Então chegamos ao fim, quero agradecer a todos que leram a minha fic, que me mandaram reviews, que desejavam sempre mais e mais... obrigada mais uma vez...
Capítulo 51 – O fim parte 3
Draco respirou fundo, estava terrivelmente sem fôlego. Piscou os olhos por um instante até que finalmente compreendeu o que acontecera e só conseguira ver o quadro inteiro quando viu Harry mais adiante com a varinha erguida. Pelo que parecia, o moreno lançara um feitiço em direção a Zabine enquanto o seu ia para Crabbe. Na confusão outros feitiços foram lançados fazendo com que os diversos itens da sala caíssem como cascata em cima deles. Harry conseguiu se afastar a tempo, mas o mesmo não se podia dizer de Crabbe, soterrado embaixo dos entulhos, apenas a mão morta a vista.
Com dificuldade Draco retirou algumas coisas estranhas e velhas que caíram em cima de si. Sentiu um fisgão forte na coxa ao tentar se levantar, sua perna formigava e era difícil encostar o pé no chão. Com cuidado deu um passo a frente e grunhiu com a dor, mas logo deu outro passo em direção a Harry e assim que os olhos azuis prenderam-se no seu não houve mais dor, nem cansaço, nem ao menos sentia a pele suada e cheia de poeira, os cabelos loiros agora cinza de fuligem e as roupas rasgadas. Tudo que via era Harry.
Mas então ele se foi, o moreno deu-lhe as costas sem nem mesmo lhe dirigir a palavra e o deixou na dor da solidão, acabado e desolado.
A raiva subiu por Draco esquentando o corpo trêmulo, dando foco a visão embaçada e força nas pernas fracas. Apertando a varinha nas mãos seguiu pelo corredor até chegar ao corpo desacordado de Zabine. Assim que constatou que seu amigo estava bem, apenas inconsciente, seguiu tropeçando e mancando. Após virar três corredores viu as costas de Harry alguns metros a frente.
- POTTER!
Os chamados gritados eram claramente ouvidos por Harry, mas igualmente ignorados. O grifinório não podia perder-se em lembranças antigas e nem mesmo se dar ao luxo de esperar ou falar com Draco. Seu tempo era curto e suas chances menores. Precisava destruir as Horcruxes. Mas Draco não desistiria tão fácil, faria o que fosse possível para parar aquele menino, aquele ser estranho que estava em Harry, corroendo sua alma, matando o único ser luminoso que conhecera em sua vida.
- Não me ignore seu idiota!
- Não tenho tempo para você, Draco. – Respondeu Harry sem parar de andar. – E você não pode continuar andando, melhor ficar parado ou logo Madame Pomfrey não poderá curar sua perna.
- Que se foda minha perna. Você vai me ouvir, nem que seja a força.
Draco fechou os olhos com força e trouxe a tona todas as lembranças na sala precisa, todas as tardes perdidas, noites roubadas. Dos lençóis jogados no chão junto com as roupas. Então quando abriu os olhos viu-se diante de Harry e sua raiva no meio do quarto branco com uma cama de casal. O quarto deles, o local sagrado onde confissões foram feitas e amores revelados.
- Já disse que não tenho tempo para isso.
- Isso? Agora eu sou "isso", Potter?
- Tenho assuntos sérios a resolver.
- Nós somos o assunto sério Harry! Nós. Será que é tão cabeça dura assim para entender algo que está na sua cara?
- Então o que quer discutir sobre nós?
- O que houve com você?
- Você não é a mesma coisa que nós.
- Foda-se conceitos e explicações. Me diga o que houve com você.
- Nada. Não aconteceu nada. Nunca acontece nada comigo, só com quem está a minha volta, por isso preciso ir atrás das Horcruxes e destruí-la. Assim posso ter alguém.
- Você tem a mim.
- Até quando? – Questionou Harry encarando Draco firmemente pela primeira vez na noite - Até o dia em que seu chefe lhe chamar para ir até ele como um cachorrinho querendo lamber o osso? Para depois eu descobrir que você fez parte de uma operação homicida que destruiu mais uma vila de trouxas? É para isso que eu tenho você? Quer que eu fique apenas esperando até terminar de brincar de casinha com seu mestre? Me poupe, Draco. Cansei de esperar, cansei de obedecer as regras de todos. "Fique aqui, Harry" "Não faça besteiras, Harry" "Deixe que a Ordem faça o que deve ser feito."
- Eles estão certos. – Sussurrou Draco mantendo a voz calma e apenas apiedando-se do menino desesperado a sua frente, tão perdido em si mesmo que estava cego.
- Não estão não, ninguém está certo quanto a isso. Todos acham que tem a solução para tudo, mas no fim a única solução sou eu. Você sabe disso. Eu terei que fazer o que for preciso, tudo que estiver ao meu alcance para destruí-lo. Por que se eu não fizer, jamais me livrarei desse fardo, Draco, e muito mais pessoas morrerão.
- Tudo bem, eu entendo. Entendo mesmo, eu sempre soube que você era a pessoa destinada à destruir o mal desse mundo e estava mais do que disposto a estar ao seu lado a todos os momentos.
Os olhos de Harry, que apresentava agora um verde escuro e pesado, brilhara por um instante com as palavras do loiro que rapidamente encontrava-se diante de si, com a mão acariciando seu rosto. Era um carinho delicado e pequeno, nada mais que um roçar de pele, mas poderoso o suficiente para fazer o menino fechar os olhos e cambalear por um momento.
Draco segurou Harry com firmeza e o levou com calma até a parede próxima apoiando suas costas no mármore gelado e suas mãos em seu ombro. Antes que Harry abrisse os olhos, Draco pode perceber o quanto o menino estava deteriorado, magro, a pele pálida e seca com leves hematomas espalhados aqui e ali. Os cabelos estavam bagunçados como sempre, mas traziam um aspecto seboso e nojento como se tivesse ficado meses sem limpar e talvez houvesse ficado mesmo, afinal, Harry estava fugindo de todos os bruxos do mundo há quase um ano enquanto se metia em Magia Negra cada vez mais.
- Ah, Harry, por que fez isso?
O sussurro de Draco não foi respondido, Harry apenas abriu os olhos e sentiu o peso de sua degradação estampada nos olhos cinza. Por ser um Malfoy, Draco sabia o que era Magia Negra desde pequeno, mesmo que nunca pudesse mexer com ela, nem mesmo depois de adolescente. Porém, com os últimos acontecimentos a Magia Negra tornara-se sua segunda vida e assim como em Severus, arrancara de si uma parte de sua alma. Mas a alma de Draco, apesar de intacta, já era corrompida pelos males de sua vulnerabilidade, dos seus medos escondidos atrás dos pensamentos ruins pelos outros, das brincadeiras de mal gosto com os amigos e que cada vez ficava mais perigosa, pelo desejo de poder. Harry, por sua vez, era portador de uma alma pura e intacta de um inocente. Uma alma que lutava contra o poder da Magia Negra, esta movida pelo medo do menino de ouro.
- Porque eu tenho medo, Draco.
A resposta veio tão baixinha que surpreendeu Draco fazendo-o arquear a sobrancelha e apertar a mão postada na cintura do menino.
- Porque eu preciso derrotá-lo e porque somente eu posso fazer isso. Cada segundo que eu perdia estudando era um segundo que ele tinha de vantagem. Eu tenho medo de não ser capaz de fazer isso e então todos pagarem pela minha incompetência. Pessoas morreram por minha causa, mais pessoas irão morrer. Eu sempre fui poderoso como todos falavam, mas não conseguia, não conseguia...
- Ser frio o suficiente para matar alguém.
- Nem mesmo machucar demais. E como o salvador do mundo bruxo poderia matar Voldemort se não era capaz de matar? Mas então eu li os livros do Severus e senti um poder enorme em mim, eu senti que podia tudo. Meus poderes aumentaram, minha magia revelou-se bem mais intensa do que eu poderia sequer imaginar. Fiquei um ano estudando, treinando e testando meus conhecimentos em comensais que metiam-se em nosso caminho. Hermione disse que tinha medo de mim, mas ela não entende. Estou bem melhor assim. E quando tudo acabar, poderemos finalmente ficar juntos.
- Você é um idiota, Harry Potter!
- O que?
- Isso mesmo, um idiota! Acha que é bom ser poderoso, que enterrar-se em Magia Negra a ponto de poder matar alguém é uma coisa incrível só por que colocou em sua cabeça oca que precisa resolver tudo sozinho e ainda por cima acha que depois de tudo, ficaremos juntos. – Draco tirou as mãos da cintura de Harry. – Eu não quero você assim, Harry, por que ai não será o meu Harry. Eu me apaixonei pelo menino de olhos verdes que apesar de ter medo sempre estava ali disposto a entregar-se de coração aberto por qualquer um de seus amigos, que era idiota o suficiente para colocar as esperanças em pessoas como eu, que apostava no melhor das pessoas apesar de qualquer coisa que fizessem. Você era um encanto, inocente apesar de já maculado pelo mundo, esperançoso mesmo quando tudo estava em ruina. Idiota por se apaixonar por gente como eu e lutar para me afastar de qualquer sombra.
- Eu ainda sou assim.
- Não. Antes você era o sol, agora você é a sombra. Você está caindo em sua própria armadilha e nem mesmo percebe. Você é bom demais para todo esse mal. E eu não quero você se for dessa forma.
Harry sentiu como se algo quebrasse dentro dele quando Draco se afastou, o ar ficou gelado e o quarto a sua volta começava a se quebrar como um espelho estilhaçado. Dentro de si algo remoía como um monstro irritado querendo se soltar de suas grades. O ar lhe faltou enquanto imagens deles naquele quarto passavam diante de seus olhos e eram aos poucos destruídas pela chama negra dentro de si. Sentiu-se tonto e colocou as mãos nos joelhos apoiando-se. Então era isso que aconteceria dali em diante. A cada passo que desse para dentro do negror da Magia Negra, uma lembrança boa seria destruída, e então um dia não restará nada além da sede do poder e o frio. Seu caminho era fadado a solidão.
- Não. – Sussurrou tentando respirar. – Draco, por favor. Me ajude.
No mesmo instante as mãos de Draco o abraçaram trazendo-o para perto de si. Harry agarrou-se ao corpo do sonserino e sentiu-se ser levado até a antiga cama dos dois onde lembranças dos momentos íntimos eram guardadas.
- Está tudo bem Harry, ficará tudo bem. – Dizia Draco acariciando os cabelos negros enquanto Harry lutava contra si mesmo.
Fazer a Magia Negra entrar em sua alma foi um processo lento, foram meses sentindo as pequenas pontadas que tentavam rasgar sua aura. Depois de um tempo nem mesmo sentia a dor, já começava a fazer parte de si, entretanto agora que tentava expulsar aquele tipo de poder, aquela magia poderosa de dentro de si, era como se rasgassem sua alma em milhares de fiapos. Sentia-se destroçado por dentro e cada vez mais fraco. Draco apenas lhe abraçava e acariciava seus cabelos sentindo-o tremer em suas mãos.
- Não me deixe, Draco. – Pediu Harry olhando o loiro com seus olhos quase semicerrados. – Não me deixe nunca.
- Não deixarei seu idiota, mas não fale, apenas se concentre.
Harry fez que sim com a cabeça e fechou os olhos deixando que as lembranças horríveis do que fez o tomassem enquanto aquela sensação ruim lutava para não ir embora. Viu seu próprio rosto refletido em suas memórias e desejou matar-se, aquele ser que torturava, que não se importava com nada mais além do poder que crescia em suas mãos não era ele. Não podia ser ele. Mas era. Era simplesmente Harry Potter, matando sua própria tia, exalando ódio e poder. Era ele.
- Não, não por favor, não quero ser assim. – Pediu Harry ofegando no colo de Draco. – Eu não quero, por favor Draco, me ajude, não quero ser igual a ele, não quero ser como Você-Sabe-Quem.
- Você não será. Lute, Harry, lute. Você pode, você pode porque você tem a capacidade de se arrepender, de ter remorso de tudo o que fez. O Lord não pode, ele não entende o que é errado e certo, vocês não são iguais. Você é muito melhor. Você é você.
Os lábios de Draco tocaram os seus no mesmo momento em que o véu negro que o cobria se rasgou em mil fiapos e as estrelas da noite brilharam mais intensamente antes de tudo se apagar.
- Milady. – Chamou o comensal chegando perto. – Estão todos lhe esperando. Só falta a senhorita.
- Mais um minuto.
- Sim, milady.
Assim que o comensal da morte se afastou, os olhos claros voltaram-se para o espelho que flutuava a sua frente. Olhou para seu reflexo ainda com tom de surpresa em seus olhos, mesmo que estivesse diante dele nos últimos trinta minutos. É que a beleza era tão grande que tornava impossível até mesmo piscar. Jamais imaginou-se daquela forma. O vestido azul cabia em si como se tivesse feito exclusivamente para seu corpo, seus cabelos estavam presos em um belo e alto rabo de cavalo deixando-a com uma aparência mais alta e velha. A infância que antes trazia o brilho de seu sorriso agora não mais se fazia presente.
Deu as costas para o espelho e caminhou até o lado do comensal que voltara para lhe acompanhar. Aos poucos outros comensais apareciam a sua vista e como se estivessem diante de uma rainha todos se curvaram ante a sua presença.
- Minha criança.
A voz de Voldemort alcançou seus ouvidos antes mesmo de chegar ao seu lado e aceitar sua mão esquelética. Os olhos vermelhos a miraram com um mistério intrigante. Ela o observou com um sorriso largo em seu rosto.
- Vejo que aceitou minha proposta de reinar por esse mundo ao meu lado, como minha companheira.
- Aceito ser sua rainha, milorde, com uma condição.
- Ah, não se preocupe, minha querida. Não tenho um único interesse em fazer par amoroso com você.
- Como sabe?
- Sua mente é aberta para mim. Entre nós não haverá mentiras. Eu lhe dou um reino, súditos e poder, você será sempre vista, obedecida e respeitada como jamais foi em sua família. Em troca você me seguirá com seus poderes de veela e será fiel a mim. O que me diz, Riley Smean?
- Ela diz não!
Todos os olhos dispararam em direção a voz e observaram o vulto caminhar entre sombras e nevoa. Foi somente quando ele apareceu sob um faixo de luz da lua que todos puderam emitir suas exclamações de surpresas e rosnados de ódio e rancor. Ele caminhou sem temer ser atacado, sabia que ninguém agiria sem o comando de seu mestre. Sua capa arrastava pelo chão queimando as plantas já mortas pelo caminho. Seus passos eram silenciosos e seu poder fazia as mãos que seguravam as varinhas, tremerem.
- Ora, ora, ora, então o traidor finalmente resolveu aparecer e não veio sozinho.
De trás das árvores surgiram as silhuetas de outros bruxos, aurores, membros da Ordem da Fênix e a frente deles, trazendo a fúria monstruosa em seus olhos maternos, Vany em sua forma mais cruel de veela.
- Sabe que sua tentativa é inútil, Severus. Tudo o que vai conseguir é a morte de todos aqui presente, inclusive de seus queridos pupilos. Tem muitas mortes em suas mãos, Severus, mas será que conseguirá conviver com a morte de seu filho?
Um choro fino se aproximava enquanto Narcisa trazia o pequeno Daniel em seus braços. Os olhos negros acompanharam cada passo da bruxa. Vany soltou um urro ao ver suas crianças ao alcance daquele monstro, sua maior vontade era avançar sobre eles e os roubar sob suas asas protetoras, mas não era hora para isso, a briga, naquele momento não era sua. Severus aproximou-se dois passos e ergueu a varinha apontando para o rosto de Voldemort que não alterara nem mesmo uma ruga.
- Eu vou falar uma única vez. – Disse Severus com sua voz baixa e letal. – Deixe meus filhos em paz!
Uma risada cruel soou na noite ao mesmo tempo que o rosnado do ex-comensal vibrou a terra e então tudo se desfez em pó.
- Você disse que eles estavam na Sala Precisa, Rony, mas não conseguimos abrir a sala.
- Eles estão ali dentro. Conseguimos ver todas as pessoas no Mapa do Maroto e eu os vi entrando ai dentro.
- Então por que a sala não abre.
- Não sei Hermione, mas espero que abra logo, porque o tempo está passando e pelo que vejo aqui uma guerra acabou de começar.
Hermione quase arrancou o mapa da mão de Rony e olhou o amontoado de nomes no meio da Floresta Negra, era praticamente impossível ver quem era quem.
- Meu Deus, o que fazemos?
- Não podemos fazer praticamente nada sem o Harry. Temos que esperar.
- Ou então me ajudar!
O grito veio da escada, ao olhar viram Neville com a espada de Griffindor em suas mãos ensanguentadas e atrás de si a cobra de Voldemort.
- Neville, o que está fazendo?
- Harry disse que eu deveria matar a cobra. Pensei que ela estava o tempo todo com Você-Sabe-Quem, mas quando vi ela estava aqui dentro, vindo direto para cá. Peguei um atalho e tentei intercepta-la, mas pelo que podem ver, não consegui muita coisa.
O chiado da cobra chegava cada vez mais perto, Nagini arrastava-se no começo do corredor desviando-se de destroços e nem mesmo se importando com o chão destruído. Seus olhos estavam cravados em Neville.
- O que faremos agora? – Perguntou Neville empunhando a espada.
- Correr seria uma boa opção. – Respondeu Rony.
- Não podemos correr, Rony. – Disse Hermione. – Harry precisa que façamos isso, ele precisa dessa ajuda. Então faremos agora mesmo.
- Fazer o que?
- Mataremos a cobra.
- Como?
Hermione estava pensando que precisaria rezar para todos os deuses que o mundo conhecesse, mas no exato momento que preparava-se para pensar em uma saída para seus amigos e si mesma a cobra parou de se arrastar, ergueu-se no ar e soltou um chiado intenso como se estivesse sentindo uma dor tão forte quanto a morte.
- Agora Neville, faça agora! – Gritou a menina.
O grifinório não pensou em nada, apenas ergueu a espada, segurou com força e correu em direção a cobra decepando a cabeça com um único golpe. O corpo sem cabeça da cobra estremeceu no chão por alguns segundos e então aquietou-se para sempre, descansando em meio a poeira.
- Parabéns Longbotton, finalmente mostrou que não é um tapado.
Todos olharam para trás e viram Harry e Draco lado a lado com o corpo de Zabine flutuando desacordado atrás. Nas mãos de Harry jazia o Diadema de Corvinal. Hermione largou-se no chão e riu alto, Rony a seguiu e logo todos riam juntos olhando de Nagini para o Diadema e então para si mesmos. Mas em poucos minutos os risos acabaram e sobrou apenas o silêncio em meio a guerra.
- Ainda não acabou, não é?
- Não Hermione, ainda não acabou.
- O que faremos agora? – Perguntou Neville.
- Vocês ficarão aqui e ajudarão todos com os comensais, eu vou para a floresta, ainda tenho mais uma coisa para fazer.
- Você está diferente, cara. – Comentou Rony chegando perto do menino. – Acho que finalmente temos nosso amigo de volta.
- Sim, Rony, eu voltei.
Harry sentiu o peso da mão de Rony em seu ombro e mais ainda o peso da omissão de que ele voltara, mas não sabia por quanto tempo.
- Eu vou com você, Harry. – Disse Draco colocando Zabine em um canto protegido. – Não adianta tentar negar, eu tenho que ir de qualquer forma, ainda sou um comensal, não se lembra? A marca arde em minha pele.
- Tudo bem.
Com todos de acordo os caminhos foram tomados. Rony, Hermione e Neville seguiram até a entrada do castelo onde a guerra se fazia presente. Harry e Draco pegaram uma passagem direto para a Floresta Negra. Não houve uma única palavra, Draco entrelaçou seus dedos aos de Harry, olhou em seus olhos e o beijou com um amor tão intenso como jamais sentira antes.
- Eu te amo. – Sussurrou Harry.
- Eu também, cicatriz.
Um sorriso, mais um beijo e uma caminhada entre comensais em duelo.
- Voldemort! – Gritou Harry fazendo todos pararem de lançar feitiços e prestar atenção apenas em si. O silêncio era mórbido. Mas Harry conseguira a atenção que desejava, Voldemort olhava apenas para o menino e o menino olhava apenas para ele, ignorando Riley, vestida como uma adulta ao seu lado, Daniel no colo de Narcisa que olhava apenas para Draco, Vany com sua feição mais feroz de veela e Severus, ajoelhado no chão, aguentando-se aos trancos e barrancos. O mestre de poções apontava sua varinha para Voldemort. – Sua guerra é comigo e eu estou aqui, então venha me encarar.
- Será com imenso prazer, Harry Potter.
Severus não conseguia acreditar no que seus olhos estavam vendo, era simplesmente impossível que aquele corpo estivesse sem vida aos seus pés. Seu peito ardia com as tentativas inúteis de respirar, não havia mais ar no mundo. Seu ar fora todo retirado no momento em que o feitiço verde atingiu Harry Potter no meio do peito fazendo seu corpo girar no ar e cair com um baque forte aos seus pés. Suas mãos tremiam ao aproximá-las do menino e tocar em seu braço apenas com as pontas dos dedos. Seu corpo todo estava gelado pelo medo. Seus pelos arrepiados, seus olhos arregalados e seus músculos paralisados.
Harry Potter estava morto.
O menino idiota que entrou em Hogwarts ainda com a aparência lhe lembrando de seu desprezível pai. Aquele ser inútil que só queria se aparecer diante de todos da escola, que era o garoto de ouro de Dumbledore. Aquele, aquele... aquele menino que ele tanto amava estava morto.
- Como eu sempre disse, eu mataria Harry Potter e matei.
Snape rosnou e afastou a mão de Harry, não conseguia suportar a dor de perdê-lo.
- Agora que Harry Potter está morto, vamos conversar Severus.
- Não tenho nada para conversar com você além de sua morte. – Respondeu Snape encarando-o com os olhos brilhantes de ódio. Eu vou matá-lo.
- Ah, claro que vai. – Debochou Voldemort. – Mas antes...
Com um aceno de cabeça um feitiço foi lançado por um dos seus comensais que aproveitou o momento de distração para estuporar Vany e levá-la até diante do Lord.
- Vany Smean, que prazer revê-la. Tão bela assim adormecida. Infelizmente temos coisas a tratar e precisa que esteja bem acordada. Enervate. – Vany acordou assustada e ofegante, viu-se diante dos olhos vermelhos de Voldemort. – Olá.
- Seu desgraçado! Eu vou matá-lo pelo que fez a minha família.
- Quieta! – Sentenciou o Lord abaixando-se e segurando o queixo da mulher com força. – Você não tem o direito de falar depois do que seu marido fez a mim e o que você fez a milady Riley.
- Jamais fiz mal a Riley, eu a amo, ela é minha filha.
- Uma filha que foi simplesmente deixada de lado quando descobriu estar grávida de novo. – Voldemort andava de um lado para o outro encarando Vany enquanto destilava seu veneno sobre a mulher. – Ela sentiu seu abandono, e eu, como um Lord misericordioso, dei a ela a oportunidade de ser uma rainha, com súditos, com pessoas que dariam a vida por qualquer coisa que ela pedisse e mais ainda, a chance de desenvolver sua magia que é extraordinária.
Sem que ninguém tivesse pedido Riley se fez presente na visão de sua mãe. Estava realmente linda, mas seu rosto, antes angelical, agora era firme e trazia a crueldade daqueles que só viam poder.
- Riley, filha, olha para a mamãe. – Pediu Vany ajoelhada diante da menina. – Por favor Riley, não faça isso.
- Você me esqueceu, mamãe.
- Não, nunca, você é minha menina. Você é minha filha amada, eu fiz tudo por você, para salvar você. Tudo. Eu te amo demais. Eu daria minha vida por você.
- Eu não queria sua vida. Eu só queria ser vista. Você me deixou de lado, me abandonou, mamãe. Porque nunca me disse que eu também tenho o poder, igual ao seu?
- O que? Como assim. Esse poder deveria terminar comigo. Não deveria ser estendido a você.
- Mas foi, eu também posso fazer.
Vany sentiu alegria e tristeza ao mesmo tempo. Sua filha tinha o mesmo dom que ela, podia curar as pessoas, mas esse poder vinha com o preço de sua própria vida. Ela mesma sabia disso. Sua contagem no caderninho diminuía cada vez mais.
- Sim, Smean, milady Riley tem um poder magnífico, uma magia forte e intensa que será desenvolvida e usada como ela bem entender. Ela terá tudo o que quiser, até mesmo ser eterna. Como eu.
Desenvolver, usar e ser eterna não eram termos que cabiam na mesma frase quando se falava do dom de curar que Riley herdou. Foi então que Vany entendeu, Riley não contara para Voldemort sobre esse dom. O Lord estava falando simplesmente da magia de Riley que por ser uma veela era mais poderosa que muitos bruxos ali presente. Por algum motivo a menina sabia que não deveria compartilhar aquele segredo e Vany agradeceu aos céus por isso.
- Mas vamos deixar de conversa e vamos ao assunto principal aqui. Severus. – Riu-se Voldemort, principalmente quando Snape tentara levantar e não conseguira devido o ferimento que o próprio Voldemort causara em sua perna. – Melhor não tentar se mexer Severus, essa perna não está muito boa e Madame Promfrey já está muito ocupada com os mortos no castelo para lhe dar atenção.
- Eu vou matá-lo se chegar perto de minha família.
- Eu já estou mais do que perto Severus, eu já estou dentro da sua família. Você só ainda não percebeu. Mas vamos ao que interessa. – Voldemort caminhou até o meio da clareira e olhou para todos os presentes. Os comensais estavam amontoados de um lado e os membros da Ordem e outros bruxos aurores ficaram do outro lado, ambos se encarando com as varinhas erguidas, apenas aguardando o momento da guerra recomeçar. – Aqui está o traidor, meus amigos. Os dois maiores traidores de nossas causas. A mulher de Daniel Smean, aquele que sabotara nossas missões no passado, que causara dor de cabeça naqueles que me acompanhavam naquela época. Devem se lembrar que muitos amigos nossos foram levados para o Ministério devido Daniel Smean denunciar nossos planos para os aurores. Claro que ele fora morto, mas o infame deixou uma semente em seu lugar, mas essa semente agora está conosco. – Apontou para Riley. – Então em seu lugar, para pagar os pecados do pai, temos a doce e bela senhora Smean, agora senhora Snape. E então o próprio Snape. Meu braço direito, aquele em quem eu mais confiava. O maior traidor de sua própria causa. E ainda por cima aquele que conseguira se livrar de minha marca. Acham que ele deve morrer?
- Sim. – Responderam em uníssono os comensais gritando e urrando.
- Ouviu seus antigos amigos, Severus. Você deve morrer. Mas antes quero lhe fazer uma proposta e sabe que eu cumpro com minha palavra.
Mais uma vez Snape tentou levantar e foi traído pela dor em sua perna, deveria estar quebrada. Sua varinha estava longe demais de suas mãos e não podia se arriscar a nada com centenas de comensais olhando para si. Ele e sua família estavam em completa desvantagem. Talvez todos morressem naquela noite. Harry fora o primeiro.
- Fiquei sabendo que você, assim como o velho do Alvo, deixaram-se cair nas armadilhas do "Amor". Lindo, não é mesmo meus amigos. Comovente. Mas também é uma armadilha. Pois agora eu tenho três membros de sua família em minhas mãos e você já calculou as chances de salvar a todos e percebeu que não tem chance alguma de salvar nem mesmo um deles.
Infelizmente Voldemort estava certo. Severus não tinha chance de salvar nenhum dos seus entes amados, assim como não teve chance de salvar Harry. Veria todos morrerem diante de seus olhos.
- Sabe, Severus, estive pensando em matá-lo o tempo todo. Você me traiu de uma forma vil e covarde, mas acho que deixá-lo se corroendo por anos é um castigo muito melhor do que a morte.
- O que?
- Te darei uma escolha, Severus. E terá que conviver com ela para o resto de sua vida. – Os olhos de Snape se arregalaram quando Voldemort arrancara o pequeno Daniel das mãos de Narcisa e apontara a varinha para o rosto de Vany. – Você pode escolher Severus. Sua mulher que você diz amar tanto ou seu único filho, o primogênito.
"No dia em que o sol virar lua, quando a luz não mais pertencer ao mundo e o mal der início ao seu reino uma escolha cruel deverá ser feita por aquele que marcado fora duas vezes e traz em si o equilíbrio das trevas e da luz. A escolha entre sangue ou coração."
A profecia bombardeou sua mente. Teria que escolher entre Vany, seu coração, sua amada, e Daniel, seu filho, seu sangue. O ar lhe faltou novamente. Não poderia jamais escolher.
- Mate-me. – Disse por fim. – Mate-me e deixe-os em paz.
- Já disse que não irei matá-lo, Severus.
- Então me leve como seu escravo. Torture-me, faça de mim o seu brinquedo. Apenas solte-os.
- Tenho que confessar que é uma proposta tentadora, Severus. Ter você como meu escravo, totalmente desprovido de magia, apenas obedecendo aos meus comandos como um bom cachorro adestrado. Mas não é isso que eu quero, eu quero lhe tirar tudo, toda e qualquer esperança e vontade de viver. Quero deixá-lo no vazio, coberto de amargura e angustia. Quero você definhando em pesadelos. Então, escolha.
- Não.
- Tudo bem, então. Crucio!
Vany caiu no chão se estremecendo. A dor era tanta que seus olhos apertavam-se até quase sangrar. Seus gritos eram finos e altos. A dor transpassava sua carne. Voldemort sorria maleficamente olhando a mulher bater-se no chão de tanta dor.
- Chega! – Gritou Snape caindo no chão novamente enquanto se esforçava para chegar mais perto.
- Está bem. – Disse Voldemort afastando a varinha de Vany que ofegava no chão. – Vai escolher logo ou serei obrigado a testar se o pequeno Daniel é capaz de aguentar um Crucio?
- Não, por favor, não faça isso.
- Então escolha logo, Severus. Lord Voldemort está tendo mais do que paciência com você, mas ela está se esgotando.
- Escolha a mim, Severus. – A voz quebrada de Vany fora ouvida claramente, mesmo que tenha saído baixinho da mulher que afastava os cabelos para olhá-lo.
- Não, Vany, não.
- Por favor Severus. Ele fará com nosso filho, ele o matará. Por favor escolha a mim.
- Não, eu não posso escolher. Eu não posso. Prefiro morrer a ter que escolher entre um de vocês. Se eu pudesse teria morrido no lugar de Harry, morreria por qualquer um de vocês. Inclusive você Riley. – A menina o olhou surpresa. – Mesmo acreditando nas palavras mentirosas dele, mesmo que tenha escolhido segui-lo e que esteja vendo sua família morrer diante de seus olhos por aquele que agora você chama de Lord. Eu morreria por você. Quero que saiba isso. Eu e sua mãe jamais a deixamos de lado, jamais a excluímos. Apenas sabíamos que você não era mais aquele bebezinho, aquela criancinha que precisava de cuidados o tempo todo. Você já era uma bruxa poderosa que logo entraria em Hogwarts e seria uma das melhores alunas do castelo. Você não precisava mais de proteção, você seria aquela que protegeria seu irmão. Eu morreria por você, sua mãe morreria por você, Harry morreria por você e até aquele maldito cachorro pulguento morreria por você. – Lágrimas escorriam do rosto de Riley, um choro prendia-se em sua garganta. – E mesmo fazendo todas as escolhas erradas, espero que fique bem e que um dia entenda tudo isso de forma correta e ainda tenha chances de ser a bruxa boa e poderosa que sempre sonhamos que seria.
- Chega de lamentações e melosidade, estou ficando enjoado. Segurem a senhora Smean e essa criança chorona. – Comensais se adiantaram e seguraram Vany pelos dois braços colocando-a diante de Voldemort, a mulher não tentou fugir, nem mesmo reclamou, apenas olhou uma última vez para Snape e Riley e disse o que seriam suas últimas palavras.
- Eu amo vocês.
Viu uma última vez a figura de Daniel nos braços de Narcisa que o olhava de uma forma que somente mães sabiam olhar, era um olhar protetor, em seguida Narcisa olhou para Draco entre os aurores, com a varinha erguida e pronta para lançar os feitiços que conhecia querendo matar o máximo de comensais que poderia afim de disfarçar a dor pela morte de Harry. Narcisa apertou Daniel em seus braços e se afastou de todos levando-o para longe através das sombras. Fugindo antes que percebessem. Talvez Daniel tivesse uma chance, assim como Riley. Talvez, e esse talvez já era o suficiente para lhe fazer fechar os olhos e aguardar o feitiço da morte.
- Não!
Os gritos foram dados ao mesmo tempo em que o urro de Voldemort estourou no céu. Seus cabelos loiros voavam soltos como suas mãos agora libertas dos comensais. Devagar abriu os olhos e deparou-se com o vestido azul de sua filha diante de si. Piscou algumas vezes e se levantou vendo a pequena Riley com o braço estendido, a mão firme apertando sua velha varinha e Voldemort caído mais adiante junto com os comensais que estavam mais próximos.
- Riley? – Chamou Vany ajoelhando-se na frente da menina ainda com os olhos arregalados. – Você fez isso?
- Não, mamãe, não fui eu. Eu apenas vim aqui e ergui a varinha, ela ficou com uma luz branca, ai fechei os olhos. Não sei o que houve mamãe, mas não fui eu.
- Está morto. – Gritou um dos aurores verificando o corpo de Voldemort. – VOCÊ-SABE-QUEM ESTÁ MORTO!
Gritos foram ouvidos em toda a campina. Os comensais remanescentes tentavam correr para escapar, mas os aurores e membros da Ordem, felizes com o sentimento de libertação pela morte de Voldemort capturavam cada ser de capa negra que corria rumo as colinas.
- Se não foi você, quem foi? – Se perguntou Vany olhando a sua volta e então se deparando com a cena mais impressionante de sua vida.
Snape estava sentado no chão duro, sua perna quebrada estendida na terra, o corpo sendo apoiado pelo braço. Deveria estar doendo, mas a dor era simplesmente esquecida naquele momento enquanto seus olhos brilhavam com lágrimas derramadas em seu rosto sujo e suado. Snape olhava para cima como se estivesse vendo um anjo e um anjo realmente estava diante de si, em pé com o braço estendido e a varinha apontada em direção ao bruxo morto adiante. A outra mão segurando a varinha que pertencera ao ex diretor de Hogwarts.
Aos poucos Harry Potter baixou o braço e guardou a varinha no cós do jeans, então olhou para baixo e viu Severus com uma expressão tão surpresa que beirava o infantilismo. Ajoelhou-se diante dele, afastou os cabelos negros grudados em seu rosto e lhe sorriu recebendo de volta um carinho na bochecha.
- Eu prometi que jamais iria me separar de você, Severus. Eu não podia quebrar minha promessa, não é mesmo, pai.
Severus respondeu da única forma que conseguiria naquele momento, puxou o garoto com força e o abraçou apertando-o em seu peito, querendo sentir a sensação do seu coração batendo.
Vany se aproximou devagar e abraçou os dois junto com Riley que chorava pedindo desculpas pelo que havia feito. Severus apenas balançou a cabeça e a trouxe para um abraço apertado. Não conseguia emitir em palavras o sentimento presente, a sensação de alivio que o invadia.
- Severus. - Aos poucos todos se soltaram e olharam para Draco em pé diante deles. Seus cabelos platinados estavam bagunçados e seu rosto tinha um hematoma feio. Apesar disso o sonserino lhe dava um sorriso torto típico dele. - Que bom que tudo acabou. Todos estamos felizes que estão bem, mas acho que tem alguém que querem ver.
O menino se afastou e deixou que Narcisa se aproximasse trazendo em seus braços, Daniel, adormecido. Vany se ergueu rapidamente e o pegou em seus braços chorando novamente. Riley se aproximou e as abraçou também.
- Pensei que estivesse escondida, Narcisa. – Disse Snape.
- Eu estava. Draco escondeu a mim e Lucius, mas ao contrário de Lucius eu não podia ficar apenas parada esperando ter notícia de Draco. Eu tinha que vir ver como ele estava. Claro que o Lord não me perdoou, me fez ficar ao lado dele até que encontrássemos Draco e então ele me mataria na frente do meu filho. Ainda assim eu tinha esperanças de que tudo terminasse de outra forma. Eu percebi que não dei a Draco o valor que ele merecia. Deixei-o em suas mãos, Severus, quando ele era uma criança apenas para seguir Lucius que no fim mostrou-se um covarde.
- Mas agora está tudo bem, mamãe. Estamos juntos.
- Sim estamos.
Severus respirou mais uma vez tranquilo. Todos estavam juntos, reunidos naquela clareira, abraçando-se, rindo e cuidando de seus feridos. No castelo a notícia da morte de Voldemort espalhara-se como praga e todos os comensais tentaram sair correndo sem sucesso. Estavam agora presos pelas raízes das arvores de Hogwarts, suas varinhas confiscadas e apenas aguardando o julgamento. Severus pensou que finalmente estavam todos reunidos, mas como que para provar o contrário um latido foi ouvido entre as árvores e através da luz da lua viu os pelos negros de Almofadinhas brilhando enquanto corria em sua direção. O cachorro parou diante de seu rosto e aguardou com o rabo balançando, as orelhas em pé, os olhos brilhando de alegria e a língua de fora. Severus viu sua impaciência, sentiu a alegria que aquele animal emitia apenas por ver que o homem que nem mesmo era carinhoso consigo estava bem.
- Vamos lá Severus, deixa ele fazer, uma única vez. – Disse Vany sorrindo com Daniel já acordado nos braços.
- É pai, você vai gostar. – Harry permanecia de mãos dadas com Riley e Draco. Narcisa estava logo ao lado. Todos apenas observando Severus que voltara a escarar o cachorro. – Apenas uma vez.
Cansado, dolorido, mas feliz, Severus soltou o ar, baixou os ombros e deu-se por derrotado perante os pedidos de sua família.
- Tudo bem. – Respondeu olhando Almofadinhas que parecia mais feliz do que nunca. – Só uma vez.
Almofadinhas jamais fora tão feliz em sua vida como naquele momento em que postava suas patas no peito do homem de preto e lambia seu rosto todo deixando um rastro de baba e amor. As risadas em volta eram altas e deliciosas. Voaram com o vento erguendo-se sobre a Floresta Negra e espalhando-se pelo céu sobre Hogwarts que nascia banhada pelos primeiros raios de sol daquele dia. Um dia que seria lembrado não pelas mortes e dores e sim pelo amor que sobreviveu a todos os modos de tortura e chantagem.
Um amor que perdurará por anos e anos nos corações daqueles que o aceitavam e daqueles que tinham o rosto lambido por um cachorro de pelos negros e olhos brilhantes como a lua.
Fim
