Naruto não me pertence, nem a história!
No final da manhã de sexta-feira, Hinata acabara de sentar-se para começar o trabalho quando a porta principal se abriu e a mãe de Sasuke entrou no escritório.
Mikoto Uchiha tinha pouco mais de sessenta anos, e conservava a beleza e a elegância da juventude. Era uma mulher alta, de ombros largos e seios fartos. Tinha dificuldade em encontrar roupas que se ajustassem bem a seu tamanho, mas adorava fazer compras. Precisava de constantes ajustes em suas roupas, e haviam se conhecido quando Hinata distribuía panfletos oferecendo seus serviços de costura pelo bairro.
Mesmo com trinta anos de diferença entre elas, as duas mulheres tornaram-se grandes amigas desde o primeiro momento. A alegria natural de Mikoto iluminava a vida monótona de Hinata.
A elegante senhora fora uma de suas clientes mais assíduas, e chegara a sugerir uma sociedade em uma oficina de costura.
Kurenai também a incentivara a crescer profissionalmente e sugerira que aceitasse a oferta, mas a prioridade de Hinata era dedicar-se à boa senhora que fora mais que uma mãe para ela.
Ao perdê-la, contara com a generosidade de Mikoto, que a indicara ao cargo de assistente pessoal do filho mesmo sabendo que teria de encontrar outra pessoa para reformar suas roupas.
Costumavam conversar com frequência por telefone, mas era a primeira vez que se encontravam depois que Hinata começara a trabalhar.
— Mikoto! — saudou-a com alegria. — Que surpresa adorável! Você está ótima! Azul, definitivamente, é a sua cor.
A elegante senhora riu com prazer.
— Você está sendo muito bondosa... Nada cai bem em mim! Você é que está ótima. Ainda está magra, mas vejo que já ganhou alguns quilinhos. E mudou a cor dos cabelos...
— Mas não por muito tempo. Pretendo tingi-los no fim de semana. Tenho trabalhado tanto que ainda não consegui aplicar a tintura com o tom original — mentiu, sem coragem de dizer que desistira de se incomodar com aquele assunto. Afinal, Sasuke mal notava sua presença, pensou. — Tive de mudar a cor para o casamento de Tenten, no último sábado. Lembra-se dela?
— Sim, claro que me lembro. Morena, alta, bonita...
— Ela mesma. Tenten exigiu que eu tingisse os cabelos e usasse maquiagem...
— Você deve ter ficado maravilhosa!
— Quando as fotografias estiverem prontas, você mesma poderá avaliar.
— Querida, acho que você deveria manter esta cor. Se usasse um pouco de maquiagem para realçar os olhos, ficaria perfeito. E poderia usar roupas mais leves e alegres, como azul-turquesa. Cores escuras realçam sua palidez.
Hinata não estava com disposição para tolerar a pressão de outra mulher a respeito de sua aparência.
— Mikoto, você sabe a razão de eu ter conseguido este trabalho. Sasuke gosta da minha aparência.
A simpática senhora voltou os olhos para o teto. Em sua opinião, nenhum homem poderia gostar daquela aparência. Para ela, infelizmente, Sasuke não notaria nenhuma mulher até que esquecesse completamente a ex-esposa.
— Oh, meu filho está fora de si! Aquela mulher fez um estrago maior do que uma bomba atômica. Gostaria que...
O que quer que ela fosse dizer foi interrompido quando a porta do escritório de Sasuke se abriu de súbito.
— Ah! Achei que tinha ouvido uma voz familiar. — Ele sorriu com ternura e beijou-a na testa. — O que está fazendo aqui, mamãe? Espero que não esteja fazendo fofocas a meu respeito.
— Você sabe que eu detesto fofocas! — defendeu-se, trocando um olhar cúmplice com Hinata. — Digo apenas a verdade.
— Nesse caso, por que está aqui? — indagou ele, depois de uma gostosa gargalhada. — Sem mentiras, está bem? Diga-me a verdade.
— Tive de vir à cidade para fazer compras, e decidi vir convidá-los para o almoço. Hinata também está incluída, é claro.
— Oh, não posso — ela retrucou de imediato. — Tenho de fazer algumas compras na hora do almoço.
— Eu também não posso — Sasuke informou. — Preciso analisar o movimento da bolsa de Tóquio e tenho de fazer alguns relatórios antes de fechar o pregão. Ficarei trabalhando na hora do almoço. Hinata já conhece meus hábitos alimentares, e costuma trazer alguns sanduíches.
— Pobre Hinata! — Mikoto lamentou. — Querida, acho que os dias tranquilos em que trabalhava como costureira ficaram para trás. Aposto que Sasuke se aproveita de sua bondade e a obriga a servir-lhe café todas as manhãs, além de mandá-la ir à lavanderia e ao banco...
— Bem, ela nunca se opôs — ele disse com certo constrangimento. — Você tem alguma objeção, Hinata? Como nunca disse nada, achei que...
— Claro que não! Não me importo. É sério, Mikoto — insistiu, diante do olhar cético. — Acredite, fico feliz em sair do escritório para respirar um pouco de ar puro.
— Querida, você jamais se importaria — Mikoto sorriu com carinho, voltando-se para o filho. -— Quero apenas ter certeza de que você não vai tirar vantagem da natureza doce e gentil de Hinata.
Os olhos de Sasuke se encontraram com os dela, como se a visse pela primeira vez.
— Jamais tiraria vantagem de Hinata — respondeu em tom sério. — Eu a valorizo demais para me arriscar a perder a melhor assistente pessoal que um homem pode ter.
O rosto de Hinata queimou diante do elogio. Não percebeu, naquela ocasião, a ironia daquelas palavras...
Depois que Mikoto foi embora, Hinata sentiu a mesma angústia que sempre a acompanhava com a chegada do final de semana.
Ao contrário da maioria das pessoas, não gostava das sextas-feiras. Para ela, a excitante antecipação de estar livre para passear e se divertir se perdera havia muito tempo. Sentia-se deprimida ao pensar que, depois de limpar a casa e lavar a roupa, não teria mais nada para fazer.
Embora tivesse o dia inteiro pela frente, já começava a planejar o que faria naquele fim de semana. Tenten ainda não voltara, e não contava com mais ninguém para lhe fazer companhia.
Poderia ler, ou assistir à televisão. Mas isso não preencheria sua solidão. Infelizmente, o jardim da casa de Tenten era pavimentado, e as poucas plantas eram cultivadas em vasos. Poderia voltar a costurar, pensou para si. Porém, havia empacotado a velha máquina de costura depois do funeral de Kurenai, para não reviver lembranças por demais dolorosas.
Algumas vezes, desejava que Sasuke lhe pedisse para trabalhar no fim de semana. Sabia que ele ia ao escritório aos sábados e certamente havia muito a fazer. Sabia também que ele costumava enviar o trabalho extra a uma agência. Mas, como ele nunca lhe pedira, nem sonhava em se oferecer, receando que ele interpretasse a oferta como um convite sensual, e não como uma tentativa desesperada de preencher a solidão.
Hinata caminhou até a janela e voltou os olhos para o céu. As nuvens carregadas anunciavam chuva, o que fez com que desistisse da idéia de caminhar até a perfumaria para comprar tintura para os cabelos.
A previsão de chuva a desestimulou para a possibilidade de sair às compras no sábado pela manhã. Afinal, não havia motivo para se preocupar. Que diferença faria mudar seu estilo, se Sasuke julgava que ela era apenas um robô programado para obedecer-lhe e facilitar-lhe a vida?
Com uma ponta de ressentimento, sentou-se diante do computador e começou a trabalhar, quando a campainha do telefone soou.
Passou a ligação para Sasuke e prosseguiu o trabalho, quando foi interrompida mais uma vez pelo interfone.
— Sim?
— Hinata, por favor, venha à minha sala. Ah, e traga uma xícara de café.
Ela se levantou para fazer o que ele pedira quando, para sua surpresa, a porta do escritório se abriu e Sasuke caminhou até ela.
— Mudei de idéia — ele disse com um sorriso gentil. — Vou preparar um café novo. Quer me acompanhar?
Ela o seguiu, incrédula, e observou-o enquanto ele ligava a cafeteira elétrica. Usava um terno acinzentado, que combinava à perfeição com os cabelos e os olhos escuros, especialmente quando completava o conjunto com camisa branca e gravata azul.
— Acho que teremos chuva — ele comentou, caminhando até a janela para olhar o céu.
Hinata detectou algo suspeito no comentário que a deixou curiosa.
— A chuva poderá atrapalhar seus planos para o final de semana? — arriscou perguntar, tentando dar um tom natural à voz.
— Ao contrário. Não estarei em Sidney. Vou para a Costa Dourada hoje à tarde para passar o fim de semana em um hotel cinco estrelas.
— Sorte sua! — ela replicou, imaginando com quem ele viajaria.
— Não precisa ter inveja. Você vai comigo.
Hinata agradeceu por não derrubar a xícara de café, tamanho foi seu choque ao ouvi-lo.
— Vamos a trabalho.
— Que tipo de trabalho?
Tentando parecer o mais calma que pôde, ela sorveu um gole do café, fazendo o possível para esconder o tremor das mãos.
— Acabei de receber um telefonema de Shikamaru Nara, um grande investidor que faz aplicações no Banco Internacional. Ele me pediu para fazer um tipo de investimento diferente do usual.
— O que quer dizer com "diferente do usual"? — ela indagou em tom de suspeita.
— Bem, esse hotel, o Sunshine Gardens, está à venda, e todos os compradores em potencial foram convidados pelo proprietário atual a se hospedarem lá por um fim de semana. Nosso trabalho será simplesmente estar lá e avaliar suas condições gerais. — Ele sorveu um gole de café antes de prosseguir: — Teremos liberdade para passear e usufruir de todos os recursos do hotel, com exceção de amanhã à noite, quando está programado um jantar com apresentação de um vídeo e palestra do gerente. Claro, ele tentará provar que o hotel é um investimento sólido. Shikamaru Nara havia planejado ir, mas teve um compromisso de última hora e me pediu que fosse em seu lugar.
— Mas não posso substituir Shikamaru Nara! — Hinata exclamou, começando a entrar em pânico.
— A idéia não é que você o substitua. Ele disse que as mulheres vêem detalhes que os homens são incapazes de perceber, e faz questão de ter uma opinião feminina.
— E quem ele iria levar? A secretária ou uma amiga?
— Na verdade, ele levaria a esposa. Quando eu disse que não tenho esposa, ele riu e comentou que isso não deveria representar problema para mim. — Sasuke esboçou um sorriso triste. — Shikamaru imagina que tenho a agenda repleta de telefones femininos...
— E você não tem? — Hinata arrependeu-se no mesmo instante por não ter conseguido controlar o ímpeto de perguntar, mas já era tarde.
— Claro que não! — A indignação no rosto másculo era evidente. — Esse não é meu estilo.
Hinata não soube o que pensar. Talvez ele simplesmente não gostasse de mulheres... Ou, talvez, tivesse princípios e padrões antiquados e rígidos.
A idéia de que Sasuke não se sentia atraído por mulheres foi descartada de imediato. Não seria possível que um homem tão másculo e viril não fosse heterossexual.
— Eu garanti a ele que levaria minha perspicaz assistente pessoal... Se você estiver disponível, é claro! Já tem algum compromisso para o final de semana?
— Não, mas...
— Ótimo! — interrompeu ele, com evidente alívio. — Ficaremos em um apartamento com dois quartos e banheiros separados, e você não precisará passar todos os minutos do dia comigo. Espero apenas que me acompanhe no jantar de sábado à noite.
— O que devo vestir para o jantar? — ela indagou, chocada por não ter recusado o convite.
— Nada de extravagante. Use um traje esporte fino. Se for necessário, Shikamaru pagará as despesas e você poderá comprar um vestido.
— Acho que não será preciso — ela replicou, lembrando-se da roupa que usara no casamento de Tenten.
Nunca havia imaginado que teria chance de usar aquele vestido em tão pouco tempo! Agradeceu secretamente à amiga por tê-la convencido a comprar a roupa que custara uma pequena fortuna. Um arrepio percorreu sua espinha ao imaginar a surpresa que ele teria ao vê-la arrumada...
— Então, está combinado. Não se esqueça de que o clima da Costa Dourada é muito quente. Leve roupas informais para usar durante o dia. — Sasuke colocou a xícara de café sobre a pia e olhou para o relógio. — O vôo sairá às quatro horas da tarde, o que nos dará tempo para trabalhar antes de viajar. Você mora em Turramurra, não é?
— Sim, por enquanto.
— Por enquanto? — Ele franziu o cenho, mostrando-se pela primeira vez curioso acerca de qualquer coisa a respeito da vida dela.
— Estou na casa de uma amiga. Ela está me hospedando desde que minha mãe adotiva morreu, lembra-se? Falei a respeito de Kurenai em minha entrevista.
Ele concordou com um meneio de cabeça, mas Hinata percebeu que estava apenas sendo gentil. Era evidente que não se lembrava.
— Claro, você me disse. Disse também que venderia a casa de sua mãe adotiva e compraria um apartamento na cidade — acrescentou, para surpresa dela. — Sinto muito. Sei que me disse onde morava naquele dia, mas me esqueci por um momento.
Constrangido pela desatenção, Sasuke se esforçou para demonstrar interesse.
— Ainda não conseguiu comprar o apartamento?
— Infelizmente, nada aconteceu como eu havia planejado. Kurenai fez um testamento colocando-me como única beneficiária de seus bens, mas seu ex-marido o contestou. Para reaver meus direitos, eu teria de travar uma cansativa batalha nos tribunais, e provavelmente perderia a causa.
— Lamento. Não é justo, pois você cuidou de sua mãe adotiva até o final. Mas a vida não é justa, não é mesmo? — ele acrescentou com amargura.'— E o que fará agora?
— Bem, estou hospedada na casa de Tenten enquanto ela está em lua-de-mel. Quando ela voltar, pretendo alugar um apartamento pequeno, perto do escritório.
— Os apartamentos no centro da cidade são muito caros — ele advertiu com ar paternal.
— Nem me diga! Procurei algumas ofertas no jornal. No momento, não posso nem mesmo arcar com os custos de uma quitinete. Talvez eu tenha que dividir com alguém.
Aquela seria sua última escolha. A idéia de morar com uma pessoa estranha não a agradava.
— Você conseguiria morar com estranhos? — Sasuke indagou, surpreendendo-a com sua intuição.
Como resposta, meneou a cabeça em negativa.
— Não pode ficar na casa de sua amiga? Ela não vai precisar, agora que se casou.
— Ela me ofereceu, propondo que fizéssemos um contrato formal de aluguel.
— Então aceite, não seja tola — aconselhou ele, encerrando o assunto. — Quanto tempo você leva para ir até lá, fazer sua mala e ir para o aeroporto? Eu pagarei o táxi, claro.
— Acho que preciso de duas horas, se o trânsito estiver bom.
— Isso significa que você terá de sair daqui à uma hora. Estou com as passagens, mas é melhor ficar com a sua, caso se atrase. Podemos nos encontrar no portão de embarque.
— Está bem.
Sasuke sorriu com gentileza, fazendo-a derreter.
— Sabia que poderia contar com você, Hinata. Qualquer outra mulher ficaria apavorada, e precisaria de um dia todo para ir ao cabeleireiro e fazer as unhas, mas não você.
— Não estou certa se é um elogio ou uma crítica... — Embora tentasse manter o bom humor, o comentário escondia uma ponta de amargura.
— É um elogio, claro! Acredite em mim. Bem, vamos voltar ao trabalho. Ah, e não se esqueça de levar roupa de banho. Uma de nossas atribuições será avaliar a piscina do hotel.
Enquanto ele saía da pequena copa, Hinata permaneceu imóvel, sentindo o estômago se contrair. A idéia de usar biquíni diante dele a deixou apavorada. Não era tola a ponto de imaginar que Sasuke poderia se sentir atraído, apenas não se sentia confortável por aparecer seminua diante de seu chefe.
Estava decidido, não levaria o biquíni. Diria que o esquecera, ou inventaria outra desculpa. Decidiu também que usaria os cabelos presos no jantar. Com exceção do vestido, seria a mesma Hinata que ele costumava ver no escritório. Talvez usasse um pouco de batom, nada mais.
Sentindo-se melhor com aquelas decisões, tentou se concentrar no trabalho. Uma hora depois, entrou no táxi e seguiu para casa. Fez a mala em um piscar de olhos, tomando a liberdade de pegar algumas peças de Tenten, certa de que ela não se importaria. Dedicou-se a dobrar o vestido com cuidado e embalou as sandálias forradas com o mesmo tecido.
Hesitou alguns minutos antes de apanhar o estojo de maquiagem, mas julgou que seria melhor estar prevenida. Depois de tomar um banho rápido, vestiu uma calça jeans e uma camiseta branca, calçou mocassins confortáveis e prendeu os cabelos como costumava fazer sempre.
Às duas e meia da tarde estava novamente dentro de um táxi seguindo para o aeroporto, e começou a ficar aflita ao ver que o trânsito estava congestionado. Ao chegar, faltava apenas cinco minutos para o embarque. Entregou uma nota de cinquenta dólares para o motorista e saiu correndo, sem esperar pelo troco. Hinata voou pela escada rolante que levava ao terminal de vôos domésticos, rezando para que Sasuke não estivesse furioso com ela.
Depois de passar pelo check-in, seguiu para a sala de embarque e avistou-o sentado em um banco, lendo um jornal com a maior tranquilidade do mundo. Não parecia ansioso, embora levantasse os olhos de tempos em tempos. Quando a viu caminhando em sua direção, dobrou o jornal e se levantou para encontrá-la.
— Sabia que você conseguiria — comentou com naturalidade.
— Quase não consegui! — ela desabafou sem fôlego. — O trânsito estava terrível! Gostaria de ter um telefone celular para avisá-lo que estava a caminho.
— Não se preocupe, você está aqui agora.
Ofegante, aliviada e quase excitada, ela sentiu-se feliz pela oportunidade de estar ali. Fazia muitos anos que não viajava, especialmente em companhia de um homem atraente. Claro, jamais se esqueceria que ele era seu chefe, e não havia nada de romântico entre eles. Mas, já que concordara em acompanhá-lo, trataria de tentar se divertir.
— Acho que esta viagem lhe fará bem — Sasuke comentou depois que ocuparam seus assentos.
— Por quê? — indagou ela, admirada com a capacidade daquele homem de adivinhar o que estava pensando.
— Você é muito dedicada ao trabalho, mas imagino que não tenha o hábito de sair para se divertir em seu tempo livre, especialmente trabalhando para alguém viciado em trabalho como eu.
— Acredite, Sasuke, eu gosto de trabalhar.
— Aquele comentário que minha mãe fez naquela manhã... Seja sincera, Hinata. Você se incomoda em me levar café e levar minhas roupas para a lavanderia?
— Claro que não! Até gosto de sair do escritório para quebrar a rotina. Às vezes, é entediante ficar sentada à frente do computador, copiando arquivos.
— Esta é uma grande parte de seu trabalho, não é? Deve ser uma afronta para sua inteligência. Eu deveria envolvê-la mais no que faço, mostrar como analisar uma informação... O que você acha?
— Oh, seria maravilhoso! Claro, se você realmente julgar que posso — acrescentou ela, em um lapso de insegurança.
— E óbvio que você pode! E então, quando eu fundar minha própria empresa, vou promovê-la a um cargo melhor, com um salário digno de sua nova função, e contratarei alguém para ficar na recepção.
— Sasuke! Eu... Eu não sei o que dizer.
— Diga apenas que sim.
— Sim! — ela ecoou, explodindo de felicidade.
— Esta é outra coisa que gosto em você: nunca discute comigo.
— E porque você nunca me propôs nenhum absurdo!
— Certo, vou levar algum crédito pelo meu poder de observação — comentou ele com bom humor. — Sei que fico com meu nariz enfiado no computador a maior parte do dia, mas eu seria um idiota completo para não notar alguns de seus hábitos. Você lê durante toda a hora do almoço. Imagino que leia também durante o trajeto para o trabalho, certo?
— Sim.
— E de que tipo de livros você gosta?
— Oh, todos os tipos. Suspense, romance, biografias...
— Eu costumava ler livros de suspense obsessivamente quando estava na universidade — ele disse, saudoso. — Mas confesso que, hoje em dia, minhas leituras raramente se estendem além de jornais financeiros.
— É uma pena. Ler é um ótimo passatempo, e uma excelente fuga.
— Uma excelente fuga? — Sasuke refletiu por um instante, e então abriu um sorriso. — Sim, você está certa. Talvez eu devesse tentar, em vez de fazer ginástica.
Hinata se pôs a imaginar do que ele tentava fugir. Das memórias do casamento? Se sua mãe estivesse certa ao dizer que a ex-esposa de Sasuke era cruel e insensível, por que ele teria se casado?
Relacionamentos nunca eram fáceis, ela concluiu para si. E a maioria dos casamentos guardava seus próprios mistérios. Mikoto naturalmente culpava a esposa do filho por terem rompido, mas ela realmente saberia o que se passava entre eles?
Depois de alguns minutos de silêncio, Hinata apanhou seu livro e mergulhou na leitura. Estava tão concentrada que não viu o elegante rapaz que passou pelo corredor, minutos depois. Se ela tivesse percebido, talvez desistisse da viagem naquele mesmo instante...
