mais forças para gritar.
- Levante-se logo e vá para seu quarto, não queremos ver a sua carcaça imunda no nosso chão.
Sofrendo pela fraqueza e cansaço o jovem se ergueu aos poucos, as pernas tremiam tanto que desabou no chão duas vezes antes de conseguir se arrastar para debaixo da escada, a dor voltava aos poucos enquanto se encolhia no cubículo deixando o corpo torto para que suas costas ficassem virada para a portinha. Com a respiração funda e pesada esperou, os olhos não queriam mais fechar, já não sentia mais nada além do desapego a sua própria vida. Apenas aguardou o torpor chegar, mas a única coisa que veio foi o ardor do pano gelado tacado sem dó sobre seus ferimentos. Mãos nada delicadas limpavam os cortes e aplicavam um remédio que o fazia cerrar os dentes para não gritar.
- Isso mesmo moleque, demorou, mas aprender a não gritar, assim os vizinhos não ficam bisbilhotando por aqui. Aquela senhora Figs é muito enxerida, ela é do seu mundo? – Um leve movimento de cabeça deu lhe a resposta negativa. – Que bom. Pois saiba que não vai conseguir fugir de nós, e se tentar vai se juntar a seus pais. – A mão ossuda terminou o serviço grotescamente para que os ferimentos fechassem rápido e as cicatrizes fossem mínimas. Ao terminar segurou o rosto dele com força o fazendo encarar sua cara de cavalo com olhos azuis brilhantes de loucura. – Espero que tenha entendido bem, Harry Potter. Não adianta fugir, correr e se esconder, seja lá onde for, eu vou encontra-lo.
- Sim, Tia Petúnia. – Fora o último suspiro que dera antes de desmaiar e se perder em seu próprio fim.
Tia Petúnia
Tia Petúnia
Por qual motivo estava se lembrando desse dia? Não houve nada de especial nele, só o mesmo se sempre. Tio Valter, gordo, feio, violento e sedento por sangue com sua cinta. E também Tia Petúnia, alta, magra, com rosto de cavalo e expressão de quem comeu e não gostou.
Tia Petúnia
Tia Petúnia
Tia...
- Tia Petúnia? – Balbuciou fracamente levantando o rosto e encarando aqueles olhos azuis que outrora mostrara a dureza de um esposa e mãe de família preocupada com o bem estar daqueles que amava. Mas que agora só mostrava a doentia obsessão de uma viúva pela vingança de seu marido.
- Eu lhe disse um dia, moleque. – Rosnou Tia Petúnia segurando seu queixo com força entre os dedos finos e duros. – Não adianta você fugir, nós sempre te acharemos.
Nós? Quem somos nós? Se perguntou Harry.
A resposta não demorou a vir. Um instante depois uma figura gigante apareceu rebolando e parou ao lado de Petúnia dando-lhe um sorriso cumplice. Harry piscou algumas vezes para ter certeza até que finalmente desistiu de achar outra resposta e apenas aceitou que aquela pessoa era Duda. Engoliu a saliva salgada e levantou a cabeça tentando ficar reto e olhar nos olhos do primo. Encontraria talvez o mesmo ódio e rancor de Tia Petúnia, a mesma tristeza e o mesmo vazio. Sentiu vontade de rir, vazia e Duda não eram palavras que combinavam, mas seus lábios não respondiam ao seu comando, estavam duros e doloridos, reservou-se apenas a olhar para o menino gorducho, Na verdade Duda não estava tão gordo como da última vez que o viu. Agora que prestava atenção devida percebia que o primo estava em uma situação que de nada poderia se chamar de boa. Muitos quilos foram perdidos e as roupas, incrivelmente surradas e velhas, estavam largas, sua pele tinha uma palidez incomum, era possível ver as veias sob a pele, as unhas roídas, os dedos trêmulos.
Duda pareceu se incomodar com a vistoria de Harry e se encolheu afastando os olhos do menino, mas não rápido o suficiente para encobrir o sentimento que se refletia em suas olheiras e pele agora macilenta.
- Você está com medo.
Duda ergueu os olhos de surpresa e encarou Harry como se fosse uma criatura medonha e perigosa.
- Cale a boca! – Gritou Petúnia.
Foi só quando a tia jogou em si um balde de agua gelada que conseguiu entender um quadro maior de sua situação. Sua visão, antes embaçada pelo torpor que ia embora aos poucos, agora estava nítida e apesar das gotas nas lentes de seus óculos, era possível ver onde estava. Parecia um galpão abandonado, possivelmente de alguma fabrica ou loja antiga que ficava no beco onde havia parado com Rony e Hermione.
Assim que lembrou-se dos amigos o desespero bateu em seu peito e mesmo estando amarrado em uma cadeira velha com os braços para trás, tentou procurar por eles em todos os cantos, mas não havia ninguém mais ali, somente ele, Tia Petúnia e Duda.
- O que fez com meus amigos? – Perguntou Harry encarando a mulher com raiva visível em seus olhos e dentes cerrados.
- Você quer dizer aquele menino feio e a garota sardenta? Não fiz nada com eles, pelo menos não fiz muito. Digamos que os dois tiraram uma soneca enquanto eu e Duda o trazíamos para cá. Eles terão uma baita dor de cabeça quando acordarem.
- Enervate!
Rony levou a mão a cabeça imediatamente, sentia uma dor lancinante perto da orelha esquerda como se tivesse uma forte pancada. Piscou algumas vezes antes de sentir uma mão forte e bruta o levantar do chão de qualquer jeito, sem nem mesmo se preocupar com o fato de que tudo rodava ao seu redor. Foram preciso alguns segundos para conseguir se estabilizar e mãos mais delicadas para lhe ajudar a continuar em pé.
- Rony? Você está bem?
- Hermione?
A imagem da menina aos poucos ia parando de se mexer e conseguia enfim olhá-la direito. Hermione tinha os cabelos bagunçados e as roupas sujas, mas o pior era sua testa, além de vermelha, estava sangrando.
- Sua cabeça, está machucada. – Disse o ruivo tocando levemente para não machuca-la mais. Seus olhos arregalados estavam claramente alarmados. – O que aconteceu?
- Não se preocupe, já estou curada, o professor Snape ajudou, ele que nos achou.
- Snape?
- Professor Snape, senhor Weasley. – Rony deu um pulo quando ouviu a voz tão perto de si e mais ainda ao ver a varinha apontada para sua cabeça. – O que houve aqui?
- Eu explico, professor. – Disse Hermione pondo-se entre Snape e Rony. – Harry, Rony e eu íamos fugir.
- Isso ficou mais do que óbvio, senhorita Granger, pare de me fazer perder tempo com o que já sei, me conte o que não sei. Onde está meu filho, onde está Harry?
- Não sabemos, professor. Fugimos de vocês e paramos aqui, íamos desaparatar para iniciar as buscas pelas Horcruxes, mas aí...
- Aí aquela porta abriu. – Completou Rony apontando para a porta atrás de Snape. – Duas pessoas saíram de lá, uma pegou o Harry e a outra veio para cima da gente.
- Quem eram?
- Não sabemos, foi tudo muito rápido, eles estavam com máscaras e nos bateram, por isso desmaiamos.
- Mas são uns incompetentes! Irresponsáveis e idiotas. Poderia esperar uma atitude suicida de Harry já que herdou o senso de herói do pai dele, mas esperava que tivessem mais juízo do que ele, principalmente você, senhorita Granger.
- Desculpe, professor Snape, tentamos fazê-lo voltar atrás, mas ele está determinado, nada o faria parar.
- Eu o farei. – Rosnou Snape com ódio se aproximando dos dois devagar, o dedo apontando de um rosto assustado para o outro. – Vou atrás dele e se algo tiver acontecido, vou responsabilizar os dois pessoalmente por isso, entenderam?
- Sim, senhor.
- Não se mexam até eu voltar.
A porta bateu às costas de Snape, só então Hermione respirou e Rony engoliu o arrepio na espinha.
- Onde será que o Harry está?
- Não sei, mas o professor vai acha-lo, só precisamos esperar.
Harry sentia sua carne do pulso destruída pelas tentativas de se soltar, a corda afrouxara um pouco, mas não o suficiente para conseguir desamarra-la. Enquanto isso via Tia Petúnia andando de um lado para o outro falando coisas sem nexo sobre como ficara depois que Snape matara seu marido e Duda apenas encolhia-se no canto e tremia cada vez que a mãe pedia para que concordasse com alguma coisa. O grifinório estava tão concentrado em se soltar que nem mesmo percebera que a mulher lhe fizera uma pergunta direta, foi somente quando o tapa estralou em seu rosto que a voz entrou em seu ouvido enchendo-o de mais ódio.
- Responde moleque, como devo te matar?
- É tão incompetente sem Tio Valter que nem mesmo isso consegue resolver sozinha?
- Não fale do Valter, seu imundo!
As unhas quebradas e lascadas da mulher rasgaram sua bochecha e cravaram-se em seu pescoço.
- Eu vou te matar e farei aquele nojento do Snape pagar na mesma moeda o que ele me fez.
Harry sentia a falta de ar começar a atingi-lo, sua garganta era fortemente apertada como Tio Valter muitas vezes fizera. Os olhos de Tia Petúnia estavam vidrados, suas pupilas tão dilatadas que não se via mais o azul herdado do pai. As mãos de Harry já estavam dormentes, quase não havia mais ar em seus pulmões, sua visão embaçava, mas ainda conseguia ver Duda tentando fazer a mãe largar o primo, podia ouvir os gritos ensandecidos.
Então era assim que morreria? Nas mãos ossudas de Tia Petúnia?
Daria mesmo o gosto da morte para a mulher que não se movera um único centímetro para lhe acolher em um abraço quando a primeira surra veio em uma idade tão tenra que nem mesmo se lembrava direito?
Não, não poderia fazer isso. Havia um propósito para sua vida, um motivo para que seu coração ainda batesse. Ele deveria matar Voldemort e livrar o mundo de suas maldades. Ele era Harry Potter, o menino que sobreviveu, o Eleito e predestinado ao sucesso de uma batalha que não estava longe. Sua vida e sua alma deveria serem dadas diante do mundo bruxo, pelo mundo bruxo, por todas pessoas que acreditavam nele. Não fora por isso eu lera tanto aqueles livros de Snape, aqueles que assustavam, mas que lhe deram o conhecimento que precisava?
Deixaria tudo morrer? Todos morrerem?
Com o último esforço que tinha prendeu-se as imagens de seus amigos e sua família, tinha que se libertar e continuar sua jornada por todos, mas principalmente por eles. Snape, Rony, Hermione, Vany, Riley, Almofadinhas, a família Weasley e até mesmo o bebe que ainda nem mesmo havia conhecido. Seus pais e até Dumbledore. Precisava ser forte.
Então seria esse o momento que usaria para deixar todo o medo para trás. Era agora ou nunca, era sua vida ou da mulher, era sua vida ou a de milhões.
Suas feições mudaram no mesmo segundo, o rosto vermelho e quase desfalecido firmou-se como uma pedra, seus traços endureceram e seus olhos penetraram fundo na alma da mulher enxergando cada sopro de vida dela. As cordas que prendiam seus pulsos queimaram virando pó quando suas veias enegreceram e saltaram sob a pele subindo pelo corpo. Era como ácido, queimava, mas era delicioso, viciante. O poder que Harry clamava para si vindo de sua própria vida era tão forte que transparecia em cada movimento de seu corpo, em cada risco de sua íris e até mesmo em sua respiração.
- Mamãe! – Gritou Duda caindo no chão ao ver Harry empurrar a mulher longe e se levantar com a varinha erguida, fagulhas saiam de sua ponta.
- O que é você? – Perguntou Petúnia no chão demonstrando novamente ter alguma sanidade.
- Alguém cansado de ter pesadelos com você. Agora eu serei seu pesadelo. – Uma porta bateu ao fundo, Harry não olhou para trás, se olhasse teria visto os olhos negros arregalados e os passos apressados em sua direção quando começou a proferir o feitiço lido naquele livro velho e empoeirado do laboratório de Snape. - Nilamuns Dianko!
Harry não teve tempo de ver o resultado de seu feitiço, pois Snape imediatamente o deixou inconsciente com o estupefaça. O homem parou diante do menino e se abaixou observando as veias negras retrocederem e suas feições voltarem novamente ao seu normal, as feições suaves de um adolescente idiota.
- Seu idiota. – Xingou antes de se levantar e ir em direção a Duda que tentava fugir por uma porta trancada. – Não tenho tempo para lidar com criancice, seu balofo imprestável. Olha pra mim!
Duda tremia de medo, suas calças estavam molhadas de tanto que tremia diante de Snape, começou a rezar baixinho quando a varinha foi apontada para o meio de sua testa.
- Eu deveria te matar. – Disse Snape com os dentes cerrados segurando o menino pelo colarinho. – Mas acho melhor não. Obliviate.
Os olhos de Duda esbranquiçaram, o menino não se debatia nem tremia, apenas ficava parado diante de Snape enquanto o professor tirava de sua mente todos as memórias sobre essa família maléfica que ele tivera e implantava novas memórias para que Harry fosse esquecido por ele e que sumisse de suas vidas. Quando terminou, Duda nada disse ou esboçou, apenas se dirigiu a mesma porta por onde Snape entrou e foi embora. Nunca mais se ouviu falar de Duda Dursley.
- Ah, Túnia, intrometida e chata Túnia. – Se abaixou diante do corpo da mulher sem vida com os olhos abertos e em uma posição nada natural. – Deveria ter aprendido desde pequena que não se mexia conosco, Túnia. Você odiou sua irmã, a amada Lilian, depois odiou o filho dela e por esse ódio você morreu.
Snape levantou-se devagar e nem se dera ao trabalho de fechar os olhos da mulher, ela não merecia, mesmo sendo do mesmo sangue de Lilian, ela não mereceu sua compaixão ou compreensão, nem mesmo em sua morte.
- O que houve? – Perguntou a voz de Harry atrás de si. Snape se virou e o encarou por um momento, parecia atordoado e nem mesmo se lembrava do que fez e ao invés de lhe dizer, Snape apenas deu um passo para o lado deixando-o encarando o cadáver de sua tia. – Tia Petúnia! – Gritou Harry ajoelhando-se ao lado dela, mas sem tocar seu corpo. – Ela está morta?
- Sim.
- Foi assassinada?
- Sim.
- Foi você?
- Não Harry, apesar de querer muito matar Petúnia com minhas próprias mãos, não fui eu quem a matou.
Harry estava prestes a perguntar quem fora, mas quando a pergunta se formou em sua língua a resposta apareceu em seus olhos, as lembranças de momentos atrás o atacaram sem piedade. Olhou mais uma vez para a mulher e ao contrário do que Snape esperava, não chorou ou se desesperou, apenas a olhou com curiosidade.
- Eu a matei. – Não era uma pergunta.
- Você destruiu todo o corpo dela por dentro.
- Ela mereceu.
A imagem de Petúnia fora substituída pela de um Snape furioso que se pôs a sua frente o encarando como se estivesse entrando em sua alma.
- Não adianta tentar ler minha mente, Severus, eu aprendi Oclumência. Foi difícil, mas consegui aprender.
- Não sabe onde está se metendo, Harry. – Disse Snape em seu tom de voz arrastado, mas firme. – Esse caminho não tem volta, você matou uma pessoa com um feitiço avançado de Magia Negra, um feitiço que beira os imperdoáveis.
- Como eu disse, ela mereceu.
- E você merece isso? Sua alma, antes imaculada e intacta agora está trincada, manchada pelo sangue de sua tia. Você vai querer mais e mais e mais e quando se der conta estará tão afundado na morte que se tornará o próximo Lord das Trevas, pois foi assim que ele começou. Como eu disse, não sabe onde está se metendo, por isso não tirarei mais os olhos de você.
- Isso não irá acontecer. Eu tenho um caminho a seguir, um objetivo a cumprir. Preciso encontrar as Horcruxes e matar Voldemort. Não pode ficar no meu caminho Severus, você tem uma mulher e um filho para cuidar, não poderá ir comigo, mas não posso ficar.
- Eu não dou a mínima para o que você quer ou precisa fazer. Você é meu filho e vai fazer o que eu mandar, entendeu, senhor Potter?
- Entendi.
O vazio dentro de Harry era estranho e ao mesmo tempo confortável. As dúvidas e medos que antes o tomavam agora não eram mais um incomodo, por isso não se sentiu culpado quando descaradamente apontou a varinha para Snape e proferiu uma versão mais forte do estupefaça que fez o professor cair desacordado ao lado de Petúnia.
- Desculpe Severus, mas eu preciso fazer isso. E não se preocupe, não pretendo estar vivo após Voldemort morrer.
Com cuidado Harry retirou uma mexa negra que caia no rosto do professor e acariciou de leve sua mão. A frase "eu te amo" veio em sua garganta, mas por algum motivo não a disse, apenas se levantou e foi embora encontrando o caminho pelo emaranhado de corredores vazios daquele prédio antigo que o levaria a saída, onde Rony e Hermione o esperavam. Apesar das diversas perguntas, Harry não disse nada, apenas segurou firme a mão dos amigos e sentiu Hermione desaparatando com eles para algum lugar desconhecido, fugindo do mundo bruxo, de Snape e de si mesmo.
